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Governo muda
regras para cartão

Decreto do Ministério da Justiça proíbe cláusulas em contrato que contrariem direitos do consumidor

Brasília - A partir de hoje, as administradoras de cartão de crédito não podem mais cobrar juros de mora de 10% ao mês de seus clientes, devendo-se limitar a 2%. O Ministério da Justiça determinou ontem que, além desta, sejam consideradas nulas a partir de agora outras três cláusulas presentes em praticamente todos os contratos mantidos pelos usuários de cartões e as administradoras, por contrariarem os direitos do consumidor.

"Estas cláusulas são consideradas abusivas e, assim sendo, nulas por colocarem em desvantagem exagerada o consumidor, quebrando o princípio do equilíbrio nas relações de consumo, da transparência e da lealdade contratual", afirmou o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Segundo ele, estas cláusulas admitem penalidades unilaterais sempre contra o consumidor.

O usuário não será mais obrigado a pagar multa de 20% sobre o saldo devedor se alguma atitude sua constituir quebra de qualquer item que possibilite a rescisão do contrato. A Secretaria de Direito Econômico (SDE) constatou que esta imposição só é feita ao usuário, e nunca à administradora, o que contraria o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. "Nenhuma penalidade é prevista pela quebra de contrato por parte das administradoras", lembrou Calheiros.

As administradoras também não poderão mais cobrar multa de 50% "sobre o valor da obrigação por descumprimento de normas do Banco Central e/ou fixada pela administradora no uso do cartão de crédito internacional". De acordo com análise da SDE, em nenhum momento os contratos deixam claro a quais normas os usuários estão submetidos, "levando em conta a multiplicidade de normas expedidas por aquele órgão e o desconhecimento das normas internas de cada administradora".

A SDE também voltou a multar as empresas que enviam cartões para o cliente sem prévia autorização. "Em 1998 esta prática voltou a ocorrer com maior intensidade", disse o ministro. Para os casos de envio, a multa é de R$ 96,1 mil e para os casos em que ocorreu cobrança, a penalidade chegou a R$ 240,2 mil.

Administradoras passam
a pagar custos com advogados

O Ministério da Justiça também tornou ontem sem efeito a cláusula que transfere imediatamente ao consumidor a responsabilidade pelo pagamento de até 20% dos custos com advogados, "mesmo nas discussões amigáveis que precedem a instância judicial". O ministro Renan Calheiros ressaltou que "o custo com advogados durante as discussões amigáveis deve ser arcado por quem os contrata". Além disso, afirmou o ministro, cabe ao juiz arbitrar, na hipótese de cobrança judicial, o porcentual a título de honorários.

A cobrança de juros de mora de 10% ao mês também deixará de existir. O Código de Defesa do Consumidor determina que o valor máximo a ser cobrado no caso de "outorga de crédito ou concessão de financiamentos" é de 2%. A decisão do ministério não implicará na devolução da quantia já paga pelo consumidor que foi penalizado por estas cláusulas abusivas. "Ele deverá procurar a Justiça para ser ressarcido", disse Calheiros. Para valores abaixo de 40 salários mínimos, disse o ministro, ele poderá recorrer aos tribunais especiais de pequenas causas.

As administradoras também têm prazo de 30 dias para informar aos usuários de cartões: a origem, o custo e a remuneração de todos os encargos previstos na "cláusula mandato". Este dispositivo permite que as administradoras representem o cliente para obtenção de recursos financeiros em instituições de mercado para financiamento de operações ou compras. De acordo com Calheiros, esta cláusula dá poderes especiais e ilimitados às operadoras nas negociações de taxas de juros, encargos e prazos, "sem que se dê conhecimento ao titular do cartão".

Caso deixem de cumprir as determinações do ministério, as operadoras estarão sujeitas a multas de variam de 200 Ufir (R$ 192,22) a 3 milhões de Ufir (R$ 2,8 milhões).

Nos próximos dias, a Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abeccs) e outras instituições interessadas serão convidadas para formalizar no Ministério da Justiça o Compromisso de Ajustamento e Conduta. Neste texto, elaborado pela SDE, serão estabelecidas as obrigações e penalidades para o setor, principalmente em torno do relacionamento com o usuário.


Fundição Tupy amplia
carteira de negócios

Empresa vai conceder férias coletivas para ajustar produção

Adriana Zoch

Joinville - A Fundição Tupy vai fornecer virabrequins para a Ford norte-americana e peças fundidas para sistemas de freio para a Bosch do Brasil, destinadas à exportação, a partir do ano que vem. O anúncio do fechamento dos dois novos negócios, que deverão render US$ 20 milhões anuais, foi anunciado ontem pelo diretor-presidente da empresa, Mário Egerland.

Os novos produtos destinados à exportação estão sendo desenvolvidos pela unidade de Joinville, o que deve demandar um prazo médio de seis meses. Pelos cálculos de Egerland, a exportação de virabrequins para a Ford dos Estados Unidos, no total de 13 mil toneladas por ano, vai proporcionar um faturamento de US$ 13 milhões.

O contrato com a Bosch do Brasil prevê o fornecimento de peças fundidas para a montagem de sistemas de freios completos pela Bosch Freios, que serão exportados também para os Estados Unidos. A transação vai render por ano US$ 7 milhões à Tupy.

Os dois novos negócios, segundo o executivo, fazem parte da estratégia de crescimento das exportações da Tupy, maior fundição da América Latina, "e de consolidação da empresa como global player". A fundição projeta aumentar para US$ 250 milhões o faturamento com as exportações até 2001, em comparação a 97, ano em que totalizou US$ 100 milhões em vendas ao exterior. As vendas líquidas somaram US$ 308,4 milhões no ano passado. O lucro da Tupy em 97 fechou em US$ 7,5 milhões.

Para 98, a estimativa é faturar R$ 136 milhões com as exportações, que consomem hoje metade do esforço de produção. Cerca de 80% das vendas externas da Tupy estão concentradas no mercado norte-americano.

Férias coletivas

A partir deste mês até dezembro, os mais de 5 mil funcionários das fundições Tupy e Mauá (fábrica paulista adquirida da Cofap este ano) vão passar quatro semanas em férias coletivas. O objetivo da medida é adequar a produção à demanda interna do segmento automotivo, que caiu entre 20% e 25% nos dois últimos meses, em função da crise financeira no País, e que representa 75% do mercado interno da Tupy.

A fundição esperava aumentar de 200 mil para 250 mil toneladas a produção este ano, mas com a crise no País Egerland acha difícil arriscar uma nova previsão.

Os funcionários das unidade de Joinville e São Paulo vão ter férias coletivas durante uma semana este mês, outra em novembro e mais duas semanas em dezembro, para equilibrar a produção. "Estabelecemos o critério de que o ajuste não incluiria demissões. Procuramos preservar os valores humanos Tupy", frisou Mário Egerland.

A empresa suspendeu novos contratos temporários, que chegaram a 300 até agosto. Praticamente todos os serviços terceirizados pela Tupy estão sendo reintegrados.


Antarctica vai fechar a
unidade fabril de Joinville

Ricardo Hecker Luz

Joinville - A Antarctica vai fechar a unidade fabril de Joinville em meados de novembro. Segundo o diretor Rubens Vieira, a maior parte dos 123 empregados vão ser dispensados. Aproximadamente 30 pessoas vão ficar cuidando da parte comercial e da construção da nova fábrica, cuja construção deve começar no início de 1999.

O diretor ressalta que alguns funcionários vão ser aproveitados em outras unidades da Antarctica. Além disso, quando as empreiteiras iniciarem as obras, terão prioridade para ocuparem uma das 1,3 mil vagas previstas por Vieira. Ele acrescenta que cerca de 10% já estão aposentados e espera reintegrar os dispensados no momento em que a nova unidade for inaugurada. Segundo Vieira, haverá 670 postos de trabalho.

Um dos principais motivos da desativação, é que a fábrica é muito antiga e de baixa produtividade, o que torna inviável qualquer investimento de modernização. Ele ressalta que a indústria de cerveja requer volume e escala para poder competir em preço. "Atualmente, a fábrica atende somente Joinville e outras cidades da região, trabalhando na capacidade máxima."

Com o fechamento, a cerveja de Joinville virá do Sul e de São Paulo, e Vieira não acredita que haja diferença muito grande no sabor. No momento, a fábrica está produzindo chope para as festas de outubro. A expectativa da empresa é comercializar cerca de 300 mil litros na Oktoberfest, que se realiza em Blumenau, e outros 100 mil na Fenachopp, que acontece em Joinville.

A intenção da companhia é transformar a fábrica antiga no Museu Nacional da Cerveja, com apoio de empreendedores locais. O projeto deverá gerar 50 empregos diretos. A nova utilização terá uma cervejaria, decorada com motivos típicos da colonização alemã, e os visitantes poderão conhecer o processo de produção de uma das mais antigas cervejarias do País.

A nova unidade fabril que será instalada em Joinville deve entrar em operação por volta de junho de 2000. A capacidade produtiva vai passar dos atuais 185 mil hectolitros anuais de cerveja para 2,5 milhões de hectolitros anuais de cervejas e refrigerantes. A fábrica será toda automatizada e vai requerer investimentos de R$ 145 milhões para atingir essa capacidade produtiva.


Ajuste fiscal

Amin defende medidas

José Augusto Gayoso
Especial para A Notícia

Brasília ­ O governador eleito Esperidião Amin (PPB) defendeu ontem em Brasília o apoio dos governadores eleitos às medidas de ajuste fiscal que serão propostas pelo governo federal para enfrentar a crise internacional, "mesmo que isso signifique alguns sacrifícios". Para Amin, um dos pontos principais no qual os governadores poderão ajudar é no cumprimento do que determina a Lei Camata, em relação à limitação dos gastos dos governos do Estado com pessoal, a 60% da arrecadação. No caso de Santa Catarina, Amin já deu a receita. Pretende chegar aos 60% eliminando os cargos comissionados criados nos últimos anos.

"Não vamos mexer nos estáveis e nem precisamos disso. Se gasta hoje, em Santa Catarina, cerca de 67% do arrecadado com a folha de pagamento. Basta extinguir os cargos comissionados que chegaremos a 60%", justificou .

O governador defendeu que os demais governadores que gastam mais do que o que determina a lei façam um programa de ajuste "realmente forte", para se adequar à nova realidade. "Tem governo que gasta até 85% do que arrecada com folha de pagamento. Alguma coisa eles têm que fazer", emendou o governador eleito.

Quanto aos aumentos de impostos, que também deverão ser anunciados pelo governo federal, Amin acredita que o governo deve debater muito, e com o Congresso, a questão dos aumentos de impostos. "Ninguém gosta de aumentar impostos. Mas se o governo provar que não existe outra saída, temos que aceitar", disse Amin.


Vendas para o Dia da
Criança tem alta de 5%

Indústria de brinquedos registra crescimento de 18% na comercialização de presentes

Joinville/São Paulo - Shoppings e lojas de Joinville constatam elevação no consumo de produtos infantis com o Dia da Criança, em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Joinville (CDL), Alexandre Brandão Nascimento, estima um crescimento médio de 5% nas vendas. Ele ressalta que shoppings e comércio de rua registraram um bom desempenho na comercialização de brinquedos, sapatos e roupas infantis.

A gerente de Marketing do Shopping Americanas, Sirlei Wienhage, garante que houve um crescimento, mas ele não foi muito elevado. Ela atribui a melhora nas vendas ao tempo bom e à redução dos preços dos produtos. Tânia Larson, gerente de Marketing do Shopping Mueller, espera um incremento das vendas entre 5% e 10%. A Superfestas, especializada em brinquedos, fechou no domingo somente às 23 horas, em função do fluxo de clientes.

A proprietária da Brincalhão, Shirley Sauerbeck, se surpreendeu com as vendas nos dias de chuva. Por outro lado, disse que o sol levou muita gente para a praia no final de semana - com o movimento ficando um pouco abaixo do esperado.

A indústria de brinquedos está comemorando os resultados positivos do Dia das Crianças: foram vendidos cerca de 70 milhões de brinquedos, um crescimento de 18% no volume de vendas e de 5,8% no faturamento em relação ao Dia das Crianças do ano passado. As informações foram dadas ontem pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Sinésio Batista da Costa. "Os estoques que sobraram ficaram absolutamente dentro do previsto, o que ajuda a indústria a se programar para crescer 3% no Natal", afirmou.

Segundo a Abrinq, a estimativa era que o consumidor gastasse, em média, R$ 30,00 por brinquedo. Sinésio Batista da Costa afirma que o gasto médio surpreendeu e ficou em R$ 50,00. O presidente da Abrinq acredita que, apesar do orçamento apertado, os pais deixaram de comprar algumas coisas para adquirir brinquedos. "Esta é uma data em que não se pode dar roupas, tênis ou outros artigos. Dia das Crianças é dia de ganhar brinquedo", afirmou Sinésio.

Os segmentos de brinquedos que mais cresceram foram os ligados ao desenvolvimento afetivo, como bonecas, ursinhos, e os voltados para a primeira idade (até 3 anos). Neste caso, explicou, o crescimento foi de 30% no volume de vendas.


Mercoagro 98 quer
reunir 15 mil compradores

Chapecó - A Mercoagro 98 - Feira Internacional de Processamento e Industrialização da Carne começa hoje em Chapecó, reunindo 200 empresas fabricantes e fornecedoras de equipamentos, máquinas, sistemas, insumos, embalagens, metodologias e aditivos para a industria frigorífica. A expectativa é que o evento reúna aproximadamente 15 mil compradores e movimente R$ 180 milhões.

Paralela a Mercoagro, acontece também a Feira Técnica Internacional de Produtos para a Indústria de Leite e Derivados - Tecnoláctea. As duas serão acompanhadas do 2º Seminário Internacional de Industrialização de Carnes e o 1º Seminário Sulbrasileiro da Industrialização de Leite e Derivados. Os eventos acontecem nos pavilhões 1, 2 e 3 do parque da Efapi e no espaço externo entre os pavilhões 2 e 3, que estão divididos em 147 stands. O setor externo foi ocupado por fabricantes de câmaras frias, empresas de impermeabilização e Sebrae.

Participam da -feira empresas da Áustria, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Itália, Nova Zelândia e países do Mercosul. A Alemanha exibe a excelência na área de tripas, a

Espanha na área de embalagens, a Itália demonstra sua pujança em equipamentos para abate, e a Áustria traz equipamentos para temperar carnes e produzir toda a linha de marinados. Portugal traz software de última geração e os Estados Unidos mostram equipamentos e sistemas de informática.

O destaque desta edição da Mercoagro 98 é Nova Zelândia. Com dez empresas participantes, o país traz equipamentos na área de automação e softwares e vai organizar um seminário próprio, dentro da programação interna da feira. É o "Foodsystems NZ", um seminário que enfoca a excelência em inovações tecnológicas, dirigido à empresários e técnicos do setor agroindustrial

Os grandes fornecedores nacionais da indústria da carne e do leite também estarão na Mercoagro e na Tecnoláctea. De Santa Catarina comparecem empresas de Joinville, Jaraguá do Sul, Rio do Sul, Chapecó e Blumenau; do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre, Canoas, Bento Gonçalves e Caxias do Sul; do Paraná, de Curitiba e Umuarama; de Minas Gerais, Juiz de Fora e Belo Horizonte; de Goiás, Goiânia; de São Paulo, Campinas, Rio Claro, Osasco, Cotia, Guarulhos e São Paulo. O Rio de Janeiro também está presente ao evento.

Cebolicultores do Sul
perdem 30% da safra

Florianópolis ­ Pelo menos 30% da colheita de cebola da região Sul apodrece nos armazéns em que são estocadas antes de ser comercializadas. O percentual representa 200 mil toneladas de perda no ano. A informação é do técnico Guido Boeing, do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa). O problema é que a cebola é um produto perecível e que, no ato da colheita, não tem mercado, já que a produção é o dobro do consumido no período. Resultado: boa parte do que é estocado acaba estragando. Some-se a isso a importação de cebola argentina e a diminuição das compras do produto de São Paulo, Bahia e Pernambuco e explica-se o aumento dos preços em até 265% na região de Florianópolis.

Em alguns supermercados, segundo reclamação de compradores, o quilo da cebola chega a custar R$ 1,79. "Como os preços foram baixos na safra anterior os produtores de São Paulo, Bahia e Pernambuco não tiveram como produzir, o que provocou maior procura do que oferta e jogou os preços para cima", diz Boeing. Isso e mais a perda de 30% por problemas de estocagem na região Sul fariam a alegria dos produtores, que teriam ganhos acentuados não fosse a importação de cebola da Argentina.

Custos

O técnico afirma que o custo de produção da cebola é muito baixo. "Qualquer valor que cubra o custo pode ser considerado muito bom." Segundo ele, um preço de R$ 0,20 cobre o custo dos produtores. Se a produtividade for de 15 toneladas por hectare o custo cai para R$ 0,13 a R$ 0,15. Acima de 20 toneladas por hectare o custo é inferior a R$ 0,10. Por isso a importação da Argentina acaba não sendo bom negócio. "Só o custo do transporte da Argentina para São Paulo é de R$ 0,12 por quilo", afirma o especialista.

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Programa

Novo governo pode participar de ajuste

Equipes técnicas devem avaliar minuta de acordo fiscal entre os governos estadual e federal

Rogério Christofoletti

Florianópolis ­ Os membros da equipe técnica para a transição no governo do Estado podem participar da avaliação da minuta do programa de ajuste fiscal que Santa Catarina deve assinar com a União. A possibilidade, apesar de ainda não oficializada, já é admitida pelos dois lados. "Qualquer assunto que interesse ao povo catarinense pode ser tratado e analisado", reconheceu o coordenador do grupo de transição, Celestino Secco.

A minuta do programa de ajuste fiscal chegou à Secretaria do Estado da Fazenda no último dia 30 de setembro, data-limite para a assinatura do documento. Como o atraso já vinha do governo federal, o acordo não foi firmado ainda, pois dependia do consentimento do governador Paulo Afonso Vieira para uma série de medidas de contenção de despesas, indicadas pela União. Os programas de ajuste fiscal assinados pelos Estados fazem parte das diretrizes federais para redução do déficit público, enxugamento das folhas de pagamento e intensificação do programa nacional de desestatização.

Apesar de não haver ainda tratativas entre as partes, a participação na avaliação dos pontos do ajuste estadual não inspira "constrangimentos" nem resistências" por parte dos técnicos do governo recém-eleito, conforme frisa Secco. "Não temos o conjunto das propostas expressas pelo documento, então fica difícil fazer uma avaliação destes pontos. Teremos que analisá-los. No momento, estamos aguardando a indicação do interlocutor do governo Paulo Afonso para começar a transição. Quando tivermos o nome, poderemos conversar".

O senador e governador eleito, Esperidião Amin (PPB), estava ontem em Brasília e hoje tem audiência marcada com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O coordenador do grupo de transição não dispunha de detalhes sobre a pauta do encontro, mas admitiu que os pontos do ajuste fiscal possam constar do diálogo.

Da parte do atual governo, a vinda dos técnicos de transição já é inclusive uma possibilidade manifesta oficialmente. Na última semana, a Fazenda estadual chegou a enviar documento à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) sugerindo a criação desta nova situação. O órgão federal ainda não respondeu sobre o caso, e nem de que forma técnicos de um governo não empossado possam decidir sobre um acordo a ser firmado ainda nesta gestão.

Estado busca solução para debêntures da Invesc

Florianópolis ­ A quitação da dívida de cerca de R$ 180 milhões da Santa Catarina Participações e Investimentos (Invesc) e a liquidação das debêntures da empresa emitidas no ano passado podem ter uma outra solução ao invés da venda do lote de 10 mil debêntures. A cogitação foi feita ontem pelo executivo de Negociação da Dívida Pública do Estado, Gerson Berti, às vésperas do vencimento do prazo dado pelos investidores para a conclusão do processo de venda das debêntures da Invesc."Como o tempo terminou sem a concretização do negócio, o governo vai se reunir novamente com os representantes dos investidores para pensar uma solução", disse Berti.

As debêntures são títulos de crédito que garantem juros ao investidor, além do capital empregado. Do outro lado, a empresa que emite os papéis levanta recursos no mercado sem dispor de suas ações. No caso presente da transação da Invesc, as debêntures foram emitidas para pagar uma dívida que hoje ultrapassa os R$ 180 milhões, e os títulos têm como garantia 29,05% das ações da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Só de juros, os debenturistas - que são os investidores envolvidos no negócio - esperam mais de R$ 23 milhões.

O prazo para conclusão da venda foi prorrogado três vezes, e nesta última, havia a expectativa de que a definição dos novos eleitos em 4 de outubro pudesse permitir o negócio. Até ontem à tarde, o embargo imposto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) inviabilizava a venda das debêntures.

Como o entrave é administrativo, o governo tenta reverter o quadro de olho na entrada de alguns recursos nos cofres públicos, já que a saúde financeira do Estado não está nada boa. Os debenturistas, por sua vez, estão em situação pior: por causa da crise nas bolsas de valores, não compensa tomar as ações da Celesc no lugar dos juros; não tem como obter do devedor outras fontes de recurso; e não pode fazer nada para apressar a liberação, já que a CVM tem autonomia para gerenciar o mercado mobiliário. (RC)

SC tenta o desbloqueio

Florianópolis ­ A não-publicação dos contratos firmados entre a União e os credores de Santa Catarina, estabelecendo a assunção das dívidas do Estado, é a arma do governo estadual para tentar o desbloqueio das contas sofrido há doze dias. A tese pode compor uma ação judicial contra o trancamento das contas, caso não haja reversão administrativa do quadro.

O bloqueio foi determinado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) após o não-pagamento de cinco parcelas da rolagem da dívida, valor inicialmente contabilizado em R$ 55 milhões. A Fazenda contestou o montante por discordância nos cálculos, e a STN acabou revisando as contas, que caíram para R$ 35, 29 milhões. Com as contas bloqueadas, a União absorveu R$ 7,5 milhões de repasses da Lei Kandir, e quaisquer verbas que ali chegassem seriam tomadas como pagamento até cobrir o valor devido.

Na última sexta-feira, o governo enviou diversos ofícios à STN e inclusive ao ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, formalizando o pedido administrativo de desbloqueio das contas. O governo do Estado não quer gastar toda sua munição, entrando com uma ação judicial contra a União, antes da resposta administrativa. A não-publicação no Diário Oficial dos contratos de assunção da dívida, segundo o governo, torna o bloqueio das contas ilegal pois desacata os trâmites habituais do processo de rolagem.

A situação é bastante complicada para o governo, que está com toda a arrecadação dos próximos dias comprometida com a quitação das parcelas. O pagamento dos servidores - que deveria ocorrer esta semana - deve ser prejudicado, sofrendo atraso. (RC)


Consumidor quer recuperar crédito

Criciúma ­ Uma das primeiras providências que os consumidores inadimplentes de Criciúma estão tomando para as compras de final de ano é a recuperação do crédito junto ao SPC. A opinião é do diretor da entidade no município, Renato Carvalho, que verificou um aumento nas baixas realizadas pelo Sistema de Proteção ao Crédito em setembro. Neste mês, foram retirados da lista negra 5.511 consumidores, um número 26,4% maior que as baixas realizadas no mesmo período em 97.

Carvalho observa que o número é expressivo, pois no primeiro semestre de 1998, a inadimplência foi muito maior. De janeiro a junho, os registros no SPC aumentou 18,4%, enquanto que as baixas no sistema foi de apenas 0,2%.

A inadimplência cresceu 2,5%, no mês passado, mas Carvalho acredita que está havendo melhor planejamento por parte do comprador. Ele diz que apesar de 80% das compras no município, ainda serem feitos no sistema a prazo, os consumidores estão tendo cuidados, em fazer compras com prestações muita longas para fugir dos juros altos.

Os lojistas também estão fazendo restrições ao crédito. Segundo o dirigente, as consultas ao SPC caíram 7,2% no mês passado, se comparado com setembro de 97.


Tarifa menor movimenta aeroporto

Navegantes - As quatro companhias aéreas que operam no aeroporto de Navegantes prevêem que hoje estejam esgotadas as passagens para a cidade no próximo final de semana, bem como as de retorno, no domingo e segunda-feira. Isso representa um fluxo diário de até mil passageiros em 16 vôos São Paulo-Navegantes. A euforia das companhias aéreas deve-se às tarifas reduzidas, que podem significar descontos de até 60% em relação a tarifa padrão.

Os 14 vôos mantidos pela Rio Sul, de São Paulo para Navegantes, na sexta e sábado, estarão com todos seus lugares comprados hoje ao meio-dia; como também estarão lotados os 14 vôos de retorno Navegantes-São Paulo de domingo e segunda-feira, prevê o representante da empresa para o Vale do Itajaí, Alexandre de Sá Oliveira.

Ele tem fortes razões para acreditar nisso, pois ontem a lotação atingiu a 80%. Desde o início das festas de outubro em Santa Catarina a ocupação média de cada vôo é de 90%. Isso significa dizer que, diariamente, desembarcam no aeroporto de Navegantes 470 pessoas. Oliveira estima que 70% desse público seja composto de turistas para o Beto Carrero World, Blumenau e Balneário Camboriú.



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