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Êxtase e agonia
Imagens da exposição: barroco foi nossa primeira manifestação artística

Barroco brasileiro

A primeira exposição do gênero no País, que pode ser vista até agosto em São Paulo, traz de volta a discussão sobre nossas origens artísticas

Marcos Bragato
Especial para o Anexo

O barroco teria sido mesmo a primeira manifestação artística nacional? Esta é a pergunta que nos vem à mente quando visitamos a concentrada e atraente exposição "O Universo Mágico do Barroco Brasileiro", na Galeria de Arte do Sesi, em São Paulo. Sob a curadoria de Emanoel Araújo, também diretor da Pinacoteca do Estado, a mostra aglutina 364 peças pertencentes a 60 coleções de seis Estados diferentes, geradas principalmente no bojo do século 18.

A exposição, como todo o barroco, nos quer seduzir por meio de sua trama de montagens. A reunião desse universo mágico envolve 66 pinturas e 80 esculturas, e exibe também quase 140 trabalhos de ourivesaria e exemplos de mobiliário, documentos e adereços das festas populares produzidas entre 1640 a 1820. O ambiente se expande com projeção de imagens de tetos de igrejas e de fragmentos arquitetônicos do período. E para completar a sua conformação climática, composições barrocas, selecionadas pelo músico Régis Duprat, nos sinalizam a apreensão de um olhar moldado nas dobras e nas curvas, e nos espantosos ornatos.

Primeira no gênero no País, a exposição toma como parâmetro a polaridade entre o sagrado e o profano, uma época em que a persuasão era tecida para reafirmar o império do mundo católico, sua força espetacular em promover os dogmas através da "teatralização do mundo". "Ao juntar as mais variadas manifestações artísticas, queremos mostrar a magia de um dos períodos mais significativos da arte brasileira, marco inicial do processo de consolidação da identidade nacional". A declaração do curador da exposição (no texto que abre o catálogo oficial da mostra) reiniciou uma polêmica até então adormecida: onde estarão as nossas origens artísticas? Estarão lá, entre dois ciclos distintos de riquezas ­ a cana-de-açúcar no Nordeste e o ouro das Minas Gerais?

"Esta exposição se materializa pela reunião de obras de arte produzidas entre 1640 e 1700, como introdução ao movimento estético anterior ao barroco propriamente dito, mas que contextualizam uma expressão que se afirma nacionalmente a partir dos Setecentos em suas diferentes fases entre 1700-1730 e 1730-1750, no Nordeste, e que floresce, resplandecente, entre 1750-1820, em Minas Gerais e Rio de Janeiro", escreve Emanoel Araújo.

À parte o polemismo, a mostra aponta sua eficiente operação ao reunir essa gama enorme de artistas e objetos litúrgicos e domésticos. Para uma geografia que iniciava seu adensamento populacional (com índios, brancos e negros), essa reunião oferece a variedade da arte do século 18, no Rio, São Paulo, Pernambuco, Minas e, especialmente, a Bahia, responsável por uma inquietante contribuição.

Os corredores laterais da galeria nos introduzem na arquitetura desse universo. Neles, estão dispostas gravuras, mapas e pinturas. Talvez seja nestas ­ a de Frei Jesuíno do Monte Castelo (1764-1819), a de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), e mesmo nas obras de Manuel da Cunha ­ que encontramos os grandes exemplos da transição sacra caminhante do nosso mundo colonial.

Panorâmica

Mas melhor perspectiva para apreciá-la é olhar para a sua panorâmica. A distância acende o diálogo entre o que nessas obras está posto e o observador. Os contornos se acentuam e nos permitem perceber a narrativa que ali está tramada: o acentuado maxilar de "São Lucas", por exemplo, contrasta com seu olhar compenetrado num ponto qualquer; ou na "Flagelação de Cristo" (de Manuel da Costa Ataíde), quando o olhar se revela irônico e mordaz nos soldados e melancólico no Cristo.

O observador também pode ser capturado no espaço central dividido em dois ambientes. No maior, a exposição nos apresenta a simulação de uma igreja barroca povoada de esculturas e de imagens. Em seu teto, são projetados slides de diferentes templos. No menor, uma espécie de câmara escura onde reluz castiçais de prata e se que molda como uma sacristia.

Como afirmou o historiador Germain Bazin, a igreja era "o centro das manifestações onde se moldava uma alma comum". A igreja, portanto, acionava seu mecenato para juntar o compromisso da fé e invenção artística. A arquitetura monumental das igrejas altera as percepções convencionais de espaço, luz e sombra e manipula a orientação urbana monopolizando os relevos, controlando as perspectivas e presidindo as praças. As imagens nos templos se movem, assumindo seu misterioso esplendor quando conduzida nos palaquins das procissões", descreve o historiador Nicolau Sevcenko.

 

u exposição: O universo mágico do barroco brasileiro. onde: Galeria de Arte do Sesi (av. Paulista, 1.313), São Paulo. quando: até 2 de agosto, de terça a domingo, das 9 às 19 horas. quanto: entrada grátis. O Sesi oferece visitas monitoradas gratuitas a grupos e escolas. Agendamentos podem ser feitos pelos telefones (011) 287-8537 e 284-4473.

Olhar irônico e mordaz nos
soldados e melancólico no Cristo

"A flagelação de cristo"

Tomando a tipicidade da obra poética de Gregório de Matos, o pesquisador mineiro Affonso Ávila nos apresenta os elementos-chaves do barroco, apropriados mediante importação, isto é, "assimilados de um elenco de modelos externos e pela via preferencial da herança portuguesa, ou apropriados mediante uma condição original de aportação, ou seja, instaurados dentro de uma perspectiva criadora já brasileira".

O esquema proposto por Affonso Ávila prevê cinco tópicos: 1) linguagem de postura aberta; 2) reação ao impacto tropical; 3) busca de uma fantasia autônoma; 4) concepção contraditória do real; 5) tensão do dilaceramento existencial. Neste caso, a arte brasileira começa a propor seu projeto autônomo.

Mas a língua barroca (em qualquer tempo e espaço) se estrutura a partir de três elementos fundamentais: o lúdico, a ênfase visual e o persuasório. Seu sentido de ver e de se reproduzir propiciou a formação de uma nova visão da trama do mundo. "A vida barroca se exprimirá, assim, em nível a uma só vez de êxtase festivo e agonicidade existencial, em cuja tessitura o jogo será tanto o móvel das virtualidades criativas quanto o veículo liberador de potencialidades sociais reprimidas".

Os séculos 17 e 18 interligaram o alcance ao divino e às fortes emoções. Visto cronologicamente, portanto, o barroco foi a primeira manifestação artística a se expandir fora da civilização européia. A palavra "barroco" provém da imagem de uma pérola irregular - do português barroco. Na origem dela, a palavra não carregava nada de elogioso. "Invertendo sua conotação primeira, a palavra não designa mais, de imediato, coisa natural, pedra ou pérola, mas o elaborado, o minucioso: o objeto cinzelado, a aplicação do ourives", define o estudioso Severo Sarduy.

Esse conceito de barroco saltou as cercanias históricas com o crescimento do termo neobarroco. Como muito bem disse João Adolfo Hansen: "Assim, muito kitsch e sensual, muito liberado e liberador, esvaziado de toda determinação, barroco torna-se alegoria da forma sem a função". (M.B.)


Coleção traz o melhor
de Elizete Cardoso a
intérprete mais elegante da MPB

Oito CDs recuperam para o sistema digital parte dos 60 discos gravados pela cantora, que sempre esteve acima dos movimentos e modismos, embora tenha sido a lançadora da bossa nova

Mauro Dias
Agência Estado

Oito títulos que estão chegando ao mercado, um deles há poucos dias, repõem à disposição do público de bom gosto um pouco da obra de Elizete Cardoso. Ela gravou mais de 60 discos ­ os oito de agora são parte pequena, mas em volume, não em qualidade e importância. Por ordem: 36 músicas, recuperadas para o sistema digital, em três CDs, pela gravadora RGE, reúnem as músicas gravadas por Elizete (originalmente para o selo Todamérica) nos primeiros momentos da carreira. Outros quatro, com selo da EMI, compilam 60 das músicas registradas na época em que Elizete esteve sob contrato da Copacabana, nos anos seguintes à fase da Todamérica. Por fim, o disco original do selo Festa, relançado pela Movieplay, no qual Elizete canta exclusivamente parcerias de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Em duas faixas desse disco, de 1958, ouve-se, pela primeira vez, o violão de João Gilberto, anunciando a bossa nova.

Lançadora da bossa, portanto, Elizete nunca foi cantora da bossa nova ­ ou de qualquer outro movimento. Esteve além e acima de todos os movimentos e modismos. Sua escola, sua guia, foi seu estilo peculiar e elegante, a maneira inconfundível de abordar palavras e notas, o perfeito entendimento do texto harmônico, a capacidade de impregnar de intenso drama ou leveza, a depender do caso, os ritmos, os andamentos.

Consta que Tom e Vinícius queriam Dolores Duran para cantar a nova safra da parceria. Das 13 músicas de "Canção do Amor Demais", 12 eram inéditas. Entre elas, a bossa seminal "Chega de Saudade", uma das vezes em que soa o violão de João Gilberto. Ele acompanhou a cantora, também, em "Outra Vez", que havia sido gravada antes por Dick Farney.

Não há consenso a respeito da preferência de Tom e Vinícius, que seria explicada pelo fato de Dolores estar mais afinada com o tônus da nova maneira de tocar e cantar (que nem era chamada, ainda, de bossa nova). Há consenso em pouquíssima coisa, aliás, referente à bossa nova. João Máximo, biógrafo de Noel Rosa, diz que João Gilberto não sabia ler os elementos rítmicos na partitura de Tom e imprimiu às duas faixas sua batida de violão modificadora. Ruy Castro, historiador da bossa, afirma que João queria aquela forma nova: ele a teria elaborado, conscientemente, até ter a chance de mostrá-la no disco de Elizete, preparando-se para seu disco, lançado um ano depois.

Não importa. O disco era de Elizete e foi sobre ela que Vinícius escreveu, no texto da contracapa: "Mas a diversidade dos sambas e canções exigia também uma voz perfeitamente afinada; de timbre popular brasileiro, mas podendo respirar acima do puramente popular" ­ o que define a cantora a quem o poeta chamava de Divina.

Repertório padrão

"Canção do Amor Demais" é um disco perfeito, como raros o são. As qualidades da intérprete ajudaram seu repertório a tornar-se, mais do que clássico, padrão para a moderna música brasileira: "Serenata do Adeus" e "Medo de Amar", só de Vinícius; "Outra Vez", só de Tom, as parcerias "Caminho de Pedra", "Janelas Abertas", "Eu Não Existo Sem Você", "Modinha", "Estrada Branca", "As Praias Desertas", "Luciana", "Vida Bela", além da canção-título.

Da experiência com a nascente bossa, que tornava definitivamente populares Tom e Vinícius, Elizete partiu para redescobrir os sambistas esquecidos. Seu biógrafo, Sérgio Cabral, lembra que a história familiar a liga às famílias baianas que criaram o samba carioca, no início do século, e outras e muitas outras iniciativas pioneiras.

Elizete foi pioneira desde sempre. O início de carreira já trazia fatos pouco usuais. Seu primeiro disco a chegar às lojas não foi o primeiro gravado. Ela havia feito antes um 78 rotações para a gravadora Star, que faliu sem lançá-lo. Era o tempo em que o disco tinha dois lados, com uma música em cada lado. A música do lado A era a que, pretendiam as gravadoras, faria sucesso. No 78 inaugural de Elizete, para a Todamérica, o sucesso estava no lado B, "Canção de Amor", de Elano de Paula e Chocolate. E mais: foi prefixo da cantora, para todo o sempre.

"Canção de Amor", gravada em 1950, está no primeiro dos três CDs lançados pela RGE. Neles estão os 36 títulos registrados por ela, até 1955, para a Todamérica, em 18 discos de 78 rotações por minuto. São boleros, sambões, sambas-canção e até marchinhas carnavalescas, como "Ai, Ai, Janot", de Renato Lima e Tufic Lauar.

As qualidades que fizeram de Elizete a primeira-dama da canção brasileira estão todas lá, já claras e definidas, com a nitidez que a remasterização digital possibilita: os erres fricativos, a segurança no ataque às frases melódicas (Elizete anunciava-se, como observou o crítico Tarik de Souza no encarte da coleção a "cantora de exceção"). No samba "Amor Que Morreu", de Nelson Cavaquinho (com Roldão Lima e Gilberto Ferreira), ela começa, depois da abertura das cordas e metais: "Meu amo-or", o segundo "o" emitido com um intervalo de quatro notas abaixo do primeiro, um glissando breve definindo a distância, redesenhando a melodia à sua interpretação especial. Todas as cantoras, depois disso, tentariam repetir o feito. Mas a marca era de Elizete.

Tudo o que ela gravou fez sucesso. Nem tudo sobreviveu ao tempo, mas há, entre as 36 músicas, pérolas de referência como "Maus Tratos" (Bororó e Dino Ferreira), "Teu Ciúme" (Lourival Faissal e Chocolate), "Alguém Como Tu" (José Maria de Abreu e Jair Amorim), "Brigas de Amor" (Antônio Almeida), "Falsos Beijos" (Oscar Bellandi e Cícero Nunes). E, claro, a mencionada "Canção de Amor".

A coleção da EMI tem quatro CDs e traz 80 músicas. Poderia ter sido lançada antes, mas houve questões envolvendo a posse do arquivo da gravadora original, a Copacabana. Cada CD tem como título um dos muitos apelidos elogiosos que Elizete colecionou: A Magnífica, o primeiro, A Enluarada, o segundo, Mulata Maior e A Preferida, os outros dois. A arrumação das faixas obedece menos à cronologia do que à semelhança estilística das faixas. A mais nova é uma regravação de "Barracão", de Luiz Antônio, datada de 1977. As mais antigas são de 20 anos antes.

A "Canção de Amor" reaparece, em registro de 1962, no qual é destacado o solo de sax tenor de Moacyr Silva. Há outras regravações. Com o tempo, Elizete ganhou o direito, que cabe aos grandes intérpretes, de dar sua visão pessoal do que outros já haviam cantado. Por exemplo, em 1957, ela registrou "Feitio de Oração" (Nel Rosa e Vadico), "Rancho Fundo" (Ari Barroso e Lamartine Babo), "Noturno" (Custódio Mesquita e Evaldo Rui) e também, quase ao mesmo tempo em que o próprio autor gravava a linda canção, "Cansei de Ilusões", de Tito Madi.

Inconfundível

O que cabe salientar, em cada um desses discos, em todas as faixas, é a elegância, o tratamento inconfundível que Elizete dava a tudo o que cantava. Nas canções de amor, quase sempre boleros, do primeiro disco (A Magnífica), comprova-se uma intérprete romântica à altura de uma Sarah Vaughan ou de Ella Fitzgerald. Tinha tudo o que fez delas as grandes personalidades que foram: o timbre belíssimo, o canto que respirava acima do puramente popular, como havia observado Vinícius, a respiração exata, a dicção perfeita, a afinação impecável, a emoção aflorando, mas jamais fora de controle.

São irresistíveis peças como "Graças a Deus" (Carioca), "Dá-me Tuas Mãos" (Erasmo Silva e Jorge de Castro), "Nunca é Tarde" (João Pinto), o samba triste, em tom menor, embora feito para o carnaval, "Seresteiro", de Renato Lima, Tufic Lauar e Zé Kéti. Este volume abriga ainda a obra-prima "Quando Eu me Chamar Saudade", de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, em formidável gravação de 1974.

É uma pena que esta edição não traga informações sobre quem está acompanhando Elizete, quem fez os arranjos ­ a famosa e tão esquecida ficha técnica. A construção da memória não prescinde de tais informações. Vale lembrar que o nome de João Gilberto não constava da ficha original da "Canção do Amor Demais". A história encarregou-se, neste caso, de corrigir a falha. Numa próxima edição, a EMI deveria acrescentar os dados ausentes nesta.

Voltando ao repertório: no segundo volume, A Enluarada, predominam os sambas, de "É Luxo Só" (Ari Barroso e Luiz Peixoto, feito para ela, em homenagem a ela) a "Tempo Feliz" e "Consolação" (Baden Powell e Vinícius de Morais), "A Flor e o Espinho" (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Gulherme de Brito) além do primeiro registro, datado de 1963, de "Pela Luz dos Olhos Teus", valsinha que seria sucesso com Tom Jobim e Miúcha, alguns anos depois.

O terceiro disco, Mulata Maior, tem a famosa seleção de sambas da Mangueira gravada em 1969, com Cartola, Nelson Cavaquinho, Enéas Brites, Benedito Lacerda, Pedro Caetano, mais sambas de Elton Medeiros ("Pressentimento", "Folhas no Ar"), de Zé Kéti ("Malvadeza Durão") e uma faixa gravada ao vivo, com o Zimbo Trio, na boate Sucata, em 1969, "Pra Você", a canção mais famosa de Sílvio César.

Do quarto disco bastaria destacar a "Canção da Manhã Feliz", de Haroldo Barbosa e Luís Reis. Mas estão lá "Serra da Boa Esperança" (de Lamartine Babo, Elizete em maravilhoso dueto com Sílvio Caldas), "Violão Vadio", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, "Notícia de Jornal", de Haroldo Barbosa e Luís Reis, e maravilhas assim por diante, esboço do retrato musical da intérprete mais elegante da história da música brasileira. Por falta de registro, poderia haver quem não soubesse disso. Não há mais desculpa.

Copa 98

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História das Copas


Cruz e Souza
E S P E C I A L

Que saudades do passado

Ao optar por efeitos e tons sombrios, "Perdidos no Espaço ­ O Filme" perde o humor que fazia o charme da série de TV

Rubens Herbst

Joinville - Há certas coisas que parecem intocadas pelo tempo. Coca-cola, batata chips, Elvis Presley, calça Levi's, Pelé, chiclete de tutti-frutti, "Playboy", produtos da cultura pop que resistem bravamente ao passar dos anos e estão de tal forma enraizadas no subconsciente coletivo que dão a impressão de serem milenares. Os seriados de TV dos anos 60 podem entrar na lista ­ "Túnel do Tempo", "Jeannie é um Gênio", "A Feiticeira"... e "Perdidos no Espaço". Deliciosamente ingênuas, as aventuras da família Robinson só duraram três anos (de 1965 a 1968). Sua aura de fantasia futurista envelheceu, é verdade, mas atravessou as décadas divertindo gerações por meio de reprises e do advento da TV a cabo. O que nos leva ao cinema. O que nos leva a Stephen Hopkins.

Foi este senhor, que já havia nos dado o bom "A Sombra e a Escuridão", o responsável pela adaptação do mítico seriado para a tela grande, uma megaprodução atualmente em cartaz nos cinemas catarinenses. A missão do diretor não era das mais fáceis, convenhamos: atualizar um programa batido, mas célebre, sem decepcionar os velhos fãs e convencer o público que nem nascera quando a série foi ao ar. Alguém tinha que sair perdendo nessa história, e nem é preciso dizer quem foi.

Antes de mais nada, é bom lembrar do que se trata "Perdidos no Espaço ­ O Filme". No ano de 2058, a Terra está um caos absoluto, com menos da metade da camada de ozônio inteira, recursos naturais no limite e uma guerra civil iminente. Diante disso, as autoridades resolvem enviar o genial professor John Robinson (William Hurt) e sua família ­ a esposa, as duas filhas e o filho Will, um minigênio em robótica ­ à Alpha Prime, pelo que se sabe, o único lugar habitável da galáxia, onde se pretende iniciar uma nova civilização. Na Júpiter 2 vão, além dos Robinson, o major Don West (Matt LeBlanc) e o dr. Zachary Smith (Gary Oldman), um traidor que acaba traído e preso dentro da própria nave que sabotou. E lá vai a tripulação, sem rumo pelos confins do universo.

Confinados na nave, a missão termina por se tornar uma terapia em grupo, já que o professor John jamais tem tempo para a família, sempre às voltas com novos experimentos e tentando achar uma saída para a encrenca em que se meteram. Sua esposa, Maureen (a surpreendente Mimi Rogers), também se ressente da presença do marido, bem como a filha rebelde Penny. Mas essas atribuladas relações familiares nunca são exploradas a fundo, e a única coisa que se pode esperar é mesmo um final moralista, como realmente acontece. "A família unida jamais será vencida", parece querer dizer à platéia o diretor.

Video game

Só por essa pífia tentativa de psicologia cinematográfica já é possível perceber o que saiu errado na versão de "Perdidos no Espaço". O humor, que sempre caracterizou a série televisiva, foi deixado de lado para ser substituída por tons sombrios, cenários claustrofóbicos, efeitos especiais delirantes e correria sem fim. Hopkins transformou a história num video game de 80 milhões de dólares, um misto de "Jornada nas Estrelas" com algo de "Aliens", "Guerra nas Estrelas" e até "De Volta para o Futuro". Isso mesmo, o filme tem aliens ­ aranhas gigantes com uma vasta arcada dentária ­, naves espaciais passando de um ponto da galáxia a outro num simples apertar de botão (isso não lembra uma certa Interprise?) e apela para o velho clichê das viagens no tempo.

Aí é que está. Ainda que não fosse completamente original, o seriado se assumia como trash ­ ou camp, ou brega, como queiram, ­ usando roupas metalizadas espalhafatosas, cenários capengas, histórias risíveis e se apoiando nos bordões e no cinismo do dr. Smith. Junto com o Robô ("perigo, perigo", repete ele, ainda hoje), ele virou símbolo do programa. Tirando o bordão e o nome dos personagens, quase nada foi mantido, fazendo a identidade da série se perder em algum retoque no roteiro. Gary Oldman, ainda que competente como sempre, não consegue emprestar a graça com que Jonathan Harris encarnava o dr. Smith, fazendo dele um mero vilão maléfico ao extremo, como tantos outros na história do cinema.

Se o filme tivesse sido batizado com outro título, algum espectador com mais de 40 anos possivelmente notaria algumas semelhanças com um certo seriado de TV ­ família no espaço, robô? ­ e detectaria um curioso caso de plágio. É por aí: o filme foi idealizado de um jeito e saiu de outro, bem diferente, agradando em cheio os fãs de ficção científica atrás de ação inconseqüente e teoriais de laboratório da Nasa. Para aqueles que aprenderam a amar a série, com toda a sua ingenuidade farrista, "Perdidos no Espaço ­ O Filme" cheira a tapeação ­ ou, no mínimo, uma adaptação torta. É de se duvidar que, daqui a 30 anos, ele seja lembrado por algo mais do que isso.


"Galileu" tenta mais
um prêmio hoje em Blumenau

Marli Rudnik

Blumenau ­ O clima é de expectativa para a segunda noite de apresentações oficiais do 12º Festival Universitário de Teatro de Blumenau. Quem sobe ao palco hoje é a Cia de Teatro em Aberto, da Universidade Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro. O grupo foi o vencedor do Futb no ano passado, com o espetáculo "Don Juan", e agora volta ao Teatro Carlos Gomes para apresentar "Galileu" (às 20h30, no Grande Auditório). Este espetáculo recebeu dois prêmios no Festival Isnard Azevedo 98, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura.

"Galileu" é uma produção do diretor André de La Cruz, que conta a trajetória do cientista italiano Galileu Galilei, condenado à prisão pela Santa Inquisição no século 16 por contestar verdades bíblicas. Neste espetáculo, a companhia mostra a vida de Galileu através da narrativa do filósofo Giordano Bruno. O roteiro apresenta um embate entre fé e ciência, revelando não apenas a figura histórica, mas também espiritual e atemporal dos personagens. O cenário coloca a platéia nas laterais do palco, numa escadaria que envolve uma grande cruz e o astrolábio, símbolos da fé e da ciência.

Dois atores vivem Galileu no espetáculo: Leonardo Soares é o jovem cientista e André de La Cruz apresenta a segunda-fase, incorporando o ancião que cumpre a pena de prisão. Galileu, por teimar que a Terra gira em torno do Sol, bateu de frente com a doutrina da Igreja Católica, que preferia a execução sumária ao debate de novas idéias.


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