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Política de incentivos
fiscais sofrerá mudança

Proposta a ser enviada para o Congresso prevê repasse oficial

Brasília - A proposta de reforma tributária que deverá ser enviada pela equipe econômica do governo federal ao Congresso vai estabelecer uma mudança na política de incentivos fiscais. Pelo texto preliminar, a concessão dos benefícios fiscais por meio de qualquer tipo de renúncia, isenções, créditos presumidos, deixa de existir para dar lugar aos incentivos financeiros: repasses de recursos oficiais, que estarão previstos no orçamento.

A proposta prevê ainda a criação de um fundo para compensar as eventuais perdas de receitas dos Estados e municípios após a adoção do novo sistema tributário, cuja vigência será previamente determinada, com extinção gradual. O governo prevê que a transição de um sistema tributário para outro levará pelo menos cinco anos. No fim desse período e feito o ressarcimento de todas as perdas, as sobras de recursos serão divididas entre a União, Estados e municípios.

Esse fundo será composto por meio de três vertentes: 1) Os valores representativos da diferença, a maior, entre a receita do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e do Imposto Seletivo auferida pela União e os recursos arrecadados atualmente por meio do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) e pelo Programa de Integração Social (PIS)/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins); 2) A diferença, a maior, entre o montante que resulte da soma da arrecadação do IVA atribuído a um determinado Estado, às transferências federais que sejam recebidas por este Estado após a reforma e a receita formada pela adição do ICMS; 3) A diferença, a maior, entre a receita do IVA repassado aos municípios, somadas as transferências estaduais e federais recebidas pelos municípios após a adoção da reforma e a receita do município acrescida das transferências constitucionais.

A comissão especial em que tramita a proposta vai reiniciar seus trabalhos no dia 27. "A proposta do governo está em um caminho mais palatável", afirmou o deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), presidente da comissão.


Escolas devem aumentar os
serviços e reduzir custos

São Paulo - Escolas particulares devem aumentar os serviços que oferecem e, ao mesmo tempo, reduzir custos, juntando classes pequenas e enxugando o quadro de funcionários para combater a crise financeira que enfrentam. Esse foi o conselho dado ontem pelo consultor Milton Dallari a diretores e donos de escolas, durante palestra no 2º Congresso de Educação, promovido pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp).

"As escolas que quiserem sobreviver terão de cortar pessoal e custos", disse Dallari. Ele lembrou que a crise das escolas deve-se tanto à inadimplência - que tende a se agravar com o crescimento do desemprego - como ao aumento da oferta de vagas, que reduziu o número de alunos por sala, incrementando custos. Segundo ele, no ensino médio e fundamental, desde 1991, o número de escolas cresceu 25%, enquanto o universo de alunos cresceu só 5,6%.

Benjamim Ribeiro da Silva, proprietário dos colégios Albert Eistein e Morumbi Sul (que somam 5 mil alunos), concorda com a avaliação mas frisa que, para disputar alunos, é essencial investir também em ampliar os serviços oferecidos. O Eisntein já fornece transporte gratuito aos alunos e, a partir do ano que vem, em troca de um aumento de 4% nas mensalidades, oferecerá aulas de espanhol e esportes para os alunos que quiserem permanecer na escola nos dois turnos.

Antonio Antiório, dono do Colégio Padre Anchieta, o maior de Osasco, acha que boa parte das escolas não tem mais como enxugar pessoal e reduzir custos passa mais pela criatividade. Seu colégio está fazendo convênios com escolas de idiomas e clubes esportivos para "terceirizar" essas disciplinas e já conseguiu patrocínio para a feira de ciências. Para novos investimentos, Dallari lembrou que duas novas linhas de crédito devem ser abertas em breve para as escolas, além da que já é mantida pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.


Atendimento médico mais
barato entra em operação

São Paulo - A partir de hoje, o Sistema Nacional de Atendimento Médico (Sinam), criado pela Associação Médica Brasileira (AMB), começa a funcionar em todo o País. O Sinam é uma opção a mais de assistência à saúde que tem como base a relação direta entre médico e paciente, sem a intermediação de administradoras. Além disso, o participante do sistema não terá de arcar com nenhuma taxa, mensalidade ou anuidade independentemente de usar os serviços ou não, como nos planos tradicionais.

O valor de cada atendimento médico será baseado na Lista de Procedimentos da AMB, que trabalha com preços abaixo dos que são cobrados pelo mercado. Uma consulta, por exemplo, que custa em média R$ 80,00 em um consultório particular, pela lista sai por R$ 39,00; um exame de colesterol sairá por R$ 4,20 e um hemograma por R$ 9,00. A rede hospitalar já credenciada garantirá custos inferiores aos cobrados pela rede particular.

Outro ponto importante do Sinam é que não há limite de idade para quem quiser se associar. Além dos serviços médicos, os cadastrados terão à disposição, em todo País, outros profissionais como dentistas, fisioterapeutas e psicólogos. Em todo o País, o sistema já conta com cerca de 16 mil usuários e de 18 mil profissionais.

Para se cadastrar, o interessado pode ligar para o telefone 0800-163511 e informar seus dados pessoais, como nome completo, número do CPF, endereço e os dados dos dependentes, como nome, idade e grau de parentesco. Ou então preencher a ficha que também está disponível no site da Internet no endereço http://www.amb.org.br. As pessoas que já fazem parte do Sinam estarão recebendo em casa, dentro de no máximo 20 dias, a carteirinha de identificação e o manual do Sinam.


  • SCD2

Adiado lançamento
de segundo satélite

São Paulo - O lançamento do segundo satélite brasileiro de coleta de dados, SCD2, previsto para amanhã, foi adiado para quinta-feira. O SCD2 será lançado a partir das 21 horas (horário de Brasília), do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. A mudança de data foi feita pela Nasa, devido ao "congestionamento" da base: antes do satélite brasileiro será lançado um satélite de defesa Delta, que está atrasado por problemas meteorológicos, e, no dia 29, o ônibus espacial Discovery.

  • América Latina

Brasil concentra
mais refugiados

Rio - O Brasil é o País que concentra o maior número de refugiados da América do Sul - 2,3 mil pessoas -, segundo informe anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que será divulgado amanhã. No mundo, existem mais de 27 milhões de pessoas nesta condição. Ontem o Acnur reuniu-se com representantes do governo para discutir o recrutamento de funcionários do Comitê Nacional para os Refugiados (Conari).

  • Rede

A TV Educativa, do Rio, e a TV Cultura, de São Paulo, vão se unir para formar a Rede Pública de Televisão. De início, apenas parte da programação das duas emissoras será simultânea.

  • Bomba

Uma bomba de fabricação caseira explodiu ontem em uma construção no centro de Curitiba. Um motoboy ficou levemente ferido. De acordo com a polícia, as bombas provavelmente foram abandonadas por torcedores.

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Projeto

Judiciário sem reforma global

Ministro Calheiros propõe discutir ponto por ponto

Brasília - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, admitiu ontem que o governo poderá abandonar o projeto da reforma global do Judiciário, que tramita no Congresso, e propor uma reforma ponto a ponto. "A reforma do Judiciário é urgente e inadiável", declarou o ministro Calheiros, após ouvir discurso do desembargador José Fernandes Filho, na solenidade de instalação dos juizados especiais, criticando a falta de empenho do governo federal na aprovação da reforma da Justiça.

"O Poder Executivo, empenhado em outras reformas, entre as quais a da reeleição, da previdência social e da administração, não tem revelado interesse pela reforma do Poder Judiciário", acusou o desembargador, estendendo o ataque ao Legislativo. José Fernandes acrescentou que a discriminação aos "despossuídos" no Judiciário poderá levar a uma "revolução, onde os Palácios da Justiça serão os primeiros a serem apedrejados". Por isso, defendia uma reforma "radical" e "rápida" do setor, já que a crise "existe, é evidente, inquieta e preocupa".

Ontem, em Brasília, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) reuniram-se para iniciar a elaboração de um anteprojeto de reforma constitucional da Justiça, que deverá estar pronto em dois meses.

Entre as propostas apresentadas estão a alteração na forma de nomeação dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles deixariam de ser indicados por escolha exclusiva do presidente Fernando Henrique, aprovados em sabatina, em sessão no Senado, e passariam a ser escolhidos pelo presidente a partir de uma lista sêxtupla encaminhada pelo Supremo. Outra sugestão é que os ministros do STF não fiquem mais de dez anos no cargo.

Salário proposto em R$ 18 mil

O ex-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Paulo Gallotti, disse ontem que a entidade espera que os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam fixados em cerca de R$ 18 mil. Esse teto do funcionalismo público seria "aceitável em todos os sentidos", segundo Gallotti. O valor de R$ 18 mil resolveria o problema existente em vários Estados, como São Paulo, onde atualmente desembargadores recebem mais do que os ministros do STF.

O ministro Ilmar Galvão, dono do maior vencimento do STF, ganha R$ 10,8 mil sem o adicional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Tribunal de Justiça paulista, há desembargadores recebendo cerca de R$ 13 mil mensais. Pela reforma administrativa, nenhum funcionário público pode ganhar mais do que os ministros do STF. Esse teto terá de ser fixado em uma lei aprovada pelo Congresso Nacional e de iniciativa dos presidentes da República, da Câmara, do Senado e do STF.

A expectativa é a de que as discussões sobre o projeto sejam retomadas depois de quarta-feira, quando o Supremo deve terminar o julgamento de uma liminar que suspendeu reajuste dado aos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e aos juízes federais. A fixação de um teto inferior a valores recebidos atualmente por desembargadores poderá aumentar a crise no Poder Judiciário.



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