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Trabalho
Qualidade de vida compensa salário inferior ao de SP, diz Korbes

Foto: Jerônimo do Carmo

Salários permanecem
contidos em Joinville

Consultoria de RH aponta que reajustes não seguem inflação

Claudio Loetz

Joinville - Os salários de grande parte dos trabalhadores joinvilenses permaneceram contidos entre abril de 1997 e abril deste ano. Os reajustes conseguidos raramente acompanharam a variação inflacionária nestes 12 meses, revela a sexta pesquisa salarial anual realizada pela Koppa Labor Consultoria em Recursos Humanos. A pesquisa abrangeu 38 empresas de portes variados e avaliou 420 cargos operacionais, administrativos e de comando.

A inflação, medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) foi de 5,03% no período. Poucas foram as categorias de trabalhadores que obtiveram reajuste superior a esse percentual na negociação coletiva, este ano. Não surpreende. O desemprego recorde, a incerteza sobre o comportamento do mercado de trabalho em tempos de globalização e enxugamento de custos e quadros, somados à informalidade crescente da atividade econômica ajudam a explicar o fato.

Pela primeira vez, o consultor Patrício Korbes dividiu as firmas conforme o seu tamanho em grandes, médias e pequenas. "Assim, é mais fácil compreender a realidade setorial e a percepção por grandeza é simplificada". Para incluir o cargo na lista, o consultor obteve resposta afirmativa de pelo menos três empresas.

Na classificação elaborada pelo consultor, as grandes empresas (nove), são as que tem faturamento anual superior a R$ 80 milhões. São consideradas médias (21), aquelas com vendas anuais entre R$ 10 milhões e R$ 80 milhões. As pequenas (oito), faturaram até R$ 10 milhões em 1997. Subdividindo-as, conclui-se que cinco faturam mais de R$ 150 milhões/ano; três entre R$ 80 milhões e R$ 150 milhões; oito entre R$ 40 milhões e R$ 80 milhões; sete de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões por ano; oito até R$ 10 milhões, cinco com vendas de até R$ R$ 5 milhões e duas com faturamento inferior a R$ 1 milhão.

Embora a nova metodologia dificulte a comparação de salários em relação aos valores encontrados no levantamento feito em 1997, quando inexistia a separação. No entanto, torna mais prático acompanhar a trajetória da política de recursos humanos das empresas, no confronto com as demais de tamanho semelhante.

São Paulo

Segundo o consultor, os salários pagos em Joinville são, em média, 15% a 25% inferiores aos pagos em São Paulo, dependendo da função. Este fato, aparentemente negativo, é atenuado pela qualidade de vida menos neurótica desfrutada pela população joinvilense em comparação à dos paulistanos.

Os valores pagos aos profissionais de determinadas atividades são maiores em empresas pequenas do que nas grandes. O fenômeno ocorre, por exemplo, com os mecânicos de manutenção 1. Para Korbes, o motivo é simples: as pequenas empresas têm poucos trabalhadores contratados para a função, valorizando-os por serem quase imprescindíveis. O mesmo acontece com o soldador 3, diagnostica o consultor. E as grandes, no caso dos mecânicos de manutenção 1, preferem contratar aprendizes, rebaixando os salários da categoria no início da carreira.

Promoções liberam vagas
no setor de informática

Os salários dos analistas de microinformática baixaram, na média, de 1997 para 98. Isso é efeito de duas situações simultâneas: demissões, por um lado; e promoções, de outro. Quer dizer: aqueles profissionais que perdiam emprego aumentavam a disponibilidade de oferta de mão-de-obra. Enquanto isso, à medida em que os analistas conseguiam promoção, liberavam vagas para absorção dos demitidos.

A função de analista de orçamentos e analista de crédito têm cada vez mais importância nas médias e grandes empresas, constata Korbes. Até o Plano Real, "eram cargos pouco valorizados porque as empresas, no geral, não tinham preocupação com o fator crédito". Ganhavam dinheiro com a aplicação financeira no overnight, ao tempo da inflação alta. O Real exigiu que as firmas se adaptassem à nova circunstância, na qual vale mais boa carteira de clientes confiáveis e ter profissionais aptos a fazer contas realistas de orçamentos.

As empresas avaliadas pertencem a 14 categorias diferentes, com predomínio para as do setor mecânico, seguidas das do ramo plástico e metalúrgico e de informática e têxteis. Outros segmentos industriais, prestadoras de serviços e estabelecimentos comerciais completam a relação.

Até o término da tabulação dos dados, metade das categorias profissionais não tinha fechado acordo coletivo de trabalho. As do comércio, construção civil, malharias, mecânicos, metalúrgicos, do vestuário e rodoviários continuavam, as negociações.

Reajuste

Os trabalhadores na indústria plástica tiveram reajuste de 2,5% sobre salários de março de 1998, além de abono de 25% do salário nominal, com limite a R$ 1.300,00 a ser pago em duas parcelas de 12,5% cada - em agosto e outubro. Os funcionários de firmas do ramo de processamento de dados (informática) conseguiram 70% do salário nominal a título de participação nos resultados. Os empregados de estabelecimentos hospitalares (saúde), mantiveram as posições de um ano atrás.

O Sinditherme (abrange a Embraco, Multibrás e Kavo do Brasil), obteve reajuste de 4% sobre os salários de março deste ano. Os químicos ficaram com abono de 30%, limitado a R$ 180,00, divididos em quatro parcelas: maio, junho, agosto e setembro.

Para os funcionários de empresas têxteis, o sindicato obteve abono de 30% limitado ao salário de R$ 600,00 pago em três vezes, nos meses de abril, junho e agosto. Os professores da rede particular tiveram aumento de 5,52% sobre o salário de fevereiro. (CL)

Qualificação preocupa empresas

Uma das maiores preocupações das empresas é melhorar a qualificação dos trabalhadores para manterem seu "capital humano" atualizado e em condições de produzir mais. Por isso, metade das 38 empresas pesquisadas oferecem bolsa-auxílio aos funcionários interessados em cursar segundo grau. Três pagam integralmente os estudos; 14 pagam metade e duas bancam 30% dos custos. Dezesseis firmas pagam os estudos de primeiro grau.

Aulas em faculdades são pagas por 18 firmas, parcial ou totalmente. Três delas pagam de 10% a 49%; 12 firmas contribuem com 50% e outras três pagam 100% os estudos de terceiro grau. Só uma ajuda a custear (50%) curso de pós-graduação.

Das 38 empresas, 18 afirmam oferecer participação nos lucros ou resultados; o mesmo número de empresas concedem assistência odontológica parcial ou integral a empregados e/ou dependentes. Atendimento médico é benefício mais universal: 31 das 38 empresas pagam parte ou totalmente os gastos com convênios médico e hospitalar A alimentação é benefício dado por 33 empresas; 26 delas em restaurante, cozinha industrial ou refeitório.

Todas as 38 empresas asseguram vale-transporte a seus empregados. No entanto, a pesquisa apurou que sete empresas o fazem em valor inferior ao que determina a lei. Vinte e sete cumprem estritamente a legislação e quatro concedem o benefício gratuitamente aos funcionários. (CL)


Concorrência
Bretzke concorre no mercado de achocolatados com multinacionais
Foto: Amarildo Forte

Bretzke na
guerra dos achocolatados

Empresa quer ser a segunda em mercado de US$ 350 milhões

Ney Bueno

Jaraguá do Sul - A Bretzke Alimentos, terceira maior marca fabricante de achocolatados do Brasil, está investindo na modernização de suas instalações, marketing e distribuidores exclusivos para alavancar a venda de seus produtos. A estratégia definida desde o início do ano estabelece o fortalecimento do achocolatado em pó Muky, terceira marca mais comercializada no país, com 9,7% do setor, e o lançamento de novos produtos, com o destaque para a linha de confeitos e misturas para bolo "Faça a Festa".

Segundo o diretor-comercial da empresa, Guido Jackson Bretzke, a meta da Bretzke é de se tornar a segunda marca de achocolatados mais comercializada no Brasil. Atualmente a Nestlé ocupa a liderança, com 56% do mercado nacional, com o produto Nescau e o Toddy da Quaker é o segundo, em um mercado que faturou US$ 350 milhões em 1997. A Bretzke exporta seus produtos para Paraguai, Argentina, Uruguai, Japão, Rússia, Eslovênia e Eslováquia. A exportação representa 5% do faturamento anual da empresa. A perspectiva para este ano, segundo o diretor, é duplicar este número ainda este ano.

Para alavancar as vendas, a empresa está ampliando o número de representantes, fechando julho, com 120 representantes e vendedores no Brasil e colocando cem novos distribuidores, que terão cada um deles dez homens vendendo produtos da Bretzke. "Atualmente, os nossos representantes e vendedores e distribuidores atendem melhor às regiões Sul e Sudeste, enquanto que as Norte e Nordeste estão defasadas", observa o diretor comercial. Para reverter este quadro, a Bretzke inaugurou em junho, uma central de distribuição dos seus produtos, em Recife. "Antes demorava dez dias para atender o mercado nordestino e norte, agora com a Central em menos de 48 horas, estaremos entregando nossos produtos", destaca.

Marketing

Outro investimento que está sendo realizado pela empresa é o aumento em marketing, que será elevada em 50%. Atualmente representa 4% do faturamento, cujo valor é de aproximadamente US$ 50 milhões. Dentro dessa estratégia, todas as embalagens dos produtos da Bretzke receberam uma nova embalagem, destacando novamente o Muky que recebeu uma embalagem exclusiva registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi,) ficando mais limpa sua visualização.

Criado há 16 anos, o Muky representa 30% do faturamento anual da fabricante e é comercializado em potes de 200, 500, 1.000 e 2.000 gramas e em refil (pacotes) de 400 e 1.000 gramas. O Muky representa 55% das vendas externas da empresa. A empresa jaraguaense tem um mix de 65 produtos e 360 itens. A Bretzke fabricou, no ano passado, 14 mil toneladas de pó entre todos os produtos. A produção prevista para este ano é de 20 mil toneladas.

Firma entra no segmento
de misturas para bolo

A Bretzke também iniciou a distribuição de novos produtos nos supermercados brasileiros e nos demais países do Mercosul, que representam investimento em desenvolvimento da ordem de R$ 300 mil, conforme o gerente comercial. A principal novidade é a linha "Faça a Festa", uma linha de confeitos e misturas para bolo, segmento que não era explorado pela empresa. O diretor comercial explica que este mercado, segundo estudos, cresce de 40 a 50% por ano, desde o lançamento do Plano Real.

As misturas estão sendo comercializadas em embalagens de 450 gramas, nos sabores laranja, coco, festa e chocolate. Há também uma embalagem de 490 gramas no sabor brigadeiro. As novas embalagens dos produtos da Bretzke são comercializadas nas línguas brasileira e espanhola.

Completando os novos lançamentos estão as versões "Light" e "100% Natural" do Boom, complemento alimentar à base de proteína isolada de soja, com baixa caloria. Os produtos foram desenvolvidos em parceria com a norte-americana Protein Technologies International.

Modernização fabril

Contando atualmente com 350 funcionários, a Bretzke Alimentos também está investindo na modernização de seus equipamentos e maquinários, objetivando o aumento da produção de seus produtos. "Há vários projetos nessa área", salienta o diretor comercial, sem detalhar os planos. No mês passado, a empresa fechou contrato com a líder mundial no fornecimento de soluções para gestão empresarial, a empresa alemã SAP, para modernizar o seu sistema de gestão de negócios por meio da implantação do sistema R/3.

O projeto completo, somando-se a aquisição da licença de uso do R/3 e do treinamento da SAP, ficou em torno de R$ 800 mil, lembra o diretor comercial, Guido Bretzke. O projeto vai ser implantado gradualmente, com previsão de conclusão dentro de oito meses. (NB)

Mercado inicial foi Jaraguá

Em 4 de maio de 1964, o casal, Eriberto e Lydia Bretzke, resolveu investir no futuro, iniciando uma empresa. Eles compraram utensílios para a fabricação caseira de açucar de baunilha. Antes de se lançarem no novo empreendimento foi feito uma pesquisa de mercado para saber qual seria a aceitação do novo produto na região. As perspectivas eram positivas, e assim deu-se início da Bretkze Alimentos.

Ainda no primeiro ano de atividade da empresa, devido as vendas, foi necessário a contratação do primeiro funcionário para ajudar na fabricação do açucar de baunilha. Daí para frente, a empresa cresceu cada vez mais. Em 1966, foi comprado o primeiro veículo motorizado para atender às necessidades de transporte da empresa. Em 1971, já com sete funcionários, a empresa produzia diversos produtos: açucar de baunilha, canela em pó e em rama, chocolate em pó, pudim, gelatina e flores de açucar, tudo produzido manualmente.

Atualmente o grupo Bretzke é constituído por três empresas: a Bretzke Alimentos produzindo produtos alimentícios como sobremesas, achocolatados em pó, condimentos e especiarias; a Bretzke Embalagens, produzindo caixas de papelão ondulado; e a São Bento Embalagens, que também atua no ramo de embalagens de papelão ondulado.


Opinião

Demissão voluntária
e o Imposto de Renda

Guillermo Grau

Os chamados Programas de Demissão Voluntária (PDV) vêm se constituindo em uma das melhores fórmulas encontradas pelas empresas para adequarem-se às novas exigências de competitividade do mercado e reduzir o número de funcionários de forma menos traumática. Esses programas têm como suporte e incentivo as indenizações por tempo de serviço, mecanismo que busca ressarcir o funcionário na proporção de sua renúncia ao emprego.

À medida que os programas foram sendo implantados, a Receita Federal passou a exigir o recolhimento do Imposto de Renda sob o entendimento de que as parcelas pagas a título de indenização integram os rendimentos tributáveis do contribuinte.

O posicionamento do Fisco, entretanto, não encontra qualquer suporte legal, contrariando o Código Tributário Nacional e a própria Constituição Federal, já que o fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Logo, somente poderá ser exigido Imposto de Renda se existir acréscimo patrimonial.

Ocorre, porém, que a indenização decorrente de um PDV não configura aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, pois não é produto do trabalho, nem se constitui em acréscimo patrimonial. Também, por este motivo, não pode ser tido como um provento de qualquer natureza, mas sim uma compensação pelo que o empregado está perdendo ao abrir mão do seu emprego.

A jurisprudência tem firme posição contrária a exigência dessa imposição fiscal, existindo manifestações até mesmo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça no sentido de que "a vantagem oferecida pela empregadora à demissão voluntária é indenização e não está sujeita a incidência do Imposto de Renda por não ser renda nem proventos".

Desta forma, os empregados que eventualmente estejam optando por aderir aos Programas de Demissão Voluntária poderão garantir, junto ao Poder Judiciário, a não-incidência do Imposto de Renda das parcelas relativas a indenização recebida.

  • Guillermo Grau é diretor da Pactum Consultoria Empresarial

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Poluição

Dejetos suínos têm sistema de manejo

Embrapa e Epagri criam mecanismo para reduzir poluição de mananciais e garantir exportações

Jean Carlos Souza

Concórdia - Ao mesmo tempo que procura melhorar o produto que coloca no mercado, a suinocultura também vem buscando poluir menos o meio ambiente nos últimos anos. Na semana passada foi apresentado em Concórdia um sistema de manejo e aproveitamento dos dejetos suínos que poderá proteger principalmente a água. Desenvolvido em conjunto pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Escola Agrotécnica Federal, Embrapa Suínos e Aves e pela prefeitura local, o sistema já está sendo aplicado numa propriedade em Santo Antônio, comunidade do interior de Concórdia.

Todos os segmentos da suinocultura reconhecem que a falta de controle dos dejetos suínos é um dos principais limitadores da atividade hoje em dia. Os dejetos são altamente poluentes e pioram a qualidade de vida do produtor, afetando também as pessoas que residem nas cidades próximas às áreas de maior concentração dos rebanhos.

Outra preocupação é quanto às exportações. Provavelmente os países da Europa, mercado cobiçado pela carne suína catarinense, vão exigir uma "produção limpa" no momento de abrirem suas portas para os produtos brasileiros. E hoje em dia, produtores e agroindústrias admitem que não se enquadram, na média, nas exigências de preservação do meio ambiente impostas pelos europeus.

O sistema de manejo e aproveitamento dos dejetos suínos é baseado no uso de lagoas. O dejeto que sai dos chiqueirões é separado da água num primeiro momento. O dejeto sólido fica depositado numa caixa para fermentar. Depois pode ser usado como um adubo de ótima qualidade nas lavouras da propriedade. Já a água é encaminhada para várias lagoas, que fazem a retirada da carga orgânica, mineral e dos coliformes fecais.

Ganhos

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, o sistema lançado na semana passada em Concórdia é mais indicado para propriedades de pequeno e médio porte. Grandes criadores necessitariam de lagoas bem maiores, fato que geraria uma certa dificuldade. A principal vantagem do novo sistema é promover, além do aproveitamento do dejeto na lavoura, a limpeza da água, preservando os rios.

Apesar de exigir um certo investimento, o novo sistema torna mais barato o tratamento do dejeto. Pelos cálculos dos especialistas, o sistema reduz em cerca de 85% a necessidade de armazenamento, distribuição e transporte. Outro ganho é o aumento em 30% do valor fertilizante do adubo que é utilizado na lavoura.

Uso contínuo de remédios pode prejudicar a ovinocultura catarinense

Loreno Siega

Lages - Pesquisa desenvolvida pela Epagri de Lages, sob a coordenação do veterinário César Itaqui Ramos, apontou que o uso prolongado de remédios contra vermes com o mesmo princípio ativo, em ovinos, resulta em prejuízos aos produtores pela pouca eficácia do produto. Em outras palavras: o produtor pode estar adquirindo o vermífugo mais usado, de propaganda mais cara e de eficiência comprovada num primeiro momento. "No entanto, com o passar do tempo, os vermes remanescentes, resistentes a esse princípio ativo, vão se multiplicando no animal. E o remédio passa a fazer pouco ou quase nenhum efeito", assegurou o pesquisador.

A pesquisa teve início em novembro de 1997. Até o momento já foi desenvolvida em rebanhos ovinos de 30 propriedades, em 12 municípios catarinenses. O principal objetivo é avaliar a eficácia dos principais anti-helmínticos (remédios contra verminoses) de uso oral, em ovinos. "Queremos com isso buscar alternativas mais corretas de controle da verminose dos ovinos, auxiliando os produtores na escolha dos produtos a serem usados nos rebanhos, que tenham boa eficácia depois de sua aplicação", destacou o veterinário.

Os resultados encontrados pela pesquisa demonstram que os diversos anti-helmínticos com o princípio ativo ivermectin, mais usado pelos produtores ao longo dos anos, apresentam resistência em 73% dos casos. Isto equivale dizer que esses remédios estão funcionando muito pouco, não matando os vermes que já criaram grande resistência contra o produto. O mesmo vale para os vermífugos à base de closantel, com 60% de resistência, e albendazol, com 57% de resistência. Já os derivados do levamisol, um outro princípio ativo, apresentam 77% de eficácia contra as verminoses.

"A pesquisa não vai dizer qual é o melhor ou o pior produto. O resultado pode ser bem diferente de uma propriedade para outra. Apenas vamos indicar menor ou maior grau de resistência dos vermes a esses princípios ativos", deixou claro o técnico. "O mais indicado aos produtores é alternar o uso de remédios com princípios ativos diferentes, além de aplicar as doses corretas, seguindo o calendário certo de aplicação em cada caso", explicou Ramos.


Maricultor beneficiará moluscos

Bombinhas tem primeira unidade de beneficiamento no País

Rogério Christofoletti

Bombinhas - Foi inaugurada na terça-feira em Bombinhas a primeira unidade de beneficiamento de moluscos do país, destinada à embalagem e expedição de ostras e mariscos. A estação vai reunir a produção das comunidades maricultoras locais, o assessoramento técnico da Epagri e a prefeitura de Bombinhas num projeto de geração de empregos e desenvolvimento regional.

De acordo com o presidente da Associação dos Maricultores do Canto Grande (Amac), Miguel Manoel da Silva Filho, a nova unidade vai incrementar a produção e comercialização de moluscos da região devido à verificação sanitária feita pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). "Vamos poder vender até para outros países. O trabalho de produção já existia na comunidade, mas de forma artesanal", lembra.

Segundo o maricultor, na nova unidade, mariscos e ostras serão lavados, cozidos, descascados e embalados em vidros e latas para a venda. Os serviços devem ser feitos em regime de cooperativa com outra entidade, a Associação dos Maricultores de Bombinhas (Amab).

O presidente, Luiz Alberto Bavaresco, afirma que a nova unidade de beneficiamento é a única forma de implantação de um desenvolvimento das comunidades que vivem exclusivamente do cultivo dos moluscos. "O grande problema ainda é a venda do produto. Temos recebido pedidos de outras capitais e demais regiões do Brasil, mas não podemos atendê-los. Com o SIF, vamos poder escoar a produção e aumentá-la em até 200%", avalia. Atualmente, os maricultores de Bombinhas são responsáveis por cerca de 2200 toneladas da safra do Estado, que no ano passado foi registrada em 7,5 toneladas. Atualmente, Santa Catarina é o maior produtor nacional de mariscos.

O secretário interino da Agricultura, Francisco Rzatzki, reforça a possibilidade breve de comercialização internacional dos produtos gerados pela unidade de beneficiamento de moluscos e projeta que até a virada do século, a produção catarinense atinja 20 mil toneladas anuais.

A unidade tem 300 metros quadrados de área construída, dispondo de salão de processamento de mariscos e salas de cozimento e embalagem, o que vai possibilitar uma produção diária de cinco toneladas de mexilhões na concha e 1,5 tonelada de ostras na concha. Estima-se que a beneficiadora consiga envolver as mais de 120 famílias de maricultores locais, gerando oportunidades de empregos indiretos para mais 700 trabalhadores.


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