M
U
N
D
O

|
Chefes de Estado
participam de cúpula
Encontro vai discutir as
relações entre os países ibero-americanos e também
a crise econômica mundial
Cidade do Porto, Portugal - Os 19 chefes de Estado e de governo que participarão
hoje da 9ª Cúpula ibero-americana já estão na
Cidade do Porto, após sua chegada ontem ao aeroporto Francisco Sá
Carneiro. Na madrugada de ontem chegaram os presidentes brasileiro, Fernando
Henrique Cardoso, e peruano, Alberto Fujimori.
Os reis espanhóis Juan Carlos e Sofia, além dos presidentes
do Paraguai, Colômbia, Equador, Espanha, Costa Rica, Panamá
e República Dominicana foram chegando durante a manhã de ontem
na cidade portuguesa sede da cúpula.
O delegado europeu para a América Latina, Manuel Marín,
e outros convidados especiais também chegaram ontem. Os chefes de
Estado ibero-americanos participaram de uma recepção oficial
organizada pelo governo português e às 10 horas de hoje (7
horas em Brasília) será realizada a abertura oficial da Cúpula.
O presidente espanhol, José María Aznar, chegou ontem
à Cidade do Porto com uma agenda apertada de reuniões bilaterais
e uma missão imprevista: apaziguar os receios portugueses pelo suposto
papel de protagonista da Espanha na cúpula, bem como resolver certos
atritos entre os dois países na organização do evento.
"Verdadeira guerra diplomática". Assim têm sido
qualificadas pela imprensa portuguesa as diferenças na organização
da cúpula entre os dois países.
Após sua chegada ontem de manhã, Aznar se reuniu com o
presidente cubano, Fidel Castro, na qual os dois chefes de Estado se limitaram
a constatar que "as relações entre Espanha e Cuba melhoraram".
No entanto, as sucessivas cúpulas ibero-americanas têm
demonstrado que Fidel Castro faz ouvidos de mercador às exigências
de democratização de seus parceiros, diante do que as autoridades
espanholas decidiram adotar uma certa discrição em suas declarações
e gestos em relação a Havana.
Após a reunião com Fidel Castro, Aznar tem previsto se
reunir em seu hotel com o presidentes argentino, Carlos Menem, paraguaio,
Raul Cubas, equatoriano, Jamil Mahuad, e hondurenho, Carlos Flores.
Cuba quer aumentar o
intercâmbio comercial com a Espanha
Cidade do Porto, Portugal - O presidente cubano, Fidel Castro, e o presidente
conservador do governo espanhol, José María Aznar, coincidiram
em destacar ontem na Cidade do Porto que as relações bilaterais
melhoraram paulatinamente após sua normalização, há
seis meses.
Fidel Castro considerou excelente o atual nível destas relações.
Os chefes de Estado se reuniram em um hotel do centro - onde se hospedam
as duas delegações -, poucos minutos depois da chegada de
Aznar à Cidade do Porto para participar na Cúpula íbero-americana,
examinando durante 40 minutos os principais aspectos da nova fase das relações
hispano-cubanas.
Em breve encontro com a imprensa, os dois chefes de Estados coincidiram
ao expressar que as relações bilaterais melhoraram pouco a
pouco depois das turbulências diplomáticas do passado.
Desde a chegada de Aznar ao poder, em abril de 1996, as relações
entre os dois governos tiveram vários atritos e pioraram após
a retirada por parte de Cuba do embaixador espanhol nomeado em Havana, deixando
Madri durante quase dois anos sem representação diplomática
na ilha.
Os dois chefes de Estado se disseram ontem favoráveis a continuar
trabalhando para melhorar o que Castro chamou de excelentes relações
entre Cuba e Espanha. Castro disse em entrevista coletiva que a entrevista
foi muito agradável e que estava muito satisfeito do encontro.
As relações diplomáticas entre Havana e Madri se
normalizaram em abril passado, quando Aznar nomeou seu novo embaixador na
ilha caribenha, que em 1999 será sede da 9ª Cúpula íbero-americana.
O chefe de Estado cubano se disse ainda interessado na prisão do
ditador chileno Augusto Pinochet em Londres e pediu à imprensa detalhes
sobre o assunto, mas evitou emitir opinião a respeito.
Aviões da Otan sobrevoam
província sérvia de Kosovo
Pristina, Iugoslávia - Horas depois que a Otan deu à Iugoslávia
mais dez dias para cumprir a promessa de retirar suas tropas de Kosovo e
evitar sofrer ataques aéreos, aviões de reconhecimento U-2
da aliança atlântica começaram ontem a sobrevoar a província
para verificar o andamento da retirada.
O início dos sobrevôos coincidiu com a chegada de um grupo
avançado de 13 dos 2 mil observadores que a Organização
para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) destacou
para verificar em terra a retirada de tropas da província, onde a
maioria da população é formada por albaneses étnicos.
O embaixador iugoslavo em Londres, Milos Radulovic, garantiu que o governo
do presidente Slobodan Milosevic cumprirá o prazo dado pela Otan
e, durante a madrugada, um grande comboio militar iugoslavo parecia estar
deixando Kosovo. Mas tanto fontes sérvias como albanesas étnicas
da província denunciaram a ocorrência de confrontos em várias
áreas. Os piores, segundo os dois lados, ocorreram num subúrbio
da capital kosovar, Pristina, onde, segundo os albaneses étnicos,
um civil foi morto.
"Estamos aqui para fazer alguns preparativos que facilitarão
o trabalho de verificação da missão, que esperamos
realizar tão logo seja possível", explicou John Sandrock,
oficial da reserva da exército americano encarregado da logística
da OSCE.
Em declarações oferecidas aos jornalistas pouco depois
da chegada da equipe, Sandrock afirmou que entre os integrantes do grupo
estão três representantes da direção da OSCE.
"Iremos a todos os lugares possíveis onde possa haver pessoas,
veremos que infra-estrutura há disponível, que necessitaríamos
fazer e estabelecer as dimensões da missão", ressaltou
Sandrock. O militar indicou que a equipe deverá informar o conselho
permanente da OSCE o resultado de suas observações em Kosovo.
|
|
Polícia |
|
Polícia britânica
prende ex-ditador
Augusto Pinochet viajou para
Londres onde se submeteu a cirurgia
Londres - O ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, que está convalescendo
em uma clínica particular do centro de Londres, foi detido na última
sexta-feira em virtude de um processo da Justiça espanhola, informaram
ontem fontes policiais.
A Scotland Yard se limitou a informar que "um homem de 82 anos"
foi detido sexta-feira à noite como "conseqüência
de um pedido de extradição da Justiça madrilenha, vinculado
a acusações de assassinatos de cidadãos espanhóis
no Chile entre 11 de setembro de 1973 e 31 de dezembro de 1983".
A polícia britânica recusou-se a revelar onde está
atualmente o general Pinochet, mas a agência PA destacou que ele ainda
está em uma clínica londrina.
O embaixador chileno em Londres, Mario Artaza, anunciou ontem através
de uma rádio chilena que o atual senador vitalício - que governou
o Chile na ditadura de 1973 a 1990 - estava "detido" em Londres,
onde se submeteu a uma cirurgia na coluna.
A medida de controle judicial foi tomada por um juiz londrino e notificada
na sexta-feira ao general Pinochet.
A polícia britânica recebeu uma solicitação
da Justiça espanhola para interrogá-lo em relação
a assassinatos de cidadãos espanhóis praticados quando dirigia
a junta militar chilena.
Os juízes da Audiência Nacional (principal instância
penal espanhola), Baltasar Garzón e Manuel García Castellón,
que investigam na Espanha desde 1996 os crimes cometidos durante a ditadura
chilena, puseram em prática um procedimento de urgência, via
Interpol (polícia Internacional), destinado a evitar as vias diplomáticas,
consideradas muito lentas. |
|

|