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Chile e
Espanha em conflito
Detenção de
Pinochet faz Eduardo Frei cancelar visita
Madri - O juiz espanhol Baltasar Garzón ampliou ontem as acusações
ao ex-ditador do Chile general Augusto Pinochet com crimes de genocídio,
tortura e terrorismo, envolvendo 94 vítimas de diferentes nacionalidades.
Garzón, que criou um conflito diplomático com o pedido de
prisão de Pinochet em Londres, encaminhou ontem o adendo às
autoridades britânicas, que detiveram Pinochet na sexta-feira à
noite.
Garzón já havia acusado Pinochet de estar envolvido na
tortura e no assassinato de 79 pessoas. O ex-ditador chileno, de 82 anos,
é acusado de ser um dos responsáveis pelo Projeto Condor,
de repressão aos dissidentes nos anos 70. O adendo esclarece que
as vítimas não são apenas cidadãos espanhóis,
mas também da Argentina, Chile, Estados Unidos e Grã-Bretanha.
A Procuradoria de Audiência Nacional, que sustenta que as cortes
espanholas, não tem jurisdição para julgar crimes cometidos
fora da Espanha, apresentou formalmente ontem um recurso contra o pedido
de extradição feito por Garzón. Tanto a procuradoria
como outros órgãos indicaram que o juiz não tem competência
para o caso, especialmente por causa da anistia decretada na década
passada pelo Chile e pela Argentina a seus militares e guerrilheiros.
Segundo a procuradoria, qualquer pedido de extradição
de Pinochet da Grã-Bretanha deve ser aprovado primeiro pela Corte
Nacional da Espanha e depois pelo gabinete do primeiro-ministro José
María Aznar antes de ser apresentado às autoridades britânicas,
que têm a última palavra. Londres concedeu à Justiça
espanhola um prazo de 40 dias para enviar o pedido de extradição
de Pinochet. No entanto, ao acusar Pinochet de genocídio, Garzón
invoca as leis espanholas que permitem o indiciamento, não importando
onde o crime tenha sido cometido.
Gárzon transmitiu ontem à Grã-Bretanha novo pedido
para interrogar Pinochet em Londres. No primeiro, o governo britânico
alegou que Pinochet, que se recupera de uma cirurgia de hérnia, não
estava em condições físicas para ser interrogado.
Os espanhóis têm má
memória, afirma presidente
"O general Augusto Pinochet afirmou que combaterá com determinação
qualquer tentativa de extradição", divulgou ontem em
um comunicado o escritório britânico de advogados Kingsley
and Napley. Segundo o advogado Michael Caplan, "Pinochet entrou na
Grã-Bretanha com a aprovação do Ministério de
Relações Exteriores e com o conhecimento do governo de Sua
Majestade Real".
O jurista chileno Santiago Benedava viajará a Londres para defender
Pinochet e fazer valer perante as autoridades britânicas a imunidade
diplomática concedida pelo Chile ao ex-ditador.
Ontem, o general da reserva Luis Cortés Villa, presidente da
Fundação Augusto Pinochet, disse que o ex-ditador permanece
sedado desde o dia da prisão, pois sua agitação com
a notícia poderia comprometer seu estado de saúde.
O presidente chileno, Eduardo Frei, disse ontem que "os espanhóis
têm má memória" e recordou que recentemente na
Espanha "houve um governo que durou 40 anos e não conheceu os
processos sobre direitos humanos que tanto são exigidos aos países
ibero-americanos".
Após referir-se à Espanha franquista, Frei defendeu "o
respeito às leis chilenas, à soberania de nosso país
e de nossas decisões" judiciais. Ele concluiu suas declarações
após uma reunião de presidentes democrata-cristãos
latino-americanos em Bayona, na Galiza, destacando "a posição
clara do governo do Chile ao não aceitar a extraterritorialidade
dos tribunais de Justiça" estrangeiros.
Frei cancelou um visita programada a Madri, no entanto fontes ligadas
ao primeiro-ministro espanhol indicaram que possivelmente haveria um encontro
particular entre Aznar e Frei, antes de seu retorno ao Chile.
Seis pessoas ficaram feridas e seis foram presas ontem, em novos protestos
em frente das embaixadas da Grã-Bretanha e da Espanha em Santiago
do Chile pela prisão de Pinochet.

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Notas |
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Explosão mata pelo menos 500 pessoas
Nigéria - Pelo menos 500 pessoas morreram quando as tubulações
de onde roubavam petróleo, no sul da Nigéria, pegaram fogo,
informaram testemunhas e fontes médicas. As vítimas, entre
elas mulheres e crianças, estavam retirando petróleo para
vender no mercado negro quando ocorreu a explosão, no sábado.
Atentado faz Israel suspender negociação
Israel - Um palestino atirou ontem de manhã duas granadas de mão
na estação central de ônibus de Beersheda, ao sul de
Jerusalém, ferindo pelo menos 64 pessoas, 3 delas gravemente, e causando
danos em lojas e restaurantes próximos. O extremista foi preso. Como
reação, o premiê Benjamin Netanyahu suspendeu as negociações
de paz.
Iugoslávia viola acordo, diz a ONU
Iugoslávia - Violando acordo, o Exército iugoslavo executou
ontem várias operações militares na região de
Lapusnik, informaram funcionários da ONU. Como conseqüência,
a ONU cancelou o envio de caminhões ao interior de Kosovo, com ajuda
humanitária. As autoridades iugoslavas negaram as denúncias.
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