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Tratamento do lixo
no Brasil é inadequado

Rios e terrenos ainda são destino de resíduos em muitas cidades

Ana Paula Lückman

Florianópolis - Apesar de ser reconhecido como o País que mais recicla lixo no mundo, o Brasil ainda trata a maior parte dos seus resíduos sólidos com o mesmo desleixo da empregada que varre a sujeira para baixo do tapete. Com exceção das pequenas iniciativas isoladas, públicas ou comunitárias, na área da reciclagem - que acabaram gerando o destaque internacional -, o principal destino dos resíduos sólidos produzidos no País continua sendo os aterros sanitários e lixões. Em cidades com sistema de coleta ineficiente, terrenos baldios, beiras de estradas e rios acabam sendo o depósito dos rejeitos domésticos.

O destino inadequado do lixo dos brasileiros gera um desperdício bilionário. Pelos cálculos do economista Sabetai Calderoni, doutor em ciências pela Universidade de São Paulo (USP), só em 1996 o Brasil jogou no lixo, literalmente, pelo menos R$ 4,6 bilhões. Diante das constantes alegações de que reciclar dejetos "não compensa", Calderoni calculou o desperdício das lixeiras brasileiras considerando todos os ganhos possíveis - desde a simples venda do material para o atravessador até as economias energéticas, de recursos hídricos e de controle ambiental. O resultado está no livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo" (Ed. Humanitas, USP, 1997), primeira obra a provar detalhadamente "por A mais B" que a reciclagem compensa.

Soluções

Se isso é verdade, o que falta, então, para que haja maiores investimentos públicos na área? Para Calderoni, é imprescindível a criação de uma política nacional e estadual de resíduos sólidos. Apesar dos serviços de coleta e destinação final serem atribuição dos municípios, o problema do tratamento inadequado tem sido amplamente discutido em nível intermunicipal. Com a organização dos grandes centros em regiões metropolitanas - como é o caso, em Santa Catarina, de Florianópolis, Joinville e Blumenau -, a tendência é que cada conglomerado urbano tente encontrar soluções comuns para os rejeitos domésticos da população.

Enquanto o problema do lixo e a necessidade de reciclagem não passa muito da discussão na esfera pública, a própria população começa, aos poucos, a cobrar iniciativas dos órgãos responsáveis pela limpeza pública. Em Florianópolis, isso foi constatado durante os dois fóruns comunitários realizados pela atual administração para discutir a questão: o maior número de sugestões vindas dos representantes dos bairros envolvidos diz respeito à coleta seletiva e educação ambiental. Essas cobranças são a base da Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap), órgão responsável pela limpeza pública, para estabelecer as metas do município no que diz respeito à reciclagem.

Área degradada por depósito de detritos deverá ser recuperada

Florianópolis - A Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) assinou na última quinta-feira contrato com a Caixa Econômica Federal (CEF) para a liberação de R$ 700 mil que serão investidos em melhorias na estação de transbordo do Itacorubi, onde até pouco tempo funcionava o lixão da cidade. Além da recuperação e reurbanização da área, degradada e desvalorizada após mais de 20 anos recebendo detritos sem o mínimo tratamento, a verba será utilizada na construção de um galpão para papeleiros e na transferência da estação para um local mais distante, onde será cercada. "O objetivo é acumular o lixo a ser removido de forma mais cuidadosa e menos feia", afirma o presidente da Comcap, Tarcísio Cardoso. As obras devem levar entre seis e oito meses e, se o projeto for cumprido, podem sepultar o mal-estar gerado na cidade com o vergonhoso passado do lixão.

Entre o mar e o manguezal, a história do destino do lixo em Florianópolis é recheada de atrocidades contra o meio ambiente - quadro que, felizmente, vem passando por uma reversão nos últimos 12 anos. Não por acaso os primeiros colonizadores açorianos construíram suas casas de costas para o mar: era ele o destino de todo o rejeito doméstico produzido pelas famílias pioneiras. O que hoje é visto como absurdo foi, na época, institucionalizado: em 1830, a Câmara Municipal aprovou uma lei obrigando que todo o lixo urbano fosse depositado nas praias, nos rios e no mar, junto com o esgoto. O objetivo do "avanço" era evitar que os detritos se acumulassem nas ruas. O quadro evoluiu pouco com o surgimento do primeiro serviço de coleta domiciliar de lixo e fezes, em 1884: o destino final continuou sendo o mar.

Crescimento demandou mais cuidados

Com o crescimento da cidade e o conseqüente aumento no acúmulo de detritos, foi construído o primeiro incinerador de lixo da Capital, onde hoje é a cabeceira da ponte Hercílio Luz. A população de então era de 14 mil habitantes. Anos depois, a cidade se expandiu e a fumaça gerada começou a incomodar os moradores das redondezas. A partir de 1956, o lixo começou a ser depositado sem qualquer cuidado no "banhado" localizado atrás do morro da Cruz, entre o cemitério São Francisco de Assis e a Penitenciária. O desenvolvimento dos bairros ao redor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), instalada na Trindade na década de 60, fez com que o lixão voltasse a ser um transtorno.

A discussão sobre a inadequação do lixão instalado sobre um manguezal, cuja importância como ecossistema tem sido estudada apenas nos últimos 20 anos, ganhou força durante a administração Edison Andrino (PMDB). Após a polêmica sobre a transferência para localidades como Ratones ou Santo Antônio de Lisboa, firmou-se o contrato com a empresa Formaco, que há oito anos retira o material da estação de transbordo da Comcap e leva até o aterro sanitário de Biguaçu. (APL)


Programa Beija-flor foi modelo

Empresa descentralizou a responsabilidade pelas soluções

Ana Paula Lückman

Florianópolis - Não se pode falar em coleta seletiva e reciclagem de lixo em Florianópolis sem lembrar a história do programa Beija-flor, embrião do sistema em funcionamento e fonte de inspiração para outros programas implantados no resto do País. O projeto surgiu em 1986, durante as discussões para eliminar o incômodo lixão do Itacorubi - considerado inadequado tanto pela população, que sofria com o mau cheiro e o desconforto causados pelo local, quanto pelos especialistas, que conheciam todas as inadequações de um aterro implantado sobre uma área de manguezal.

A comissão criada pela Comcap para estudar soluções alternativas para os resíduos sólidos pensou na descentralização da responsabilidade. Com a liberação de financiamento de US$ 200 mil pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 1988, o programa começou a sem implantado. Dois anos depois, já atingia 25 mil pessoas em dez bairros - nove comunidades carentes e o Balneário, no Estreito, de classe média.

Técnicos da Comcap faziam visitas periódicas aos bairros envolvidos, orientando sobre a separação do lixo reciclável seco e orgânico. O seco era recolhido e vendido por cada comunidade. O orgânico passava por um processo de compostagem e o adubo resultante era usado em hortas comunitárias. Com o cultivo de alimentos, criava-se uma relação de afetividade entre os participantes do programa e o trabalho de coleta seletiva.

A implantação do Beija-flor em comunidades carentes foi uma das exigências do BNDES para a liberação da verba, mas acabou sendo também o primeiro grande obstáculo enfrentado pelos técnicos. A engenheira sanitarista Flávia Guimarães Orofino, da assessoria de planejamento da Comcap, recorda que nesses bairros outros problemas acabavam se sobressaindo e atrapalhando o trabalho de educação ambiental. Nos casos piores, esbarrava-se constantemente com casos de violência doméstica e o tráfico e consumo de drogas. Em outros, a falta de saneamento básico e condições de higiene tornavam inócua a discussão sobre a importância da reciclagem.

Comunidade assume
programa de reciclagem

Os pequenos entraves e a descontinuidade das administrações acabaram enfraquecendo o programa Beija-flor, que começou a ser considerado caro para ser bancado pela Prefeitura. Hoje seus frutos mais diretos permanecem nas praias do Forte e Jurerê Internacional, no Norte da Ilha, onde a comunidade implantou o programa Lixo Zero. A participação é tão positiva que 100% do lixo produzido nas duas localidades é encaminhado para reciclagem, restringindo à coleta convencional apenas o material de rejeito (lixo de banheiro, pilhas e outros materiais não reaproveitáveis).

A experiência positiva do Beija-flor no Balneário do Estreito resultou no projeto piloto de coleta seletiva porta-a-porta feito pela Comcap, direcionado exclusivamente ao lixo reciclável seco. Após as primeiras experiências em outros bairros, a coleta passou a atingir 70% da área urbana da cidade e já começa a ser ampliado.(APL)


Destino do lixo é
inadequado em Concórdia

População pede programa de reciclagem e Prefeitura quer instalar uma usina para incinerar resíduos

Concórdia - O lixo é um problema para quase todos os municípios e um desastre ecológico em Concórdia. As cerca de 36 toneladas mensais geradas pela cidade são depositadas num aterro em Linha Vitória que não tem todas as condições de funcionamento. Como conseqüência, o riacho que era usado pelos agricultores da comunidade acabou sendo contaminado pelo chorume.

Para resolver o problema, a Prefeitura pretende transferir o lixo de Linha Vitória para um novo aterro em Lajeado Crescêncio. "A Fatma já aprovou o projeto e com certeza não serão repetidos os erros do passado no tratamento do lixo", prometeu o secretário municipal da Agricultura e presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, Idair Piccinin.

Antes de projetar o novo aterro, a Prefeitura preocupou-se em conhecer o lixo gerado em Concórdia. Chegou-se à conclusão de que sete toneladas por mês de dejetos são equivocadamente tratadas como lixo pela população. "São restos de alimentos, principalmente, que ainda poderiam ser consumidos", explicou Piccinin. É por isso que, antes de colocar em funcionamento o novo aterro, a Prefeitura fará uma campanha educativa para ensinar a população a colocar no lixo somente o que realmente não pode mais ser utilizado.

Apesar de já ter desenvolvido vários estudos para fazer com que o lixo deixe de ser um problema, a Prefeitura ainda não sabe exatamente o que vai fazer. Recentemente, durante um seminário aberto ao público sobre a questão do lixo urbano, foi realizada um votação sobre qual o sistema de tratamento que deveria ser adotado no novo aterro. Foram apresentadas duras propostas: a reciclagem ou a incineração. Por uma pequena margem de votos, ganhou a reciclagem.

Incineração

Só que a Prefeitura considera a reciclagem bem mais trabalhosa e com retorno mais distante. A idéia de instalar uma usina de incineração ganhou força após a visita feita por técnicos à usina de Marau, no Rio Grande do Sul. "Os filtros não permitem que praticamente nenhuma poluição seja lançada na atmosfera. E no final do processo, resta ainda a cinza, que é vendida como adubo", revelou o secretário Piccinin. O incinerador queimaria apenas o lixo orgânico, que representa 70% dos resíduos produzidos em Concórdia.

Nos próximos dias, a Prefeitura pretende acertar a compra do terreno que receberá o novo aterro. A área em Lajeado Crescêncio foi aprovada pela Fatma, mas não foi adquirida até o momento porque o proprietário não aceitou a proposta de R$ 50 mil oferecida pelo município. Na próxima quarta-feira acontecerá uma nova rodada de negociações.

Jaraguá já recebeu o
prêmio porco da FEEC

Silvia Pinter

Jaraguá do Sul - Embora a secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Jaraguá do Sul esteja executando obras de recuperação ambiental no lixão da cidade há mais de dois meses, membros da ONG Ação Ecológica, ligada a Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses (FEEC), reclamam da continuidade dos problemas decorrentes do mau cheiro e profliferação de insetos.

O advogado e integrante da ONG, André Vieira, um dos responsáveis pela elaboração de um dossiê com 20 páginas sobre as irregularidades do lixão, que resultou na indicação do prefeito Geraldo Werninghaus (PFL) para o prêmio porco da FEEC no mês passado, diz que mesmo com o início das obras de recuperação ainda não se tem controle do lixo que entra no aterro. "Tudo é feito de forma irregular. Fui esta semana no local e verifiquei que nos trabalhos que lá estão sendo realizados não se utiliza técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)".

Os detritos depositados há mais de 20 anos no lixão, localizado no bairro Vila Lenzi, onde moram cerca de 10 mil pessoas, totalizam mais de 120 toneladas dia. Vieira diz que , além da poluição do ar com a queima de gases pesados, o lixão polui o rio Itapocu, responsável pelo abastecimento de água da cidade. Lembra ainda que a fumaça dos gases provoca doenças, como dores de cabeça, enjôo e problemas no estômago.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Werner Schuster, garante que até o final do ano todos estes problemas estarão solucionados. Diz que as obras de recuperação ambiental do sistema de disposição final de resíduos sólidos atendem das exigências na lei ambiental em projeto elaborado pela empresa Qualy's, de Joinville. Werninghaus lembra também que a criação da Associação dos Recicladores e Compradores de Material Reciclável de Jaraguá do Sul na semana passada, é outro ponto positivo que ajudará nas soluções dos problemas do lixão.

Esgotos não são tratados

O esgoto doméstico é outra reclamação constante em Jaraguá do Sul. Sem estação de tratamento apropriada, a maioria da população do município e das cidades vizinhas lançam seus esgotos diariamente no rio. O diretor do Samae, Nelson Klitzke, diz que em janeiro do próximo ano, a primeira estação de esgoto domiciliar estará pronta e atenderá 16 mil pessoas de cinco bairros de Jaraguá do Sul.

A segunda etapa está prevista para o próximo século, e deverá atender 50 mil pessoas. "Nossa proposta é construir estações para as quatro microbaciais. Mas isto depende de verba", alerta. O primeiro módulo está orçado em R$ 4 milhões e está sendo executado com recursos próprios do Samae. Klitzke lembra que está tentando viabilizar financiamento com a Caixa Econômica para finalizar todo o projeto.(SP)

Resíduos são lançados a céu
aberto em Tubarão e região

Sílvia Zarbatto

Tubarão ­ Faltando um ano e meio para a virada do milênio, a maioria das prefeituras do Estado ainda não conseguiu criar meios para dar fim ao lixo doméstico e industrial produzidos diariamente. Em Tubarão, o lixo captado nos bairros são jogados a céu aberto num terreno alugado pela Prefeitura, a sete quilômetros do centro da cidade, próximo ao CTG Preto Velho. As 100 toneladas de lixo que são recolhidos pela Reciclagem Transportes Ltda. (Retrans) diariamente são depositados neste terreno. Além do lixo de Tubarão, outros três municípios também descarregam o lixo neste local como é o caso de Laguna, Capivari de Baixo e Gravatal.

Mas embora os rejeitos não recebam nenhum tipo de reciclagem, a Secretaria de Serviços Públicos de Tubarão vem realizando desde o ano passado um trabalho para que não haja proliferação de roedores e insetos. Periodicamente boa parte do lixão é coberto com argila para que não cause muitos danos ao meio ambiente e que pessoas não catem os restos.

FATMA

Segundo o diretor de Limpeza Pública, Clemente Boger, o lixo que é recolhido em Tubarão e depositado no terreno é reciclado pelo proprietário do local que separa garrafas de plástico, vidros e papéis. "Estes objetos devem ser vendidos e reciclados, como o papel". Diante deste problema ambiental, o responsável técnico da Fundação de Amparo e Tecnologia do Meio Ambiente (Fatma), César Goulart, disse que as prefeituras ainda não dispõem de áreas adequadas para o depósito, mas o pedido de licenciamento já foi feito e enquanto uma área específica não é destinada para tal fim, a fundação faz acompanhamento do processo de cobertura com argila. "Se avaliarmos que isto está provocando mais danos ao meio ambiente, o local poderá ser interditado".

Se por um lado o lixo doméstico de Tubarão não tem tratamento adequado, o lixo hospitalar do Nossa Senhora da Conceição é todo incinerado na própria instituição. Na coleta dos rejeitos as seringas e aparelhos de corte são divididos em sacos plásticos diferentes para facilitar o transporte e evitar acidentes e posteriormente incinerados. Os únicos materiais que não são incinerados pelo hospital são utensílios usados na preparação de alimentos como latas de óleo e recipientes de vinagre.

A enfermeira do Departamento de Apoio do Nossa Senhora, Camila Morong Philippe, informou que os restos humanos são levadas para os laboratórios e, após as análises, são enterradas no cemitério municipal.


Lixão se transforma em jardim e pomar

Comunidade européia pode investir R$ 1 milhão em programa de tratamento de resíduos no Planalto Norte

Sandro Gomes

São Bento do Sul - Ao contrário do que se vê na maioria das cidades do País, em que o índice de descaso com os rejeitos sólidos alcança a média de 73%, em São Bento do Sul, Planalto Norte, o "lixão" deu lugar ao Aterro Sanitário Controlado, o mais ecologicamente correto, e está sendo transformado em jardins e pomares. Onde o lixo já foi aterrado, estão sendo plantadas mudas de hortências, nésperas, uva-japão, araçá, ariticum, acácia preta, cinamomo e ameixa. O programa já despertou a tenção da comunidade européia, que está interessada em investir R$ 1 milhão em convênio para tratamento de resíduos sólidos no Planalto Norte.

Há cinco anos que os resíduos sólidos recebem tratamento especial no Aterro Sanitário de Rio Vermelho. O lixo armazenado é compactado por um trator de esteira e aterrado. O chorume escorre por valas e é estabilizado em três lagoas. "O tratamento é biológico e natural, uma vez que não são efluentes de classe 3 (tóxicos) e sim orgânicos", explica o secretário da Agricultura e do Meio Ambiente, Magno Bollmann. Com isto, o lençol freático fica imune de qualquer contaminação. Sobre o aterro são colocados dutos para liberar o gás metano. A ação evita incêndios.

O aterro existe há mais de 25 anos. Quando entrou em operação a área era um enorme depósito de dejetos a céu aberto. Incêndios eram constantes. O odor era insuportável. Ratos, urubus, moscas e outros agentes encarregavam-se de disseminar todo tipo de doença, inclusive hanseníase às mais de 30 famílias que tiravam o sustendo do local.

Preservação

Mas, não apenas o lixo orgânico merece atenção do Planalto Norte. Em convênio com os três municípios que integram o Consórcio Quiriri (São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre), foi adquirido um incinerador para resíduos hospitalares. Em média, são incinerados 150 quilos de material por dia.

Em breve, uma usina de triagem do lixo será instalada no local. A iniciativa segue o programa de coleta seletiva de lixo nos três municípios integrantes do Consórcio Quiriri. Atualmente a coleta seletiva está em fase de testes no município de Campo Alegre. O que se pretende é reciclar 80% do lixo sólido produzido.

Rio do Sul desenvolve programa
de recuperação do meio ambiente

Orlando Pereira

Rio do Sul - Ao mesmo tempo que desenvolve o projeto de recuperação ambiental do lixão de Rio do Sul, a Prefeitura, em parceria com a União das Associações de Moradores de Bairros, se prepara para implantar o programa de coleta seletiva e a usina de reciclagem. De acordo com o assessor de Planejamento, Fábio Forschner, diariamente são recolhidas em torno de 30 toneladas de lixo doméstico e industrial, sem contar os entulhos que também vão para o depósito, na Serra Tomio.

O projeto de recuperação ambiental do lixão é amplo. Uma equipe de biólogos e técnicos foi contratada para fazer o levantamento do local porque não existem estimativas do volume que encontra-se depositado ao longo dos 30 anos em relação a situação original. Enquanto o trabalho não fica pronto, estão sendo tomadas medidas que o assessor qualificou como paliativas. O tratamento do chorume é feito através de lagoas de decantação. Uma empresa de Joinville instalou diversas estações ambientais para evitar a proliferação de insetos, resgatando o ambiente no local.

Sem data

A coleta seletiva de lixo ainda não tem data para ser implementada. Na avaliação de Forschner, como a iniciativa partiu da própria comunidade, através da União das Associações de Bairros, deverá ter bastante adesão. O grupo de trabalho tem se reunido para definir todos os detalhes. "É preciso ter toda uma estrutura de seleção, coleta e depósito deste lixo", observou o assessor. Os equipamentos da usina de seleção já foram adquiridos pela Prefeitura. A última etapa para resolver o problema do lixo será a implantação do aterro sanitário, que pode atender outros municípios da região.

Agricultor troca lavoura por
reciclagem e preserva ambiente

Ula Weiss

Benedito Novo/Timbó - Há dois anos o agricultor Ingold Klug trocou a enxada que usava para cuidar das roças de subsistência por pesadas luvas de couro para selecionar detritos do meio do lixo doméstico dos 8.700 habitantes de Benedito Novo. O município, situado no Médio Vale do Itajaí, é um dos poucos da região que consegue, apesar de forma alternativa, reciclar cerca de 50% do vidro, papel, plástico, alumínio e ferro misturado às 60 toneladas dos resíduos sólidos recolhidos mensalmente pela prefeitura.

A fórmula usada é simples. Klug cedeu 1,5 mil metros quadrados de seu sítio na localidade de Ribeirão dos Russos para servir de depósito, ganhando em troca o direito exclusivo de fazer a reciclagem. O negócio rende para o agricultor média de R$ 500,00 mensais. "É um dinheiro que não conseguiria se continuasse plantando", confessa. Já para a administração municipal, é uma solução caseira, que evita maiores danos à natureza e a custo baixo, pois fornece apenas as máquinas para compactação, feita a cada três dias.

Para quem circula nas estradas de Ribeirão dos Russos, não se pode negar o choque causado quando se avista o depósito de lixo, no topo de um morro, manchando o verde da paisagem. Mas de perto, o que se vê é muita organização. Klug, 62 anos, e a mulher Regina, 61, são os responsáveis pela separação do lixo. Todos os dias, os resíduos que sobram depois da seleção são queimados, para evitar moscas e ratos. Depois as máquinas enterram o resto. Não há nem o cheiro peculiar dos lixões. "É tudo feito no capricho", elogia o prefeito Laurino Dalke, satisfeito com o resultado.

O problema do lixo no Brasil é preocupante. Tanto que até o final do ano o Conselho Nacional do Meio Ambiente vai publicar uma portaria estabelecendo regras para a destinação final das 32,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos gerados no Brasil, da qual a maior parte acaba em lixões sem qualquer cuidado. No Médio Vale do Itajaí, por exemplo, apenas Blumenau possui aterro sanitário, onde há tratamento do chorume e do gás metano.

Aterro é solução em São Miguel

Edson Furhmann

São Miguel do Oeste - Depois de 20 anos no ranking de pior cartão de visitas da cidade, o lixão de São Miguel do Oeste não existe mais. A área, de propriedade particular localizada na Linha Filomena, na periferia da cidade, foi aterrada pela Prefeitura. O caso do lixão parou na Justiça depois que foi descoberto que uma vara de porcos comia diariamente no local. A carne dos suínos alimentados do lixão era depois comercializa.

O problema do lixo em São Miguel do Oeste ainda não está resolvido na sua totalidade porque a Prefeitura ainda está em fase de licitação para a escolha de uma empresa que fará a coleta e o depósito. No dia 25 de maio, a Prefeitura rompeu o contrato com a concessionária que executava o serviço, a Engepasa.

Atualmente, as 20 toneladas diárias de lixo estão sendo coletadas provisoriamente pela empresa Tucano, de Maravilha, que está depositando em um aterro sanitário de sua propriedade, naquele município. No próximo dia 16, serão abertos os envelopes com as propostas de empresas que se dispõe a assumir o serviço em São Miguel do Oeste. De acordo com o secretário de Administração, Fernando Freiberger, uma das condições do contrato é que a empresa construa um aterro sanitário dentro das normas ambientais vigentes.


Comunidade escolar discute
sistema municipal de ensino

Florianópolis - Que tipo de cidadão queremos formar?. Esta é apenas uma das muitas indagações de 160 representantes de escolas, associações de pais e professores, entidades comunitárias e sindicatos que debatem a minuta de anteprojeto de lei do sistema municipal de ensino. Reunidos em grupos durante todo o dia, eles discutiram também ontem a possível inclusão das universidades e escolas particulares no Conselho Municipal de Educação (CME). Os pontos a serem explorados são tantos que nova plenária acontecerá neste mês, ainda sem dia definido.

Terá que aparecer na minuta - entregue às 17h30 à prefeita Angela Amin - algumas denominações da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), promulgada em dezembro de 1996, a exemplo da ampliação de 180 para 200 dias letivos. Segundo a presidente do CME, Vera Rzatki, isto beneficia principalmente os estudantes. A preocupação com o novo currículo está mais na formação do aluno do que com matérias a serem incluídas, como a tão defendida disciplina de informática. "Vamos ter que saber a forma de se trabalhar explorando questões sociais do mundo." Entre as polêmicas aparece o Congresso Municipal de Educação, realizado a cada dois anos. Alguns grupos querem que ele tenha caráter deliberativo definindo as diretrizes educacionais. Outros defendem que neste espaço se discuta apenas o setor, sem se deliberar nada.

Depois de analisada pelo Executivo, a minuta será transformada em projeto e encaminhada à Câmara de Vereadores. O sistema municipal de ensino funcionará como uma espécie de LDB, pois implantará uma legislação específica para o setor educacional de Florianópolis.

Alunos de Tubarão terão
só uma semana de férias

Tubarão ­ Em virtude das mudanças que estão ocorrendo na educação, como o aumento do ano letivo para 200 dias de aulas efetivamente dadas, o recesso de julho na rede municipal de ensino de Tubarão será reduzido. As férias segundo o secretário de Educação, Cláudio Damaceno Paz, iniciam na quarta semana do mês de julho, período que vai do dia 20 a 24. As aulas reiniciam no dia 27. De acordo com Paz, o mês de julho é tradicional no sistema de ensino brasileiro um período de recesso escolar, "e para que não atrapalhe o ano, o jeito para adequar as mudanças foi colocar as férias em uma semana apenas", declarou.

Para ele, o primeiro semestre letivo de 98 foi um período que apresentou intensas atividades. Foram realizadas uma série de melhorias na estrutura física das escolas do município, o que proporcionou maior qualidade de ensino. "As crianças e adolescentes que estudam em locais amplos e esteticamente corretos, têm uma aprendizagem mais rápida e eficiente", afirmou.

O número de alunos cresceu bastante, em 1997 era 6.538 e foi elevado este ano para 7.154 estudantes. "Este é um saldo bastante positivo, e é um sinal de que o ensino em Tubarão tem qualidade e garantia no ensino".

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Vestibular inicia com poucas abstenções

Apenas 4,79% dos inscritos faltaram as provas da Acafe em SC

Ana Maria Tonial

Florianópolis/Criciúma - Murilo Barreto, 18 anos, não faz parte dos 4,79% candidatos do Estado que se abstiveram do primeiro dia do vestibular unificado da Associação Catarinense de Fundações Educacionais (Acafe). Mesmo com o pé esquerdo engessado, depois de quebrá-lo em jogo de futebol há duas semanas, ele andou uma quadra até chegar ontem ao concurso. Quer garantir a vaga no curso de Administração.

Na Capital, faltaram 96 dos dos 1.333 inscritos, um índice de 7,2%. Em todo o Estado, são oferecidas 3.150 vagas para 7.033 concorrentes distribuídos em 28 cursos. A redução de 150 para 70 questões nas provas de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Estrangeira Moderna animou os candidatos que hoje realizam as de História, Geografia, Física, Matemática, Química e Biologia.

Cada curso terá questões específicas da área escolhida. São 30 para duas matérias básicas para a profissão escolhida e 20 para as afins, com base no que a pessoa irá usar e que já usa realmente no dia-a-dia. "Acabou a decoreba", avalia a coordenadora técnica do concurso, Lucinara Marin. As mudanças não devem ficar só nisto. Há planos de se realizar provas com estudantes do ensino médio a partir de 1999. Os que tivessem maior média garantiriam vaga no vestibular de 2001. A avaliação seria anual.

A polêmica declaração recente do presidente Fernando Henrique Cardoso de que aposentados com menos de 50 anos são vagabundos, serviu de tema para a redação. Na tentativa de conseguir uma vaga em Ciências da Computação, Edimari Boeing Félix, 17 anos, moradora de Coqueiros, defende a aposentadoria por tempo de serviço.

"Se fosse o contrário, por idade, com certeza a prejudicada seria a população carente, pois a maioria começa a trabalhar com 14 anos".

Portador da síndrome de Hanhardt - onde a pessoa nasce sem mãos -, Anselmo Alves, 20 anos, realizou as provas em sala especial. "Primeiro rascunhei a redação para após passar a limpo", contou. Às 10 horas já estava pronto, a espera do irmão Alex Sandro, 25 anos, que se candidatava para Publicidade, habilitação em Marketing.

Em Criciúma, apenas 26 dos 963 inscritos no vestibular da Acafe, faltaram no primeiro dia de provas, representando uma abstenção de 2,70%. O campus da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense) está oferecendo 340 vagas, onde Administração foi o curso mais procurado, com um índice de 2,86 candidatos por vaga.

Do total de inscritos, 597 candidatos optaram pela escolha dos oito cursos oferecidos pela Unesc, no campus de Criciúma e Araranguá. As provas em Criciúma transcorreram normalmente, mas o candidato Rudimar Bonotto, que está prestando exame para Ciências Contábeis, precisou ficar numa sala em separado, por estar com catapora. Somente um candidato não conseguiu fazer as provas, por ter chegado atrasado.

Vidal Santos , de Criciúma, que está fazendo pela primeira vez vestibular para Geografia, disse que todas as questões estavam bem acessíveis e ressaltou que o novo sistema de provas direcionadas ao curso escolhido deixa os candidatos mais tranquilos.

Quantidade de faltosos foi maior em Blumenau e chegou a 10,2%

Blumenau e Joinville - Ao quantidade de abstenções no primeiro dia de prova para ingresso nas universidades da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) foi considerada elevada pela coordenação de Blumenau. Dos 98 inscritos, dez faltaram ontem pela manhã, um percentual de 10,2%.

"Estas ausências no primeiro dia de provas deve ser em decorrência das comemorações pela vitória do Brasil", diz a coordenadora do vestibular da Acafe em Blumenau, Euzi de Lima Tomio. Apesar dos dez faltosos , não houve qualquer outro tipo de incidente no primeiro dia de disputa por uma vaga em um curso superior.

O local para as provas do vestibular da Acafe, no entanto, sofreu alteração em relação aos semestres anteriores. Deixou de ser na escola técnica Hermann Hering para se realizar no Colégio Dr. Blumenau

Em Joinville o primeiro dia do vestibular da Acafe transcorreu normalmente e o índice de abstenção foi considerado baixo pela comissão organizadora. "Dos 569 inscritos apenas 34 faltaram, uma média de 5,98%", informou o coordenador do vestibular, Gerson Provesi.

A maioria dos candidatos chegou cedo e às 7h30 os corredores da Universidade da Região de Joinville (Univille) já estavam lotados pelos alunos.

Apesar da garoa fina, o trânsito não ficou congestionado próximo à Universidade. Poucos minutos antes do início do vestibular alguns alunos ainda procuravam no quadro de identificação o número da sala em que deveriam prestar as provas mas, como explica o professor Provesi, a cena sempre se repete.

Ontem foi dia de língua portuguesa e literatura, língua estrangeira moderna e redação. Hoje os candidatos respondem às provas de conhecimentos específicos, que incluem matemática, química, física, biologia e história. A divugação do resultado das provas está previsto para 17 de julho.

Tranquilidade foi a marca no interior do Estado

Tubarão/Jaraguá do Sul/Tubarão ­ O primeiro dia de provas do vestibular de inverno da Acafe foi tranquilo no interior do Estado. Na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), de Tubarão, nenhum candidato realizou as provas fora da instituição e o número de abstenções foi de 3,4%. Dos 939 candidatos inscritos, 34 faltaram e cinco chegaram atrasados. "Como nos demais vestibulares realizados aqui na Unisul, este está transcorrendo normalmente e sem nenhum incidente", afirmou o coordenador do vestibular, Wilson Tenfem.

Em Chapecó, a coordenação do vestibular também classificou o primeiro dia de exame como tranqüilo. Dos 1426 candidatos inscritos, apenas 41 não compareceram, o que corresponde a um índice de abstenção de apenas 2,87%. Um dos mais baixos dos últimos anos, segundo a coordenadora do vestibular em Chapecó, Nadir Faccio.

Duas candidatas prestaram o exame isoladamente, em Chapecó. Com varicela, Danile Mazera, que tentava uma vaga no curso de Psicologia, fez as provas em separado para não contaminar o restante dos candidatos. Já Cristiane Aparecida Perdôno, candidata ao curso de Serviço Social, desmaiou logo que as provas começaram e só pôde prosseguir longe do restante dos inscritos.

Em Jaraguá do Sul, na Ferj, o percentual de faltosos foi 2,54%. O número foi considerado baixo pela coordenadora do vestibular, Mariza Pradi Floriani Garcia, que avaliou o primeiro dia das provas como o mais tranqüilo dos últimos cinco anos. Estavam inscritos 433 candidatos para as 3.150 vagas oferecidas pela Acafe em todo Estado e para as190 vagas para os cursos de Tecnologia em Mecânica, Administração matutino e noturno e Ciências Contábeis, que a fundação oferece em Jaraguá do Sul.

A nova sistemática apresentada no vestibular da Acafe não assustou os estudantes em Jaraguá do Sul. O vestibulando Luis Clei Rosa, que tenta uma vaga no curso de Direito da Unisul, aprovou as mudanças, considerando que houve menos pressão para realização das provas.

 

Doenças respiratórias lotam hospitais

Hospital de Criciúma atende 100 crianças por dia com gripe pneumonia e bronquite

Criciúma - As doenças respiratórias estão deixando médicos e enfermeiros da região Sul preocupados. Comuns durante o inverno, doenças como a gripe, pneumonia e bronquite, chegaram mais cedo este ano, lotando as emergências e os leitos dos hospitais. O Pronto-atendimento Infantil, no hospital Santa Catarina, em Criciúma, registrou um aumento de 40% no número de casos nas duas últimas semanas. Os dois médicos chegam a atender até 100 crianças por dia, medicando os casos mais simples e encaminhando os mais graves para outros hospitais.

Apesar do organismo infantil ser o mais afetado, já foram registradas duas mortes de adultos no hospital Dom Joaquim, de Sombrio. Conforme a irmã Maria Madalena Paz, enfermeira do hospital, os dois pacientes já chegaram com quadro de bronquite avançado, e apesar da medicação, não resistiram. Além de Sombrio, o Dom Joaquim atende também moradores dos municípios de Santa Rosa do Sul, Balneário Gaivota e São João do Sul. "Cerca de 80% das internações que temos hoje são decorrentes de problemas respiratórios", ressaltou Madalena.

No município de Içara, os médicos do hospital São Donato, estão atendendo mais de 100 pessoas por dia. "Esse ano a incidência foi pior, pois o frio chegou mais cedo e com mais força, surpreendendo a maioria das pessoas", afirmou a enfermeira-chefe, Mira Dagostin.

A pediatra do hospital São Lucas, de Siderópolis, Mayra Sônego, alerta para alguns cuidados que podem evitar a contaminação por vírus que provocam as doenças respiratórias. As mães devem se preocupar com a alimentação, procurando balancear os alimentos, e continuar amamentando, no caso de crianças menores. "É importante também não agasalhar em excesso, pois isso dificulta a transpiração, deixando a criança mais vulnerável. Os pais também devem se preocupar em manter os ambientes ventilados", observou a médica. Segundo Mayra, com esses pequenos cuidados é possível diminuir os casos, mas ela também alerta para os pais procurarem atendimento médico se notarem algo de anormal com os filhos.

Médicos discutem método de tratamento do câncer

São Miguel do Oeste ­ O método revolucionário da cura de câncer descoberto pelo professor italiano de fisiologia humana e química biológica, Luigi Di Bella, chega pela primeira vez ao Sul do Brasil, em de São Miguel do Oeste. No dia 8, dois médicos da Itália, integrantes da equipe de Luigi Di Bella, estarão no município para um encontro com médicos catarinenses e para atendimento à população. Domênico Scilipot e Giovani Dângelo ficarão dois dias em São Miguel do Oeste. O encontro será realizado no Clube Jardim.

Luigi Di Bella é conhecido internacionalmente e vem provocando controvérsias na comunidade científica mundial ao anunciar a cura de 20 mil pacientes cancerosos nos 25 anos em que vem aplicando seu método, que descarta o uso de quimioterapia e medicamentos químicos. O Método Di Bella, como ficou conhecido, ataca o câncer através do estímulo à produção de melatonina pelo organismo. Aplicado primeiramente no controle de casos de leucemia (câncer no sangue), a partir de 1977 Di Bella começou a tratar também os chamados tumores sólidos, com uma técnica que foi aperfeiçoada nos anos seguintes.

Apesar de criticado por uma parcela da comunidade médica mundial, Luigi Di Bella angariou espaços em toda a imprensa especializada.

A vinda dos dois médicos a São Miguel do Oeste foi conseguida pela Federação Oeste Catarinense das Associações Italianas (Focai). O presidente da entidade, empresário Darci Zanotelli, destaca que a visita vai ser única no Estado por enquanto. Ele informa que até o final do ano o município poderá receber a visita do próprio Luigi Di Bella.

A palestra dos dois médicos no dia 8 será reservada exclusivamente para médicos e profissionais ligados à Saúde. Já no dia 9, Domênico e Giovani estarão atendendo à população. De acordo com Zanotelli, haverá a possibilidade de pelo menos 30 pessoas manterem um contato pessoal com os dois médicos.

O médico Chateaubrian Neme, de 73 anos, residente no município de São José do Cedro, no Extremo-oeste, é um dos pacientes que estão atualmente em tratamento com o método do professor italiano. Chateaubrian não conseguiu a cura por métodos tradicionais. Ele está se submetendo ao tratamento alternativo há dois meses e vem apresentando um quadro animador.


RECEPÇÃO

Cônsul visita Canoinhas

Canoinhas ­ O cônsul-geral da Itália que atua nos Estados de Santa Catarina e Paraná, Gianni Piccato, visitou o município ontem. O motivo da visita é estabelecer um primeiro contato com as cidades do Planalto Norte, para futuramente se firmar um intercâmbio cultural e econômico com essas cidades. Além do encontro com autoridades locais, Piccato também participou da reunião de Conselho de Italianos no Exterior (Comitês/SC/PR) oficial do Ministério das Relações Exteriores da Itália no Brasil, que pela primeira vez reuniu seus integrantes fora da cidade sede: Curitiba.

Segundo o presidente do Comitês, Walter Petruzziello, a função do órgão é integrar ainda mais os ítalos-brasileiros e valorizar as regiões que têm influência de descendentes de italianos. Na reunião realizada ontem em Canoinhas, participou o cônsul italiano e os integrantes do Comitês que discutiram o orçamento do conselho para o próximo ano.

Piccato também participou de um encontro com autoridades locais, que expuseram as potencialidades da região e a intenção no estreitamento de relações entre Brasil e Itália. O prefeito de Canoinhas, Orlando Krautler (PFL) afirma que o objetivo da visita do cônsul ao município é de estabelecer um primeiro contato para que conheça a economia da cidade, que no futuro pode vir a receber investimentos italianos nas áreas de cultura, tecnologia, comércio e agricultura.

"O consulado quer difundir a cultura italiana e estabelecer além de intercâmbio cultural, também relações econômicas com os municípios de Santa Catarina que têm muitos descendentes de italianos", afirmou o cônsul.


 
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