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José Augusto Gayoso
j-gayoso@nutecnet.com.br

SINUCA

A situação do país nos últimos dias leva à inquietante pergunta, ouvida em cada esquina, em cada prédio da capital (e não deve ser diferente do que se passa nos grandes centros de decisão do país): afinal, o Brasil é ou não a bola da vez nessa loucura em que se transformou o mercado financeiro internacional? E se for, o que vai acontecer com o povo? Como, por exemplo, vai reagir o pessoal que está lá no Oeste catarinense preparando a próxima safra, enquanto aquela turma de rapazes nervosos, com telefones nas mãos, parece estar em luta permanente contra um inimigo muito poderoso que acaba derrubando todos eles (pelo menos é o que se vê pela tevê)? As análises dos grandes economistas e jornalistas que acompanham a questão, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, indicam que se a ciranda financeira da globalização dá para ser comparada a um jogo de sinuca, sim, a bola da vez é o Brasil.

REFLEXO

E toda essa situação sendo mostrada e vivida a menos de um mês de uma eleição, não tem reflexos, já que os que têm que tomar alguma providência agora e que não estão conseguindo manter a coisa sob controle são os mesmos que estão pedindo ao povo para ficar mais quatro anos no comando do país? Conforme mostram todas as pesquisas de opinião, a confiança em Fernando Henrique Cardoso e sua equipe econômica é muito grande, apesar de toda a turbulência que cerca o país. A convicção de que a reeleição do presidente é, cada vez mais, um fato consumado, apesar da crise, é tão grande que os candidatos de oposição não têm conseguido transformar em votos a insatifação de largas margens do eleitorado com as medidas que vêm sendo tomadas para enfrentar essa situação.

RECESSÃO

De qualquer forma, à parte a indefinição eleitoral (apesar das pesquisas indicarem que FHC ganha, mesmo com a crise internacional, as eleições são dia 4 de outubro, e até lá muita coisa pode acontecer), o que os analistas prevêem é que, no mínimo, vai sobrar a boa velha recessão para ser administrada. O ex-ministro e deputado Delfim Netto, uma das figuras do mundo político-econômico mais ouvidas em Brasília quando se quer analisar questões estruturais, não tem dúvidas: o governo perdeu a chance de fazer uma boa desvalorização cambial e agora, só resta administrar o cofre enquanto sofremos com os ataques especulativos. Como disse um alto funcionário do Ministério da Fazenda na sexta-feira, quando existem opiniões convergentes entre Delfim Netto e Maria da Conceição Tavares (a musa econômica do PT) sobre o diagnóstico de uma crise, a coisa está mesmo feia.

INVESTIMENTOS

Voltando à análise de Delfim Netto, ele destaca que uma das "pernas" em que está assentado o projeto econômico que sustenta o Plano Real é a presença maciça de investimentos estrangeiros. Esta perna, acredita Delfim, está, no mínimo, quebrada. Estão pipocando, aqui e ali, declarações dando conta de que os grandes investidores do chamado capital produtivo não vão rever suas posições, acreditando que o Brasil continua sendo boa opção, para médio ou longo prazo. É o caso, por exemplo, do embaixador da Espanha, Cesar Alba, que anuncia uma nova onda de investimentos de empresas espanholas no País, desta vez no setor de saneamento básico. Também o diretor da GM, Pinheiro Neto, que preside a Anfavea, garante que a empresa não vai rever seus planos para o Brasil. Já o capital especulativo, este sumiu e pelo ralo que saiu, dificilmente volta. Portanto, a ordem é seguir o conselho de Delfim Netto e apertar os cintos.

AGONIA

O PMDB catrarinense e o governador Paulo Afonso ainda estão longe de ver o fim de seus dias de inferno astral político. A agonia desta turma parece não ter fim. Mesmo que as pesquisas estejam certas e eles tenham praticamente desembarcando do governo, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), que não se movimenta de acordo com o calendário político, não vai esquecer que existe uma dúvida muito grande sobre a legalidade das operações de emissão e venda dos títulos públicos de Santa Catarina feitas durante o governo atual, e que repercutiarm a ponto de provocar a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Para lembrar que ainda existe essa dívida a ser saldada, o relator, ministro Cunha Bueno, marcou depoimento do ex-secretário Neuto de Conto para o próximo dia 21. Mesmo que esteja disputando uma reeleição, de Conto vai ter que comparecer ao STJ e contar o que sabe sobre o tema. Podem haver repercussões políticas sérias.


  • Tanto o coordenador político do comitê, Euclides Scalco, tucano de primeira hora, quanto o coordenador do programa de governo, Carlos Américo Pacheco, egresso da Unicamp, um dos principais berços do pensamento tucano, são só elogios quando falam sobre o comportamento do liberal catarinense.
  • Não foi à toa que a assessoria internacional do Ministério do Trabalho escolheu Joinville para sediar o seminário sobre Igualdades de Oportunidade no Emprego.
  • Além de ser a cidade com maior número de trabalhadores no Estado, pode ser também o local onde ocorreria o maior número de casos de discriminação no trabalho.
  • Para comprovar isso (ou não), só fazendo um seminário com este, que invariavelmente acaba desaguando na criação de um núcleo de acompanhamento da questão, vinculado à Delegacia Regional do Trabalho (DRT).

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Já se vão 100 dias e até agora nenhum pingo de chuva em Brasília. A colônia catarinense fica de olho naquele mapinha do Brasil publicado nos jornais, só imaginando como estará o Estado com aquela nuvem que não sai de cima dali.

Artista plástico Antonio Mir produzindo a mil o mural e a coleção que apresenta na embaixada da Espanha, dia 29 próximo, com direito a presenças importantes da corte, corpo diplomático e, como não poderia deixar de ser, de catarinenses que já marcaram passagem na ponte aérea Joinville-Brasília.

A luminosidade do céu desta época do ano no Planalto Central e a força das flores que dominam a paisagem, independente do clima seco, são as principais fontes de inspiração do artista, que está pintando num ateliê montado dentro da embaixada.

Se participar ativamente da campanha significa alguma possibilidade de garantir presença no próximo governo, o catarinense Nelson Morro, fiel escudeiro de longa data de Jorge Bornhausen, já está lá.

Representante do PFL no comitê central de campanha de Fernando Henrique Cardoso, Morro está presente em todos os momentos em que se tomam decisões importantes na campanha.



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