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A imagem da opressão
Fotógrafa catarinense
é premiada e tem
Trabalho exposto em Paris e no Senado dos EUA
SÍlvio Melatti
Joinville Nascida praticamente dentro de uma redação
de jornal, a fotógrafa joinvilense Ronira Fruhstuck acostumou-se,
desde cedo, com o cheiro de tinta das máquinas de impressão
e com o pó preto da tipografia. Nesse ambiente agitado, onde se trava
intenso duelo entre palavra e imagem, ela foi aos poucos moldando seus desejos.
A imagem se impôs, virou fotógrafa; a curiosidade cresceu,
virou viajante solitária, aventureira, exploradora de paisagens exóticas.
Morando na Flórida (EUA) desde 1986, Ronira não
perdeu a inquietude dos anos adolescentes, quando cruzava o Brasil de carona.
Em sua última viagem, subiu no topo do mundo e registrou a vida isolada
dos habitantes do Tibet e do Nepal. Na volta, enquanto se refazia das fortes
emoções causadas pelo contraste cultural e geográfico,
tomou outro susto: uma das fotos foi premiada três vezes.
"O Espectador", que mostra um tibetano espiando chineses jogando
cartas num restaurante, foi escolhida a melhor fotografia do concurso anual
realizado na Flórida. Em seguida, foi selecionada para exposição
no Senado norte-americano, em Washington. Por último, escolhida para
figurar na mostra comemorativa aos 50 anos da Declaração Universal
dos Direitos Humanos, no Palácio do Congresso, em Paris.
Além da qualidade técnica, a foto de Ronira ganhou destaque
pelo conteúdo humano. Captada num momento especial, mostra a situação
de todo um país, transformando-se no símbolo da submissão
dos tibetanos aos chineses. A fotógrafa relata: "Eu estava num
restaurante chinês na região do Monte Everest. O tibetano estava
na janela, do lado de fora. Ele não tem permissão para entrar
simplesmente por ser nativo do Tibet. É essa a situação
de todos os seus conterrâneos, que, do lado de fora, esperam o milagre
da liberdade".
Saudosa do Brasil, Ronira prepara-se para mostrar seu trabalho aqui.
Está agendando exposições em Joinville e São
Paulo para o início de 1999. Filha de ex-funcionários de A
Notícia, ela quer fotografar a cidade natal antes de partir para
nova aventura em algum ponto perdido do globo. Como sempre, virá
"armada": "Quando viajo, carrego pouquíssima bagagem
pessoal e pelo menos nove quilos de material fotográfico".

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