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Trânsito
Hoje, a antiga picada liga as ruas Pedro Lobo e Duque de Caxias e está
integrada à malha viária da cidade (Foto: Iran Correia)
Rua Senador Felipe Schmidt
Um caminho de muitas histórias
Há cerca de 100 anos,
cabras vagavam pela rua, que era chamada "Ziegenstrasse"
Maria Cristina Dias
Contam os mais antigos moradores de Joinville, que no século passado
um estreito caminho que partia da "Schützenstrasse" era conhecido
pela quantidade de cabras que vagavam livremente, como se estivessem em
um pasto. Como era comum na época, os locais ganhavam o nome das
pessoas que lá viviam ou de fatos que os caracterizassem e, assim,
a picada logo começou a ser chamada pelos alemães que aqui
se radicaram de "Ziegenstrasse", a rua das Cabras.
Quem criava os animais e em que local exato, são informações
que se perderam a medida em que os primeiros imigrantes da colônia
Dona Francisca envelheceram e faleceram, deixando a terra para os descendentes.
A história, porém, ficou e a picada também. Hoje, aberta
ao trânsito e compondo a malha viária do centro de Joinville,
ela é a rua Senador Felipe Schmidt e liga as atuais ruas Pedro Lobo
e Duque de Caxias.
Nascida e criada na rua há 76 anos, na casa que pertenceu ao pai,
Annelore Altenburg Colin lembra que quando era criança ouvia histórias
que falavam de uma senhora que criava cabras em um terreno situado no primeiro
quarteirão da rua. O nome, dela, entretanto, Annelore não
sabe precisar, assim como não há registros que mostrem quem
era o criador dos animais. O primeiro nome da rua, entretanto, ficou na
memória.
Mas a rua Senador Felipe Schmidt também teve outro nome e até
um apelido. No início do século, ela se chamava rua Bom Retiro
e no início da década de 40 ganhou a alcunha de "rua
da Noiva", em uma alusão bem-humorada à Sônia Karmann,
que era noiva do engenheiro e depois prefeito, Nabor de Lima Monteiro.
É que apesar de na época o caminho ser considerado distante
do centro e não fazer parte do rol das principais vias da cidade,
ela foi uma das primeiras a ser asfaltadas. Como Nabor era o engenheiro
responsável pela pavimentação asfáltica na época
e era noivo da filha do dentista Gustavo Karmann, que ali morava com a família,
o falatório não tardou a se espalhar pela cidade. "Todo
mundo dizia que era a rua da noiva e por isso tinha sido asfaltada",
lembra a cunhada de Sônia, Maria Irma Karmann, esposa do médico
e ex-prefeito Harald Karmann, também nascido no local.
Residência
Fundador da empresa que se tornaria a Tupy, Friedrich Birckholz (na
janela, a esquerda) morava na rua
Morador
Pouco se sabe do que ocorria no caminho no século passado, mas
alguns moradores marcaram a história. Um deles o fundador de uma
casa de consertos na rua Pedro Lobo, Friedrich Birckholz. Ele morava em
um terreno que hoje está baldio, a cerca de 50 metros da locadora
de vídeo que atualmente funciona na esquina.
A antiga loja que consertava carroças, grades e ferros de engomar
e contava apenas com o proprietário e um funcionário, prosperou,
logo se transformando em fundição de metais não-ferrosos
e depois de ferro. Era o embrião do que anos mais tarde iria se tornar
a Fundição Tupy.
O neto do velho Friedrich, Rost Birckholz, conta que o pai, Guilherme,
nasceu em 1901 já na rua Senador Felipe Schmidt. Ele não saiba
ao certo quando o avô ficou residência no local, porém
o mais provável é que isso tenha ocorrido em meados de 1897,
quando Friedrich retornou de São Bento do Sul (onde havia ido aprender
o ofício de serralheiro e ferreiro) e casou em segundas núpcias
com Amanda Francisca Mähl, com quem teve nove filhos. Naquele mesmo
ano, ele abriria na rua Pedro Lobo, a loja. O velho Friedrich morreu em
1956, aos 95 anos, e foi velado na casa que construiu e onde criou sua família.
Schmidt também foi governador
Depois de se chamar "Ziegenstrasse" e rua Bom Retiro e ser
apelidada de "rua das Noiva", o caminho chega aos nossos dias
homenageando um lageano que por duas vezes foi governador de Santa Catarina
e por diversas vezes Senador da República, representando o Estado.
Republicano e engenheiro militar, Schmidt nasceu em 1859 e foi o quarto
governador catarinense e sucessor de Lauro Severiano Müller, assumindo
o governo pela primeira vez de 1898 a 1902. Sempre a frente na política
de seu tempo, o militar foi ajudante de ordens de Alfredo Escragnolle Taunay,
quando ele era presidente da então província de Santa Catarina.
Também foi deputado federal e participou da elaboração
da primeira constituição republicana.
Após a segunda gestão como governador, ele foi eleito para
o senado, onde ficou por nove anos. Quando se reformou do Exército,
ocupava o cargo de General de Divisão e morreu em 1930.
Chaminé erguida em
1920 é referencial na cidade
Ao andar por Joinville, quem olha para o alto de longe avista uma alta
chaminé. É a chaminé da atual Metalúrgica Wetzel,
que foi minuciosamente projetada e construída pelo filho do fundador,
Julio Wetzel e, aos poucos, se tornou um dos referenciais da cidade.
Com 56 metros de altura, ela pode ser avistada de longe e há vários
anos ostentava um a placa onde se podia ler o nome da empresa na época:
G Wetzel & Cia (de Germano, o mais velho dos filhos do velho Friedrich).
Mas ela foi idealizada por um outro filho, Julio, que em 1920, desenhou
a bico de pena os detalhes da chaminé. Desde aquela época
ela já era um dos orgulhos ods proprietários, e Julio costumava
levar os filhos e vizinhos para visitá-la.
Na base da chaminé, ele construiu um pequeno forninho, com uma
grelha, onde Ema Wetzel, que, quase centenária, morava em uma casa
em estilo enxaimel localizada no mesmo terreno, costumava secar bananas.
Os mais antigos lembram que Ema tinha o hábito de presentear cada
neto e bisneto com um pacotinho de banana seca e um dinheirinho e sempre
mantinha em casa uma lata com o doce para quem chegasse. Ela faleceu no
início da década de 50, aos 101 anos.
Como fabricante de velas, a empresa viveu seu apogeu no início
da década de 70, quando chegou a ser considerada uma das principais
fábricas do produto no Brasil. Na época produzia ainda os
tradicionais sabões, cera e sabão em pó. A metalurgia
surgiu paralelamente, no mesmo terreno, fomentada pelos filhos de Germano
Wetzel e se expandiu a partir da década de 40. (MCD)
Famílias conviviam com as industrias
A partir do início do século, a rua Senador Felipe Schmidt
abrigou duas importantes empresas de Joinville: a Wetzel e a Tupy, que embora
tivesse a frente voltada para a rua Pedro Lobo, espalhava seu parque fabril
para a pequena rua lateral. Isto, entretanto, não impediu que ela
se caracterizasse pelas inúmeras residências, que abrigavam
famílias antigas e tradicionais na cidade.
Entre os mais antigos, que provavelmente chegaram no final do século
passado, se destacam os Birckholz, os Karmann, os Altenburg, os Wetzel,
apenas para citar alguns exemplos. Mas neste século outros nomes
também contribuíram para fazer a história do caminho,
como as famílias Schneider, Kupsch, Borschein, Reimer, Doria, Kilwagen,
Condeixa, entre outras.
Na esquina onde hoje fica a locadora de vídeo ficava o consultório
do dr. Aluísio Pires Condeixa. Logo depois, em uma casa que ainda
hoje permanece no local e onde mora Ilze Birckholz, residia a partir da
década de 20 um dos nove filhos de Friedrich Birckholz, Guilherme.
Ao lado, em um terreno que hoje está desocupado, ficava a casa onde
o patriarca Birckholz residiu a maior parte da vida.
Mais adiante era possível encontrar a residência dos Kupsch,
que tinham uma fábrica de espulas para indústrias de tecelagem,
que dava frente para a rua Jaguaruna, a antiga rua da Cerveja.
Seguindo pela rua Senador Felipe Schmidt era possível encontrar
a partir da década de 20 a residência do caixeiro viajante
Wolfgang Altenburg, que veio de Gaspar, casou com a joivilense Alice Boehm
(filha de Carl Boehm, proprietário do jornal "Kolonie-Zeitung"),
fixou residência na cidade e teve três filhos. Filha do meio
do casal, Annelore Altenburg Colin conta que o terreno da família
também ia até a rua Jaguaruna e no início englobava
a área que depois seria adquirida pelos Bozler.
Modificada, a casa onde ela nasceu e se criou ainda está no local
e hoje abriga estabelecimentos comerciais. "No início ela era
pequenininha. Depois eles aumentaram", conta, relembrando que como
na época as mercadorias para comprar eram difíceis, a família
plantava verduras e legumes no quintal e criava galinhas. "Não
tinha nada para comprar. A gente tinha o jardim para plantar", conta.
Annelore recorda ainda que o caminho passou a se chamar rua Senador Felipe
Schmidt na década de 30, quando ela estava entrando para a escola.
Na época, as crianças brincavam livremente pela rua e assistiam
os ensaios das paradas no batalhão. Algumas vezes os militares marchavam
pela rua, se exercitando. "Comparando com o que é hoje, o nosso
tempo era melhor", afirma, saudosa.
Insegurança substitui
tranqüilidade do passado
Daquele tempo, ficou a saudade da tranqüilidade que hoje não
existe mais. Morando no local há cerca de 40 anos (com intervalos)
Eva Kielwagen conta que quando se mudou para lá, contava nos dedos
os carros que passavam. Atualmente, na hora do rusch, o congestionamento
de veículos toma conta do caminho. "Se levar em conta o sossego,
antes era melhor. Temos que nos conformar com o progresso. Por outro lado,
tenho tudo à mão e um shopping na esquina", analisa.
A segurança é uma preocupação constante dos
moradores. Ladrões já entraram na casa dos Kilwagen por duas
vezes, e também na dos Dória. A construção semi-abandonada
que ocupa o local que antes era a casa dos Schneider, à tarde e no
início da noite vira ponto de encontro de jovens, que procuram o
local, ermo, para se drogar. "Hoje em dia não posso nem abrir
a porta, nem desfrutar do jardim", lamenta Lourdes Dória.
A mudança da rotina da rua fez com que as antigas residências
tivessem que se adaptar. Com isso, as casas foram ganhando grades ou muros
altos e trancas nas janelas. "A rua sempre foi calma. Hoje, com o shopping,
todo mundo passa por aqui. Mudou muito", atesta Elenor Reimer, que
há 30 anos mora no caminho.
Contraste
Realidade diferente da encontrada pelo engenheiro alemão Gustavo
Karmann, que chegou na rua Senador Felipe Schmidt provavelmente no início
do século trazendo os filhos. Entre eles estava Walter, que foi para
a Alemanha estudar, casou e de lá retornou no início da década
de 20 já trazendo o filho mais velho, Harald.
Tanto o pai quanto o filho foram figuras de destaque em Joinville. Dentista,
Walter era conhecido em toda a cidade e talvez fosse o único profissional
formado em uma época em que os chamados "práticos"
prestavam atendimento à população. O filho, Harald,
seguiu outra carreira na área de saúde e decidiu ser médico.
No início da década de 70, entretanto, acabaria se elegendo
prefeito.
Quando o dentista faleceu, Harald transformou a casa em clínica,
que funcionou até a década de 80, quando o médico,
com a saúde debilitada, se aposentou após 44 anos de atuação.
Um irmão de Walter, Gustavo Karmann, também residia no caminho,
no terreno que hoje pertence à construtora Terraço e está
desocupado. (MCD)
Gangues atacam
área central e causam terror
Ataques acontecem principalmente
na passarela da JK e em frente a boates
Marco Aurélio Braga
Gangues estão agindo na noite joinvilense, no centro da cidade,
e provocando terror nos jovens e moradores da região. O principal
ponto de ação é na passarela entre o Colégio
dos Santos Anjos e a Catedral de Joinville. Na madrugada de ontem, as vidraças
do prédio comercial Presidente, na avenida Juscelino Kubistchek,
foram quebradas e um jovem foi agredido violentamente.
A violência das gangues causa medo principalmente nos freqüentadores
da boate Rariah, localizada na avenida JK. Durante a madrugada, o terror
toma conta das ruas. As principais vítimas são jovens e casais
de namorados.
Os episódios não são isolados. Segundo o auditor
Rolf Pabst, 46 anos, os casos vêm acontecendo há vários
finais de semana. Gangues formadas por jovens entre 15 e 18 anos levam o
medo para as ruas. Segundo ele, na madrugada de sábado um jovem foi
agredido e três vidraças do edifício comercial foram
quebradas com paralelepípedos. O problema também ocorre na
passarela. "Durante a madrugada é cobrado 'pedágio' para
atravessar a passarela", denuncia. Nenhuma providência policial
foi adotada até o momento.
Segundo testemunhas, a Polícia Militar freqüentemente faz
inspeção na área, mas muito cedo, por volta da meia-noite,
e o vandalismo começa durante a madrugada. "São gangues
de bairros que agem no centro", diz Pabst.
O auditor providenciou, já na manhã de ontem, a troca dos
vidros e de todos os estragos. Diz que o prédio está sendo
desvalorizado comercialmente pela ação das gangues. "É
uma turma violenta e está provocando prejuízos comerciais",
afirma.
Os danos também estão sendo sentidos pelos proprietários
da academia Perfetto Sport. Marcos Ferreira, 40, e Silvia Ferreira, 36,
estão preocupados com a onda de vandalismo na região. Eles
denunciam que tanto a passarela como a escadaria da Catedral estão
sendo usadas para o consumo de drogas. "Isso que está acontecendo
é uma barbaridade. Alguma providência deve ser adotada. Isso
virou local de guerra", diz Marcos Ferreira.
Ele afirma que um dos principais alvos são os casais de namorados.
As gangues ficam na passarela, provocando as meninas. Os namorados, saem
em defesa e são agredidos. A Polícia Militar informa que está
providenciando policiamento no local e vai colocar seu pelotão de
cavalaria para vistoriar a área.
Desordens em frente a
boates são freqüentes
Os problemas nas proximidades de boates não são novidade
em Joinville. Os proprietários de casa noturnas e a Polícia
Militar tentam combater há vários anos o barulho e a desordem
nas ruas onde acontecem as festas.
Freqüentemente ocorrências policiais são registradas
na frente dos clubes. No início do mês passado, Jeferson Rodrigues
da Silva, 16 anos, foi baleado às 3h45 da madrugada na avenida JK,
nas proximidades da boate Rariah. O jovem não resistiu aos graves
ferimentos e morreu na manhã seguinte, na Unidade de Terapia Intensiva
do Hospital Municipal São José.
Em março uma briga de gangues levou a uma tentativa de homicídio
na rua Dr. João Colin, nas proximidades da Sociedade Ginástica.
Na confusão, Jackson Paulo Blaka, 25 anos, foi baleado por Fábio
de Oliveira, 19.
As brigas e desordens estão causando terror na população
e afastando cada vez mais o público da diversão noturna. (MAB)
Fogo destrói casa no Jardim Iririú
Curto-circuito pode ter sido
a causa do incêndio, que começou às 8h30 de ontem
Marlise Groth
Um curto-circuito pode ter sido a causa do incêndio que na manhã
de ontem destruiu grande parte da casa da família de Juvenal Henrique,
morador da rua Papa João Paulo 1º, 556, no bairro Jardim Iririú,
em Joinville. Segundo os vizinhos, um princípio de incêndio
foi percebido por volta das 8h40 da manhã, enquanto a sogra do proprietário
estendia roupas num galpão nos fundos da casa. A senhora, de 63 anos,
teria entrado na casa, visto o fogo no teto do quarto do casal e saído
até o portão para buscar ajuda.
"Dona Olga ficou muito perturbada e queria ajudar a tirar as coisas.
Quando cheguei a fumaça era só no quarto. Em poucos segundos
o fogo se espalhou", detalhou o vizinho Valcir Paulo dos Santos, 25,
que conseguiu retirar a geladeira e parte dos móveis da cozinha.
Ele contou que no momento do incêndio a dona de casa Cristina Henrique
tinha ido levar a filha ao Centro Social Urbano do bairro. Os vizinhos tiveram
um pouco de dificuldade para encontrá-la.
Interruptor
O Corpo de Bombeiros foi acionado rapidamente, mas as chamas destruíram
o quarto onde teve início o incêndio. Sobraram parte da mobília
do quarto da filha do casal, alguns móveis de cozinha e do quarto
onde dormia a sogra de Juvenal Henrique.
Ao chegar, Cristina Henrique comentou que há dias o interruptor
de luz do quarto não estava dando contato. "Pedi várias
vezes para o Juvenal olhar", disse, consolando a mãe, numa crise
de choro. A casa tinha três quartos, cozinha e banheiro e os bombeiros
solicitaram que a família tivesse cuidado ao entrar para retirar
pertences, pois o teto corria risco de desabamento. |
Cidade inicia combate ao analfabetismo com mutirão
Programa lançado sexta-feira
já tem participação de 100 voluntários
Marlise Groth
Mais de 100 pessoas prestigiaram o lançamento oficial do Mutirão
da Alfabetização, sexta-feira à noite, no auditório
do Banco do Brasil. O mutirão é uma ação conjunta
da Secretaria da Educação e Cultura de Joinville, da 5ª
Coordenadoria Regional da Educação, da organização
não-governamental Alfalit e da empresa Tupy S.A., patrocinadora do
evento, e objetiva alfabetizar cerca de 16 mil pessoas até o ano
2 mil.
O lançamento, que contou com a presença da comunidade e
autoridades locais, teve como ponto máximo o depoimento de uma aluna
e sua alfabetizadora. Tarcilha de Souza Castro e Maria Cristina Agostinho
falaram de suas experiências e das novas oportunidades que surgiram
após três meses de trabalho e aprendizado. "É gratificante
ver os alunos descobrindo um mundo novo. Isso faz a gente crescer",
resumiu Maria Cristina, professora de primeira viagem que até bem
pouco tempo trabalhava na área química.
Para o prefeito Luiz Henrique da Silveira, o depoimento mostra a importância
do projeto. "Mais do que saber ler ou escrever, ele garante uma verdadeira
carteira de identidade ao cidadão", argumentou. O prefeito lembrou
a liberação de recursos por parte do governo federal e que
proporcionarão a construção de mais três escolas,
diminuindo em 70% o número de alunos que estudam no período
intermediário.
Silvio Scniecikovski, secretário da Educação e Cultura
de Joinville, revelou que 100 professores voluntários já estão
atuando no mutirão, mas que a perspectiva é conquistar mais
200 participantes. "Com o método da Alfalit a pessoa é
alfabetizada em três meses. A partir daí está apta para
continuar seus estudos nos Centros de Educação para Adultos
coordenados pela 5ª CRE", explicou.
O secretário disse que para participar como aluno ou professor
voluntário basta se dirigir à Secretaria da Educação
do município, na rua Itajaí, ou às escolas mais próximas
da residência do interessado. "É um sistema intensivo
e as aulas são realizadas três vezes por semana", disse.
Estado já atende a mil pessoas em 17
escolas
Heliete Steingreber Silva, coordenadora regional da Educação,
destacou a importância do trabalho. "A parceria tende a dar bons
resultados. No Estado o programa recebe o nome de Mutirão da Cidadania.
Contratamos professores especiais, já atendemos a cerca de mil alunos
e mobilizamos 17 escolas", argumentou.
Em seu pronunciamento, o diretor-presidente da Tupy, Mário Egerland,
salientou que a alfabetização é o primeiro passo para
apagar as desigualdades sociais. "A Tupy já havia decidido há
algum tempo que era hora de voltar à comunidade, apoiando programas
que pudessem trazer efetivos benefícios à população
de Joinville", e prosseguiu: "Entendíamos que qualquer
ação deveria obrigatoriamente estar atrelada à causa
da educação".
Egerland anunciou ainda uma parceira com o Senai que visa ao desenvolvimento
da competência técnica dos funcionários da empresa.
"Na medida em que colhemos os frutos desse trabalho dentro do ambiente
de nossa própria empresa, mais e mais nos convencemos da nossa responsabilidade
social e da obrigação que temos de ir além". Para
o diretor da Tupy, a tarefa de Joinville "é pequena diante da
grande lição de casa que o Brasil inteiro deveria estar fazendo".
Também compuseram a mesa de cerimônia o presidente da Câmara
Municipal de Vereadores, João Luiz Sdrigotti, e o pastor Leandro
Ferreira, coordenador da Alfalit. (MG)
Vereador pede mais atenção à
saúde
Antônio Anacleto
O presidente da comissão municipal de saúde e vereador
Arlindo Leite (PPB) vê com preocupação a questão
da saúde em Joinville e em particular a do Hospital São Jose,
reclama mais empenho da Prefeitura e de seus pares na Câmara, avalia
positivamente a visita feita esta semana ao ministro da Saúde, José
Serra, e denuncia o pouco interesse do governador Paulo Afonso.
O vereador lembrou da última reunião realizada na Prefeitura,
quinta-feira, entre os vereadores, a comissão municipal de saúde,
o secretário de Saúde e o prefeito Luiz Henrique da Silveira.
Disse que dos pleitos levados à reunião, incluindo o pedido
de aumento no repasse de verbas ao Hospital São Jose, nada foi atendido.
"O único dado positivo da reunião foi a viabilização
do encontro com o ministro da Saúde, José Serra", destacou.
Arlindo disse que a bancada governista da Câmara de Vereadores
não tem coragem de somar esforços aos outros e insistir junto
ao prefeito e ao secretário de Finanças para resolver o problema.
Lembrou ainda que o Hospital São Jose tem um déficit de R$
500 mil por mês. "É uma bola de neve, o hospital só
consegue comprar a prazo e o preço é sempre exorbitante, mas
é obrigado a se sujeitar a esta situação, afinal, a
vida de um doente não pode esperar", declarou.
Arlindo Leite fez uma avaliação positiva da viagem a Brasília.
Ele e os senadores Esperidião Amin (PPB), Wilson Kleinubing (PFL)
e Cassildo Maldaner(PMDB), o deputado federal Ivo Konel (PMDB), o prefeito
Luiz Henrique da Silveira (PMDB), o secretário de Saúde, Iberê
Pires Condeixa e os vereadores Hercilio Rorhbacher, Getúlio Ferreira,
João Ribeiro, Maurício Peixer e José Wilson de Souza
foram recebidos pelo ministro da Saúde, José Serra, que se
mostrou receptivo quanto à proposta de implementar um sistema de
incentivo à saúde, a exemplo da Lei Rouanet (que promove a
cultura). Serra prometeu viajar a Joinville no próximo mês.
Durante a audiência, Arlindo Leite afirmou ao ministro que a situação
da saúde de Joinville é critica, lembrando a situação
do Hospital Regional, que está com 90 leitos desativados por falta
de funcionários. O ministro, segundo Arlindo, sugeriu que deveria-se,
com a ajuda do prefeito Luiz Henrique, procurar o governador do Estado para
ajudar a resolver os problemas. Arlindo respondeu que já foram encaminhados
muitos pleitos ao governador sobre o assunto e que até então
não tinham sido respondidos.
Alerta contra falsos curandeiros
Homem quase perdeu uma das
vistas depois de "operação"
Nos dias em que a medicina alternativa cresce com grande rapidez no mundo
inteiro, muitas pessoas procuram cada vez mais novas possibilidades de tratamentos
para suas doenças. Uma delas é através de curas espirituais.
Em novembro passado, o ex-militar aposentado H.F., de 75 anos, residente
em Florianópolis, foi submetido a uma "cirurgia" no olho
direito por um homem que dizia incorporar o espírito do dr. Fritz.
A história começou quando H.F. e a esposa M.J.C.B. decidiram
ir a uma sessão de cura que acontecia na Capital. A intenção
era buscar ajuda apenas para os problemas da coluna que ambos sofriam. Feita
a cirurgia na coluna e com a fé na cura, H.F. resolveu pedir ao "médico"
que tirasse também seu problema de catarata. Segundo ele, no mesmo
instante o falso dr. Fritz furou seu olho direito com um objeto pontiagudo
e o deixou deitado na maca para atender a outros pacientes.
Nos dias seguintes, H.F. sentiu o olho dolorido e a visão um pouco
embaçada. O pior aconteceu uma semana depois, quando seu olho ficou
muito vermelho e ele passou a sentir fortes dores. O aposentado tentou procurar
ajuda com especialistas na cidade onde reside, mas não teve sucesso.
"Passei um Natal horrível, rolando de dor no chão",
lembra H.F., que diz também não ter tido nenhuma melhora depois
da operação da coluna.
Em fevereiro, após o Carnaval, ele decidiu procurar o médico
Emir Amin Ghanem, do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem, em Joinville,
que já havia operado, com sucesso, os 18 graus de miopia de sua esposa.
A cirurgia foi marcada para o dia seguinte após a primeira consulta
e hoje H.F. apresenta uma visão bastante boa e não sente mais
qualquer dor.
Na tentativa de procurar justiça para o seu caso, H.F. deu queixa
na polícia de Florianópolis logo após o incidente,
mas não teve êxito. Segundo ele, o Deic da Capital chegou a
capturar toda a equipe do falso médico na cidade de Braço
do Norte (SC) e a conduziu até Florianópolis, onde ficou presa
durante cinco dias. Mas após o pagamento de fiança no valor
de R$ 500,00, todos foram liberados.
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