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Governo deverá ajudar
os Estados a cortar gastos
Projeto orienta como acabar
com número excessivo de funcionários
Brasília - O governo está se preparando para encaminhar
o principal ponto de regulamentação da reforma administrativa
logo após o segundo turno das eleições nos Estados.
Até lá, o ministro da Administração, Luís
Carlos Bresser Pereira, que se afastou do cargo para coordenar as finanças
da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, decide se retoma o
posto ou se vai aguardar a composição do novo governo. Ficou
como ministra a secretária-executiva, Cláudia Costin, considerada
competente pelo Palácio do Planalto, mas é menos "despachada"
do que Bresser no contato com os parlamentares, prefeitos e governadores.
A intenção do governo federal é a de oferecer aos
governadores, tanto aos novos como aos que foram reeleitos, um aparato que
permita planejar a redução com o gasto de pessoal. O principal
projeto indica como a União, Estado e municípios devem agir
para acabar com o excesso de quadros. É assim que a reforma chama
os servidores cujo salários obriguem os administradores a gastar
além de 60% da receita mensal. A tarefa não será fácil,
pois os critérios adotados pelo Ministério da Administração,
aprovados pela Presidência da República, poderão favorecer
funcionários menos eficientes.
Serão mantidos nos cargos, depois de dispensados os não-estáveis
e cortados 20% das despesas com cargos de confiança, os que tiverem
mais idade, mais dependentes e mais tempo de serviço. Enfim, os que
tiverem mais dificuldade para se recolocar no mercado de trabalho. Os ocupantes
de cargos de carreira, como fiscais de tributos e delegados de polícia,
dificilmente serão atingidos pela regulamentação. Ao
contrário dos que ocupam funções terceirizáveis,
como vigias e encarregados de serviços burocráticos, tidos
como um dos alvos das demissões.
Outros sete projetos, encarregados de desburocratizar o serviço
público e de melhorar o atendimento aos cidadão, estão
prestes a ser submetidos ao Ministério da Administração.
Na última quinta-feira, no Rio de Janeiro, os integrantes das quatros
comissões encarregadas de elaborá-los, discutiram essas propostas.
O próximo passo será o de submetê-los ao Ministério
da Administração, que se encarregará de obter o aval
do governo, antes de encaminhá-los ao Congresso, no ano que vem.
A falta de pressa se explica porque esses projetos não têm
efeito fiscal, ao contrário do que ocorre com o excesso de quadros.
O projeto mais complicado dessas regulamentações é
o que trata de consórcios públicos e convênios de cooperação
da União com Estados e munícípios em matéria
administrativa.
Comportamento sexual
do brasileiro é pesquisado
Brasília - O Ministério da Saúde inicia hoje uma
pesquisa sobre o comportamento sexual do brasileiro. Serão ouvidas
3.600 pessoas entre 15 e 65 anos de idade de 25 Estados, com exceção
de Sergipe e Tocantins. As microrregiões pesquisadas foram escolhidas
por sorteio. Os resultados vão orientar programas e campanhas educativas
de prevenção contra a Asids.
"Queremos conhecer a realidade e, a partir dela, intervir para
que sejam adotadas práticas seguras", disse o diretor da Coordenação
Nacinal de DST e Aids, Pedro Chequer. Organizada pelo Centro Brasileiro
de Análise e Planejamento (Cebrap), essa é a primeira pesquisa
por amostragem de abrangência nacional. O entrevistado terá
a identidade preservada. "Peço que as pessoas recebam os pesquisadores
porque o questionário é anônimo e as respostas vão
ser de grande ajuda para o trabalho de prevenção", apelou
Chequer.
Hoje, as relações sexuais desprotegidas são o principal
meio de infecção pelo vírus da Aids, segundo o Ministério
da Saúde.
Perguntas
O questionário tem quase 200 perguntas. Na parte relativa a comportamento
sexual, a pesquisa procura saber a frequência sexual e o número
de parceiros do entrevistado, se ele usa preservativos e, caso não
use, o motivo. O questionário também mede o nível de
conhecimento do entrevistado sobre a doença. Outra parte relaciona
o uso de drogas e de preservativos.
A pesquisa levanta as diferenças de grau de instrução,
nível de renda e faixa etária. Os resultados serão
divulgados até o final do primeiro semestre do próximo ano.
"A população tem um bom conhecimento sobre prevenção
da Aids, mas a pesquisa vai nos ajudar a transformar esse conhecimento em
práticas adequadas", explicou Chequer. Segundo ele, caso sejam
detectadas situações de risco em uma determinada região,
como o baixo índice de uso de preservativos, o ministério
pode iniciar projetos específicos para incentivar a mudança
de comportamento.
Paula Thomaz obtém
regime semi-aberto
Rio - Paula Thomaz, condenada a 18 anos de prisão pela morte da
atriz Daniela Perez, ocorrida em dezembro de 1992, vai poder sair da carceragem
da Polinter, em Niterói, no Grande Rio, durante o dia, para trabalhar
e estudar. A decisão é do juiz da Vara de Execuções
Penais, Carlos Alfredo Flores da Cunha.

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Salário |
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Brindeiro entra com ação contra
aumento a juízes
Brasília - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro,
entrou ontem com uma ação direta de inconstitucionalidade
(Adin), com pedido de liminar, contra ato do presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) e do Conselho da Justiça Federal, Antônio
de Pádua Ribeiro, que, na semana passada, fixou o teto dos servidores
públicos e aumentou os vencimentos dos juízes federais. Brindeiro
sustenta, na ação, que somente uma lei de iniciativa dos presidentes
da República, da Câmara, do Senado e do STF e votada pelo Congresso
poderá fixar o subsídio dos ministros do Supremo. O procurador
ressalta que o projeto de lei sequer tinha sido encaminhado ao Congresso
quando, "surpreendentemente, houve a resolução do ministro
presidente do STJ, que viola frontalmente a Constituição Federal".
O procurador lembrou que conseguiu derrubar no próprio STF resoluções
administrativas de tribunais regionais federais (TRFs), do Trabalho (TRTs),
de Justiça (Tjs), eleitorais (TREs) e de Contas da União (TCU)
e do STJ. Uma dessas resoluções estabelecia o "auxílio-paletó",
uma gratificação extra aos funcionários do STJ para
melhorar as condições dos vestuários. O procurador
cita ata de sessão administrativa do STF na qual foi decidido que
nem o Supremo poderia, por meio de resolução administrativa,
fixar os subsídios dos membros. Brindeiro acrescenta que o ato de
Ribeiro "provocou distorção adicional ao fixar em R$
10.260 o valor dos subsídios dos ministros do STJ, superior até
mesmo à remuneração percebida por vários ministros
do Supremo Tribunal Federal". Segundo o procurador, a resolução
de Ribeiro viola o princípio da reserva legal ao concecer aumento
"sem lei" aos ministros e juízes federais. Brindeiro ressalta
na Adin que a resolução de Ribeiro produzirá efeitos
financeiros desde 1º de janeiro deste ano - os vencimentos serão
reajustados a partir daquela data. Por esse motivo, o procurador pede que
o STF declare que a decisão tem caráter retroativo. |
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