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Modernização e crescimento
marcam os 75 anos de A Notícia
Era preciso colocar o jornal A Notícia no
rumo dos novos tempos, melhorar a qualidade gráfica e editorial,
investir em tecnologia, modernizar equipamentos e instalações.
Os anos 80 e 90 marcam a nova fase de AN, que chega hoje aos 75 anos em
plena expansão.
À FRENTE
Na moderna sede da rua Caçador (ao lado), a partir de 1980, o jornal
A Notícia passa a viver uma fase de inovações, como
a informatização (abaixo)
FOTO: SÍLVIO REINERT |

FOTO: PENA FILHO |
Moacir Thomazi destaca crescimento
do jornal entre os anos de 1988 e 1992: 41,14%
Foto: Roberto Adam
Anos 80 marcam a fase da reestruturação
Modernizar equipamentos e
instalações era imprescindível
James Alberti
Em janeiro de 1980, o jornalista Jorge Silva escrevia em uma edição
histórica que se podia dividir a história do jornal A Notícia
em três fases ou períodos distintos: de 1923 a 1944, com Aurino
Soares; de 1946 a 1956, como empresa limitada; e de 1956 até 1980,
como uma sociedade anônima. Fases distintas, tanto no campo editorial
como nos procedimentos administrativos, conforme a época e os fatores
circunstanciais que caracterizaram cada um desses períodos.
Não imaginava o autor daquele texto que os anos 80 marcariam a
maior das transições do jornal, para uma nova fase - a em
que se está hoje - cujos fatores mais significativos seriam o avanço
tecnológico e a disputa do mercado. Fase que teria as linhas definidas
pelo pensamento, pelo comportamento e visão de um homem que, aliás,
nem era do ramo: o atual diretor-presidente do jornal, Moacir Thomazi.
"Fizemos o caminho, caminhando"
Alguns mais entusiastas costumam dividir a história de A Notícia
em antes e depois da entrada do ex-professor na direção da
empresa. Entrada que se deu pela porta dos fundos. Thomazi assumiu o jornal,
mas não sabia nada de jornalismo. "Fizemos o caminho, caminhando",
diz Moacir Thomazi, para explicar como definiu, ao longo do tempo, a trajetória
do jornal desde que tomou o comando.
"Há, contudo", como escreveu Silva, "um elo de
identificação entre esses três períodos, que
se sobrepõe ao todo e faz a história de A Notícia ser
uma só, desde 24 de fevereiro de 1923 (data de sua fundação)
a este 31 de janeiro de 1980: sua permanente preocupação com
as causas da comunidade joinvilense, fomentando, por meios e formas os mais
diversos, o próprio desenvolvimento de Joinville, contribuindo sobremaneira
para o seu assinalado progresso (...)". Tal elo não se desfez.
Apesar de caminhar, caminhando, como diz, Thomazi andava no caminho certo,
porque mantinha um compromisso seu, mas, principalmente, do maior de todos
de todos os acionistas, Helmut Fallgatter, a pessoa que apostou e investiu
para realizar o sonho de transformar o jornal A Notícia num bom jornal:
o compromisso de atender à comunidade de Joinville. "Ele (Fallgatter)
queria que o jornal tivesse uma visão comunitária. Achava
que a cidade devia ter um instrumento forte de defesa da comunidade, para
cobrar suas necessidades", lembra Thomazi.
Mas não bastava a boa vontade com a população de
Joinville, a chamada "Princesa do Norte". Era preciso pôr
o jornal no rumo dos novos tempos, melhorar sua qualidade gráfica
e editorial. Trabalho que os acionistas pareciam não querer para
si próprios. "Na verdade, nenhum deles teve tempo, paciência
ou disposição para tocar o jornal", revela Thomazi.
A princípio, porém, não seria a modernização
do jornal seu trabalho, muito pelo contrário. A missão inicial
do atual diretor-presidente era a de levantar os ativos e passivos da empresa
para uma possível venda. Ao invés disso, ele realiza uma pesquisa
de mercado e convence os acionistas da viabilidade de manutenção.
Mostra que para isso era preciso, porém, investir em tecnologia,
modernizar equipamentos e instalações. "Era questão
de vida ou morte", diz. "Ou se modernizava, ou fechava".
Começa aí uma série de transformações.
O jornal adquire novas máquinas de impressão, fotocomposição
e fotomecânica e muda-se para uma nova sede de 1,5 mil metros quadrados,
um prédio monumental para a época.
Desta forma, A Notícia, que era impresso com 12 páginas
até então, tem crescimento no número de páginas
e em tiragem. Um estudo do Centro Internacional de Jornalismo para a América
Latina revela que de 1988 a 1992 o jornal cresceu 41,14%, ficando em segundo
lugar, atrás da "Folha de S. Paulo", com 43,82%, confirmando
a evolução.
Atento às novas tecnologias, Thomazi garante a entrada do jornal
na era da informática, em 1995, com a instalação de
computadores Macintosh e nova substituição das máquinas
de fotocomposição, em investimentos que chegaram a US$ 2,5
milhões. "Fomos os últimos no Estado a partir para a
off-set, mas depois sempre estivemos na frente", afirma.
História
Luiz Henrique: jornal moderno e tecnologicamente
avançado
FOTO: CARLOS ALBERTO DA SILVA
A Notícia assume os desafios
Luiz Henrique da Silveira
Fundamental para o bom funcionamento da democracia, a imprensa tem a
árdua tarefa de filtrar as demandas legítimas da população,
expurgando aquelas de caráter eleitoral e partidário e desprezando
o jogo de interesses particulares, bem como a difícil tarefa de avaliar
e expor corretamente as ações de governo, valorizando e aplaudindo
o que for correto, questionando o que for duvidoso ou condenando o que for
claramente danoso ao bem público.
Ao longo de sua história, o jornal A Notícia teve vários
dirigentes, sofreu o impacto de duas guerras, sobreviveu a dezenas de pacotes
econômicos, experimentou a censura e celebrou a redemocratização.
Ao comemorar 75 anos, as feições de A Notícia são
as de um jornal moderno e tecnologicamente avançado, em condições
de assumir os desafios da verdadeira imprensa: veraz, aberta e responsável.
Por tudo isso, e por tratar-se de um veículo genuinamente joinvilense,
que cresce e espraia continuamente a sua influência por todo o Estado,
é que devemos saudar o transcurso desta data.
O governo de Joinville trabalha em ritmo acelerado para fazer da nossa
cidade não só a maior, mas, também, a melhor cidade
de Santa Catarina. E é auspicioso perceber esse mesmo dinamismo nos
mais diversos setores de atividade, entre eles a nossa imprensa.
- Luiz Henrique da Silveira é prefeito de Joinville
Memória
Cavalheirismo de
A Notícia continua o mesmo
Norberto Rost
Em dia dessa semana, participando de um jantar-reunião do Rotary
Clube Joinville Sul, dentro do rotineiro item "Datas Comemorativas",
foi lembrado o dia 24 de fevereiro como sendo a data do 75º aniversário
da fundação do jornal A Notícia. Feita a alusão,
ela suscitou uma calorosa salva de palmas de todos os participantes.
Esse fato ainda bem vivo na memória faz com que eu sente à
frente da minha velha e sofrida Remington (velho jargão por mim usado
em outros tempos) e passe a dedilhar e dar vazão de uma torrente
de agradáveis reminiscências.
Volta à tona em nossa lembrança que o jornal A Notícia,
quando éramos estudantes da 1ª turma de economista, em
Joinville, possibilitou aos pioneiros do curso superior em nossa cidade
publicarem as suas "notas acadêmicas". Animados com essa
oportunidade, logramos ainda por muito tempo inserir a seção
"Notícias do Rotary-Sul", quando esse clube dava seus primeiros
passos, relatando as reuniões realizadas no restaurante "O Castelinho",
que posteriormente foi demolido para dar lugar à avenida JK.
Naqueles bons tempos senti na carne o compromisso de semanalmente produzir
notícias das entidades em que participava e passei a dar valor aos
verdadeiros jornalistas que dia a dia informam e conceituam em horizontes
ilimitados.
Outra grata lembrança que guardo dos anos 70, quando, além
dessa minha modesta produção feita nas horas pós-expediente,
sábados e domingos, sem descuidar da atenção dada à
minha então pequena família, encontrava sempre abertas as
portas da antiga redação e oficina de A Notícia, para
quem quisesse apoliticamente expor suas idéias: sr. Heráclito
e o sr. Nerval me deram a chance e a alegria de ver publicadas em torno
de 50 crônicas minhas focalizando assuntos citadinos.
Colaborando com o meu hobby de escrever, esses competentes profissionais
proporcionaram-me a oportunidade de poder participar vez ou outra na então
seção "Comentário do Dia", uma espécie
de editorial, como se chama hoje em dia, em situações quando
se tratava de datas comemorativas, campo em que eles diziam eu demonstrar
uma "leiga capacitação". Tudo isso então
enchia de satisfação um concidadão na faixa dos seus
30 anos.
Deixei uns anos o meu hobby de escrever e provavelmente o meu talvez
pequeno público leitor nem sentiu falta. O fato gerador disso foi
eu estar então vinculado a empresas grandes, exercendo cargos que
eticamente não permitiam tais arroubos públicos.
Hoje em dia, com 63 anos, aposentado, verifico que a solicitude e o cavalheirismo
do jornal A Notícia, passado tanto tempo, continuam o mesmo. Isto
constato em todas as situações em que preciso, no exercício
de minhas atuais atividades voluntárias, no campo dos serviços
comunitários que presto ao Colégio Bom Jesus, como membro
da Associação de Ex-alunos e Amigos do Educandário
e integrante do projeto "Salão de Memória". Junto
aos Bombeiros Voluntários de Joinville empresto minha colaboração
como membro do conselho e coordenador do Museu Nacional do Bombeiro. Tivemos
a satisfação de no ano passado também participar da
organização do "1º Encontro de Descendentes
dos Imigrantes Suíços".
Penso um dia ainda compilar todo o material de publicações
minhas feitas em A Notícia e juntá-las numa brochura, talvez
com um título como "Pensamentos de um jovem que não acreditava
envelhecer"...
A Notícia, porém, não envelheceu nesse longo lapso
de tempo e se moderniza dia-a-dia, orgulhando toda uma comunidade de assíduos
leitores na cidade de sua origem.
À passagem de seu importante jubileu e com evidentes afinidades,
outro fato auspicioso neste ano de 1998 é o início do curso
de jornalismo na nova Faculdade de Comunicação Social, funcionando
junto ao Colégio Bom Jesus.
Finalizando essa minha mensagem de cumprimentos, que quase tornou-se
um tratado de nostalgia, transmito os sinceros parabéns a todos que
integram essa grande empresa e não encontro outra frase que traduza
mais fiel a relação de uma cidade com o seu jornal: "75
anos escrevendo a história de Joinville em forma de notícia".
Abraços.
Jorge Silva: off-set encerra "período
mais romântico do jornal"
Foto: Nilson Bastian
Jorge Silva escreve parte de AN
Jornalista fica de 1959 a
1981 no jornal e acompanha fases importantes
Valesca Gehrs
Quem vê um jornal hoje, produzido com tecnologia e rapidez, talvez
jamais imagine como ele era feito no tempo em que o computador não
passava de um sonho futurístico do homem. Jorge Silve ajudou a escrever
esta parte da história de A Notícia. Ao longo de mais de 20
anos, Jorge Silva exerceu funções que começaram como
redator auxiliar de esporte e foram até a diretor de redação.
Em 1959, com apenas 18 anos, Jorge ingressou no dia-a-dia de A Notícia
como ajudante de redação na seção esportiva,
produzindo notas e crônicas. A partir de 1967, ele cria a premiação
"Destaques Esportivos", dando mais peso ao tratamento dado ao
esporte. A princípio o prêmio destacava apenas o esporte amador
de Joinville, passando mais tarde a abranger todo o Estado e permanecendo
até hoje.
Jorge Silva conta que se inspirou em um jornal paranaense que fazia um
trabalho parecido na época e que premiava os melhores no esporte
amador. Hoje a coluna Destaques Esportivos distribui o troféu O Jornaleiro,
que reconhece talentos no Estado. Dois anos depois Jorge assume a editoria
de geral e passa também a fazer e coordenar reportagens fora do mundo
esportivo.
Diagramação
Mudanças importantes no jornal também marcaram a carreira
de Jorge como profissional. Em 1972, com oito páginas diárias,
A Notícia experimenta pela primeira vez em Santa Catarina a diagramação,
técnica de cálculo utilizada para a montagem e concepção
dos textos no papel. Até então, lembra, Jorge, "tinha-se
uma idéia, mas não se sabia como ia ser a cara do jornal do
dia seguinte".
Este serviço ficava a cargo dos paginadores, que trabalhavam dentro
da oficina de máquinas, as famosas linotipo. Uma das máquinas
mais antigas do jornal está exposta na sede da rua Caçador,
em Joinville, por idéia de Jorge, em homenagem aos operadores.
Sistema offset
acelera produção
De 1978 a 1981, AN passou pelo processo de implantação
do sistema a quente off-set. Segundo Jorge, que já ocupava o cargo
de diretor de redação, encerrava-se aí o "período
mais romântico do jornal". A tipologia e o padrão gráfico
passam a ser programados, o que torna a produção mais rápida
e menos artesanal.
Para Jorge, que saiu de A Notícia em abril de 1981, a marca-suporte
deste veículo é estar presente não só em Joinville,
mas com influência em todo o Estado. "É a principal voz
em Santa Catarina, porque passou a ter a credibilidade como maior característica.
E A Notícia sempre soube zelar por isto", salienta.
Um dos piores momentos ao longo dos 20 anos em que contribuiu para o
jornal, segundo Jorge, foi justamente no período de transição
para o off-set. O novo sistema substituiria cinco máquinas linotipo
e grande parte da mão-de-obra. "Foi um tempo de angústia
e sufoco, porque muita gente ia ficar desempregada", lembra o jornalista.
Dois momentos importantes para ele durante o tempo em que esteve no jornal
foram a produção das edições extras sobre a
Copa do Mundo de 70 e outra sobre um grande acidente de avião em
Florianópolis, que levou uma equipe até a Capital para dar
em primeira mão todos os detalhes do acidente no dia seguinte. (VG)
Parceiro das rádios no Estado
Diariamente, o jornal A Notícia
serve como fonte de informações a profissionais da área
Marlise Groth
O lema "compromisso com a verdade" tornou o jornal A Notícia
parceiro das rádios AMs, FMs e Educativas de todo o Estado. Diariamente
consultado pelos profissionais que atuam no radialismo, o jornal serve como
dupla fonte de informação. "Informa o profissional e
informa o ouvinte", declara a comunicadora Dalila Fiorentin, que atua
na Rádio Caçanjurê AM, em Caçador.
Funcionando há 50 anos e registrando os principais acontecimentos
da história local e do Meio-oeste, a rádio Caçanjurê
continua mantendo seu espaço jornalístico sem perder para
concorrentes. "Zelamos pela informação e o jornal A Notícia,
junto com outras fontes e rádios nacionais, nos garantem um bom trabalho",
diz.
Dalila afirma que jornal é essencial, tanto que há duas
assinaturas para a reportagem: "Um exemplar fica no estúdio
e outro na redação". A comunicadora argumenta que o jornal
também atinge o público da região, pois as páginas
de AN sempre trazem alguma coisa a respeito da economia, política
ou cultura local.
Na rádio Floresta Negra FM, em Joinville, o radialista Nei Rosa
repete os argumentos de Dalila. "A Notícia é parceiro
nosso", enfatiza Rosa. Segundo ele, as manchetes do jornal fazem parte
de muitos programas vespertinos e cumprem um papel social na medida em que
apresentam assuntos de interesse direto do povo. A Floresta Negra funciona
há 18 anos.
De jornaleiro a leitor
Ramiro Gregório, outro conhecido radialista joinvilense que hoje
coordena a rádio Udesc Educativa, também tem muito o que falar
de A Notícia. "Na década de 40 eu já vendia o
jornal, que recebia pelo trem na Estação Ferroviária
de Jaraguá do Sul", comenta. Gregório acrescenta que,
de acordo com seus cálculos, tornou-se leitor assíduo em 1958,
quando mudou-se para Joinville. "De simples jornaleiro me tornei leitor
e recordo de fatos importantes encontrados nas páginas do jornal,
como o golpe militar de 64", ilustra.
O coordenador da Rádio Educativa considera importante a abertura
de espaços para o público jovem: "Isso garante a renovação
do mercado e mostra que o jornal não está parado". Segundo
ele, o leitor tradicional é fiel ao veículo de informação.
"São 75 anos de trabalho, o leitor confia", afirma. O radialista
descreve que há alguns anos fez uma campanha que dizia "A Notícia
é o verdadeiro diário de Santa Catarina". "Acho
que isso, aliado ao compromisso com a verdade, fecha tudo", destaca.
CARACTERÍSTICAS
Martins fala dos hábitos dos clientes de sua banca de jornais
Fotos: Nilson Bastian
Jornal faz parte da vida do joinvilense
População se
identifica com A Notícia e o transforma em leitura indispensável
Giovanna Locatelli
A maioria dos joinvilenses acompanha os fatos do dia-a-dia da cidade,
do Brasil e do mundo pelas páginas do jornal A Notícia. Muitos
deles encontram em AN uma identificação pessoal que transforma
o veículo em leitura indispensável.
Os anos passam, e o leitor acompanha as mudanças físicas
e estruturais do jornal. Sempre com o espírito crítico de
um cliente exigente, esse mesmo leitor participa ativamente através
de cartas e ligações para a redação.
Nesse ritmo frenético da convivência com um veículo
de comunicação que está entre os mais importantes do
Estado, leitores (assinantes ou não) e donos de bancas de revistas
e jornais que vendem A Notícia trazem na memória histórias
e episódios que marcaram suas vidas em algum aspecto.
Jean Carlos Martins, que há dez anos trabalha como gerente da
banca do Quiosque, anexa à praça Nereu Ramos, tem histórias
para contar sobre seus clientes. "Existem aquelas pessoas que sempre
vêm na mesma hora comprar o jornal diariamente", revela."Há
dez anos, todos os dias, ele vem aqui logo depois do meio-dia e compra sete
jornais antes de voltar para o seu escritório de advocacia, que fica
aqui perto", diz Martins, referindo-se a um de seus clientes.
Segundo Martins, o cliente advogado nunca fica sem os jornais, mesmo
quando não passa na banca por algum motivo. "Sei até
quando ele falta ao serviço, pois não vem buscar seus jornais.
Quando isso ocorre, sei que devo guardar os sete jornais, que ele vem buscar
no dia seguinte", conta.
Há leitores que apresentam características próprias,
que os transformam em clientes únicos. "Os aposentados que ficam
no quiosque nunca compram o jornal A Notícia às segundas-feiras,
pois ele vem 'magrinho'," diz Martins. "Jornal, para eles, só
a partir de terça-feira", acrescenta.
Não é só a venda do jornal na banca que une Martins
ao A Notícia. De acordo com ele, bons negócios foram fechados
com a ajuda dos classificados do AN.
Entre carros e casa, Martins diz que o caderno dos classificados é
uma grande alavanca de vendas. "Este é o grande chamariz, pois
mesmo que as pessoas não procurem nada para comprar ou vender, sempre
olham os classificados", destaca.
OPINIÕES
João Machado Pereira acompanha trajetória de AN há
mais de 20 anos
Abuso de poder
Não são só histórias positivas que Martins
guarda na lembrança. Ele conta que junto com os clientes amigos,
existem também aqueles não muito amistosos.
Algumas pessoas confundem o conceito de banca de revistas com biblioteca.
O péssimo costume de chegar na banca e começar a ler um jornal
e depois sair sem levá-lo já rendeu incomodações
a Martins.
Ele lembra que num dia mais movimentado que o normal uma moça
jovem pegou o jornal A Notícia do expositor, no lado externo da banca,
e começou a lê-lo. Percebendo que a cliente não iria
pagar pelo produto que estava consumindo, Martins pediu que ela recolocasse
o jornal de volta no expositor.
Mas, ao contrário, a mulher perguntou ao gerente, grosseiramente,
se ele sabia com quem estava falando. Sem saber responder, Martins questionou.
"Ela me disse o nome e respondeu que era filha do vice-prefeito de
um município vizinho de Joinville, como se isso fizesse diferença..."
INFORMADO
Nilton Bernardo (E) aproveita o intervalo entre os horários de ônibus
para se atualizar
Leitores acompanham e destacam fatos e épocas
Qualquer hora é hora para adquirir informação. Quem
confirma isto é o cobrador de ônibus Nilton Bernardo, que aproveita
o intervalo entre uma viagem e outra para ler seu jornal. "Ler jornal
é muito importante, pois nos mantemos informados", diz Bernardo.
"A Notícia, hoje, é o melhor jornal de Santa Catarina".
A afirmação categórica é de João Machado
Pereira. Nascido na divisa entre Joinville e Araquari, Machado acompanha
a trajetória de A Notícia há tantos anos que já
perdeu as contas. "Meu sogro era assinante do jornal e quando ele morreu,
passei a assinar A Notícia", lembra. Isso foi há 20 anos.
Apesar da clara satisfação com o material que A Notícia
oferece, Machado diz que o jornal poderia ser mais crítico. "A
Notícia precisa atacar mais. Comentários críticos seriam
muito positivos para o crescimento do jornal junto à opinião
pública", analisa.
Machado revela sua preferência pelo caderno de esportes. "Estou
escrevendo um livro sobre futebol e o caderno esportivo me auxilia muito
no desenvolvimento da obra", comenta.
Outro leitor assíduo das páginas esportivas é o
farmacêutico e criador de curiós Renato Adrat, 54 anos. Torcedor
de carteirinha do Botafogo, Adrat conta que certa vez, há mais de
cinco anos, o jornal se equivocou ao divulgar o resultado de uma partida
de futebol em que o Botafogo estava em campo. "Liguei imediatamente
para o jornal e conversei com o editor de esportes na época, que
me ouviu pacientemente", lembra.
Notícias mundiais
O leitor de A Notícia está se mostrando cada vez mais crítico
e exigente. Muitas ligações chegam ao departamento de redação
do jornal e, entre uma sugestão e outra, surgem os pedidos pelo retorno
de quadros que faziam parte da linha editorial de A Notícia.
O aposentado Alfredo, que preferiu não divulgar o sobrenome, acompanha
os fatos e acontecimentos pelas páginas de A Notícia
há 55 anos, quando veio de Blumenau para morar em Joinville.
Entre consistentes comentários a respeito do conteúdo e
influência exercida pelo jornal sobre a vida do joinvilense, Alfredo
lembra quando o jornal trazia na capa uma coluna com notas curtas sobre
importantes fatos mundiais.
"Esta coluna era muito interessante, seria positivo se A Notícia
resgatasse esta fonte, que resumia muito bem os acontecimentos mundiais",
sugere Alfredo, que lembra ainda da época em que o jornal era comandado
pelo seu fundador Aurino Soares, na década de 30. (GL) |
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Gerações incorporam o jornal ao dia-a-dia
Melhor atendimento com regionalização
A Notícia 75 Anos |
Concorrência leva a crescimento maior
Para seguir adiante, AN procura
fortalecer ainda mais os laços com a comunidade catarinense
As modificações permitem ao jornal imprimir 36 mil exemplares
por hora de cadernos de até 32 páginas. A revista "Imprensa",
na edição de maio de 1997, aponta a home page do A Notícia,
criada em 1996, como a mais bonita de Santa Catarina e a melhor do Brasil.
O jornal impresso hoje tem poucas semelhanças com aquele que saiu
das formas quando Moacir Thomazi pisou pela primeira vez na antiga sede,
na rua Abdon Batista. "Era o (jornal) mais feio, o último",
fala Thomazi, comparando com os jornais estaduais da época. "Nosso
sonho era chegar próximos dos bons", diz. "Depois achamos
que podíamos empatar com eles. Depois o sonho passou a ser o de fazer
o melhor jornal de Santa Catarina".
No enredo desta história há um ingrediente que serviu de
tempero para o crescimento do jornal nascido na maior cidade do Estado:
a entrada no mercado do jornal "Diário Catarinense", do
competitivo Grupo RBS. A Notícia viu-se obrigada a crescer ainda
mais do que já havia crescido para se firmar como jornal verdadeiramente
catarinense. Não é à toa que a fase de maior desenvolvimento
se dá na década de 90. "Com a presença do "Diário
Catarinense", melhoramos muito. Havia certo acomodamento antes, certa
reserva de mercado, cada um dos jornais existente tinha espaço determinado",
conta Thomazi.
A competição serviu de mola propulsora e os números
são prova cabal dos avanços. A Notícia, que tinha seis
repórteres no começo da década de 80, passa para a
metade dos anos 90 com 800 funcionários, destes, 120 jornalistas.
"Nunca tivemos medo da concorrência. É claro que sempre
discutimos isso, a entrada daquele jornal no mercado catarinense",
revela.
Vínculos
Apesar de todas as novas tecnologias, das mudanças gráficas
e editoriais, do aumento do número de funcionários, para seguir
adiante A Notícia usa ainda o mesmo caminho: caminha, caminhando
e procurando fortalecer os vínculos com a comunidade. Com a preocupação
de manter a cultura e as tradições da sociedade de Joinville.
Esse compromisso recebeu impulso com a segmentação, através
dos cadernos regionais: AN Capital, AN Cidade e AN Jaraguá. Outros
três cadernos estão nos planos da direção da
empresa: AN Blumenau, AN Oeste e AN Criciúma. "O objetivo é
ter um jornal comprometido com a solução de problemas regionais",
afirma o diretor de Redação, Luís Meneghim.
Idealismo
Se são os mesmos os ideais dos tempos em que o paranaense, nascido
em Palmas, Aurino Soares fundou o jornal, valem também as mesmas
esperanças. "O tempo haverá de transformar nossos propósitos
e esperanças em sólida realidade", escreveu Jorge Silva.
Se não são os mesmos os desafios da época em que
o fundador enfrentava o preconceito, já que era mulato e instalou
um jornal em português numa cidade de 10 mil habitantes de maioria
alemã, e as dificuldades políticas, como a invasão
da sede do jornal, na década de 50, e a quebra das máquinas,
perduram as mesmas qualidades que fizeram Aurino Soares resistir: o idealismo
e a crença na possibilidade de mudança e de uma sociedade
melhor. (JA)
Opinião
Alegria
Milton Sander
Pela seriedade e coerência de sua linha editorial, pela pontualidade
e regularidade na entrega, mesmo aqui no distante Oeste catarinense, temos
o dever de compartilhar da alegria ao ser comemorado os 75 anos de ininterrupta
atividade de A Notícia.Conheço o jornal de longa data, inclusive
suas modernas instalações físicas e parque gráfico,
bem como e principalmente seu corpo funcional e diretivo. Por tudo isso,
só nos cabe parabenizar o jornal e desejar pela continuidade de tudo
o que até aqui foi feito, orgulhando a imprensa catarinense. Um abraço
especial ao amigo particular Moacir Thomazi, diretor-presidente das organizações
A Notícia".
- Milton Sander, advogado em Chapecó, duas vezes prefeito
da cidade.
DEU NO JORNAL
"Caxias F.C. - Convido a todos os jogadores dos 1º e 2º
quadros para um rigoroso treino AMANHÃ, ÀS 8 HORAS, no campo
da rua Imaruhy.
O jogador que deixar de comparecer ao treino será punido.
O captain: João Fernandes."
A Notícia, 28 de abril de 1923
...
"No próximo número, afim de satisfazer a justa curiosidade
dos nossos leitores, publicaremos succulenta entrevista que o principe Proppof
Nicolaiewna, figura ilustre na vida tumultuaria da Russia gentilmente concedeu
a um dos nossos colaboradores, e mais ainda, luminosas opiniões sobre
a grande transformação que se opera nas artes lettras e sciencias
e o futuro nebuloso da "escola-futurista" e do cubismo.
S.A.I neste momento é hospede de honra da cidade para honra e gloria
de Joinville".
A Notícia, 28 de abril de 1923.
...
"O PÃO - Os trabalhadores da industria de panificação
continuam a agitar-se em torno do projecto já aprovado pelo Conselho
Municipal, que proibe trabalho noturno nas padarias.
Tendo decidido, anteriormente, lançar-se em greve a 1 de janeiro,
caso o Conselho Municipal se opuzesse ás suas justas pretenções,
a União dos E. em Padaria resolveu depois aguardar a palavra do sr.
prefeito".
A Notícia, 2 de fevereiro de 1924
Opinião
Qualidade
Harry Lindner
O jornal A Notícia tem um papel fundamental para o desenvolvimento
da cidade. Apesar das dificuldades, o AN tem se mantido firme e desempenha
um trabalho competente e de qualidade. As notícias veiculadas pelo
jornal são fontes de informação importantes para os
empresários e industriais joinvilenses. Ao longo dos anos, o jornal
tem crescido muito e, com ele, todo o município, já que A
Notícia tem sido um competente veículo promotor da nossa cidade.
Além disso, o jornal é único em Joinville e seu crescimento
pode ser comparado, proporcionalmente, ao crescimento dos grandes jornais
do País. Enfim, o jornal A Notícia, nestes 75 anos, forçou
o crescimento da cidade porque é um veículo dinâmico
e que realiza um trabalho competente".
- Harry Lindner, Joinville - fundador da Tacolindner, há
47 anos
...
Credibilidade
Maria Helena de Moraes
Acompanho A Notícia desde 1969. É um jornal de grande credibilidade
no Estado todo e tem bastante aceitação em Corupá.
Por ser um jornal estadual, tem a responsabilidade de selecionar muito bem
as notícias que divulga. A linha editorial e o profissionalismo são
as qualidades que mais admiro neste veículo de comunicação.
Além disso, tem excelente caderno de classificados".
- Maria Helena de Moraes, Corupá
...
Marketing
Ernesto Felipe Blunck
Com uma análise abrangente e objetiva, A Notícia tornou-se,
ao longo de sua trajetória, uma agenciadora de marketing cultural,
especialmente para nós, que buscamos espaços culturais e dinâmicos".
- Ernesto Felipe Blunck, vereador em Corupá pelo PFL. Foi
correspondente de A Notícia de 1969 a 1980. Foi prefeito de Corupá
de 1989 a 1992. Lê AN diariamente.
...
Tradição
Inge Colin
Sou assídua leitora do jornal A Notícia e desde a fundação
do jornal minha família é assinante. A Notícia em nossa
casa já é tradição e só vou deixar de
assiná-lo quando for para o outro lado da vida. Até mesmo
quando estou de férias, a primeira atitude pela manhã é
buscar o jornal na banca. O AN evoluiu muito nos últimos anos e traz
reportagens de ótima qualidade. Sem bairrismos, acho o jornal A Notícia
o melhor jornal de Santa Catarina. Com excelentes matérias, o AN
tem contribuído muito para o crescimento não só da
cidade, mas também de todo o Estado".
- Inge Colin, aposentada, eleita deputada estadual em 1958/59,
Joinville
...
Mensagem
A diretora de atendimento da Central de Marketing e Comunicação
(CMC), Christiane Hufenüssler, no momento em que o jornal completa
75 anos, enviou à equipe do AN Jaraguá mensagem onde lembra
que, como resultado positivo da mais recente investida do jornal rumo à
regionalização, o ANJ traz excelentes reportagens sobre assuntos
da comunidade e cumpre o papel de bem informar o exigente leitor de Jaraguá
do Sul e municípios vizinhos sobre o dia-a-dia desse importante pedaço
de Santa Catarina.
DEU NO JORNAL
"Conta um importante jornal carioca que os governos de Minas, de
S. Paulo, e tambem da Bahia, estão apavorados com o phantasma do
Partido Democratico... É possivel.
Chefiado por nomes ilustres e prestigiados, com um programma de luta pela
liberdade, pela justiça, pelo direito, foi acceito pelo povo paulista
com as maiores demonstrações de applausos.
E esse partido que não mereceu a atenção dos governos,
foi-se impondo, prestigiado pela opinião publica, tomando tal importancia
que se vae tornando em phantasma, apavorando as situações
dominantes".
A Notícia, 11 de maio de 1927.
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"Copenhgue, Telegrapham de Moscou: 'A partida de Trotsky para o
desterro deu motivo a uma ruidosa manifestação.
Os partidos do antigo commissario dos Negocios da Marinha reuniram-se na
estação ferroviaria por occasião do seu embarque, dando
vivas estrepitosos á unidade do Partido Communista.
Trotsky, que entrava no carro, ficou de pé na plataforma voltado
para os manifestantes. Pallido pela commoção, mas guardando
uma attitude digna, elle saudou a multidão em silencio, negando-se
a pronunciar qualquer palavra, apesar de não lhe ter a policia feito
nenhuma prohibição a respeito".
A Notícia, 18 de janeiro de 1928).
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"Os revolucionarios fizeram em Joinville 240 prisioneiros, inclusivel
os fuzileiros navaes, que foram enviados hoje para o campo de consentração
em Curityba.
Os revolucionarios estão atacando rigoramente o Estado de S. Paulo.
Segundo um communicado do comando das operações no Paraná
Itararé forte reducto dos legalistas cahirá breve em poder
dos revoltosos".
A Notícia, 11 de outubro de 1930.
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"Estamos positivamente informados de que chegará, amanhã,
a Joinville, estre as 14 e 15 horas, o primeiro avião da carreira
que acaba de ser estabelecida, com escala por esta cidade.
A aterissagem dar-se-ha ao que egualmente nos informa pessoa autorisada,
no campo do "Soberano F.C.", situado á rua do Norte. As
entradas no campo serão cobradas á razão de um mil
reis por pessoa. Escusado se torna assignalar o grande melhoramento que
tal iniciativa representa para Joinville, que de tal modo terá, a
partir de amanhã, um rapido e facil meio de communicação.
Os aparelhos utilizados pela Companhia na carreira acabada de estabelecer
são dos typos mais aperfeiçoados".
A Notícia, 25 de abril de 1932.
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"É grave ainda a situação na Alemanha. A situação
continua ainda bastante confusa e as informações contradictorias.
O governo, ao que se sabe, ordenou esta manhã varios fuzilamentos,
e ao mesmo tempo proibiu a divulgação dos communicados referentes
aos acontecimentos ultimos.
O presidente Marechal Von Hindemburgo felicitou ao chanceler Hitler e ao
sr. Goering pelas promptas, e adoptadas na repressão da intentona".
A Notícia, 3 de julho de 1934.
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"A bandeira do Brasil foi hasteada, pela primeira vez na historia,
juntamente com as demais dos Estados americanos no Independence Hall, de
Philadelphia, hoje, em commemoração á data americana.
As autoridades incumbidas das celebrações, informam que as
Republicas centro sul-americanas acceitaram os convites para se fazerem
representar nos festejos, hasteando os representantes diplomaticos as respectivas
bandeiras".
A Notícia, 31 de julho de 1935
Opinião
Fonte
O mais antigo assinante de A Notícia em Chapecó,
Nadir Agostini, 56 anos, tem no jornal a principal fonte de informação.
"É meu companheiro de todos os dias nestes mais de 15 anos que
sou assinante", afirma. De acordo com ele, a imparcialidade com que
o jornal trata a informação, principalmente na área
política, é um dos grandes diferenciais. "Nesse tempo
não consegui notar qualquer tendência nos editoriais e informações
em outros setores", diz Nair Agostini, reclamando da falta de um caderno
de classificados dirigido para o setor imobiliário. "Se tivesse
classificado imobiliário estaria completo", conclui.
Mania
O vereador e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Guaramirim,
Ivaldo Kuczkowski (PFL), 41 anos, tem a contabilidade como profissão
e é político há 15 anos. Segundo ele, a sua única
mania é chegar de manhã cedo no escritório, abrir o
jornal A Notícia e ler a coluna Informal do colunista Maceió.
"Faço isso há anos", diz. Na opinião dele,
os 75 anos de existência do jornal representam um marco na história
de Santa Catarina e prova que tem credibilidade.
Moderno
O vice-presidente da empresa Duas Rodas, de Jaraguá do Sul, Rodolfo
Hufenüssler, 69 anos, faz parte da alta direção da empresa
desde 1955, quando o seu pai morreu. Ele diz que o Jornal A Notícia
é imprescindível para o Estado e o formato standart é
moderno e noticioso.
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