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Ajuste concentrado
no governo federal
Equipe do MF prepara plano
para divulgação no próximo dia 20
Brasília - Os cortes nas despesas do setor público que
estão sendo avaliados no programa de ajuste fiscal serão concentrados
nas despesas do governo federal, informou ontem o secretário-executivo
do Ministério do Planejamento, Martus Tavares. São esperados
cortes também nos gastos de governos estaduais e municipais, mas
caberá à União a parte mais importante do ajuste. "Sem
dúvida, o corte será concentrado no governo federal, até
pelo peso que ele tem dentro do setor público", comentou.
Principal responsável pela elaboração das metas
trienais para o resultado das contas públicas para o período
de 1999 a 2001, Tavares esteve ontem à tarde no Ministério
da Fazenda, onde se reuniu com o secretário-executivo, Pedro Parente,
com o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, com
o secretário de Acompanhamento Econômico, Bolívar Moura
Rocha, e diversos assessores. Parente passou todo o domingo em reunião
com técnicos da equipe econômica, acertando o programa de ajuste
fiscal que o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciará no dia
20.
Martus Tavares disse que o programa estará "bastante avançado"
até sexta-feira, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso embarca
para Portugal. "O presidente precisa estar informado de tudo",
comentou. Ele informou, ainda, que não está prevista a vinda
de missão de técnicos do Fundo Monetário Internacional
(FMI).
Parente e Guimarães chegaram cedo ao Ministério da Fazenda
e passaram a manhã reunidos com um grupo de assessores. Fizeram uma
pausa para almoço e voltaram com duas sacolinhas de sanduíches.
Poucos dias após anunciar cortes nas despesas do Ministério
da Fazenda, Parente procurou economizar com horas-extras do pessoal de apoio.
Motoristas e secretárias não foram convocados para o plantão
do feriadão. As reuniões para discutir o programa de ajuste
fiscal devem continuar hoje.
Basílica de Aparecida
deve receber público recorde
Aparecida, SP - A basílica de Aparecida deve receber hoje, dia
da padroeira do Brasil, um número recorde de romeiros. A expectativa
é de que o santuário seja visitado por 300 mil pessoas neste
feriadão. A direção da basílica estima receber
112 mil fiéis. A previsão para ontem era de 191 mil e para
sábado de 22 mil. Os números são baseados no registro
de visitantes de 97 e devem ser superados por causa do feriado e da baixa
freqüência no final de semana passado, quando aconteceu o primeiro
turno das eleições. Um balanço será divulgado
amanhã.
Em 1997, a celebração, no fim de semana, reuniu cerca
de 250 mil pessoas, o maior público dos últimos 10 anos. Neste
ano, a direção da basílica acredita no crescimento
do movimento porque grande parte dos romeiros deve visitar o santuário
hoje, aniversário da imagem, encontrada há 281 anos no rio
Paraíba. A programação começa com alvorada e
missa às 5 horas. A missa solene, ponto alto da comemoração,
será celebrada pelo cardeal-arcebispo de Aparecida, d. Aloísio
Lorscheider, às 10 horas. O lema da festa deste ano é "Maria,
Peregrina da Esperança".
A missa principal deve ser acompanhada por 45 mil fiéis. Ao final,
por volta do meio-dia, será anunciada a abertura do processo de beatificação
do padre Vitor Coelho de Almeida. Ele nasceu em Sacramento-MG, e morreu
em 1987, em Aparecida, aos 88 anos. Foi o fundador da Rádio Aparecida,
na década de 50, e a ele são atribuídas curas de doenças.
A direção da basílica proibiu, neste ano, a realização
de manifestações políticas no pátio do santuário,
o que não deve evitar a presença de candidatos na cerimônia.
Cerca de 800 policiais militares estarão trabalhando durante todo
o dia na segurança do local.
Anfavea propõe desconto
de 10% para os salários
São Paulo - Metalúrgicos das montadoras de veículos
correm o risco de ter este ano redução de salários
de mais de 10%, em vez de reajuste. A primeira proposta da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) para a Central Única
dos Trabalhadores (CUT) foi de repasse total para salários dos custos
de alimentação, plano de saúde, transporte e plano
de aposentadoria. Isso significaria, nos holerites dos empregados, desconto
médio de 10,7%.
A informação foi dada pelo presidente da Federação
Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Paulo Sérgio Ribeiro Alves.
"Isso não será aceito de modo algum", afirmou. Mas
o sindicalista reconheceu que não está fácil negociar
com as empresas semiparalisadas, em razão da queda de produção
e vendas, e sob ameaça de demissões no início de 1999,
quando expira o acordo do governo com as empresas de manutenção
do nível de emprego.
Outra idéia do setor é obter autorização
sindical para contratações por prazo determinado, também
sem esse tipo de vantagem e com salários inferiores ao piso da categoria.
As montadoras repetiram ainda uma idéia apresentada (e não
aceita) no ano passado: retirar da convenção coletiva dos
metalúrgicos as cláusulas sobre pagamento de horas extras
e de adicional noturno e seguir a regra que consta na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). Atualmente a categoria recebe 25% de adicional
noturno e a CLT define pagamento de 20%. A hora extra aos sábados
custa para a montadora 50% a mais, porém a lei define 25% de acréscimo.
Aos domingos, o trabalho vale 100% a mais e a CLT exige apenas 50%. "A
tendência das empresas é de tentar cortar salário indireto
para enxugar seus custos permanentemente", observou Alves.

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