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Felpudos
Karsten está apostando nos personagens Disney e Warner Bros para obter sucesso com produtos voltados à competição

Fotos: Gilberto Viegas

Copa do Mundo já movimenta o setor têxtil

Lançamentos em toalhas de banho e camisetas vão colorir o Brasil

Irene Huscher

Blumenau - Na carona do favoritismo da seleção brasileira de futebol, indústrias têxteis do Vale do Itajaí estão investindo no lançamento de coleções com motivos ligados à Copa do Mundo, que será disputada em junho, na França. Hering Têxtil e Karsten, de Blumenau, e Buettner, de Brusque, desenvolveram linhas para os mercados nacional e de exportação que privilegiam o verde e amarelo, as cores do coração brasileiro. Apesar do fraco desempenho da equipe na Copa Ouro, realizada nos Estados Unidos, a perspectiva de vendas é boa. Afinal, esse ano futebol e eleições dominam o cenário nacional.

A Hering Têxtil, fabricante de artigos de malha, desenvolveu três coleções de camisetas direcionadas ao atacado, varejo e rede de franquias, com cinco modelagens e 25 estampas, revelou o diretor de Marketing da empresa, Carlos Alberto Zilli. O investimento é de R$ 300 mil, fora a campanha publicitária em revistas, que será veiculada em maio, informou. A previsão de vendas é ultrapassar o movimento da Copa dos Estados Unidos, quando 1,2 milhão de peças foram comercializadas em todo o País. O favoritismo do Brasil deve alavancar os negócios, acredita.

Modelos femininos

Uma novidade que a Hering apresenta este ano são os artigos voltados ao público feminino, com uma modelagem mais ajustada ao corpo e estampas diferenciadas, anunciou Zilli. As coleções de atacado e varejo terão desenhos mais populares, onde sobressaem as cores verde e amarelo e o nome Brasil. Já a linha direcionada às 48 lojas da rede de franquia Family Store vem com uma produção mais sofisticada. Além da camiseta, com estampas gráficas, o consumidor recebe de brinde uma bandeira do Brasil, com tamanho aproximado de 50 por 80 centímetros.

As camisetas Hering para a Copa do Mundo, todas em manga curta, serão comercializadas nos 6 mil pontos de vendas da empresa espalhados no País a partir de abril. Os preços ainda estão sendo definidos. "Vamos formar a torcida Hering", aposta Zilli.

Concorrência
Buettner entra na disputa do mercado e pretende comercializar 100 mil peças que destacam o verde e o amarelo

Toalhas da Karsten serão
apresentadas na Expotêxtil

A Companhia Têxtil Karsten debuta na Copa do Mundo com uma coleção de toalhas de praia com personagens da Disney e Warner Bros. São oito modelos - quatro de cada licenciado - em dois tamanhos: 76 por 152 centímetros e 70 por 140 centímetros, informou a supervisora de licenciamentos da empresa, Renita Noering. As coleções serão lançadas durante a Expotêxtil, que será realizada de 3 a 7 de março, em Blumenau, e devem estar no mercado nacional e externo - Europa e América Latina - no final de março. As toalhas Warner também foram lançadas recentemente nos Estados Unidos, no evento Market Week. Nesse mercado, a Karsten não detém a licença Disney nesta linha.

A Karsten já desenvolve toalhas com motivos esportivos com os personagens Mickey, Pateta, Pato Donald e Dálmatas, da Disney, e Pernalonga, Piu Piu, Frajola e a turma Looney Tunes, da Warner Bros, mas aposta pela primeira vez numa linha especial para a Copa do Mundo, disse Renita. "Esse é o evento que atrai o maior número de pessoas, é o número 1 no mundo, mais do que qualquer outra modalidade esportiva, mais até do que as Olimpíadas", justifica. No desenvolvimento dos oito desenhos, incluindo criação e gravação de quadros, foram gastos R$ 24 mil.

As toalhas licenciadas representam 10% do faturamento da empresa, que há 23 anos mantém parceria com a Disney. São mais de 200 itens com motivos Disney, comercializados em todo o mundo. A Karsten também é considerada pela Warner a única empresa brasileira com licença mundial para fabricar toalhas, jogos de cama e painéis com destaque para os personagens como Pernalonga, Piu Piu, Frajola e Taz.

Buettner

Concorrente na linha de toalhas felpudas, a Buettner, de Brusque, também desenvolveu uma toalha de praia para a Copa do Mundo com as cores da bandeira brasileira, no tamanho de 70 por 140 centímetros, informou o diretor financeiro e de relações com o mercado da empresa, João Henrique Marchewsky. Elas estão sendo vendidas em todo o mercado nacional desde fevereiro. A produção inicial foi de 15 mil toalhas, mas a estimativa é comercializar, no mínimo, 100 mil peças, prevê. Se o Brasil conquistar o pentacampeonato as vendas devem estourar. (IH)


Casa São Jorge resiste ao tempo

Novas tecnologias não mudaram a filosofia de atendimento

Frutuoso Oliveira

Caçador - Parece impossível, mas em tempos de globalização da economia e alta tecnologia, em Caçador ainda é possível em uma única loja encontrar mais de mil itens que vão desde foguetes e lampiões a querosene até pregos e peças para bicicletas. A Casa São Jorge, fundada pelo imigrante Sírio-libanês Jorge João em 1931, resiste no tempo e enfrenta as lojas das grandes redes vendendo de tudo. "Temos uma tradição de ter aquilo que as pessoas buscam no comércio e não encontram, por isso estamos sobrevivendo", acredita Anuar Jorge João, filho do fundador, morto em 1993, e que hoje toma conta da loja com a irmã Leila.

Basta uma olhada pelas prateleiras para constatar a variedade de mercadorias que a Casa São Jorge oferece. São Brinquedos de diversos tipos, bolas de futebol, chapéus, bonés, ferramentas, peças para máquinas de costura, peças para bicicletas, artigos para pesca, armas, munições, cobertores, lanternas, tintas imobiliárias, botões, panelas, baldes, cordas, botas, camisetas, violões, acordeons, chuteiras, fogões e ferragens, só para citar alguns dos exemplos encontrados na loja. "Já tivemos muito mais produtos, chegando a 1.500 itens, hoje reduzimos um pouco porque a situação do comércio não está boa", conta Anuar.

Descontos

Anuar afirma que a grande clientela da Casa São Jorge está no interior do município. Para manter os clientes adota a estratégia utilizada pelo seu pai por mais de 50 anos: sempre dar um desconto. "O meu pai acostumou os clientes com o desconto e hoje não conseguimos fugir dessa regra. Há clientes, aqueles mais antigos, que temos que oferecer nem que seja alguns centavos, caso contrário não levam a mercadoria", lembra. Jorge João, comenta-se em Caçador, não deixava o primeiro cliente da segunda-feira sair sem fazer negócio nem que para isso tivesse que perder dinheiro.

"Mesmo com a variedade de produtos, a coisa não está para brincadeiras. Reduzimos o tamanho da loja, demitimos os empregados e nos transformamos numa microempresa para reduzir a carga tributária. Como não pagamos aluguel dá para ir tocando o negócio", afirma Anuar Jorge João, enquanto opera a velha máquina registradora mecânica do tempo dos cursos (pequenas alavancas no lugar das teclas).

Sobre o fato de ter resistido à modernização da maioria do comércio, continuando no sistema antigo, Anuar afirma que era a maneira do seu pai trabalhar e que sempre deu certo. "Agora não vale mais a pena porque não conseguimos concorrer com as redes de lojas que compram em grandes quantidades e conseguem preços melhores", analisa. Apesar da expansão das redes de energia elétrica, um dos produtos mais procurados na Casa São Jorge é lampião. "Também vendemos bastante artigos para pescarias e peças de bicicletas", concluiu.


Mãos Ágeis
Artesãos consomem cerca de 60 toneladas de matéria-prima por mês na fabricação de móveis e peças de decoração

Foto: Neiva Daltrozo

Garuva pretende fortalecer artesanato

Transformação do vime já ocupa 2.700 famílias no município e vai depender de estímulos para crescer

Herculano Vicenzi
Especial para A Notícia

Garuva - O segundo ano da administração do prefeito Sidnei Pensky (PMDB) será marcado pelo desencadeamento de um conjunto de ações visando gerar novos empregos através do fortalecimento do artesanato em vime, atividade tradicional de Garuva que envolve cerca de 2.700 famílias, representando cerca de 50% da população do município. Ao anunciar as medidas de fortalecimento da atividade vimeira, Pensky informa que o município transforma mensalmente 60 toneladas de vime em móveis e peças decorativas, apesar do setor estar desorganizado.

Lembrando que o artesanato em vime é uma tradição com mais de 30 anos, tendo iniciado com a confecção de balaios e cestas em cipó, evoluindo posteriormente para o vime, o prefeito ressalta que no município existem centenas de artesãos em condições de produzir móveis de alta qualidade. "Para transformar o setor na mais importante atividade econômica e de promoção social, precisamos fortalecê-lo através da organização das famílias envolvidas com a atividade", analisa o prefeito garuvense.

As medidas básicas para fomentar o artesanato vimeiro são três: estimular a participação em feiras de renome nacional e internacional; promover cursos de reciclagem, aperfeiçoamento e administração; criar mecanismos para facilitar linha de financiamento ao setor.

Com o objetivo de mostrar ao mercado brasileiro o potencial do artesanato do vime de Garuva, a prefeitura está organizando a participação em uma exposição internacional que será realizada em maio, em São Paulo. Trata-se, segundo Pensky, de uma feira internacional, onde Garuva poderá abrir um importante canal para colocar seus produtos no Brasil e no Mercosul.

O aperfeiçoamento e reciclagem dos artesãos já está acertado com o Sine, que promoverá cinco cursos durante este ano. "Com essa medida vamos dar a oportunidade dos nossos artesãos desenvolverem novos design, oportunizando novos negócios", aposta o prefeito de Garuva.

Crédito

Linha de crédito para os artesãos está sendo acertada com o Banco do Brasil, medida imprescindível para salvar o setor da falência, por que, segundo Sidnei Pensky, atualmente os artesãos e mesmo as indústrias de vime estão enfrentando sérias dificuldades financeiras pela falta de capital de giro. "Os compradores exigem prazos cada vez maiores e os vimeiros, sem capital de giro, acabam descontando as duplicatas com agiotas, que cobram 10% ao mês. Com isso, o lucro desaparece."

O Banco do Brasil vai fazer o desconto das duplicatas a custo de 3% ao mês e, com isso, a margem de lucro do setor será restabelecida. Acerto nesse sentido será possível mediante o Banco do Povo, um fundo municipal que vai garantir a viabilidade da parceria com o Banco do Brasil para que abra as portas aos artesãos em vime, destaca o prefeito.

Informalidade
Atividade pode ser legalizada, gerando mais impostos

Associação quer atrair mais filiados

Para organizar o setor, a prefeitura estimulou o fortalecimento da Associação de Artesãos que atualmente conta com 250 membros. A prefeitura estima que nos próximos meses esse número deverá duplicar, pois diariamente novos membros estão se inscrevendo na entidade.

A associação está fazendo um trabalho de conscientização para que todos os artesãos providenciem notas de produtor, medida que permitirá que também contribuam com a Previdência Social, visando requerer aposentadoria no futuro.

O prefeito Sidnei Pensky informa que atualmente existem grandes dificuldades contábeis no setor do vime, por ser uma atividade basicamente informal em Garuva. "Havendo conscientização para sair da informalidade, as difuldades contábeis desaparecerão e o município passará a arrecadar mais, podendo investir em obras sociais e de infra-estrutura", destaca o chefe do executivo garuvense.

A prefeitura de Garuva está também trabalhando junto ao Conselho Fazendário (Confaz) no sentido que o município seja reconhecido como pólo regional de artesanato de vime. Conseguindo esse intento, o município conquistará política tributária distinta, com vantagens como isenção do ICMS em transações interestaduais.

Apesar de se destacar no artesanato em vime há mais de 30 anos, Garuva continua dependendo de matéria-prima originária dos municípios de Lages e Rio dos Cedros. Agora, através de convênio com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) estão sendo introduzidas no município variedades que se adaptam ao clima de Garuva.

Abastecimento

Já existem algumas lavouras em que a qualidade do produto é boa. "A tendência é que no futuro tenhamos no município um grupo de produtores que abastecerá as necessidades locais. Com essa medida, baixará o custo da matéria-prima em função de menores gastos com transporte e, ao mesmo tempo, abre-se nova opção para os agricultores", comenta o prefeito.

Pensky enfatiza que a decisão em investir no setor do vime baseia-se no fato que é preciso respeitar o perfil econômico de uma comunidade. "Garuva há mais de 30 anos se destaca como centro de artesanato em vime, atividade que tem ligação direta com o turismo, setor que, embora ainda pouco explorado, apresenta excelente potencial no município. Diante dessa realidade, 1998 foi eleito como o ano da arrancada para resgatar o potencial oferecido pela atividade vimeira, conclui o prefeito de Garuva. (HV)

Importância do vime

Medidas necessárias para fortalecer a atividade

  • Estimular a participação em feiras de renome nacional e internacional.
  • Promover cursos de aperfeiçoamento, administração e reciclagem.
  • Conseguir linhas de financiamento a juros acessíveis para capitalizar os artesãos.
2.700 famílias
se dedicam ao artesanato em vime em Garuva, representando cerca de 50% da população local.
60 toneladas
de matéria-prima são transformadas em móveis e peças decorativas mensalmente.
250 artesãos
estão cadastrados na associação da categoria, que pode duplicar essa quantia nos próximos meses.

Opinião

O Brasil está se livrando da aftosa?

Nelson Antunes

A sólida campanha de vacinação comandada pelo Ministério da Agricultura, governos estaduais, entidades de criadores e indústrias veterinárias tem todas as condições para erradicar a febre aftosa do Centro-sul do Brasil. Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura, em 1997 foram registrados apenas três casos da doença no Rio de Janeiro e vacinados 80% do rebanho bovino do Centro-oeste, Sudeste e Sul, regiões que participam do circuito pecuário atendido pela campanha de erradicação da aftosa. No ano passado, os laboratórios fabricantes comercializaram cerca de 200 milhões de doses, repetindo o desempenho de 1996. Porém, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, declarados livres da doença, vacinaram seus rebanhos apenas uma vez.

Em 98, novos avanços serão alcançados. Após RS e SC tornarem-se áreas livres, Paraná e Mato Grosso do Sul podem ser decretados como tal em maio, e Minas Gerais e Mato Grosso, por exemplo, não registram qualquer caso de aftosa há mais de 24 meses. A conscientização é a principal responsável pelo excelente resultado alcançado em 1997.

No entanto, não se pode baixar a guarda para a febre aftosa. Não podemos comemorar a erradicação da doença porque, efetivamente, ela ainda está presente e menosprezá-la pode significar sua volta com toda a força. Os governos estaduais e as entidades de criadores devem continuar insistindo para que os pecuaristas vacinem os seus rebanhos. De sua parte, o Sindan está mantendo contatos com o Ministério da Agricultura para intensificar a fiscalização no campo. Todo cuidado é pouco. A aftosa já prejudicou muito o Brasil no mercado internacional e é chegada a hora de dar um basta neste problema.

A lição tem de ser aprendida. Assistimos com olhos de inveja ao governo argentino fechar contratos de exportação com a União Européia, o Extremo-oriente e até os Estados Unidos. Enquanto isso, vendemos menos de 300 mil toneladas ao exterior. É muito pouco, todos sabemos. Reconhecemos, igualmente, que a febre aftosa tem uma grande parcela de responsabilidade nesse desempenho.

Para reverter esse quadro, é absolutamente necessário que todos os elos da cadeia produtiva continuem cumprindo a sua parte. Principalmente o criador, que não pode comemorar os números do ano passado e deixar de vacinar os seus rebanhos. Os pecuaristas precisam repetir o consumo de 200 milhões de doses este ano para manter a imunização nos níveis atuais. Além de RS e SC, que novamente vacinarão o gado apenas uma vez por ano, MT e MS imunizarão somente os animais com mais de dois anos de idade.

Temos de provar que realmente aprendemos a lição. Os desafios do mercado global estão aí e a pecuária brasileira tem todas as condições de ocupar um lugar de destaque neste cenário. Para tanto, devemos dar um basta na aftosa. Essa é uma responsabilidade de cada um de nós.

  • Nelson Antunes é presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan)


Produtor de laranja espera ano melhor

Queda no preço da tonelada do suco concentrado em 97 e recorde na safra mundial provocaram redução na renda

Marcos Horostecki

Chapecó - Depois de um ano de resultados desencorajadores em 1997 devido a queda dos preços da laranja no mercado internacional por causa da ocorrência de uma safra mundial recorde, os mais de 7 mil produtores do Oeste do Estado devem melhorar seus ganhos em 98. A expectativa é da Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora), única empresa na região a industrializar cítricos e a incentivar o desenvolvimento das plantações de laranja como alternativa às culturas tradicionais da região, como o milho e o feijão.

Somente nos últimos 30 dias registrou-se um aumento de 10% no preço do suco de laranja no mercado internacional. O que já é a primeira boa notícia para os produtores de laranja da região desde a desastrosa queda na cotação da tonelada do suco congelado no ano passado, de US$ 1.500 para US$ 850, que fez muitos produtores desistirem de entregar as frutas à agroindústria. Eles preferirem vender o produto nas feiras livres organizadas nas cidades da região e até mesmo doar as produções para instituições de caridade, pois o retorno com a venda acabava não cobrindo os custos de produção.

Este ano a situação deverá ser diferente, explica o assessor técnico de citricultura da Cooperativa Central Oeste Catarinense, Thomaz Andrade. De acordo com ele, a tendência é de que o preço da tonelada de suco congelado se estabilize entre US$ 1,15 mil e US$ 1,3 mil, melhorando os ganhos de todos os envolvidos no processo de industrialização dos cítricos.

Competitividade

Na opinião de Andrade, além do bom preço, outros aspectos devem garantir a competitividade da fruta oestina no mercado internacional e consequentemente o crescimento da cultura na região, como o financiamento de mudas pelas cooperativas, o clima que proporciona melhor qualidade das frutas, a abundância de adubos orgânicos devido a suinocultura forte, a operação dos pomares pelos próprios proprietários e o uso de poucos agrotóxicos.

"A aquisição de toda a produção pelas cooperativas, a liberdade de comercialização de frutas para o mercado e terceiros e os pomares da laranja chamada caipira, com custo zero, são outras características de competitividade quando comparamos o que é produzido em outras regiões tradicionais do Brasil onde os custos de produção são até 40% maiores, com o que é produzido no Oeste", completou o assessor.

Baixo nível técnico é um obstáculo a ser vencido nas lavouras

Ainda existem aspectos negativos que precisam ser combatidos, de acordo com Thomaz Andrade, para que a situação dos citricultores do Oeste melhore ainda mais. Nos campos ainda persiste um baixo nível técnico de conhecimento da atividade por parte dos agricultores, proliferam-se a cada ano novas pragas e doenças e os pomares são muito pequenos, menores que um hectare, quando o ideal deveria ter de no mínimo três.

Eliminados estes problemas, o assessor da Coopercentral garante que há futuro para a laranja no Oeste. "A atividade não tem ainda uma tradição na região, muito menos uma grande expressão econômica. Há a necessidade de superar a descapitalizarão dos agricultores e de adquirir novas tecnologias, mas no balanço geral podemos ser otimistas em relação ao futuro das plantações de laranja", diz Andrade, garantindo acreditar num aumento substancial no consumo de suco e da fruta in natura a partir deste ano.

O técnico também acredita, que a região poderá seguir alguns caminhos bem definidos nos próximos anos, para se recuperar dos maus resultados do ano passado. Deverá explorar mercados específicos, já que a região pouco se utiliza de defensivos agrícolas o que lhe permite conquistar o chamado "selo verde"; deve diversificar seus produtos finais, como suco fresco pasteurizado; pode buscar linhas de crédito para a aquisição de novos insumos e equipamentos e aumentar gradativamente as safras em torno de 20% ao ano, garantindo o fluxo de matéria-prima.

"O potencial para o desenvolvimento da citricultura no Oeste está nos produtores que investem em profissionalização e na comercialização diferenciada para colocar parte da produção no mercado, buscando boa produtividade e excelentes resultados", finalizou Andrade.


     
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