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José Augusto Gayoso
j-gayoso@nutecnet.com.br
Renascer
O virtual governador eleito do estado, Esperidião Amin, terá
uma tarefa hercúlea pela frente: restabelecer o controle das contas
públicas de Santa Catarina. Será preciso fazer, como ele mesmo
disse por várias vezes nos últimos meses em Brasília,
uma espécie de renascimento, um esforço para reerguer as finanças
do estado, que ficaram na lona após uma série de trapalhadas
e equívocos registrados nos últimos anos. Como será
feito isso? A resposta Amin terá que dar praticando um dia a dia
nas finanças públicas com o máximo de transparência
e criatividade possíveis. Um dos segredos para se alcançar
essa meta ele já sabe qual é e se preparou para isso: vai
governar com um apoio político dos mais amplos que se conhece na
história política catarinense.
Renascer 2
No auge da crise provocada pelo escândalo dos precatórios,
quando a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado
investigava as irregularidades cometidas na emissão e venda de títulos
públicos de Santa Catarina, Amin, que com seu colega Vilson Kleinübing
bombardeava o governador Paulo Afonso tentando conter o processo de gastos
com esses recursos que julgava terem sido obtidos de forma ilegal, reconhecia:
"o maior problema do governador é que ele não tem apoio
político na Assembléia e nem em Brasília". Pelo
menos um ano antes de iniciar efetivamente a campanha, Amin já se
preocupava em costurar um amplo apoio político para ter o respaldo
necessário para fazer as mudanças necessárias. Essa
primeira etapa já está concluída. Além de ganhar
a eleição, Amin contará com maioria na Assembléia,
maioria na bancada catarinense na Câmara, dois dos três senadores
o apoiando e, sem dúvida, algo que realmente fará a diferença:
o apoio do Palácio do Planalto.
Renascer 3
Não há a menor dúvida de que o presidente Fernando
Henrique Cardoso tem em sua conta um crédito dos mais expressivos
a favor dos catarinenses que comandam a aliança que passa a governar
o estado - Amin e Jorge Bornhausen. Quanto ao virtual governador eleito,
nunca é demais lembrar que foi ele o principal articulador, em nome
do Palácio do Planalto, da desistência de Paulo Maluf em relação
à campanha presidencial. Amin fez parte do fechado círculo
de conselho político dos partidos da aliança, ao qual Fernando
Henrique Cardoso se reportava nos momentos mais delicados da campanha. Existe
ainda o compromisso de FHC com Jorge Bornhausen. Quem estava com os dois
quando o catarinense voltou de Portugal para reassumir a presidência
do PFL se recorda que FHC comentou: "Vença as eleições
que eu o trarei para governo". Era um convite para ocupar um ministério.
Como a primeira parte da conversa está resolvida, é só
aguardar.
Gravidade
A análise mais detalhada do último despacho do ministro
Romildo Bueno de Souza sobre o inquérito que apura as irregularidades
na emissão e venda dos títulos públicos quer deveriam
ter sido usados para pagamentos de precatórios revela que a situação
é muito mais grave para o governador Paulo Afonso do que podem estar
imaginando seus correligionários. Além do constrangimento
de ter que se dirigir ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) toda
vez que quiserem ultrapassar as fronteiras do país, Paulo Afonso
e José Augusto Hülse terão que passar os próximos
trinta dias rezando muito. É que os homens da Polícia Federal
farão um movimento em pinça, atacando nas duas frentes que
o ministro Bueno de Souza acredita estarem na origem das irregularidades:
a ordem de serviço da secretaria da Fazenda de 1988, na qual o governo
dizia que haviam precatórios a serem pagos, e os documentos encaminhados
ao Banco Central e ao Senado para justificar a emissão dos títulos
para se conseguir os recursos afim de pagar os precatórios.
Preocupação
Na reunião da diretoria da CNI (Confederação Nacional
da Indústria), o principal assessor econômico do Palácio
do Planalto no momento, José Roberto Mendonça de Barros, deu
o recado: mesmo que os juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano)
baixem um pouco, os reflexos na economia do Brasil serão discretos,
e o governo não pensa em baixar os juros no país até
janeiro de 99. É muito tempo, acredita a maioria dos dirigentes da
CNI, incluindo-se aí o vice-presidente e presidente do conselho de
relações internacionais da poderosa entidade, o catarinense
Osvaldo Douat. Ele acredita que até janeiro muita coisa ruim poderá
acontecer - principalmente para o setor produtivo - na economia do Brasil,
se os juros continuarem na estratosfera, como acontece hoje.

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Rápidas |
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É grande a torcida da colônia norte-catarinense que reside
na capital para que se confirme o que apontam as pesquisas de intenção
de votos e sejam eleitos quatro deputados federais da região.
Seria um recorde positivo, e todos os grandes partidos do estado estariam
representados. Além de José Carlos Vieira, que já é
conhecido na Câmara, as lideranças nacionais do PPB, PMDB e
PT têm expectativas positivas em relação a Eni Voltolini,
Sérgio Silva Carlito Merss.
Em torno dos quadros de Antonio Mir retratando as flores do cerrado e
a luz do Planalto Central, juntaram-se duas principais lideranças
empresariais do estado - Albano Schmit, presidente da Acij, e Osvaldo Douat,
presidente da Fiesc.
A conversa, é claro, não poderia ter outro tema central:
as últimas informações sobre a crise mundial e seus
reflexos no Brasil, bem como a atuação da equipe econômica
do governo para enfrentar a crise.
Por falar em Mir, o artista reuniu um grupo de catarinenses que foi prestigiar
a mostra, juntou com o pessoal da embaixada da Espanha e, como se fosse
um político calejado na Corte, não fez por menos: reservou
uma mesa no Piantela.
O restaurante continua sendo o centro de encontro e de muitas decisões,
principalmente entre os parlamentares.
A mesa onde se sentava Ulisses Guimarães com os peemedebistas
históricos está marcada com um quadro a óleo retratando
o "senhor diretas" e grande comandante da Constituinte de 88.
Em tempo: foi ali que sentou a entourage do artista hispano-catarinense. |
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