EDITORIAL
A força do futebol
Venda de milhares de aparelhos de tevê, interrupção
das atividades das mais diferentes áreas de trabalho, de serviços
em geral, até mesmo de alguns considerados essenciais, passeatas
nas ruas e comemorações as mais inusitadas revelam o poder
do futebol no Brasil e em muitas outras nações. A Copa da
França está comprovando à exaustão que o futebol
não é apenas a paixão do Brasil, mas que efetivamente
é o esporte mais popular do planeta.
O espetáculo do futebol, nos tempos da mídia eletrônica
e da informatização, que facilitam as coberturas jornalísticas
sob todos os meios, da tevê ao jornal, ganha novo impulso, adquirindo
contornos de verdadeira obsessão coletiva.
Já não se restringem ao jogo e ao desempenho dos atletas
o espetáculo do futebol. Adquire feições de esporte
capaz de mobilizar as atenções da opinião pública
de forma quase permanente, 24 horas do dia. Nada melhor do que a Copa da
França para demonstrar o que é e como funciona a tal da globalização,
que materializou a profecia do teórico da comunicação
Marshall Mcluhan, que na década de l960 disse que o mundo seria uma
"aldeia global".
Tendo o "meio como mensagem", o teórico canadense antecipou
em três décadas o que ocorre de forma monumental nestes dias
de Copa do Mundo. A mobilização é geral, tanto que
a população do planeta, estimada em pouco mais de 6 bilhões
de pessoas, terá assistido, de forma multiplicada por seis, aos jogos
deste Mundial. Não há dúvida que os astros que se destacarem
na França serão candidatos a ícones dessa nova fronteira
das finanças: a indústria do esporte, da publicidade e do
consumo.
A força do futebol se revela em toda a sua pujança. Não
apenas nas cifras milionárias que envolve os seus principais protagonistas,
mas também no poder de mobilização da opinião
pública. Mesmo em tempos de globalização e derrubada
de fronteiras, nunca se viu tantas demonstrações entusiásticas
de nacionalismo e de patriotismo.
O espetáculo da Copa promete, sem dúvida, novas surpresas
ao longo das próximas semanas, à medida em que cresce o paroxismo
das torcidas e vão se definindo os candidatos à disputa do
título, na final do dia 12 de julho, em Saint-Denis.
ARTIGOS
O provão e a competição
entre escolas
Antônio Ermírio de Moraes
Ainda não entendi o porquê de tanta celeuma a respeito do
provão. Afinal, trata-se de um mecanismo para aferir o desempenho
das escolas o que é muito importante e urgente.
O Brasil já ultrapassou a fase da quantidade. A esmagadora maioria
da população em idade escolar está conseguindo entrar
nas escolas. O problema, agora, é elevar a qualidade dessas escolas.
Os dados publicados pela "Folha de S. Paulo" no dia 9 de junho
de 1998 são estarrecedores. Apenas 2% dos alunos da 8ª série
têm competência em matemática. Cerca de 85% dos estudantes
se atrapalham com operações de multiplicação
e divisão!
Esses dados se referem aos estudantes das escolas estaduais de São
Paulo. As autoridades educacionais parecem não ter se alarmado com
o pavoroso resultado. Dizem que a situação foi pior no passado
recente. Argumentam ainda que a repetência e a evasão escolar
caíram e que as crianças estão ficando mais tempo na
escola.
Ocorre que o mercado de trabalho tornou-se extremamente exigente. A indústria,
o comércio, os serviços e até mesmo a agricultura passam
por uma colossal revolução. A importância da força
do físico ficou para trás, fazendo aumentar a cada dia a importância
da força da mente.
O Brasil já faz parte das sociedades do conhecimento. Para conseguir
e progredir no trabalho, já não basta ter um diploma. É
essencial ser capaz. As atividades modernas exigem raciocínio, conhecimento
adequado daquilo que tem de ser feito, boa comunicação (oral
e escrita) e, sobretudo, uma grande capacidade de aprender continuamente.
A aprendizagem contínua só pode ser praticada por quem
é educado e bem educado. Não é suficiente dizer
que a força de trabalho do Brasil tem em média quatro anos
de escola o que é pouquíssimo perto da Coréia,
que tem 10, do Japão, que tem 11, e dos Estados Unidos e da Europa,
que têm 12 anos de escola. O mais importante é saber o que
o aluno aprendeu nesses quatro anos de escola. Se, depois de oito anos,
os nossos jovens revelam não saber multiplicar e dividir, o que dizer
daqueles que têm quatro anos de escola?
Penso que esta não é hora de bloquear os poucos mecanismos
que visam a elevar a qualidade do ensino como o provão. Esse
expediente é um poderoso indutor junto às escolas.
É evidente que nenhuma escola deseja ser mal classificada, pois
isso repercute negativamente na sua reputação. Por isso, o
provão induz a escola a melhorar. Embora isso não seja suficiente,
não há dúvida de que ele funciona como um mecanismo
auxiliar que não pode ser menosprezado numa hora em que a qualidade
é tão necessária.
A educação é igualmente crucial para construir a
cultura, as instituições, o sistema político. Temos
de fazer tudo para evitar a degradação da qualidade da educação.
Afinal, democracia sem educação vira uma comédia.
- Antonio Ermírio de Moraes, empresário/SP
O novo aeroporto
Luiz Henrique da Silveira
Um crescimento espantoso é o que apresenta o transporte aeroviário.
Mais rápida do que as demais modalidades, com aviões mais
seguros econômicos, e tarifas em baixa, a aviação comercial
vem tendo uma preferência crescente, até mesmo em trechos curtos,
seja de passageiros ou de carga.
Apoiados em terra por uma estrutura cada vez mais eficiente (é
o caso do VOR Doppler-DME, recentemente instalado do Aeroporto do Cubatão,
em Joinville, a um custo de US$ 1 milhão), os aviões comerciais
vão dominar o panorama dos transportes de passageiros, neste final
de século.
Em países de dimensões continentais, como os Estados Unidos,
Canadá, China, Índia e Brasil, esse mercado, sem dúvida,
será dominado pelo transporte aéreo.
Quase 10% da população mundial já prefere o avião
em suas viagens internacionais. Este ano, a previsão é de
cerca de 410 milhões de passageiros nessas rotas.
O Brasil, com cerca de 12 milhões de passageiros, já contribui
com quase 3% daquele total. E, se considerarmos as rotas internas, nosso
número de passageiros pula, fantasticamente, para 73 milhões
este ano!
Se considerarmos que cada passageiro transita, em média, uma hora
e meia, nos aeroportos, seja porque tem de se apresentar 60 minutos antes
do embarque, seja pelo tempo que perde aguardando conexões, vemos
que há um considerável mercado para serviços nos terminais
aeroportuários.
O novo terminal de passageiros não pode prescindir de um amplo
terminal de carga, hotel, shopping, bar, restaurante, lanchonete, supermercado,
postos de combustíveis, serviços 24 horas (barbeiros, floristas,
jornaleiros, engraxates, etc.), estacionamento coberto, agências de
viagens, salas de atendimento especial, etc.).
Essa é a realidade mundial, que já está chegando
até nós. Fiel a essa nova filosofia é o projeto do
novo Aeroporto de Congonhas. E de certo modo, parte da operação
de alguns terminais nossos, como Guarulhos e Galeão.
O Aeroporto do Cubatão é mais um dos paranhos que Loyola
e eu queremos tirar de Joinville. Desde que assumimos, estamos em negociação
com a Infraero, para a construção de nova estação
de passageiros, começando com dois ou quatro "fingers",
instalando o ILS ou o DGPS (tão logo este seja homologado) para permitir
pouso e decolagem com qualquer tempo.
O assunto vem sendo discutido no Desenville e conduzido pelos secretários
Edgard Meister e Jordi Castan. Queremos um aeroporto à altura da
importância e do potencial de Joinville e da região Norte.
Por isso, estamos pensando em dotá-lo com os serviços compatíveis
com nossas necessidades.
É mais um grande desafio a que nos estamos lançando durante
os próximos 30 meses.
- Luiz Henrique da Silveira, prefeito de Joinville, pelo PMDB
Representação política
do Meio-oeste
Aristides Cimadon
Nosso ponto de vista é de que uma região como a do Meio-oeste,
se quiser dar a se povo esperanças de desenvolvimento, necessita
de planejamento ou programa emergencial feito por suas lideranças,
em unidade com todos os segmentos, com o objetivo de estimular todos a fazer
um mutirão, estabelecendo metas para recuperar o crescimento econômico
regional. A primeira meta, a meu ver, é fazer com que a região
esteja representada em todos os segmentos da administração,
estadual, federal, além de representação política.
Uma das novas formas que vêm fortalecendo algumas regiões
é a conscientização da população sobre
a importância de ter representação política na
Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados. É
preciso que os olhos se abram e comecemos a perceber que os deputados "pára-quedistas"
não têm compromisso com o desemprego, com a pobreza, com as
alternativas de solução dos problemas de nossas cidades. Somente
quem é cidadão da terra é que luta por nós.
O resto é conversa.
Ficamos chorando, porque nos faltam representantes ou porque o Meio-oeste
está abandonado. Porém, desperdiçamos nosso voto, ou
sequer tomamos consciência de sua importância. Na última
eleição, a região da Associação dos Municípios
do Meio-oeste Catarinense (Ammoc), segundo a Justiça Eleitoral, tinha
contingente de 121.834 eleitores. Desses, 22.792 não compareceram
para votar, sobrando 99.042 eleitores. Mas 46.176 votaram em branco, sobrando
52.966 votos "bons". Os votos brancos poderiam eleger um deputado
federal. Dos votos válidos, 23.473 foram dados a candidatos de outras
regiões, sobrando para postulantes do Meio-oeste 29.493. Pergunta-se:
quem viu retornar, nos últimos quatro anos, os deputados "pára-quedistas"
que receberam votos na região, para nos auxiliar a encontrar saídas
para nossos problemas? O problemas do aeroporto, por exemplo?
Dos votos para deputado federal, 50% foram desperdiçados. Isso
é uma pena! É precisos reverter o quadro e valorizar o voto.
Não podemos mais ficar chorando que somos uma região que faz
parte da rota da pobreza ou não cresce como outras regiões.
A viabilização de soluções para nossos problemas
depende muito dos representantes da região nos órgãos
do governo, na Assembléia Legislativa, na Câmara dos Deputados
e em outros setores.
A crítica a nossos representantes somente pode ser feita quando
começarmos a fazer nossa parte. Uma região pujante se constrói
com a participação de todos e com o exercício da cidadania.
Não é apenas um trabalho braçal. É preciso trabalhar
inteligentemente, criando estratégias, conjeturando planos de ação,
e não desperdiçar o voto, porque ele é um elemento
de progresso.
O cidadão que vota em branco não assume compromisso com
a região, com o futuro de seus filhos. Lava as mãos. Omite-se
de fazer parte do desenvolvimento. Por isso, não tem direito a reclamar
melhorias e solução para os problemas de seus filhos. Pensemos
nisso e comecemos a agir. Uma região sem representantes e sem grandes
lideranças é como um bêbado que perdeu suas chaves à
noite, num longo trecho de rua, mas que insiste em procurá-las apenas
sob um poste, por se o único lugar em que há luz.
Ninguém pode se omitir de participar no desenvolvimento regional.
E essa participação, por mais simples que seja o cidadão,
começa pelo voto.
- Aristides Cimadon, pró-reitor de administração
da Unoesc/Campus de Joaçaba
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APONTAMENTOS
Arte no acampamento
O acampamento de agricultores sem terra da Fazenda Dissenha, em Abelardo
Luz, no Oeste do Estado, foi palco, na noite de sexta-feira, para a apresentação
da peça "Desenterrando o Futuro", protagonizada por artistas
e educadores comunitários do País de Gales e da Universidade
do Estado de Santa Catarina (Udesc). A apresentação foi acompanhada
por jornalistas da BBC de Londres, na Inglaterra, e emocionou os quase três
mil sem-terras que acompanharam a apresentação, feita com
muita dificuldade devido à ausência de energia elétrica
no local. Foi a primeira vez que um evento desta natureza aconteceu num
acampamento de sem-terras no Estado.
Vendas em datas festivas
A Câmara de Dirigentes Lojistas de São Bento do Sul reúne-se
dia 18, às 19 horas, na Sociedade Desportiva Bandeirantes, para traçar
uma estratégia comercial para os próximos feriados deste ano.
Está sendo elaborada uma campanha para incentivar a população
a comprar nas lojas da cidade. A idéia é sortear motocicletas,
jóias e outros prêmios no Dia dos Pais e no Natal, a exemplo
do que ocorreu na campanha de marketing realizada no Dia das Mães.
Ação comunitária no Sul
O município de Nova Veneza, no Sul do Estado, realizou ontem uma
ação comunitária nas dependências do Colégio
Abílio Borges. Dentro do programa, aplicação de vacinas,
controle de pressão, consultas gratuitas em pediatria, ginecologia,
dentistas, exames preventivos de câncer, diagnóstico de diabete,
exames de sangue e eletrocardiograma. O evento faz parte das festividades
de 107 anos da colonização italiana e dos 40 anos de emancipação
política do município.
Pela concorrência pública
O vereador itajaiense Nilton Dauer (PFL) quer amadurecer a idéia
de criação de uma unidade de defesa da concorrência
pública, semelhante à que existe no Congresso Nacional, vinculado
ao Conselho de Administração e Desenvolvimento Econômico
(Cade) para controlar monopólios, oligopólios e licitações.
"Se no âmbito nacional vem funcionando, por que não na
esfera municipal?", pergunta-se o parlamentar, que lançou a
proposta em reunião da Câmara de Vereadores.
Vandalismo no Oeste
Um esquema especial de segurança para a zona central da cidade
nos finais de semana. Esta é a reivindicação da Câmara
de Dirigentes Lojistas de Chapecó em função de desmandos
que vêm ocorrendo. Há cerca de dois meses aumentou o número
de adolescentes e adultos delinqüentes que estão quebrando vitrines
e promovendo outros crimes contra o patrimônio. Uma das medidas a
ser adotada pela PM, além de aumentar o patrulhamento, será
a instalação de um posto policial no centro da cidade.
CARTA
Greve na UFSC
Sou pai de uma aluna que há mais de 40 dias, por decisão
unilateral, está impedida de freqüentar as aulas na Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC).
Não é possível admitir isso com sensatez, nem passar
por alto as sugestões de conseqüências irreparáveis
que estão por trás dessas atitudes incompatíveis com
a missão nobre de educar.
Milhares de estudantes estão sendo ensinados pelos mestres a se
utilizar de velhas e ineficientes práticas para garantir direitos
que, sem entrar no mérito, podem ser questionados quando tratados
apenas como efeito de um processo que vem de longe.
Nada justifica paralisar as atividades, a menos que se queira egoisticamente
e com sentimentalismo utilizar seres inocentes para sensibilizar os insensíveis.
Tempo perdido.
Que belo e digno seria ver os professores darem o exemplo (a melhor forma
de educar) a alunos e pais, de que compreendem e são capazes de resolver
através da palavra a situação que agora é crítica,
sem apelar para recursos extremos e inócuos. Seria um gesto limpo
e generoso que evitaria o sacrifício de uma juventude que carece
de conceitos verdadeiros de vida e exemplo de conduta elevada.
O estudo e o trabalho são direitos e não deveres. Vamos
aos trabalho e ao estudo, para que possamos resguardar a juventude da contaminação
de todas essas idéias estranhas à conciliação
e o veneno das teimosias e intransigências que sugestionam por demais
as reflexões nascentes.
Em nome de milhares de famílias e em nome do bem acima de qualquer
coisa, professores, voltem às aulas. Apelo para a sensibilidade de
todos. Nada justifica parar as aulas. Isso é o mesmo que imobilizar
as pernas, os braços, a mente de quem precisa desses recursos para
viver e ser feliz.
Até quando vamos continuar vendo poucos submeterem muitos às
velhas e intransigentes formas de conseguir as coisas?
- Juvino Luiz Capello, Joinville
O mundo é um só
Nossos cumprimentos pela oportunidade e qualidade do suplemento "O
Mundo É um Só", publicado na edição do
dia 5 de junho. Nele, são abordadas, com clareza didática,
as questões do lixo e da água, sem dúvida dois temas
de importância fundamental na sociedade atual. Ao abordar com real
felicidade o tema, A Notícia contribui diretamente para a questão
educativa, também estimulando a iniciativa do poder público.
- Sérgio Luiz Dall'Ácqua, presidente da Associação
de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambietne de SC
(Aprema)
CURTAS
- A Assembléia Legislativa do Estado prepara sessão solene
para homenagear o Colégio Coração de Jesus, de Florianópolis,
pelos relevantes serviços prestados à educação
e à sociedade catarinense. O evento será dia 16, às
18 horas.
- A diretoria do Grupo Brasmotor enviou à imprensa exemplar do
livro histórico "Entrevistas, Cartas, Mensagens e Discursos",
de H. Miguel Etchenique, presidente da organização. O livro
reúne pronunciamentos do executivo no período entre 1994
e 1997.
- O município de Jaborá, no Meio-oeste, deverá ter
em breve uma rádio comunitária. O projeto está em
andamento e envolve diversos segmentos da sociedade.
- A Caixa Econômica Federal e a Prefeitura de Cocal do Sul entregaram
as chaves de 82 casas populares construídas no Loteamento Guollo.
O investimento é de R$ 700 mil e beneficiará famílias
com renda de até três salários mínimos.
- O governador Paulo Afonso inaugurou ontem à tarde, em Xaxim,
no Oeste do Estado, mais um conjunto de 50 casas populares. A obra vai
atender a 50 famílias carentes que viviam antes na periferia do
município, sem saneamento básico.
- Começa às 8 horas de hoje, em virtude das comemorações
antecipadas dos 138 de emancipação política de Itajaí,
o 2º Torneio de Pesca em Duplas, no Parque Náutico Cordeiros
(bairro Cordeiros). O torneio vai até às 13 horas.
- A Prefeitura de Treze Tílias vai colocar cestas nas ruas para
a coleta seletiva de lixo, o qual será encaminhado a uma usina de
reciclagem.
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