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Cálculos
Investimentos necessários para acompanhar o desenvolvimento tecnológico
podem chegar a US$ 4 milhões/ano
Foto: Gilberto Viegas
Buettner busca parceiros para crescer
Comemorações
dos 100 anos chegam com a reversão dos prejuízos e um lucro
de R$ 2,5 milhões ano passado
Irene Huscher
Brusque - No ano em que completa 100 anos de atividades, a Buettner,
de Brusque, busca uma parceria para a produção de seus tradicionais
artigos têxteis de banho, cama e mesa. A empresa, que fechou 1997
com um faturamento de R$ 64 milhões e um lucro operacional de R$
2,5 milhões, depois de amargar os últimos anos no prejuízo,
precisa administrar um endividamento de R$ 45 milhões. O novo sócio
significa ainda fôlego para buscar no mercado recursos para investimentos,
nos próximos cinco anos, de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões
anuais, necessários para acompanhar o processo de desenvolvimento
tecnológico do setor.
A escolha de um parceiro para ajustar a estrutura de capital da empresa
é a terceira etapa de um processo de reestruturação
interna inciada em 95, informou o diretor financeiro e de relações
com o mercado, João Henrique Marchewsky. O primeiro passo foi o enxugamento
do quadro de chefias, incluindo diretoria e gerências, com o desaparecimento
de 70 funções. Dos 110 cargos existentes naquele ano, restam
hoje 40, revelou. As cinco diretorias foram reduzidas a três - financeira,
comercial e industrial -, que funcionam como um colegiado. Desapareceram
nesse caminho a figura do presidente e a diretoria técnica. Das 13
gerências, restam apenas seis.
Os cortes nos quadros diretivos e de chefias possibilitaram a execução
do segundo passo da reestruturação, que era tornar a Buettner
viável operacionalmente, disse Marchewsky. E os resultados começam
a aparecer. Em 95, a empresa apresentou um prejuízo operacional de
R$ 4 milhões, fechou 96 com o balanço empatado e verificou
lucro de R$ 2,5 milhões no ano passado.
Lição de casa feita, agora é hora de abrir as portas
para a chegada de um novo investidor, que terá a missão de
ajudar a elevar o faturamento para R$ 70 milhões, previstos para
98 com a retomada da capacidade ociosa - entre 10% a 15% - observada no
ano passado. As negociações estão no início,
por isso o executivo não quis adiantar detalhes da transação.
Mercado
Os maiores clientes nacionais estão localizados na região
Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, que compram 35% da produção.
Nesse mercado fazem sucesso as toalhas com as logomarcas de todos os times
de futebol que participam do campeonato brasileiro, licenciadas com exclusividade
pela Confederação Brasileira de Futebol, a linha infantil
com a Turma da Mônica e Barbie, linha bebê e as toalhas felpudas
para bordar, com receitas na embalagem.
Exportações somam 38% da produção
A recuperação das exportações, que representaram
38% do volume de produção da Buettner em 97, é a alternativa
para diminuir a capacidade ociosa da empresa, apontou o diretor financeiro.
A retração do mercado no ano passado aconteceu a partir de
maio, mas foi mais forte em novembro e dezembro, quando a fábrica
chegou a parar um dia em cada mês por não ter o que fazer,
revelou. O mercado externo já significou 45% do destino dos artigos
com a marca da têxtil de Brusque e caiu para 20% entre 95 e 96.
Este ano as exportações devem alcançar 40%, principalmente
para o Mercosul, que compra entre US$ 40 milhões a US$ 50 milhões
em artigos de cama, mesa e banho por ano de fabricantes brasileiros, dos
quais 10% dessa fatia são da Buettner.
A empresa exporta para mais de 40 países e pretende consolidar
mercados nos Estados Unidos e Europa, este último o mais antigo e
que há 26 anos compra os produtos Buettner. As toalhas felpudas -
praia, banho, rosto, social, sauna e infantil - representam 80% da produção
da têxtil, que há alguns anos concentrou sua atuação
nessa área, a mais competivida no mercado externo, observou.
Artigos para cama, que enfrentam uma concorrência muito forte em
preço dos produtos asiáticos em todo o mundo, e mesa representam
apenas 20% da linha produtiva. Outros itens, como roupões, deixaram
de ser fabricados.
A Buettner tem sua produção totalmente verticalizada -
fiação, beneficiamento, acabamento e costura -, consumindo
mensalmente 500 toneladas de algodão para a produção
de 450 toneladas de fios, um milhão de metros de tecido, 1,6 milhão
de toalhas, ou 430 toneladas de produtos acabados. Desde fevereiro de 1996,
toda a área administrativa e de produção foi transferida
para a unidade de Bateias, instalada em 1980 em um terreno de 850 mil metros
quadrados e um parque fabril de 60 mil metros quadrados de área construída.
Reestruturação
A mudança - a administração e parte da produção
ainda funcionavam no prédio antigo, na rua João Bauer, no
Centro - faz parte do processo de reestruturação da empresa,
disse Marchewsky. O imóvel, que está fechado, deve ser vendido
ou alugado.
São 80 linhas de produtos, com mais de 600 itens, e duas coleções
lançadas por ano - uma durante a Expotêxtil, realizada em Blumenau,
em março, e outra na Fenit, em São Paulo, em junho. A empresa
participa também há 15 anos da Heimtêxtil, na Alemanha,
uma das mais importantes feiras mundiais do setor, em janeiro.
Este ano, a Buettner figurou entre as quatros únicas indústrias
brasileiras, todas de Santa Catarina, a apresentar seus produtos entre os
2.768 expositores de 61 países. Teka e Karsten, de Blumenau, e Döhler,
de Joinville, foram as outras participantes.(IH)
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100 anos de história |
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1898
O imigrante alemão Eduard Von Buettner, então com 57 anos,
e seu filho Edgar, abrem a Indústria Eduard Von Buettner & Cia,
que produzia bordados finos (cortinas, guarnições para cama,
colchas, cortinas de filó, mosquiteiros, etc). Idalina Von Buettner,
esposa de Eduard, administrava todos os setores da produção.
1902
Morre Eduard Von Buettner e Edgar une-se ao irmão Oswaldo para fundar
a firma Buettner e Cia.
1915
Instalação dos setores de tecelagem, tinturaria e alvejamento.
1922
Aquisição de 25 teares de fabricação alemã.
Heinz Erbe, cunhado de Edgar, assume a direção técnica.
1930
Importação de uma caldeira alemã para gerar energia
na unidade de tinturaria em Bateias.
1934
Início da produção de toalhas de mesa, com a instalação
de uma fiação.
1943
Aquisição de um terreno na rua João Bauer, no Centro,
para a construção de uma nova fábrica.
1948
Morre Edgar Von Buettner. Seu genro, Gothard Pastor, chega da Alemanha e
assume a direção da empresa.
1950
Inauguração da nova fábrica, instalada no bairro Bateias. |
1952
Morre Heinz Erbe. Seu filho, Rolf Carl Heinz Erbe, assume a direção
técnica. No mesmo ano, a Buettner transforma-se em sociedade anônima
e passa a denominar-se Buettner S/A Indústria e Comércio.
1971
A Buettner emprega 700 funcionários e produz mensalmente 400 mil
metros quadrados de tecido.
1980
Início da construção da unidade fabril em Bateias,
que reúne todas as unidades de produção - fiação,
tinturaria de fios, tecelagem, beneficiamento, estamparia, confecção,
expedição e administração.
1992
Instalação de um software baseado na filosofia MRP II, tecnologia
cliente/servidor com rede de microcomputadores, sistema CAD para tecelagem
e estamparia, gravador de quadro de estamparia a laser integrado ao CAD,
controle de chão de fábrica e expedição com
código de barra. Início de um projeto de profissionalização
dos administradores com a contratação de executivos.
1995
Conclusão do projeto de centralização, com as áreas
comercial, administrativa e industrial no mesmo local.
1998
100 anos de atividades no segmento têxtil. |
Produção
Foram comercializadas 33,7 mil toneladas de Frangos Macedo no ano passado,
com perspectiva de aumento de 4 mil toneladas este ano
Foto: Guilherme Ternes
Macedo, Koerich projeta um
crescimento de 10% para 98
Investimentos devem alcançar
R$ 4,6 milhões, repetindo 1996
Amilcar Oliveira
São José - A Macedo, Koerich S. A., uma das líderes
no mercado de aves em Santa Catarina, vai enfrentar a crise com novos investimentos
no mercado nacional e internacional. Com crescimento de vendas de 14% em
1997, projeta resultados 10% maiores para este ano. O crescimento menor
pode emitir sinais de perda de fôlego da marca. Mas só para
os desavisados. "Na situação econômica atual do
País, crescimento de 10% é bastante bom", afirma o presidente
da empresa, José Ferreira de Macedo. Até porque os investimentos,
que caíram para R$ 3,6 milhões em 1997, devem voltar aos R$
4,6 milhões registrados há dois anos.
A partir de março estão previstos pelo menos dois fatos
de impacto nas atividades da empresa: o começo da exportação
para a Argentina e o lançamento dos cortes de frango temperados no
mercado nacional. A expansão para a Argentina começará
em ritmo lento, de no máximo 7% da produção do complexo
agroindustrial. "Estamos produzindo além da demanda do Estado
e das outras regiões em que atuamos, fazendo com que necessitemos
ampliar nossos mercados", observa Macedo.
Esta é mais uma etapa na trajetória da empresa, que há
25 anos, quando surgiu, não quis disputar espaços com as outras
gigantes do setor - Sadia e Perdigão -preferindo optar pelos mercados
do litoral e Sul catarinense e de outros Estados do País. Hoje a
empresa é líder na região da Grande Florianópolis,
comercializando mais da metade do total dos frangos vendidos na região
e pelo menos um terço do que é consumido no Sul e Norte do
Estado.
A crise financeira mundial fez com que os dirigentes da empresa colocassem
as barbas de molho, mas não fez com que puxassem o freio de mão.
O crescimento antes da crise - de 20% ao ano - fazia com que a cada quatro
anos a empresa quase dobrasse de tamanho. O Plano Real, com inflação
de 65% desde a implantação, em julho de 1994, os juros altos
e a manutenção do preço do frango em patamares baixos
no período, forçaram a empresa a buscar alternativas de crescimento.
Inovação
A solução foi partir para a inovação tecnológica
e a atualização gerencial, com crescimento na produção
e diminuição nos custos. Atualmente são sete unidades
espalhadas em quatro Estados - Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro
e São Paulo. O complexo agroindustrial é composto por granja
de matrizes e de frangos de corte, incubatório, frigorífico,
fábrica de ração, centrais de distribuição
com capacidade de 320 toneladas de estocagem e central de compras e armazenagem
de grãos com capacidade de 30 mil toneladas de estocagem.
Atualização tecnológica
já
é reconhecida no exterior
Com relação às novidades tecnológicas, Macedo
insiste em uma questão: as empresas brasileiras do ramo não
devem nada às congêneres de outros países. "Pelo
contrário, cheguei a ouvir de empresários norte-americanos
que já havia chegado a hora de eles virem ao Brasil para aprender
com a gente." É justamente o desempenho da agroindústria
catarinense e nacional que estimula o presidente da empresa a reafirmar
o discurso feito cada vez com mais freqüência: o tratamento injusto
dispensado ao setor pelo governo brasileiro.
Macedo compara a agroindústria à indústria automobilística.
"Cada R$ 1,00 investido na agroindústria representa R$ 1,00
acrescentado no Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Cada R$ 4,00 investidos
pela indústria automobilística representam o mesmo R$ 1,00
no PIB." Macedo lembra que não é contra a indústria
automobilística, apenas compara os dois setores para que se perceba
as difereças de tratamento. "Com o know-how que temos na agroindústria,
temos que ter garantias para podermos brigar lá fora em igualdade
de condições", enfatiza.
Desde o ano passado a equipe de marketing da empresa estuda as alternativas
para a realização de investimentos externos. A mesma operação
é realizada cada vez que a empresa estabelece como meta a expansão
de seus negócios. Mas também está incluído nesse
processo o acompanhamento das novidades em nível internacional e
a participação em feiras de negócios de todo o mundo.
No final de fevereiro, está prevista a participação
de executivos da empresa na Feira de Negócios da Espanha, onde também
estarão representantes de diversos setores de negócios do
Mercosul, Mercado Comum Europeu e de outros blocos econômicos. (AO)
Novos mercados consomem
cerca de 20% da produção
Um dos fatos mais marcantes para a empresa no ano passado foi a abertura
de novos mercados no Rio de Janeiro e em São Paulo. A filial de São
Paulo, implantada em junho, chegou ao final do ano representando 13% do
volume mensal de vendas, demonstrando as possibilidades desse mercado para
a empresa. O Rio de Janeiro chegou ao final do ano com 7% do volume mensal
das vendas, cabendo a Santa Catarina o posto de maior consumidor, com 80%
das vendas.
A expectativa é chegar aos R$ 50 milhões de faturamento
em 1998. Com relação ao lucro líquido, de R$ 554 mil
em 1996, a intenção é repetir o ano passado, em que
a empresa chegou aos R$ 2 milhões, mesmo com maior volume de vendas.
Foram comercializadas 33,7 mil toneladas de frango ano passado, mais de
4 mil toneladas acima do ano anterior. Para este ano, a expectativa é
crescer em pelo menos mais 4 mil toneladas comercializadas dentro e fora
do Brasil.
"A marca da empresa já está registrada no Uruguai,
Paraguai e Argentina", informa o presidente da empresa, José
Ferreira de Macedo. Este foi o primeiro passo para começar o processo
de expansão para os países do Mercosul. "Queremos aprender
a trabalhar no mercado internacional", diz Macedo.
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Quadro de desempenho |
Faturamento
1996 R$ 39,2 milhões
1997 R$ 44,6 milhões
1998* R$ 50 milhões |
Lucro líquido
1996 R$ 554 mil
1997 R$ 2 milhões
1998* repetir 1997 |
Investimento
1996 R$ 4,3 milhões
1997 R$ 3,6 milhões
1998* R$ 4,3 milhões |
Mercado de atuação
1996 SC
1997 SC, SP e RJ
1998* SC, SP, RJ e Argentina |
* previsões
Fonte: Macedo, Koerich S.A. |
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Trabalho deve
se adaptar à
nova economia
Legislação
abre mais espaço para alternativas que gerem empregos
Cristiano Maia
Joinville - A pergunta paira no ar como uma dúvida incapaz de
esconder-se: a economia aos moldes tradicionais poderá adaptar-se
às ondas crescentes de pessoas procurando emprego ou entrará
na era pós-industrial de braços dados com a pós-economia?
Sim, porque haverá economia, aos moldes da velha divisão capital
x trabalho no mundo das transações virtuais através
da rede mundial de computadores (Internet)?
A medida proposta pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e aprovada
pelo Senado Federal prevê a criação do chamado banco
de horas e do contrato temporário de trabalho. Medidas que, de acordo
com FHC, empresários e alguns núcleos sindicais, poderá
gerar mais empregos. "A que custo?", retrucam os sindicalistas
mais à esquerda. A ação ininterrupta de mundialização
do planeta recria as formas de trabalho. Mas para a massa de 40 mil trabalhadores
joinvilenses, muitos sem especialização é verdade,
o que há é o conceito forjado pelos economistas de "desemprego
estrutural".
Para Viviane Forrester, crítica literária do jornal francês
Le Monde e autora do best-seller "O Horror Econômico", o
"desempregado, hoje, não é mais objeto de uma marginalização
provisória, ocasional, que atinge apenas alguns setores; agora, ele
está às voltas com uma implosão geral, com um fenômeno
comparável a tempestades, ciclones e tornados, que não visam
ninguém em particular, mas aos quais ninguém pode resistir.
Ele é objetivo de uma lógica planetária que supõe
a supressão daquilo que se chama trabalho; vale dizer, empregos".
O banco de horas tomaria o lugar das horas-extras. Ao invés de
receber dinheiro pelo trabalho feito além do horário normal,
o funcionário acumularia as horas para recebê-las em dias de
folga. Para o delegado Darci de Matos, da Delegacia Regional do Trabalho
(DRT), o banco de horas não prejudica os trabalhadores, pelo contrário,
cria novos postos. "Estamos nos adequando ao mundo moderno", sugere
Matos, que tem a seu dispor 90 fiscais para varrer toda Santa Catarina em
busca de irregularidades nos contratos de trabalho.
Pioneirismo
Ele diz que mesmo antes de a lei ser posta em prática três
grandes empresas de Santa Catarina haviam procurado o DRT para instalar
o banco de horas. A Embraco e Multibrás, de Joinville, e Marisol,
de Jaraguá do Sul, já utilizam o "banco de horas".
No País, o exemplo vem das montadoras multinacionais de veículos
Ford, Volkswagen e Volvo. A criação do "banco de horas"
e do contrato temporário de trabalho só podem ser feitas diante
de acordo com o sindicato de trabalhadores da categoria. "Se não
há acordo com o sindicato, esse tipo de proposta é ilegal
e está sujeita a multa da fiscalização", completa
Matos.
Empresários concentram os esforços
na busca por maior competitividade
Tornar a economia maleável e adequá-la às novas
regras do mercado econômico virtual. Competitividade é a meca
do imaginário empresarial. Consenso entre todos, para o ex-coordenador
da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério
do Trabalho, Itamar Hermes da Silva, as medidas do governo federal são
formas de adaptação à economia contemporânea.
Não há como voltar atrás. Para Carlos Heitor Cony,
"não se trata de um apocalipse, mas de um novo eixo de história.
Só os melhores, os economicamente arianos, deverão sobreviver".
Competitividade total e irrestrita.
"A flexibilização é uma imposição
da economia moderna", diz Itamar. Para ele, a economia "tem como
efeito a revolução tecnológica e causa as mudanças
na execução do trabalho". E alerta: "hoje as empresas
precisam ter maleabilidade, a flexibilização é a reestruturação
da economia e não uma política social e econômica".
Itamar, como Viviane Forrester, sabe que o quadro é difícil
- impossível para a francesa - de sofrer reversão. "Sempre
teremos o desemprego estrutural", ratifica Darci de Matos. Em Santa
Catarina, isso representa 6% da mão-de-obra.
A tal flexibilização perdida de que falam todos os experts
no mercado mundial da economia virtual tem dois patamares. Um no banco de
horas e outro no contrato temporário de trabalho. O banco de horas
funcionaria como reserva técnica. Os trabalhadores ganham folga pelas
horas extras trabalhadas e quando não trabalham as oito horas diárias
ficam com saldo negativo no simulacro de banco.
Depois, quando é preciso aumentar a produção, os
trabalhadores continuam produzindo além das oito horas, mas sem ultrapassar
as 10 horas, e não recebem nada por isso porque o tempo será
descontado do saldo do banco. O contrato temporário funciona com
a redução de encargos trabalhistas e sociais da empresa. O
trabalhador é contrato por um período específico, que
não pode ultrapassar dois anos. Se for demitido recebe indenização.
Se a empresa calcular errado e não precisar mais do trabalho, mais
multas.
Limites
Em empresas com até 50 trabalhadores o número de contratos
pode chegar a 50% do total de empregados; 35% para as que tem de 50 a 199
funcionários; e 20% para empresas com mais de 200 trabalhadores.
"Com a institucionalização da multa, as empresas precisam
realmente saber por quanto tempo vão precisar do profissional",
salienta Itamar, que debateu os conceitos de banco de horas e "contrato
temporário" com empresários na sede da Associação
Comercial e Industrial de Joinville (Acij), a convite da Employer, empresa
de organização de recursos humanos.
Sindicalistas têm dúvidas e criticam
a perda de direitos
Perguntas sobre o banco de horas e contrato temporário de trabalho
formam um emaranhado de dúvidas em que se debatem os sindicalistas
de Joinville, o maior pólo industrial catarinense. Sem saber ao certo
como funcionará, as opiniões sindicais são quase unânimes:
não concordam com o contrato temporário porque acham que é
uma forma de os empresários tirarem o corpo fora das obrigações
trabalhistas e sociais. Não gostam da palavra "banco de horas"
porque, acreditam, o termo ainda está nebuloso. Segundo eles, existem
muitas dúvidas sobre o termo.
Porém, os sindicatos sabem que o banco de horas será o
prato principal das discussões sobre salários e condições
de trabalho que começam a ser encaminhadas nas datas-base. Para Genivaldo
Marcos Ferreira, diretor de Formação Política do Sindicato
dos Trabalhadores em Indústrias Metalúrgicas, a lógica
é simples: "o banco de horas não cria empregos".
"Defendemos a redução do trabalho para 40 horas semanais
com a manutenção do salário", completa. É
a mesma posição da Central Única dos Trabalhadores
(CUT).
No setor metalúrgico os índices do sindicato apontam 15
mil trabalhadores desempregados. Contingente maior que os com emprego, cerca
de 11 mil. João Luiz Vieira, secretário-geral do Sindicato
dos Trabalhadores em Oficinas Mecânicas de Joinville, alerta que "as
empresas estão demitindo para entrar no projeto do banco de horas
e contrato temporário. Segundo ele, desde o início da década
de 90 o setor perdeu a metade dos postos de trabalho. Passou de 12 mil trabalhadores
para 6 mil.
Têxteis
Levino Steffens é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem
e Assemelhados de Joinville (Sinditex). O Sindicato que preside tem a responsabilidade
de representar 6,5 mil trabalhadores. Três mil postos de trabalho
foram fechados só na década de 90. Em Blumenau, o sindicato
dos trabalhadores têxteis já acertou acordo permitindo o banco
de horas. Também flexibilizou o piso. Não há salário
base rígido.
Nesses termos, encurralados pela evolução tecnológica,
pelas mudanças globais que refletem instantaneamente no Brasil, Steffens
diz que espera conversar com os empresários durante a negociação
da data-base este mês. "Eu acredito que devemos entrar em discussão",
reflete.
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