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PESCADO
Certificação da Cidasc funciona como medida de vigilância,
controle e erradicação de doenças e como garantia de
comercialização
Foto: Arquivo AN
Peixes com qualidade
Cidasc está certificando
sanitariamente os produtores de alevinos e os pesque-pague no Alto Vale
do Itajaí
Orlando Pereira
Rio do Sul - A expansão de certa forma até desenfreada
da piscicultura no Alto Vale do Itajaí e em outras regiões
do Estado fez com que a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola
de Santa Catarina (Cidasc) implantasse o Programa de Sanidade Aqüícola
junto aos produtores de alevinos e nos pesque-pague. De acordo com o presidente
Antônio Reinaldo Torezan, a exemplo de outros programas, o objetivo
principal deste é de certificar sanitariamente todas as unidades,
como medida de vigilância, controle e erradicação de
doenças em peixes. As propriedades sem a certificação
ficarão impedidas de fazer a comercialização do pescado.
Torezan disse que após muitas reivindicações de
produtores de alevinos e de proprietários de pesque-pague a Cidasc
decidiu pela implantação do programa. Ele adiantou que, a
princípio, será feito o cadastramento de todas as unidades
existentes na região. O segundo passo vai ser a coleta de amostras
de peixes para exames em laboratório, com a finalidade de diagnosticar
possíveis viroses e parasitoses que estariam ocorrendo.
Caso sejam confirmadas, a Cidasc fará a orientação
dos piscicultores sobre as medidas que deverão adotar. A partir de
então as unidades serão inspecionadas duas vezes por ano,
durante dois anos, para posterior certificação sanitária
aqüícola. Após ter sido reconhecida, o monitoramento
passa a ser bianual.
Laudo
O presidente da Cidasc explicou que para certificar a unidade, o interessado
deverá solicitar nos escritórios da empresa o laudo de inspeção.
Para tanto é necessário possuir assistência veterinária,
notificando as eventuais enfermidades. "A responsabilidade técnica
zoosanitária da certificação é de competência
exclusiva do médico veterinário credenciado pela Cidasc",
destacou Torezan. Durante o período para a obtenção
do certificado, o repovoamento da unidade só poderá ser feito
com peixes oriundos de propriedades que já possuam sanidade. "Com
melhoramento da sanidade do seu empreendimento e com a promoção
da saúde dos animais aquáticos, os produtores só têm
a ganhar", assinalou o presidente.
Doença é principal
problema em criação intensiva
Em regiões onde a piscicultura está bem desenvolvida, com
criações intensivas, o problema de doenças é
muito grande. Segundo o médico veterinário Sílvio de
Fraga Santos, coordenador do Programa de Sanidade Aqüícola no
Alto Vale do Itajaí, as enfermidades podem ter como origem um fator
genético, fisiológico, nutricional, ambiental ou infeccioso,
causado por um organismo patogênico. As perdas são na maioria
das vezes causadas pela ação de um agente infeccioso e o estresse
ambiental.
Santos destacou que a melhor maneira de prevenir doenças é
comprar peixes ou alevinos de quem possa assegurar que estão livres
de doenças. Caso isso não seja possível, o produtor
deve conversar com pessoas que já tenham adquirido peixe daquele
fornecedor. O veterinário recomenda muito cuidado ao colocar peixes
selvagens nos tanques de criação. É que eles poderão
estar levando doenças. O produtor também não deve construir
açudes em que a água de um passa para os outros. É
que em caso de doença, todos estarão contaminados. Se o tanque
for abastecido com água do rio, deve ter telas com malhas diferentes,
para evitar a entrada de peixes indesejáveis.
Quanto mais tranqüilo for o local onde os peixes estão, melhor
para a sua saúde. O veterinário explicou que o estresse pode
provocar o surgimento de enfermidades. A presença de aves aquáticas,
moluscos, rãs e outros predadores nos açudes, também
pode transmitir doenças. O excesso de alimentação provoca
a falta de oxigênio e deixa os peixes mais sujeitos a contrair enfermidades.
Os piscicultores não devem usar os mesmos utensílios, como
macacão, botas, redes, de um tanque no outro. O equipamento deve
ser desinfectado ou colocado ao sol para secar.
O veterinário adiantou que as doenças podem ser transmitidas
de forma horizontal e vertical. O contato de um peixe doente com os outros,
a ingestão de alimentos contaminados e a picada de vetores causam
as enfermidades do tipo horizontal. A vertical é aquela que é
transmitida dos pais para os descendentes pela contaminação
dos gametas. A redução ou parada de alimentação,
nadar de maneira anormal ou disparado, são alguns dos sinais de que
o peixe está doente. (OP)
Fonte de renda alternativa
Criar peixe se tornou uma atividade altamente lucrativa como fonte de
renda alternativa nas propriedades rurais do Alto Vale do Itajaí.
A região está se firmando como um dos mais promissores pólos
da piscicultura em Santa Catarina, já sendo responsável hoje
por 15% do pescado de água doce produzido no Estado. A previsão
da Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural (Epagri)
é que até no ano 2002 a produção que hoje é
de mil toneladas, chegue a 8 mil com o número de produtores neste
mesmo período atingindo a 2 mil.
O técnico em piscicultura da Epagri, Vítor Kniess, destacou
que a atividade não é uma solução para resolver
os problemas da agricultura no Alto Vale do Itajaí. No entanto, reconhece
que já é responsável pelo aumento na renda das propriedades.
Em algumas delas a criação de peixe passou a ser o carro-chefe,
sendo a que mais remunera em termos financeiros.
"Tem produtor que está conseguindo até R$ 4,6 mil
num hectare por ano, embora seja uma atividade ainda muito recente",
assinalou. Apesar da euforia que tomou conta dos produtores, o técnico
lembrou que a piscicultura é ainda apenas uma fonte de renda alternativa,
com as atividades agrícolas devendo permanecer normalmente.
Industrializado
A maioria do pescado produzido de forma integrada na região destina-se
ao Frigorífico Pompéia, em Rio do Sul, o primeiro a industrializar
pescado de água doce em Santa Catarina. A empresa beneficia de 2,5
mil a 3 mil quilos de peixes diariamente, pagando aos produtores de R$ 0,80
a R$ 0,88 o quilo, posto na propriedade. A grande expansão dos pesque-pague
na Grande São Paulo, no entanto, está contribuindo para aumentar
a concorrência. Os paulistas chegam a pagar R$ 1,20 o quilo do peixe
que é levado do Alto Vale do Itajaí para abastecer estes locais
de lazer. O transporte é feito em tanques especiais com oxigênio.
(OP)
Doenças mais comuns nos peixes
É considerada infecção secundária da pele
e brânquias. Apresenta-se em forma de bolores. Ataca mais as tilápias,
bagres e carpas.
Causa lesões no peixe, como halos avermelhados em sua superfície,
dando condições para que outros parasitos ali se instalem.
A infestação muito grande chega a matar o peixe por compressão
do cérebro. A carpa é a mais parasitada.
Também é conhecida como doença do ponto branco.
Ocorre quando existe muita concentração de peixe, provocando
irritação na pele. O parasito provoca irritação,
fazendo com que o peixe rasteje no fundo e nas laterais do viveiro. Através
das brânquias penetra no interior do peixe. As carpas são
mais atacadas.
Também é chamado de piolho do peixe. O parasito se localiza
na superfície corporal, ou seja na pele, brânquias e nadadeiras.
Provoca lesões, necrose, úlcera e infecções
secundárias. A doença passa de um peixe para outro.
Citricultura ganha impulso no Oeste
Coopercentral constrói
fábrica em Pinhalzinho, próxima aos pomares de laranja do
Extremo-oeste
Marcos Horostecki
Chapecó - Depois de um período de incertezas devido ao
descontentamento dos produtores com o preço baixo e o alto custo
dos fretes, a produção de laranjas volta a ganhar um novo
impulso no Oeste do Estado. Desta vez, o que está animando os agricultores
é a construção pela Cooperativa Central Oeste Catarinense
(Coopercentral) de uma nova fábrica de sucos em Pinhalzinho, às
margens da BR-282, que determinará o fim do esmagamento da produção
da região em Videira, que fica a quase 300 quilômetros dos
pomares do Extremo-oeste.
Segundo o agricultor Leo José Piccini, que planta laranjas como
alternativa às culturas tradicionais no interior do município
de Chapecó, com a indústria em Videira chega-se a pagar pelo
frete da laranja mais da metade do que se recebe pela tonelada, o que muitas
vezes chega a desmotivar o produtor. Mas com a indústria em Pinhalzinho,
a realidade será diferente. "O frete será bastante reduzido.
Eu tenho certeza que isso vai motivar muitos produtores a adotarem a laranja",
observou.
Este ano de acordo com as previsões da Coopercentral ainda serão
esmagadas em Videira cerca de 30 mil toneladas do cítrico. Mas a
partir da implantação da nova planta industrial em Pinhalzinho
a fábrica de Videira passará a esmagar apenas as uvas que
a sua região produz para a fabricação de suco concentrado.
As 30 mil toneladas de laranja que serão esmagadas este ano devem
proporcionar um volume de 2.500 toneladas de suco concentrado de laranja,
80 toneladas de óleo essencial e outras 2.000 toneladas de farelo.
A maior parte do suco de laranja, segundo a gerente geral da empresa em
Videira, Maria Mezaroba, deverá ser exportada. Apenas 5% ficará
no mercado nacional. Metade da produção de farelo de polpa
de fruta também terá o mesmo destino e vai alimentar animais
de corte e leite nos mais diversos pontos do globo, enquanto os óleos
essenciais serão todos exportados e utilizados na indústria
de perfumes.
Preço
O preço da fruta este ano também é outro incentivo
à produção segundo a gerente, além da expectativa
pela construção da nova fábrica. Estão sendo
pagos R$ 60,00 pela tonelada de laranja precoce; R$ 55,00 pela laranja comum
e R$ 60,00 pela laranja valência. Um preço bastante superior
ao praticado no ano passado, quando o preço da tonelada era uniforme
e quase não passou dos R$ 45,00.
Devem entregar as safras nas cooperativas filiadas à Coopercentral
este ano, pelos cálculos da empresa, pelo menos 7 mil produtores
que estão cultivando a fruta em 8,87 mil hectares. Uma área
bastante pequena se comparada à dos grandes latifúndios do
interior do Estado de São Paulo, onde em muitas propriedades chega
a ser plantado apenas laranja para exportação e consumo interno.
A produção dos pomares do Oeste é considerada boa pelos
técnicos da Coopercentral e deve atingir no total as 10 toneladas
por hectare. "Estamos cuidando da produção incessantemente
com os nossos técnicos e os das cooperativas filiadas visitando os
pomares regularmente", continuou a gerente da unidade de Videira.
Unidade industrial deve
absorver toda a safra de citros da região
Chapecó - A nova indústria de sucos em Pinhalzinho deve
absolver completamente a produção de laranjas do Oeste. A
expectativa é de que durante a safra, assim que estiver em funcionamento,
a nova indústria tenha que permanecer em funcionamento 24 horas por
dia, realizando o ciclo de processamento desde a descarga do produto, passando
pela seleção manual, seguindo-se a lavagem, extração,
centrifugação para separar o óleo da água, evaporação
para desidratar o suco concentrado, acondicionamento em tambores, até
a expedição.
O presidente da Cooperativa Central Oeste Catarinense, Aury Luiz Bodanese,
está muito animado com o novo empreendimento. De acordo com ele além
de centenas de novos empregos no campo por causa do aumento da produção
mais 100 novos empregos diretos devem ser gerados na fábrica da empresa,
o que deve ajudar também na diminuição do desemprego
na região, "Os produtores não desfrutavam de qualquer
resultado com a laranja antes de começarmos o esmagamento em 84.
Agora eles terão uma expressiva receita adicional, melhorada pela
redução do valor do frete", destacou o dirigente.
Cronograma
O cronograma de construção da nova indústria ainda
não está definido pela empresa, mas os investimentos devem
chegar aos R$ 3 milhões, para que se possa esmagar 60 mil toneladas
de laranja ao ano, cerca de 20 mil a mais que a capacidade da indústria
de Videira.
A idéia conforme Bodanese, é sustentar a fruticultura como
atividade economicamente rentável e ecologicamente desejável
em pelo menos 40 mil propriedades rurais, onde devem ser plantados mais
de 11 mil hectares de pomares comerciais em mais de 100 municípios
a partir da construção da nova indústria, ampliando-se
significativamente a fruticultura da região "O programa de fruticultura
da Coopercentral é vital também devido ao tipo de solo existente
na região. Apenas 31,3% são terras nobres. A maior parte é
terra dobrada onde os laranjais podem ser plantados para garantirem renda
extra aos produtores", complementa o dirigente. (MH)
BETONEIRAS
Diretor Eduardo Horn afirma que a empresa pretende faturar R$ 20 mi em 98
Foto: Lúcio Sassi
Menegotti quer novos mercados
Firma pretende conquistar
participação na Europa e EUA
Ney Bueno
Jaraguá do Sul - A Metalúrgica Erwino Menegotti, líder
no mercado latino-americano na produção de betoneiras, dentro
de seu processo de internacionalização, onde busca conquistar
participação nos mercados da União Européia
e dos Estados Unidos, lançou esse mês a betoneira de 120 litros
que pode ser utilizado em pequenas construções civis. O grupo
Menegotti investiu R$ 2 milhões na modernização do
seu parque fabril no município e prevê um faturamento de R$
20 milhões nesse ano com as vendas de betoneiras.
Atualmente a Menegotti produz betoneiras de 145, 320 e 580 litros, sendo
que o destaque nacional é a de 320 litros. Segundo o diretor-superintendente
do grupo, Eduardo Ferreira Horn, a empresa pretende chegar no final desse
ano, com a produção de 500 a 600 betoneiras mês de 120
litros, totalizando 5.000 unidades durante o ano. A produção
total da empresa é de 20 betoneiras de mais de 17 variedades.
Internacionalização
O executivo explica que depois da decisão do grupo de internacional
suas vendas já foram investidos R$ 2 milhões em tecnologia
e máquinas novas. Com esses investimentos, salienta Horn, a empresa
já conseguiu reduzir o custo operacional na produção
de betoneiras e uma redução de 20 a 30% no custo da mão-de-obra.
O grupo Menegotti, que tem duas unidades fabris, a metalúrgica Menegotti
em Jaraguá do Sul e a Fundição Menegotti em Schroeder,
conta com 330 funcionários e trabalha com três linhas de negócios.
A primeira é o da produção de máquinas para
construção civil, com destaque para betoneiras. O segundo
é a linha de máquinas para fazer tubos de concreto, segmento
que deu origem a empresa há 58 anos, e o terceiro é a divisão
de fundição em Schroeder.
O diretor-superintendente destaca que na linha de máquinas para
fazer tubos de concreto a empresa é responsável por cerca
de 80% dos tubos de saneamento básico enterrados no Brasil. "Este
mercado é que deverá crescer com a preocupação
com o saneamento básico no país", observa Horn.
Outro setor que deverá crescer, na opinião do empresário,
é o de faça-você-mesmo, que é forte no exterior,
por isso o lançamento da betoneira 120 litros, onde pessoas poderão
adquirir a máquina para utilizarem em pequenas construções.
"Na Europa e Estados Unidos esse setor é enorme, com as pessoas
realizando suas próprias construções. No Brasil ainda
é mais fácil contratar alguém para realizar o serviço,
mas em grandes cidades, já está começando alterar o
mercado, valorizando o setor de faça-você-mesmo", destaca
Horn.
Para exemplicar esse crescimento, Horn lembra que nesse ano, duas grandes
lojas de distribuição de máquinas para construção
civil européias, que são clientes da Menegotti e atuam no
setor de faça-você-mesmo, abriram filiais em São Paulo
apostando nesse crescimento.
Empresa surgiu como
ferraria e fábrica de carroças
Jaraguá do Sul - Com um capital inicial de dois contos de réis,
ou seja, aproximadamente US$ 40 mil, o empresário Erwino Menegotti
e sua esposa, Maria Kanzler Menegotti, deram início no dia 25 de
maio de 1940 ao grupo Menegotti, com a abertura nesse dia de uma ferraria
e fábrica de carroças, na rua Presidente Epitácio Pessoa,
atual rua Erwino Menegotti, em Jaraguá do Sul. Da fabricação
de carroças, machados, enxadas e foices, hoje a empresa responde
pela liderança de mercado nos segmentos de equipamentos para a fabricação
de tubos de concreto e betoneiras.
A empresa começou com apenas quatro funcionários em 1940
e apesar da contubarda situação internacional, devido ao período
da Primeira Guerra Mundial, o empresário Erwino Menegotti, tinha
uma visão que se sobrepunha a tragédia e a crise, ousando
em 1943 a adquirir sua primeira máquina, um torno mecânico
e empenhando-se no treinamento do pessoal que ingressa na empresa como aprendiz.
Em uma década, a modesta ferraria já havia triplicado suas
instalações, diversificando sua linha de produção,
fabricando aros de bicicletas e pregos de madeira para calçados.
Diversificação
A diversidade de atuação e novas estratégias comerciais,
que introduzia representantes com a missão de difundir os produtos
Menegotti em todo o país, levou, em 22 de novembro de 1965, a empresa
adotar uma nova razão social, passando para Metalúrgica Erwino
Menegotti. Em 1967, o empresário aproveitando uma viagem à
Europa assinou um acordo, mantido até hoje, de transferência
de tecnologia com a empresa alemã Pfeiffer Maschinenfabrik Ettlinger
(empresa líder mundial em equipamentos para saneamento básico),
com intuíto de produzir máquinas alemãs no Brasil sob
licença e desenvolver tecnologia nacional pra saneamento básico.
Em 1974 a empresa iniciou suas exportações para a América
Latina e Africa, chegando em 1976 a deter 70% do mercado nacional, de equipamentos
para fabricação de artefatos de concreto. Em 1981, a empresa
instalou uma unidade em Goiânia (GO) e no final de 1983 falece o fundador
do grupo Erwino Menegotti. Em 1986 inicia a nova fase do grupo com a aquisição
de um terreno com 120 mil metros quadrados em Schroeder para a construção
de uma nova unidade fabril, onde foi instalada uma moderna fundição.
Na década de 90 foi consolidada a liderança do grupo que
é líder na América Latina na fabricação
de betoneiras. Atualmente o grupo conta com o parque fabril em Jaraguá
do Sul com uma área de 2 mil metros quadrados, uma unidade em Goiania
e distribuidores e representantes espalhados pelo Brasil e América
Latina, vendendo seus produtos, praticamente para os cinco continentes.
(NB) |
Opinião
Acorda, Santa Catarina!
Daniel Camilotti
Após vários meses de grande luta por parte de nossas federações
e associações empresariais, existe hoje na Assembléia
Legislativa um projeto de lei do ICMS que irá beneficiar cerca de
80% das empresas catarinenses. O que eu não consigo entender é
por que teremos que começar com uma verdadeira batalha novamente,
pois nós estamos solicitando por parte do governo (Executivo e Legislativo),
que corrija distorções do passado e, principalmente, deixe
que esta maioria das empresas consiga sobreviver e crescer.
Nós viemos de épocas em que, para uma empresa comprar uma
máquina mais produtiva, tinha que importá-la. Além
de arcar com todos os pesados custos para trazer uma máquina de fora,
esta empresa era extremamente penalizada com taxas de importações
que chegavam na casa dos 80%.
A grande burocracia que nos era imposta dificultava ainda o acesso à
modernidade e à competitividade, atingindo principalmente as pequenas
e médias empresas. Por isso, apenas algumas grandes e bem estruturadas
organizações tinham condições de vencer estas
barreiras.
De repente, nos vimos sendo invadidos por produtos importados bem mais
baratos. Ao mesmo tempo, somos chamados de empresários incompetentes
e avessos ao modernismo. Ora senhores, éramos penalizados para modernizar
nossas fábricas, pagando grandes taxas de importações
e com um agravante ainda maior, as altas taxas de juros praticadas no Brasil.
Como poderemos sobreviver neste caos, estando expostos à concorrência
internacional, que tem suas fábricas modernizadas, incentivos para
suas exportações e acesso fácil ao dinheiro, mais barato
e com prazos bem mais longos? É por isso que estamos vendo centenas
de empresas serem fechadas diariamente em nosso País, ficando milhares
de desempregados na rua da amargura.
Darei mais um exemplo, do setor de autopeças: até o começo
deste ano, as montadoras obtinham o benefício de poder importar peças,
para montar seus carros, com uma redução nas taxas de importação
chegando a apenas 2% de imposto. Para a indústria nacional, no caso
do setor da borracha, para que possa competir, terá que importar
sua matéria-prima de outros países, porém, pagando
20% de imposto sobre o valor do produto.
Então, nós que produzimos aqui no Brasil e geramos empregos,
somos obrigados a pagar 18% mais de impostos que as montadoras, fomentando
ainda mais o desemprego e levando nossas empresas à falência.
Destaco o caso da Transbrasil, que entrou com ações na
Justiça pedindo indenização por mudanças feitas
em nossa economia e que, mais tarde, foram consideradas inconstitucionais.
O Estado teve que indenizar esta empresa por decisão do STJ, na quantia
de R$ 435 milhões.
Estamos pedindo uma trégua para aqueles que ainda não quebraram,
simplesmente alongando os prazos de pagamento, reduzindo estas absurdas
multas que variam de 50% a 150%, e também pedimos a redução
dos altos juros, ajustados pela taxa Selic.
Pelo fato destas empresas estarem devendo impostos, a exemplo do que
já foi citado, elas não têm acesso aos bancos de desenvolvimentos,
com recursos do BNDES, ficando novamente às margens da modernidade,
sem condições de investir para sobreviver. E se não
sobreviver, não existirá mais nada.
Foram divulgados recentemente os valores de aplicações
do BNDES nos três Estados do Sul, em 96 com relação
a 97. No Rio Grande, houve um incremento de 70%, totalizando R$ 8,8 bilhões
investidos. O Paraná obteve ainda mais 147% de aumento, com total
de R$ 12,7 bilhões investidos. Em Santa Catarina, houve uma redução
de 86% e tivemos apenas R$ 500 milhões aqui investidos. Gostaria
de lembrar que o Paraná e Rio Grande do Sul já fizeram suas
leis de anistia fiscal, ainda em 97, e em função disso, suas
empresas já obtiveram certidões negativas e podem novamente
contrair empréstimos do BRDE e Badesc.
Quando vemos nossos políticos falarem que estão beneficiando
os empresários, parece que estão cometendo a maior injustiça
com o Estado. Eu vejo hoje no Brasil uma grande inversão de valores.
Ao invés do Estado servir a Nação, é à
Nação que está servindo ao Estado. Hoje, são
mais de 80% das empresas catarinenses que estão devendo para o Tesouro
e isto mostra duas situações muito claras: a primeira é
que alguma coisa está errada e, a segunda, é que irá
atingir a grande maioria das empresas, principalmente as de menor porte,
que são as que mais geram empregos.
Portanto, acho que não podemos mais admitir calados estes abusos,
e iremos exigir mudanças profundas neste contexto.
Para isto, é época de elegermos aqueles que caminham mais
próximos da realidade. O que fizemos para merecer tantos castigos
e injustiças?
- Daniel Camilotti, empresário e líder do Movimento
Empresarial Catarinense
Cebolicultura mantém área em SC
Produtores apostam em colheita
menor na Argentina
Ituporanga - Apesar do resultado financeiro ter ficado abaixo das expectativas,
a área que está sendo plantada com cebola em Santa Catarina
deverá ficar a mesma que na safra anterior, ou seja 25 mil hectares,
dos quais 6.000 mil só em Ituporanga. A previsão é
do secretário municipal de Agricultura, Daniel Rogério Schmidt,
com base no volume de sementes que foi comercializado até agora.
Em alguns municípios, como Alfredo Wagner, Leoberto Leal e Bom Retiro,
onde as perdas em decorrência do excesso de chuvas foram maiores,
muitos produtores estão abandonando a cebolicultura, voltando a plantar
fumo ou simplesmente migrando para as cidades em busca de melhores condições
de vida.
Concorrência
Ao contrário das safras anteriores quando o preço aumentava
a partir de março, este ano isto não ocorreu em função
do excesso de oferta de cebola proveniente da Argentina, onde foi registrada
uma super-safra. De R$ 0,30 o quilo baixou pela metade e mesmo assim não
havia mercado. Por causa disto muitos produtores tiveram que jogar o produto
fora. É que a cebola em razão do excesso de umidade estava
apodrecendo nos galpões.
Schmidt adiantou que a semeadura da próxima safra foi normal.
A falta de chuvas no entanto está obrigando que os produtores façam
a irrigação dos canteiros. O secretário observou que
até o momento não está havendo investimentos na cultura,
até mesmo porque o governo federal ainda não liberou recursos
para esta finalidade. A expectativa dos produtores é com relação
a uma possível redução de área na Argentina,
principal concorrente dos catarinenses. Naquele país também
houve uma retração no mercado, devido ao excesso de oferta,
com a cebola sendo vendida a R$ 0,05 o quilo. "Este valor inviabiliza
a comercialização para o Brasil e por isso deve haver uma
diminuição do cultivo", complementou Schmidt.
Indústria ervateira quer proteção
Joaçaba - A adição de açúcar na erva-mate
poderá provocar um colapso na indústria ervateira do sul do
País, beneficiando o produto importado. A reclamação
é do gerente da Ervateira Marca, Seger Luiz Marca, revelando que
a classe está se empenhando para que o Ministério da Saúde
não aprove a nova composição. A erva produzida e consumida
em Santa Catarina e Rio Grande do Sul tem paladar suave, que dispensa adoçantes,
enquanto o produto argentino, por exemplo, produz erva mais amarga, repudiada
pelos consumidores brasileiros, mas se adoçada poderá competir
no mercado nacional.
A preocupação dos ervateiros é com a importação,
já que como todo o produto estrangeiro virá com preço
atrativo, devido os incentivos fiscais oferecidos por outros países.
"Isso vai prejudicar ainda mais a situação da indústria
nacional, deixando a deriva os produtores brasileiros, desamparados pelas
entidades governamentais", diz Marca.
Ele acredita que a adição de açúcar também
poderá baratear a erva para algumas empresas e denuncia que algumas
embalagens de erva importada apresentam no rótulo a indicação
de 3% de açúcar e a quantidade existente chega a 15%. A importação
brasileira gira em torno de 50 mil toneladas por ano é dispensável,
na opinião do empresário, já que a quantidade produzida
é suficiente para a demanda.
Segundo Marca, a economia da região Sul será a mais prejudicada.
O setor oferece cerca de 700 mil empregos na produção e industrialização.
O chimarrão faz parte da tradição do povo gaúcho
e catarinense, acostumado ao sabor da erva local, mas este hábito
pode sofrer alterações ao longo do tempo, aumentando o consumo
do chimarrão adocicado, em função do preço.
A decisão do Ministério da Saúde deve acontecer em
25 de julho. (Adilson Rodycz)
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