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Integração
No longo prazo o mercado pressionará as empresas brasileiras a investirem em sistemas de gestão ambiental

Foto: Gilberto Viegas

A busca pelo ecologicamente correto

Firmas preocupam-se cada vez mais investir em processos que não agridam o ambiente

Ula Weiss

Blumenau - Representa ganho de competitividade o investimento que as empresas fazem, cada vez em maior volume, para proteger a natureza da atividade econômica? No mercado interno, onde as fábricas nacionais - com poucas exceções - colocam a maior parte de sua produção, a exigência neste sentido é ainda muito discreta. A preocupação com os artigos ditos "politicamente corretos" é de consumidores dos países mais ricos. Mas o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Blumenau, Ulrich Kuhn, diz que esse cenário está mudando. Ao ponto de prever que, daqui alguns anos, os complexos produtivos vão começar a incorporar em bloco os sistemas de gestão ambiental por uma imposição de mercado, gerada pela evolução cultural dos brasileiros no contexto globalizado.

O presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Blumenau (Faema), Luiz Fernando Krieger Merico, diz haver sinais claros dessa tendência. Tanto que na última década o parque têxtil de Blumenau aplicou perto de R$ 19 milhões na implantação de estações de tratamento de efluentes, que fazem a depuração química, física e biológica da água usada nas fábricas.

Ao reconhecer a importância da iniciativa, mesmo que em cumprimento à legislação, Merico diz ela foi fruto de uma "estratégia equivocada". Na Alemanha, cita, a política de tratamento das externalidades (efeitos externos do processo de produção), começou a ser substituído, ainda em meados dos anos 70, pela própria transformação dos processos produtivos. "Ao invés de desenvolver meios para tratamento da poluição, os alemães preferiram priorizar os meios de produção limpa. "

Desenvolvimento

O engenheiro químico Ernesto Reizen Neto, sócio da RZ-Resíduo Zero, empresa blumenauense especializada em soluções para proteção e conservação do meio ambiente, partilha dessa opinião do presidente da Faema, mas faz uma ressalva. Na sua opinião, falta aos industriais o que chama de crença na expectativa: "Não se encontra quem queira investir no desenvolvimento de tecnologias, como acontece no exterior". Essa limitação, acredita, impede que o Brasil alcance um estágio mais avançado na administração ambiental.

No entanto, Reizen Neto - professor doutor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - prova ser um otimista com o crescimento dos negócios no nicho em que atua. Em outubro do ano passado teve a coragem de assinar um financiamento de R$ 1 milhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para aplicar em equipamentos necessários para dar continuidade aos seus projetos de pesquisas.

Investimentos ecológicos devem
dar retorno em até cinco anos

Adriana Zoch

Joinville ­ O consultor de meio ambiente da Associação Comercial e Industrial de Joinville (Acij), Max Arthur Veidt, acredita que os investimentos das empresas brasileiras na adoção de processos industriais que minimizem o impacto ao meio ambiente devem começar a dar retorno dentro de cinco anos. Segundo dados internacionais, ele estima que a partir desse prazo as firmas tenham uma redução de 5% nos custos de produção. Em dez anos essa diminuição poderá alcançar até 10%.

Para que se converta em ganhos efetivos, salienta o consultor, a tendência é de que os investimentos no setor não sejam voltados apenas à reduzir a agressividade do processo produtivo, mas também destinados ao não-desperdício em geral. "É preciso conjugar estes dois fatores para a obtenção de resultados econômicos para as empresas."

Mas a principal preocupação é não perder mercado com as mudanças no processo de fabricação em que foram agregados projetos voltados ao meio ambiente. Como a perspectiva de ganhos é a longo prazo, o custo com os investimentos recai sobre o preço do produto final, revestido agora de um aura ecológica. "A clientela está disposta a pagar mais por estes produtos?" pergunta-se Veidt. "O risco de perder mercado existe e deve ser levado em conta", alerta.

Consumo

O consultor fala do problema com base no que se verifica atualmente no mercado consumidor europeu. Lá, o nível de consciência ecológica nem sempre representa compra certa de artigos produzidos com índice reduzido ou inexiste de impacto ambiental pelo fabricante. "Na hora H, os europeus costumam fazer como o brasileiro. Escolhem o mais barato", afirma.

Selo verde para as microempresas

Blumenau - Gestão ambiental é um luxo a que poucas pequenas e médias empresas podem se dar. Esse o entendimento que levou a Faema a lançar o Certificado de Qualidade Ambiental, uma espécie de selo verde, destinado a empresas comerciais e prestadoras de serviço. Hoje, passados pouco mais de seis meses, o presidente da instituição, Luiz Fernando Krieger Merico, já assinou 10 diplomas e sua equipe técnica está analisando o projeto de outras 30 candidatas. "Esta é uma forma prática de evitar que a concentração de capital domine os nichos criados quando a produção respeita a natureza", resume.

Aos setores a que é destinada, essa certificação - pioneira no país - prioriza a redução da demanda de energia elétrica, de água, programas de educação ambiental e a diminuição da produção do lixo, paralela à sua reciclagem. Merico assinala que o objetivo do projeto da Faema é contribuir para a conscientização do empresariado da importância da administração racional dos recursos naturais. Para exemplificar ele informa que para cada R$ 1,00 gerado pela atividade privada em Blumenau, são gastos 0,92 quilowatts. "Essa proporção é o dobro da média em países desenvolvidos", compara.

Merico não sabe informar qual a redução dos gastos com energia elétrica pelas empresas certificadas até agora. Mas diz que no acompanhamento dado às donas do selo ambiental da Faema, pelo menos uma teve vantagem comercial. É uma padaria, que registrou aumento de 14% nas vendas a partir de outubro, quando expôs no seu estabelecimento o diploma. (UW)


Tratamento é
exigência para têxteis

Água usada no beneficiamento é devolvida com 90% de pureza

Blumenau ­ As estações de tratamento de efluentes líquidos não são mais atributo e sim condição das empresas têxteis do pólo de Blumenau. Isso porque as maiores fábricas já estão devidamente equipadas, e quando devolvem aos mananciais a água usada nas etapas de beneficiamento, esta tem um índice de pureza que passa dos 90%.

O problema é que, uma vez instalada uma estação desse gênero, há um custo paralelo de operação, que se não for controlado, pode acabar puxando para cima o preço final do produto. Um dos fatores do tratamento da água que representa despesa nas fábricas é a destinação do lodo originado na eliminação dos corantes e outros elementos químicos adicionados no beneficiamento de tecidos. Para se ter uma idéia, a Faema tem registro da geração de 2.500 a 3.000 toneladas mensais de lodo industrial em Blumenau.

Para depositar esse dejeto da produção no aterro sanitário, as empresas pagam por quilo, mais o frete. E no novo aterro que deve começar a ser operado em breve, por esgotamento da capacidade do existente, os valores vão aumentar. Esse foi um dos motivos que levou a Karsten a investir na criação de um método pioneiro, em aplicação desde abril. Trata-se de um equipamento para secagem. Ele reduz em 85% o volume de lodo gerado. Para implantá-lo, o desembolso foi de R$ 100 mil.

Mas o retorno desse investimento será rápido. Já calculando pela tabela do novo aterro, o supervisor de manutenção da Karsten, Sidnei Friedel, diz que a indústria vai gastar R$ 1.230,00 mensais. Caso o lodo não tivesse sua taxa de umidade reduzida, o custo seria de R$ 19.740,00. Ou seja, uma economia de R$ 18.510,00. Pode parecer um valor pequeno quem teve um faturamento de R$ 120 milhões no ano passado. Mas sabe-se que com a margem de lucro apertada que as indústrias operam hoje, cada centavo poupado é uma vitória na batalha diária na busca da competitividade. (Ula Weiss)

Hering já tem de ISO 14001

Blumenau - No final do primeiro semestre de 1997, a Hering Têxtil foi a primeira do Brasil e a 13º do setor no mundo a obter o cobiçado certificado da série ISO 14001, de gestão do meio ambiente. Essa conquista demandou anos de trabalho de mobilização interna e investimentos. Apenas em treinamento de pessoal aplicou R$ 568 mil. E ao receber o certificado, não esgotou o projeto, porque anualmente um instituto internacional procede uma auditoria para verificar se os padrões estão sendo mantidos.

A primeira auditoria a que foi submetida encerrou na semana passada. O diretor da Hering, Ulrich Kühn, diz que a conclusão dos técnicos foi favorável, confirmando que a filosofia de proteção da natureza está devidamente incorporada à indústria. Mas ao ser indagado de quais reflexos o ISO 14001 teve sobre os negócios, o executivo explica que não existem. "Os efeitos surtidos por esse certificado são institucionais."

Contagem regressiva

Apesar disso, Kühn alerta para o fato de que está iniciada uma contagem regressiva, na qual há de chegar o dia em que as empresas serão classificadas pelo critério do "ser ou não ser". Quem tiver respeito com o ambiente continuará no mercado. As demais, observa, vão desaparecer. Daí a importância, defende, da iniciativa privada dispor de novas tecnologias e processos de ponta para a produção em caráter permanente. (UW)

Acioc quer criar núcleo

Adilson Rodycz

Joaçaba - A maioria dos empresários do Meio-oeste do Estado ainda não despertou para a possibilidade de lucro com a observação de atitudes ecológicas que podem levar seus produtos a maior aceitação no mercado. Até mesmo grandes empresas justificam investimentos na área de preservação ambiental como mera contribuição social, sem contabilizar as inúmeras vantagens obtidas no combate a efeitos e impactos nocivos à natureza ou diretamente na qualidade do produto.

Os exemplos positivos são poucos, mas existem iniciativas de entidades que buscam sensibilizar a classe empresarial para o aproveitamento de resíduos, reciclagem de lixo e outras ações que podem se transformar em lucro. A Associação Comercial e Industrial do Oeste Catarinense (Acioc), através do Projeto Empreender, com apoio da Federação das Associações Comerciais e Industriais de Santa Catarina (Facisc), está iniciando a formação de vários núcleos setoriais em Joaçaba. Um deles é específico do meio ambiente, que por enquanto não atraiu muitos empresários, mas já surgiram idéias que vão incrementar seus negócios.

É o caso de alguns restaurantes, que pretendem exigir dos fornecedores verduras cultivadas sem agrotóxico. "A divulgação dessa atitude fará aumentar o número de clientes", salienta o coordenador do programa Adair Christofoli. A preocupação, segundo ele, deve se estender ao consumo exclusivo de carnes inspecionadas. A reciclagem do lixo é uma fonte inesgotável de recursos que não está sendo explorada em Joaçaba.

Recentemente a Prefeitura fez uma campanha de coleta de embalagens de agrotóxicos nas propriedades agrícolas, que foram doadas a uma empresa de outro município. "Alguém está ganhando e nós estamos perdendo", analisou Christofoli. O "lixão" de Joaçaba é outra demonstração de desperdício. Ali são depositadas toneladas de dejetos todos os dias, que poderiam ser aproveitados. A usina de reciclagem não funciona e não existe nenhum tipo de tratamento.

Os resíduos sólidos resultantes do tratamento primário do couro podem ser utilizados como eficiente adubo na agricultura. Técnicos da empresa Bonato Couros vem fazendo experiências em plantações de milho e feijão e garantem que os resultados são surpreendentes, com excelentes níveis de produtividade. O produto, no entanto, só pode ser utilizado em culturas de cereais, cujos frutos germinam distantes da raíz da planta. O lodo residual do tratamento biológico pode ser utilizado principalmente no plantio de grama.


Itagres economiza 50% de água

Redução de consumo foi obtida com adoção de programa de reciclagem, implantado em 1993

Sílvia Zarbato

Tubarão ­ As empresas catarinenses do setor cerâmico estão se preocupando cada vez mais com o meio ambiente. E o que muitos empresários não sabiam é que investir em tratamento dos efluentes e demais produtos que não poluam a atmosfera traz economia para as empresas. Isto foi sentido pela Itagres Revestimentos Cerâmicos, de Tubarão, que há 5 anos implantou um sistema que faz reciclar toda a água usada na produção. Segundo o engenheiro Paterson de Oliveira, em função deste sistema, a empresa vem tendo desde 1993 uma economia de água em torno de 50%.

Apesar de não haver levantamento de retorno com exportação em função deste projeto, o diretor-comercial, Edson Fonseca disse o maior investimento conseguido foi a não-poluição do meio ambiente, e em função disto a Itagres ganhou o prêmio Expressão de Ecologia em 1993.

Foram investidos na época aproximadamente US$ 80 mil e em seis meses a obra que recicla toda a água usada na produção foi concluída. Os efluentes são gerados na hora de lavar os moinhos de massa, os moinhos de esmalte e as esmaltadeiras, além do chão de todos os setores da fábrica. Os 17 moinhos da Itagres consomem 51 mil litros de água e antes do novo sistema, um decantador não conseguia filtrar todo o efluente, carregado de resíduos sólidos muito fino, como árgila, fósforo, óxidos e metais, que acabavam indo para o rio.

Agora, através de canaletas subterrâneas, os efluentes dos setores de esmalte e esmaltação vão para um tanque intermediário e de lá para um supertanque de armazenamento de 100 mil litros, onde se encontra com o efluente do setor de massa. Daí, volta para um tanque dosador e é reaproveitado no setor de massa, que reutiliza o resíduo dos esmaltes. A captação de água nova foi reduzida em 50%.

Cerâmica bactericida

A Itagres colocou no mercado a cerâmica bactericida, um produto que evita a multiplicação de bactérias que causam doenças. O produto é desenvolvido através de aplicação no esmalte cerâmico de um produto químico conhecido por Bio Sure desenvolvido a partir de ions metálicos que apresentam propriedades que reduzem a ação de bactérias. O Bio Sure é fixado e diluído nas sucessivas camadas de esmalte que, depois de submetido às altas temperaturas do processo produtivo, tem um efetivo prolongado.

Segundo Fonseca o retorno com este material está aumentando consideravelmente no mercado externo, até porque nos países de primeiro mundo a conscientização da população é mais voltada para a saúde. "Somente agora o brasileiro está se dando conta da importância de adquirir produtos que façam bem para sua saúde".

Eliane quer mais certificação

Criciúma ­ O Sistema de Gestão Ambiental do Grupo Eliane está bem avançado em sua unidade de Gres Porcellanato de Criciúma, que foi certificada com a ISO 14001 em julho de 1997. A empresa foi a primeira indústria ceramica do mundo, a obter este certificado, e a meta do grupo é estender os trabalhos para as outras cinco unidades instaladas no sul do Estado.

A coordenadora do Departamento do Meio Ambiente, Mariezi Olivo de Brida , observa que todas as fábricas hoje possuem uma política sólida de controle ambiental. A pretensão é investir gradativamente procurando aperfeiçoar o sistema, que na Gres por força das metas para obter a certificação obteve resultados mais significativos.

Dentro da sua política de meio ambiente, a Eliane investiu um total de R$ 1,25 milhão, sendo que grande parte deste dinheiro foi aplicado na compra de equipamentos para controle ambiental. O gerente de Marketing e novos produtos, Leonardo Siebert, observa que a compra de equipamentos e implantação de novos sistemas de controle ambiental, fez parte de uma política global de investimentos da empresa. " Nos últimos cinco anos foram investidos cerca de R$ 50 milhões para a modernização do parque tecnológico", acrescenta Leonardo.

O diretor-presidente da Eliane, Adriano Lima, afirmou durante a obtenção do certificado ISO 14001, que a certificação deverá contribuir para aumentar a participação da empresa no mercado externo, pois a qualidade ambiental tem um grande peso para a comunidade internacional.

A preocupação com o meio ambiente para a Cecrisa foi acentuada com a implantação do Plano Diretor de Meio Ambiente, em 94. Anualmente são investidos cerca de R$ 300 mil para compra de equipamentos, adaptações ao sistema, alterações no processo e qualificação de pessoal. A empresa tem a meta de até o final de 1998, implantar a norma de certificação ambiental ISO 14001, em todas as três unidades do Grupo, no sul e até julho de 1999, nas unidades de Goiás e Minas Gerais. (José Carlos da Costa)


Resultado
Pesquisas realizadas por mestres, doutores, engenheiros e estagiários da RZ devem render primeiros lucros até dezembro

Foto: Gilberto Viegas

RZ desenvolve tecnologia para meio ambiente

Firma de Blumenau é a única de Santa Catarina a atuar nesse segmento

Blumenau - A RZ-Resíduo Zero é a única empresa de Santa Catarina - e uma das poucas no país - dedicada exclusivamente ao desenvolvimento de alta tecnologia voltada para a gestão ambiental. Fundada há dois anos pelo ex-professor da UFSC Ernesto Reizen Neto e quatro sócios, que entraram com o capital necessário, a RZ funciona num galpão compartilhado, em Blumenau. No quadro de pessoal da empresa figuram três doutores, três mestres, um engenheiro e dois estagiários, cujas pesquisas devem render seus primeiros lucros até dezembro.

Com um sistema compacto de tratamento de esgoto sanitário e um outro para descoloração de efluentes líquidos industriais por via biológica (que reduz em 30% o volume do lodo, com 20% a menos de gastos operacionais), a previsão de Reizen Neto é de que consiga fechar contratos de R$ 2 milhões nos próximos meses. Para 1999 a projeção é ainda mais otimista. "Temos condições de quadruplicar ou mais o nosso faturamento", estima.

Montar uma empresa nessa área não é fácil, independente do mercado potencial existente. O ex-professor, que é o responsável pela área técnica da RZ, informa que os investimentos diretos em pesquisa são altos. No caso da sua empresa, assinala que para sua instalação aplicou R$ 300 mil e conseguiu um financiamento de R$ 1 milhão do BNDES, pelo qual paga juro de 4% mais TJLP a cada trimestre.

Por não ter uma produção perene, que garanta um faturamento médio, a RZ é um empreendimento ousado, mas com chances de dar ainda gordos lucros a seus proprietários. Um exemplo é a pesquisa de tratamento de efluentes líquidos sem a geração de lodo, em andamento. Há também um estudo para produção de proteína a partir do soro de sangue animal. "Todos nossos projetos têm como filosofia a redução ou eliminação de resíduos do processos industriais, mas com ganhos agregados", diz Reizen Neto. Esse é o caso dessa proteína, que vai dar utilidade ao soro - responsável por 10% da poluição causada por frigoríficos - ao mesmo tempo em que vai evitar gastos com outros elementos adicionados hoje à ração dos rebanhos.

Esgoto Sanitário

Já em relação ao projeto de esgoto sanitário, o diretor da RZ observa que está com propostas em municípios de São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Santa Catarina. Ele funciona em estações cujo custo permite até a aquisição direta pelos usuários. Isso porque ao fazer o tratamento dos dejetos, poderiam pedir, da companhia de abastecimento de água, o desconto do percentual cobrado na fatura e que deveria estar sendo aplicado com o esgoto sanitário. Já testado e com eficiência aprovada, Reizen Neto garante que o sistema sairia por R$ 200,00 por família num prédio com 50 apartamentos. (Ula Weiss)

Hotel investe US$ 200 mil em
turismo e educação ambiental

Santo Amaro da Imperatriz ­ Apontado como o maior vetor de crescimento nos negócios, o turismo tem na preocupação ecológica um aliado. Quem vem apostando na parceria é o Hotel Plaza Caldas Imperatriz, na Grande Florianópolis, que investiu pelo menos US$ 200 mil em edificações e programas de educação ambiental para criar um diferencial no setor.

Segundo o diretor do hotel, Edson Chaves, os maiores investimentos foram aplicados na construção de uma pousada rústica no alto do morro, onde os turistas podem observar de perto a riqueza da Mata Atlântica da Serra do Tabuleiro, que cobre a região. O local tem acomodações propícias para os clientes mais interessados na observação de aves e animais e do convívio mais próximo com a vida silvestre. "Além dos doze apartamentos da pousada, investimos também numa estação de tratamento de efluentes", explica. A estação trata os esgotos do hotel, reaproveitando os dejetos sólidos como adubo e recupera as águas para os mananciais.

Além disso, o Hotel Plaza Caldas mantém um convênio com ao Departamento de Biologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para um programa de educação ambiental. "Os alunos da UFSC destinam 80% de seu tempo em nossa área para o levantamento da fauna e flora local. Os 20% restantes são usados em palestras de educação ambiental para nossos turistas, além de percorrer as trilhas", afirma o biólogo Fernando Brüggemann, que coordena o projeto.

Como programas complementares, o hotel mantém ainda o de controle biológico dos borrachudos, junto aos riachos, o de reciclagem de parte do lixo orgânico para produção de húmus e o de reposição de árvores nativas através de um viveiro próprio.

O diretor do empreendimento, Edison Chaves, acredita que o maior retorno que se obtém com iniciativas como esta é o despertar de uma cultura de preservação ambiental, que pode trazer muitos dividendos ao setor turístico. "É mais difícil destruirmos, o que amamos."

Museu

O próximo projeto do hotel nesta direção é a montagem de um pequeno museu com as informações que os alunos da UFSC estão pesquisando. "O turismo contemplativo está acabado. Temos que investirmos mais na parte cultural, fazendo com que o cliente seja melhor informado, conheça aquilo que o cerca e possa sentir-se integrado com o meio ambiente". De olho no retorno de imagem para sua empresa e na criação de condições para que o mercado do ecoturismo se sustente, Chaves prevê retornos financeiros a médio prazo. (Rogério Christofoletti)

Retorno institucional é
meta de investimento da Celesc

Rogério Christofoletti

Florianópolis - As estatais também investem em tecnologias, produtos e serviços com preocupação ecológica, mas os retornos previstos são de ordem mais institucional. Em Santa Catarina, merecem destaque os programas desenvolvidos pelas energéticas, principalmente a Celesc e a Eletrosul. Somando as iniciativas são pelo menos oito projetos, além do uso de equipamentos que evitam o desmatamento e a poda indiscriminada de árvores.

Na região insular da Capital, a Celesc investiu ultimamente na energização da Ilha de Anhatomirim, substituindo os geradores de energia a óleo diesel, sistema precário que colocava em risco a vida das espécies marinhas do aquário mantido na ilha. Na Capital propriamente dita, o projeto para aumento da oferta de energia para a porção sul da ilha também se destaca, pois vem requerendo atenção especial das divisões da Celesc. Como a linha atravessa o Parque Municipal do Maciço da Costeira, os equipamentos foram transportados manualmente por entre as trilhas picadas na mata ou por helicópteros. Mesmo as torres que devem ter até 47 metros estão sendo montadas nos locais. Tudo para não agredir a vegetação do parque.

Considerado um investimento a longo prazo, o Projeto de Descontaminação de Lâmpadas, da Divisão de Meio Ambiente (DVMA) tem uma previsão orçamentária de R$75 mil para o tratamento das lâmpadas descartadas em todas agências da Celesc no Estado, em torno de 115 mil por ano. As lâmpadas contêm mercúrio metálico, substância altamente tóxica ao ser humano e que, acumulada no organismo, não é eliminada.

Contaminação

A contaminação geralmente acontece quando alguma lâmpada se quebra e permite que o metal seja absorvido pelo solo ou pelas águas e infecte fauna e flora, chegando até o homem. "O Japão já teve uma contaminação assim", lembra o engenheiro Valmir Benvenuti, gerente da DVMA-Celesc. Com implementação inicial em Florianópolis, o projeto deve ser estendido a todas as 15 regionais da empresa no Estado, fazendo com que a Celesc se torne a primeira firma no Estado a proceder desta forma. A seguir, o projeto passará a atender também a iluminação pública dos municípios catarinenses. "O retorno que a Celesc tem num projeto como este não vem em termos financeiros, já que quem mais ganha é a sociedade. Toda empresa deveria em seus orçamentos prever a variável ambiental, que é o que estamos vendo. O retorno é de imagem para a Celesc", avalia Benvenuti.


Firmas obtêm ganhos de produtividade

Tigre e Docol têm melhor desempenho com aplicações

Joinville - Entre as empresas de Joinville, é grande a dificuldade em medir o retorno financeiro dos investimentos em gestão ambiental. Em geral, e pelo menos por enquanto, os dividendos são estritamente sociais, com forte repercussão na melhoria dos processos industriais.

É o caso por exemplo da Tubos e Conexões Tigre, que investiu R$ 10 milhões nos últimos três anos na automação do transporte e manuseio da resina de PVC nas unidades de Joinville e Rio Claro (SP). A mudança acabou com o risco de uma possível contaminação entre os funcionários antes envolvidos no manuseio e eliminou perdas da matéria-prima. A armazenagem em sacos foi substituída pela estocagem do PVC em 12 silos implantados na unidade de Joinville.

"Agregamos melhoria de qualidade aos colaboradores e também ao produto acabado. O índice de refugos e os níveis de horas improdutivas despencaram", contabiliza o diretor de manufatura da Tigre, Nelson Machado. Com a transformação do processo, o pó resultante é reutilizado na fabricação de linhas específicas. "Não temos retorno financeiro, mas confiabilidade no processo e garantia de repetibilidade e de uma produção uniforme", complementa o gerente industrial da unidade fabril em Joinville, Cláudio Ikeda.

Fossas

A empresa incorporou recentemente o tratamento biológico na fossas, com a utilização de bactérias que degradam a gordura e os materiais orgânicos, para lançamneto da água e de resíduos dentro das especificidades das organizações do meio ambiente.

A Tigre estuda ainda a implantação da coleta seletiva dos resíduos dos processos industriais, que prevê parcerias para recolhimento do material. A expectativa é obter a certificação ISO 14000, que trata da gestão ambiental, até dezembro de 2000.

Docol

No crédito à conscientização para a economia de uma das maiores e mais escassas preciosidades da natureza, a água, a Docol apostou parte dos investimentos no início da década e experimenta por ano um crescimento de 25% em uma linha específica, a Docolmatic. São torneiras, chuveiros, mictórios e válvulas de descarga e registro de vazão desenvolvidos para cumprir a missão de economizar água, hoje com uma disponibilidade para consumo três vezes inferior em comparação à década de 50. O consumo per capita de água entre os brasileiros dobrou nos últimos 20 anos e deve voltar a dobrar em 20 anos.

"Lançamos a linha vislumbrando um mercado que sabíamos restrito, mas a intenção era investir na mudança de postura das pessoas, na conscientização para a economia de água. É um trabalho de médio a longo prazo", sintetiza diretor de Tecnologia e Produção da Docol, Antônio Carlos Minatti.

O retorno do investimento veio com o crescimento de 25% na linha e que deverá ser contínuo, prevê Minatti, principalmente em função do aumento das exportações para os vizinhos argentinos. A empresa tem 95% do mercado nacional deste tipo de produto.

No processo produtivo, a adoção da galvânica automatizada pela Docol deve possibilitar, gradativamente, redução do custo de produção. Mas o diretor não tem idéia do índice que pode ser alcançado. O equipamento consumiu US$ em investimentos e é responsável por 80% da lavação dos metais.

Mas os ganhos atuais com o uso da galvânica, segundo Minatti, são inúmeros. Proporciona economia de água, padrão uniforme de qualidade, redução de refugos, maior produtividade, segurança do ponto de vista da liberação de gases e recuperação da água utilizada na lavação. (Adriana Zoch)

Investimento ecológico é
garantia de mercado para a Coopercentral

Chapecó - Preocupada desde sua consolidação no mercado nacional com a questão ambiental, a Cooperativa Central Oeste Catarinense, fabricante dos produtos Aurora e uma das maiores agroindústrias do Brasil já não vê mais a elaboração de produtos ecologicamente corretos como forma de obter simplesmente lucro ou ocupar um espaço, uma determinada fatia do mercado internacional e nacional. Hoje, segundo garante o vice-presidente da empresa, José Zeferino Pedroso, produzir de maneira ecologicamente correta significa permanecer no mercado, continuar produzindo e crescendo.

Desde 1994, a Aurora possui em todas as suas unidades industriais e administrativas um programa de reaproveitamento de resíduos sólidos, que tem se transformando em modelo para outras empresas e referência didática para escolas públicas. O programa é inspirado em objetivos ambientais e pedagógicos. Ele elimina o desperdício de materiais recicláveis descartados, ameniza a devastação do meio ambiente e educa o quadro funcional para os benefícios que a separação e a reciclagem dos materiais provocam na melhoria do local de trabalho e no correto aproveitamento dos bens de consumo, garante a coordenadora Marinês Sfatoski.

Entretanto, um dos maiores orgulhos da Coopercentral/ Aurora é o frigorífico de aves do município de Quilombo, no Oeste do Estado, merecedor este ano do Prêmio CNI de Ecologia, oferecido pela Confederação Nacional da Indústria. É daquela unidade que sai grande parte do que a Aurora exporta para o mercado internacional e é nele que a empresa mantém o seu principal projeto ecológico, para a elaboração de produtos ecologicamente limpos.

Em Quilombo a Aurora desenvolveu um arrojado sistema de processamento de efluentes sólidos e líquidos, considerado o mais moderno da América Latina. O conjunto, tecnologicamente harmônico, foi projetado para absorver a carga poluidora dos efluentes industriais, integrando-os no próprio processo produtivo. (Marcos Horostecki)

Tedesco aplica US$ 2 mi
em estação de tratamento

Caçador - Após investir US$ 2 milhões numa estação de tratamento de fluentes, a fábrica de papel e celulose Primo Tedesco S.A. ainda não começou colher o resultado financeiro do investimento. "O maior resultado que tivemos até agora é a consciência ambiental que se formou dentro da empresa. Desde a direção até os funcionários existe uma preocupação constante com o meio ambiente", explica o diretor industrial Henrique Basso.

Em 1997, quando o governo do Estado criou o programa de despoluição da bacia do Rio do Peixe, a Tedesco aparecia numa lista de onze maiores poluidoras do meio ambiente na região. Com os investimentos, em 1993 a empresa foi reconhecida como modelo em despoluição pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma). "A nossa estação de tratamento é considerada exemplo para outras empresas que estão investindo em meio ambiente", conta Basso.

Na sua avaliação, o investimento ainda não refletiu diretamente nos negócios da empresa, até porque a produção da Tedesco se destina quase que exclusivamente ao mercado interno e, na opinião do diretor, não há uma exigência ambiental muito grande no País. "Teríamos tido grandes resultados se a nossa produção fosse exclusiva para exportação", acredita.

Para ele, o importante nesse processo foi a boa imagem que a empresa criou depois disso. "Deixamos de ser tratados como os grandes poluidores do Rio do Peixe para sermos uma empresa que trabalha harmoniosamente com o meio ambiente", comemora, salientando que a Tedesco hoje se encontra tecnicamente em condições ideais de funcionamento e de acordo com todas as exigências legais na área ambiental. (Frutuoso Oliveira)


  • MEIO AMBIENTE

Menegotti investe na construção de aterro

Jaraguá do Sul - Mesmo sem incremento no faturamento da empresa, a Menegotti Industrial, de Jaraguá do Sul, fabricante de malhas em rolo há mais de 10 anos, iniciou este mês a construção de um aterro sanitário próprio. "Não teremos aumento no faturamento da empresa e nem outros benefícios. Nossa única e exclusiva preocupação é com o meio ambiente", diz.


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