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Estilo
Carroceria do modelo 98 do Xantia foi remodelada e ficou mais moderna. Traseira
é o destaque do carro
Xantia
A suspensão que faz a diferença
Carro francês tem status
e tecnologia embarcada, mas a taxa de importação deixa o seu
preço elevado
Luiz Arthur Peres
Especial para AN Veículos
O Citroën Xantia GLX 2.0 16V é o tipo de carro para quem
quer e pode dispor de tecnologia de ponta e do status de ter um carro importado,
que não se encontra em qualquer esquina. Afinal de contas, mesmo
sendo o modelo mais simples no Brasil, ele custa US$ 36.990,00 - cerca de
R$ 44.300,00. O preço salgado, catapultado pelo imposto de importação
de 24,5 %, obriga a marca a só trazer versões mais luxuosas
para justificar o alto valor do carro.
Por isso, enquanto na Europa, o Xantia concorre diretamente com modelos
como o Vectra e Mondeo, no Brasil ele ganhou um up grade. Por aqui o carro
da Citroën ocupa um outro segmento mais luxuoso e faz parte do grupo
de carros importados que corre por fora no acirrado páreo que promete
se transformar o mercado brasileiro de sedãs médios-grandes
nos próximos anos.
E neste segmento superior, o que conta na hora da compra é o
status e o requinte. No caso do Xantia, o status de carro importado está
na própria marca Citroën, que enquanto não acaba sua
fábrica em Porto Real, no Sul Fluminense, ainda é totalmente
estrangeira. E nas linhas harmoniosas que levam a assinatura do designer
Pininfarina - responsável, entre outros, pelo desenho das Ferraris.
Na versão 98, a carroceria foi atualizada com pequenos retoques,
que deixaram o Xantia mais parecido com o último lançamento
da Citroën, o Xsara. A frente ganhou curvas mais suaves em relação
ao modelo anterior. A grade dianteira foi incorporada ao capô, o pára-choque
ficou mais arredondado e a entrada de ar ficou maior. A traseira conta agora
com uma terceira luz de freio na tampa do porta-malas.
Sob o design moderno se esconde a tecnologia de ponta. A mais famosa
é a que envolve a suspensão, que consagrou a Citroën
como uma das montadoras mais conceituadas no assunto. O sistema hidropneumático
permite que o sedã mantenha a mesma distância em relação
ao solo, independentemente do peso transportado. Em situações
extremas, como alta velocidade, curvas agudas e frenagens bruscas, o sistema
enrijece. A segurança ainda é reforçada pelo eixo direcional
que permite às rodas traseiras esterçarem junto com as dianteiras
em três graus, imperceptíveis a olho nu.
Motor valente
Tudo para o motorista administrar melhor todo o ímpeto do motor
de 1.998 cc com quatro válvulas por cilindro que leva o Xantia aos
200 km/h e de zero a 100 km/h em 11,4 s. Tudo graças aos 135 cv gerados
a 5.500 rpm e ao torque de 18,3 kgf.m a 4.200 giros. Do lado de dentro,
o proprietário do Xantia também pode se exibir para os seus
convidados. Mas tudo na maior discrição. O acabamento é
bem-cuidado e conforto interno não falta. A começar pelo espaço
generoso, tanto na dianteira como na traseira. Nada de joelhos raspando
no painel ou no encosto do banco da frente ou encontrões não
programados com o teto: o que se encontra são bancos com boa ergonomia
acompanhados de apoio de braço central, inclusive na traseira. Para
a bagagem, o espaço não é tão pródigo,
mas se mantém dentro do razoável: 483 litros.
Quem anda atrás ainda ganha o toque de requinte da tela de proteção
solar retrátil que se esparrama pelo vidro traseiro. Parte da serenidade
interna só é atrapalhada quando é necessário
acionar os vidros traseiros, a partir da dianteira, com o apoio de braços
central abaixado. É que os botões do vidro elétrico
ficam entre os bancos, exatamente embaixo do apoio de braços: ou
se levanta o descansa-braços ou se faz uma certa ginástica
para acioná-los.
No Xantia GLX 2.0 16V, o interior agradável é amparado
por um bom pacote de equipamentos: ar-condicionado, direção
hidráulica com coluna de direção ajustável,
rádio/toca-fitas, trio elétrico, airbag duplo e freios ABS.
Com esta configuração, o modelo custa US$ 36.990,00 - cerca
de R$ 44.300,00. Como opcionais, revestimento em couro, CD player, teto
solar e comando do som no volante, que elevam o preço para algo em
torno dos R$ 53 mil. Um preço salgado, que já traz embutido
a conta pelo status que o carro confere.
Esferas substituem
molas e amortecedores
A Citroën é famosa pela suspensão hidropneumática
dos seus modelos. Esta fama se deve a um sistema que no caso da Xantia GLX
substitui molas e amortecedores por quatro esferas metálicas - uma
para cada roda. Cada uma delas tem no seu interior gás nitrogênio
e fluido hidráulico separados por uma membrana elástica. A
parte da esfera com gás está ligada ao chassi por um pistão.
Um motor elétrico empurra este pistão que comprime o fluído,
aumenta a pressão sobre o nitrogênio e enrijece a suspensão.
A missão é manter a mesma distância do solo, esteja
o carro lotado ou apenas com o motorista. Um sensor mecânico mede
o volume ocupado pelo gás dentro da esfera e alerta o sistema, que
aciona o compressor elétrico. O sistema também aumenta a segurança.
Se o motorista estiver fazendo fortes acelerações e curvas
rápidas, a suspensão enrijece.
O sistema hidropneumático ainda permite regular manualmente a
distância livre do solo. São quatro fases controladas por uma
alavanca entre os bancos dianteiros: além da padrão, existe
uma que deixa o carro mais baixo e duas que elevam a suspensão.
Os outros estágios só são usados para a manutenção.
Uma delas é a que está abaixo do estágio normal, que
deixa o carro rente ao chão. A outra é o extremo oposto, que
deixa o Xantia com um vão livre do solo maior. Na verdade, a maior
utilidade da fase mais alta é substituir o macaco na troca de pneu.
O motorista eleva o carro e o apóia em um cavalete. Depois é
só rebaixar a perua, que a roda ficará no ar. (LAP)
Ficha técnica
Citroën Xantia GLX 2.0 16V
- Motor
A gasolina, dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas,
1.998 cc e tração dianteira. Comando de válvulas no
cabeçote e injeção multiponto
- Potência máxima
135 cv a 5.500 rpm
- Suspensão
Hidropneumática com quatro esferas de nitrogênio e óleo
de pressão variável. Traseira com eixo autodirecional. Barras
estabilizadoras nos dois eixos
- Freios
Discos ventilados na frente, tambor atrás e ABS
- Carroceria
Dois volumes e meio com cinco lugares e quatro portas em monobloco. Comprimento
de 4,52 m, largura de 1,75 m e altura de 1,40 m. Entre-eixos de 2,74 m
- Porta-malas
483 litros
- Peso
1.840 quilos com 520 quilos de carga útil
Montadoras
apostam nas séries especiais
Fiat, VW e GM lançam
edições especiais de alguns de seus modelos para embalar as
vendas
Em tempos de maior concorrência, qualquer apelo serve para se
tentar elevar as vendas. Uma das saídas que as montadoras mais tem
utilizado para seduzir os consumidores é do lançamento de
séries especiais. A Fiat aposta no Siena, enquanto a VW investe no
Polo Classic, que estão ganhando, respectivamente, as séries
"MTV" e "Special".
Estes dois modelos vêm se unir a uma dupla da GM que também
ganhou um modelo especial. As picapes Corsa e S-10 e o Corsa hatch já
estão rodando por aí, com o nome "Champ". E não
se trata de nenhuma novidade. As montadoras vêm usando as copas do
mundo e olimpíadas para inspirar suas séries especiais, que
de diferente mesmo, em geral, só oferecem cores diferentes e um pacote
mais completo de opcionais.
No caso do Fiat Siena, a série especial foi batizada de Sport
MTV. O modelo, produzido em edição limitada de 1.000 exemplares
é uma versão bem mais recheada de itens de conforto. A chegada
do Fiat Siena Sport MTV ao mercado dá continuidade ao acordo firmado
entra a Fiat Automóveis e a MTV (Music Television), pelo qual, até
o ano 2000, a montadora fabricará carros com a grife da emissora
de televisão especializada em música. O primeiro produto da
parceria foi a Fiat Pick-up Trekking, lançada em 1997.
O Fiat Siena Sport MTV tem uma vasta gama de acessórios diferenciados.
Por isso, o modelo não possui equipamentos opcionais. Ar-condicionado,
rádio/toca-fitas (com comando para CD changer), direção
hidráulica,bancos esportivos (o do motorista vem com regulagem lombar),
travas elétricas nas portas, vidros dianteiros com acionamento elétrico,
faróis de neblina, volante, pedaleiras, alavanca e pomo do câmbio
esportivos, rodas de liga-leve usinadas, brake-light e Fiat Code são
itens de série no modelo.
Para conferir um ar mais arrojado ao Siena Sport MTV, as entradas de
ar do pára-choque dianteiro são pintadas de preto e as rodas
são de liga-leve usinada. A identificação da edição
especial do modelo fica por conta dos adesivos com a sigla "MTV"
afixados nos pára-lamas dianteiros, abaixo da sigla 16V, e na tampa
do porta-malas. Ali também está sigla exclusiva "Siena
Sport" em letras prateadas.
O interior também está diferente. Além do adesivo
"MTV" (colocado no lado direito do painel), o carro ganhou bancos
dianteiros esportivos, volante, pedaleiras, pomo e alavanca do câmbio
caracterizados todos com detalhes prateados que realçam
a identidade do carro.
Máxima de 188 km/h
O Siena "MTV" está equipado com motor 1.6 16V Torque.
Ele desenvolve 106 cv de potência a 5.500 rpm, e atinge torque máximo
de 15,1 kgfm a 4.500 rpm. O resultado é uma velocidade máxima
de 188 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos.
Na estrada, o carro faz 15 km/l e na cidade, 10,9 km/l.
O sistema de freios com duplo circuito hidráulico
cruzado tem discos ventilados na dianteira e tambores na traseira.
A suspensão adota o sistema MacPherson na dianteira, com rodas independentes,
braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora.
Na traseira, é do tipo ponte de torção, com barra estabilizadora
e braços oscilantes longitudinais.
Como todos os modelos fabricados pela Fiat, o Fiat Siena Sport MTV conta
com equipamentos de segurança de série como barras de proteção
nas portas, carroceria com áreas de deformação progressiva,
brake-light e FPS (Fire Prevention System sistema que reduz os
riscos de incêndio em um acidente). A versão está disponível
nas cores azul-heraldic, cinza-steel e vermelho-alpine.
Volkswagen tenta dar fôlego às
vendas do Polo Classic com nova versão
A Volkswagen está colocando no mercado uma série especial
do Polo Classic, com ar-condicionado, vidros elétricos, controle
elétrico dos retrovisores e travamento elétrico das portas.
Com produção prevista de 1.500 unidades, o Polo Classic Special
tem como itens exclusivos cobertura das colunas e soleira das portas em
preto fosco, faróis de neblina, rodas de liga-leve, aro 14, brake-light
e a identificação "Special" nas portas dianteiras.
O modelo, a exemplo do tradicional, conta com direção
hidráulica, antena eletrônica no teto, pára-choques
e carcaça dos espelhos externos na cor do veículo, antiembaçante,
aquecimento, preparação para som e cintos de segurança
com regulagem de altura. Além disso, o "Special" tem volante
de direção esportivo e acabamento interno em tecido tear jacquard
speed preto. O Polo Classic Special será vendido em cinco cores:
as sólidas branco-geada e vermelho-vitória; as metálicas
prata-imperial e cinza-nobre; e a perolizada azul-class.
Outro ponto forte do carro, segundo a Volks, é o motor Alta Performance
1.8, a gasolina. Colocado transversalmente à frente do eixo dianteiro,
tem injeção multiponto, 96,8 cv de potência a 5.250
rpm e 15,5 mkgf de torque a 3.000 rpm. Acelera de 0 a 100 km em 11,5 segundos
e alcança a velocidade máxima de 180 km/h. O consumo é
de 11 km/l na cidade e 16,9 km/l na estrada.
O Polo Classic acumula vendas de mais de 22 mil unidades desde o lançamento
no mercado brasileiro, em janeiro de 1997. O carro é montado na fábrica
de Pacheco, na Argentina, a partir de componentes enviados de várias
partes do mundo, inclusive do Brasil.
Tudo novo
A frente do Land Cruiser HDJ 100 foi totalmente remodelada. Conjuntos óticos
ficaram mais retangulares e a grade do motor deixou de ser cromada
Fotos: Divulgação
Toyota Land Cruiser ganha novo visual
Chamado de HDJ 100, o sport
utility da Toyota tem 2 versões de motor, um deles com 231 cv
A Toyota parece realmente disposta a renovar toda a linha. A montadora
japonesa já reestilizou totalmente o compacto Corolla, imprimiu uma
plástica total também ao Corona - que foi relançado
como Avensis na Europa - e remodelou o grande sedã Camry. Quando
a linha parecia praticamente definida, a marca lançou no mercado
europeu o sport utility Toyota Land Cruiser, ou HDJ 100. O modelo vai substituir
o cansado Land Cruiser HDJ 80, que estava em linha desde 1990.
O Toyota Land Cruiser 100 vai concorrer no mercado europeu com modelos
bastante tradicionais no segmento utilitário on/off-road, como Land
Rovers Discovery e Vogue, Mitsubishi Pajero e Jeep Grand Cherokee.
Além das naturais diferenças estéticas, a grande
novidade do novo Land Cruiser em relação ao anterior é
a configuração da carroceria. O modelo HDJ 80 apresentava
quatro portas e um curto porta-malas. Já o novo modelo traz um visual
semelhante ao de uma station wagon, com três janelas laterais e um
enorme espaço para bagagens.
O novo Land Cruiser cresceu discretamente. A impressão é
de ter aumentado bastante, justamente devido à mudança na
configuração da carroceria. Na verdade, o carro ganhou apenas
sete centímetros no comprimento e engordou um centímetro na
largura. O crescimento lateral deve-se basicamente, aos pára-lamas,
que passaram a sobressair em relação à carroceria.
Nova dianteira
A área frontal, por sua vez, foi totalmente redesenhada. Os conjuntos
óticos ficaram mais retangulares, a grade do radiador mudou de cromada
para preta e os pára-choques ficaram envolventes e pintados na cor
do carro. O spoiler acoplado à parte inferior do pára-choque
dianteiro manteve suas formas anteriores, com a mesma tomada de ar, mas
recebeu de série dois faróis auxiliares embutidos. Da mesma
forma, foram adotadas novas lanternas na traseira, parcialmente integradas
à tampa do porta-malas.
Na área interna, as diferenças também foram acentuadas.
Os diversos comutadores e botões foram reposicionados com o objetivo
de melhorar a visibilidade, consulta e acessibilidade do motorista. Curiosamente,
porém, os bancos são os mesmos do modelo anterior.
Ranger cabine dupla chega
e acirra a briga com a S10
A Ford está mesmo disposta a abalar o tranqüilo reinado
da General Motors no segmento de picapes médias. Embora tenha um
histórico de inferioridade nas vendas em relação à
S10, a Ford vem dotando a picape Ranger com um número maior de versões,
casos da 4X4 e da 4X2 com caçamba maior, de 2,24 metros de comprimento,
contra os 1,52 do modelo básico. Agora é a vez da cabine dupla,
que vai ser vendida por R$ 25 mil, preço que a coloca em posição
competitiva em relação à S10 cabine dupla, que começa
em R$ 24,5 mil. Com o aumento da linha, a marca quer ampliar as vendas da
Ranger - que no primeiro trimestre desse ano somaram 2.500 unidades vendidas,
contra 4.500 da S10 no mesmo período. Mas além de aumentar
as opções da linha, a Ford reavaliou o volume de unidades
da picape disponíveis nas concessionárias e ampliou as importações.
Com a nova configuração, a distância entre-eixos
da Ranger cresceu de 2,83 metros para 3,19 metros. Já o comprimento
passou de 4,76 metros para 5,04 metros. O peso também aumentou: de
1.450 quilos para 1.760 quilos, na versão 4.0 litros.
O espaço criado com a ampliação da cabine é
bastante generoso. O banco traseiro comporta três pessoas sem apertos
e com relativo conforto. O único problema já é comum
às picapes com cabine dupla: o banco é curto e o encosto excessivamente
reto.
A Ranger cabine dupla será vendida com as mesmas três opções
de motorização da versão com cabine simples, sendo
duas a gasolina e uma turbo-diesel com intercooler. Esta última tem
propulsor de quatro cilindros em linha com 2.5 litros de capacidade volumétrica,
115 cv de potência máxima a 4 mil giros e torque de 29 kgf.m
a 1.600 giros. O motor a gasolina mais tímido tem também quatro
cilindros em linha e 2.5 litros, mas a potência é de 121 cv
e o torque, de 20,2 kgf.m. Já o mais bravo tem seis cilindros em
V, 4.0 litros, 162 cv e torque de 31,1 kgf.m.
Além dessas opções de motores, a Ranger com cabine
dupla terá ainda duas alternativas de acabamento - XL e XLT - e de
tração - integral ou traseira -, dependendo da versão.
Com essas alternativas, o modelo passa a ter várias combinações
disponíveis: XL 2.5 4X2 a gasolina, XLT 4.0 4X4 a gasolina e XLT
2.5 4X2 ou 4X4 a diesel, com preços que vão até R$
38,6 mil. |
De tecnologia de ponta a peça de museu
Alguns componentes dos carros
perderam o ar de modernidade e hoje só sobrevivem na memória
Rogério Louro
Especial para AN Veículos
Hoje um automóvel com freios a tambor, motor de arranque a manivela
e suspensão com feixes de mola é uma peça de museu.
Mas no começo do século estes e outros equipamentos representavam
os mais modernos avanços tecnológicos da indústria
automobilística, em relação ao primeiros carros produzidos.
Os primeiros veículos, de 1860, eram carroças impulsionadas
por motores a vapor com grandes caldeiras a lenha, que emitiam muito calor
aos passageiros. A lenha perdeu força no final do século 19,
com o surgimento dos propulsores a gasolina. Mas se o calor e o trabalho
de enfiar lenha na caldeira foram eliminados, nem tudo era moleza nos primeiros
carros a gasolina. Para dar a partida, era necessário acionar uma
manivela. O braço era o motor de arranque.
Além de exigir força, às vezes, a manivela tinha
retrocesso pela compressão do motor. "Era comum o braço
ser atingido e quebrado. Em casos graves, a manivela acertava a cabeça
e provocava mortes", conta Og Pozzoli, maior colecionador de carros
antigos do Brasil, com 150 veículos. Por isso, os donos dos carros
costumavam deixar a condução para um motorista e um ajudante.
Era do auxiliar do condutor a obrigação de dar a partida do
carro, pelo menos até a década de 20, quando surgiu o arranque
elétrico. O ajudante tinha também de acender as velas e os
lampiões dos faróis dos primeiros carros, que não iluminavam
quase nada.
Na década de 10, os faróis passaram a utilizar gás
acetileno, que garantia uma luz mais forte e ficava em um compartimento
com vidro, que protegia a chama do vento. Mas ainda era necessário
levar o fogo até o farol. Só em 1913, Robert Bosch criou um
sistema de luzes elétricas, que ficou popular nos carros nos anos
20.
Volante redondo
O auxiliar fazia o trabalho braçal, mas também sobrava
para o motorista. A direção dos primeiros veículos
era igual ao de carrinhos de criança, o volante era parecido com
guidom de bicicleta e preso diretamente ao eixo. O volante redondo apareceu
pela primeira vez nos modelos da Daimler, no final da década de 1890,
mas só foi difundido quando os carros passaram a ser produzidos em
linhas de montagem, na década de 10.
Para tentar reduzir o peso no braço do motorista, a coluna de
direção ganhou engrenagens até chegar à cremalheira,
já nos anos 30. Este equipamento, permitiu que as mulheres passassem
a dirigir, por exigir menos força. A direção hidráulica
só surgiu bem depois, no começo da década de 50 nos
carros da Cadillac.
Freio exigia força do motorista
A musculação nos primeiros automóveis não
ficava só por conta da direção, frear também
exigia muita força. No final de 1890, o freio era igual ao das carruagens:
uma alavanca que, quando puxada, encostava no eixo e travava as rodas. O
sistema era chamado de travão - em Portugal, os freios até
hoje são chamados assim. Sem engrenagens para amenizar a força,
o carro era parado no braço.
No começo do século, se adotou um sistema de freios parecido
com o de bicicletas, com cabos acionando pinças que seguravam as
rodas. Já tinha pedais, mas ainda era um sofrimento. "A força
do condutor parava as rodas", explica José Aurélio, presidente
da federação brasileira de veículos antigos. Os primeiros
freios a tambor surgiram na década de 10 e só equipavam as
rodas traseiras.
Só em 1919, a Hispano-Suiza introduziu o tambor nas quatro rodas,
que garantia frenagem mais eficiente. Nos anos 20, a Chrysler e a Ford
lançaram o sistema hidráulico para os freios, no lugar do
mecânico, o que reduzia a necessidade de força. Nos anos 50,
surgiu o sistema a disco.
Andar nos primeiros carros era o mesmo sofrimento. Os automóveis
tinham eixo preso direto no chassi, sem amortecimento, o que causava muitos
sacolejos. Mas os carros logo ganharam suspensão de feixe de molas.
Com este equipamento, até hoje encontrado em caminhões e utilitários,
os quiques foram reduzidos, o que na época foi um avanço.
Apesar de todo o calvário, porém, uma coisa não mudou:
já naquela época, dar uma voltinha num carro novo dava status.
(RL)
Evolução constante
- O Ford modelo T, de 1909, foi o primeiro automóvel do mundo
a ser produzido em uma linha de montagem.
- O modelo Wagonette, da alemã Daimler, de 1897, foi o primeiro
veículo a ter um volante redondo como os utilizados atualmente.
- O rádio só passou a ser instalado em carros na década
de 30.
- O primeiro carro a ter freios a disco foi o Jaguar XK 120 produzido
em 1953. No Brasil, o primeiro modelo a ter o equipamento foi o Uirapuru,
em 1967.
- O Cord 810, de 1935, foi o primeiro veículo a ter suspensão
independente, na dianteira.
- Os cintos de segurança, subabdominais, só surgiram em
1957, lançados pela Volvo.
- Para detalhar a tecnologia presente nos carros surgiu, em 1911, a primeira
revista especializada em veículos no Brasil: a "Revista de
Automóveis".
- Nos anos 30, os pára-choques passaram a ser reforçados
para proteger contra impactos. Antes, só tinham função
estética.
Copa do Mundo inspira linha Champ 98 da GM
De quatro em quatro anos, durante a Copa do Mundo, a seleção
brasileira ajuda a embalar as vendas de muitos produtos. Desta vez, a GM
resolveu usar as picapes Corsa e S10 e o Corsa hatch para reaver os cobres
investidos no Mundial pagou caro para ser uma das patrocinadoras oficiais
do evento. A picape Corsa Champ, lançada este mês, segue à
risca o padrão desse gênero de marketing: sutis diferenciais
externos e internos em relação ao modelo normal de linha.
Externamente, a picape Corsa Champ só pode ser distinguida da
versão GL pelas cores, Verde West e Azul Riviera, pela pintura do
pára-choques na cor do carro e pelas faixas comemorativas nas laterais
e na traseira, com a inscrição Champ 98 em amarelo. Outro
detalhe é o conjunto de rodas de alumínio aro 14, que emprestam
ao carro um ar esportivo.
Internamente, a picape Corsa Champ inova pouco. O painel de instrumentos
é o mesmo do Corsa sedã GL, com marcadores em amarelo e conta-giros,
o volante tem três raios e a padronagem do tecido tem cores mais alegres.
De equipamentos de série, o modelo traz apenas travas e vidros elétricos.
A festa, porém, não chega no preço. A versão
básica da picape é mais cara. A Champ está sendo vendida
a partir de R$ 15,5 mil, contra R$ 14,4 mil da linha normal. Com todos os
opcionais vai a R$ 18,9 mil, menos que os R$ 19,4 mil da versão comum
isso porque não tem em sua lista de opcionais espelhos elétricos,
regulagem de altura do banco do motorista e o imobilizador eletrônico
do motor. Na motorização não há diferença:
quatro cilindros em linha, propulsor de 1.6 litro e potência de 92
cv. A linha Champ que além das versões picape e hatch
do Corsa, inclui a S10 não é a primeira versão
comemorativa da General Motors. A montadora usou essa mesma estratégia
com o Monza nas Olimpíadas de Barcelona, em 92.
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