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Visão Mercadológica
Duplicação
Obras na BR-101 devem minimizar os problemas existentes no principal corredor
rodoviário que corta Santa Catarina
Arquivo AN
Estado enfrenta desafios para crescer
Deficiências existentes
na infra-estrutura recebem a atenção governamental para não
afastar os investidores
Claudio Loetz
Joinville - O Estado de Santa Catarina enfrenta o desafio de ser destino
futuro de novos e grandes investimentos. Para isso se tornar realidade,
é preciso superar os problemas de infra-estrutura existentes, nas
áreas de transportes e energia, principalmente, sem se descuidar
de aspectos nos campos de formação de mão-de-obra e
educação, telecomunicações e no oferecimento
de incentivos para atrair empreendimentos à região.
O governador Paulo Afonso Vieira reconhece, em entrevista para este último
caderno da série "Visão Mercadológica", que
"a conservação de rodovias, os custos portuários,
e a situação das ferrovias representam fatores do que se denomina
'custo Santa Catarina'"; ou seja, são elementos que dificultam
o desenvolvimento pleno do Estado.
Apesar disso, as potencialidades catarinenses são enormes. Ressalta-se
a qualidade da mão-de-obra e a formação profissional,
alicerçada em centros de estudo e instituições, algumas
modelares. O empenho do governo em minimizar os obstáculos ao progresso
pode ser notado nas estradas estaduais, com a maioria delas recuperadas.
O quadro crítico do abastecimento de energia - estudo preparado
para a Federação das Indústrias do Estado de Santa
Catarina (Fiesc) indica déficit potencial de 14% para 1998 e de 12%
para o próximo ano - deverá se atenuar com a entrada em funcionamento
das usinas hidrelétricas de Itá, Machadinho, previsto para
até o ano 2000.
A BR-101, em fase de duplicação no trecho catarinense entre
a divisa com o Paraná, ao norte; e Palhoça, na grande Florianópolis,
é o principal eixo por onde escoa a produção e o sofrimento.
Hoje é o espelho do caos; em um ano habilitará Santa Catarina
como centro geo-econômico do Mercosul.
Telesc
A privatização da Telesc não acontecerá porque
a estatal apresenta índices ruins de desempenho, no confronto com
as demais empresas de telecomunicações dos Estados - mas será
resultado da política federal escolhida para o setor. Embora os preços
os serviços possam (e devam) baixar para os usuários com a
concorrência estabelecida, a qualidade é pouco questionada
pelas lideranças econômicas.
O Programa de Desenvolvimento de Empresas Catarinenses (Prodec), é
visto por Paulo Afonso como democrático e canal que possibilita o
crescimento da economia estadual. "Precisamos incorporar as regiões
economicamente menos dinâmicas do Planalto Norte, parte do Sul e da
região serrana ao pleno desenvolvimento".
Exportações
Estudo aponta necessidade de retomada das vendas no mercado externo
Informalidade prejudica faturamento das têxteis
Irene Huscher
Blumenau - O custo de produção para a indústria
têxtil sempre foi alto, mas o principal fator de desequilíbrio
no desempenho do setor é a economia informal, que dribla os impostos
e não segue os salários praticados pelo mercado formal. Na
avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias
de Fiação, Tecelagem e Confecção de Blumenau
(Sintex), Ulrich Kuhn, mais do que qualquer outra variável, a informalidade,
principalmente nas empresas de confecções, precisa diminuir
para que a conta do "custo Santa Catarina" seja dividida por igual.
A informalidade hoje soma mais de 50% das empresas de confecções
estabelecidas no Vale do Itajaí, ainda o maior pólo têxtil
catarinense, constata o empresário, diretor da Hering Têxtil.
Além de não registrarem seus funcionários, escapando,
assim, dos tributos trabalhistas, deixam também de pagar impostos,
como o ICMS. Em outro extremo, a indústria têxtil brasileira
luta hoje contra a informalidade também dos produtos importados ilegalmente,
ou seja, contrabandeados ou sub-faturados, acrescenta o presidente do Sintex.
"O setor têxtil compete hoje no mercado nacional com o informal",
destaca Ulrich Kuhn.
Juros altos
Soma-se a isso o chamado "custo Brasil", com juros muito altos
que pesam para todos os segmentos produtivos brasileiros, observa. "Essa
não é uma questão setorial", avalia. Mas deve
ser apontada no documento "Projeto Têxtil Ano 2000, um diagnóstico
mundial da indústria têxtil" que vai mostrar a situação
atual do setor e perspectivas para o futuro. O estudo está sendo
realizado pelas consultorias Gherzi (Suiça), Servatex (Alemanha)
e WS (Brasil).
Dados preliminares do estudo apontam ainda a necessidade do Brasil retomar
as exportações têxteis para manter os mesmos níveis
de competitivadade com os grandes produtores mundiais. O último grande
pico de exportações foi em 1994, quando as indústrias
brasileiras venderam para o mundo US$ 321 milhões, índice
que estaciou para US$ 240 milhões em 96 e 97.
A retomada das exportações é hoje uma das principais
bandeiras da indústria têxtil, mas para que isso aconteça
é preciso gerar condições. Uma delas, que já
está sendo discutida com o governo federal e deve ser uma das recomendações
do estudo, é a liberação de linhas especiais de crédito,
sem mexer no câmbio, mas com taxas de pré e pós-exportações
compatíveis com os custos internacionais.
Tributação e juros
atingem as cerâmicas
Setor investiu em tecnologia
e amplia vendas no mercado externo
José Carlos da Costa
Criciúma - O sistema tributário inadequado no Brasil e
a elevação dos juros têm pesado no custo industrial
do setor cerâmico catarinense, mas não impede o seu crescimento.
Segundo o vice-presidente da Anfacer (Associação Nacional
de Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos), o catarinense Ademir
Lemos, o setor foi o que mais investiu em tecnologia e recursos humanos,
desde a abertura da economia brasileira.
A importação de apenas 1%, e o aumento nas vendas externas,
que representam 72% das exportações do Estado, são
prova de competitividade com outros mercados. O empresário defende
a reforma tributária como um marco para o desenvolvimento da economia
brasileira, mas existe a necessidade de alterar o sistema, e não
somente diminuir o número de impostos.
Para 12 meses de trabalho das empresas, a tributação geral,
incluindo encargos sociais, representa hoje três meses de faturamento
da indústria cerâmica. Lemos sugere mudanças no enfoque
de cobrança dos impostos, eliminando, por exemplo, o tributo sobre
a produção, que deveria incidir apenas sobre o consumo, como
acontece na Argentina. "O imposto sobre o consumo, diminui o efeito
cascata, que acaba alterando o preço final do produto", justifica
Lemos.
Para o empresário, a forte tributação e a especulação
por causa dos juros altos têm atrapalhado a competividade do setor
e desestimulado a produção. Ele cita, que algumas empresas,
principalmente de 96 para trás, alcançaram resultados negativos
no faturamento, que ficaram muito próximos aos índices inflacionários,
apesar do aumento no volume de vendas.
Lemos diz que o essencial é viabilizar toda a cadeia produtiva,
desde a matéria prima até o consumidor e por isso, a busca
de alternativas energéticas, outras opções de transporte
e aprimoramento no sistema de telecomunicações se tornam fundamentais
para manter o crescimento industrial e comercial. Uma das vantagens é
a boa qualidade do produto cerâmico, que tem grande aceitação
do mercado interno e externo, tudo em função do otimismo dos
empresários, que melhoraram o processo de produção,
e investiram na formação de mão-de-obra qualificada.
Gás natural
O vice-presidente da Anfacer, aposta na vinda do gás natural da
Bolívia, que irá reduzir o custo energético, que hoje
está em 16%, dentro do sistema de GLP (gás liquefeito de petroléo).
Lemos projeta uma diminuição em 25%, em cima deste custo,
além de outras vantagens, como segurança, confiabilidade,
proteção ao meio ambiente e melhorias na logística
do transporte, pois o gás será entregue na porta das fábricas.
Com a construção do gasoduto, os empresários também
estudam alternativas para reduzir o custo da energia elétrica, através
do sistema de co-geração, que permite um melhor aproveitamento
da energia consumida na indústria cerâmica. Para o empresário,
esta é melhor opção para diminuir o custo industrial,
em relação a energia, mas o setor tem se preocupado em evitar
o desperdício há muito tempo, através do sistema de
desligamento automático das máquinas em horários de
pico e outras programas de redução, adotados nas fábricas.
Rodovias devem ser melhoradas
Reduzir o custo Santa Catarina e tornar o produto cerâmico mais
competitivo ainda passa por uma reformulação na malha rodoviária.
Neste aspecto, os empresários acreditam, que o governo federal precisa
concluir a duplicação da BR-101, principal canal de escoamento
da produção e melhorar outras rodovias secundárias.
Lemos defende, particularmente para os empresários do sul do Estado,
uma melhor utilização do porto de Imbituba e um incremento
no transporte ferroviário.
As diferenças são significativas e representam uma diminuição
de 40%, nos produtos transportados por trem, em relação aos
que são distribuídos através de caminhões.
Para utilizar em grande escala o porto de Imbituba, o empresário
comenta que é necessária uma redução das tarifas
portuárias e a implantação de um sistema de terminais
nos municípios de Içara, Urussanga e Criciúma. A redução
de custos também está no processo de containerização
que seria feito pelas próprias empresas.
O melhor uso das ferrovias por parte das empresas catarinenses, esbarra
no modelo ferroviário no Brasil, já que as estradas de ferro
possuem bitolas diferentes, que impedem a conexão para outros Estados.
Conforme Lemos, o custo do frete rodoviário hoje é exorbitante
e chega a representar 25% do preço do produto para mercados do Norte
e Nordeste brasileiro. (JCC)
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Setor cerâmico na Região Sul* |
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Número de funcionários |
4.671 |
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Produção anual |
68.891.347 m2 (pisos e azulejos) |
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Faturamento bruto anual |
R$ 431.606.481,00 |
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Faturamento médio mensal |
R$ 35.967,00 |
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Volume de vendas |
67.566.638 m2 |
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Mercado interno |
53.403.361 m2 |
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Mercado externo |
14.163.277 m2 |
* Dados de 97
Fonte: Sindicato das Indústrias Cerâmicas de Criciúma
e Região |
Coopercentral faz plano
Marcos Horostecki
Chapecó - Para o setor agroindustrial, principal responsável
pela sustentação econômica da região Oeste do
Estado, reduzir custos internos e externos já é fundamental
até para não ter de fechar as portas e se manter no mercado.
Quem garante é o diretor-administrativo da Cooperativa Central Oeste
Catarinense (Coopercentral), fabricante dos produtos Aurora, Ênio
Sbeguim.
De acordo com ele, no ano passado o programa de redução
do custo de produção implementado pela Coopercentral em suas
nove unidades industriais, seis granjas de matrizes e no seu armazém
de grãos bateu de frente com uma queda nos preços de mercado
e acabou sendo responsável pelo equilíbrio financeiro da agroindústria.
Isso provou sua eficiência e garantiu que a empresa registrasse um
faturamento 30% maior em relação ao ano de 96.
Em 98, continua o diretor, a ordem dentro da indústria é
continuar mantendo o mesmo rigor. Conforme Sbeguim, no contexto da economia
globalizada é de extrema importância que haja dentro da empresa
uma visão de continuidade. Não há a possibilidade de
parar de avaliar os custos internos e estruturais externos, como transportes,
tributação, portos e taxas, sob pena de perda da competitividade,
extremamente importante no mercado atual, e até da estabilidade econômica.
Iniciativas
A Coopercentral quer neste ano, aumentar seu volume de produção,
melhorar o visual de suas embalagens, com a aplicação de sua
nova logo-marca e buscar maior espaço no mercado externo. Para isso,
de acordo com Ênio, vai ter que continuar se aplicando em reduzir
seus custos. "Hoje o cliente está disposto a pagar apenas pelo
valor indispensável à produção. Os custos da
ineficiência ficam na mão do empresário", observa
o diretor. Um dos caminhos para a redução dos custos que deve
continuar a ser empregado pela Coopercentral é a melhoria da qualidade
da matéria-prima que chega até a agroindústria.
ENTREVISTA/ Antônio Kandir
Oposição está questionando
inaugurações
Plano Brasil em Ação
vai consumir R$ 31,7 bilhões, porém o orçamento da
União prevê R$ 5,5 bilhões em 98
José Augusto Gayoso
Especial para A Notícia
Brasília - A oposição quer impedir que o presidente
Fernando Henrique Cardoso faça inaugurações "eleitorais"
neste período que antecede à campanha eleitoral propriamente
dita. O PT, principalmente, acha que a maior parte das inaugurações
mapeadas para serem feitas em 1998 pelo programa "Brasil em Ação"
não passa de "pretexto para armar palanque para a candidatura
do presidente à reeleição", segundo palavras do
presidente nacional do PT, José Dirceu.
A questão pode acabar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mas,
independente disso e dos comentários de bastidores em Brasília,
que atribuem ao "Brasil em Ação" um status de "plano
de campanha" de Fernando Henrique, os técnicos envolvidos em
sua execução e divulgação não gostam
desse tipo de enfoque. Para eles, e principalmente para o ministro Antonio
Kandir, que comanda a pasta que toca o programa, a do Planejamento, "o
Brasil em Ação é um plano de metas para proporcionar
desenvolvimento e emprego".
São 42 projetos considerados prioritários pelo governo
federal. Coincidência ou não, 13 dos 26 desses projetos, classificados
como "de infra-estrutura", têm conclusão prevista
para este ano. Dos 16 projetos que estão na rubrica "área
social", nove terão suas metas atingidas ou ultrapassadas até
o final de 1998. Serão necessários R$ 31,7 bilhões
para se atingir o objetivo. Deste total, somente R$ 5,5 bilhões estão
garantidos pelo Orçamento Geral da União.
O governo conta ainda com a parceria da iniciativa privada em muitos
projetos, assim como está levando em conta que vários são
feitos com investimentos conjuntos de estatais, estados e municípios.
A maior parte, porém, vem de financiamentos externos. O ministro
Kandir, que vai deixar o governo para se candidatar à reeleição
como deputado federal pelo PSDB paulista, comenta os detalhes do programa,
em entrevista para A Notícia.
A Notícia - Quais as metas do governo, em 1998, em termos de
infra-estrutura?
Antônio Kandir - Vamos dar seqüência ao programa "Brasil
em Ação", lançado em 1996 pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso, que compreende 42 empreendimentos considerados prioritários
para aumentar a competitividade do País. Esses empreendimentos também
pretendem reduzir as disparidades sociais, bem como as disparidades regionais
existentes no Brasil. Novas áreas de desenvolvimento serão
geradas. E queremos contribuir para a geração de novos empregos,
a um baixo custo para o País.
"Os investidores estrangeiros têm
direcionado seus recursos para países onde existem perspectivas
reais de lucro, e uma razoável margem de segurança"
AN - Quanto será preciso para concluir esses projetos? Os recursos
da União serão suficientes?
Kandir - O governo vai precisar de cerca de R$ 31,7 bilhões para
cumprir essas metas. Já temos garantidos R$ 5,5 bilhões do
Orçamento Geral da União (OGU). Além disso, em grande
parte dos empreendimentos contaremos com a parceria do setor privado. Também
contamos com o aporte de recursos de fundos, como o FGTS (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço) e o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Mas
o forte mesmo será a captação de recursos no exterior.
Os investidores estrangeiros têm direcionado seus recursos para países
onde existem perspectivas reais de lucro, e uma razoável margem de
segurança. Isso nós estamos podendo oferecer.
AN - Nem a crise asiática e o pacote que o governo baixou em
função desta crise inibiram esses investimentos?
Kandir - Pelo contrário. Quando lançamos as medidas de ajuste,
o mercado reagiu positivamente, porque sentiu que enfrentamos a crise com
firmeza. Também está influindo positivamente o fato do Congresso
ter reagido e apressado as votações das mudanças constitucionais
que dão respaldo às medidas exigidas para que possamos acompanhar
esse mercado globalizado. As análises das grandes empresas de consultoria
financeira feitas em dezembro e janeiro indicam que continuamos a ser, ao
lado da China, um dos melhores lugares do mundo para se investir. Quanto
às possibilidades de alavancarmos R$ 20 bilhões, ou até
mais, elas são concretas. Estamos fazendo um grande esforço
para mostrar o que se faz no Brasil. No final de 1997, os técnicos
do "Brasil em Ação" estiveram nos Estados Unidos
mostrando o que estamos fazendo em infra-estrutura, numa feira que teve
a participação de diversos países latino-americanos.
Agora faremos um "road-show" pelas principais cidades norte-americanas,
mostrando nossas obras de infra-estrutura consideradas prioritárias
para potenciais investidores.
AN - Mas as oposições estão contestando esse
programa. Em primeiro lugar, dizem que não gera empregos. Como o
senhor rebateria?
Kandir - Gera emprego sim. Só o Promoradia e o Prosaneamento, que
vão beneficiar mais de 2,5 milhões de pessoas, ao entrarem
em funcionamento, vão gerar milhares de empregos. Além disso,
temos o Planfor, que está qualificando ou requalificando mais de
5 milhões de trabalhadores. Sem contar que cada um dos 13 projetos
que serão concluídos este ano vai gerar empregos diretos e
também indiretos. Exemplo: o gasoduto Brasil-Bolívia vai exigir
a instalação de centenas de oficinas de reparos de aço,
com operários especializados, ao longo do percurso. Além disso,
vão crescer o comércio e os serviços nas cidades onde
as obras são mais concentradas ou onde funcionarão centrais
de distribuição do combustível. E por aí vai.
"As metas do "Brasil em Ação"
são de 1996 e estamos atualizando-as regularmente, divulgando através
da imprensa, da Internet, num trabalho bem transparente"
AN - E as críticas sobre o uso dessas inaugurações
como uma maneira de "empurrar" a candidatura de Fernando Henrique
Cardoso escapando dos rigores da lei eleitoral.
Kandir As metas do "Brasil em Ação" são
de 1996 e estamos atualizando-as regularmente, divulgando através
da imprensa, da Internet, num trabalho bem transparente. Parece que a oposição
só agora descobriu que estamos trabalhando. O povo saberá
julgar tudo isso.
AN - Quais são as principais obras em andamento previstas no
plano?
Kandir - A hidrovia do rio Madeira, na Amazônia; a recuperação
das BR-364/163, no Acre, importante para a ligação com o Pacífico;
a linha de transmissão de Tucuruí, que vai servir a região
oeste do Pará com energia elétrica confiável e de baixo
custo; a hidrovia do São Francisco, no Nordeste; o sistema de transmissão
associado a Xingó, no Norte; a primeira etapa do porto de Suape,
em Pernambuco; a infra-estrutura do porto de Pecém, no Ceará;
a ponte rodoferroviária da Ferronorte, sobre o rio Paraná;
a modernização do porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro; a
duplicação da rodovia Fernão Dias, que liga São
Paulo a Belo Horizonte; a conclusão da hidrovia Tietê-Paraná;
o trecho da fronteira de Bolívia até Campinas, do gasoduto
Brasil-Bolívia; a interligação do sistema elétrico
em todo o País; o Proemprego, com obras no metrô do Rio de
Janeiro, São Paulo e Brasília (que será inaugurado)
e uma etapa do Prodetur (Programa de Desenvolvimento Turístico do
Nordeste), a ampliação do aeroporto de Fortaleza.
AN - Quanto aos investimentos na região Sul, a duplicação
da BR-101 fazia parte das metas divulgadas em dezembro de 97. No último
balanço do "Brasil em Ação" a duplicação
não aparece mais como obra a ser inaugurada em 98. O que ocorreu?
Kandir - As obras continuarão a todo vapor, como está acontecendo
agora. Os recursos do Eximbank estão assegurados. Ocorre que em muitos
trechos as dificuldades técnicas são grandes, as chuvas foram
fortes, enfim, não dá para arriscar e marcar uma inauguração
com tanta antecedência, se depois não se consegue terminar
a tempo. Mas até o ano que vem o trecho Curitiba-Florianópolis
deverá estar concluído.
AN - E o gasoduto Brasil-Bolívia?
Kandir - A idéia surgiu nos anos 70, mas foi preciso muita negociação
entre os dois países e esperou-se uma conjuntura econômica
favorável nos dois países. Aumentar a participação
do gás natural na matriz energética brasileira é o
principal objetivo da obra. Serão 130 municípios atingidos,
com 3.150 quilômetros de dutos. A previsão é de que
cidades do Estado de São Paulo já estejam usando este gás
em dezembro deste ano. As cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul estarão em condições de contar com o
gás em dezembro de 99.
Opinião
Osvaldo Douat também reconhece que o Prodec é importante para
alavancar o crescimento econômico de Santa Catarina
Arquivo AN
Endividamento do Estado vai dificultar o desenvolvimento
Poucos recursos para oferecer
a empreendedores afastam empresas
Joinville - O endividamento do Estado de Santa Catarina é fator
limitador do desenvolvimento. O governo tem tido dificuldades para oferecer
recursos a empreendedores, a exemplo do que fazem outros Estados, afirma
o presidente da Federação das Indústrias do Estado
de Santa Catarina (Fiesc), Osvaldo Douat. "Na busca por novos investimentos
não conseguimos acompanhar outros Estados", reforça.
Para o líder empresarial, foi importante a iniciativa oficial de
criar o Programa de Desenvolvimento das Empresas Catarinenses (Prodec) para
alavancar o crescimento econômico.
A questão de infra-estrutura mais preocupante continua sendo a
conservação das rodovias, notadamente a BR-101, eixo e corredor
de grande parcela da produção catarinense. "Está
sendo equacionada, com a sua duplicação", elogia Douat.
Para a Fiesc, a rodovia federal ainda é o grande calcanhar de Aquiles
do Estado.
Santa Catarina tem as melhores condições de se beneficiar
da segunda etapa do processo de globalização e privatização,
quando é esperada a chegada de empreendimentos de médio e
pequeno portes, ao redor do segmento automotivo, no novo eixo das montadoras,
concentradas no Paraná e Rio Grande do Sul, analisa, otimista, Douat.
Segundo o presidente da Fiesc, é vital as empresas entenderem que
treinamento de recursos humanos passa a ser fundamental em ambiente competitivo
a nível global se quiserem subsistir no mercado.
Ferrovias
Em relação ao sistema ferroviário, a entidade defende
a plena integração do Oeste a regiões limítrofes
e deprimidas economicamente do Paraná, Rio Grande do Sul e norte
da Argentina, mediante o aproveitamento do gás argentino e da madeira
pelas empresas catarinenses, especialmente as agroindústrias.
As obras de usinas hidrelétricas em andamento tranquilizam os
empresários, e garantirão o abastecimento, acredita Douat,
embora essa questão esteja presente nas conversas de executivos,
pois o insumo é essencial à atividade industrial e comercial.
Douat considera positivo o trabalho da Telesc. "A estatal tem um
dos melhores desempenhos e plano avançado no segmento de fibra ótica,
com atendimento satisfatório em telefonia celular". (Claudio
Loetz)
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Estudo elaborado pela Fiesc |
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Uma análise das questões relativas ao desenvolvimento econômico
sustentado para Santa Catarina resultou nas seguintes conclusões
básicas
No que concerne à logística, o planejamento estratégico
para o Estado detectou dois componentes centrais:
a) Uma saída a leste para o mar, pela construção
de um complexo portuário de dimensão continental na região
de Joinville/Babitonga, que é a componente básica para o atendimento
das condições impostas pela crescente globalização
e a necessidade de aumentar a participação da economia catarinense
na matriz econômica internacional;
b) Uma saída a oeste, com a construção de uma interligação
ferroviária desde o futuro porto de Joinville até a hidrovia
Paraguai-Paraná, centrada em Posadas-Yaciretá.
A criação deste eixo de desenvolvimento "horizontal",
leste-oeste, representa o engajamento da economia catarinense com a economia
do além-mar (EUA, Europa e Oriente) a leste, e com a economia do
Mercosul, notadamente, do centro-sul do continente sul-americano a oeste,
região esta desde Buenos Aires ao sul até Cáceres no
Mato Grosso, incluindo-se o Norte da Argentina, Centro-sul boliviano, e
o Paraguai. Representa a quebra da tradicional "economia de passagem"
norte-sul, que é a característica física central da
atual economia catarinense.
O planejamento do complexo portuário de Joinville-Babitonga deverá
incluir a construção de um centro de armazenamento como base
de apoio da logística de transporte marítimo de carnes e alimentos
pré-processados para exportação.
No setor industrial, comporta o Estado a instalação de
uma usina siderúrgica, pequena e moderna, para prover a região
de uma fonte local de aços planos (1 milhão t/a, "thin
slabs mill", modelo Nucor), que se constituirá em base para
a consolidação e expansão da indústria metal-mecânica
do Estado.
Implantação de um teleporto em Joinville, decorrente da
necessidade de telecomunicar-se com o exterior na mesma freqüência
de bits por segundo, num mundo de economia globalizada. O teleporto atuaria
como um epicentro regional de telecomunicações integrando-se
à malha mundial de teleportos "International Teleports
Overlay System" (plataforma superposta global).
O teleporto é parte essencial, junto com a logística, de
pólos de atração de investimentos, de indústrias
modernas, desde aquelas de conhecimento intensivo até as indústrias
de montagem com componentes provindos de diversas partes do mundo.
No setor eletroenergético, sendo a região litorânea
norte um "fim-de-linha" do sistema elétrico integrado Sul-sudeste-centro-oeste,
é recomendável a instalação de uma usina termoelétrica
de dimensão média (400-500 mW), para a formação
de um binário com a UTE Jorge Lacerda (800 mW) situada em Imbituba,
no litoral sul, visando a assegurar a estabilidade elétrica da região.
No setor de gás natural, recomenda-se promover a construção
de um gasoduto do noroeste argentino-Joinville, como a "terceira via
intermediária do gás", entre o gasoduto Bolívia-Brasil
ao norte, e o gasoduto argentino pelo sul. Desta forma, será possível
trazer o gás natural das grandes reservas do noroeste argentino até
o vale industrial do Itajaí, passando pela coluna central do Estado
e bifurcando-se para o Sul do Estado para alimentar a indústria cerâmica.
Recomenda-se a execução de um plano de ação
com vistas à promoção dos projetos acima propostos,
pela iniciativa privada, com o engajamento e o apoio político maciço
das autoridades governamentais.
As seguintes medidas são recomendadas:
a) Realização de um plano-mestre de construção
de um grande complexo portuário na Baía da Babitonga, de dimensão
continental, centrado no desenvolvimento de um porto com vocação
para contêineres, e pretensão de tornar-se um "hub"
regional de contêineres do Mercosul. Este plano-mestre deverá
incluir o replanejamento da retrologística ferroviária além
da questão portuária, e o planejamento do desenvolvimento
industrial (usina termoelétrica, usina siderúrgica, central
frigorífica para exportação de carnes, central retroportuária
multimodal, central de madeira e derivados, celulose, etc).
b) Promoção da construção de uma ferrovia
até Posadas, e sua conexão com a ferrovia em operação,
desde Assunção e Villarica até Buenos Aires. O estudo
de navegação, desde a represa de Yaciretá até
Buenos Aires-Assunção, também deverá ser contemplado.
c) Promoção de um empreendimento siderúrgico que
poderá constituir-se em base para a expansão da indústria
metal-mecânica, a partir de Joinville.
d) Promoção da construção de uma usina termoelétrica
com base no gás boliviano e argentino que poderá servir como
"âncora financeira" para a vinda do gás a Santa Catarina,
ou importação de combustíveis líquidos pelo
futuro porto de Joinville-Babitonga.
Finalmente, é necessário destacar a necessidade de um engajamento
político das lideranças empresariais e políticas do
Estado para a realização do bem comum. Somente este engajamento
poderá vencer a competição cada vez mais acirrada dos
outros Estados pelo desenvolvimento econômico (por exemplo do porto
de Sepetiba, no Rio de Janeiro, e de Paranaguá, no Paraná). |
Encargos
Trabalhadores ganham salário indireto
Foto: Silvio Reinert
CUT questiona critérios de formação
do "custo Brasil"
Amilcar Oliveira
Florianópolis - A maior central de trabalhadores de Santa Catarina,
a Central Única dos Trabalhadores (CUT/SC), com 119 sindicatos filiados
e mais de 200 mil trabalhadores na base, questiona os critérios que
determinam a fixação do "custo Brasil". Do ponto
de vista do trabalho, os encargos sociais, que contribuem expressivamente
para a elevação desse índice, segundo os empresários,
são alvo freqüente dos dirigentes da central. O que é
considerado encargo para os empresários, e que ultrapassa os 100%
sobre a folha, é visto como salário indireto pelos sindicalistas
e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos
(Dieese). Os encargos, para os sindicalistas, ficam em torno de 25% sobre
os salários.
A proposta de contrato temporário, em fase final de votação
no Congresso Nacional, é vista pela CUT como forma de os empresários
garantirem redução de custos, mas não de gerar empregos,
o que tornaria nulo o efeito desejado. "O governo fez uma opção,
inserindo o Brasil de forma subordinada na integração mundial",
afirma o secretário-geral da CUT/SC, Clemente Mannes. No plano interno,
a integração repassa para os trabalhadores os custos da inserção.
A CUT propõe projeto alternativo de política industrial para
o País.
"Desde o ano passado discutimos o Plano Nacional de Desenvolvimento
(PND), um conjunto de medidas que visa ao estabelecimento de diretrizes
que se contrapõem à subordinação ao mercado
internacional", cita Mannes. Além desse projeto, mais amplo,
a central propôs recentemente pontos específicos para discussão
com os empresários. Entre eles, a redução de jornada,
sem redução de salário, projeto de renda mínima
para os trabalhadores, mediante certas condições, autonomia
sindical e busca de relações de trabalho mais democráticas,
com organização por local de trabalho e participação
nos lucros e resultados das empresas.
Abertura de mercado sem
a regulamentação é criticada
O dirigente da central critica a falta de políticas globais para
regular a abertura do mercado de forma que as indústrias possam ter
tempo de se adaptar às mudanças. Para agravar ainda mais a
situação, o Plano Real supervalorizou a moeda brasileira,
causando dificuldades na balança comercial e no balanço de
pagamentos. Mannes lembra que as barreiras alfandegárias, que eram
em média de 70%, hoje estão em 19%. "O resultado é
quebradeira, principalmente de pequenas empresas, um impacto enorme sobre
a economia e desemprego."
O movimento sindical se contrapõe setorialmente às propostas
encaminhadas ao governo federal, que alteram a situação dos
trabalhadores, e procura apresentar alternativas. A proposta de adoção
do contrato temporário é rechaçada pelos sindicalistas.
A implantação do banco de horas, incluído como artigo
na lei que regula o contrato temporário, é encarada como mera
flexibilização da jornada.
"Em São Paulo, as empresas e os sindicatos não sentam
apenas uma vez por ano para discutir, como em Santa Catarina. Lá
existe negociação permanente." Os sindicalistas querem
primeiro discutir essas questões com as empresas, para depois aprofundar
a discussão sobre o "custo Brasil". O dirigente diz que
os trabalhadores aceitam discutir banco de horas desde que as empresas aceitem
democratizar as relações de trabalho. "Enquanto a discussão
for apenas para reduzir postos de trabalho aqui para gerar emprego lá
fora, a discussão não avança." |
ENTREVISTA/ Paulo Afonso vieira
Governo atento ao "custo Santa Catarina"
Investimentos em setores
fundamentais para que a indústria possa crescer estão sendo
encaminhados
Claudio Loetz
Florianópolis - O governador catarinense Paulo Afonso Vieira admite
que a conservação das rodovias, os custos portuários
e a situação das ferrovias "contribuem para a elevação
do custo Santa Catarina". Mas, ressalva: a privatização,
via concessão de estradas à iniciativa privada, e o modelo
de parceria adotado no porto de São Francisco do Sul são sinais
de melhoria.
O Estado recuperou grande parcela das estradas estaduais. "Faltam
só 70 quilômetros", diz, satisfeito, o governador. Para
ele, o fundamental é concluir a pavimentação da BR-282,
de modo a integrar de vez todo o Oeste ao litoral.
Tornar economicamente mais dinâmicas as regiões do Planalto
Norte, parte do Sul e a região serrana é o desafio a ser superado.
A expectativa é, via Programa de Desenvolvimento de Empresas Catarinenses
(Prodec), fomentar o crescimento nessas regiões.
Santa Catarina não perdeu competitividade em razão de problemas
de infra-estrutura, na opinião de Paulo Afonso. Ele debita à
crise de Estado as dificuldades, que "são comuns às unidades
da Federação". Paulo Afonso vê a construção
de fábricas e filiais de empresas catarinenses em outros Estados
como fatos naturais do processo de globalização.
O governador diz que o estudo de "project finance" para atrair
a General Motors está quase pronto. "O anúncio da vinda
da General Motors depende de uma coisa: o que o Estado pode contribuir.
Essa é a questão".
Paulo Afonso acredita que "o próximo governante vai privatizar
a Celesc", ainda que durante a campanha eleitoral os candidatos neguem
a intenção. Isso "só não acontecerá
agora por falta de condições políticas", admite.
O governador relacionou as obras em Itá, Machadinho e em Jorge
Lacerda IV para demonstrar que o setor não foi esquecido. "Acontece
que desde 1980 os investimentos em energia, no País, foram pequenos".
Daí, a preocupação com a qualidade dos serviços.
No caso da Telesc, a privatização torna-se imperativa em
razão do modelo escolhido pelo governo federal. A estatal oferece
excelente trabalho à comunidade, considera Paulo Afonso.
A Notícia - O senhor concorda que Santa Catarina perdeu a capacidade
de atrair investimentos de porte, nos últimos anos, por deficiências
de infra-estrutura, tais como energia, transportes, telecomunicações
e incentivos?
Paulo Afonso Vieira - Tivemos problemas semelhantes aos de outros Estados
da Federação. Por um bom tempo, uns dez anos, se investiu,
no Brasil, muito menos em infra-estrutura. Algumas rodovias federais, hoje,
estão sendo recuperadas. Estavam em estado de precariedade bastante
grande. Com a crise do Estado, e a sua incapacidade de investimento, durante
muito tempo, teve diminuída a sua condição de aplicar
recursos em infra-estrutura. Isso atingiu Santa Catarina e todo o País.
AN - Algumas das indústrias catarinenses optaram, nos últimos
anos, por investir em outras regiões do País. Como o senhor
enxerga esse processo de "desestadualização" industrial?
Paulo Afonso - Os grandes grupos agroindustriais, por exemplo, que são
marcantemente catarinenses, estão fazendo investimentos, tanto em
Santa Catarina, como em novas fronteiras. Essas regiões são
a Santa Catarina de ontem. Não acho estranho, por exemplo, que a
Sadia e Perdigão tenham investimentos em Goiás e Mato Grosso.
Desconheço que algum grupo empresarial de peso tenha ido embora do
Estado.
AN - O senhor citou Sadia e Perdigão. Temos a Tigre, com fábrica
em Rio Claro (São Paulo), a Akros, em Minas Gerais, e a Wiest em
Fortaleza, no Ceará.
Paulo Afonso - Pois é. Mas elas estão investindo aqui. É
diferente da indústria calçadista do Rio Grande do Sul, que
foi embora do Estado. Vejo os grupos catarinenses reafirmando sua condição
local num mundo globalizado. Houve um instante em que era promissor para
a indústria têxtil abrir filiais no Nordeste. E muitas fizeram;
algumas bem sucedidas, outras nem tanto. Por uma série de razões.
Temos que encarar isso como um processo normal no momento em que o mundo
se globaliza.
AN - Nesse contexto, em que pé está a vinda de fábrica
da General Motors para cá?
Paulo Afonso - É uma questão bem encaminhada. Evidentemente,
que o nosso encaminhamento é diferente do Rio Grande do Sul, onde
houve um aporte de recursos estaduais para o empreendimento. Estamos terminando
o que se chama project finance. Tenho convencimento de que vai dar tudo
certo. Não vejo nenhuma razão para não dar certo. A
decisão da empresa de investir em Santa Catarina já existe.
Em que o Estado contribui: essa é a discussão.
AN - Vamos tratar de energia como insumo essencial ao desenvolvimento.
Pinçando alguns aspectos do que nos foi dito no caderno publicado
em setembro. A Fundição Tupy, principal consumidor, declarou
que poderia buscar energia em outro Estado, ou até mesmo mudar de
matriz energética se a Celesc não melhorasse a qualidade do
serviço. Como o senhor analisa isso?
Paulo Afonso - A Celesc é uma das melhores concessionárias
de energia elétrica do Brasil. O governo vem fazendo esforço
grande de investimento em transmissão e subestações
para aprimorar a qualidade da energia gerada. A empresa está engajada
na retomada da geração. Com a desregulamentação
do setor, o que diz a Tupy será possível. A Celesc não
deve ter receio da competitividade.
AN - Estudo coordenado pelo ex-ministro Eliezer Batista, para a Federação
das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), conclui que a
possibilidade de déficit energético no Centro-sul é
de 14% este ano e de 12% para 1999. O governo conhece o estudo e se preocupa
com isso?
Paulo Afonso - Os investimentos em infra-estrutura, em todo o Brasil e no
Estado não existiram, como referido no início. Isso nos atrasou.
Uma usina hidrelétrica, por exemplo, não se constrói
em três semanas. Desde 1980, nunca tantos novos processos foram deflagrados
no setor de energia. Itá está em andamento, a Jorge Lacerda
IV foi, finalmente, concluída. Os projetos das usinas de Machadinho
e Campos Novos mostram-se bastante viáveis. Vamos ter preocupação
ainda por algum tempo, até que isso tudo amadureça.
"Por um bom tempo, uns dez anos,
se investiu, no Brasil, muito menos em infra-estrutura. Algumas rodovias
federais, hoje, estão sendo recuperadas"
AN - O senhor defende a privatização da Celesc?
Paulo Afonso - Sempre defendi o processo de parceirização.
Nada tenho contra a privatização da Celesc. Não vejo,
no curto prazo, a condição política de fazer isso.
Entendo que esse é o caminho a ser trilhado. E digo mais: é
capaz que os candidatos a governador nada digam sobre isso. E mais, ainda:
façam juras de amor ao caráter estatal da Celesc... Mas, não
acredito que essa seja a ação posterior.
AN - O senhor aposta que o governador que vai sucedê-lo irá
privatizar a Celesc.
Paulo Afonso - Vai privatizar a Celesc.
AN - Transportes, governador. O senhor concorda que conservação
das estradas, os custos portuários e a situação das
ferrovias contribuem para elevar o chamado "custo Santa Catarina"?
Paulo Afonso - Concordo. Mas, estamos com as saídas engrenadas. A
privatização é necessária. Estamos com editais
e habilitações em andamento para concessão de rodovias
da malha catarinense na BR-470. O porto de São Francisco do Sul já
tem obras terceirizadas. Fizemos investimentos no porto. A qualidade dos
serviços cresceu significativamente. Neste setor não vejo
outra saída. O poder público, nestas áreas, sempre
será deficiente pelo volume de recursos demandados. Defendo a parceria,
não a privatização total, nesse caso.
AN - A BR-101 é o eixo do desenvolvimento catarinense. Depois
de duplicada, o senhor acha necessário cobrança de tributo
para manter a sua conservação?
Paulo Afonso - Acho que se deva cobrar uma taxa vinculada ao setor rodoviário,
sem aumentar a tributação já existente. Isso garantiria
fonte de financiamento própria ao segmento.
AN - Estudo preparado para a Fiesc reclama a interligação
efetiva do Oeste à economia catarinense, mediante rodovia que cruzaria
o Estado, partindo do porto de São Francisco do Sul, quase em paralelo
à BR-282.
Paulo Afonso - Hoje devemos priorizar a conclusão da BR-282. Estamos
fazendo o trecho Lages-São José do Cerrito. Faltaria o trecho
de São José do Cerrito até Campos Novos. Ela estaria
pronta, de São Miguel do Oeste até o litoral.
AN - O Oeste está plenamente integrado à economia estadual?
Paulo Afonso - Não acho que o Oeste esteja desintegrado ao resto
do Estado. Acontece que tivemos uma história de desintegração.
A primeira grande rodovia em Santa Catarina, a BR-116, nos seccionou, nos
dividiu. Nós tínhamos o asfalto no sentido Norte-Sul. Quem
vinha do Oeste, encontrava o asfalto na BR-116 e, portanto, era mais confortável
ir até Curitiba do que enfrentar quase 300 quilômetros de chão,
até Florianópolis.
AN - E a BR-101 também corre no sentido Norte-Sul.
Paulo Afonso - Ela fez a integração litorânea. Com a
282, e com as outras - BR-280, BR- 470 - se faz a integração
Leste-Oeste.
AN - Como o senhor avalia o trabalho do seu governo no setor rodoviário?
Paulo Afonso - Estamos concluindo o programa Bird de recuperação
das rodovias. Faltam 70 quilômetros, só. Mais de 80% da malha
foi recuperada. Ficam poucas rodovias da malha estadual com necessidade
de executar obras. A Dona Francisca, que não está no programa;
o trecho de Criciúma a Urussanga. O programa BID-III permitirá
a pavimentação de 500 quilômetros. E estamos colocando
recursos do Estado em rodovias federais.
AN - No campo das telecomunicações, o Estado atende
adequadamente aos usuários de telefones, e de comunicação
de dados?
Paulo Afonso - A Telesc corresponde à expectativa, sim. Não
ficamos para trás no setor. Abre-se a Telesc à iniciativa
privada não porque seja deficiente. Mas porque esse é o modelo.
Aqui, em muitos municípios, havia oferta, e não havia demanda.
A privatização é decorrência da nova realidade,
não uma penalização pelo desempenho da estatal.
AN - O governo criou o Programa de Desenvolvimento das Empresas Catarinenses
(Prodec), em suas diversas formatações. O Prodec ainda é
visto, por algumas lideranças empresariais, como fonte de concentração
de renda. Dizem que o programa atende às empresas maiores.
Paulo Afonso - Discordo. O Prodec é um programa de autofinanciamento.
A empresa se financia com o próprio imposto gerado. Não há
ônus à sociedade. Não é o governo que escolhe
a quem dar os recursos; eles retornam às empresas, proporcionalmente
ao que elas criam.
AN - E como age o Prodec para viabilizar a desconcentração
regional da riqueza?
Paulo Afonso - A preocupação é com a desconcentração
regional, sim. O que se quer é estimular o desenvolvimento em duas
ou três regiões do Estado, que são, reconhecidamente,
menos dinâmicas, economicamente. É o caso do Planalto Norte,
de parte do Sul e da região serrana.
Madeireiras querem mudar a tributação
Excesso de impostos causa
problemas burocráticos na hora do acerto de contas. Também
falta planejamento
Loreno Siega
Lages - José Suppi, diretor da Battistella Indústria e
Comércio Ltda e um dos líderes empresariais mais expressivos
de Lages, avalia que a questão dos transportes e o excesso de burocracia
na tributação são os maiores entraves para o desenvolvimento
das empresas catarinenses como um todo, e do setor madeireiro, em particular.
Ele entende que o governo em seu sentido mais geral não está
tomando medidas estruturais para enfrentar esse problema. "Eles atuam
de forma muito pulverizada. Deveriam fazer um planejamento mais central
e estratégico, envolvendo os diversos setores e agir nas questões
fundamentais para nossa economia", sustentou.
Outro problema apontado por José Suppi na formação
do "custo Santa Catarina" é o excesso de impostos e toda
a burocracia decorrente na cobrança dos tributos. "Os empresários
não sabem quantos impostos precisam pagar, quais esses impostos e
em que data devem honrar com o pagamento. Ficam numa situação
curiosa, como se fossem reféns dos técnicos e burocratas que
precisam ser contratados só para dar conta dessa parafernália.
No meu entender deveria haver no máximo cinco tipos de impostos,
sem necessariamente haver redução na carga tributária.
Isso já melhoraria em muito a situação", sentenciou.
Energia
Suppi avalia que o custo da energia em Santa Catarina ainda está
entre as mais baratas praticadas no Brasil. "E a tendência é
que esse custo barateie ainda mais com a entrada do gás natural da
Bolívia e Argentina", previu. Na mesma questão, colocou
que Santa Catarina deveria explorar melhor seus grandes potenciais hidroelétricos
para que a energia fique ainda mais barata e acessível. "Além
disso há outras formas de energia que poderiam ser melhor exploradas
pelas empresas e pelo Estado como o carvão e o aproveitamento de
resíduos de biomassa."
O empresário informou que a filial da Battistella de Rio Negrinho
já é auto-suficiente em energia apenas utilizando resíduos
de madeira em um gerador próprio de energia. "Pretendemos implantar
esse tipo de gerador aqui em Lages se a energia não baratear muito,
o que inviabilizaria os altos investimentos necessários para isso",
disse.
Ele aponta três caminhos nos quais o Estado deveria investir pesado
no futuro na questão transportes: a melhora nas estradas, implantação
de ferrovias e a melhoria na estrutura e agilidade dos portos.
Transporte através de rodovias
acaba encarecendo o produto final
O líder empresarial José Suppi, que já foi presidente
da Associação Comercial e Industrial de Lages e da Facisc,
entende que na questão dos transportes o governo federal deveria
mudar o centro de atenção. "Predomina em nosso Estado
a modalidade de transporte rodoviário, que é o mais caro.
Além disso a pavimentação de nossas rodovias federais
no sentido leste-oeste não estão concluídas, o que
torna as distâncias e o custo final do transporte ainda maiores. Isso
sem contar aqueles pequenos trechos sem pavimentação que faltam
nas rodovias estaduais e a situação precária de muitas
delas", disse.
Já na questão da formação da mão-de-obra,
o líder empresarial entende que há setores privilegiados em
Santa Catarina e outros que ainda são deficitários. Citou
os setores cerâmico, metal-mecânico e têxtil como de excelência.
"Já no setor madeireiro a formação da mão-de-obra
deixa muito a desejar", frisou. A esperança de Suppi é
o curso de terceiro grau em Tecnologia da Madeira, recentemente criado pela
Uniplac, de Lages. "Estamos apostando nesse curso não apenas
para formar mão-de-obra para as madeireiras já existentes,
mas também para formar novos empresários para o setor",
disse.
Com relação às telecomunicações, Suppi
diz que o Estado está bem servido. Apenas espera que os custos diminuam
para tornar as empresas ainda mais competitivas. (LS)
Tecnologia e treinamento são as armas
da Incoplast
Silvia Zarbato
São Ludgero - A Incoplast Embalagens Ltda, situada em São
Ludgero, no Sul do Estado, é uma empresa que sempre buscou novos
mercados e novas tecnologias para a produção de embalagens
plásticas, que chega a mil toneladas/mês, e isto requer um
grande gasto em vários aspectos, como por exemplo, de energia elétrica.
Para driblar estes custos, o diretor-presidente da empresa, Mário
Schilickmann, disse que a única saída foi apostar em treinamento
de pessoal, já que são eles que produzem e sabem lidar com
os equipamentos.
"Hoje em dia quem não capacita seus empregados para um melhor
rendimento e, é claro, para redução de gastos, está
fadado a perder espaço no mercado competitivo", alertou. Para
que a Incoplast não perca este espaço, a diretoria da empresa
sempre contrata consultores de outros Estados na área da qualidade
para instruir seus funcionários. Também forma monitores da
própria empresa para que as informações sejam com freqüência
repassadas a todos os setores, desde a cozinheira até os diretores.
Estes treinamentos são dados na própria empresa, que tem
uma área disponível de 1.300 metros quadrados destinada à
realização de cursos, especializações e palestras
motivacionais. "Os resultados destes treinamentos em 1997 foram surpreendentes.
A redução de gastos relacionados a energia, tributação
e transporte diminuiram em torno de 8%, número considerado bom para
o porte da Incoplast", avaliou o diretor-presidente. De acordo com
ele, tudo o que for possível reduzir é bom para a empresa.
"A diminuição gera um maior faturamento", declarou
Schilickmann.
Novas máquinas
A redução de gastos na sua opinião, é um
fomentador para aquisição de máquinas e equipamentos
modernos. "Economiza-se de um lado e aplica-se de outro. Equipamentos
de alta tecnologia produzem com maior qualidade e fazem com que os nossos
produtos sejam bem vistos pelo mercado nacional e principalmente internacional",
garantiu.
A implantação do programa de Qualidade Total foi outro
fator que mudou a mentalidade dos funcionários, que passaram mais
a se preocupar com o desperdício. E a seqüência disto
foi a conquista da ISO 9002.
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