Tratamento do lixo
no Brasil é inadequado
Rios e terrenos ainda são
destino de resíduos em muitas cidades
Ana Paula Lückman
Florianópolis - Apesar de ser reconhecido como o País
que mais recicla lixo no mundo, o Brasil ainda trata a maior parte dos seus
resíduos sólidos com o mesmo desleixo da empregada que varre
a sujeira para baixo do tapete. Com exceção das pequenas iniciativas
isoladas, públicas ou comunitárias, na área da reciclagem
- que acabaram gerando o destaque internacional -, o principal destino dos
resíduos sólidos produzidos no País continua sendo
os aterros sanitários e lixões. Em cidades com sistema de
coleta ineficiente, terrenos baldios, beiras de estradas e rios acabam sendo
o depósito dos rejeitos domésticos.
O destino inadequado do lixo dos brasileiros gera um desperdício
bilionário. Pelos cálculos do economista Sabetai Calderoni,
doutor em ciências pela Universidade de São Paulo (USP), só
em 1996 o Brasil jogou no lixo, literalmente, pelo menos R$ 4,6 bilhões.
Diante das constantes alegações de que reciclar dejetos "não
compensa", Calderoni calculou o desperdício das lixeiras brasileiras
considerando todos os ganhos possíveis - desde a simples venda do
material para o atravessador até as economias energéticas,
de recursos hídricos e de controle ambiental. O resultado está
no livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo" (Ed. Humanitas,
USP, 1997), primeira obra a provar detalhadamente "por A mais B"
que a reciclagem compensa.
Soluções
Se isso é verdade, o que falta, então, para que haja maiores
investimentos públicos na área? Para Calderoni, é imprescindível
a criação de uma política nacional e estadual de resíduos
sólidos. Apesar dos serviços de coleta e destinação
final serem atribuição dos municípios, o problema do
tratamento inadequado tem sido amplamente discutido em nível intermunicipal.
Com a organização dos grandes centros em regiões metropolitanas
- como é o caso, em Santa Catarina, de Florianópolis, Joinville
e Blumenau -, a tendência é que cada conglomerado urbano tente
encontrar soluções comuns para os rejeitos domésticos
da população.
Enquanto o problema do lixo e a necessidade de reciclagem não
passa muito da discussão na esfera pública, a própria
população começa, aos poucos, a cobrar iniciativas
dos órgãos responsáveis pela limpeza pública.
Em Florianópolis, isso foi constatado durante os dois fóruns
comunitários realizados pela atual administração para
discutir a questão: o maior número de sugestões vindas
dos representantes dos bairros envolvidos diz respeito à coleta seletiva
e educação ambiental. Essas cobranças são a
base da Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap), órgão
responsável pela limpeza pública, para estabelecer as metas
do município no que diz respeito à reciclagem.
Área degradada por depósito de
detritos deverá ser recuperada
Florianópolis - A Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap)
assinou na última quinta-feira contrato com a Caixa Econômica
Federal (CEF) para a liberação de R$ 700 mil que serão
investidos em melhorias na estação de transbordo do Itacorubi,
onde até pouco tempo funcionava o lixão da cidade. Além
da recuperação e reurbanização da área,
degradada e desvalorizada após mais de 20 anos recebendo detritos
sem o mínimo tratamento, a verba será utilizada na construção
de um galpão para papeleiros e na transferência da estação
para um local mais distante, onde será cercada. "O objetivo
é acumular o lixo a ser removido de forma mais cuidadosa e menos
feia", afirma o presidente da Comcap, Tarcísio Cardoso. As obras
devem levar entre seis e oito meses e, se o projeto for cumprido, podem
sepultar o mal-estar gerado na cidade com o vergonhoso passado do lixão.
Entre o mar e o manguezal, a história do destino do lixo em Florianópolis
é recheada de atrocidades contra o meio ambiente - quadro que, felizmente,
vem passando por uma reversão nos últimos 12 anos. Não
por acaso os primeiros colonizadores açorianos construíram
suas casas de costas para o mar: era ele o destino de todo o rejeito doméstico
produzido pelas famílias pioneiras. O que hoje é visto como
absurdo foi, na época, institucionalizado: em 1830, a Câmara
Municipal aprovou uma lei obrigando que todo o lixo urbano fosse depositado
nas praias, nos rios e no mar, junto com o esgoto. O objetivo do "avanço"
era evitar que os detritos se acumulassem nas ruas. O quadro evoluiu pouco
com o surgimento do primeiro serviço de coleta domiciliar de lixo
e fezes, em 1884: o destino final continuou sendo o mar.
Crescimento demandou mais cuidados
Com o crescimento da cidade e o conseqüente aumento no acúmulo
de detritos, foi construído o primeiro incinerador de lixo da Capital,
onde hoje é a cabeceira da ponte Hercílio Luz. A população
de então era de 14 mil habitantes. Anos depois, a cidade se expandiu
e a fumaça gerada começou a incomodar os moradores das redondezas.
A partir de 1956, o lixo começou a ser depositado sem qualquer cuidado
no "banhado" localizado atrás do morro da Cruz, entre o
cemitério São Francisco de Assis e a Penitenciária.
O desenvolvimento dos bairros ao redor da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), instalada na Trindade na década de 60, fez com que
o lixão voltasse a ser um transtorno.
A discussão sobre a inadequação do lixão
instalado sobre um manguezal, cuja importância como ecossistema tem
sido estudada apenas nos últimos 20 anos, ganhou força durante
a administração Edison Andrino (PMDB). Após a polêmica
sobre a transferência para localidades como Ratones ou Santo Antônio
de Lisboa, firmou-se o contrato com a empresa Formaco, que há oito
anos retira o material da estação de transbordo da Comcap
e leva até o aterro sanitário de Biguaçu. (APL)
Programa Beija-flor foi modelo
Empresa descentralizou a
responsabilidade pelas soluções
Ana Paula Lückman
Florianópolis - Não se pode falar em coleta seletiva e
reciclagem de lixo em Florianópolis sem lembrar a história
do programa Beija-flor, embrião do sistema em funcionamento e fonte
de inspiração para outros programas implantados no resto do
País. O projeto surgiu em 1986, durante as discussões para
eliminar o incômodo lixão do Itacorubi - considerado inadequado
tanto pela população, que sofria com o mau cheiro e o desconforto
causados pelo local, quanto pelos especialistas, que conheciam todas as
inadequações de um aterro implantado sobre uma área
de manguezal.
A comissão criada pela Comcap para estudar soluções
alternativas para os resíduos sólidos pensou na descentralização
da responsabilidade. Com a liberação de financiamento de US$
200 mil pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), em 1988, o programa começou a sem implantado. Dois anos
depois, já atingia 25 mil pessoas em dez bairros - nove comunidades
carentes e o Balneário, no Estreito, de classe média.
Técnicos da Comcap faziam visitas periódicas aos bairros
envolvidos, orientando sobre a separação do lixo reciclável
seco e orgânico. O seco era recolhido e vendido por cada comunidade.
O orgânico passava por um processo de compostagem e o adubo resultante
era usado em hortas comunitárias. Com o cultivo de alimentos, criava-se
uma relação de afetividade entre os participantes do programa
e o trabalho de coleta seletiva.
A implantação do Beija-flor em comunidades carentes foi
uma das exigências do BNDES para a liberação da verba,
mas acabou sendo também o primeiro grande obstáculo enfrentado
pelos técnicos. A engenheira sanitarista Flávia Guimarães
Orofino, da assessoria de planejamento da Comcap, recorda que nesses bairros
outros problemas acabavam se sobressaindo e atrapalhando o trabalho de educação
ambiental. Nos casos piores, esbarrava-se constantemente com casos de violência
doméstica e o tráfico e consumo de drogas. Em outros, a falta
de saneamento básico e condições de higiene tornavam
inócua a discussão sobre a importância da reciclagem.
Comunidade assume
programa de reciclagem
Os pequenos entraves e a descontinuidade das administrações
acabaram enfraquecendo o programa Beija-flor, que começou a ser considerado
caro para ser bancado pela Prefeitura. Hoje seus frutos mais diretos permanecem
nas praias do Forte e Jurerê Internacional, no Norte da Ilha, onde
a comunidade implantou o programa Lixo Zero. A participação
é tão positiva que 100% do lixo produzido nas duas localidades
é encaminhado para reciclagem, restringindo à coleta convencional
apenas o material de rejeito (lixo de banheiro, pilhas e outros materiais
não reaproveitáveis).
A experiência positiva do Beija-flor no Balneário do Estreito
resultou no projeto piloto de coleta seletiva porta-a-porta feito pela Comcap,
direcionado exclusivamente ao lixo reciclável seco. Após as
primeiras experiências em outros bairros, a coleta passou a atingir
70% da área urbana da cidade e já começa a ser ampliado.(APL)
Destino do lixo é
inadequado em Concórdia
População pede
programa de reciclagem e Prefeitura quer instalar uma usina para incinerar
resíduos
Concórdia - O lixo é um problema para quase todos os municípios
e um desastre ecológico em Concórdia. As cerca de 36 toneladas
mensais geradas pela cidade são depositadas num aterro em Linha Vitória
que não tem todas as condições de funcionamento. Como
conseqüência, o riacho que era usado pelos agricultores da comunidade
acabou sendo contaminado pelo chorume.
Para resolver o problema, a Prefeitura pretende transferir o lixo de
Linha Vitória para um novo aterro em Lajeado Crescêncio. "A
Fatma já aprovou o projeto e com certeza não serão
repetidos os erros do passado no tratamento do lixo", prometeu o secretário
municipal da Agricultura e presidente do Conselho Municipal de Defesa do
Meio Ambiente, Idair Piccinin.
Antes de projetar o novo aterro, a Prefeitura preocupou-se em conhecer
o lixo gerado em Concórdia. Chegou-se à conclusão de
que sete toneladas por mês de dejetos são equivocadamente tratadas
como lixo pela população. "São restos de alimentos,
principalmente, que ainda poderiam ser consumidos", explicou Piccinin.
É por isso que, antes de colocar em funcionamento o novo aterro,
a Prefeitura fará uma campanha educativa para ensinar a população
a colocar no lixo somente o que realmente não pode mais ser utilizado.
Apesar de já ter desenvolvido vários estudos para fazer
com que o lixo deixe de ser um problema, a Prefeitura ainda não sabe
exatamente o que vai fazer. Recentemente, durante um seminário aberto
ao público sobre a questão do lixo urbano, foi realizada um
votação sobre qual o sistema de tratamento que deveria ser
adotado no novo aterro. Foram apresentadas duras propostas: a reciclagem
ou a incineração. Por uma pequena margem de votos, ganhou
a reciclagem.
Incineração
Só que a Prefeitura considera a reciclagem bem mais trabalhosa
e com retorno mais distante. A idéia de instalar uma usina de incineração
ganhou força após a visita feita por técnicos à
usina de Marau, no Rio Grande do Sul. "Os filtros não permitem
que praticamente nenhuma poluição seja lançada na atmosfera.
E no final do processo, resta ainda a cinza, que é vendida como adubo",
revelou o secretário Piccinin. O incinerador queimaria apenas o lixo
orgânico, que representa 70% dos resíduos produzidos em Concórdia.
Nos próximos dias, a Prefeitura pretende acertar a compra do
terreno que receberá o novo aterro. A área em Lajeado Crescêncio
foi aprovada pela Fatma, mas não foi adquirida até o momento
porque o proprietário não aceitou a proposta de R$ 50 mil
oferecida pelo município. Na próxima quarta-feira acontecerá
uma nova rodada de negociações.
Jaraguá já recebeu o
prêmio porco da FEEC
Silvia Pinter
Jaraguá do Sul - Embora a secretaria de Agricultura e Meio Ambiente
de Jaraguá do Sul esteja executando obras de recuperação
ambiental no lixão da cidade há mais de dois meses, membros
da ONG Ação Ecológica, ligada a Federação
de Entidades Ecologistas Catarinenses (FEEC), reclamam da continuidade dos
problemas decorrentes do mau cheiro e profliferação de insetos.
O advogado e integrante da ONG, André Vieira, um dos responsáveis
pela elaboração de um dossiê com 20 páginas sobre
as irregularidades do lixão, que resultou na indicação
do prefeito Geraldo Werninghaus (PFL) para o prêmio porco da FEEC
no mês passado, diz que mesmo com o início das obras de recuperação
ainda não se tem controle do lixo que entra no aterro. "Tudo
é feito de forma irregular. Fui esta semana no local e verifiquei
que nos trabalhos que lá estão sendo realizados não
se utiliza técnicas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT)".
Os detritos depositados há mais de 20 anos no lixão, localizado
no bairro Vila Lenzi, onde moram cerca de 10 mil pessoas, totalizam mais
de 120 toneladas dia. Vieira diz que , além da poluição
do ar com a queima de gases pesados, o lixão polui o rio Itapocu,
responsável pelo abastecimento de água da cidade. Lembra ainda
que a fumaça dos gases provoca doenças, como dores de cabeça,
enjôo e problemas no estômago.
O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Werner Schuster,
garante que até o final do ano todos estes problemas estarão
solucionados. Diz que as obras de recuperação ambiental do
sistema de disposição final de resíduos sólidos
atendem das exigências na lei ambiental em projeto elaborado pela
empresa Qualy's, de Joinville. Werninghaus lembra também que a criação
da Associação dos Recicladores e Compradores de Material Reciclável
de Jaraguá do Sul na semana passada, é outro ponto positivo
que ajudará nas soluções dos problemas do lixão.
Esgotos não são tratados
O esgoto doméstico é outra reclamação constante
em Jaraguá do Sul. Sem estação de tratamento apropriada,
a maioria da população do município e das cidades vizinhas
lançam seus esgotos diariamente no rio. O diretor do Samae, Nelson
Klitzke, diz que em janeiro do próximo ano, a primeira estação
de esgoto domiciliar estará pronta e atenderá 16 mil pessoas
de cinco bairros de Jaraguá do Sul.
A segunda etapa está prevista para o próximo século,
e deverá atender 50 mil pessoas. "Nossa proposta é construir
estações para as quatro microbaciais. Mas isto depende de
verba", alerta. O primeiro módulo está orçado
em R$ 4 milhões e está sendo executado com recursos próprios
do Samae. Klitzke lembra que está tentando viabilizar financiamento
com a Caixa Econômica para finalizar todo o projeto.(SP)
Resíduos são lançados a
céu
aberto em Tubarão e região
Sílvia Zarbatto
Tubarão Faltando um ano e meio para a virada do milênio,
a maioria das prefeituras do Estado ainda não conseguiu criar meios
para dar fim ao lixo doméstico e industrial produzidos diariamente.
Em Tubarão, o lixo captado nos bairros são jogados a céu
aberto num terreno alugado pela Prefeitura, a sete quilômetros do
centro da cidade, próximo ao CTG Preto Velho. As 100 toneladas de
lixo que são recolhidos pela Reciclagem Transportes Ltda. (Retrans)
diariamente são depositados neste terreno. Além do lixo de
Tubarão, outros três municípios também descarregam
o lixo neste local como é o caso de Laguna, Capivari de Baixo e Gravatal.
Mas embora os rejeitos não recebam nenhum tipo de reciclagem,
a Secretaria de Serviços Públicos de Tubarão vem realizando
desde o ano passado um trabalho para que não haja proliferação
de roedores e insetos. Periodicamente boa parte do lixão é
coberto com argila para que não cause muitos danos ao meio ambiente
e que pessoas não catem os restos.
FATMA
Segundo o diretor de Limpeza Pública, Clemente Boger, o lixo
que é recolhido em Tubarão e depositado no terreno é
reciclado pelo proprietário do local que separa garrafas de plástico,
vidros e papéis. "Estes objetos devem ser vendidos e reciclados,
como o papel". Diante deste problema ambiental, o responsável
técnico da Fundação de Amparo e Tecnologia do Meio
Ambiente (Fatma), César Goulart, disse que as prefeituras ainda não
dispõem de áreas adequadas para o depósito, mas o pedido
de licenciamento já foi feito e enquanto uma área específica
não é destinada para tal fim, a fundação faz
acompanhamento do processo de cobertura com argila. "Se avaliarmos
que isto está provocando mais danos ao meio ambiente, o local poderá
ser interditado".
Se por um lado o lixo doméstico de Tubarão não
tem tratamento adequado, o lixo hospitalar do Nossa Senhora da Conceição
é todo incinerado na própria instituição. Na
coleta dos rejeitos as seringas e aparelhos de corte são divididos
em sacos plásticos diferentes para facilitar o transporte e evitar
acidentes e posteriormente incinerados. Os únicos materiais que não
são incinerados pelo hospital são utensílios usados
na preparação de alimentos como latas de óleo e recipientes
de vinagre.
A enfermeira do Departamento de Apoio do Nossa Senhora, Camila Morong
Philippe, informou que os restos humanos são levadas para os laboratórios
e, após as análises, são enterradas no cemitério
municipal.
Lixão se transforma em jardim e pomar
Comunidade européia
pode investir R$ 1 milhão em programa de tratamento de resíduos
no Planalto Norte
Sandro Gomes
São Bento do Sul - Ao contrário do que se vê na
maioria das cidades do País, em que o índice de descaso com
os rejeitos sólidos alcança a média de 73%, em São
Bento do Sul, Planalto Norte, o "lixão" deu lugar ao Aterro
Sanitário Controlado, o mais ecologicamente correto, e está
sendo transformado em jardins e pomares. Onde o lixo já foi aterrado,
estão sendo plantadas mudas de hortências, nésperas,
uva-japão, araçá, ariticum, acácia preta, cinamomo
e ameixa. O programa já despertou a tenção da comunidade
européia, que está interessada em investir R$ 1 milhão
em convênio para tratamento de resíduos sólidos no Planalto
Norte.
Há cinco anos que os resíduos sólidos recebem tratamento
especial no Aterro Sanitário de Rio Vermelho. O lixo armazenado é
compactado por um trator de esteira e aterrado. O chorume escorre por valas
e é estabilizado em três lagoas. "O tratamento é
biológico e natural, uma vez que não são efluentes
de classe 3 (tóxicos) e sim orgânicos", explica o secretário
da Agricultura e do Meio Ambiente, Magno Bollmann. Com isto, o lençol
freático fica imune de qualquer contaminação. Sobre
o aterro são colocados dutos para liberar o gás metano. A
ação evita incêndios.
O aterro existe há mais de 25 anos. Quando entrou em operação
a área era um enorme depósito de dejetos a céu aberto.
Incêndios eram constantes. O odor era insuportável. Ratos,
urubus, moscas e outros agentes encarregavam-se de disseminar todo tipo
de doença, inclusive hanseníase às mais de 30 famílias
que tiravam o sustendo do local.
Preservação
Mas, não apenas o lixo orgânico merece atenção
do Planalto Norte. Em convênio com os três municípios
que integram o Consórcio Quiriri (São Bento do Sul, Rio Negrinho
e Campo Alegre), foi adquirido um incinerador para resíduos hospitalares.
Em média, são incinerados 150 quilos de material por dia.
Em breve, uma usina de triagem do lixo será instalada no local.
A iniciativa segue o programa de coleta seletiva de lixo nos três
municípios integrantes do Consórcio Quiriri. Atualmente a
coleta seletiva está em fase de testes no município de Campo
Alegre. O que se pretende é reciclar 80% do lixo sólido produzido.
Rio do Sul desenvolve programa
de recuperação do meio ambiente
Orlando Pereira
Rio do Sul - Ao mesmo tempo que desenvolve o projeto de recuperação
ambiental do lixão de Rio do Sul, a Prefeitura, em parceria com a
União das Associações de Moradores de Bairros, se prepara
para implantar o programa de coleta seletiva e a usina de reciclagem. De
acordo com o assessor de Planejamento, Fábio Forschner, diariamente
são recolhidas em torno de 30 toneladas de lixo doméstico
e industrial, sem contar os entulhos que também vão para o
depósito, na Serra Tomio.
O projeto de recuperação ambiental do lixão é
amplo. Uma equipe de biólogos e técnicos foi contratada para
fazer o levantamento do local porque não existem estimativas do volume
que encontra-se depositado ao longo dos 30 anos em relação
a situação original. Enquanto o trabalho não fica pronto,
estão sendo tomadas medidas que o assessor qualificou como paliativas.
O tratamento do chorume é feito através de lagoas de decantação.
Uma empresa de Joinville instalou diversas estações ambientais
para evitar a proliferação de insetos, resgatando o ambiente
no local.
Sem data
A coleta seletiva de lixo ainda não tem data para ser implementada.
Na avaliação de Forschner, como a iniciativa partiu da própria
comunidade, através da União das Associações
de Bairros, deverá ter bastante adesão. O grupo de trabalho
tem se reunido para definir todos os detalhes. "É preciso ter
toda uma estrutura de seleção, coleta e depósito deste
lixo", observou o assessor. Os equipamentos da usina de seleção
já foram adquiridos pela Prefeitura. A última etapa para resolver
o problema do lixo será a implantação do aterro sanitário,
que pode atender outros municípios da região.
Agricultor troca lavoura por
reciclagem e preserva ambiente
Ula Weiss
Benedito Novo/Timbó - Há dois anos o agricultor Ingold
Klug trocou a enxada que usava para cuidar das roças de subsistência
por pesadas luvas de couro para selecionar detritos do meio do lixo doméstico
dos 8.700 habitantes de Benedito Novo. O município, situado no Médio
Vale do Itajaí, é um dos poucos da região que consegue,
apesar de forma alternativa, reciclar cerca de 50% do vidro, papel, plástico,
alumínio e ferro misturado às 60 toneladas dos resíduos
sólidos recolhidos mensalmente pela prefeitura.
A fórmula usada é simples. Klug cedeu 1,5 mil metros quadrados
de seu sítio na localidade de Ribeirão dos Russos para servir
de depósito, ganhando em troca o direito exclusivo de fazer a reciclagem.
O negócio rende para o agricultor média de R$ 500,00 mensais.
"É um dinheiro que não conseguiria se continuasse plantando",
confessa. Já para a administração municipal, é
uma solução caseira, que evita maiores danos à natureza
e a custo baixo, pois fornece apenas as máquinas para compactação,
feita a cada três dias.
Para quem circula nas estradas de Ribeirão dos Russos, não
se pode negar o choque causado quando se avista o depósito de lixo,
no topo de um morro, manchando o verde da paisagem. Mas de perto, o que
se vê é muita organização. Klug, 62 anos, e a
mulher Regina, 61, são os responsáveis pela separação
do lixo. Todos os dias, os resíduos que sobram depois da seleção
são queimados, para evitar moscas e ratos. Depois as máquinas
enterram o resto. Não há nem o cheiro peculiar dos lixões.
"É tudo feito no capricho", elogia o prefeito Laurino Dalke,
satisfeito com o resultado.
O problema do lixo no Brasil é preocupante. Tanto que até
o final do ano o Conselho Nacional do Meio Ambiente vai publicar uma portaria
estabelecendo regras para a destinação final das 32,4 milhões
de toneladas de resíduos sólidos gerados no Brasil, da qual
a maior parte acaba em lixões sem qualquer cuidado. No Médio
Vale do Itajaí, por exemplo, apenas Blumenau possui aterro sanitário,
onde há tratamento do chorume e do gás metano.
Aterro é solução em São
Miguel
Edson Furhmann
São Miguel do Oeste - Depois de 20 anos no ranking de pior
cartão de visitas da cidade, o lixão de São Miguel
do Oeste não existe mais. A área, de propriedade particular
localizada na Linha Filomena, na periferia da cidade, foi aterrada pela
Prefeitura. O caso do lixão parou na Justiça depois que foi
descoberto que uma vara de porcos comia diariamente no local. A carne dos
suínos alimentados do lixão era depois comercializa.
O problema do lixo em São Miguel do Oeste ainda não está
resolvido na sua totalidade porque a Prefeitura ainda está em fase
de licitação para a escolha de uma empresa que fará
a coleta e o depósito. No dia 25 de maio, a Prefeitura rompeu o contrato
com a concessionária que executava o serviço, a Engepasa.
Atualmente, as 20 toneladas diárias de lixo estão sendo
coletadas provisoriamente pela empresa Tucano, de Maravilha, que está
depositando em um aterro sanitário de sua propriedade, naquele município.
No próximo dia 16, serão abertos os envelopes com as propostas
de empresas que se dispõe a assumir o serviço em São
Miguel do Oeste. De acordo com o secretário de Administração,
Fernando Freiberger, uma das condições do contrato é
que a empresa construa um aterro sanitário dentro das normas ambientais
vigentes.
Comunidade escolar discute
sistema municipal de ensino
Florianópolis - Que tipo de cidadão queremos formar?.
Esta é apenas uma das muitas indagações de 160 representantes
de escolas, associações de pais e professores, entidades comunitárias
e sindicatos que debatem a minuta de anteprojeto de lei do sistema municipal
de ensino. Reunidos em grupos durante todo o dia, eles discutiram também
ontem a possível inclusão das universidades e escolas particulares
no Conselho Municipal de Educação (CME). Os pontos a serem
explorados são tantos que nova plenária acontecerá
neste mês, ainda sem dia definido.
Terá que aparecer na minuta - entregue às 17h30 à
prefeita Angela Amin - algumas denominações da nova Lei de
Diretrizes e Bases (LDB), promulgada em dezembro de 1996, a exemplo da ampliação
de 180 para 200 dias letivos. Segundo a presidente do CME, Vera Rzatki,
isto beneficia principalmente os estudantes. A preocupação
com o novo currículo está mais na formação do
aluno do que com matérias a serem incluídas, como a tão
defendida disciplina de informática. "Vamos ter que saber a
forma de se trabalhar explorando questões sociais do mundo."
Entre as polêmicas aparece o Congresso Municipal de Educação,
realizado a cada dois anos. Alguns grupos querem que ele tenha caráter
deliberativo definindo as diretrizes educacionais. Outros defendem que neste
espaço se discuta apenas o setor, sem se deliberar nada.
Depois de analisada pelo Executivo, a minuta será transformada
em projeto e encaminhada à Câmara de Vereadores. O sistema
municipal de ensino funcionará como uma espécie de LDB, pois
implantará uma legislação específica para o
setor educacional de Florianópolis.
Alunos de Tubarão terão
só uma semana de férias
Tubarão Em virtude das mudanças que estão
ocorrendo na educação, como o aumento do ano letivo para 200
dias de aulas efetivamente dadas, o recesso de julho na rede municipal de
ensino de Tubarão será reduzido. As férias segundo
o secretário de Educação, Cláudio Damaceno Paz,
iniciam na quarta semana do mês de julho, período que vai do
dia 20 a 24. As aulas reiniciam no dia 27. De acordo com Paz, o mês
de julho é tradicional no sistema de ensino brasileiro um período
de recesso escolar, "e para que não atrapalhe o ano, o jeito
para adequar as mudanças foi colocar as férias em uma semana
apenas", declarou.
Para ele, o primeiro semestre letivo de 98 foi um período que
apresentou intensas atividades. Foram realizadas uma série de melhorias
na estrutura física das escolas do município, o que proporcionou
maior qualidade de ensino. "As crianças e adolescentes que estudam
em locais amplos e esteticamente corretos, têm uma aprendizagem mais
rápida e eficiente", afirmou.
O número de alunos cresceu bastante, em 1997 era 6.538 e foi
elevado este ano para 7.154 estudantes. "Este é um saldo bastante
positivo, e é um sinal de que o ensino em Tubarão tem qualidade
e garantia no ensino". |
Vestibular inicia com poucas abstenções
Apenas 4,79% dos inscritos
faltaram as provas da Acafe em SC
Ana Maria Tonial
Florianópolis/Criciúma - Murilo Barreto, 18 anos, não
faz parte dos 4,79% candidatos do Estado que se abstiveram do primeiro dia
do vestibular unificado da Associação Catarinense de Fundações
Educacionais (Acafe). Mesmo com o pé esquerdo engessado, depois de
quebrá-lo em jogo de futebol há duas semanas, ele andou uma
quadra até chegar ontem ao concurso. Quer garantir a vaga no curso
de Administração.
Na Capital, faltaram 96 dos dos 1.333 inscritos, um índice de
7,2%. Em todo o Estado, são oferecidas 3.150 vagas para 7.033 concorrentes
distribuídos em 28 cursos. A redução de 150 para 70
questões nas provas de Língua Portuguesa, Literatura e Língua
Estrangeira Moderna animou os candidatos que hoje realizam as de História,
Geografia, Física, Matemática, Química e Biologia.
Cada curso terá questões específicas da área
escolhida. São 30 para duas matérias básicas para a
profissão escolhida e 20 para as afins, com base no que a pessoa
irá usar e que já usa realmente no dia-a-dia. "Acabou
a decoreba", avalia a coordenadora técnica do concurso, Lucinara
Marin. As mudanças não devem ficar só nisto. Há
planos de se realizar provas com estudantes do ensino médio a partir
de 1999. Os que tivessem maior média garantiriam vaga no vestibular
de 2001. A avaliação seria anual.
A polêmica declaração recente do presidente Fernando
Henrique Cardoso de que aposentados com menos de 50 anos são vagabundos,
serviu de tema para a redação. Na tentativa de conseguir uma
vaga em Ciências da Computação, Edimari Boeing Félix,
17 anos, moradora de Coqueiros, defende a aposentadoria por tempo de serviço.
"Se fosse o contrário, por idade, com certeza a prejudicada
seria a população carente, pois a maioria começa a
trabalhar com 14 anos".
Portador da síndrome de Hanhardt - onde a pessoa nasce sem mãos
-, Anselmo Alves, 20 anos, realizou as provas em sala especial. "Primeiro
rascunhei a redação para após passar a limpo",
contou. Às 10 horas já estava pronto, a espera do irmão
Alex Sandro, 25 anos, que se candidatava para Publicidade, habilitação
em Marketing.
Em Criciúma, apenas 26 dos 963 inscritos no vestibular da Acafe,
faltaram no primeiro dia de provas, representando uma abstenção
de 2,70%. O campus da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense) está
oferecendo 340 vagas, onde Administração foi o curso mais
procurado, com um índice de 2,86 candidatos por vaga.
Do total de inscritos, 597 candidatos optaram pela escolha dos oito
cursos oferecidos pela Unesc, no campus de Criciúma e Araranguá.
As provas em Criciúma transcorreram normalmente, mas o candidato
Rudimar Bonotto, que está prestando exame para Ciências Contábeis,
precisou ficar numa sala em separado, por estar com catapora. Somente um
candidato não conseguiu fazer as provas, por ter chegado atrasado.
Vidal Santos , de Criciúma, que está fazendo pela primeira
vez vestibular para Geografia, disse que todas as questões estavam
bem acessíveis e ressaltou que o novo sistema de provas direcionadas
ao curso escolhido deixa os candidatos mais tranquilos.
Quantidade de faltosos foi maior em Blumenau
e chegou a 10,2%
Blumenau e Joinville - Ao quantidade de abstenções no
primeiro dia de prova para ingresso nas universidades da Associação
Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) foi considerada
elevada pela coordenação de Blumenau. Dos 98 inscritos, dez
faltaram ontem pela manhã, um percentual de 10,2%.
"Estas ausências no primeiro dia de provas deve ser em decorrência
das comemorações pela vitória do Brasil", diz
a coordenadora do vestibular da Acafe em Blumenau, Euzi de Lima Tomio. Apesar
dos dez faltosos , não houve qualquer outro tipo de incidente no
primeiro dia de disputa por uma vaga em um curso superior.
O local para as provas do vestibular da Acafe, no entanto, sofreu alteração
em relação aos semestres anteriores. Deixou de ser na escola
técnica Hermann Hering para se realizar no Colégio Dr. Blumenau
Em Joinville o primeiro dia do vestibular da Acafe transcorreu normalmente
e o índice de abstenção foi considerado baixo pela
comissão organizadora. "Dos 569 inscritos apenas 34 faltaram,
uma média de 5,98%", informou o coordenador do vestibular, Gerson
Provesi.
A maioria dos candidatos chegou cedo e às 7h30 os corredores
da Universidade da Região de Joinville (Univille) já estavam
lotados pelos alunos.
Apesar da garoa fina, o trânsito não ficou congestionado
próximo à Universidade. Poucos minutos antes do início
do vestibular alguns alunos ainda procuravam no quadro de identificação
o número da sala em que deveriam prestar as provas mas, como explica
o professor Provesi, a cena sempre se repete.
Ontem foi dia de língua portuguesa e literatura, língua
estrangeira moderna e redação. Hoje os candidatos respondem
às provas de conhecimentos específicos, que incluem matemática,
química, física, biologia e história. A divugação
do resultado das provas está previsto para 17 de julho.
Tranquilidade foi a marca no interior do Estado
Tubarão/Jaraguá do Sul/Tubarão O primeiro
dia de provas do vestibular de inverno da Acafe foi tranquilo no interior
do Estado. Na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), de Tubarão,
nenhum candidato realizou as provas fora da instituição e
o número de abstenções foi de 3,4%. Dos 939 candidatos
inscritos, 34 faltaram e cinco chegaram atrasados. "Como nos demais
vestibulares realizados aqui na Unisul, este está transcorrendo normalmente
e sem nenhum incidente", afirmou o coordenador do vestibular, Wilson
Tenfem.
Em Chapecó, a coordenação do vestibular também
classificou o primeiro dia de exame como tranqüilo. Dos 1426 candidatos
inscritos, apenas 41 não compareceram, o que corresponde a um índice
de abstenção de apenas 2,87%. Um dos mais baixos dos últimos
anos, segundo a coordenadora do vestibular em Chapecó, Nadir Faccio.
Duas candidatas prestaram o exame isoladamente, em Chapecó.
Com varicela, Danile Mazera, que tentava uma vaga no curso de Psicologia,
fez as provas em separado para não contaminar o restante dos candidatos.
Já Cristiane Aparecida Perdôno, candidata ao curso de Serviço
Social, desmaiou logo que as provas começaram e só pôde
prosseguir longe do restante dos inscritos.
Em Jaraguá do Sul, na Ferj, o percentual de faltosos foi 2,54%.
O número foi considerado baixo pela coordenadora do vestibular, Mariza
Pradi Floriani Garcia, que avaliou o primeiro dia das provas como o mais
tranqüilo dos últimos cinco anos. Estavam inscritos 433 candidatos
para as 3.150 vagas oferecidas pela Acafe em todo Estado e para as190 vagas
para os cursos de Tecnologia em Mecânica, Administração
matutino e noturno e Ciências Contábeis, que a fundação
oferece em Jaraguá do Sul.
A nova sistemática apresentada no vestibular da Acafe não
assustou os estudantes em Jaraguá do Sul. O vestibulando Luis Clei
Rosa, que tenta uma vaga no curso de Direito da Unisul, aprovou as mudanças,
considerando que houve menos pressão para realização
das provas.
Doenças respiratórias lotam hospitais
Hospital de Criciúma
atende 100 crianças por dia com gripe pneumonia e bronquite
Criciúma - As doenças respiratórias estão
deixando médicos e enfermeiros da região Sul preocupados.
Comuns durante o inverno, doenças como a gripe, pneumonia e bronquite,
chegaram mais cedo este ano, lotando as emergências e os leitos dos
hospitais. O Pronto-atendimento Infantil, no hospital Santa Catarina, em
Criciúma, registrou um aumento de 40% no número de casos nas
duas últimas semanas. Os dois médicos chegam a atender até
100 crianças por dia, medicando os casos mais simples e encaminhando
os mais graves para outros hospitais.
Apesar do organismo infantil ser o mais afetado, já foram registradas
duas mortes de adultos no hospital Dom Joaquim, de Sombrio. Conforme a irmã
Maria Madalena Paz, enfermeira do hospital, os dois pacientes já
chegaram com quadro de bronquite avançado, e apesar da medicação,
não resistiram. Além de Sombrio, o Dom Joaquim atende também
moradores dos municípios de Santa Rosa do Sul, Balneário Gaivota
e São João do Sul. "Cerca de 80% das internações
que temos hoje são decorrentes de problemas respiratórios",
ressaltou Madalena.
No município de Içara, os médicos do hospital São
Donato, estão atendendo mais de 100 pessoas por dia. "Esse ano
a incidência foi pior, pois o frio chegou mais cedo e com mais força,
surpreendendo a maioria das pessoas", afirmou a enfermeira-chefe, Mira
Dagostin.
A pediatra do hospital São Lucas, de Siderópolis, Mayra
Sônego, alerta para alguns cuidados que podem evitar a contaminação
por vírus que provocam as doenças respiratórias. As
mães devem se preocupar com a alimentação, procurando
balancear os alimentos, e continuar amamentando, no caso de crianças
menores. "É importante também não agasalhar em
excesso, pois isso dificulta a transpiração, deixando a criança
mais vulnerável. Os pais também devem se preocupar em manter
os ambientes ventilados", observou a médica. Segundo Mayra,
com esses pequenos cuidados é possível diminuir os casos,
mas ela também alerta para os pais procurarem atendimento médico
se notarem algo de anormal com os filhos.
Médicos discutem método de tratamento
do câncer
São Miguel do Oeste O método revolucionário
da cura de câncer descoberto pelo professor italiano de fisiologia
humana e química biológica, Luigi Di Bella, chega pela primeira
vez ao Sul do Brasil, em de São Miguel do Oeste. No dia 8, dois médicos
da Itália, integrantes da equipe de Luigi Di Bella, estarão
no município para um encontro com médicos catarinenses e para
atendimento à população. Domênico Scilipot e
Giovani Dângelo ficarão dois dias em São Miguel do Oeste.
O encontro será realizado no Clube Jardim.
Luigi Di Bella é conhecido internacionalmente e vem provocando
controvérsias na comunidade científica mundial ao anunciar
a cura de 20 mil pacientes cancerosos nos 25 anos em que vem aplicando seu
método, que descarta o uso de quimioterapia e medicamentos químicos.
O Método Di Bella, como ficou conhecido, ataca o câncer através
do estímulo à produção de melatonina pelo organismo.
Aplicado primeiramente no controle de casos de leucemia (câncer no
sangue), a partir de 1977 Di Bella começou a tratar também
os chamados tumores sólidos, com uma técnica que foi aperfeiçoada
nos anos seguintes.
Apesar de criticado por uma parcela da comunidade médica mundial,
Luigi Di Bella angariou espaços em toda a imprensa especializada.
A vinda dos dois médicos a São Miguel do Oeste foi conseguida
pela Federação Oeste Catarinense das Associações
Italianas (Focai). O presidente da entidade, empresário Darci Zanotelli,
destaca que a visita vai ser única no Estado por enquanto. Ele informa
que até o final do ano o município poderá receber a
visita do próprio Luigi Di Bella.
A palestra dos dois médicos no dia 8 será reservada exclusivamente
para médicos e profissionais ligados à Saúde. Já
no dia 9, Domênico e Giovani estarão atendendo à população.
De acordo com Zanotelli, haverá a possibilidade de pelo menos 30
pessoas manterem um contato pessoal com os dois médicos.
O médico Chateaubrian Neme, de 73 anos, residente no município
de São José do Cedro, no Extremo-oeste, é um dos pacientes
que estão atualmente em tratamento com o método do professor
italiano. Chateaubrian não conseguiu a cura por métodos tradicionais.
Ele está se submetendo ao tratamento alternativo há dois meses
e vem apresentando um quadro animador.
RECEPÇÃO
Cônsul visita Canoinhas
Canoinhas O cônsul-geral da Itália que atua nos Estados
de Santa Catarina e Paraná, Gianni Piccato, visitou o município
ontem. O motivo da visita é estabelecer um primeiro contato com as
cidades do Planalto Norte, para futuramente se firmar um intercâmbio
cultural e econômico com essas cidades. Além do encontro com
autoridades locais, Piccato também participou da reunião de
Conselho de Italianos no Exterior (Comitês/SC/PR) oficial do Ministério
das Relações Exteriores da Itália no Brasil, que pela
primeira vez reuniu seus integrantes fora da cidade sede: Curitiba.
Segundo o presidente do Comitês, Walter Petruzziello, a função
do órgão é integrar ainda mais os ítalos-brasileiros
e valorizar as regiões que têm influência de descendentes
de italianos. Na reunião realizada ontem em Canoinhas, participou
o cônsul italiano e os integrantes do Comitês que discutiram
o orçamento do conselho para o próximo ano.
Piccato também participou de um encontro com autoridades locais,
que expuseram as potencialidades da região e a intenção
no estreitamento de relações entre Brasil e Itália.
O prefeito de Canoinhas, Orlando Krautler (PFL) afirma que o objetivo da
visita do cônsul ao município é de estabelecer um primeiro
contato para que conheça a economia da cidade, que no futuro pode
vir a receber investimentos italianos nas áreas de cultura, tecnologia,
comércio e agricultura.
"O consulado quer difundir a cultura italiana e estabelecer além
de intercâmbio cultural, também relações econômicas
com os municípios de Santa Catarina que têm muitos descendentes
de italianos", afirmou o cônsul.
|