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Cinema

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Lautréamont
A maldição
de corpo inteiro
Com a edição
das obras completas do maldito poeta franco-uruguaio, o leitor brasileiro
sobe mais um degrau na escala cultural e estética
Vicente Cechelero
Especial para o Anexo
Alguns livros são tão significativos em termos universais
que, ao se verterem aqui, parecem elevar o Brasil a mais um degrau na escala
cultural e estética. Parecem, não. Elevam. Afinal, eles chegam
até nós, e nós chegamos até eles. Um dos pilares
da poesia do século 20 é a obra do Conde de Lautréamont
(pseudônimo do franco-uruguaio Isidore Ducasse, morto aos 24 anos,
em 1870). As vanguardas devem muito a esse garoto. O surrealismo, muito
mais. "Os Cantos de Moldoror" já haviam sido traduzidos,
saindo agora a obra completa, com as poesias e as cartas.
Obra pequena, apenas 318 páginas. Abre-a um ensaio do poeta e
tradutor Cláudio Willer, que verteu a obra. Expert, conhece por dentro
os malditos, pois é da família, da geração 60,
marcada pela dinastia dos excêntricos franceses, russos, beats.
Traduziu Artaud, Ginsberg e outros. Escreveu sobre os poetas catarinenses
Lindolf Bell, Rodrigo de Haro, Vicente Cechelero, prefaciando e criticando.
Tem escrito ensaios sobre escritores e questões culturais nacionais.
Um promoter cultural: Willer organiza encontros de escritores em São
Paulo, sempre convida catarinenses, sendo inigualável em tais atividades.
Seus megaeventos literários unem gregos e troianos. São sempre
sucesso.
O ensaio de Cláudio Willer a esse Lautréamont total é
excelente. Além de fazer uma revisão da crítica sobre
o poeta, tanto lá de fora quando daqui, mergulha nos textos com paixão
lúcida, com rigor científico sem onanismo acadêmico,
revolvendo as entranhas desse monstro do bestiário ou pléiade
maudite da fértil França do século 19.
É incrível como as perversões, as subversões,
as paixões de Lautréamont, em toda a sinceridade e entrega
juvenis, têm vida estética, vigência pática mesmo
neste fim de século cético e arrogante. Prova-o o vigor desse
homem terrível a quem alguns críticos vêem como juvenil,
subliterato. Sua poesia é toda em prosa, não na esteira dos
"Petits Poèmes en Prose" de Baudelaire, um bem-comportado
perto dele. Mas prosa impregnada de paródia a discursos teóricos,
morais, literários, gramaticais, do decadente século 19 francês.
Prosa selvagem, áspera, tempestuosa, uma marretada romântica
no muro hipócrita da burguesia francesa pré-Proust: diria
imoralíssima prosa, se Oscar Wilde não houvesse dito que "A
arte não é moral nem imoral, mas amoral" e eu não
acrescentasse "Arte é um álibi". A personagem trava
um titânico duelo com o criador, constituindo uma picante heresia
para a época, apesar de Nietzsche. Há, igualmente, em Lautréamont,
uma hibridez, uma espécie de mestiçagem ou indecisão
do ser dividido: entre duas línguas, espanhol e francês, duas
pátrias que são o Uruguai e a França, fora a esquizofrenia
gritante, ficcional, que Willer comenta, mas talvez de algum fundo patológico,
traduzida, por exemplo, na violência requintada, no escárnio
impiedoso. Fora a imaginação fantástica, aterradora.
Se Lautréamont vive, é porque funciona. Atravessou o impiedoso
Rubicão dos críticos, da história, dos leitores: do
tempo mais exigente da história literária. Alcançou
nossas praias, praticamente ileso. Sua juventude, cheia de frescor e coragem,
chocou o século 19, chutando-o para a frente: ao anárquico
século 20. Como ainda nos choca, com seu talento e seu desnudo tudo.
Nem retratando-se, depois, nas "Poesias", logrou apagar a virulência
e a cicatriz dos "Contos". Poeta sem rosto: não deixou
foto, nada. Sua biografia é quase desconhecida.
Mas a vida de Lautréamont continua, oxalá mais verdadeira:
porque poética, mítica, eterna. Poesia, por sinal, é
religião, do mesmo sangue do sagrado. Jamais da religião escravizadora
e rancorosa. Poesia é religião libertadora, generosa.
Seriedade como
marca registrada
Cômico Buster Keaton
faria 103 anos neste outubro
Ademir Fernandes
Agência Estado
Diz a lenda que o cômico Buster Keaton nunca ria. Mas ele aparece
dando gargalhadas no filme "A Garagem", produzido em 1920. Foi
uma exceção, claro, porque a marca registrada de Keaton era
mesmo a expressão séria na tela, o olhar triste, apesar de
ter feito muita gente rir, principalmente nos tempos do cinema mudo, quando
chegou a ser considerado melhor do que Charles Chaplin por alguns críticos
da época. Joseph Krank Keaton morreu de câncer no pulmão
no dia 1º de fevereiro de 1966, sete anos depois de receber um Oscar
especial por ter feito "filmes que durarão enquanto durar o
cinema".
Ele nasceu em 4 de outubro de 1895, 88 dias antes da primeira sessão
do cinematógrafo, em Paris, em 28 de dezembro. Segundo o crítico
James Agee, ele "enfrentou o absurdo com silenciosa elegância".
E o absurdo era sua matéria-prima, desde o começo da carreira,
quando, aos três anos de idade, integrou o grupo Os Três Keaton,
no teatro burlesco, contracenando com os pais e tendo entre seus fãs
o famoso Houdini, "o homem miraculoso". Foi ele quem o apelidou
de Buster (gíria de desajeitado, trapalhão).
No cinema, apareceu pela primeira vez em 1916, aos 20 anos, ao lado do
cômico Roscoe "Fatty" Arbuckle, o Chico Bóia, no
curta-metragem "The Butcher Boy". Ele é um freguês
que entra numa mercearia bem na hora de uma briga, em meio a sacos de farinha
atirados por tudo quanto era lado. Claro, ele também foi contemplado,
e começou a gostar dos chamados filmes de pastelão.
Serviu na infantaria americana durante a Primeira Guerra, em 1919, quando
foi mandado para a França. Na volta, sua carreira deslanchou. Em
1920, fez "Cabeça de Tolo", o primeiro de uma série
de filmes de sucesso. "Rosto de Mármore", "Figura
de Cera", "Máscara Trágica", "O Homem
que Não Ri" - os cognomes eram muitos. Fez 47 filmes nos tempos
do cinema mudo, e muitos deles podem ser vistos ainda hoje, em cinematecas.
Em 1928, assinou contrato com a MGM, mesmo tendo sido alertado, por Chaplin
e pelo cômico Harold Lloyd, de que essa produtora não lhe daria
o devido valor. Keaton passou por um período difícil: aos
36 anos, ficou desempregado, sofreu crises mentais. Quando se recuperou,
só ganhava pequenos papéis, como em "Luzes da Ribalta",
em que faz um dueto com o palhaço Calvero, interpretado por Chaplin.
"Só nos anos 50, com a televisão, ele se tornou grande
novamente", diz sua viúva, Eleanor Keaton. E ela garante: se
nas telas o cômico não ria, fora dela era uma pessoa divertidíssima,
sempre pensando em alguma brincadeira.
Em 1957, atuou como co-diretor em sua cinebiografia "O Palhaço
Que Não Ri", com ele próprio e Donald O'Connor. Em 65,
rodou o curta colorido "O Viajante" e, graças à
ajuda de seus admiradores Samuel Beckett e Richard Lester, foi escalado
para interpretar o personagem que passa o tempo todo à espera de
Godot, em "The Loveable Cheat", inspirado no livro do próprio
Beckett. Durante a apresentação do filme, no Festival de Veneza,
Keaton foi aplaudido de pé pelo público. Ficou emocionado,
e fez uma observação amarga ao ouvir os aplausos: "Eles
vieram com 30 anos de atraso..."
Florianópolis
Menestréis universais
O tortuoso caminho do "menestrel da Ilha" Valdir Agostinho
em busca do primeiro CD é um símbolo das dificuldades enfrentadas
por quem continua fiel à Música Popular Brasileira. Há
mais de um ano, o músico, artista plástico, carnavalesco e
pandorgueiro batalha pela concretização do sonho que finalmente
vai realizar no mês que vem, quando "A Hora do Mané"
chega ao mercado.
Premiado com R$ 12 mil do projeto Cultura Viva, do governo do Estado,
Agostinho logo percebeu que o dinheiro não seria suficiente para
o projeto, que, entre outros gastos, incluiu a permanência dele e
da banda em Porto Alegre durante os 20 dias de gravação. Quando
buscou apoio, ele teve algumas acolhidas e algumas decepções,
inclusive desentendimentos com os produtores e alguns componentes da banda.
Resolveu assumir a produção do disco e, por tabela, a maior
parte dos gastos. "Gastei o que tinha e o que não tinha, mas
pelo menos fiz exatamente o disco que desejava", diz Agostinho. "Toda
essa demora serviu para que o trabalho fosse aprimorado. A capa, por exemplo,
ficou fantástica", entusiasma-se.
"A Hora do Mané", referência ao apelido dos descendentes
de açorianos que vivem na Ilha - dos quais Agostinho é um
dos representantes mais célebres -, tem nove faixas, todas composições
próprias. Divulgadores já fizeram contatos com a mídia
de São Paulo e, assim que o CD ficar pronto, ele parte para o Centro
do País com as vestimentas coloridas que o ajudaram a ficar conhecido.
"Menina que mexe-mexe" é um forró que tem boas
chances de emplacar. Trata-se de um ritmo nacional, sobre um tema universal
e com pitadas das tradições ilhoas. Advertido sobre o uso
do verbo "avexar", importado da região Norte do País,
Agostinho é categórico: "O Brasil é um só
e a música não tem fronteiras".
Outros destaques do CD são "O rio que corre", um alerta
ecológico; a folclórica "Martin balaeiro", em que
Agostinho destila lembranças da infância na Barra da Lagoa,
tradicional colônia de pescadores onde ele vive até hoje; e
"Sinha Ozima", uma homenagem que Agostinho faz à mãe
e a todo o "pessoal de antigamente".
ENGENHO E BEIJOS
Quem também está na expectativa do lançamento do
primeiro CD, no início do ano que vem, é a mineira radicada
em Florianópolis Cibele Oliveira. O trabalho, que tem o título
provisório de "Dei um beijo na boca do medo" e está
em fase final de mixagem, traz dez faixas de pura MPB. Há composições
próprias e de nomes conhecidos no cenário nacional, como Itamar
Assumpção. A produção cuidadosa inclui instrumentos
raramente utilizados no gênero - berimbau e acordeón, por exemplo.
A efervescência do mercado musical catarinense é produzida
tanto por novos talentos como por nomes consagrados. É o caso do
Grupo Engenho, que depois de 14 anos voltou a se apresentar em junho deste
ano. Da formação original, permanecem Marcelo Muniz (baixo)
e Cristaldo Souza (acordeón e violão). Uniram-se a eles Leleco
Lemos (vocal), Gilson Duarte (bateria e percussão) e Ivan Schmidt
(violão e cavaquinho). Com uma trajetória registrada em três
discos e uma coletânea, o Engenho pretende voltar logo aos bons tempos.
O projeto é lançar dois CDs no ano que vem - um ao vivo, com
o show de relançamento do grupo, e outro com novas composições.
Quando se fala em MPB, os florianopolitanos logo se lembram dos nomes
Elizah e Guinha. Depois de abordarem temas sobretudo locais no CD "Como
o Diabo Gosta", de 1994, a dupla desenvolveu um trabalho mais universal
em "Beijo Manga", lançado em agosto no ano passado. O resultado
é a boa repercussão nacional e internacional. Eles estão
fazendo uma turnê pela Europa, com apresentações na
Áustria (onde o CD foi gravado), Iugoslávia, Eslovênia
e Croácia. Voltam à capital catarinense nas próximas
semanas para começar a planejar o novo disco. "É um projeto
certo para o ano que vem", assegura a produtora Eveline Orth. Ao mesmo
tempo, "Beijo Manga" começa a ser distribuído por
um selo da Áustria e uma nova edição de "Como
o Diabo Gosta", que vendeu a tiragem de 3 mil exemplares, está
sendo viabilizada. (Maurício Oliveira)
De saia curtinha, barriga de fora
É hora de dançar
É uma geração que tem a tentação
De querer provocar
Se ela está só
E caiu no forró
Sobre o som da sanfona
Surfista ou doutor
Até o pescador
Ela se apaixona
Mas quando chega o verão
Está solto o dragão
Ela quer paquerar
E me tira da lista
Somente turista
Ela quer azarar
Sai meia-noite
Pedindo carona
Ela 'tá é feliz
Acenando uma pose
Se qués-qués, se não qués diz
Oi menina que mexe-mexe
Oi menina que mexe-mexe
Oi menina que mexe-mexe
Dança comigo e não se avexe
"Menina que mexe-mexe"
(Valdir Agostinho)
Eu vou sair pela cidade
vou usar minha razão
Eu vou mudar essa história
com o meu boi-de-mamão
Vou acabar com essa tristeza
de ver meu povo chorar
Eu quero ver muita folia
quero ver meu boi brincar
É a Maricota dançando na rua
mostrando que a luta não pode parar
É o Jaraguá com a meninada
é o povo unido no mesmo lugar
É o vaqueiro na pega do boi
aprendeu com a vida não pode errar
Oi, abram alas minha gente
que a Bernunça quer passar
Eu vou botá meu boi na rua
quero ver meu boi brincar
"Vou botá meu boi na rua"
(Letra e música: Alisson)
Escuto o aguibilôba do João
Djavan canta pra mim
Na tristeza e na alegria
Como o padre falou
A fila que anda não é a minha
Mas a do lado de onde estou
Ninguém sabe o que vai
na minha cabeça
Fecho os olhos
Viro Bruna, Benedita, Madonna
Mandela
Namoro quem eu quero
Não chego a ser íntima do rei
Mas arraso entre os plebeus
Beijo quem quero assim
Como se tivesse chupando manga doce
Manga é bom, meu bem
Maciene e Maxixe também

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Cinema |
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Receita de herói
Ou: como "A Máscara
do Zorro" consegue reunir todos os clichês do cinema e se tornar
uma aventura eletrizante
Rubens Herbst
Joinville - Zorro, como se sabe, é um personagem de muitas encarnações.
Começou nos quadrinhos, em 1919, e logo em seguida passou para o
celulóide, sendo vivido por Douglas Fairbanks. Depois disso, apareceu
mais duas vezes no cinema (Tyrone Powers e Alain Delon) e virou uma ótima
série de TV (produzida pela Disney e exibida pela Bandeirantes),
em que Guy Williams interpreta o famoso espadachim mascarado. Surpreende,
portanto, que o herói ainda mostre fôlego suficiente para render
um filme eletrizante e bem acabado como "A Máscara do Zorro",
em cartaz nas salas do Estado. E, mais do que isso, utilizando cada clichê
do cinemão passado e atual.
Em primeiro lugar, é preciso que se diga que os produtores acertaram
em cheio em não optar por uma refilmagem de alguma aventura anterior
do personagem, contando a mesma velha e conhecida história. Ao invés
disso, partiram do que se já sabia - a batalha de Don Diego de La
Vega, o Zorro, contra a opressão do governador da Califórnia,
Don Rafael Montero - e deram um passo a frente, fazendo uma espécie
de "Zorro 2". Só não abriram mão da fórmula
que fez do herói uma lenda da indústria do entretenimento:
muita ação e uma boa dose de romance, aliado a uma farta porção
de humor, que virou moda depois que "Máquina Mortífera"
arrebentou nas bilheterias. O resultado é um filme que se assiste
com facilidade e um sorriso nos lábios, apesar de completamente previsível.
Desde a primeira cena, em que Don Rafael Montero (Stuart Wilson) prepara
uma execução para atrair Zorro e capturá-lo, já
se sabe como será o desfecho. Não faz mal. Há milhares
de filmes assim e igualmente competentes em sua proposta de divertir sem
fazer muito esforço. Bem, Anthony Hopkins interpreta um Don Diego
prestes a aposentar a capa e a máscara de Zorro quando o governador
mata sua esposa, rapta sua filha e o coloca para apodrecer na prisão
durante 20 anos. Um longo período, mas que não enferrujou
sua habilidade com a espada nem sua astúcia de raposa, muito menos
diminuiu sua sede por vingança e justiça. Ele escapa no exato
momento em que Montero retorna à província para assumir seu
lugar de governante, trazendo consigo a belíssima Elena (Catherine
Zeta-Jones), que apresenta, obviamente, como sua filha.
Velho demais para recomeçar a guerra contra seu inimigo, De La
Vega decide passar a máscara de Zorro adiante. A escolha recai sobre
Alejando Murrieta (Antonio Banderas, atingindo o ápice de sua carreira
como galã latino), um ladrãozinho de cavalos com seus próprios
planos de vingança - o capitão Harrison Love (Matt Letscher),
braço direito de Montero, assassinou friamente seu irmão.
Logo, o rapaz mostra habilidade como espadachim, bem como uma arrogância
do tamanho do México, a ponto de, certa noite, achar que pode enfrentar
sozinho os guardas só para afanar um garanhão negro que ele
deseja como sua montaria. É a seqüência mais engraçada
do filme, com alguns lances de puro pastelão e no sense e Banderas
mostrando que leva jeito para a comédia.
Essa pequena falha de personalidade não impede que De La Vega
transforme seu pupilo num autêntico aristocrata, a fim de descobrir
os planos do governador. A saber: ele pretende comprar a Califórnia
do presidente do México com ouro escavado por uma tropa de pobres
coitados que trabalha como escrava numa mina nos arredores da cidade. Para
impedir que o plano siga adiante, entra em ação o novo Zorro,
proporcionando boas cenas de perseguição a cavalo, explosivos
duelos de espada, muita acrobacia e mais humor inocente. E ganha um doce
quem adivinhar o que acontece entre Murireta e Elena - que, apesar de galesa,
passaria muito bem por estrela mexicana, além de colocar no chinelo
beldades latinas como Salma Hayeck e Jennifer Lopez.
Quando menos se percebe, eis que chega a hora do(s) o(s) duelo(s) decisivo(s),
grandiloqüente, música retumbante, cada herói duelando
com seu respectivo vilão, alguns arranhões, lágrimas
e o beijo de boa noite. Assim, sem sopetões e substituindo a originalidade
por soluções certeiras, o diretor Martin Campbell fez um capa-e-escada
que honra o gênero, ao mesmo tempo em que inscreve "A Máscara
do Zorro" na lista dos bons filmes de ação deste ano.
Com um "Z" bem grande.
Um espermatozóide
faz confidências em Joinville
Contradições
masculinas
são retratadas com humor e ironia
Hildy Vieira
Joinville - Retrato das contradições do homem médio
brasileiro, a peça "Confidências de um Espermatozóide
Careca" está em Joinville pela primeira vez. O espetáculo,
que acontece neste domingo, às 20 horas, na Sociedade Harmonia Lyra,
é interpretado por Vicentini Gomes e conta a vida do próprio
autor, Carlos Eduardo Novaes, que a classifica de "autobiografia do
absurdo".
Misturando verdade, invenção, humor e ironia, o personagem
começa suas lembranças nos testículos do pai, em 1940,
e segue, através das décadas, até os anos 90, quando
entremeia dados reais com a mais pura fantasia. O percurso passa pelos mais
diversos temas, entre eles a repressão infantil, a descoberta do
sexo, o golpe de 64, os traumas da separação conjugal.
Sem recorrer à linguagem chula ou à anedota - embora o
título sugira precisamente o contrário - o espetáculo
traduz um humor venenoso e sutil. Em uma hora e 15 minutos (duração
da peça), o ator faz uma análise escrachada da sociedade,
interpretando 26 personagens com irreverência e deboche. Elogiada
por críticos dos principais jornais brasileiros, "Confidências
de um Espermatozóide Careca" permanece em cartaz desde a estréia,
em 1989.
Com mais de 20 anos de profissão, Vicentini Gomes coleciona os
prêmios Mambembe (mímico), do MinC, estatuetas do Festival
de Cannes (Leão de Prata/Bronze) e Festival de Verão de Madri
(melhor ator - 1981). No teatro, entre outros trabalhos, atuou em "Ladrão
de Mulher", de Luiz Alberto de Abreu, "O Princípio do Avesso
- Dom Casmurro", de Machado de Assis, com direção de
Antonio do Valle - muito elogiado pela crítica, e "O Analista
de Bagé", de Luiz Fernando Veríssimo. A passagem pela
televisão inclui novelas como "Kananga do Japão"
e "A História de Ana Raio e Zé Trovão" (ambas
da Manchete), e séries como "Retrato de Mulher, "Você
Decide" (Globo) e "No Mundo da Lua" (Cultura).
Ingressos antecipados para o espetáculo a R$ 10,00; na bilheteria
da Lyra, por R$ 20,00. Fone: 422-3920. |
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