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Olhos verdes sobre os "anos de chumbo"

Ambientalista e ex-candidato à Presidência pelo PV, Alfredo Sirkis lança a versão atualizada de "Os Carbonários", relato autobiográfico detentor do prêmio Jabuti que retrata a resistência à ditadura militar

Alves Filho
Agência R

Pode não parecer, mas foi coincidência. A 14ª edição de "Os Carbonários", um clássico dos chamados "anos de chumbo", já estava no prelo da Editora Record quando o Partido Verde decidiu lançar a candidatura de Alfredo Sirkis à Presidência da República. O autor resolveu mudar de editora e relançar a obra no fim do ano passado, pensando no 30º aniversário do ano rebelde de 1968.

Alfredo Sirkis, 47, ganhou o Prêmio Jabuti de 1981 com esta obra, seguida de outros cinco livros. Também é roteirista de cinema e TV. Pai de Ana, 16, e Guilherme, 10, ele é um dos principais líderes do movimento ecológico do país. Exerceu dois mandatos como vereador e criou a Secretaria de Meio Ambiente do município do Rio de Janeiro entre 1993 e 1996. Foi o construtor das ciclovias cariocas, criador da guarda ambiental e coordenador dos mutirões de reflorestamento nas favelas cariocas, uma alternativa contra o desemprego. Apesar desta intensa atividade política, Sirkis garante que gosta mesmo é de escrever.

ENTREVISTA/Alfredo Sirkis

Anexo - Por que uma reedição de "Os Carbonários"?

Alfredo Sirkis - Na revisão que fiz, alterei questões de forma. Fundamentalmente, substituí um sem-número de expressões coloquiais e gírias do início dos anos 80 pelo chamado "português escorreito". Na época em que escrevi o livro, tinha acabado de voltar ao Brasil depois de nove anos de exílio. Eu buscava uma escrita quase oral, estava muito influenciado pelo estilo (do jornal) Pasquim, do qual era colaborador. A linguagem oral, coloquial, é sumamente perecível. É impressionante como muitas expressões em voga na época são incompreensíveis hoje. Me lembro que o Otto Lara Resende, que gostou muito do livro, me alertou para este perigo. Recentemente, dei uma folheada e comecei a me dar conta de que, se meu filho de dez anos lesse o livro, não ia entender um monte de coisas, gírias perecíveis do início dos anos 80.

Mas o mais importante foi o novo prefácio de 33 páginas com uma reavaliação daquela experiência 30 anos depois dos fatos e 18 depois de escrever a obra, além das notas biográficas, explicativas e críticas, informando os leitores quem eram todas aquelas pessoas ­ no livro muitos nomes eram "de guerra" ­ e o que aconteceu com elas depois. A nova capa é um trabalho esplêndido do Jair de Souza em cima de uma velha foto Polaroid onde estou treinando tiro ao alvo com uma pistola tcheca CZ. Suponho que a foto seja de 1969. Com essa nova capa, prefácio, notas biográficas e explicativas e num português durável, "Os Carbonários" estão prontos para entrar na História...

Anexo -Nos anos 80, você lançou cinco livros em seis anos. Nos 90, apenas um ­ e mesmo assim, uma coletânea de artigos,"O verde Carioca." Por quê?

Sirkis - Em 1985, senti-me num impasse quando saiu meu penúltimo livro, "Silicone XXI". Era um roman noir futurista, desses de banca de jornal, bem engraçado, trabalhando em cima dos clichês do gênero policial. É também um livro premonitório. Várias coisas que imaginei nele sobre o Rio acabaram acontecendo. Uma delas, acabei impedindo como secretário de Meio Ambiente: a construção de um hotel no Morro Dois Irmãos. Acho o "Silicone XXI" um livro bem-realizado. A crítica do Rio entendeu. A de São Paulo crucificou-me antes do livro chegar às livrarias, inibindo os livreiros. Eram críticas sacanas porque me atacavam pessoalmente e julgavam o livro não pelo que era, mas como se ali houvesse a pretensão de se fazer o "grande romance brasileiro".

Anexo - Foi a partir daí que você resistiu à idéia de escrever?

Sirkis- Não, tive outros motivos. Meu público também reagiu mal. No lançamento, um cidadão chegou com os quatro livros anteriores e pediu autógrafos. Quando ele se levantou para ir embora, perguntei se não ia comprar o novo, já que era fã da minha obra. Ele fez uma careta e disse: "É ficção". Aqui no Brasil, estão sempre querendo circunscrever as pessoas a um único papel. Ou seja, eu teria que fazer "Os Carbonários 2", "A Volta dos Carbonários", "Os Carbonários 3 ­ A missão", etc. Além disso, escrever livros estava me tomando muito tempo e dando pouco dinheiro, e eu havia chegado a um ponto a partir do qual seria muito cobrado. Tudo que fizesse que não fosse ótimo, seria uma porcaria. Naquela época, comecei a escrever roteiros de TV e de cinema, e adorei a experiência, menos solitária do que a de escrever livros. Isso não quer dizer, porém, que desisti dos livros. Ainda vou escrever muitos. No momento estou escrevendo um ensaio: "Ecologia urbana e poder local".

Anexo - Mas a política não interferiu?

Sirkis - Muito. Em 1988, fui eleito vereador. Fiz dois mandatos. Em 1993, assumi o cargo de secretário de Meio Ambiente do Rio, e isso toma tempo, energia. Ultimamente, sem função pública, apenas dirigindo a Ondazul [organização não-governamental], tenho um pouco mais de tempo. Com a campanha à presidência, é obvio que não tive, porém agora será possível. Acontece que a política é chata. Não gosto dela tanto assim. Faço por dever, está no sangue, sei lá. Mas gosto mesmo é de escrever.

Anexo - Com você, o Partido Verde parece ter mudado de postura, ficou menos "alternativo". O PV vai abandonar temas chamados "malditos", como drogas?

Sirkis - Muita gente ainda pensa no PV como algo meio riponga, bicho-grilo, essas coisas. Nunca fomos isso, mas no início, em 1985, atraímos muita gente assim. Hoje é diferente. O PV é um partido de pessoas sérias, criativas, que realizam, sobretudo no plano do poder local, como o Gabeira, que é uma referência no Congresso Nacional. Quanto aos temas malditos, não é questão de abandonar. O fato é que, em termos de comportamento, o país avançou. O caso das drogas é um exemplo. A Câmara dos Deputados aprovou, por consenso, uma nova lei de entorpecentes negociada entre o Gabeira e o Elias Murad ­ as duas posições opostas ­ que representa um avanço real. Não é tudo que propomos, mas representa um grande avanço. Nunca defendemos algum tipo de droga, seja lícita ou ilícita. Mas não concordamos que um jovem seja achacado ou preso e tratado como um criminoso, jogado numa cela, estuprado, só porque foi flagrado fumando canabis sativa. Ao invés de ser preso, o usuário paga multa, o que pode ser mais eficaz. A ênfase será na educação, na prevenção.

Anexo - Quais os próximos passos?

Sirkis - Vou terminar de escrever "Ecologia urbana e poder local". Estou com dois roteiros de cinema à espera de produtor. "O Anjo da Guarda" conta a história de Gregório Fortunato, o negro mais poderoso da História do Brasil e da crise de 54, e "Alfa Centauro", que é um musical infanto-juvenil. Gilberto Gil já concordou em fazer a trilha sonora. É a história de um grupo de adolescentes que defende uma árvore, baseada em um fato ocorrido em Porto Alegre. Também tenho na cabeça um romance policial ambientado nos anos 50.

PARA LER: "Os Carbonários", de Alfredo Sirkis - Editora Record (416 páginas + 16 páginas de encarte com fotos). QUANTO: R$ 28,00


Criciúma recebe
exposição itinerante

Artistas do RS mostram obras
no Centro Cultural Jorge Zanatta

Criciúma - A Galeria de Arte do Centro Cultural Jorge Zanatta, em Criciúma, abriu suas portas para receber dez artistas gaúchos e suas obras. Circe Saldanha, Donato Silveira, Gladys de Los Santos, Glaé Macalos, Mabel Fontana, Maria Tomaseli, Paulo Chimendes, Roseli Pretto, Tânia Bondarenco e Tânia Couto estão expondo 20 de suas melhores gravuras até o dia 13 de novembro.

A exposição itinerante foi montada este ano por artistas integrantes do Museu do Trabalho de Porto Alegre. O centro gráfico daquele museu é o mais completo ateliê do Rio Grande do Sul, equipado para a prática das técnicas de xilogravura, litografia, gravura em metal e serigrafia. "É a primeira vez que esse grupo vem expor aqui. As gravuras misturam formas e cores, mostrando a técnica de cada um", explica Rosangela Becker, coordenadora da Galeria de Arte.

Entre os expositores, o nome de Maria Tomaseli ganha destaque. Natural da Áustria, Maria mudou-se para o Brasil em 1965 e foi aluna de grandes nomes da arte como Ana Letícia e Iberê Camargo. "Maria tem um currículo forte, com grandes exposições. Ela é um destaque entre os artistas do País", ressalta Rosangela. A obra de Maria Tomaseli, feita em litografia, pode ser vista logo na entrada da galeria, sob o título "Defendendo a Casa".

Paralelamente à exposição, a Fundação Cultural de Criciúma (FCC) aproveitou para trazer o professor George Kornis, da Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro, que realizou duas palestras. Os temas "A Gravura no Ocidente" e "A Gravura no Oriente", chamaram a atenção de artistas e estudantes do curso de educação artística da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). "As palestras são uma forma de difundir a técnica da gravura. Ninguém pode apreciar algo que desconhece por completo", afirma Kornis.


Recital de
violão hoje no Sesc

Espetáculo tem entrada franca
e mescla erudito com popular

Joinville - Pouco conhecida e, mesmo assim, uma das melhores casas de espetáculo da região Norte do Estado, o cine-teatro do Sesc abre as portas hoje para um músico igualmente próximo da obscuridade. Ananias Alves de Almeida, bancário aposentado, promotor cultural, construtor e, nas horas vagas, violonista clássico. Só que, a julgar pela intimidade com o violão, sua história, seus mestres e sua versatilidade, essas horas vagas somadas devem resultar na ocupação principal de Ananias.

Outro indício de que o violonista se sobrepõe às demais atividades é o programa do recital de hoje, que começa às 21 horas (veja gráfico ao lado). Ananias explora um repertório amplo e difícil, que mescla composições eruditas (como as peças de Bach e Schubert) às melhores obras do cancioneiro popular. Ao tocar bossa nova ou pérolas da MPB, por exemplo, o violonista ousa sair da partitura e introduz arranjos próprios.

"Minha proposta é unicamente divulgar esse tipo de música entre o público", assinala. "O local é muito bom e está bem equipado para esse tipo de espetáculo". Ananias pretende lançar ainda neste ano o seu primeiro CD com solos de violão, projeto viabilizado pela Lei de Mecenato. O cine-teatro do Sesc está localizado no complexo esportivo-recreativo da entidade, na rua Itaiópolis, 470, próximo da avenida Beira-rio. A entrada é franca.


Violonista ama Bach
acima de todas as coisas

Ele escolhe sua moradia à base de palmadas. Mas não chega a ser exatamente um excêntrico, embora cultive outras manias nada usuais. Na verdade, sua técnica faz sentido. "Entro num lugar e bato palmas para testar a acústica", explica o violonista Ananias, um promotor cultural sem fins lucrativos (manias...).

Mais conhecido pelos saraus que organiza periodicamente em sua casa, pelos concertos de alta qualidade musical e baixíssima freqüência que promove em Joinville, Ananias rema contra a corrente da indústria cultural. Ama Bach sobre todas as coisas, nega-se a ouvir rádio e a assistir à TV, despreza índices de audiência ao promover espetáculos. "Promovo os concertos antes de tudo para mim mesmo. Se der lucro ou não, é secundário".

À frente da Jô Promoções Culturais, Ananias e a mulher (Jô) já trouxeram a Joinville músicos do quilate da pianista russa Olga Kiun, dos violonistas Darci Villa-Verde, Tadeu Amaral e Marcus Llerena (que, aliás, volta para concerto nessa segunda-feira), da harpista Cristina Braga, da Academia de Cordas de Blumenau e da Orquestra de Cordas Araucária. Mas, principalmente, reuniu e aproximou os amantes da música clássica com seus saraus madrugada adentro, em que consegue a proeza de reger a maior orquestra de violões da cidade.

Agora, Ananias resolveu mostrar a sua arte para um público talvez maior do que aquele que freqüenta os saraus. No recital de hoje, os ouvintes poderão ter uma idéia do que são esses encontros movidos a paixão e sensibilidade.


Pessimismo é a
tônica entre ilhéus

Ivan dos Santos

Florianópolis - Os adolescentes de Florianópolis estão pouco otimistas em relação ao futuro, além se se mostrarem preocupados com a atuação dos políticos. É o caso, por exemplo, do estudante William Alves, 19 anos. Ele acha que a globalização deveria melhorar a vida das pessoas, mas não é o que tem ocorrido. "Espero que os políticos parem de privatizar o que pertence ao povo e que garantam ensino público, gratuito e com qualidade em todos os níveis", comenta. Na sua opinião, os cidadãos deveriam se engajar mais na luta pelos seus direitos.

Cheila Cavalli, 19 anos, estuda educação física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e é um pouco mais otimista. Ela acredita numa mudança, mesmo que pequena e apesar da grande manipulação das idéias. A jovem também critica a globalização e a "vergonhosa distribuição de renda no País". "Espero que os políticos sejam mais honestos e as pessoas menos preconceituosas", diz, ressaltando que pretende melhorar a vida de todos cumprindo o seu papel social.

Fernando Jager, 19 anos, vestibulando de administração, acredita que num primeiro momento as coisas vão piorar ainda mais. "Mas depois melhora. Do chão, não pode passar", aposta, irônico. O jovem acha que é preciso dar um voto de confiança aos políticos que vão assumir seus cargos. "Quem faz uma nação é seu povo e se os governantes não cumprirem o que prometeram, a gente tira eles de lá", avisa. Fernando pretende construir um futuro melhor, sendo um bom profissional e dando exemplo de cidadania.

Fazer a sua parte, conscientizando as demais pessoas a lutarem por seus direitos. Essa é a intenção da estudante Juliane Vanderlinde da Silva, 17 anos, que espera que haja educação superior gratuita e garantia de emprego para todos os jovens. Ela acredita que a tecnologia vai continuar avançando a passos cada vez mais rápidos, "mas é preciso maior respeito com a natureza".

Para Grazielle Franciosi, 17 anos, estudante do terceirão, a Terra vai entrar em colapso. "O desmatamento, a poluição e o excesso de lixo são problemas que exigem solução rápida", solicita. A jovem espera que "os políticos tenham vergonham na cara." Ela quer fazer a sua parte, respeitando as outras pessoas, estudando e sendo uma profissional consciente.


PRÊMIO · O escritor Wilson Bueno, colaborador do "Anexo", foi convidado a integrar o restrito grupo que escolherá as dez personalidades brasileiras indicadas ao Prêmio Multicultural Estadão 1998. Considerado o mais importante prêmio cultural brasileiro, ele é concedido anualmente pelo jornal "O Estado de S. Paulo" a três dos mais importantes criadores nacionais que se destacaram, em suas respectivas áreas se atuação, consagrados por um colégio eleitoral com mais de três mil participantes em todo o País. Os indicados serão conhecidos em novembro.

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O País que queremos

Adolescentes cobram mais responsabilidade dos governantes e ressaltam a necessidade da participação da juventude

Hildy Vieira

Joinville - No Brasil, a Constituição de 1988 diz que os jovens entre 16 e 18 anos podem votar, se quiserem. Mas os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que poucos jovens se interessam por política. Menos de 50% dos adolescentes nessa faixa etária tiraram seu título de eleitor. A campanha "O País Que Quermos", lançada pelo Unicef, em parceria com algumas entidades, promete mudar esse quadro de aparente apatia em relação aos problemas do País. Dirigida a jovens de 12 a 18 anos, a campanha irá resultar num documento - a "Carta dos Adolescentes" - que será entregue ao Presidente da República, governadores, senadores e deputados eleitos este ano.

A tônica da mobilização está centrada num princípio defendido pelas novas tendências pedagógicas: o "glocal", isto é, pensar globalmente e agir localmente. A campanha irá viabilizar comunicação direta entre os jovens e os políticos que governarão o País nos próximos quatro anos. "Chega de enxergar o governo como o "grande pai", que vai dar o que precisamos. Está na hora de participar, de assumir nossa responsabilidade e traçar caminhos viáveis para alcançarmos o Brasil que queremos", conclamam os organizadores. A idéia vai mais longe do que simplemente elaborar uma lista de propostas e entregá-la aos governantes. A campanha desafia os jovens a descobrirem como cada um pode participar para que essas propostas sejam colocadas em prática.

Já que o objetivo é mexer com a juventude de todo o Brasil, "Planeteen" saiu novamente às ruas para ouvir o que a galera de Santa Catarina quer para o seu País. Embora se mostrassem a princípio tímidos, o bate-papo rendeu opiniões bastante ecléticas e enfáticas. Foram entrevistados jovens de escolas particulares e públicas, bem como andarilhos de shoppings centers e membros de entidades comunitárias. Todos tinham algo a dizer. Todos querem mudanças. Rafael Bernardes da Silva, 16 anos, aluno do 2º grau, critica a educação pública. "O que se vê por aí são escolas caindo aos pedaços, professores em greve, desatenção total do governo. Isso é inadmissível", assinala. Para ele, os adolescentes podem buscar sua própria formação social, interagir com sua comunidade, adquirir cultura, ao invés de permanecer de braços cruzados.

Alunos da 7ª série, todos com 13 anos, também rasgaram o verbo. "Queremos um país mais organizado", pediu Karine. Renato, Alice, Maria Luiza e Nádia acham que a prioridade do governo não deve ser economia, mas sim saúde, educação, moradia, saneamento básico e melhor distribuição de renda. Aluna do 3º ano secundário, Aila Gama, 19 anos, defende o sentimento nacionalista. "Se as pessoas forem apaixonadas pelo seu País, vão arregaçar as mangas para trabalhar pelo que ele tem", opina. A colega de turma Adriana Vieira, 17 anos, vê com simpatia as teses do "glocal". "É você melhorando seu nicho para influenciar o todo", filosofa.

A própria classe social a que pertence é o objeto de crítica de outra estudante também do último ano e mesma idade, Simone Kalbusch. "A classe média-alta é justamente a menos politizada. Há exceções, claro, mas esse ponto precisa ser revisto", salienta. Ela argumenta que a tendência de quem tem uma vida razoavelmente estável é ver os problemas sociais à distância. "Você lê ou assiste os noticiários mas não sente a intensidade do que aquilo representa. Você tem que ir até lá para perceber o que a miséria realmente significa", enfatiza, comentando um trabalho extra-classe que fez com sua turma no Morro da Formiga e Morro do Meio, duas das comunidades mais carentes de Joinville.

Comunicativo e simpático, o estudante Jofran Lopes, 18 anos, fala sobre sua visão do Brasil em que vive e o que pode mudar. "Nas últimas eleições deu pra ver que falta conhecimento e que os jovens não têm senso crítico", observa. Ele diz que tenta fazer sua parte e acredita que a juventude tem o poder de criar impacto, de mobilizar, só está faltando empenho. "Há muita mediocridade na autoridade", desabafa. "Ainda acredito num País melhor, mas tenho medo de ter um filho. Fico pensando no mundo que ele vai enfrentar daqui a dez anos", confessa.

Jofran sugere algumas reflexões: "Você já parou para pensar na insanidade que existe nessa preocupação com a crise econômica mundial num País que possui a maior riqueza natural do mundo?", indaga. Do seu ponto de vista, o dinheiro gasto com funcionalismo poderia estar incrementando novas empresas para explorar esse potencial. "Falta cobrança. O voto não é o único caminho", lembra.



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