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TRAGÉDIA
Ariane havia terminado o noivado com Júnior (abaixo) no início da semana, depois de seis meses de namoro
ÁLBUM DE FAMÍLIA

Incompreensão marca o enterro de jovens

Assassinato de Ariane Busanello pelo ex-noivo Júnior Lorenzão Ramos, que se matou em seguida, chocou as duas famílias

Cristiano Maia

A tristeza e a incompreensão tomaram conta da família Busanello no dia de ontem. A rua João Ramalho foi parcialmente tomada por amigos e parentes da adolescente Ariane Busanello, 16 anos, morta na quinta-feira pelo ex-noivo Júnior Lorenzão Ramos, 21, que se matou logo em seguida. O velório do rapaz aconteceu também na manhã de ontem, a poucos metros da casa da família Busanello, no bairro Escolinha. Ariane foi enterrada na tarde de ontem no Cemitério Municipal. Júnior foi sepultado à mesma hora, às 14h30, no Cemitério do Fátima.

Conhecidos na região, o casal tinha muitos amigos em comum. Para os familiares de Ariane, o ato de Júnior continua sem explicação. O clima entre as duas famílias era de união pela dor. Não havia ressentimentos. Amigos de Ariane, depois de prestarem condolências à família da moça, foram ao velório de Júnior.

Ariane era a caçula de uma família de três irmãos. Um rapaz de 18 anos e uma garota de 21. Júnior também tinha dois irmãos. Ele era o filho do meio. Na casa de Ariane, os poucos sons eram dos soluços. O choro tomava conta de parentes e amigos.

O tio da adolescente Itamar Busanello tentava entender o que havia acontecido: "Ele nos considerava uma família, quando a Ariane disse que não o queria mais provavelmente ele ficou com medo de perder essa família". Itamar conta que o rapaz ajudava nos afazeres domésticos da família Busanello.

"Uma vez precisamos carregar barro, ele de pronto nos atendeu", lembra. Mais exemplos de amizade de Júnior pela família Busanello são contados pelo tio e só fortalecem a incompreensão sobre o ato do jovem. "Ele perdeu a cabeça, os dois eram muito jovens", diz Itamar.

O casal se conhecia há um ano e meio. Desde que nasceu, Ariane mora no Escolinha. Júnior, de acordo com relatos de parentes, era o primeiro namorado fixo da adolescente. O rapaz nunca quis que Ariane continuasse a estudar. No ano passado ela desistiu dos estudos, mas, segundo o tio, estava prestes a retornar. Itamar, com os olhos cheios de lágrimas, não conseguia esconder a emoção: "Isso é uma coisa que a gente só vê em jornais ou na televisão".

Sua mulher, Miriam Busanello, também tomada de emoção, não acreditava no que aconteceu: "Ela não merecia isso, ela ainda não tinha vivido, era muito nova".

O CRIME

Sem aceitar o rompimento de seu noivado, o desempregado Júnior Lorenzão Ramos, ao se encontrar no início da tarde da tarde de quinta-feira com a ex-noiva Ariana Busanello, desferiu dois tiros de revólver calibre 32 contra ela. Depois se matou com um tiro na cabeça. O homicídio seguido de suicídio aconteceu na meio da rua onde Júnior morava, a Shofia Günther, em frente ao número 176, no Escolinha.

Segundo o pai de Júnior, Antônio Pereira Ramos, tudo aconteceu por volta das 12h30. "Sabemos que Ariana vinha passando em frente à nossa casa, quando Júnior foi atrás dela, chamando-a para conversar. Eles tinham se separado no início da semana e ele não aceitou", conta.

"Ninguém nem sabia que ele estava armado. Ele tinha saído quarta-feira à noite e só voltou na quinta de manhã", explica a irmã de Júnior, Viviane dos Santos, que estava na rua na hora do crime. "Ela correu e ele atirou nas costas dela. Caída, pediu que ele não atirasse de novo, mas ele atirou na nuca dela, depois começou a chorar e deu um tiro na própria cabeça", relata Viviane. Ramos afirma não saber onde o filho conseguiu a arma.

Vizinha do jovem, Ester Cardoso diz que Júnior andava reclamando da falta de emprego. "Tinha ele como um filho". Célio Busanello, rio de Ariane, afirma que o casal estava junto há cerca de seis meses. "Ela queria continuar os estudos. Não podíamos imaginar que uma coisa dessas acontecesse na nossa família", lamenta.


Vestibular da Sociesc tem
início domingo pela manhã

A Sociedade Educacional de Santa Catarina inicia neste domingo as provas para seleção dos 40 candidatos ao curso superior de tecnologia em automação industrial. A Sociesc fez parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná.

As provas serão realizadas na Escola Técnica Tupy, de 8 a 11 de fevereiro. Para amanhã estão programadas as de língua portuguesa e literatura brasileira, língua estrangeira moderna e redação. No dia 9 ocorrem as de matemática e conhecimentos específicos; dia 10, física e geografia; e no dia 11, química, biologia e história.

Os 308 inscritos devem, além do cartão, apresentar a carteira de identidade e levar caneta azul ou preta. As provas começam sempre às 8 horas, mas os candidatos devem estar nos locais determinados até as 7h45. Após este horário, não terão mais acesso às salas.

O resultado será divulgado no dia 26 de fevereiro e as matrículas deverão ser feitas nos dias 26 e 27, na ETT. As aulas iniciam no dia 2 de março.

Secretaria de Educação vai
contratar 239 professores

A Prefeitura, através da Secretaria de Educação, estará contratando 239 professores para o ano letivo de 1998. Desse total, 16 são efetivos, aprovados através de concurso público, ocorrido em dezembro passado.

Segundo a secretária-adjunta de Educação, Dalila Leal, "os professores aprovados em concurso serão os primeiros a ser chamados. A Secretaria Municipal de Educação enviou terça-feira o pedido de contratação dos novos professores ao departamento de recursos humanos da Prefeitura. "Temos pressa. Queremos todos em sala de aula num prazo máximo de 15 dias", afirma Dalila Leal.

Dos 239 novos professores, a maioria (129) será contratada para preencher vagas de 5ª a 8ª séries e 110 professores estarão lecionando nas salas de 1ª a 4ª séries. De 5ª a 8ª série, matemática lidera com o maior número de vagas, seguindo-se educação física (26), inglês (11), língua portuguesa (3), história (4), geografia (7), educação artística (18), matemática (47) e ciências (31).

Ministro Renato de Souza
inaugura escola municipal

O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, vem a Joinville na próxima segunda-feira para inaugurar a Escola Sadalla Amin Ghanem, construída pela Prefeitura no Parque Guarani, bairro João Costa. O ministro chega no aeroporto de Joinville às 15 horas, onde é recepcionado pelo prefeito Luiz Henrique da Silveira. Depois, segue até a sede da nova escola, na rua projetada de acesso à rua Boehmerwald. Com 12 salas, a unidade atenderá a 850 alunos de 1ª a 8ª série, em dois turnos.

A Prefeitura investiu R$ 683 mil, em parceria com o governo federal. Até o ano passado, os alunos de 1ª e 2ª séries tinham aula em uma casa alugada pela Prefeitura. Os de outras séries eram obrigados a se deslocar até as escolas mais próximas - João Bernardino e Orestes Guimarães.

Também nesta segunda-feira, mais de 51 mil alunos da rede municipal retornam às aulas nas 81 escolas e 13 jardins de infância. Este ano a Prefeitura ficará responsável pelo atendimento dos alunos da pré-escola que estudam na rede municipal. São mais 1.918 alunos em 28 escolas.


Hora de garantir a vaga

Calouros de outras cidades que começam a estudar este ano em Joinville têm outra tarefa: procurar moradia

Giovanna Locatelli

Organizar documentação necessária e ficar atento às datas e horários. Estas são as regras básicas na hora de fazer a matrícula para o próximo ano letivo. Algumas instituições já encerraram os prazos, mas outras estão recebendo alunos.

Quem está iniciando uma carreira de acadêmico universitário, quem pretende se preparar para os próximos vestibulares ou para aqueles que ainda estão cursando o ensino fundamental, instituições joinvilenses oferecem uma série de cursos.

Para os aprovados nos últimos vestibulares, a hora é de organizar os documentos necessários e fazer sua matrícula na universidade.

Para os alunos de outras cidades que passaram em vestibulares de Joinville, a preocupação aumenta, pois, além do compromisso com a matrícula, o calouro enfrenta a dura tarefa de encontrar um local que será seu lar pelos próximos anos.

Nesta procura um tanto trabalhosa, o novo universitário pode contar com o auxílio da Universidade da Região de Joinville (Univille), que, através do Departamento de Apoio ao Estudante, orienta os calouros.

O departamento oferece um grande classificado com contatos de casas, pensões, apartamentos e quartos que são alugados para os estudantes que estão chegando na cidade.

A acadêmica do curso de farmácia industrial Gabriela Zamboneti, 19 anos, está enfrentando o calor para encontrar um local para morar enquanto estiver cursando a universidade. Ela deixará sua cidade, Brusque, para morar em Joinville. "Vim para Joinville fazer minha matrícula e aproveitei para procurar apartamento. Pretendo alugar uma quitinete", afirma Gabriela.

Ela conta com o apoio do pai, o comerciante Dilmar, 51, que fez questão de acompanhar a filha. "Iremos pernoitar na cidade para procurar um apartamento com boa localização", informava Dilmar, que tem dois filhos que viajam todos os dias para estudar em Itajaí.

Nos classificados expostos nos murais da Univille, o estudante pode encontrar desde quartos em pensões até casas e apartamentos com mais dormitórios, no caso de um grupo preferir dividir a moradia.

Funcionária do departamento, Quênia Mara da Rosa vê este serviço como um apoio importante ao estudante que está chegando. "Ajudamos o estudante a encontrar um local que seja compatível com sua condição financeira e suas exigências de localização", explica.

  • O Departamento de Apoio ao Estudante fica na sala B-14, no campus da Univille, bairro Bom Retiro. Fone: 473-0200, ramal 235.

Farmácia é assaltada pela quinta vez

Estabelecimento fica próximo ao PA 24 horas, no bairro Itaum

Aurora Ayres

Cinco assaltos e dois arrombamentos em menos de um ano. Funcionários da Farmácia Coradelli, localizada na rua Monsenhor Gercino, 3.655, próximo ao Pronto Atendimento 24 Horas do Itaum, não sabem mais o que é sossego. Quinta-feira, a farmácia foi novamente assaltada por um homem por volta das 23 horas. O proprietário, Valdir Paulo Coradelli, considera que um dos fatores para a ocorrência constante dos assaltos é a falta de policiamento na região.

Em janeiro de 1996, o estabelecimento foi arrombado pela primeira vez. Em dezembro do mesmo ano, os funcionários enfrentaram o primeiro assalto a mão armada. Depois de quatro meses, outro. A partir daí, a farmácia era assaltada mês sim, mês não até julho do ano passado e ontem, pela quinta vez.

A funcionária Margarete Domiciano, que trabalha há dois anos no mesmo endereço e há dez para a Coradelli, estava sempre no local quando os assaltos aconteciam e conta como foi o de ontem, quando estava com mais um colega na farmácia.

Margarete relata que um homem entre 25 e 30 anos, de estatura baixa, vestindo camisa xadrez e calça jeans, entrou e pediu caixas de psicotrópicos. "Ele pensou que meu colega fosse buscar no depósito. Mas fomos verificar o preço do produto no computador. Então ele puxou o revólver, pediu todo o dinheiro do caixa e em seguida tentou abaixar as portas de ferro", diz Margarete.

A funcionária afirma que o assaltante pediu as chaves para trancar as portas. "Ele queria fechar e continuar lá dentro. Isso é que não entendemos", comenta, acrescentando que o homem ainda arrancou o fio do telefone, jogou o aparelho no chão e a agrediu no ombro direito com um soco.

"Ele estava nervoso e parecia drogado", diz, contando que graças ao vizinho o assaltante foi embora. "Ele ouviu o barulho das portas e apareceu no local. O homem se assustou e foi embora, levando R$ 200,00 e algumas moedas", revela.

O proprietário da rede formada por três farmácias, Valdir Paulo Coradelli, informa que os assaltantes sempre estavam armados. Ele acredita que a falta de policiamento na região do Itaum, próxima ao trilho, é um dos principais fatores para a alta incidência de assaltos na farmácia, que fica aberta 24 horas. "Há seis meses, essa filial funciona 24 horas, justamente para facilitar a vida do pessoal que sai do posto. Acho que os bairros estão abandonados", destaca.

Proprietário reivindica mais rondas da PM pela região

Para tentar inibir a ação dos assaltantes, a solução foi fazer uma espécie de janela numa das portas de ferro da farmácia da rua Monsenhor Gercino, por onde os vendedores atendem a clientela. "Não podemos colocar alarme porque não dá focalização. Devemos instalar um circuito interno", planeja Coradelli.

"Não adianta colocar vigias. O último pediu as contas por medo. Pensamos até em armar nossos funcionários, mas isto é complicado", coloca. "Nunca vemos policiais por aqui. Deveria ter mais rondas noturnas por aqui para evitar a ação desses marginais e viciados", reclama.

A funcionária Cátia Fückter trabalha durante o dia, mas conta que sua mãe já sofreu um assalto na farmácia e ficou na mira de dois assaltantes. O pai de Cátia, Nelson Fückter, diz que há 15 dias estava em pé, na entrada da farmácia, assistindo televisão, quando ouviu um barulho de moto no estacionamento. "Eu só coloquei a cabeça para fora e eles se mandaram. Não esperavam me encontrar. Não deu tempo de marcar a placa, mas estavam utilizando capacetes e máscaras, vestiam calças jeans e coletes pretos", descreve.

O tenente-coronel do 8º Batalhão da Polícia Militar, Oscar Manoel Bernardo, explica que toda semana há prisões de assaltantes de estabelecimentos como farmácias e padarias e que as vítimas desses assaltos, assim como a própria comunidade, devem colaborar com a polícia, já que "é a única forma de atacar o problema".

"Eu pediria ao proprietário que viesse ao quartel para que juntos pudéssemos encontrar uma solução para o seu problema. De qualquer maneira, vamos averiguar o local e reforçar as rondas noturnas", garante Oscar Bernardo. (AA)


Moradores pressionam Prefeitura

População quer cobrar prejuízos causados por inundações

James Alberti

A Associação de Moradores da rua Otto Boehm e Arredores (Amoto) pretende acionar judicialmente a Prefeitura de Joinville pelos constantes prejuízos provocados pelas cheias. Os moradores argumentam que a Prefeitura se comprometeu a realizar obras de escoamento em setembro de 1996, mas as medidas não saíram do papel.

"A população volta a se mobilizar pelo descaso e não cumprimento de compromisso assumido durante a campanha eleitoral", escreveram os dirigentes da associação em nota ao AN Cidade.

Para comprovar os argumentos, a professora aposentada Terezinha Retzlaff, 59 anos, responsável pela divulgação dos eventos da associação, mostra a ata da reunião onde a Prefeitura se compromete a instalar tubulação de um metro e meio nas ruas Otto Boehm, sentido leste/Oeste, e Aquidaban, sentido Norte/Sul.

Os moradores também exigem a prometida limpeza do rio Matias e a proibição da redução das margens dos rios para a construção de edifícios. "A construção dos prédios está estrangulando o rio e cada vez que chove a enchente é maior, assim como os prejuízos", reclamou Terezinha. A água, segundo ela, atinge prédios, residências e o comércio, danificando motores elétricos, cisternas, móveis, carpetes, eletrodomésticos e esquadrias.

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