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Governo muda
regras para cartão
Decreto do Ministério
da Justiça proíbe cláusulas em contrato que contrariem
direitos do consumidor
Brasília - A partir de hoje, as administradoras de cartão
de crédito não podem mais cobrar juros de mora de 10% ao mês
de seus clientes, devendo-se limitar a 2%. O Ministério da Justiça
determinou ontem que, além desta, sejam consideradas nulas a partir
de agora outras três cláusulas presentes em praticamente todos
os contratos mantidos pelos usuários de cartões e as administradoras,
por contrariarem os direitos do consumidor.
"Estas cláusulas são consideradas abusivas e, assim
sendo, nulas por colocarem em desvantagem exagerada o consumidor, quebrando
o princípio do equilíbrio nas relações de consumo,
da transparência e da lealdade contratual", afirmou o ministro
da Justiça, Renan Calheiros. Segundo ele, estas cláusulas
admitem penalidades unilaterais sempre contra o consumidor.
O usuário não será mais obrigado a pagar multa
de 20% sobre o saldo devedor se alguma atitude sua constituir quebra de
qualquer item que possibilite a rescisão do contrato. A Secretaria
de Direito Econômico (SDE) constatou que esta imposição
só é feita ao usuário, e nunca à administradora,
o que contraria o Código de Defesa do Consumidor e o Código
Civil. "Nenhuma penalidade é prevista pela quebra de contrato
por parte das administradoras", lembrou Calheiros.
As administradoras também não poderão mais cobrar
multa de 50% "sobre o valor da obrigação por descumprimento
de normas do Banco Central e/ou fixada pela administradora no uso do cartão
de crédito internacional". De acordo com análise da SDE,
em nenhum momento os contratos deixam claro a quais normas os usuários
estão submetidos, "levando em conta a multiplicidade de normas
expedidas por aquele órgão e o desconhecimento das normas
internas de cada administradora".
A SDE também voltou a multar as empresas que enviam cartões
para o cliente sem prévia autorização. "Em 1998
esta prática voltou a ocorrer com maior intensidade", disse
o ministro. Para os casos de envio, a multa é de R$ 96,1 mil e para
os casos em que ocorreu cobrança, a penalidade chegou a R$ 240,2
mil.
Administradoras passam
a pagar custos com advogados
O Ministério da Justiça também tornou ontem sem
efeito a cláusula que transfere imediatamente ao consumidor a responsabilidade
pelo pagamento de até 20% dos custos com advogados, "mesmo nas
discussões amigáveis que precedem a instância judicial".
O ministro Renan Calheiros ressaltou que "o custo com advogados durante
as discussões amigáveis deve ser arcado por quem os contrata".
Além disso, afirmou o ministro, cabe ao juiz arbitrar, na hipótese
de cobrança judicial, o porcentual a título de honorários.
A cobrança de juros de mora de 10% ao mês também
deixará de existir. O Código de Defesa do Consumidor determina
que o valor máximo a ser cobrado no caso de "outorga de crédito
ou concessão de financiamentos" é de 2%. A decisão
do ministério não implicará na devolução
da quantia já paga pelo consumidor que foi penalizado por estas cláusulas
abusivas. "Ele deverá procurar a Justiça para ser ressarcido",
disse Calheiros. Para valores abaixo de 40 salários mínimos,
disse o ministro, ele poderá recorrer aos tribunais especiais de
pequenas causas.
As administradoras também têm prazo de 30 dias para informar
aos usuários de cartões: a origem, o custo e a remuneração
de todos os encargos previstos na "cláusula mandato". Este
dispositivo permite que as administradoras representem o cliente para obtenção
de recursos financeiros em instituições de mercado para financiamento
de operações ou compras. De acordo com Calheiros, esta cláusula
dá poderes especiais e ilimitados às operadoras nas negociações
de taxas de juros, encargos e prazos, "sem que se dê conhecimento
ao titular do cartão".
Caso deixem de cumprir as determinações do ministério,
as operadoras estarão sujeitas a multas de variam de 200 Ufir (R$
192,22) a 3 milhões de Ufir (R$ 2,8 milhões).
Nos próximos dias, a Associação Brasileira das
Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abeccs) e
outras instituições interessadas serão convidadas para
formalizar no Ministério da Justiça o Compromisso de Ajustamento
e Conduta. Neste texto, elaborado pela SDE, serão estabelecidas as
obrigações e penalidades para o setor, principalmente em torno
do relacionamento com o usuário.
Fundição Tupy amplia
carteira de negócios
Empresa vai conceder férias
coletivas para ajustar produção
Adriana Zoch
Joinville - A Fundição Tupy vai fornecer virabrequins
para a Ford norte-americana e peças fundidas para sistemas de freio
para a Bosch do Brasil, destinadas à exportação, a
partir do ano que vem. O anúncio do fechamento dos dois novos negócios,
que deverão render US$ 20 milhões anuais, foi anunciado ontem
pelo diretor-presidente da empresa, Mário Egerland.
Os novos produtos destinados à exportação estão
sendo desenvolvidos pela unidade de Joinville, o que deve demandar um prazo
médio de seis meses. Pelos cálculos de Egerland, a exportação
de virabrequins para a Ford dos Estados Unidos, no total de 13 mil toneladas
por ano, vai proporcionar um faturamento de US$ 13 milhões.
O contrato com a Bosch do Brasil prevê o fornecimento de peças
fundidas para a montagem de sistemas de freios completos pela Bosch Freios,
que serão exportados também para os Estados Unidos. A transação
vai render por ano US$ 7 milhões à Tupy.
Os dois novos negócios, segundo o executivo, fazem parte da estratégia
de crescimento das exportações da Tupy, maior fundição
da América Latina, "e de consolidação da empresa
como global player". A fundição projeta aumentar para
US$ 250 milhões o faturamento com as exportações até
2001, em comparação a 97, ano em que totalizou US$ 100 milhões
em vendas ao exterior. As vendas líquidas somaram US$ 308,4 milhões
no ano passado. O lucro da Tupy em 97 fechou em US$ 7,5 milhões.
Para 98, a estimativa é faturar R$ 136 milhões com as
exportações, que consomem hoje metade do esforço de
produção. Cerca de 80% das vendas externas da Tupy estão
concentradas no mercado norte-americano.
Férias coletivas
A partir deste mês até dezembro, os mais de 5 mil funcionários
das fundições Tupy e Mauá (fábrica paulista
adquirida da Cofap este ano) vão passar quatro semanas em férias
coletivas. O objetivo da medida é adequar a produção
à demanda interna do segmento automotivo, que caiu entre 20% e 25%
nos dois últimos meses, em função da crise financeira
no País, e que representa 75% do mercado interno da Tupy.
A fundição esperava aumentar de 200 mil para 250 mil toneladas
a produção este ano, mas com a crise no País Egerland
acha difícil arriscar uma nova previsão.
Os funcionários das unidade de Joinville e São Paulo vão
ter férias coletivas durante uma semana este mês, outra em
novembro e mais duas semanas em dezembro, para equilibrar a produção.
"Estabelecemos o critério de que o ajuste não incluiria
demissões. Procuramos preservar os valores humanos Tupy", frisou
Mário Egerland.
A empresa suspendeu novos contratos temporários, que chegaram
a 300 até agosto. Praticamente todos os serviços terceirizados
pela Tupy estão sendo reintegrados.
Antarctica vai fechar a
unidade fabril de Joinville
Ricardo Hecker Luz
Joinville - A Antarctica vai fechar a unidade fabril de Joinville em
meados de novembro. Segundo o diretor Rubens Vieira, a maior parte dos
123 empregados vão ser dispensados. Aproximadamente 30 pessoas vão
ficar cuidando da parte comercial e da construção da nova
fábrica, cuja construção deve começar no início
de 1999.
O diretor ressalta que alguns funcionários vão ser aproveitados
em outras unidades da Antarctica. Além disso, quando as empreiteiras
iniciarem as obras, terão prioridade para ocuparem uma das 1,3 mil
vagas previstas por Vieira. Ele acrescenta que cerca de 10% já estão
aposentados e espera reintegrar os dispensados no momento em que a nova
unidade for inaugurada. Segundo Vieira, haverá 670 postos de trabalho.
Um dos principais motivos da desativação, é que
a fábrica é muito antiga e de baixa produtividade, o que torna
inviável qualquer investimento de modernização. Ele
ressalta que a indústria de cerveja requer volume e escala para poder
competir em preço. "Atualmente, a fábrica atende somente
Joinville e outras cidades da região, trabalhando na capacidade máxima."
Com o fechamento, a cerveja de Joinville virá do Sul e de São
Paulo, e Vieira não acredita que haja diferença muito grande
no sabor. No momento, a fábrica está produzindo chope para
as festas de outubro. A expectativa da empresa é comercializar cerca
de 300 mil litros na Oktoberfest, que se realiza em Blumenau, e outros 100
mil na Fenachopp, que acontece em Joinville.
A intenção da companhia é transformar a fábrica
antiga no Museu Nacional da Cerveja, com apoio de empreendedores locais.
O projeto deverá gerar 50 empregos diretos. A nova utilização
terá uma cervejaria, decorada com motivos típicos da colonização
alemã, e os visitantes poderão conhecer o processo de produção
de uma das mais antigas cervejarias do País.
A nova unidade fabril que será instalada em Joinville deve entrar
em operação por volta de junho de 2000. A capacidade produtiva
vai passar dos atuais 185 mil hectolitros anuais de cerveja para 2,5 milhões
de hectolitros anuais de cervejas e refrigerantes. A fábrica será
toda automatizada e vai requerer investimentos de R$ 145 milhões
para atingir essa capacidade produtiva.
Ajuste fiscal
Amin defende medidas
José Augusto Gayoso
Especial para A Notícia
Brasília O governador eleito Esperidião Amin (PPB)
defendeu ontem em Brasília o apoio dos governadores eleitos às
medidas de ajuste fiscal que serão propostas pelo governo federal
para enfrentar a crise internacional, "mesmo que isso signifique alguns
sacrifícios". Para Amin, um dos pontos principais no qual os
governadores poderão ajudar é no cumprimento do que determina
a Lei Camata, em relação à limitação
dos gastos dos governos do Estado com pessoal, a 60% da arrecadação.
No caso de Santa Catarina, Amin já deu a receita. Pretende chegar
aos 60% eliminando os cargos comissionados criados nos últimos anos.
"Não vamos mexer nos estáveis e nem precisamos disso.
Se gasta hoje, em Santa Catarina, cerca de 67% do arrecadado com a folha
de pagamento. Basta extinguir os cargos comissionados que chegaremos a 60%",
justificou .
O governador defendeu que os demais governadores que gastam mais do
que o que determina a lei façam um programa de ajuste "realmente
forte", para se adequar à nova realidade. "Tem governo
que gasta até 85% do que arrecada com folha de pagamento. Alguma
coisa eles têm que fazer", emendou o governador eleito.
Quanto aos aumentos de impostos, que também deverão ser
anunciados pelo governo federal, Amin acredita que o governo deve debater
muito, e com o Congresso, a questão dos aumentos de impostos. "Ninguém
gosta de aumentar impostos. Mas se o governo provar que não existe
outra saída, temos que aceitar", disse Amin.
Vendas para o Dia da
Criança tem alta de 5%
Indústria de brinquedos
registra crescimento de 18% na comercialização de presentes
Joinville/São Paulo - Shoppings e lojas de Joinville constatam
elevação no consumo de produtos infantis com o Dia da Criança,
em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente
da Câmara de Dirigentes Lojistas de Joinville (CDL), Alexandre Brandão
Nascimento, estima um crescimento médio de 5% nas vendas. Ele ressalta
que shoppings e comércio de rua registraram um bom desempenho na
comercialização de brinquedos, sapatos e roupas infantis.
A gerente de Marketing do Shopping Americanas, Sirlei Wienhage, garante
que houve um crescimento, mas ele não foi muito elevado. Ela atribui
a melhora nas vendas ao tempo bom e à redução dos preços
dos produtos. Tânia Larson, gerente de Marketing do Shopping Mueller,
espera um incremento das vendas entre 5% e 10%. A Superfestas, especializada
em brinquedos, fechou no domingo somente às 23 horas, em função
do fluxo de clientes.
A proprietária da Brincalhão, Shirley Sauerbeck, se surpreendeu
com as vendas nos dias de chuva. Por outro lado, disse que o sol levou muita
gente para a praia no final de semana - com o movimento ficando um pouco
abaixo do esperado.
A indústria de brinquedos está comemorando os resultados
positivos do Dia das Crianças: foram vendidos cerca de 70 milhões
de brinquedos, um crescimento de 18% no volume de vendas e de 5,8% no faturamento
em relação ao Dia das Crianças do ano passado. As informações
foram dadas ontem pelo presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Sinésio Batista da Costa.
"Os estoques que sobraram ficaram absolutamente dentro do previsto,
o que ajuda a indústria a se programar para crescer 3% no Natal",
afirmou.
Segundo a Abrinq, a estimativa era que o consumidor gastasse, em média,
R$ 30,00 por brinquedo. Sinésio Batista da Costa afirma que o gasto
médio surpreendeu e ficou em R$ 50,00. O presidente da Abrinq acredita
que, apesar do orçamento apertado, os pais deixaram de comprar algumas
coisas para adquirir brinquedos. "Esta é uma data em que não
se pode dar roupas, tênis ou outros artigos. Dia das Crianças
é dia de ganhar brinquedo", afirmou Sinésio.
Os segmentos de brinquedos que mais cresceram foram os ligados ao desenvolvimento
afetivo, como bonecas, ursinhos, e os voltados para a primeira idade (até
3 anos). Neste caso, explicou, o crescimento foi de 30% no volume de vendas.
Mercoagro 98 quer
reunir 15 mil compradores
Chapecó - A Mercoagro 98 - Feira Internacional de Processamento
e Industrialização da Carne começa hoje em Chapecó,
reunindo 200 empresas fabricantes e fornecedoras de equipamentos, máquinas,
sistemas, insumos, embalagens, metodologias e aditivos para a industria
frigorífica. A expectativa é que o evento reúna aproximadamente
15 mil compradores e movimente R$ 180 milhões.
Paralela a Mercoagro, acontece também a Feira Técnica
Internacional de Produtos para a Indústria de Leite e Derivados -
Tecnoláctea. As duas serão acompanhadas do 2º Seminário
Internacional de Industrialização de Carnes e o 1º Seminário
Sulbrasileiro da Industrialização de Leite e Derivados. Os
eventos acontecem nos pavilhões 1, 2 e 3 do parque da Efapi e no
espaço externo entre os pavilhões 2 e 3, que estão
divididos em 147 stands. O setor externo foi ocupado por fabricantes de
câmaras frias, empresas de impermeabilização e Sebrae.
Participam da -feira empresas da Áustria, França,
Portugal, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Itália, Nova
Zelândia e países do Mercosul. A Alemanha exibe a excelência
na área de tripas, a
Espanha na área de embalagens, a Itália demonstra sua pujança
em equipamentos para abate, e a Áustria traz equipamentos para temperar
carnes e produzir toda a linha de marinados. Portugal traz software de
última geração e os Estados Unidos mostram equipamentos
e sistemas de informática.
O destaque desta edição da Mercoagro 98 é
Nova Zelândia. Com dez empresas participantes, o país traz
equipamentos na área de automação e softwares e vai
organizar um seminário próprio, dentro da programação
interna da feira. É o "Foodsystems NZ", um seminário
que enfoca a excelência em inovações tecnológicas,
dirigido à empresários e técnicos do setor agroindustrial
Os grandes fornecedores nacionais da indústria da carne
e do leite também estarão na Mercoagro e na Tecnoláctea.
De Santa Catarina comparecem empresas de Joinville, Jaraguá do Sul,
Rio do Sul, Chapecó e Blumenau; do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre,
Canoas, Bento Gonçalves e Caxias do Sul; do Paraná, de Curitiba
e Umuarama; de Minas Gerais, Juiz de Fora e Belo Horizonte; de Goiás,
Goiânia; de São Paulo, Campinas, Rio Claro, Osasco, Cotia,
Guarulhos e São Paulo. O Rio de Janeiro também está
presente ao evento.
Cebolicultores do Sul
perdem 30% da safra
Florianópolis Pelo menos 30% da colheita de cebola da região
Sul apodrece nos armazéns em que são estocadas antes de ser
comercializadas. O percentual representa 200 mil toneladas de perda no ano.
A informação é do técnico Guido Boeing, do Instituto
de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa). O
problema é que a cebola é um produto perecível e que,
no ato da colheita, não tem mercado, já que a produção
é o dobro do consumido no período. Resultado: boa parte do
que é estocado acaba estragando. Some-se a isso a importação
de cebola argentina e a diminuição das compras do produto
de São Paulo, Bahia e Pernambuco e explica-se o aumento dos preços
em até 265% na região de Florianópolis.
Em alguns supermercados, segundo reclamação de compradores,
o quilo da cebola chega a custar R$ 1,79. "Como os preços foram
baixos na safra anterior os produtores de São Paulo, Bahia e Pernambuco
não tiveram como produzir, o que provocou maior procura do que oferta
e jogou os preços para cima", diz Boeing. Isso e mais a perda
de 30% por problemas de estocagem na região Sul fariam a alegria
dos produtores, que teriam ganhos acentuados não fosse a importação
de cebola da Argentina.
Custos
O técnico afirma que o custo de produção da cebola
é muito baixo. "Qualquer valor que cubra o custo pode ser considerado
muito bom." Segundo ele, um preço de R$ 0,20 cobre o custo dos
produtores. Se a produtividade for de 15 toneladas por hectare o custo cai
para R$ 0,13 a R$ 0,15. Acima de 20 toneladas por hectare o custo é
inferior a R$ 0,10. Por isso a importação da Argentina acaba
não sendo bom negócio. "Só o custo do transporte
da Argentina para São Paulo é de R$ 0,12 por quilo",
afirma o especialista.
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Programa |
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Novo governo pode participar de ajuste
Equipes técnicas devem
avaliar minuta de acordo fiscal entre os governos estadual e federal
Rogério Christofoletti
Florianópolis Os membros da equipe técnica para
a transição no governo do Estado podem participar da avaliação
da minuta do programa de ajuste fiscal que Santa Catarina deve assinar com
a União. A possibilidade, apesar de ainda não oficializada,
já é admitida pelos dois lados. "Qualquer assunto que
interesse ao povo catarinense pode ser tratado e analisado", reconheceu
o coordenador do grupo de transição, Celestino Secco.
A minuta do programa de ajuste fiscal chegou à Secretaria do
Estado da Fazenda no último dia 30 de setembro, data-limite para
a assinatura do documento. Como o atraso já vinha do governo federal,
o acordo não foi firmado ainda, pois dependia do consentimento do
governador Paulo Afonso Vieira para uma série de medidas de contenção
de despesas, indicadas pela União. Os programas de ajuste fiscal
assinados pelos Estados fazem parte das diretrizes federais para redução
do déficit público, enxugamento das folhas de pagamento e
intensificação do programa nacional de desestatização.
Apesar de não haver ainda tratativas entre as partes, a participação
na avaliação dos pontos do ajuste estadual não inspira
"constrangimentos" nem resistências" por parte dos
técnicos do governo recém-eleito, conforme frisa Secco. "Não
temos o conjunto das propostas expressas pelo documento, então fica
difícil fazer uma avaliação destes pontos. Teremos
que analisá-los. No momento, estamos aguardando a indicação
do interlocutor do governo Paulo Afonso para começar a transição.
Quando tivermos o nome, poderemos conversar".
O senador e governador eleito, Esperidião Amin (PPB), estava
ontem em Brasília e hoje tem audiência marcada com o presidente
Fernando Henrique Cardoso. O coordenador do grupo de transição
não dispunha de detalhes sobre a pauta do encontro, mas admitiu que
os pontos do ajuste fiscal possam constar do diálogo.
Da parte do atual governo, a vinda dos técnicos de transição
já é inclusive uma possibilidade manifesta oficialmente. Na
última semana, a Fazenda estadual chegou a enviar documento à
Secretaria do Tesouro Nacional (STN) sugerindo a criação desta
nova situação. O órgão federal ainda não
respondeu sobre o caso, e nem de que forma técnicos de um governo
não empossado possam decidir sobre um acordo a ser firmado ainda
nesta gestão.
Estado busca solução para debêntures
da Invesc
Florianópolis A quitação da dívida
de cerca de R$ 180 milhões da Santa Catarina Participações
e Investimentos (Invesc) e a liquidação das debêntures
da empresa emitidas no ano passado podem ter uma outra solução
ao invés da venda do lote de 10 mil debêntures. A cogitação
foi feita ontem pelo executivo de Negociação da Dívida
Pública do Estado, Gerson Berti, às vésperas do vencimento
do prazo dado pelos investidores para a conclusão do processo de
venda das debêntures da Invesc."Como o tempo terminou sem a concretização
do negócio, o governo vai se reunir novamente com os representantes
dos investidores para pensar uma solução", disse Berti.
As debêntures são títulos de crédito que
garantem juros ao investidor, além do capital empregado. Do outro
lado, a empresa que emite os papéis levanta recursos no mercado sem
dispor de suas ações. No caso presente da transação
da Invesc, as debêntures foram emitidas para pagar uma dívida
que hoje ultrapassa os R$ 180 milhões, e os títulos têm
como garantia 29,05% das ações da Centrais Elétricas
de Santa Catarina (Celesc). Só de juros, os debenturistas - que são
os investidores envolvidos no negócio - esperam mais de R$ 23 milhões.
O prazo para conclusão da venda foi prorrogado três vezes,
e nesta última, havia a expectativa de que a definição
dos novos eleitos em 4 de outubro pudesse permitir o negócio. Até
ontem à tarde, o embargo imposto pela Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) inviabilizava a venda das debêntures.
Como o entrave é administrativo, o governo tenta reverter o quadro
de olho na entrada de alguns recursos nos cofres públicos, já
que a saúde financeira do Estado não está nada boa.
Os debenturistas, por sua vez, estão em situação pior:
por causa da crise nas bolsas de valores, não compensa tomar as ações
da Celesc no lugar dos juros; não tem como obter do devedor outras
fontes de recurso; e não pode fazer nada para apressar a liberação,
já que a CVM tem autonomia para gerenciar o mercado mobiliário.
(RC)
SC tenta o desbloqueio
Florianópolis A não-publicação dos
contratos firmados entre a União e os credores de Santa Catarina,
estabelecendo a assunção das dívidas do Estado, é
a arma do governo estadual para tentar o desbloqueio das contas sofrido
há doze dias. A tese pode compor uma ação judicial
contra o trancamento das contas, caso não haja reversão administrativa
do quadro.
O bloqueio foi determinado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN)
após o não-pagamento de cinco parcelas da rolagem da dívida,
valor inicialmente contabilizado em R$ 55 milhões. A Fazenda contestou
o montante por discordância nos cálculos, e a STN acabou revisando
as contas, que caíram para R$ 35, 29 milhões. Com as contas
bloqueadas, a União absorveu R$ 7,5 milhões de repasses da
Lei Kandir, e quaisquer verbas que ali chegassem seriam tomadas como pagamento
até cobrir o valor devido.
Na última sexta-feira, o governo enviou diversos ofícios
à STN e inclusive ao ministro interino da Fazenda, Pedro Parente,
formalizando o pedido administrativo de desbloqueio das contas. O governo
do Estado não quer gastar toda sua munição, entrando
com uma ação judicial contra a União, antes da resposta
administrativa. A não-publicação no Diário Oficial
dos contratos de assunção da dívida, segundo o governo,
torna o bloqueio das contas ilegal pois desacata os trâmites habituais
do processo de rolagem.
A situação é bastante complicada para o governo,
que está com toda a arrecadação dos próximos
dias comprometida com a quitação das parcelas. O pagamento
dos servidores - que deveria ocorrer esta semana - deve ser prejudicado,
sofrendo atraso. (RC)
Consumidor quer recuperar crédito
Criciúma Uma das primeiras providências que os consumidores
inadimplentes de Criciúma estão tomando para as compras de
final de ano é a recuperação do crédito junto
ao SPC. A opinião é do diretor da entidade no município,
Renato Carvalho, que verificou um aumento nas baixas realizadas pelo Sistema
de Proteção ao Crédito em setembro. Neste mês,
foram retirados da lista negra 5.511 consumidores, um número 26,4%
maior que as baixas realizadas no mesmo período em 97.
Carvalho observa que o número é expressivo, pois no primeiro
semestre de 1998, a inadimplência foi muito maior. De janeiro a junho,
os registros no SPC aumentou 18,4%, enquanto que as baixas no sistema foi
de apenas 0,2%.
A inadimplência cresceu 2,5%, no mês passado, mas Carvalho
acredita que está havendo melhor planejamento por parte do comprador.
Ele diz que apesar de 80% das compras no município, ainda serem feitos
no sistema a prazo, os consumidores estão tendo cuidados, em fazer
compras com prestações muita longas para fugir dos juros altos.
Os lojistas também estão fazendo restrições
ao crédito. Segundo o dirigente, as consultas ao SPC caíram
7,2% no mês passado, se comparado com setembro de 97.
Tarifa menor movimenta aeroporto
Navegantes - As quatro companhias aéreas que operam no aeroporto
de Navegantes prevêem que hoje estejam esgotadas as passagens para
a cidade no próximo final de semana, bem como as de retorno, no domingo
e segunda-feira. Isso representa um fluxo diário de até mil
passageiros em 16 vôos São Paulo-Navegantes. A euforia das
companhias aéreas deve-se às tarifas reduzidas, que podem
significar descontos de até 60% em relação a tarifa
padrão.
Os 14 vôos mantidos pela Rio Sul, de São Paulo para Navegantes,
na sexta e sábado, estarão com todos seus lugares comprados
hoje ao meio-dia; como também estarão lotados os 14 vôos
de retorno Navegantes-São Paulo de domingo e segunda-feira, prevê
o representante da empresa para o Vale do Itajaí, Alexandre de Sá
Oliveira.
Ele tem fortes razões para acreditar nisso, pois ontem a lotação
atingiu a 80%. Desde o início das festas de outubro em Santa Catarina
a ocupação média de cada vôo é de 90%.
Isso significa dizer que, diariamente, desembarcam no aeroporto de Navegantes
470 pessoas. Oliveira estima que 70% desse público seja composto
de turistas para o Beto Carrero World, Blumenau e Balneário Camboriú. |
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