Ação penal no STJ
pode afastar Paulo Afonso
Procuradoria estuda envio
de acusações contra governador no caso das letras
Mônica Corrêa da Silva
Florianópolis - O governador Paulo Afonso Vieira (PMDB), pré-candidato
do partido à reeleição, corre novamente o risco de
ser afastado do cargo. A possibilidade se concretiza se dois terços
dos membros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) declararem procedentes
as acusações a serem encaminhadas pela Procuradoria-geral
da República referentes ao caso das letras. Ação penal
neste sentido está sendo estudada pelos procuradores Haroldo Ferraz
da Nóbrega e Delza Curvelo Rocha, do ministério público
federal. O procurador Ednaldo de Holanda Borges, que substitui o procurador-geral
da República, Geraldo Brindeiro, em férias, já manifestou-se
a favor da ação penal.
A possível suspensão das funções do governador
decorrente de abertura de processo criminal pelo STJ - o que se dá
através do recebimento das denúncias - está prevista
no artigo 173, parágrafo primeiro, inciso I da Constituição
estadual. Já a competência do STJ para processar e julgar governadores
de Estado por crimes comuns está disposta no artigo 105, inciso I,
alínea a, da Constituição federal.
Paulo Afonso Vieira escapou em 8 de outubro de ser alvo de processo
de impeachment, de apuração de crime de responsabilidade,
pela Assembléia Legislativa. O "fantasma" que volta a ameaçá-lo
de perda do cargo, no entanto, é o mesmo: o escândalo das letras.
O secretário da Casa Civil, Justiniano Pedrozo (PMDB), afirmou
desconhecer a nova ameaça de afastamento de Paulo Afonso do governo.
"Área jurídica não é comigo. Minha área
é estritamente política", comentou. Questionado se trabalhava
com a hipótese, o ex-procurador geral da República Aristides
Junqueira, advogado do governador, foi taxativo: "Não há
hipótese alguma a não ser esperar a denúncia".
Formalização de denúncia
depende de dois procuradores
João Meassi
Florianópolis - A Procuradoria-geral da República não
confirma o encaminhamento da ação penal contra o governador
de Santa Catarina Paulo Afonso Vieira (PMDB) ao Superior Tribunal de Justiça
(STJ). O processo, cuja origem é a Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) do Senado e em parte a CPI da Assembléia Legislativa
no caso dos precatórios, está concluído e assinado
pelo procurador Ednaldo de Holanda Borges, mas depende da análise
e de ser subscrito por mais dois procuradores, Delza Curvelo Rocha e Haroldo
Ferraz da Nóbrega, que substitui o procurador-geral em férias,
Geraldo Brindeiro.
No final da tarde de ontem, a assessoria de comunicação
do STJ informou por telefone à reportagem de A Notícia que
não há nada protocolado contra o governo catarinense. Na terça-feira,
já circulava notícia que uma ação penal contra
Paulo Afonso estaria sendo encaminhada para o STJ.
Por meio de sua assessoria de comunicação, o procurador
da República Haroldo Ferraz informou ontem que não há
qualquer possibilidade da ação penal ser encaminhada esta
semana para o STJ. Diz a assessoria que a denúncia não foi
formalizada, pois depende de mais estudos.
A Procuradoria deverá acusar Paulo Afonso e outras autoridades
públicas estaduais de peculato (prejuízo aos cofres públicos
em benefícios de outros), falsidade ideológica (apresentação
de listas e dívidas judiciais falsas), uso irregular de verbas públicas
e de documentos falsos. Os governadores de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB),
e de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB), também vão responder
na Justiça pela emissão de títulos.
Santa Catarina lançou R$ 605 milhões de Letras Financeiras
do Estado (LFTSC) para pagamento de precatórios, mas a maior parte
foi desviada para investimento em obras e custeio do Estado, contrariando
o artigo 33 das Disposições Transitórias da Constituição
federal. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, havia apenas R$
35 milhões de precatórios (dívidas judiciais) para
serem pagos.
Operação fez AL
rejeitar contas
Florianópolis - O Tribunal de Contas do Estado rastreou a aplicação
dos R$ 605 milhões obtidos com a emissão de títulos
públicos pelo governo Paulo Afonso Vieira (PMDB). R$ 86 milhões
foram pagos a título de deságio. Ao Banco Vetor, contratado
para fazer a operação, o governo desembolsou R$ 33 milhões.
R$ 123 milhões foram para conta única do Estado. Para a Invesc,
foram transferidos R$ 21 milhões. Outros R$ 92 milhões foram
utilizados pelo Estado para pagamentos de despesas gerais. O restante do
dinheiro não foi utilizado, porque o Senado pediu o bloqueio de R$
350 milhões em Letras.
A operação das Letras Financeiras do Tesouro do Estado
foi determinante para o Tribunal de Contas (TCE) recomendar a rejeição
das contas relativas 1996. Segundo o parecer do TCE, assinado pelo conselheiro
Salomão Ribas Júnior, as restrições evidenciadas
no exame das contas do governo refletem a prática de atos que ferem
os princípios da administração pública, da legalidade
e da moralidade, preconizados no artigo 37 da Constituição
federal. A Assembléia Legislativa seguiu a recomendação
e rejeitou as contas.
Uma das razões para o processo de Santa Catarina estar em estágio
mais avançado na Procuradoria-geral da República do que os
demais Estados, Alagoas e Pernambuco, é o volume de documentos reunidos
pela CPI da Assembléia Legislativa, segundo informou o procurador
Ednaldo de Holanda Borges. (JM)
Ciro e Onofre
entregam defesa até o dia 21
Florianópolis - O advogado dos deputados Onofre Santo Agostini
e Ciro Roza, Sérgio Pinto, entrega ao PFL a defesa dos parlamentares
no processo de expulsão do partido até quarta-feira, dia 21.
Pinto acredita que o prazo de oito dias para a defesa começou a correr
ontem, quando a citação foi publicada no Diário Oficial.
A cúpula do PFL está contando que o prazo encerrou hoje, já
que estão esgotados os oito dias da data da publicação
da citação dos parlamentares em jornais estaduais.
"Conforme o parágrafo 1º do artigo 84 do estatuto do
PFL, as citações só podem ser feitas através
do Diário Oficial. Acredito que as publicações nos
jornais tenham sido feitas para dar satisfação à população
do andamento do processo", arriscou o advogado.
Roza e Agostini foram denunciados pelos deputados Paulo Bauer, Júlio
Teixeira e pelo senador Vilson Kleinübing por desobedecerem diretriz
estabelecida a favor do processo de impeachment contra o governador Paulo
Afonso Vieira (PMDB). Os deputados ausentaram-se da votação
do decreto legislativo referente à matéria, o que contribuiu
para o arquivamento do processo.
Florianópolis - Lideranças do PFL marcaram ontem a reunião
do conselho político do partido para o dia 9 de fevereiro. Vão
traçar as estratégias às eleições e definir
um calendário de tomada de decisões. |
TRE investiga contas de campanha de Jaime Mantelli
Florianópolis - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deve receber
nos próximos dias o resultado da quebra de sigilo bancário
da conta de Izaura Souza Demoro, esposa do ex-chefe de gabinete e coordenador
de campanha do deputado Jaime Mantelli (PDT), subtenente Edson Pedro Demoro.
O julgamento no TRE, que decidiu pela quebra de sigilo bancário do
parlamentar pedetista, ocorreu em dezembro do ano passado.
O promotor de Justiça André Carvalho, responsável
pelo inquérito contra Edson e Izaura Demoro, movido por Mantelli,
que alegava ter pago contas do casal por ser avalista de sua conta conjunta
no Besc, remeteu o processo ao procurador regional de Justiça, Carlos
Antônio de Oliveira, por ter encontrado apenas indícios de
irregularidades eleitorais cometidas por Mantelli.
O requerimento para a quebra de sigilo tem como objetivo coletar dados
sobre a possibilidade de o deputado ter cometido abuso de poder econômico
nas últimas eleições. Caso, seja confirmado o abuso,
através da abertura da conta do casal, o TRE dará encaminhamento
ao processo contra o parlamentar.
Mantelli, conforme informações extra-oficiais, teria apresentado
relatório de custo de campanha eleitoral de R$ 5 mil, quando gastou
R$ 23 mil. O caixa dois da campanha seria a conta no Besc do subtenente
e de sua esposa. Demoro, que foi coordenador de campanha de Mantelli, pagava
as contas e o então candidato ficava de repor o dinheiro gasto.
A dívida de campanha, que ficou em R$ 8 mil, teria sido paga
por Demoro. Numa tentativa de amenizar os problemas, Mantelli avalizou para
o chefe de gabinete um empréstimo, que visava cobrir a dívida.
Demoro deixou de pagar as prestações, e Mantelli, como avalista,
teve que arcar com a despesa, mas acabou acionando Demoro judicialmente
para que ele pagasse a conta. Por detectar, devido a vários recibos,
que a dívida era de Mantelli, a Justiça encaminhou o processo
ao TRE.
Entre os documentos anexos ao processo estão cheques emitidos,
em nome do deputado, para empresas alimentícias, de bebidas, posto
de gasolina e para outras pessoas. Ainda há um comprovante de depósito
em benefício de Mantelli no valor de R$ 400,00. (Janine Koneski de
Abreu)
Executiva cita hoje pedetista
Florianópolis - Chegará hoje às mãos do
deputado estadual Jaime Mantelli a citação para que se defenda
do processo de expulsão, movido pela executiva nacional do PDT. O
deputado foi denunciado à executiva por ter ido contra a diretriz
partidária, que era favorável à abertura de processo
de impeachment do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB), do vice-governador
José Augusto Hülse (PMDB), do ex-secretário da Fazenda
Paulo Prisco Paraíso (PMDB) e do ex-procurador-geral do Estado João
Carlos von Hohendorff (PMDB).
Segundo o presidente estadual do partido, Manoel Dias, consultas jurídicas
apontam que mesmo que Mantelli se negue a receber o comunicado que vai através
de aviso de recebimento (AR), ele será considerado citado, já
que no documento está descrito o conteúdo da mensagem. A partir
de então, o parlamentar terá oito dias para se defender das
acusações. (JKA) |