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Acidente em rodovia
de SP mata 53 e fere 35

Uma das carretas carregava bebida
do município de Pinheiro Preto

Araras, SP - Cinqüenta e três pessoas morreram e 35 ficaram feridas na madrugada de ontem, num dos acidentes mais graves dos últimos anos na Rodovia Anhangüera, no interior de São Paulo. O acidente envolveu dois ônibus com 98 romeiros de Anápolis (GO) - que voltavam de uma excursão a Aparecida (SP) -, uma carreta carregada com 32 mil litros de combustível e um caminhão carregado com aguardente. Todos pegaram fogo.

O acidente aconteceu por volta das 3 horas, na altura do quilômetro 178, perto do município de Araras (SP). A carreta Scânia, placas BUS 9071, de Bebedouro, carregada com seis mil litros de gasolina e 26 mil litros de óleo diesel, explodiu depois de sair da pista e capotar no canteiro central da rodovia.

O combustível que vazou escorreu pelo canteiro por cerca de 500 metros, causando um grande incêndio na pista sentido interior-capital. Os ônibus com os romeiros e o caminhão de bebidas não conseguiram desviar e também pegaram fogo. Além de 49 romeiros, morreram no local os quatro motoristas dos veículos envolvidos.

Cenário

"O cenário era de desespero total", disse o tenente do Corpo de Bombeiros de Araras Júlio Cesar Silva Brito, um dos primeiros a chegar no local. "A maior parte das vítimas estava presa nas ferragens e morreu queimada", contou. Segundo ele, as equipes de socorro, de Araras, Pirassununga, Leme e Limeira, chegaram ao local cerca de quinze minutos depois de acionadas.

"Quando chegamos, só conseguimos retirar as pessoas que estavam caídas fora dos ônibus", disse o bombeiro. De acordo com Brito, o incêndio nos veículos impediu a aproximação e o fogo só foi dominado por volta das 5h30. As vítimas, segundo ele, estavam irreconhecíveis.

Dos ônibus sobraram apenas os chassis retorcidos. Cerca de dez horas depois do acidente os bombeiros ainda encontravam ossos calcinados no local. Eles procuravam objetos que pudessem ajudar na identificação dos mortos. Até as 10 horas a única vítima fatal identificada era o motorista da carreta de combustível, José Carlos Saraiva, de 35 anos. O caminhão, ano 84, pertencia ao auto-posto Pioneiro, de Bebedouro. O dono do posto, Osmar Aparecido Garnica, chorou ao chegar no local, por volta das 11 horas. "Quando vi a notícia pela televisão, gelei por dentro", disse.

Hipótese

De acordo com Garnica, o motorista havia saído de Bebedouro por volta das 17h30 de segunda-feira, com destino à Refinaria de Paulínia. O dono do posto considera difícil a hipótese de o motorista ter dormido ao volante. "Ele passou três dias descansando antes de fazer esta viagem", disse. Garnica levantou a hipótese de a carreta ter saído da pista depois de ser atingida por trás por um dos ônibus. O dono do caminhão procurou o tacógrafo, mas o aparelho, que registra a velocidade do veículo, foi destruído no incêndio.

O caminhão de bebidas, placas GOF 4568, era do município de Pinheiro Preto (SC).

Os dois ônibus pertenciam à empresa Centro-Oeste Turismo, de Anápolis (GO), onde morava a maior parte das vítimas. A excursão havia saído de Goiás na sexta-feira à noite, com destino à basílica Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). O acidente aconteceu quando os romeiros já haviam percorrido metade do caminho de volta, de cerca de seiscentos quilômetros.


Tragédia pode ser
considerada a maior com mortes

O acidente ocorrido ontem na Anhangüera é, provavelmente, o maior em número de mortos no País. E também o que causou mais óbitos de uma só vez no Estado. De acordo com o coronel José Roberto Nascimento, chefe do Estado-Maior do Comando da Policiamento Rodoviário, entretanto, uma pane nos computadores impediu o levantamento de dados comparativos precisos.

A Polícia Rodoviária Federal, responsável pelo patrulhamento de 1.112 quilômetros de estradas no Estado de São Paulo, incluindo a Presidente Dutra e Régis Bittencourt, não trabalha com estatísticas referentes a casos particulares, apenas com o total de acidentes em cada rodovia sob sua jurisdição.

"Ainda assim, acreditamos que nenhum acidente de trânsito tenha causado tantas mortes de uma só vez", comentou o superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Armando Infante Júnior.

Casos

Em 1993, a colisão frontal entre um Fiat Uno e um ônibus da viação Leblon, que transportava 125 passageiros, provocou a morte de 41 pessoas, 36 delas no local. O acidente ocorreu na Rodovia Régis Bittencourt, perto de Curitiba.

Na Rodovia Anhangüera nenhum acidente havia causado mais de 16 óbitos até hoje. "Tivemos, em 1991, 16 mortos em um acidente com um ônibus que caiu no vão de uma ponte no km 148, em Limeira", informou o tenente da Polícia Rodoviária Estadual Paulo Palota. Segundo ele, em 1984 outro acidente deixou 11 pessoas carbonizadas no km 128, na mesma estrada.

Nos últimos três meses, na SP-332, ocorreram outros dois acidentes em que 12 pessoas morreram carbonizadas.

Prefeito de Anápolis
cancela velório coletivo

Anápolis, GO - O prefeito de Anápolis, Adhemar Santillo (PMDB), cancelou ontem o velório coletivo dos romeiros porque uma parte das vítimas não poderá ser identificada pelo Instituto Médico Legal (IML) de Campinas, num período inferior a dez dias. "Não há como identificar antes porque os corpos estão carbonizados", disse Santillo. O velório estava marcado para o Ginásio Internacional de Anápolis, a 50 quilômetros de Goiânia.

Apesar do cancelamento, o Cemitério Parque, o principal da cidade, deixou 36 covas prontas para os funerais.

Os primeiros sobreviventes do acidente começaram a chegar à cidade no fim da tarde. Tania Silva Mendonça, de 34 anos, contou que entre o choque do ônibus em que viajava e o incêndio que se seguiu, passaram-se menos de três minutos e muitos passageiros não conseguiram escapar do fogo porque ficaram presos nas ferragens. Um grupo com mais de 30 sobreviventes deveria chegar às primeiras horas de hoje em Anápolis.


Feridos - Os feridos no acidente foram levados para as Santas Casas de Leme e Araras. A maioria dos 35 feridos teve queimaduras ou ferimentos leves e foi liberada ontem. Pelo menos 11 pessoas continuam hospitalizadas.

Motorista - Luís Carlos Sales, um dos motoristas dos ônibus, dormia no bagageiro quando o acidente ocorreu. "É mais confortável, tem mais espaço", explicou. Segundo Sales, um dos passageiros abriu a porta do bagageiro e o libertou.

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Notas

Universal

Prefeitura de Osasco não apresenta laudos

São Paulo - Ao contrário do que o prefeito Silas Bortolosso prometeu no domingo, a Prefeitura de Osasco não apresentou ontem documentos que comprovem a regularidade da situação do imóvel onde funcionava o templo da Igreja Universal do Reino de Deus, no conjunto Glamour, no centro da cidade. Foi divulgado somente um comunicado onde o prefeito lamenta o ocorrido e coloca a prefeitura à disposição da Justiça, para "fornecer subsídios".

Peça

Vera Fischer tem presença garantida

Rio - A produtora da peça "Gata em Teto de Zinco Quente", estrelada por Vera Fischer, Arcy Quinhos, afirmou ontem que a atriz deve participar hoje da apresentação especial do espetáculo no Clube Paulistano, em São Paulo. A atriz, que se trata de estresse, deveria deixar, ontem à noite, o Hospital Adventista de Nova Friburgo, na região serrana, e seguir para São Paulo, acompanhada do namorado, o ator Floriano Peixoto, que faz parte do elenco da peça.

Registro

Governo dá anistia para estrangeiros

Brasília - Para aproveitar a anistia concedida pelo governo brasileiro e obter o registro provisório de dois anos, os estrangeiros que ingressaram clandestinamente no País ou que estão com o visto vencido terão um prazo de 90 dias, a partir de hoje, quando o decreto será publicado no "Diário Oficial da União". Serão beneficiados apenas os estrangeiros que tiverem entrado em território nacional até 29 de junho. O Ministério da Justiça estima que 100 mil deles vivam no Brasil em situação irregular.

Brenner

Família acredita em transferência hoje

São Paulo - "O estado de saúde do meu irmão vem melhorando a cada dia que passa e, na noite de segunda-feira ele até sorriu", disse ontem Cristina dos Santos Oliveira, irmã do ator gerson Brenner, internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde o dia 17 de agosto. Ela acredita que hoje ou amanhã, Brenner será transferido para uma unidade semi-intensiva. Os médicos vem intensificando os exercícios para os movimentos faciais do paciente.



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