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Maldaner evita apontar
culpados de fracasso
Presidente do PMDB/SC adia
análise das eleições e vê apenas como derrota
a não reeleição de Paulo Afonso
Jefferson Saavedra
Joinville - Nem a acusação de "coveiro" do PMDB
muda o comportamento do senador Casildo Maldaner, presidente do PMDB em
Santa Catarina. O peemedebista, apontado como distante da campanha, segue
acreditando que ainda é cedo para determinar os motivos do fracasso
de 4 de outubro e, evidentemente, evita em adiantar culpados. "Perdemos
o campeonato. Agora, temos de descobrir o que falhou no time, se foi o meio-campo,
o ataque, por exemplo", desconversa Casildo, que tem mais quatro anos
em Brasília como senador.
Em entrevista à A Notícia, o senador garantiu que as razões
do fracasso só serão discutidas com profundidade após
o segundo turno. "Ainda não tenho uma análise sociológica",
diz.
A Notícia - Por que o fracasso?
Casildo Maldaner - Perdemos o campeonato somente nas eleições
para governador. Nas proporcionais, mantivemos a bancada na Assembléia
e perdemos apenas um deputado federal.
AN - Talvez então o grande derrotado tenha sido o governador
Paulo Afonso e não o PMDB?
Casildo - Não diria isso. Ainda não tenho uma análise
sociológica para concordar com isso. Temos de esperar a poeira baixar
e refrescar a cabeça para podermos fazer uma avaliação
com clareza.
AN - Quando será feito isso?
Casildo - Após o segundo turno. Inclusive estou viajando ao Rio
Grande do Sul para dar uma força ao governador Antônio Britto.
Em Santa Catarina, o momento é de transição, que é
uma luta dura. Ela terá de ser feita de maneira que não prejudique
a sociedade.
AN - Não é possível adiantar algumas falhas dos
peemedebistas nestas eleições?
Casildo - Não gostaria de fazer isso. Perdemos o campeonato. Agora,
temos de descobrir o que falhou no time, se foi o meio-campo, o ataque,
por exemplo. A tática do adversário pode ter sido melhor.
Aliás, a tática deles está mudando.
AN - Como assim?
Casildo - Tenho certeza que a Casan, Celesc e mais alguma coisa serão
privatizadas.
AN - Então o governo Esperidião Amin deverá contar
com apoio do PMDB nas privatizações?
Casildo - Já falei com o Amin em Brasília que sou a favor
que o Estado abra mão do que não for essencial para investir
em desenvolvimento. No Senado, serei a favor de Santa Catarina. Só
que eles chegaram a impedir o venda de uma parte minoritária da Casan.
A oposição da Assembléia foi ferrenha.
AN - Por que a acusação de "coveiro" do PMDB
contra o senhor?
Casildo - Não entendi direito. Ainda estamos na primeira divisão.
Vamos mostrar a verdadeira cara do PMDB.
AN - Qual é?
Casildo - Vamos fazer uma reunificação. Esfregar a cara
com força para revelar a verdadeira face peemedebista.
AN - O que fazer para evitar que o fracasso de 4 de outubro tenha
reflexos nas eleições municipais?
Casildo - Além da reunificação, vamos reativar a
Fundação Pedroso Horta e começar desde agora a discutir
as eleições. Inclusive, com a reforma partidária que
vem por aí, o PMDB sairá fortalecido. É um absurdo
a existência de 30 partidos, não dá para atender a todo
mundo. Por mim, poderia voltar o PMDB e a Arena.
Livro resgata história do
ex-governador Jorge Lacerda
Florianópolis - O advogado e escritor César Luiz Pasold
lança hoje, na Capital, o livro "Jorge Lacerda: Uma Vida Muito
Especial", que resgata a trajetória do ex-governador catarinense,
falecido em acidente aéreo em 16 de junho de 1958. O autor pesquisou
a vida de Lacerda durante mais de dois anos e meio, mas ressalva que não
deve ser atribuído ao livro a condição de romance biográfico.
"Trabalhei arduamente, sem abrir mão de certas liberdades
criativas, para ter um texto descritivo e informativo, que de forma concreta
auxilie numa análise multidisciplinar sobre Jorge Lacerda, sua personalidade,
vida e obra", afirma Pasold. A apresentação da obra é
feita pelo desembargador aposentado Norberto Ungaretti.
Advogado militante e professor de direito, César Pasold é
coordenador do curso de mestrado em ciência jurídica da Univali.
Também é o diretor-geral da Escola Superior da Advocacia da
OAB/SC. Já escreveu os livros "O Estado e a Educação",
"Comunicação nas Relações Humanas e Organizacionais",
"Função Social do Estado Contemporâneo", "O
Advogado e a Advocacia - Uma Percepção Pessoal". É
co-autor de "Direito, Estado, Política e Sociedade em Transformação".
O QUÊ: lançamento e noite de autógrafos do
livro "Jorge Lacerda: Uma Vida Muito Especial"
ONDE: sede da OAB/SC, avenida Beira-mar Norte, em Florianópolis,
às 20 horas
Assembléia suspende sessão
em homenagem a Freitag
Florianópolis - A Assembléia Legislativa homenageou ontem
o empresário, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Joinville Wittich
Freitag (sem partido), que faleceu na madrugada de sexta-feira. Na primeira
sessão ordinária da semana, o deputado Onofre Agustini (PFL)
tomou a iniciativa de requerer verbalmente à mesa diretora da AL
que suspendesse os trabalhos em sinal de luto pela morte do político.
Antes, fez questão de ressaltar que Santa Catarina perdeu um empresário
brilhante, que há 40 anos ingressou na vida pública, sem nunca
ter perdido disputas eleitorais.
Os deputados Adelor Vieira (PFL) e Carlito Merss (PT), de Joinville,
não hesitaram em enaltecer a memória de Freitag. Vieira lembrou
da dedicação do também fundador da Cônsul e da
Embraco ao município de Joinville, cidade da qual foi prefeito e
vereador por duas vezes.
Merss reconheceu a capacidade administrativa e a integridade moral de
Freitag. Destacou que, apesar de estarem politicamente em lados opostos,
não poderia deixar de prestar a homenagem dada à grandeza
com que Freitag conduziu a Prefeitura na ocasião em que foi vereador.
SECRETARIAS
Pedidos são repassados
Mônica Corrêa da Silva
Florianópolis - O secretário extraordinário da Qualidade
e Produtividade, César Barros Pinto (PMDB), interlocutor do governador
Paulo Afonso Vieira (PMDB) no processo de transição, encaminhou
ontem os pedidos de informações feitos pelos representantes
do governador eleito, senador Esperidião Amin (PPB), aos órgãos
correspondentes. Tais solicitações haviam sido entregues em
mãos por Celestino Secco (PPB) e Antônio Carlos Vieira (PPB)
na sexta-feira.
Segundo Barros Pinto, os 32 itens de interesse da equipe de Amin foram
distribuídos entre as secretarias de Fazenda, da Administração,
da Casa Civil, do Desenvolvimento Econômico e Integração
ao Mercosul, do Desenvolvimento Rural e Agricultura, dos Transportes e Obras,
e a Procuradoria-geral do Estado. Além da Celesc, SC-Gás,
Companhia de Habitação (Cohab), Junta Comercial do Estado
de Santa Catarina (Jucesc), e Santa Catarina Turismo (Santur).
O secretário garantiu que nenhuma informação sobre
a operação financeira que envolveu a emissão e comercialização
de R$ 605 milhões em títulos públicos estaduais foi
solicitada.
Grupo
O grupo de transição de Amin também conta com o
advogado Nelson Serpa (PFL) e o presidente estadual do PTB, Roberto Zimmermann,
delegado do Ministério da Agricultura no Estado. Até ontem,
no entanto, nem o PSDB nem o PL haviam indicado seus representantes.
Fonte do próprio PSDB informou que o secretário-geral do
partido e vice-prefeito de Florianópolis, Péricles Prade,
acabou indiretamente impedido de integrar a equipe. Isto, em função
de uma suposta recomendação do Palácio Santa Catarina
de que fossem evitados nomes que tivessem atritos com o governo Paulo Afonso.
Prade deixou a Secretaria da Justiça e Cidadania "brigado"
com o chefe.
Ontem, tanto Barros Pinto quanto "Vieirão" negaram a
ocorrência de tal recomendação. Mas o progressista considerou
que "não seria producente ele (referindo-se a Prade) participar
do grupo dentro destas condições. Até mesmo para não
constrangê-lo".
Estado de
Kleinübing é delicado
Deficiências respiratórias
obrigam internação de senador
Florianópolis - O câncer no pulmão levou o senador
Vilson Kleinübing (PFL) a uma nova internação. Desde
sexta-feira, quando enfrentou a terceira e última sessão de
quimioterapia prevista no tratamento, o ex-governador teve seu quadro agravado
por deficiências respiratórias e foi internado no sábado
no Hospital de Caridade. De acordo com a assessoria, o estado de Kleinübing
é delicado e não há previsão de alta. Na tarde
de hoje, os médicos divulgam um boletim sobre a evolução
do tratamento.
Com o câncer diagnosticado há mais de dois anos, Kleinübing
passou por diferentes operações e tratamentos com quimioterapia.
Após um período de convalescença, a doença voltou
a se manifestar no final do primeiro semestre. O senador foi obrigado a
enfrentar uma sessão de quimioterapia ainda antes da eleições,
em Porto Alegre (RS). No início de outubro, foi realizada uma nova
etapa do tratamento.
Uma semana após as eleições, o companheiro de Senado
de Kleinübing desde 1994, o ministro da Saúde, José Serra
(PSDB), visitou o pefelista em seu apartamento em Florianópolis.
O rápido encontro teve também a presença do senador
Esperidião Amin (PPB), que contou com apoio de Kleinübing para
sua eleição ao governo.
Impedido de receber visitas agora, Kleinübing está sendo
acompanhado pela esposa Vera e os filhos. Por determinação
médica, a quimioterapia foi suspensa por duas semanas para dar tempo
de produzir efeito, a ponto de avaliá-la.
Secretários de
Paulo Meller deixam cargos
Criciúma - Cinco secretários do PMDB colocaram ontem seus
cargos à disposição ao prefeito de Criciúma,
Paulo Meller (PMDB). O secretário de Governo, Edmilson Benedet, informa
que a intenção é deixar o prefeito tranqüilo e
sem pressões políticas em um momento em que analisa uma reforma
administrativa no secretariado do município.
Primeiro a deixar o cargo, Benedet observa que pretende retornar à
Câmara de Vereadores para cumprir seu mandato. Outros quatro secretários
importantes de Meller também acompanharam Benedet: Acélio
Casagrande, da Saúde; Guilherme Tonon, da Educação;
Thadeu Mossmann, da Administração e Finanças; e Vilson
Reis, de Projetos Especiais.
A procuradoria do município, a cargo de Eduardo Simon, também
deverá aderir à decisão do colegiado, conforme o secretário
de Governo. Além das secretarias titulares, a Prefeitura conta com
mais 15 secretarias adjuntas, que serão revistas na reforma.
Meller confirma a reforma administrativa, mas diz que, por enquanto,
tudo está sendo analisado com muita calma. "Trata-se de uma
assunto delicado, que ainda é prematuro falar." Surpreso com
a atitude dos secretários, o prefeito afirma que pretende conversar
melhor com cada um.

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Recursos |
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Promessas de aliados de FHC contrariam o ajuste
Na contramão do Planalto,
candidatos traçam projetos com recursos federais
Brasília - Candidatos do PSDB e do PMDB a governador insistem
em promessas consideradas impossíveis de serem cumpridas, mesmo com
o corte previsto no Orçamento público, numa contradição
com o que o governo federal deverá exigir dos Estados. Dessa forma,
numa eventual vitória no segundo turno, os aliados do presidente
Fernando Henrique Cardoso que concorrem aos governos estaduais estarão
condenados a abandonar as promessas antes mesmo da posse.
Em todos os Estados onde candidatos de partidos governistas disputam
a eleição com a oposição, o mote da campanha
tem sido basicamente a relação próxima que esses aliados
têm com Fernando Henrique e, por conseqüência, a suposta
facilidade para conseguir recursos federais para o Estado.
Os candidatos do PMDB no Distrito Federal, Joaquim Roriz, e no Rio Grande
do Sul, Antônio Britto, usam a imagem de acordo com a qual terão
melhores condições de governar que os adversários do
PT por causa da proximidade com o Palácio do Planalto. Curiosamente,
não é isto que o eleitor tem visto diariamente nos depoimentos
de Fernando Henrique a favor dos aliados, gravados para a campanha de televisão
no segundo turno. Em praticamente todas as gravações, Fernando
Henrique pede voto para os aliados, citando que eles "fazem parte do
esfoço do ajuste fiscal de que o País tanto nacessita".
Benefício
Roriz tem explorado exaustivamente na televisão, nos debates e
nos comícios a tese de que o possível governo dele será
beneficiado pelos cofres federais por ser um aliado de Fernando Henrique.
Durante a campanha, Roriz prometeu conceder o reajuste de 28,86% a todo
o funcionalismo, repassar as perdas salariais decorridas da inflação
nos últimos quatro anos e dar um abono de R$ 3 mil a todos os servidores,
em janeiro, para compensar a suspensão dos vales-refeição,
feita pelo governo de Cristóvam Buarque (PT).
A folha de pessoal compromete hoje 76% dos R$ 120 milhões arrecadados
pelo DF, dependente mais do dinheiro da União do que tem no próprio
caixa para custear as áreas de saúde, educação
e segurança (R$ 140 milhões).
Cortes no Orçamento da União ameaçam
programas
Brasília - No Rio Grande do Sul, o candidato à reeleição,
Antônio Britto, também fixou a campanha na possibilidade de
recursos fartos e investimentos do governo federal para o Estado, se ele
ganhar a eleição. A situação da folha de pessoal
gaúcha compromete 85% do valor da receita estadual.
O governo federal deu sinais de que não há outro caminho
a seguir senão a demissão de funcionários para iniciar
o ajuste fiscal nos Estados. Britto promete financiamentos baratos para
a agricultura e a indústria, com recursos federais, mas não
há garantia de que eles escapem do corte do Orçamento.
Os candidatos tucanos aos governos do Mato Grosso do Sul, Ricardo Bacha,
e de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, também apostaram tudo na hipótese
de apoio federal para governar os Estados, se eleitos. Bacha tem como programa
de governo o Projeto Pantanal - uma espécie de Comunidade Solidária
regionalizado - que, desde 1990, recebeu R$ 200 milhões da União
mas, agora, está ameaçado pelos cortes do governo federal
nos repasses aos Estados.
PT denuncia abuso do poder econômico no
Rio Grande
Partido de Dutra pede garantia
de sigilo de voto ao Tribunal Regional
Porto Alegre - A direção estadual do PT do Rio Grande do
Sul apresentou ontem, no fim da tarde, um dossiê ao Tribunal Regional
Eleitoral (TRE), pedindo garantias para o sigilo do voto, entre outras solicitações.
Junto ao pedido, foram anexadas folhas de papel que estariam sendo distribuídas
pelo governo do Estado, entre os funcionários públicos, com
espaços para os nomes deles, zonas e seções eleitorais.
No dossiê, eles apresentam cerca de 700 processos de busca e apreensão
de material apócrifo e calunioso nos comitês que apóiam
o governador licenciado Antônio Britto (PMDB), contra menos de 10
deferidos para a outra parte. Segundo o advogado Luiz Carlos Moraes, "isso
é abuso de poder econômico e, por mais ágil que seja
a Justiça Eleitoral, quando os panfletos são presos, o mal
já está feito".
De acordo com a denúncia, no banco estatal, o Banrisul, foi organizada
uma "pirâmide dos 15", coordenada pela secretária
da diretoria Beatriz Padilha, que tirou férias para trabalhar na
campanha. Trata-se de uma alusão ao número de Britto (15)
e pede os nomes e dados eleitorais de 15 funcionários e clientes.
Neste caso específico, além do pedido de providência,
os advogados do PT estão entrando hoje com uma ação,
denunciando esta prática como crime eleitoral.
Pesquisas
Com os resultados favoráveis nas quatro últimas pesquisas
divulgadas na semana passada, a militância do PT tomou conta das ruas
das principais cidades do Estado, com as bandeiras vermelhas, neste fim
de semana. Todos os institutos de pesquisa dão uma vantagem de seis
pontos para o candidato da Frente Popular, Olívio Dutra (PT), sobre
Britto (PMDB).
O Ibope foi o primeiro a publicar esta vantagem ainda na largada para
o segundo turno, anunciando 48% da preferência para Dutra e 42% para
Britto. Um dia depois, o jornal "Correio do Povo" publicava pesquisa
com índices muito próximos: 47,5% para o candidato do PT e
42,7% para o do PMDB. No sábado, foi a vez do Vox Populi divulgar
49% das preferências para o petista contra 43% do governador licenciado
e o Datafolha indicar 50% a 44%.
Garotinho compara Maia a "traficante de
drogas"
Rio de Janeiro - O candidato a governador do Rio pelo PDT, Anthony Garotinho,
comparou ontem seu adversário, o pefelista César Maia, a um
"traficante de drogas" pelo fato de ter divulgado o conteúdo
de uma escuta telefônica clandestina para prejudicá-lo na campanha.
"Qual é a diferença entre um traficante de drogas
e traficante de informação?", questionou Garotinho. "É
tudo a mesma coisa", completou, durante um encontro à tarde
com parlamentares e militantes.
Horas antes, o pedetista, em visita à Pontifícia Universidade
Católica (PUC), foi vaiado por um grupo de estudantes. Maia também
atacou. Segundo ele, Garotinho cometeu uma "manobra típica de
"gângster" pelo fato de ter transferido parte de seu patrimônio
para seus filhos.
"Olha o que aconteceu com o Collor", declarou Maia. "Quantas
vezes o Lula foi à TV denunciá-lo com documentos e ninguém
deu bola? Quem pagou essa amarga conta foram os trabalhadores", completou,
comparando Garotinho ao ex-presidente Fernando Collor que derrotou o petista
Luís Inácio Lula da Silva em 1989, e sofreu impeachment em
1992. |
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