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Programação do Cinema e filmes na TV.
Cinema

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Um homem de teatro chamado
Paulo Autran
Ator abre mão de lugares-comuns
como "monstro sagrado" e "gênio" e afirma que
o aperfeiçoamento vem a cada dia. Hoje, ele abre a sexta edição
do Festival Isnard Azevedo com "Quadrante" e autografa seu livro
"Um Homem no Palco", em Florianópolis
Maurício Oliveira
Florianópolis - Monstro sagrado, lenda viva, gênio do palco.
Aos 76 anos, Paulo Autran assegura estar vacinado contra lugares-comuns
do gênero. "O mito só existe na cabeça dos outros.
Para mim não há nada disso", diz. Não se trata
de falsa modéstia. Ele sabe que imprimiu a cada um dos papéis
da carreira um padrão mínimo de qualidade, mas ressalta que
jamais se distanciou do exercício da autocrítica. "Um
ator precisa se aperfeiçoar a cada dia", recomenda.
Autran abre hoje à noite o 6º Festival Nacional de Teatro
Isnard Azevedo com "Quadrante", bem-humorada interpretação
de trechos da literatura brasileira - prosa, crônica e poesia. Produção
barata, fácil de "carregar" pelo País, a peça
o acompanha desde o final da década passada. "Muita gente me
conta que começou a gostar de ler depois de assistir 'Quadrante'",
orgulha-se o ator, leitor compulsivo desde a infância.
Nascido no Rio de Janeiro, ele se mudou com poucos meses para Espírito
Santo do Pinhal, interior de São Paulo. O pai, delegado, foi ainda
transferido para Caçapava e Sorocaba. Com a inesperada morte da mãe,
quando o menino tinha seis anos, a família se mudou para uma casa
na rua Augusta, Centro de São Paulo. Apesar da ausência de
Madalena, não faltaram mulheres na vida de Autran, criado pela avó
e por uma tia ao lado das três irmãs.
Homem de teatro que no ano que vem comemora 50 anos de carreira profissional,
Autran não gosta de fazer televisão e participou de poucos
filmes - entre eles o cultuado "Terra em Transe", de Gláuber
Rocha, em 1966. A trajetória no palco inclui quase uma centena de
peças, com destaque para as shakespearianas "Otelo" (1956),
"Macbeth" (1970), "Coriolano" (1973), "A Tempestade"
(1994) e "Rei Lear" (1996); a tragédia grega "Antígone",
de Sófocles (1952); o musical "My Fair Lady" (1962/63);
"Liberdade, Liberdade", de Flávio Rangel e Millôr
Fernandes (1965/66); "O Burguês Fidalgo", de Molière
(1968); "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Mello
Neto (1969), a comédia boulevard "Pato com Laranja" (1978-80),
e "A Vida de Galileu", de Bertolt Brecht (1989).
A estréia no teatro profissional aconteceu em 13 de dezembro de
1949, em "Um Deus Dormiu lá em Casa", com Tônia Carrero.
Nos quatro anos anteriores, Autran havia se dedicado simultaneamente às
peças amadoras e ao escritório de advocacia montado logo depois
de concluir o curso de direito, em 1945. Só se decidiu pelo teatro
com 27 anos de idade.
Após o espetáculo, Autran autografa o livro "Um Homem
no Palco", resultado de uma série de depoimentos concedidos
ao crítico de teatro Alberto Guzik. De acordo com o próprio
Guzik, leitores ávidos por fofocas não devem gastar R$ 28,00
com a obra. "Quem procura em entrevistas com artistas revelações
bombásticas sobre sua intimidade está condenado a se decepcionar
com este livro", adverte o autor. Autran sempre evitou responder a
perguntas pessoais. Assim, conseguiu como poucos preservar a privacidade.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone de São Paulo na
última quarta-feira, Autran fala um pouco mais da grande paixão
da sua vida - o teatro. (MO)
Entrevista/Paulo Autran
Anexo - Você vem a Florianópolis participar de um festival
de teatro que se propõe a revelar novos talentos. O Brasil está
produzindo bons atores?
Paulo Autran - Todo ano as escolas de teatro desovam uma série
de atores e atrizes de talento. Boa parte dos espetáculos de conclusão
de curso é de peças muito boas. O teatro se multiplicou de
uma maneira impressionante no País, e eu fico satisfeito com isso.
Anexo - A atração profissional e financeira que a televisão
exerce sobre os atores não atrapalha o teatro?
Autran - Pelo contrário, a televisão ajuda a divulgar o
teatro. Embora eu, pessoalmente, não goste de fazer novela. Não
gosto de ficar meses e meses preso a um compromisso. Em televisão,
agora, só aceito papéis pequenos. Mas até minissérie
é uma complicação. Tinham me dito que a gravação
de "Hilda Furacão" duraria três meses, mas durou
seis.
Anexo - Como você avalia o nível atual da televisão
brasileira?
Autran - Acho que, por serem concessões públicas, os canais
têm obrigação de oferecer uma programação
de bom nível - algo que, em geral, não está acontecendo.
Anexo - Qual o momento desses quase 50 anos de carreira que mais orgulha
você?
Autran - É uma pergunta difícil, porque foram muitos momentos
gratificantes, tantas peças boas... Mas acho que "Liberdade,
Liberdade" foi marcante por ter sido a primeira manifestação
pública de uma classe profissional contra o golpe militar de 1964.
A peça foi escrita pelo Flávio Rangel e pelo Millôr
Fernandes e estreou em 1965.
Anexo - A peça que você vai apresentar em Florianópolis,
"Quadrante", está no seu repertório desde a década
de 80. Como se explica a longa vida desse monólogo?
Autran - Na verdade, não é um monólogo. Eu chamo
de show, porque monólogo tem começo, meio e fim, e não
é o caso. "Quadrante" é uma série de recitações
de autores da literatura, quase todos brasileiros. Tem Rubem Braga, Mário
Quintana, Monteiro Lobato, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Vinícius
de Moraes... É uma peça com muito humor, que realmente agrada
ao público. É por isso que prefiro a palavra "show".
Você não chamaria um espetáculo do Jô Soares de
monólogo, chamaria?
Anexo - Você tem uma trajetória eclética, atuando
em peças clássicas e contemporâneas. Qual o melhor texto
que você conheceu?
Autran - Ah, Shakespeare é imbatível.
Anexo - E entre os brasileiros?
Autran - Acho que a obra-prima da dramaturgia brasileira é "Morte
e Vida Severina", do João Cabral de Mello Neto, que fiz em 1969.
Anexo - Durante o Festival Isnard de Azevedo você também
vai autografar "Um Homem no Palco". Ao ver o livro pronto, você
percebeu alguma passagem importante que tenha ficado de fora?
Autran - É claro que uma vida de 76 anos não cabe num livro
de 200 e poucas páginas. Foram nove horas de entrevistas que tiveram
que ser condensadas. Mas não houve nada de essencial que tenha ficado
de fora.
Anexo - Quais são os próximos projetos?
Autran - Estou montando "Sábado, Domingo e Segunda",
um texto delicioso do italiano Eduardo Fillippo. Apesar de ser uma comédia,
retrata o ser humano com rara profundidade.
Festival tem 27
espetáculos programados
Vinte e sete espetáculos teatrais oriundos de vários Estados
brasileiros estão programados para o 6º Festival Nacional de
Teatro Isnard Azevedo, promoção da Prefeitura de Florianópolis
que começa hoje à noite. Abre o festival a peça "Quadrante",
com Paulo Autran, às 21 horas, no Centro Integrado de Cultura (CIC),
com ingressos a apenas R$ 5,00.
A programação prossegue até o próximo sábado,
com apresentações no CIC, Teatro Álvaro de Carvalho
(TAC) e largo da Catedral Metropolitana, além das "sessões
malditas" diárias, sempre a partir da meia-noite e em locais
diferentes. Logo depois de apresentar "Quadrante", Paulo Autran
vai autografar, no hall do CIC, o livro "Um Homem no Palco". (MO)
Trechos do livro
"Paulo Autran,
Um Homem no Palco".
"Na hora de fecharem o caixão, me pegaram no colo e disseram:
'beije sua mãe'. Olhei e vi que era minha mãe, que estava
dormindo. Quando beijei, percebi. 'Não é minha mãe,
é uma estátua. É uma estátua branca, gelada,
não é minha mãe." - sobre a morte da mãe,
quando tinha seis anos.
"Eu lembro que brincava na rua e de repente a empregada aparecia
na janela: 'Cuidado! Vem vindo um carro!" - descrevendo a infância
na então tranqüila rua Augusta, Centro de São Paulo.
"A vida toda, sempre tive uma sensação a respeito
de quase tudo. Achava que estava 'transitoriamente'. Não pertencia
ao colégio, não fazia parte (...) Eu era sempre assim, me
sentia estranho. Só passei a sentir que 'pertencia' a alguma coisa
quando comecei a fazer teatro." - sobre o começo no teatro
amador, depois de quatro anos exercendo a advocacia.
"Minha primeira entrada em cena, o primeiro papel que fiz na minha
vida, foi de demônio. Tinha uns oito anos, e botei um chinelo vermelho
da minha tia, um calção vermelho de pano, e minha tia fez
um chifrinhos de papel pintado de preto." - lembrando as peças
que fazia com as irmãs e primos para serem apresentadas aos adultos
da família.
"É uma besteira ter medo dela, porque a gente morre de qualquer
jeito. E acho que se não houvesse a morte, a vida seria insuportável.
A vida é maravilhosa porque a gente sabe que vai morrer." -
sobre a morte.
Programa Cultura Viva
contempla casa em Timbó
Propriedade do imigrante
alemão
Ernst Zimath tem 108 anos
Blumenau - A casa de tijolinho à vista construída em 1890
pelo imigrante alemão Ernst Wilhelm Emil Zimath continua intacta
na grande propriedade rural da localidade de Pomeranos, interior de Timbó.
A sua família manteve a atividade agrícola das terras nos
arredores e, consciente do valor histórico do imóvel que há
mais de um século abriga várias gerações dos
Zimath, inscreveu-se no edital e foi vencedora do Prêmio de Estímulo
à Restauração de Patrimônio Histórico
da Fundação Catarinense de Cultura.
O agricultor Nobert Zimath, neto do primeiro morador, foi um dos 46 contemplados
pelo programa Cultura Viva 1998, entre os 208 projetos inscritos em 11 categorias,
de todo o Estado. Os recursos, de R$ 12 mil, serão usados na recuperação
e reforma da residência, onde Nobert mora com a mulher e dois filhos.
Os serviços serão executados pela empreiteira HD Construções,
de Pomerode, única da região especializada em restauração
de prédios antigos do patrimônio histórico.
Esta é a primeira vez que Timbó inscreve um projeto no
Cultura Viva. Todo o processo foi elaborado pela Secretaria Municipal de
Educação e Cultura, com ajuda da arquiteta Iara Pabst, de
Indaial. Apesar de ter mais de 200 construções típicas
italianas ou alemãs cadastradas, e pelo menos umas quatro em urgente
necessidade de recuperação, a diretora de Cultura de Timbó,
Ivone Gumz, afirma que apenas na residência Zimath encontrou receptividade
para encaminhar o projeto. "Em toda a família, desde os mais
novos, há uma valorização da casa, que é seu
orgulho", afirma.
A casa foi construída em 1890, quatro anos depois da chegada do
imigrante Ernst Wilhelm Emil Zimath, vindo da região de Hamburgo,
na Alemanha. Ele tinha 16 anos e recebeu uma gleba de 200 mil metros quadrados
de terra para cultivar e construir sua morada. Do terreno, restou pouco
mais da metade da área, que continua dando o sustento da família,
através da agricultura. Mas a casa de 189 metros quadrados permanece
original e em bom estado, considerando seu centenário. Documentos
da família comprovam que a casa foi construída em mutirão
pelos vizinhos, com tijolos fabricados na região e madeira cortada
a mão nas próprias matas.
Peça de Novaes é
encenada em Blumenau
Blumenau - Filosofias de bar à parte, você já parou
para pensar que, na verdade, não passa de um espermatozóide
crescido? O dramaturgo Carlos Eduardo Novaes não só chegou
a essa conclusão como construiu a história de um homem, desde
os testículos de seu pai, até as linhas da cabeça desprovida.
O espetáculo "Confidências de um Espermatozóide
Careca", com o ator Vicentini Gomes, está em cartaz no Brasil
há nove anos e será apresentado hoje, às 21 horas,
no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau. Os ingressos custam R$ 10,00 (antecipados)
e R$ 25,00 no dia.
O texto foi construído sob medida para o ator, que no palco incorpora
um homem médio brasileiro às voltas com suas próprias
contradições. Regride para sua situação mais
original, ou seja, um espermatozóide que habita os testículos
do pai, em 1940, onde inicia uma viagem nas décadas de vida. No percurso
vai tratando de qualquer tema que tenha relação com sua existência:
repressão infantil, a descoberta do sexo, o golpe de 64, separação
conjugal. Sempre com o humor cheio de veneno e sutileza, característicos
na obra de Novaes. "Confidências..." trata a malícia
bem humorada com o requinte e elegância que o título não
sugere.
Vicentini Gomes é um ator premiado no Brasil e Espanha, que coleciona
trabalhos em seriados, novelas e comerciais das TVs nacionais. Participou
de produções como "A História de Ana Raio e Zé
Trovão" e "Kananga do Japão", ambas da Manchete
e "Alô Doçura", no SBT. Recentemente, fez um espetáculo
especial em comemoração aos 20 anos de carreira apresentando,
em São Paulo, três vertentes das artes cênicas que domina:
o drama, com "O Princípio do Avesso - Dom Casmurro"; mímica,
com "Picardias do Picadeiro", e comédia, com "Confidências
de um Espermatozóide Careca". No último, interpreta 26
personagens, apresentando todo seu potencial criativo, irreverência
e deboche.
Santo Antônio dos
Anjos grava repertório natalino
Coral de Laguna esteve recentemente
divulgando trabalho na Europa
Laguna - Embaixador da cultura musical de Laguna e de Santa Catarina,
o coral Santo Antônio dos Anjos está lançando, neste
final de ano, pela Pia Sociedade de São Paulo-Paulus, um CD de músicas
natalinas. As gravações foram concluídas em outubro,
mas o trablho estará disponível somente em dezembro no circuito
comercial nacional. Este é o segundo CD do grupo, reconhecido no
Brasil e exterior pela qualidade do seu corpo de vozes e excelente repertório
folclórico catarinense, brasileiro e latino-americano. A regência
é do maestro padre Antônio Gerônimo Herdt. Em setembro,
entre os dias 9 e 30, o coral fez uma excursão artística a
quatro países da Europa (Alemanha, França, Itália e
Espanha), apresentando-se em teatros e catedrais. Foram 23 concertos, dos
quais 16 com repertório da música popular e folclórica
brasileira e sete de música sacra realizados nas grandes basílicas.
As catedrais de Santo Antônio, em Pádova; de São Marcos,
em Veneza; de Speyer, na Alemanha; de Strassbourg, na França, e a
Basílica de São Pedro, em Roma, foram alguns dos principais
palcos dos espetáculos de pura musicalidade do coral Santo Antônio
dos Anjos.
Durante a turnê, o coral estabeleceu uma importante ponte de intercâmbio
cultural, destacadamente na Alemanha e norte da Itália, onde seus
integrantes foram recepcionados pelas prefeituras municipais e organizações
culturais. Os componentes do coral puderam aprofundar seus conhecimentos
culturais visitando importantes obras arquitetônicas e artísticas
da humanidade.
Com o lançamento de seu segundo CD, o coral dá um passo
importante no fortalecimento do seu trabalho junto à sociedade catarinense.

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Planeteen |
A sedução
dos tablados
Mais do que mera diversão,
as artes cênicas se tornam fonte de aprendizado e um meio de se expressar
em grupo
Hildy Vieira
Joinville - Não importa o papel, o tempo passado em cena, a quantidade
de falas. Ao pisar no palco, o ator se transforma num agente da magia que
é o teatro. E essa magia seduz desde a menor à melhor idade.
Quando João sobe ao palco seu rosto irradia paixão. Em seu
mais recente personagem, Fritz Alt, João fala como que transportando-se
para o passado de um dos mais expressivos artistas joinvilenses, e o espectador
vê em cena o escultor no corpo de um menino: o estudante João
Marcos Sampaio Mafra, 13 anos.
"Sempre tive um fascínio por teatro, sempre desejei ser ator",
revela, sem saber explicar de onde partiu esse fascínio pela arte
de interpretar. "Acho que é por ser uma coisa diferente",
arrisca. Ele diz adorar fazer as cenas, ensaiar, repassar as falas. "A
parte mais interessante é quando você consegue incorporar o
personagem. Falar como ele, se movimentar como ele, ouvir como ele e, principalmente,
enxergar como ele", descreve. João comenta que sua predileção
é pelos personagens antigos. "São uma maneira agradável
de reviver o passado. Passado, aliás, que muitas vezes ainda é
presente, como no caso da peça que estamos ensaiando e que enfoca
o monumento aos imigrantes e a história a ele relacionada",
explica.
Na opinião do pequeno aprendiz de ator, o teatro é a maneira
mais sedutora de aprender e ensinar. "Você assimila coisas sem
nem mesmo se dar conta. E o mais importante: aprende a trabalhar em grupo",
destaca. Ele fala sobre as técnicas, a forma como se vê um
espetáculo enquanto espectador e enquanto ator. "Há detalhes
que você nem imagina serem tão importantes enquanto assiste.
E tudo tem um fundo de conjunto. Sua cena está diretamente relacionada
à de seu colega. Não há individualidade, há
performances", afirma, dizendo que quer seguir adiante. "Ano que
vem vou continuar no curso e depois pretendo experimentar oficinas fora
do colégio", projeta.
SER O OUTRO
Expressar-se é algo inato ao ser humano e muitos são os
estudos didáticos que vêem no jogo infantil espontâneo
uma fonte inesgotável de prazer e aprendizado. Segundo os especialistas,
se não for tolhida pela família ou pela escola, uma criança
"brincaria", ou seja, passaria por todas as estapas evolutivas
do jogo - jogo simbólico, jogo de exercício, jogo de construção,
jogo de regras (categorias do jogo segundo Piaget) - sem barreiras e se
tornaria um cidadão criativo e, conseqüentemente, mais feliz.
Em todas as civilizações - tanto na oriental como na ocidental
- o expressar-se, o jogar, o brincar, ser o outro, ocupou um lugar significativo
no desenvolvimento do homem. Por exemplo, quando o homem primitivo descobriu
que o desenhar na pedra, o botar e tirar uma máscara ou a pele de
um animal o deixava mais forte e poderoso, ele estava descobrindo o valor
educativo, didático do jogo.
Na história da civilização ocidental, o povo que
melhor entendeu o valor desta jóia raríssima que nasce com
o homem foram os gregos. Platão em sua "República"
já sinalizava os benefícios e a importância de uma educação
através da arte. Os próprios colonizadores do Brasil não
perderam tempo, e se apressaram em catequizar os índios se valendo
de um recurso infalível: o teatro.
Das três artes (músical, teatral e plásticas), é
o teatro o mais rejeitado na instituição escolar. "No
nosso período colonial, no mercado do casamento, alcançava
mais pontos a garota que fazia uma bonita cópia de um quadro ou habilidosos
bordados. Nas classes menos favorecidas, durante o mesmo período,
a arte era ensinada como uma habilidade que poderia ser útil em algumas
profissões", escreve a arte-educadora Ana Mae Barbosa em seu
livro "Teoria e Prática da Educação Artística".
O teatro brasileiro surgiu quando Portugal começou a fazer do
Brasil sua colônia (Século XVI). Os Jesuítas, com o
intuito de catequizar os índios, trouxeram não só a
nova religião (o catolicismo), mas também uma cultura diferente,
em que se incluía a literatura e o teatro. Aliada aos rituais festivos
e danças indígenas, a primeira forma de teatro que os brasileiros
conheceram foi a dos portugueses, que tinha um caráter pedagógico
baseado na Bíblia. Nessa época, o maior responsável
pelo ensinamento do teatro, bem como pela autoria das peças, foi
Padre Anchieta.
Mas o teatro realmente nacional só veio se estabilizar em meados
do século 19, quando o Romantismo teve seu início. Martins
Pena foi um dos responsáveis por isso através de suas comédias
de costumes. Outros nomes de destaque da época foram o dramaturgo
Artur Azevedo, o ator e empresário teatral João Caetano e,
na literatura, o escritor Machado de Assis.
Presente
A artista Linda Suzana Poll é a autora da instalação
que tornou o Residencial Espanha (avenida Marquês de Olinda, em Joinville)
um grande presente. A iniciativa da obra partiu da construtora Prisma Engenharia
num incentivo à produção artística da cidade.
A idéia é incorporar aos empreendimentos da empresa o trabalho
de artistas de destaque na região, que pode ser uma tela ou escultura
dentro da área comum do prédio. A entrega do Residencial Espanha
acontece hoje, às 14 horas.
Wry é atração em Guaramirim
Joinville - Uma das mais aclamadas bandas do cenário underground
paulista, a Wry é a principal atração da festa roqueira
que agita hoje o Curupira Clube, em Guaramirim. Vindo de Sorocaba, o quarteto
divide o palco com outros três grupos catarinenses, todas representantes
do chamado guitar band - Minds Away (Blumenau), Vacine (Joinville) e Fly-X
(Guaramirim) -, além do psycho punk do Limbonautas, de Curitiba.
Os shows começam às 20 horas e os ingressos custam R$ 5,00.
O Wry foi formado em 1993, época em que a tônica era a microfonia
descontrolada. Influenciados por Beatles, Sonic Youth, Sex Pistols, Who,
Velvet Underground, entre outros grupos clássicos, Lu Marcello (guitarra),
Mário Bross (voz), Chokito (baixo) e Renato Bizar (bateria) chegaram
a tocar no legendário festival JuntaTribo 2 e logo começaram
a chamar a atenção por seu som ora furioso, ora lisérgico,
mas também bom de dançar.
Depois da boa receptividade da primeira demo, "Morangoland",
de 1995, a Wry viu sua grande chance aparecer quando o produtor argentino
Alejandro Marjanov resolveu produzir dez músicas para seu primeiro
CD. Lançado em março deste ano pela Holiday Records, "Direct"
emplacou pelo menos uma música nas rádios paulistas, "Do
You Dance With Me?". Em agosto, mais um passo rumo à fama: o
quarteto embarcou para Londres com o objetivo de divulgar o disco entre
produtores, rádios e casas noturnas da capital inglesa. |
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