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Maceió
anoticia@an.com.br
O calvário de Gaúcho
A coisa que mais me dói é o calvário de Roberto
Gaúcho. A cada jogo do JEC lá está ele na arquibancada,
semblante fechado, olhando toda a agitação ao seu redor sem
disfarçar uma profunda tristeza. Gaúcho é o mais novo
Charlie Chaplin do futebol - vítima da violência de um beque
brucutu. O Cruzeiro vencia o Grêmio por 2 a 0, no Mineirão,
com um gol seu - e o becão carrinhou-o por trás. A perna direita
prendeu na grama, o joelho torceu e, desde então, setembro de 96,
sua vida tem sido este dilema. Que tragédia! Um ponta com o balanço
de Denílson e com a vantagem de ter um pé direito melhor,
hoje, aos 30 anos, está condenado a acabar sua carreira longe dos
gramados. Há dois meses, Gaúcho me telefonou: "Preciso
voltar a jogar. Que tu achas de eu ir para o Fluminense ?" - "Se
tu passares nos exames médicos, tudo bem".... Outros dois pontas
do JEC tiveram o mesmo problema de Gaúcho: Lico e Toninho Cajuru.
Lico, campeão da Libertadores na famosa final contra o Cobreloa e
mundial interclubes jogando toda a final de 91 contra o Liverpool, foi obrigado
a parar aos 32 anos e, até hoje, não perdoa o médico
do Flamengo que operou seu joelho. O diagnóstico pós-operatório
foi de ter contraído uma cárie-óssea. Cajuru levou
mais sorte. Tinha o tônus muscular de um adolescente. Fez implante
no joelho em Porto Alegre e voltou a jogar normalmente. Depois do JEC andou
pelo Coritiba, Portuguesa de Desportos e por vários clubes do interior
paulista. - O problema, agora, é Roberto Gaúcho! Ele treina,
joga, mas o joelho está bamba. Não resiste a quatro piques.
O que pouca gente sabe: Gaúcho conversa com Ronaldinho pelo menos
uma vez a cada quinze dias. No Cruzeiro, Gaúcho a toda hora o punha
na cara do gol e dividiam o mesmo quarto nas viagens do clube. Mas Ronaldinho,
que também vive problemas na Itália, até agora não
pôde ajudá-lo... Gaúcho ganhava 28 mil. O contrato terminou
em julho. E, agora ? - A legislação, infelizmente, é
fraudulenta nesse aspecto: o agressor de Gaúcho foi para a Suiça,
continua jogando, renovando seus contratos e o agredido, impossibilitado
de exercer sua profissão, a quem recorrerá para resguardar
seus direitos...?
JEC, hoje
Às 20h30m, no Ernestão, o Joinville decide sua vaga às
quartas-de-final do Brasileiro da série B - jogando pela terceira
vez contra o União São João de Araras. Sua situação
e tão cômoda que o JEC pode dar-se até o luxo de perder
por dois gols de diferença. Mas, pela empolgação do
time, dirigentes e comissão técnica estão esperando
uma bela vitória.
Fla reage
O Flamengo chega à quarta vitória consecutiva, saindo
da zona de rebaixamento para a zona de classificação. Está
com 30 pontos. O velho Evaristo de Macedo exorcizou o time vadio e perdedor
que, de tão desfigurado, chegou a jogar ainda outro dia para 396
torcedores... Mística é mística.
Direito de resposta
Com relação ás afirmações feitas
a meu respeito pelo Sr. Maceió na coluna INFORMAL de 19.10.98, gostaria
de esclarecer o seguinte:
1 Em nenhum momento de minha
entrevista à Rádio Cultura de Joinville citei nominalmente
o Sr. Maceió como intermediário de transações
no futebol.
2 Se ele vestiu a carapuça
é porque sabe que a mesma lhe cabe.
3 Mantenho e reafirmo a opinião externada durante a entrevista:
jornalista é pago para executar o seu mister dentro do jornal ou
do orgão de imprensa que representa; se quiser envolver-se em negócios
do futebol deve pedir demissão e assumir as funções
de empresário. Duplicidade de função não é
honesto nem ético.
4 Esclareço ao Sr.
Maceió que coragem nunca me faltou, em nenhuma circunstância.
Nem mesmo para pedir demissão da Rádio Globo (um dos veículos
de comunicação mais importante do país), para aasumir
minha função como agente de jogadores de futebol credenciado
pela FIFA. Inclusive fui o primeiro a deixar o país para acompanhar
um jogador representado (no caso Roberto Carlos), abrindo espaço
para que outros fizessem o mesmo hoje.
5 Transparência também
nunca me faltou. E ela pode ser publicamente constatada através do
meu comportamento com mais de 50 atletas que tenho sob contrato (tais como
Júnior, Leandro, Jackson, Didi, mais o próprio Roberto Carlos),
além de algumas empresas de renome internacional, como a Umbro, a
Nike, a Pepsi Cola, a Parmalat, a Rider, a Nutrexpa e a Chrysler, entre
outras.
6 A minha própria
presença em Joinville no último domingo foi um ato de transparência,
pois estive acompanhando um dirigente do Grashoppers, da Suíça,
interessado em realizar na cidade sua pré-temporada em janeiro de
99 (abrindo-se também a possibilidade da realização
de um torneio quadrangular na ocasião), espero que atos como esse
do Sr. Maceió, não venham prejudicar o já iniciado
relacionamento do JEC, com o clube acima citado em sua volta por cima.
Oliveira Júnior

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De
Primeira |
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O que é honesto e ético para um moço que carrega
no seu brevê uma passagem pela Rádio Globo? - Colocar no impessoal
a figura do único jornalista do futebol profissional que tem coluna
assinada num jornal da cidade? - A transparência que Oliveira apregoa
na sua brilhante peroração deveria encorajá-lo a dizer
na entrevista à Rádio Cultura meu nome, sobrenome, CPF, etc.
Os conceitos éticos que se impõem à função
profissional exigem posições verticais. Principalmente para
quem carrega uma rutilante corte de multinacionais nas costas.
O fato de ajudar o clube que eu fundei (sem deixar de lado o espírito
crítico) é coisa corriqueira, que nenhum código moral
reprova. E não aceito que empresário de futebol venha me ditar
regras de postura ou conduta moral.
O Criciúma contatou oito laterais-esquerdos nos últimos
20 meses e o passivo do clube, de mais de dois milhões, está
desencorajando qualquer conselheiro a assumir a cadeira do presidente Joacir
Scremin - cujo cargo está vago há dois meses. E, com relação
ao JEC, o projeto "A Volta por cima" atenderá a outras
diretrizes. A partir, da devassa nas contratações...
O Sr. Rubens Mello, diretor-presidente da Rádio Cultura, ligou
a este jornalista ontem lamentando que tenham usado o seu microfone para
tratar de coisas sem nenhum fundamento pedagógico. |
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