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Cinema

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Juca Chaves
sexy, sexagenário
O menestrel do Brasil completa
60 anos de vida e 40 de carreira mais jovem do que nunca
Às vésperas de completar 60 anos e entrar derradeiramente
na terceira idade, Juca Chaves não perde a linha (do humor), nem
o fio (da música), nem o prumo (da leveza lírica). Continua
rindo e fazendo rir à toa. Judeu descendente de austríacos,
Jurandyr Chaves, seu nome oficial, comemora também 40 anos de profissão
e se diz jovem como nunca. Pudera: há dez meses com o espetáculo
"Socorro" em cartaz no Teatro Barra Shpopping, no Rio de Janeiro,
o irreverente músico, escritor e compositor vem aperfeiçoando
a sua maneira de satirizar políticos e personalidades do mundo artístico
de uma maneira inteligente e sagaz. Autor de "Presidente Bossa Nova",
o menestrel maldito mantém seus shows (sempre em teatro) pelo País
afora com estilo e acordes medievais.
Sobre os 60 anos, ele brinca: "Essa é a melhor idade que
um homem pode ter, é a idade de ser sexy, de sexagenário."
Perseguido pela censura nos tempos do regime militar, Juca Chaves já
fez de tudo um pouco. Chegou a investir em negócios mirabolantes,
como a fábrica de suco de caju e a montagem de um grande circo para
apresentar os seus shows. Nessa entrevista, ele fala do espetáculo,
dos projetos, de sua relação com o tempo e da chegada da terceira
idade.
Como é completar 60 anos?
Juca Chaves Minha intenção é ficar
cada vez mais velho. Sempre digo que morrer com 120 anos é um bom
número. Me preparo todos os dias para chegar a essa idade.
E como é esta preparação?
Juca Chaves A receita é muito simples: viva sorrindo!
Esta é a grande fonte da juventude. Basta perceber que a hiena vive
muito mais do que o burro.
Qual é a tônica do espetáculo "Socorro"?
Juca Chaves Eu ainda continuo com aquele mesmo modelo de
shows, sempre recheados de sátiras, modinhas e piadas com personagens
do nosso dia-a-dia e apimentando a vida pública de políticos
e socialites. Tem sido muito gratificante já estar há dez
meses em cartaz e ter todas as noites, de quinta a domingo, um público
considerável.
Em época de eleições, as sátiras no seu
show ficam mais ligadas a políticos?
Juca Chaves Esse sempre foi um tema que direcionou os meus
shows, mas tem sido sim, ainda mais pela reeleição do presidente
Fernando Henrique Cardoso ou Dom Fernando II, o Garboso. Afinal de contas,
ele diz que vai acabar com o desemprego na sua segunda gestão e a
maior prova disso é que ele mesmo já garantiu o dele.
Até quando você fica no Rio?
Juca Chaves Eu costumo dizer nos meus shows que só
faltam dois meses e quatro bancos para encerrar a temporada. Mas gosto muito
do Rio de Janeiro. Para quem veio para ficar apenas dois meses e já
está há dez... Também tem o fato de ser um teatro muito
aconchegante e de me sentir em casa, então a coisa vai rolando.
Com a final da temporada de "Socorro", o que você
pretende fazer?
Juca Chaves No fim do ano devo viajar para a Europa. Passarei
Natal e Ano Novo fora do País. A princípio devo viajar para
as terras do Papai Noel, tenho muita vontade de conhecer esses lugares gelados
do norte da Finlândia. Depois a meta é voltar com a corda toda,
idéias novas e um novo repertório. Mas é surpresa.
E podem acontecer shows por lá?
Juca Chaves Até agora eu não tenho nada programado,
mas acho que não devo fazer nenhuma apresentação por
aquelas bandas. Eles são chatos demais. A minha intenção
é apenas me divertir, o que tenho feito nesses 40 anos de modo um
pouco diferente.
Roy Kellermann expõe
suas telas em Blumenau
Mostra pode ser visitada
até dia 31 na Caixa Federal
Blumenau - Elementos surreais quebram a monotonia da profundidade construtivista
nas novas telas do artista plástico blumenauense Roy Kellermann.
As obras, que brincam de ilusão de ótica, estão na
exposição que abre hoje, no Espaço Cultural da Caixa
Econômica Federal, em Blumenau. Ele expõe quatro telas junto
às tapeçarias de Maria Carmem von Lisingen, que se inspirou
nos desenhos geométricos do artista para compor as tramas coloridas.
A exposição pode ser visitada até 31 de outubro, de
segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas.
Roy Kellermann trabalha com artes plásticas desde 1969, e nos
últimos 20 anos, busca no construtivismo uma forma diferente de se
expressar. Na fase mais recente, o artista utiliza o surreal para brincar
com os sérios planos de cores fortes dos desenhos geométricos.
"É uma forma de fazer o figurativo não se tornar cansativo,
dando sempre uma nova faceta ao leitor", explica. Os trabalhos expostos
na Caixa apresentam também o contraste de céu e terra, arrematando
a última imagem com a dimensão do espaço. As obras
de Kellermann também podem ser conferidas este mês no saguão
do Grande Hotel Blumenau e no restaurante Gruta Azul, no Shopping Neumarkt.
Na exposição da Caixa, o público vai conferir a
versão em fios do trabalho de Roy Kellermann nas tecelagens da artista
blumenauense Maria Carmem von Linsingen. Ela busca reproduzir fielmente
a perspectiva dos traços geométricos, criando sua própria
escala de cores para as grandes peças de parede. Maria é formada
em artes plásticas pela Udesc e foi professora de educação
artística na Furb. Desde 1990 se dedica à tecelagem e fiação,
nas técnicas de teares de pedal e chinês.
"Escola vai ao Teatro" é sucesso
Jaraguá do Sul - Termina hoje a quinta edição do
programa "Escola vai ao Teatro", promovido pela Departamento de
Artes Cênicas da Scar. As apresentações começaram
no dia 5 deste mês e aproximadamente 3.500 estudantes de primeiro
grau assistiram aos espetáculos. Segundo o diretor do departamento,
Jonas dos Santos, foram 28 apresentações de três peças
diferentes: "As Batatas Mágicas", "Idade do Sonho"
e "Feiurinha". As peças foram encenadas pelos grupos de
teatro Da Hora, Idade do Sonho e Grupo Juvenil, formados na Oficina Básica
de Preparação de Atores.
O projeto "Escola vai ao Teatro" foi criado para tornar público
o trabalho dos alunos da Oficina Básica de Preparação
de Atores, coordenada pela atriz Sandra Baron desde 1992. Ano passado, 3.400
estudantes das redes particular e pública de ensino assistiram aos
espetáculos. Este ano, todas as escolas da microrregião receberam
convites. Na quarta-feira, foram ao teatro alunos da Apae, da Casa de Apoio
ao Adolescente de Jaraguá do Sul e da Escola Alfredo Zimmermann,
de Guaramirim.
Para a terapeuta ocupacional da Casa de Apoio, Lúcia Pamplona,
que levou 17 dos 41 adolescentes que freqüentam a casa, a iniciativa
da Scar é excelente porque proporciona aos estudantes contato com
linguagem a que não estão habituados. Para ela, o teatro é
excelente terapia tanto para quem é ator como para o público.
A intenção de Lúcia é implantar oficina de teatro
a partir do ano que vem, quando a nova sede da entidade estiver pronta.
"A Idade do Sonho", encenada na manhã de quarta-feira
pelo grupo Teatrando, relata a história de uma garota chamada Ana,
que tinha verdadeira paixão pelo estilo de vida dos ciganos. Ana,
interpretada pela atriz Michele Camacho, traduz a personalidade sonhadora
dos adolescentes, sempre em busca de novas emoções. O grupo
Teatrando existe há dois anos e é considerado veterano pela
coordenação da oficina. Assim como o Da Hora, responsável
pela encenação da peça "As Batatas Mágicas".
O terceiro espetáculo (Feiurinha) é encenado pelo Grupo Juvenil
da Scar.
Todas as peças foram produzidas e adaptadas pelos alunos da Oficina
Básica de Preparação de Atores. Para Sandra Baron,
o fato dos grupos terem oportunidade de realizar apresentações
é importante para os atores. A formação de público,
criar o hábito de freqüentar teatro são aspectos fundamentais
do trabalho realizado na oficina, que aposta na resposta imediata das crianças
e adolescentes.
César Silveira surpreende
em "Sobriedade e Delírio"
Blumenau - As obras contemporâneas do artista blumenauense César
Silveira são, ao mesmo tempo, uma reverência de respeito à
perenidade do tempo e a retrospectiva de uma vida em busca das raízes,
do retrato étnico do Brasil. Pinturas, colagens, objetos e instalações
combinam elementos nada ou tudo parecidos, como madeira e cristal, metal
e pedra, o antigo e o novo, duráveis ou volúveis à
ação do tempo. A exposição "Sobriedade
e Delírio", que Silveira apresenta até 6 de novembro,
no Espaço do Artista Dicave (rua São Paulo, 470, em Blumenau),
está surpreendendo pela inovação, equilíbrio
e criatividade.
Para o artista, "Sobriedade e Delírio" é uma
volta ao passado. Uma homenagem à exótica raça brasileira,
resultado da mistura de índios, negros, europeus e outros sangues;
ao brasileiro, que às vezes não consegue definir com precisão
suas origens e por isso carrega a emoção desse mistério
no seu comportamento e cultura. Essa mistura é visível nos
quadros intitulados "Caboclo", que combinam o azulejo português
com os grafismos indígenas. Silveira usa terra e tinta acrílica
para as pinturas que sempre se identificam com as culturas indígena
e africana em figurações e cores suaves.
Nas esculturas e tótens, o artista exprime mais a força
e a ação do tempo, buscando sempre o equilíbrio entre
elementos pouco combinativos. As pontas de lanças, deuses do candomblé
e elementos marinhos revivem o seu passado como dançarino na Bahia.
A exposição "Sobriedade e Delírio" pode
ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas; aos sábados,
das 9 às 15 horas, e domingos, das 9 às 13 horas.
Cortes não devem
atingir setor cultural
Luiz Zanin Oricchio
Brasília - Não há indícios de que o pacote
econômico preparado pelo governo vá atingir a cultura. Quem
disse isso, em tom cauteloso, foi o secretário de Desenvolvimento
do Audiovisual, Moacir de Oliveira, na abertura do seminário "Cinema
Brasileiro Hoje". Pelos corredores do Hotel Nacional, sede do Festival
de Brasília, já corriam rumores de que o audiovisual fora
realmente poupado das medidas que estão sendo elaboradas no Planalto
e serão anunciadas na semana que vem.
Afora a boataria, o seminário, em seu primeiro dia, transcorreu
na mais absoluta calma, com o cinema brasileiro voando em céu de
brigadeiro, como se a crise econômica e seus desdobramentos transcorressem
na Indonésia ou no Casaquistão. Há boas razões
para essa bela indiferença. Em tempo de turbulência, cada qual
que cuide do seu setor. Não adianta ficar paralisado com a iminência
do dilúvio. Se ele vier mesmo, vai todo mundo para o fundo, e mesmo
que não venha, já terá atrapalhado a vida de quem ficou
chorando por antecipação. Assim, o cinema segue embalado por
perspectivas favoráveis.
Os números são alentadores. O primeiro semestre deste ano
fecha com 224% a mais de ingressos vendidos do que no ano passado. "Em
1997, tivemos 2,262 milhões de ingressos; até agora, já
temos 4 milhões, podendo chegar a 5 milhões e espera-se que
esse número dobre no ano que vem", diz Paulo Sérgio Almeida,
editor da "Filme B Informa", publicação que melhor
radiografa a posição do cinema brasileiro no mercado interno.
Aliás, a chegada da "Filme B" não é a única
boa notícia do setor. Pela primeira vez, nos últimos anos,
os participantes de um festival chegam munidos de um conjunto bem organizado
de dados, tabelas, propostas e documentos, o que não ocorria desde
que os órgãos ligados à fiscalização
do setor, Concine em especial, foram extintos por Fernando Collor há
oito anos. Sinal de que o tecido de relações que organiza
o cinema como setor produtivo está começando a ser refeito.
As lamúrias foram substituídas pela análise racional,
um progresso considerável. Não que não haja problemas.
Ao contrário. Mas o setor vive um momento, se não de euforia,
pelo menos de grande vitalidade. "É assim mesmo", constata
o cineasta Gustavo Dahl, um dos organizadores do seminário. "O
cinema brasileiro tende a viver entre fases de aceleração
alucinada ou calmarias desesperantes" - a frase de Dahl serviria como
um diagnóstico de ciclotimia, caso o cinema nacional fosse um paciente
psiquiátrico. Seguindo-se a metáfora de Dahl, tenta-se, hoje,
organizar um fluxo mais contínuo e estável, para que os extremos
de euforia e depressão sejam evitados, a bem de uma produção
mais tranqüila.
Entre as eternas pedras no meio do caminho estão as condições
de exibição. Há muito se chegou a um consenso: não
adianta haver produção razoável, como a do momento,
se ela não pode ser escoada e chegar ao público. O desafio,
hoje, atende pelo nome de multiplex - o conjunto orgânico de salas
de exibição, que se espalha pelo mundo e tende a tornar-se
hegemônico em tempo recorde. A produtora Mariza Leão (de "Lamarca"
e "Guerra de Canudos") acha que o filme brasileiro só terá
vez nesse tipo de espaço se amparado por marketing e publicidade
semelhantes aos do concorrente estrangeiro. Propõe a criação
de um fundo anual de US$ 6 milhões a US$ 7 milhões para que
a comercialização dos filmes brasileiros possa ser tão
agressiva quanto a dos norte-americanos.

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Cinema |
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Atração explosiva
George Clonney e Jennifer
Lopez vivem romance em Irresistível Paixão, estréia
de hoje no Estado
Joinville - Reconhecido mundialmente como o charmoso doutor Ross do seriado
Plantão Médico, George Clooney ainda não conseguiu
repetir no cinema o mesmo sucesso que conseguiu na TV. Depois dos fracassos
de O Pacificador, Um Dia Especial e, especialmente, Batman & Robin,
ele tenta outra vez em Irresistível Paixão, um agitado thriller
policial com toques de comédia e romance que teve razoável
êxito nos Estados Unidos. Contando ainda com a exuberante Jennifer
Lopez (de Anaconda) no elenco, o filme estréia hoje nos cinemas de
Santa Catarina ao lado de outros dois filmes estrangeiros, Caráter
e Dança Comigo?.
Baseado em romance do cultuado escritor policial Elmore Leonard, cujos
livros já viraram produções hollywoodianas de respeito,
como O Nome do Jogo e Jackie Brown, Irresistível Paixão tem
na direção o mesmo Steven Soderbergh de sexo, mentiras e videotape
(assim mesmo, com letras minúsculas). Egresso do circuito independente,
ele tem sua primeira grande chance no cinemão americano, e justamente
num gênero tão desgastado quanto o policial.
Abominando a violência gratuita, Soderbergh trocou os tiros pelo
bom humor e o romance para contar a história de Jack Foley (Clooney),
um ladrão de bancos que consegue escapar da prisão com a ajuda
do parceiro Buddy (Ving Rhames, de Missão Impossível). Na
fuga, a dupla seqüestra a policial Karen Sisco (Lopez), com quem Foley
tem um rápido e ardente caso no porta-malas do carro. A moça
consegue escapar, mas não esquece o sedutor bandido, e passa a segui-lo
até Detroit, onde Jack e Buddy pretendem encerrar a carreira de crimes
com um último e audacioso golpe: roubar US$ 5 milhões em diamantes.
O próprio Leonard ajudou na transposição da aventura
das páginas para as telas, trabalhando em conjunto com o roteirista
Scott Frank, que já havia adaptado O Nome do Jogo. Segundo o escritor,
a principal preocupação foi manter-se fiel aos diálogos
originais do livro. Já Clooney tenta, com Irresistível Paixão,
esquecer o passado de fiascos com um personagem que ele considera o seu
melhor papel até agora.
Estrangeiros
Outra estréia de hoje é o filme japonês Dança
Comigo?, maior sucesso do cinema do País. O filme conta a história
de um contador de 42 anos, tímido e disciplinado, que todas as noites
volta para casa e observa, pela janela, a professora de uma escola de dança
de salão. Um dia, ele toma coragem e se matricula no curso, o que
mudará radicalmente sua vida.
Já Caráter é a produção holandesa
que desbancou O Que é Isso, Companheiro? na disputa pelo Oscar de
Filme Estrangeiro. Um rapaz é preso pela polícia e, durante
o interrogatório, histórias intrigantes são contadas,
revelando o conturbado relacionamento com o pai.
Irresistível Paixão, com George Clooney, Jennifer Lopez
e Ving Rhames. Direção: Steven Soderbergh. Joinville: Cine
Cidade 2, às 14h30, 16h45, 19h15 e 21h15. Blumenau: GNC Cine 2, às
14, 16h30, 19h15 e 21h30. São José: Cine Itaguaçu 3,
às 13, 16, 18h30 e 21 horas. Criciúma: Cine Criciúma
Shopping 2, às 14h30, 16h40, 19h10 e 21h20.
Dança Comigo?, com Koji Yakusho e Tamiyo Kusakari. Direção:
Massayuki Suo. Florianópolis: Cine Beiramar 2, às 13h30, 16,
18h30 e 21 horas.
Caráter, com Jan Decleir e Fedja van Huêt. Direção:
Mike van Diem. Blumenau: Cine GNC 6, às 15h30, 18h30 e 21h30. |
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