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Nos últimos doze meses 24.301 postos de trabalho
foram fechados em Santa Catarina |
Nível de emprego
cai há cinco meses
Tendência em Santa
Catarina é de maior queda neste semestre
Rogério Christofoletti
Florianópolis - O nível de emprego formal em Santa Catarina
vem caindo há cinco meses consecutivos neste ano, conforme apura
pesquisa do Sistema Nacional de Emprego (Sine) com base nos números
de julho, último período analisado. Este desempenho na economia
catarinense aponta para uma tendência de maior retração
no setor neste segundo semestre, com previsão de maior fechamento
de postos de trabalho, acarretando ainda redução de salários.
O mês de julho teve seu pior desempenho desde 1993, fechando 8.172
postos de trabalho no Estado, o que nos sete meses do ano fez acumular um
saldo negativo de 11026 vagas formais. Nos últimos doze meses, Santa
Catarina assistiu ao fechamento de 24.301 postos, estatística expressiva
se comparada com a queda do nível de emprego durante o Plano Real.
Nos quatro anos do plano, o índice caiu 4,23% e 37576 empregos foram
desativados.
Neste ano, a administração pública e a construção
civil criaram juntos 4.177 novas vagas. Do outro lado, a indústria
de transformação, o comércio e a agropecuária
foram responsáveis pelo fechamento de 14.766 postos de trabalho nos
primeiros sete meses de 1998.
Um outro estudo realizado pelo Sine definiu o perfil dos trabalhadores
movimentados em Florianópolis nos anos de 1996 e 1997. O estudo revelou
a prática de demissão dos funcionários com maior salário
e a contratação de trabalhadores mais jovens e mulheres com
maior escolaridade. Este expediente acaba acarretando no aviltamento dos
salários, conclui o estudo. Seguindo nesta prática, as empresas
da Capital conseguiram ampliar sua base de empregados melhor qualificados
e ainda obtiveram redução na folha de pagamento. O Sine calcula
que esta economia tenha alcançado R$ 4,9 milhões nos dois
últimos anos.
A pesquisa do Sine aponta ainda que dos 70.606 trabalhadores desligados
em 1996 e 1997, a maior parte (77,5%) foi demitida e apenas 16% deixaram
seus empregos espontaneamente.
Indústria já cortou
5.504 empregos no ano
Florianópolis - O nível de emprego industrial em Santa
Catarina voltou a apresentar queda no mês de setembro. Segundo pesquisa
realizada pela Fiesc junto a 412 empresas, houve uma redução
de 0,26% no contingente de mão-de-obra, o que significa 462 vagas
a menos. No ano já são 5.504 empregos fechados no parque industrial.
O setor que mais cortou pessoal em setembro foi o mecânico, em
função da reestruturação interna das empresas.
Neste segmento foram fechadas 243 vagas, que representaram uma diminuição
de 2% no efetivo. Por outro lado, alguns segmentos tiveram aumento na oferta
de vagas, como o de vestuário, calçados e artefatos de tecidos
(mais 58 vagas), produtos de matérias plásticas (mais 48 vagas)
e produtos alimentares (mais 46 empregos).
O fechamento de 5.504 postos de trabalho de janeiro a setembro corresponde
a uma diminuição de 3% no nível de emprego. Em igual
período de 1997 foram dispensados 3.377 trabalhadores. A indústria
de Produtos Alimentares indicou a maior redução de quadro
em 1998, com menos 1.579 vagas. Outros setores que também tiveram
redução: mecânica (-743), material elétrico e
de comunicação (-680) e papel e papelão (-625). Com
desempenho positivo estão os setores de pesca (286), material de
transporte (63), química (14) e têxtil (10).
No período de 12 meses (setembro/97 a setembro/98) o parque fabril
catarinense dispensou 12.804 trabalhadores, significando uma redução
de 7,12%. Da indústria têxtil saíram 3.383 trabalhadores;
da alimentar 2.431, e da de materiais elétricos e de comunicação
1.219. (RC)
Arrecadação só
paga salários
A situação financeira do Estado está tão
ruim que a arrecadação de impostos só tem dado para
pagar a folha do funcionalismo. O recolhimento de impostos vem caindo mês
a mês, e em setembro caiu 1% em relação a agosto. Só
com salários, mensalmente, gasta-se R$ 102 milhões, quando
a receita média tem sido R$ 150 milhões. Na conta, somam-se
ainda R$ 23 milhões destinados a quitação de dívidas
e R$ 22 milhões de repasses para os poderes. Fornecedores não
têm recebido.
A Secretaria da Fazenda justifica a queda de arrecadação
com aquilo que o titular da pasta chamou de "descompasso, problema
estrutural". A saída passa pelo ajuste das contas, com redução
nos gastos com a folha, mas o secretário Marco Aurélio Dutra
reclama da falta de dispositivos nos estados para apertar mais o cinto.
Tanto é que o governo prefere não fazer projeções
para os últimos meses do ano, já que dispõe de 4,5
folhas de pagamento: a de outubro, a de novembro, de dezembro, o 13º
salário e ainda parte do salário de setembro. (RC)
CUT pede maior
investimento no social
A saída para a crise de emprego passa por uma total inversão
da política econômica do governo federal e por um choque de
investimento social. É desta forma que o secretário-geral
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Clemente Mannes, defende
a solução para o cada vez mais crescente desemprego. "A
estabilidade da moeda precisa ser mantida, mas é necessário
mais investimento social, mais distribuição de renda e de
terra, e a adoção de programas que possam minimizar a situação".
Estes programas tentariam manter os postos de trabalho já existentes,
com a redução de jornada de trabalho, estabeleceriam um programa
de renda mínima, que teria como reflexo o aumento do consumo, e ainda
modificariam o perfil tributário nacional. "Os trabalhadores
sempre são taxados e o lucro está cada vez mais isento. Nestes
quatro anos de Real, houve sete medidas de isenção, facilitando
inclusive a evasão de recursos para fora do país. A lógica
é perversa e precisa mudar", acredita Mannes.
Submissão
O discurso crítico do sindicalista insiste na mudança da
política econômica federal. A CUT não é contrária
à tendência de integração internacional do País
aos demais mercados, mas discorda da forma em que esta inserção
vem sendo implementada, "submissa e atendendo às regras estrangeiras".
Apesar dos índices catarinenses não constarem da avaliação
das pesquisas sobre o desemprego feitas pelo Dieese e IBGE, os efeitos locais
vêm sendo considerados preocupantes. Em quatro anos, foram fechados
mais de 27 mil postos de trabalho, gerando um déficit que ultrapassa
os 160 mil empregos. "De outro lado, a economia informal avança,
sem os direitos trabalhistas. O problema do desemprego é que, no
início, foram prejudicados os setores têxtil e calçadista,
hoje, ninguém escapa". Mannes coloca a culpa da crise no Plano
Real, mas responsabiliza também parte do empresariado que, apesar
de ser contrário à situação, pouco ou nada vem
fazendo para mudá-la. (RC)
Indústria tem média de
nove demissões diárias
Dados em Joinville são
referentes apenas às 180 empresas ligadas à associação
comercial
Jefferson Saavedra
Joinville - Nada detém o avanço do desemprego. Desde o
início do ano, pelo menos nove pessoas em média perdem o emprego
todos os dias em Joinville. O número engloba apenas as 180 empresas
ligadas à Associação Comercial e Industrial de Joinville
(Acij). Nem banco de horas, contrato temporário ou abertura do comércio
aos domingos estão sendo suficientes para debelar a crise. "As
alternativas de flexibilização do trabalho, como banco de
horas e contrato temporário de trabalho, colaboram muito pouco para
amenizar o problema. São medidas importantes, mas que permitem às
empresas somente manter os empregos já existentes", tenta explicar
o presidente da Acij, Albano Schmidt. Nem a manutenção está
sendo possível.
Autor de um estudo sobre a economia joinvilense, o professor Vitor Hugo
Medeiros, da Univille, calculou a taxa de desemprego em 8,21%. Desse percentual,
0,62% é formado por trabalhadores que ainda tem chances de obter
uma colocação. "O restante é a 'perda de emprego'"
explica o professor.
Utilizando os conceitos de economia de conhecimento e economia industrial,
Medeiros garante que 58% das empresas de Joinville já admitem uma
visão de economia do conhecimento. "Para o emprego, é
preciso se mostrar útil. E o conhecimento traz isso. Acabou o paternalismo.
O empresário não é mais o pai a ensinar o caminho",
resume o economista, também um queixoso da pesada carga tributária
sobre a folha de pagamento (veja quadro ao lado). "A incidência
de impostos é muito alta pela qualidade dos trabalhos públicos
recebidos pelo trabalhador", lamenta.
Se a professor condena os impostos e prega a educação como
ferramenta de trabalho, entidades ligadas aos empresários lamentam
o legislação trabalhista. "Vamos entrar em um período
recessivo e não haverá como segurar o emprego. A lei é
anacrônica e muitas vezes os sindicatos dos trabalhadores e até
os patronais, se recusam a discutir", alega o presidente da Câmara
de Relações do Trabalho da Fiesc, Ronald Caputo.
Comércio está demitindo
A abertura do comércio aos domingos não ajudou a segurar
o emprego. De acordo com o levantamento da Acij, quase 300 comerciários
foram demitidos nos primeiros oito meses de 1998. "A abertura aos domingos,
além de prejudicar os trabalhadores, aumentou o desemprego nos comércios
de bairro. Outubro, um mês de contratação, está
demitindo", garante o presidente do Sindicato dos Comerciários,
Waldemar Schulz, o Mazinho.
O presidente do Conselho Municipal de Trabalho e Emprego, João
Batista Souza, cita a desinformação como um dos combustíveis
do desemprego em Joinville. "O nosso conselho, onde micro e pequenos
empresários poderiam encontrar os meios para receber recursos do
Proger (Programa de Geração e Emprego e Renda), não
é conhecido. Os pequenos, que são os realmente podem criar
empregos, não conhecem essas linhas de financiamento", lamenta
Souza. No primeiro semestre deste ano, o conselho intermediou o financiamento
de R$ 1,2 milhão. "Poderia ser seis vezes mais", arrisca
o presidente.
O delegado estadual do Ministério do Trabalho mantém o
otimismo. "Pelo menos 30 empresas já adotam e outras tantas
estão em fases de negociação para implantar o banco
de horas, que é um mecanismo interessante", diz Darci de Mattos.
Outras alternativas, como o contrato temporário, fracassaram no Estado:
apenas 90 trabalhadores foram contratados através dessa modalidade.
(JS)
Falta de preparo
desemprega têxteis
Estudo da Furb mostra como
os demitidos do setor ganham a vida
Ula Weiss
Blumenau - Desde que as indústrias têxteis da região
começaram a enxugar seus quadros, no início da década,
nunca tinha sido feito um estudo para ver de que forma os desempregados
estavam ganhando a vida. Afinal, o número de ocupados no setor ultrapassou
35 mil no período áureo e hoje resume-se a 21.500.
O tema sempre foi alvo de controvérsias, até porque, o
presidente do sindicato das indústrias, Ulrich Kuhn, sempre afirmou
que boa parte do universo de demitidos tinham sido reabsorvidos, em maior
parte pela informalidade. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Ciências
Humanas e da Educação da Furb, divulgada há poucas
semanas, quebrou alguns paradigmas e traçou o verdadeiro perfil dos
têxteis que perderam o emprego entre 1995/1996, período de
pico dos cortes.
Em primeiro lugar, o que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
das Indústrias de Fiação e Tecelagem, Osmar Zimmermann,
considera importante pela amostragem de 282 trabalhadores da pesquisa, 51,06%
não terminaram o 1º grau. "O baixo nível de escolaridade
é preocupante", admite. Ainda de acordo com a pesquisa, 19,15%
concluíram o 1º grau; 11,70% possuem o 2º grau incompleto
ou em curso; 10,28% têm o 2º grau; 3,90% estão na faculdade
e 2,48% têm graduação.
Fica claro para Zimermann que no enxugamento das empresas, impulsionado
principalmente pelo aumento da produtividade com a automação
da produção, quem perdeu o posto foi justamente aquele funcionário
menos preparado. E talvez até por causa dessa condição
que ao tentarem se reinserir no mercado, com a oferta de vagas escassas,
que 56,38% dos ex-trabalhadores têxteis voltaram à condição
de assalariados, mas com ganhos inferiores aos da época do desligamento.
Que estão sem emprego, realmente, o total é de 13,12%. Portanto,
é bem menor do que se estimava.
Claro que a situação não é confortável,
admite o próprio dirigente patronal, Ulrich Kuhn. "Há
realmente uma faixa de desempregados que precisa voltar à ativa",
reconhece. Mas ele assinala que isso depende não só de aspectos
conjunturais, decorrentes da globalização da economia, mas
de um reposicionamento estratégico do próprio projeto de desenvolvimento
de Blumenau. A extrema dependência do setor têxtil, analisa,
comprovou seu nocivo, e agora outros segmentos devem ser incrementados para
diversificar e aumentar a criação de novos postos de trabalho.
Quase na mesma linha pensa o sindicalista Zimmermann ao dizer que a proposta
do sindicato dos trabalhadores é fazer uma campanha de conscientização
junto aos têxteis que ainda estão empregados, para que se qualifiquem
e aprimorem.
Projeto aumenta
nível de escolaridade
O que fazer para ajudar quem está sem emprego? Em Blumenau, o
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação
e Tecelagem montou uma parceria com o Sine, e periodicamente pega a lista
de oferta de vagas e disponibiliza a consulta na sede da entidade. "É
uma forma de facilitar a procura de uma nova chance de se empregar",
explica Osmar Zimmermann, ao destacar que desde que essa prática
foi adotada, há duas semanas, dezenas de pessoas conferem as oportunidades
expostas num mural.
Essa ainda é uma iniciativa tímida. O sindicato tem metas
mais ousadas. Quer procurar o apoio do poder público para desenvolver
um projeto que aumente o número de ex-trabalhadores têxteis
nas salas de aula de educação de adultos. Pelo menos para
que a grande parcela que não tem sequer o 1º grau - 51,06% -
o conclua.
Outro desafio, enumera Zimmermann, é o que diz respeito aos empregados.
"Temos informações de uma pesquisa importante em mãos,
que nos dá o perfil dos desempregados, e agora precisamos saber usá-la
para tentar mudar a realidade que aí está." Nesse sentido,
o que mais chama a atenção do sindicalista é que 70%
dos que perderam o emprego não pensam em se aperfeiçoar, requalificar,
em nada. Isso também reflete o pensamento de quem ainda conseguiu
manter o emprego, deduz.
A maneira de conscientizar esse público de que chegou a hora de
mudar de comportamento é que o sindicato vai colocar em discussão.
Zimmermann não descarta uma consulta aos trabalhadores para saber
que cursos gostariam de fazer. Também acha que as próprias
empresas podem participar desse trabalho de sensibilização
dos trabalhadores. O que ele descarta completamente é a possibilidade
do sindicato promover cursos. "Não temos estrutura e essa não
é a nossa função", resume.
O ideal, e o que deve ser feito, observa, é a união de
esforços entre instituições que já se dedicam
à formação de mão-de-obra, como o Sine, Senai,
Sesi e até mesmo a prefeitura.
Cursos do Sine
beneficiam 828
Em 1998, 20 cursos foram promovidos em Blumenau com recursos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), através do Sine. O número
de beneficiados somou 828, até setembro. O direcionamento desses
cursos tem sido para o setor de serviços e o de pequenos empreendedores
na área rural.
Márcio Salvador Rodrigues, presidente do Conselho Municipal de
Trabalho e Emprego, diz que o ideal seria que a representação
estadual desse mais autonomia para que cada região decidisse os projetos
que desejasse desenvolver, de acordo com as peculiaridades existentes.
Ele acredita também que a definição desses cursos
deveria ser discutida mais amplamente entre lideranças de cada segmento,
que têm assento no conselho tripartite: sindicato de trabalhadores,
patronal e poder público.
Para se ter uma idéia, dos cursos oferecidos por intermédio
do Sine em Blumenau neste ano, o que teve maior número de turmas
foi o de informática básica, com 400 participantes. Depois
aparecem os cursos que formaram 40 pessoas cada (administrador de entidade
filantrópica e espanhol para o comércio) e a de 32 pessoas
cada (bovinocultura leiteira e costureira industrial). Os demais, com 16
formados cada, vão de qualificação para cronometria
básica e operador de empilhadeira a cultivo de hortaliças.
Qualificação é
problema na agroindústria
Empresas do setor têm
dificuldade em obter mão-de-obra com grau básico de escolaridade
Marcos Horostecki
Chapecó - Com o nível de emprego praticamente estabilizado
desde que as empresas se adequaram às transformações
da economia globalizada, há quase dois anos, o setor agroindustrial
vive uma realidade diferente das demais áreas produtivas catarinenses.
Nas empresas instaladas no Oeste do Estado o que falta é mão-de-obra
qualificada. Sem ela, centenas de trabalhadores desempregados permanecem
sem uma nova colocação, mesmo que já tenham trabalhado
no setor.
Não se trata tanto de qualificação profissional
mas sim educacional. Um exemplo disso, segundo revela o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores na Industria da Carne (Sintracarnes), Miguel Padilha,
é o que vêm acontecendo em Chapecó na unidade industrial
da Sadia. A empresa abriu 300 novas vagas depois que implantou um novo setor
dentro de sua planta industrial. Mas não vem conseguindo preenchê-las
pois não encontra operários com no mínimo primeiro
grau completo.
Para recolocar os desempregados do setor, que hoje passam de dois mil,
o Sintracarnes vem desenvolvendo programas de qualificação
e requalificação profissional. O setor agroindustrial no Oeste
do Estado já chegou a ter na base do Sintracarnes 8 mil trabalhadores.
Hoje eles não passam de 6 mil, o que significa uma redução
de 25% desde o início da década.
Há cerca de dois anos, 1.400 postos de trabalho foram extintos.
Apesar disso, uma tendência ainda ameaça os operários
do setor: a automação. Para o presidente do sindicato da categoria
são as máquinas mais modernas que podem fazer com que haja
mais desemprego nas agroindústrias.
O sindicato estuda junto com a Sadia e Aurora a possibilidade de corte
nas horas extras e utilização do chamado banco de horas para
diminuir a possibilidade de demissões. Quer que ao invés de
deixar um trabalhador fazer horas extras a empresa contrate outro para fazer
o serviço, que ao contrário de setores, não pode ser
paralisado. Mas tudo vai depender dos trabalhadores. Numa empresa como a
Sadia é preciso que quase a metade dos mais de três mil funcionários
aceitem a proposta.
Sindicato espera piora
na situação em Jaraguá
Jaraguá do Sul - As demissões no setor metal-mecânico
e de material elétrico em Jaraguá do Sul ainda estão
mantendo o mesmo patamar dos últimos quatro anos, oscilando entre
10% A 15% do quadro de pessoal. A informação é do presidente
do sindicato dos trabalhadores da categoria, Jair Mussinato. Ele comenta
que esse percentual também ocorre devido a uma certa rotatividade
no setor. Jair projeta que a partir de janeiro essa relativa tranqüilidade
deva ser alterada, em função do pacote econômico de
FHC e a situação da economia brasileira, que está impedindo
que o mercado consumidor reaja à recessão. "A situação
de Jaraguá e região é muito peculiar e não deve
se manter por muito mais tempo, por que no resto do País o quadro
é adverso", conclui.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de alimentação de Jaraguá do Sul e região, Valdir
Stein, até outubro deste ano, o número de demitidos tem se
mantido na média de 70 ao mês, enquanto que o número
de admissões bem menor. No mesmo período do ano passado as
demissões não ultrapassaram a média de 50 ao mês.
Valdir culpa a política do governo federal.
A sazonalidade marca o setor alimentício nos meses de verão.
"Nessa época, a tendência é não haverem
demissões, mas sim admissões, principalmente nas indústrias
de sorvetes, doces e pudins", relata. Muitos desses empregos são
em caráter temporário.
Dificuldades
Não existem dados concretos que mapeiem a situação
do desemprego em Jaraguá do Sul. Para se ter estimativa a respeito,
é necessário recorrer aos formulários fornecidos pelo
Sistema Nacional de Empregos (Sine) e pelo Ministério do Trabalho,
que não são conclusivos. O Sine costuma receber relatórios
mensais que comprovam os números de demitidos e admitidos através
dos sindicatos, mas esbarra quando se trata do mercado informal, que não
aparece nos registros oficiais. De janeiro a junho deste ano, em Jaraguá
do Sul foram admitidos 5.349 e 4.917 demitidos, de acordo com o Cadastro
Geral de Empregados de Desempregados do Sine/SC. Em Guaramirim, 670 admissões
e 593 desligamentos.

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Reduzir
custos |
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Férias são a estratégia
do setor cerâmico
Parada coletiva é
opção para cortar custos nas empresas
José Carlos da Costa
Criciúma - As férias coletivas são por enquanto
a única estratégia adotada pelos empresários do setor
cerâmico no sul do Estado para reduzir custos e enfrentar o atual
período de instabilidade financeira. "São ações
preventivas fortes, que vão evitar cortes mais radicais como demissões",
garantiu o vice-presidente da Anfacer (Associação Nacional
dos Fabricantes de Revestimentos Cerâmicos), Ademir Lemos.
Antes de tomarem qualquer decisão, os ceramistas continuam apostando
em mudanças no quadro econômico, como captações
do governo com o FMI e o ajuste fiscal, mas ninguém afirma que a
redução de pessoal está descartada.
O presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas, Adriano
Lima, observou ser prematuro fazer qualquer avaliação neste
momento. "Temos que enxergar com maior visão, que tipo de impacto,
as futuras medidas do governo poderão ter no mercado".
Preocupações existem, pois a retração no
consumo tem se acentuado e as perspectivas para 99 não são
nada otimistas. Os empresários desconhecem até que ponto as
taxas de juros vão continuar elevadas, e como será a recuperação
das linhas de crédito para exportação. Lima acredita
que dentro de 60 dias as empresas terão melhores condições
para tomarem ações definitivas.
Mesmo com a diminuição no financiamento das exportações,
o setor cerâmico está mantendo suas metas de ampliação
do mercado externo. Algumas empresas arriscam aumentar suas vendas externas
dos 15% para 25% do total produzido, mas muitos investimentos foram adiados.
Sindicatos
Se as empresas estão cautelosas, os sindicalistas estão
com as mãos amarradas. "Atualmente o sindicato está desmobilizado,
pois todo mundo sabe que as empresas estão enforcadas, e não
existe muito o que negociar", justifica o secretário executivo
do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cerâmica da região
sul, Arlindo Rocha. Ele observa que os efeitos da redução
de custos para o trabalhador não são imediatos, mas vem aos
poucos.
Enxugamento do quadro funcional atinge 30%
Nos últimos 4 anos houve um enxugamento de 30% nos quadros funcionais
das empresas cerâmicas. No início da década de 90 porém,
no Plano Collor, o fantasma do desemprego foi maior e as demissões
atingiram 60% dos trabalhadores, informa o secretário executivo do
Sindicato dos Trabalhadores, Arlindo Rocha. Com cerca de 4800 trabalhadores,
o sindicato estima que o quadro demissional esteja estável hoje,
embora as rescisões de empregados, com menos de um ano de serviço,
não seja homologada pelo sindicato.
O sindicalista se mostra pessimista, pois apesar da aparente estabilidade,
as empresas não estão criando novas vagas. A recolocação
no mercado é outra preocupação, pois grande parte dos
trabalhadores do setor possui 2º grau, exigindo funções
mais qualificadas. " Encaminhamos o desempregado para o Sine, mas como
não há oferta, a saída é a economia informal
ou negócio próprio", salientou o secretário.
Índice
De acordo com uma pesquisa do Sine, 2.331 pessoas perderam seus empregos
formais em Criciúma nos últimos quatro anos. Metade destes
trabalhadores atuava na indústria, principalmente no setor têxtil.
Na região, o número de desligamentos atingiu 18.563 empregados,
enquanto que o número de admitidos chegou a 17.499 pessoas, num saldo
negativo de 1.064 pessoas que ficaram sem trabalho.
As empresas do setor de serviços vem a seguir, tendo demitido
de julho 94 a julho de 98, em toda a região, 20.191 pessoas. Neste
mesmo período, 19.498 trabalhadores foram admitidos, o que significa
que 693 deles ficaram desempregados.
As causas globais comuns a todos os setores são conhecidas: queda
nas vendas, alta tributação, falta de linhas de financiamento
para produção, concorrência desleal, diminuição
nas exportações e entrada no mercado de produtos estrangeiros
mais baratos. (JCC)
Setor madeireiro fecha 1.107 vagas em quatro
anos
Queda do número de
vagas é reflexo da recessão ocorrida depois do Plano Real,
diz sindicato patronal
Loreno Siega
Lages - A exemplo dos outros segmentos da economia, o setor madeireiro
e de papel e celulose está sofrendo diversas conseqüências
com a crise internacional. A mais grave, porém, é aquela que
diz relação ao emprego. De acordo com dados do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Lages, que representa 110 empresas, nos últimos quatro anos foram
fechadas 1.107 vagas, representando uma redução de 28% no
número total de empregos do setor. O mesmo se verifica no setor de
papel e celulose. Conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
do Papel, Papelão e Cortiça de Lages (Sitipel), de 1991 até
1998 foram fechadas cerca de mil vagas nas indústrias da região.
Para Milton Martini, presidente do Sindicato da Construção
e do Mobiliário, o principal motivo da queda no emprego é
a recessão ocorrida após o Plano Real. "Quando o FHC
assumiu, em 1994, tínhamos 3.910 empregados para 84 empresas do setor.
Hoje temos 110 empresas com apenas 2.803 empregos. Desde sua implantação,
o Real trouxe recessão. E o resultado acaba se refletindo sempre
do lado mais fraco: os empregos das pessoas menos qualificadas, maioria
que atua no ramo madeireiro", afirmou.
Já no setor de papel e celulose o principal motivo do desemprego
foi a automação industrial. Em 1991 eram cerca de 3.600 empregados
na região. Hoje são menos de 2.600, uma redução
de mil vagas. "Na fábrica da Celucat de Correia Pinto, em 1991,
eram 1.360 empregados para apenas uma máquina produtora de papel.
Hoje são 820 funcionários para operar duas máquinas",
exemplificou Pedro Flores de Oliveira, diretor financeiro do Sitipel. "Devido
à concorrência internacional, as empresas estão investindo
muito em tecnologia para diminuir custos. Com isso, não ligam para
o desemprego e para o problema social que isso acarreta".
Investimento
Paulo Gilberto Ramos, diretor administrativo da Celucat S.A. e presidente
do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Santa Catarina
(Sinpesc), avalia como inevitável o investimento em tecnologia para
as empresas conseguirem sobreviver. "A crise internacional é
terrível para o setor de papel e celulose. Com a desvalorização
da moeda em outros países, a concorrência está se acirrando.
Então precisamos baixar custos de todas as maneiras".
Paulo explicou que sua empresa dispunha de projetos para investir no
próximo ano cerca de R$ 50 milhões na unidade de Correia Pinto.
"Não vamos suspender os investimentos. Mas por enquanto preferimos
engavetar os projetos para ver como se comporta o mercado e a economia nos
próximos meses", disse.
Internautas não apóiam carga tributária
maior
Joinville - Segundo a pesquisa realizada por A Notícia, em seu
site na Internet, entre 26 de setembro e 11 de outubro, os trabalhadores
assalariados não têm condições de arcar com um
novo aumento na carga tributária, como está propondo o governo
federal. Dos 103 internautas que responderam à enquete, 90 (87,38%)
se manifestaram contrariamente à medida governamental. Outros nove
"apoiaram" a decisão.
A proposta de ajuste fiscal prevê aumento na arrecadação
tributária, com o objetivo de garantir melhoria nas contas públicas.
O principal impacto deverá ser sentido pelas pessoas físicas.
A alíquota da Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira (CPMF), que atualmente é de
0,2%, pode crescer para 0,5%. O tributo também deve tornar-se permanente,
com o nome de Imposto sobre Movimentação Financeira (IMF).
Outro tributo que pode sofrer mudanças é o Imposto de Renda
- Pessoa Física. O Ministério da Fazenda está estudando
aumentar a alíquota de 27,5% para 30%. A medida atingiria diretamente
quem ganha acima de R$ 1.800,00. Originalmente essa alíquota era
de 25%.
Na pesquisa de A Notícia pela Internet, quatro internautas responderam
que apoiariam a medida desde que tenha retorno efetivo à população,
em melhorias nos serviços públicos.
A maioria dos internautas que se posicionaram contra a medida argumentaram
que o trabalhador brasileiro já arca com uma carga tributária
muito alta e está com os salários defasados.
Alguns deles acreditam que o aumento dos tributos estimularia ainda mais
a sonegação de impostos pelas empresas. "O governo deveria
agir como uma empresa, que, quando está em dificuldades, reduz primeiro
suas despesas, em lugar de aumentar a receita", retrucou um dos internautas.
Entre os que se manifestaram a favor da decisão do governo na
pesquisa, a principal justificativa foi a de que o assalariado "deve
fazer a parte dele" para ajudar o governo a acabar com a crise. "O
governo deu ao trabalhador um banco 'banco de horas'. Agora, quer os rendimentos
deste banco", ilustrou um dos "apoiadores" da medida. |
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