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Garota é resgatada depois
de 17 horas com sequestradores

Menina de oito anos foi mantida em cativeiro, sob a mira de uma arma, pelo padrinho de batismo

Jefferson Lima

Florianópolis - Depois de passar 17 horas nas mãos dos sequestradores, foi resgatada às 10 horas de ontem a menina Juliana Mendes, 8 anos. A operação envolveu mais de 20 policiais e três delegados, que trabalharam desde às 19h30 de terça-feira, quando o sequestro foi comunicado ao delegado Antônio Alexandre Kale, da 2ª Delegacia de Polícia Civil, de São José. Tranquila, apesar de ter passado a noite algemada sob a mira de uma pistola 7.65 e no interior de uma barraca de plástico, montada num matagal na Estrada Geral de Sorocaba, em Biguaçu, Juliana disse que não foi maltratada.

Foi lhe oferecido água e bolacha durante a noite e havia um cobertor para ela dormir. "Eu estava sem fome e não comi nada", diz a menina. Durante a madrugada, ela conta que em determinados momentos conseguiu dormir, mas seu sono durava pouco. O mentor intelectual do sequestro é seu padrinho de batismo, o locutor Jair Jorge Pinheiro, 31 anos, que tem o programa Show de Sucessos, na rádio Gazeta, de São José, onde ele toca músicas do paradão nacional, no horário das 15 às 16 horas. Seu irmão, o encarregado de carpintaria Mário Jorge Pinheiro, 37 anos, foi parceiro no sequestro. Os dois dizem que uma terceira pessoa, identificada por Paraíba, participou do sequestro. A polícia duvida da informação, mas investiga a hipótese.

Somente Jair tem antecedentes criminais, por lesões corporais graves em duas pessoas, pai e filho, causadas num acidente de trânsito em que ele foi considerado culpado. Pagou fiança e ficou livre do processo. A justificativa de Jair para o sequestro e a exigência de um resgate de R$ 20 mil são as dificuldades financeiras pelas quais ele passa no momento. Jair está separado há três anos de Catarina, com quem foi casado durante quase seis anos. Catarina é irmã de Francisca Dilma de Andrade Mendes, mãe da menina sequestrada. O pai da menina é Ailton Manoel Mendes, 41 anos, empresário, proprietário da loja Mendes Decorações, que trabalha com divisórias para escritório, localizada em Serraria, próximo à Feind - Feira das Indústrias de Decoração.

Juliana mostrou que tem coragem

Juliana é uma simpática garota de 8 anos que cursa a terceira série na Escola Básica Padre Agostinho. Sentada entre os país e vestida com um short azul e uma camisa branca decorada com a figura do Pateta, de Walt Disney, ela pouco falou ontem depois do sequestro. Não era muito fácil arrancar um sorriso da menina que foi arrancada de dentro do conforto de sua casa, e passou a noite com os sequestradores numa barraca improvisada no meio do mato. Sua integridade física foi mantida, a não ser por arranhões pelo corpo quando era levada para o cativeiro e pelas picadas de mosquito.

Juliana mostrou, durante o sequestro, que é uma garota corajosa e enfrentou com categoria o episódio que certamente vai marcar toda sua vida. Não reagiu ao sequestro e disse que não sentiu medo durante o tempo que ficou no cativeiro. Chegou a perguntar quando iria ser libertada e Mário lhe disse que o pai dela iria dar-lhe um dinheiro e depois ele a soltaria. Em outros momentos, prevenia a garota que se seu pai não lhe pagasse, ela iria morrer.

IMPRESSÃO

"Eu tinha a melhor impressão do Jair. Depois deste epsódio, para mim ele não passa de um marginal", desabafou o pai da menina, o empresário Ailton Manoel Mendes, 41 anos. "Jair foi casado com minha cunhada e sempre foi agradável comigo. Eu ainda não consegui entender como ele foi fazer isso", completa. Ailton confessa que sentiu medo durante o sequestro, mas confiou na competência da polícia.(JL)

Sequestro é crime hedindo

A punição para o crime dos irmãos Pinheiro está prevista no artigo 159, parágrafo primeiro do Código Penal Brasileiro. Trata-se de extorsão mediante sequestro. Reclusão de 6 a 15 anos, com a ampliação da pena de 8 a 20 anos quando o refém é menor de 18 anos, como é o caso de Juliana.

A partir de 25 de julho de 1990, com a lei 8072, o sequestro foi tipificado como crime hediondo e os criminosos não tem direito à fiança e devem cumprir a pena integralmente em regime fechado. Não tem direito à liberdade provisória, anistia, graça ou indulto, segundo informa o delegado Carlos Quilante, de Biguaçu, que participou da operação policial.

Na casa de Jair, a polícia ainda encontrou duas espingardas, uma calibre 12 e outra calibre 28. Jair diz que tem uma renda mensal de R$ 1.800,00, proveniente de seu salário na rádio e de sua empresa de sonorização. Mário está desempregado. Os sequestradores disseram ontem que a ação não foi planejada. A idéia teria ocorrido durante o dia, "de bobeira", como definiram.

Quadrilha leva R$ 16 mil do Banco do Brasil

Armados com pistolas, assaltantes obrigam gerente a abrir o cofre

Silvia Pinter

Jaraguá do Sul - Em ação rápida, três homens armados com pistolas assaltaram, por volta das 12h15 de ontem, o posto do Banco do Brasil localizado na Barra do Rio Cerro, a seis quilômetros do centro de Jaraguá do Sul. Segundo informações do Núcleo de Comunicação da superintendência do banco, os ladrões levaram cerca de R$ 16 mil.

O superintendente da Regional do banco de Joinville, Juarez Konig, informa que além dos dois guardas e dos seis funcionários, mais seis clientes estavam dentro da agência na hora do assalto. "Ninguém saiu ferido", garante.

Segundo ele, os três homens entraram no banco e logo renderam o guarda que estava na porta. "Disseram que era um assalto e tiraram-lhe o revólver calibre 38", conta. Konig relata que um dos assaltantes obrigou o gerente do banco a abrir o cofre, levando todo o dinheiro. "O que tinha nos caixas também foi levado", diz.

Depois do assalto, os homens sairam da agência e fugiram num veículo Santana preto, AGK-9154, de Curitiba, roubado na noite terça-feira em Barra Velha, e que, durante o assalto, ficou estacionado na frente da agência com um quarto homem. O veículo foi encontrado cerca de duas horas mais tarde abandonado atrás da Malwee Malhas, no bairro Jaraguá Esquerdo.

A delegada Jurema Wulf diz que as polícias Civil e Militar foram acionadas mas que eles não deixaram nenhuma pista. Segundo ela, depois que os ladrões abandonaram o veículo que utilizaram no assalto, "é como procurar uma agulha no palheiro".

     
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