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16º Festival de Dança de Joinville - 1998

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Aquarela do brasil
Maracatu é uma das manisfestações folclóricas que o Balé Popular do Recife utiliza em seus espetáculos
Arquivo AN

Brincante das três raças

Paulo César Ruiz
Editor-assistente do ANFestival

O público do festival de dança vai assistir nesta segunda-feira uma das mais genuínas companhias de dança folclórica do Brasil e, por que não dizer, do mundo: o Balé Popular do Recife, que abre a noite de competições de danças populares, solos livres e dança-teatro. A companhia, que é dirigida por André Madureira, desenvolve um trabalho seminal de pesquisa e divulgação das manifestações populares do Nordeste, que, como se verá, é riquíssima, variada e, cenicamente, da mais alta qualidade. Serão ao todo sete danças que, na verdade, é uma aula sobre o quase desconhecido folclore brasileiro. As academias, normalmente, preferem mirar-se no folclore russo, apesar de ser infinitamente menos significativo que o brasileiro.

Uma pena é que o espetáculo "Nordeste, a Dança do Brasil" não vai poder ser assistido na íntegra, que dura uma hora e quinze minutos. Será apresentado em Joinville só 30 minutos do espetáculo, que já foi visto por platéias de países como Bélgica, França - onde fez temporada de 3 meses - , Espanha, Canadá, Cuba, além de encantar palcos pelo Brasil e América do Sul. Dividido em Ciclos Festivos - Altos e folguedos populares do Ciclo Natalino, do Ciclo Carnavalesco, do Ciclo Ameríndio e do Ciclo Junino - o Balé desenvolve-se através de ritmos criados historicamente pelo povo como, por exemplo, Guerreiro, Frevo, Maracatu, Caboclinhos e Bumba-meu-boi. Esses ritmos são presença constante do dia-a-dia do nordestino, nas feiras, no carnaval, nas festas juninas, enfim, todo santo dia.

O trabalho do balé é uma recriação das danças autênticas do nordeste. Para isso, foi criado um método de aperfeiçoamento que pesquisa interpretação, figurino, trilha sonora, entre outros itens, criando uma linguagem com a assinatura do balé popular. Os elementos populares são elaborados cenicamente sem perder as características do brincante nordestino.

O balé detectou festas específicas em épocas do ano, que são esteticamente autônomas nos movimentos, nos figurinos, na música e nos motivos. O carnaval é o mais famoso e o mais destacado dentro do balé pernambucano. Neste ciclo a companhia leva ao palco o frevo, maracatu, que é dividido em duas categorias: o rural, em que aparecem as figuras de caboclos de lança, e o afro, que é o Maracatu Nação e de Baque Solto. O primeiro é de cortejo, em que os personagens principais são o rei, a rainha, o abanador, a dama do passo. Essas danças são de origem negra (maracatu), mestiça (frevo) e Índia (caboclinho).

Danças

Uma das danças do universo popular do Nordeste é o Guerreiro, que é um auto popular, influenciado pelo autos renascentistas, mais comum nas aberturas do espetáculo do nordeste. Trazida pelos portuguesas, essa é uma dança religiosa que simboliza a luta entre mouros e cristãos e foi encontrada no sul de Pernambuco, na década de 30. É, segundo André Madureira, um dos folguedos mais novos de Pernambuco e Alagoas e aglomerou informações do reizado, do quilombo, do bumba-meu-boi, e, quando representado na íntegra, tem 8 horas de duração.

O Bumba-Meu-Boi - que em Santa Catarina tem uma vertente chamada "Boi-de-Mamão" - que vai ser apresentado é uma fusão do boi do maranhão com o cavalo marinho pernambucano, que são distintos. Os negros africanos seqüestrados pelos naus-tratos portugueses trouxeram na bagagem todo o arcabouço cultural e mitológico - que é mais rico, dizem, que o grego - que possibilitou manifestações populares de um requinte estético inigualável. Em Pernambuco criaram, por exemplo, entre muitas outras, as Danças dos Arcos ou Galante. Diz a história que, depois de libertos do eito, saíram pelas estradas com fitas e flores para render uma homenagem a São Gonçalo do Amarante, santo padroeiro.

No meio do espetáculo, o Balé Popular do Recife fará uma pequena mostra dos ritmos mais populares do Nordeste, chamado Viva Pernambuco, que muitos já conhecem através das composições de artistas como Alceu Valença, Luís Gonzaga, Chico Science, Lenine, entre outros: xaxado, côco, baião, frevo, ciranda, caboclinho, samba-de-roda etc. Recife é, talvez, ao lado de Salvador, a cidade mais festeira do Brasil. E festas populares, não de salão ou clube. Ao contrário do que se pensa, no Nordeste essas festas são realizadas pelo e para o povo, que é alegre, extrovertido, dinamicamente corporal, e, tirante os estereótipos preconceituosos disseminados pela ignorância, muito disciplinado e trabalhador. Só quem conhece, sabe.

Com 21 anos de existência como grupo independente e escola formadora de bailarinos, o Balé Popular do Recife é uma instituição que promove a cultura brasileira no exterior, tendo que, às vezes, fazer um trabalho didático, uma vez que o paradigma da cultura brasileira ainda é o da mulata, escola de samba e caipirinha. Não é o caso do espetáculo que o público vai ver no Centreventos, pois o Balé Popular do Recife vai mostrar através da dança um aspecto fundamental da gênese da cultura brasileira, fator que nos distingue de outros povos: a formação da nossa raça. Não é pouco, apesar de poder causar um certo estranhamento para quem não tem intimidade com o universo popular nordestino.


O partner está no palco
para engrandecer a bailarina

Treze anos participando do festival, Ronaldo Martins ajudou a conquistar títulos e a construir carreiras

Joel Gehlen
Editor do ANFestival

Ronaldo Martins foi o que se pode chamar de um notório levantador de bailarinas nestes 16 anos de Festival de Dança. Período em que construiu, de fato, a fama de bom partner. Uma raridade, tanto que as escolas de dança brasileiras importam bailarinos cubanos ou russos para dançarem com suas meninas. Participando do festival todos os anos, desde 1985, com diferentes grupos e parceiras, Ronaldo Martins construiu umas espécie de carreira free-lancer ajudando a projetar algumas das maiores revelações do festival.

A deste ano foi sua última participação pelo menos como concorrente. Semana passada ele deixou Joinville ainda com o festival ao meio, só que, em vez de voltar para São Paulo, onde mora e estuda, mudou-se de mala e cuia para o Rio, onde passa a integrar o corpo de baile do Teatro Municipal. Deixa a cena do festival com seis prêmios conquistados, para desenvolver sua carreira profissional. Nos 13 anos em que competiu em Joinville, Ronaldo dançou clássico e jazz e defendeu os grupos Verônica Balé, Ilusão e Vida, Especial e, nesse ano, o grupo Paula Castro. Obteve premiações em 1988, quando arrebatou dois primeiros, um segundo e um terceiro lugar. No ano seguinte, dançou D. Quixote ao lado de uma então estreante Daniela Severian obtendo o prêmio máximo. Em 1990, repete o feito novamente ao lado de Daniela, desta vez dançando "Diana e Actheon". Ronaldo voltaria a dançar com Daniela em 1992, numa participação especial em comemoração anos 10 ano do evento. Depois disso, Daniela foi para a Alemanha, ganhou o Grand Prix de Paris e transformou-se numa estrela da dança internacional. Outros grupos que defendeu em Joinville foram: Escola Maria Olenewa (SP), Petit Balé, de Curitiba, Hugo Bianchi, de Fortaleza, Eli Batista, do Piauí e Balé Chemalli, de Porto Alegre.

Outra parceira que pegou um trem para as estrelas dançando com Ronaldo Martins foi Andreza Randizeck. Em 1992, os dois competiram juntos pela primeira vez, e venceram. Interpretando "Esmeralda" ao lado de Ronaldo, Andreza subiu ao pódio.

Em 1994, foi premiado dançando pelo grupo Verônica Balé. Em 1996, volta com o grupo Especial novamente. Apresentou-se ao lado de Thamara Keiko, conquistando um segundo lugar no profissional. Atualmente, Thamara está no Balé da Cidade de São Paulo. Nesse ano fechou sua participação no evento defendendo o grupo Paula Castro, recebendo um terceiro lugar no pas-de-deux clássico semi-profissional.

Encontrar um bom partner, que esteja na estatura certa, segure direito e entrose artisticamente é uma benção. Se, além disso, é companheiro e amigo de sua parceira, é a glória. E uma das características de Ronaldo Martins sempre foi a de ajudar as bailarinas a crescer. "Como iniciador da carreira delas, é uma satisfação ver a Severian com todo o sucesso que conquistou, ela começou a dançar comigo, dançamos juntos seis anos, ganhamos dezenas de festivais como o ENDA de São Paulo e o CBDD, do Rio de Janeiro. Com a Andreza, foi a partir da vitória em Joinville que começaram a aparecer oportunidades de trabalho", lembra o bailarino.

Neste ano em Joinville, Ronaldo e Daniela reencontraram-se, depois de quatro anos de separação em que ela dança na Alemanha. "O encontro com Daniela foi bárbaro, temos uma amizade grande, saímos e dançamos juntos na boate, foram horas e horas de conversa. Foi um encontro muito feliz", relata o bailarino. Ronaldo não se importa em ser chamado de "levantador de bailarinas" o que, a princípio, pode soar pejorativo aos ouvidos de um artista. Mas o bailarino reconhece com humildade sábia que para ser um bom partner é necessário muita atenção com a bailarina, preocupar-se primeiro com ela, ser todo atenção para que ela brilhe. "No pas-de-deux, o bailarino está ali para engrandecer a bailarina, só aparece na variação masculina e na coda para mostrar seu trabalho, fora isso, tem que ser atencioso com ela.

Espero que a garotada nova que participa do festival crie esta consciência", ensina Ronaldo. A dança no Brasil amadureceu, surgiram grandes talentos, o evento mudou mas, como é próprio da dança clássica, a função do partner continua inalterada.

O bailarino paulista, claro, deixou Joinville levando uma enorme saudade na bagagem de um festival que viu crescer - afinal subiu no palco do festival quando ele ainda engatinhava, na sua terceira edição em 1985 - de lá para cá muitas águas rolaram. "O festival me ajudou muito a ter a carreira que tenho, só posso agradecer. Através de Joinville fui dançar abri vários espaços que mantenho até hoje", finaliza.


A expressão inusitada
das inquietações contemporâneas

Ana Francisca Ponzio
Crítica de Dança

Ao contrário do bailarino, que pode contar com escolas e um caminho mais definido de formação, o coreógrafo tem de lidar com o processo mais impalpável da criação. Principalmente no Brasil, onde não há escolas voltadas para a composição coreográfica, aqueles que preferem conceber em vez de interpretar, acabam se valendo muitas vezes da intuição para descobrir a trilha a ser seguida.

Entre as revelações recentes da dança brasileira, o coreógrafo Henrique Rodovalho, do grupo Quasar, é uma prova de que o real criador pode surgir em condições anti-convencionais. Para os que tiveram a chance de ver "Versus", espetáculo apresentado quinta-feira no 16º Festival de Dança de Joinville, certamente foi possível perceber a originalidade da linguagem de Rodovalho, um goiano tímido, despretensioso, que contradiz o estereótipo das estrelas.

Nascido em Goiânia, cidade à margem das produções artísticas que circulam pelo país, Rodovalho descobriu a dança através de uma namorada bailarina, quando ainda era estudante de educação física. Movido pela curiosidade, viveu um curto período no Rio de Janeiro, onde se surpreendeu com as possibilidades inusitadas da dança contemporânea no Carlton Dance Festival, o evento que, na época, trazia grandes novidades ao Brasil.

A partir de 1988, quando tornou-se coreógrafo do grupo Quasar, Rodovalho tinha pouca experiência de palco, mas uma mente iluminada para captar e expressar as inquietações da arte contemporânea. "Fujo ao padrão do coreógrafo que dança muito antes de coreografar. Nunca imaginei uma coreografia que contasse com minha presença no elenco. Acho que é possível descobrir novos caminhos e, para mim, é muito mais estimulante perceber o mundo à minha volta do que ficar trancado em uma sala de aula repetindo fórmulas", diz Rodovalho.

A partir de idéias aparentemente simples, Rodovalho tem concebido espetáculos premiados, que colocaram o Quasar na rota do sucesso. Em "Versus", ele explora situações cotidianas ao som de um contraponto musical: as canções urbanas de Arnaldo Antunes e a percussão primitiva do grupo Burundi. Para criar "Registro", espetáculo inédito em Joinville, que rendeu ao Quasar cinco prêmios Mambembe no ano passado, o coreógrafo se inspirou na tendência de todo ser humano em registrar seus momentos felizes, através da fotografia. Tomando tal idéia como fio condutor, criou paralelos entre realidade e fantasia, compondo uma sucessão de cenas que misturam humor, irreverência e poesia.

Mesmo sem a formação acadêmica convencional, Rodovalho sabe criar coreografias a partir do máximo aproveitamento das informações que somou até agora. "O coreógrafo brasileiro não pode contar com a tradição cultural de um europeu. Em contrapartida, vivemos num contexto diferenciado e riquíssimo, capaz de proporcionar ao criador uma gama infinita de possibilidades criativas", ele acrescenta.

No entanto, tornar viável a carreira de coreógrafo no Brasil não é proposta fácil, segundo Rodovalho." Temos poucos incentivos e não contamos com projetos voltados para o desenvolvimento de novos coreógrafos", ele afirma. "Mas, estou certo que há um potencial adormecido no país. Acho que, muitas vezes, pessoas que gostariam de coreografar se intimidam porque não têm formação acadêmica convencional. Antes de colocar a técnica como um fim, é mais importante descobrir suas verdades pessoais e experimentar formas criativas de expressá-las."

Um calouro no Festival de Dança de Joinville, Rodovalho confessa que se assustou com o tamanho do Centreventos. Até então, seus espetáculos vinham sendo encenados em teatros de média dimensão, onde o público pode perceber melhor a expressividade dos bailarinos. "Quando vi que o espectador sentado no fundo do auditório perceberia o conjunto e não o detalhe, fiquei preocupado. Pedi para os bailarinos exagerarem mas não tenho certeza se funcionou. Mas, se pelo menos meia dúzia de pessoas perceberam em 'Versus' que dança é muito mais do que perfeccionismo técnico, já fico feliz."


Prêmio ANFestival
Grupo Íris Ativa Dança, com a peça "Três em Cordas", foi o indicado da noite ao prêmio que será entregue pelo jornal A Notícia, no último dia do evento
Foto: Cleber Gomes

Tropeço das trilhas
não derruba bailarinos

Suzana Braga
Crítica de dança

Mais uma noite de dança no palco do Centreventos Cau Hansen. Essa reservada às últimas apresentações de jazz, que não foram poucas, e a números modernos/contemporâneos. Por sinal foi a noite mais concorrida do festival, até o momento. Dos lugares nobres (poltronas e camarotes) à galera geral, poucos lugares ficaram vagos e o público não arredou pé, como costuma acontecer, até porque a noite foi mais light, melhor dosada, que as anteriores.

Antes de falarmos das apresentações propriamente ditas vamos fazer uma pequena retrospectiva sobre o som que nos é apresentado. Para início de conversa já existe uma disparidade acústica no Centreventos. Má colocação de caixas, necessidade de equalização, som de retorno atrasado, o que é um problema normal a grandes espaços mas que precisa ser amenizado. Aliado a isso, a qualidade das fitas e CDs que são entregues aos operadores muitas vezes está em estado lamentável, ou gravadas no melhor estilo "fundo de quintal".

Agravando ainda mais a situação somos apresentados, com frequência espantosa, ao poderoso compositor "colagem musical" que está em todas. Colagens musicais existem, mixagens existem, arranjos também, mas é preciso critérios para elaborá-los. Com todos os recursos que se tem atualmente, com ilhas e estúdios digitalizados que garantem uma ótima qualidade de som, com profissionais excelentes para operacionalizar esse processo é inadmissível que grupos de dança se apresentem ao som de FM direto ou, o que é pior, que esquartejem as peças musicais e façam colchas de retalhos com os seus despojos. E quando se fala em critérios da seleção musical, a escolha dos compositores também é peça fundamental para equacionar uma música que pactue com a proposta de trabalho e não se transforme apenas num ruidoso pano de fundo.

A noite de sábado foi mais enxuta e apresentou bons momentos nos números de conjunto. No jazz , categoria Amador I, bons bailarinos destacaram-se em muitos grupos, alguns verdadeiras companhias. Aliás, justiça seja feita o jazz - quando bem empregado - auxiliou muito na formação, no vigor técnico e até na popularização da dança brasileira. Hoje, o jazz sofre uma reformulação conceitual e estrutural. Aproxima-se cada vez mais da dança moderna/contemporânea e são ex-alunos de boas e conscientes escolas de jazz que desaguaram nas melhores companhias modernas do país, dentre elas o esplêndido Quasar, citando apenas um exemplo mais recente na memória de todos, que tem uma boa parcela de seus componentes oriundos de grupos de jazz.

Mas, se os bailarinos, de muitos grupos estão bem, poucas e boas coreografias destacaram-se. Foi muito boa a apresentação do Grupo Cristina Cará, de São José dos Campos (SP) com a peça "The Dreams" (música Michael Sembello). Bem estruturada, musical, bem dançada e especialmente bem resolvida no espaço, como deve ser qualquer coreografia. Não levou nada mas fica aqui registrada como um dos melhores momentos da noite. Os premiados foram: Cia. Experimental de Dança, de Indaiatuba(SP), com "Um simples prazer de dançar", bom trabalho de Érika Novachi, primeiro colocado; "Tempuris" apresentado pelo Grupo Força e Expressão, de São Paulo ficou em segundo e " Tarantulas" do Jazz Carlota Portella, do Rio, em terceiro.

Mas foi nos modernos que apareceram as mais gratas revelações da noite. É um prazer, mesmo depois de horas de espetáculo encontrarmos um trabalho como "Três em corda" apresentado pelo Grupo Íris Ativa Dança, de Campinas (SP). A peça assinada por Liliana Testa é feliz em todos os sentidos. Luz bem colocada, escolha musical, gramática coreográfica e interpretação. Parabéns. Logo a seguir o Grupo Beth Dorça também faz bonito com uma inspirada coreografia de Ivonice Satie intitulada "ARROQ", outro grande momento, ambos premiados.

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Competições

Noite popular, de solos livres e dança-teatro

Depois do Balé Popular do Recife, as competições continuam no palco do Centreventos neste segunda-feira. Os grupos de dança popular, solos livres e dança-teatro sobem ao palco do festival para ver quem consegue convencer os jurados de que está mais preparado naquele momento técnica e artisticamente para subir ao pódio.

O primeiro grupo a subir ao palco é o da Casa de Cultura de São Francisco do Sul, que apresenta a coreografia "Festa Açoriana", de Wald Oliveira, comemorando os 250 anos que os açorianos desembarcaram na simpática ilha vizinha a Joinville. Outro joinvilense, o Centro de Dança e Pesquisa Flávia Vargas vem com pinta de favorito com "Kalinca", de Alexander Voloiev, depois de conquistar, com a mesma coreografia, o primeiro lugar no festival de Uberlândia, recentemente. A peça é baseada na festa da colheita do folclore russo. Ainda de Joinville, o Grupo Folclórico Windmúller mostra "Krúz König", de Ludwig Burkhardt, que é uma dança comum no sul do Brasil e em regiões da Alemanha. Finalizando a participação da cidade sede do festival, a Companhia Joinvilense de Dança apresenta "Forró Cangaceiro", de Fabíola Bernardes. Sublinhando a importância do folclore nordestino nesta edição do festival, o Comdança explora a sensualidade e a alegria das festas tradicionais.

Depois é a vez do Grupo Gritinho, de Fortaleza, que dança um ritmo criado em Pernambuco fazendo, coincidentemente, uma homenagem ao pernambucano através dos bailarinos do Balé Popular do Recife, que vão estar assistindo à performance. O Nordeste se faz presente mais uma vez com o Balé Ebateca, de Salvador, que apresenta "Ilê Aviê", de Ana Cristina Gonçalves, mais uma celebração ao povo negro que, transplantado da África a uma terra estranha, deu luz e alegria aos europeus que aqui desembarcaram. O Estúdio de Ballet Cisne Negro interpreta a coreografia "Clog Dance", uma adaptação de Wagner Alvarenga para as alunas da escola do Cisne Negro.

Na categoria amador 1, o Grupo Folclórico Alemão da Furb, de Blumenau, leva ao palco "Barril de Chopp", de Ester Neotti, numa clara homenagem ao imigrante alemão, que além de ser bebedor em potencial de chopp, criou a maior festa da cerveja do Brasil, a Octoberfest, realizada em Blumenau. Vindo de Curitiba também com muita sede ao pote, o Conjunto de Canto e Dança Junak apresenta a coreografia "Tance Góralskie", de Klara Kmitto-Sliwinska. A peça retrata uma das mais belas regiões do sul da Polônia.

Solos

No feminino, o Ginga, de Mato Grosso do Sul, desponta como favorito com a excelente bailarina Patrícia de Castro Signoretti, que interpreta a peça "Chão de Flores", de Diógenes Antonio Silva. No masculino, desponta a coreografia "Chlovs-Philaea", do tão esperado João Roberto de Souza, do Delirium Teatro de Dança. Seu trabalho é fundamentado na Dança Butoh. Mas há outros candidatos fortes como Telmo Gomes, que defende a sua coreografia "Eu Sinto Sua Falta", representando o Mahabhutas Cia de Dança Contemporânea.

Ainda nesta noite terão as competições de dança-teatro. O Grupo TK apresenta a coreografia "Retratos de Uma Idade Proibida", uma criação coletiva que se diz um pouco histérico e muito ambíguo. Já o Grupo Vivere vem com "Rua Alegre", de Anna Bottoso, a qual se inspira na rua em que morou Nelson Rodrigues, de onde, por sinal, alguns personagens de suas tragédias urbanas saíram. O Cia Danç'Arte, de Americana, apresenta "Love", de Fernanda Batah Chamma.

Na dança-teatro profissional apenas um concorrente. E vem de Florianópolis. Novamente o Mahabhutas Cia de Dança Contemporânea sobe ao palco para apresentar "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8...", também de Telmo Gomes.


Central de notícias

O salão de cabeleireiras do Hotel Prinz funciona como uma sucursal informal de notícias sobre os convidados do festival

Fátima Chuecco
Repórter do ANFestival

Mais cedo ou mais tarde, todo mundo passa por alí, seja para fazer as unhas, cortar ou tingir o cabelo ou simplesmente só para conversar e fofocar. Quem sabe até para colar a unha com "superbonder" (isso mesmo!) numa emergência. O salão de cabeleireiros dentro do Hotel Prinz não é diferente dos demais, a não ser pela clientela, formada nessa época do ano, principalmente, por bailarinos e convidados especiais do festival de dança.

Zilda e Inês de Souza Righetto são as duas irmãs gaúchas, cabeleireiras, que vêm conquistando os hóspedes do hotel há quatro anos. Elas já tocaram nas mãos, pés e madeixas de muita gente famosa como Ana Botafogo, Fernanda Diniz, Jô Braska, Mário Nascimento e Jaime Arôxa. Rosito de Carmini também esteve no salão esse ano fazendo uma trança. "Bailarinos e estrelas internacionais dão os últimos retoques no nosso salão. Os homens vêm, especialmente, cuidar dos cabelos e, no caso de entrevista para a imprensa, passar base e pó facial para evitar que a pele do rosto brilhe muito diante das luzes. Nesse meio encontramos muita gente carismática e educada. Fica fácil fazer amizades", explica Inês.

Segundo as cabeleireiras, os diferentes idiomas, até hoje, não representaram nenhum problema. Inês fala inglês e Zilda francês. No espanhol todo mudo "arranha". "Mas caso a língua seja russa, alemã, japonesa ou qualquer outra que não entendemos, o jeito é partir para a mímica", diz Zilda. Aliás, foi justamente a mímica que já salvou a dupla de algumas encrencas. Certa ocasião, uma tradutora pediu que tingissem o cabelo de uma convidada russa de preto. "A bailarina era loira, tinha um cabelo lindo. Quando ela viu a cor da tintura quase desmaiou de susto. Através de seus gestos percebi o quanto ela estava apavorada com a possibilidade de ficar morena. Então tingi o cabelo no mesmo tom natural", conta Inês.

Loja de conveniência

O salão funciona também como uma espécie de loja de conveniência. "Os hóspedes ficam tão íntimos da gente que a nós recorrem em casos de emergência. Um remédio, um chá, qualquer coisa desse gênero. Como também sentem muita falta da família, às vezes nos procuram só para conversar, desabafar ou tomar um vinho", diz Zilda. Quanto às tendências, as cabeleireiras têm notado a preferência pelos cabelos avermelhados, sombrancelhas finas e maquiagem sóbria, mais natural. "Os lançamentos em cosmética são mundiais e, por isso, as bailarinas seguem a moda. Apenas não podem exagerar. As unhas, por exemplo, costumam ser pintadas de cores claras, tendendo para o rosa e o areia", aponta Inês.

A cubana Elena Madan Vera, diretora do Balé do Teatro de Sodré de Montividéu e jurada do festival, afirma que a dupla de cabeleireiras é "muy simpática". Ela conta também que bailarina sofre muito com calos nos dedos dos pés: "As que fazem ponta também costumam desenvolver joanete. Já as mãos ficam ressecadas por causa do alcool que usam para limpar as sapatilhas". A jurada se diz impressionada com a movimentação na cidade: "Nunca vi uma população tão envolvida com um evento de dança como a de Joinville. Todos vivem em função do festival".

Ponto de encontro

Outra jurada, a portuguesa Vanda Ribeiro da Silva, diretora da Escola Superior de Dança de Lisboa, sempre procura o salão para relaxar. Para tanto, basta mergulhar os pés numa bacia alemã por meia hora. "Gostei tanto da Inês e da Zilda que passo pelo salão todos os dias nem que seja apenas para conversar. Aqui a gente se descontrai".

Vânia Machado, que mora em São Paulo e é pianista convidada para os cursos e apresentações especiais, também acha as duas irmãs "ótimas de conversa". É a quarta vez que ela vem ao festival e diariamente entrega seus cabelos aos cuidados de Inês para um retoque final, antes das apresentações da noite. "A gente cuida da aparência ao mesmo tempo que fica sabendo das novidades, faz amizades e relaxa. Esse salão é uma verdadeira área de lazer", diz.

Mas conseguir arrancar das cabeleireiras algum "segredinho" sobre os hóspedes é impossível. "Todos são muito discretos", justifica Inês, decidida a não "entregar o ouro". Querendo partir para uma "espionagem" só mesmo se infiltrando no salão para um corte de cabelo complicado, uma maquiagem requintada ou qualquer outro serviço que tome bastante tempo das duas e permita ficar na "escuta". Ou então, inventar uma unha encravada.


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