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José Augusto Gayoso
j-gayoso@nutecnet.com.br
SURRA
Consolidados os números das eleições em Santa Catarina,
a constatação é de que a verdadeira surra de votos
que o PMDB levou foi maior do que todos os caciques estaduais e nacionais
do partido imaginavam. Em Brasília ninguém tem dúvidas:
foi, antes de tudo, uma votação muito consciente, de um eleitorado
esclarecido, que nunca assimilou a versão que o governador Paulo
Afonso e o PMDB em geral deram para a enrascada dos precatórios.
Aliás, esse julgamento também atingiu Miguel Arraes, em Pernambuco,
e Divaldo Suruagy, em Alagoas. O atual presidente nacional do PMDB, senador
Jáder Barbalho, que comandou a defesa de Paulo Afonso em nome do
PMDB durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do
Senado que investigou a emissão dos títulos públicos
que deveriam ter sido usados para pagar os precatórios, cobra maior
coerência do eleitorado. "Só vou aceitar essa tese depois
que Maluf e Pitta forem também derrotados", emendou Barbalho.
FIXAÇÃO
Numa coluna de Moacir Pereira durante a semana passada foi lembrado
que o PMDB catarinense teve tudo nas mãos para escapar do cruel destino
que as urnas lhe reservava. Para aclarar ainda mais a memória dos
leitores, vale mais um registro: a proposta de fazer Paulo Afonso desistir
da candidatura à reeleição e tentar uma cadeira na
Câmara estava colocada na mesa, na véspera da convenção
nacional do partido, no início do ano. As demais combinações
citadas por Moacir (Edurado Moreira seria o candidato e Luiz Henrique mais
Casildo Maldaner indicavam um nome ao Senado e outro para vice na chapa
de Moreira) também estavam colocadas. Ocorre que durante um dia inteiro
de negociações, a maior parte dos que participaram sentiram
que o governador estava com uma verdadeira fixação pela disputa
ao governo. Talvez Paulo Afonso acreditasse que poderia fazer o eleitorado
comprar a versão de que o escândalo dos precatórios
era apenas uma jogada eleitoral da dupla Esperidião Amin e Vilson
Kleinübing.
DOMÍNIO
Ou por comodidade ou por omissão (consciente ou não),
as lideranças do PMDB catarinense acabaram comprando o prato feito
apresentado por Paulo Afonso e resolveram engolir o indigesto sapo, não
sem antes participar de mais uma trapalhada, que acabou chegando às
páginas dos jornais nacionais: tentou negociar apoio à votação
da reforma da Previdência, em troca de liberação de
verbas. As verbas nunca apareceram, a corrente do PMDB que contava com os
votos dos catarinenses se sentiu traída, enfim, mais uma lambança,
que também acabou se refletindo nas urnas. O resultado de tudo isso
foi que Amin e seus coligados cresceram cada vez mais e, do jeito que ficou
a coisa, vai ser muito difícil para o PMDB se reerguer em Santa Catarina.
Nem nos tempos do heróico MDB e da governista Arena, o domínio
do grupo de Bornhausen-Amin, etc, teve uma situação de domínio
tão grande no Estado. E do jeito que as coisas ficaram, vai ser uma
dificuldade diminuir esse espaço conquistado pela coligação
capitaneada por Amin.
PRESTÍGIO
Quando esteve em Brasília no ano passado para apresentar o projeto
do Novembrada a eventuais patrocinadores, o cineasta Eduardo Paredes chamou
a atenção da comunidade cultural da Capital, que deu mostras
de que acreditava na idéia do já então premiado (com
Desterro) diretor. Com o filme pronto e a crítica favorável,
não deu outra. "Novembrada" simplesmente foi escolhido
como o curta que abriu o tradicionalíssimo Festival de Cinema de
Brasília, ontem à noite. Não é exagero dizer
que durante o festival, a cidade literalmente se volta para o evento. Além
dos freqüentadores tradicionais do circuito cultural brasiliense, o
público em geral prestigia o festival de verdade. É uma grande
honra para qualquer cineasta ser escolhido para ter seu filme apresentado
na sessão de abertura do festival. Com esse novo filme, Paredes se
firma no mercado nacional de curtas. O tema do filme, aliás, foi
uma grande sacada do cineasta-jornalista. Os repórteres-fotográficos
mais jovens, que ouviam as histórias daquele episódio em Florianópolis
através do relato de Roberto Stucker, o então fotógrafo
do presidente-general João Figueiredo, faziam fila na porta do Cine
Brasília para ver as imagens "ao vivo" da confusão
na Felipe Schmidt.
FORÇA
A fama de negociador habilidoso do presidente do PFL e senador eleito
Jorge Bornhausen é, a cada eleição, aumentada por alguns
lances como o que aconteceu na quinta-feira em Brasília, quando o
partido se definiu pelo apoio ao petista Cristóvam Buarque no segundo
turno das eleições para o governo do Distrito Federal. É
o pragmatismo pefelista levado ao extremo: se houver chance de ocupar o
espaço no governo, o partido se alia a qualquer sigla, a exemplo
do que foi feito em Santa Catarina em 94, quando o próprio Bornhausen
apoiou Paulo Afonso e acabou levando uma secretaria no governo do peemedebista.
Nas negociações do Distrito Federal, o deputado Paulo Octávio,
que conduziu o processo, foi a Bornhausen pedir o sinal verde para tocar
a empreitada (havia resistências muito fortes, inclusive do presidente
do diretório do PFL do DF, deputado Osório Adriano). Bornhausen
deu o Ok e, de quebra, ainda deu o preço inicial do apoio: o PT não
deveria se meter na votação para governador do Piauí,
onde o senador Hugo Napoleão, amigo de longa data do catarinense
e um dos fundadores do partido, passa sufoco para derrotar o atual governador,
o peemedebista Mão Santa. O próprio Cristóvam levou
o pleito à executiva nacional do PT.

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Rápidas |
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Pessoal do gabinete do senador Vilson Kleinübing em Brasília
está aguardando o retorno do chefe com expectativa. Acham que depois
dos exageros físicos cometidos durante a campanha, é hora
do senador "pegar mais leve" e ficar somente nas suas clássicas
caminhadas pelo Parque da Cidade.
Movimentação para ocupar os cargos federais indicados pelos
partidos que ganharam as eleições em Santa Catarina está
rolando forte em Brasília. Todo dia aparece alguém com uma
lista ou com um palpite do tipo "essa é garantida, de fonte
segura".
O governador eleito, Esperidião Amin, está realmente em
alta no Planalto. O próprio ministro interino da Fazenda, Pedro Parente,
telefonou para o senador para anunciar em primeira mão que o Serviço
de Patrimônio da União e outros órgãos federais
iriam fechar seus escritórios em Florianópolis.
A decisão já estava tomada por parte do governo e, ao que
parece, não sobrou muita margem para negociação, já
que as medidas fazem parte do pacote de ajuste fiscal.
Em todo caso, Parente, que valoriza o diálogo com o Legislativo,
ao contrário de seu chefe Pedro Malan, considerou importante passar
a informação, antes de mais nada, ao governador eleito.
Ao fechar as portas para entregar as chaves do prédio alugado
para funcionar como comitê de campanha de Fernando Henrique Cardoso,
o coordenador político da campanha, o paranaense Euclides Scalco,
deixou no ar uma questão: seu amigo de longa data Luiz Henrique da
Silveira pode estar muito mais próximo do PSDB, atual ninho de Scalco,
do que possam supor os históricos peemedebistas de Santa Catarina. |
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