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Aborto legal
é regulamentado
Ministério da Saúde
vai publicar no próximo mês as normas técnicas de capacitação
dos serviços
Brasília - O Ministério da Saúde publicará
até novembro as normas técnicas de capacitação
dos serviços de saúde para a realização de abortos
previstos pelo Código Penal - em caso de risco de vida da mulher
e por gravidez resultante de estupro.
Embora apoiados legalmente, apenas 11 hospitais atualmente prestam este
tipo de assistência em sete cidades brasileiras. "Se em Goiás
já houvesse um serviço organizado, a menina de 10 anos poderia
ao menos contar com um hospital especializado para avaliar sua situação",
afirmou a responsável pela área de saúde da mulher
do ministério, Tânia Lago. Ela se referia a C.B.S, de Israelândia,
estuprada, que está no quarto mês de gestação
e só agora obteve uma decisão final da Justiça.
As técnicas do Programa de Saúde da Mulher esperam que
a publicação de normas técnicas incentive os hospitais
a criarem o serviço. O ideal seria a existência de pelo menos
uma unidade especializada por Estado. "A partir das normas, os serviços
de saúde terão um respaldo ainda maior", acredita Tânia,
lembrando que a assistência "reduz os danos às mulheres
e tira o aspecto da clandestinidade em casos que são legalmente amparados".
Equipe
Uma semana antes de deixar o cargo, o ex-ministro da Saúde, Carlos
Albuquerque, acatou resolução do Conselho Nacional de Saúde
pedindo a publicação de normas para atendimento dos casos
de aborto legal na rede do SUS. "Queremos deixar claro que estamos
lidando com o aborto legal", afirmou Tânia. "O que o ministério
está por fazer é introduzir normas orientando os serviços
e introduzir o pagamento do aborto legal na tabela de pagamentos."
As normas vão prever a existência de uma equipe multidisciplinar
para a realização de abortos previtos em lei. Em geral, a
equipe se forma com um assistente social, um psicólogo, um obstetra,
um anestesista, além da enfermeira. "O importante é garantir
apoio psicólogico à mulher e à família",
explicou Tânia Lago.
Hospital deve garantir
privacidade da paciente
A área física para realização deste tipo
de procedimento médico deverá ser reservada, permitindo a
privacidade da paciente. O ministério poderá permitir, ainda,
que o hospital tenha a liberdade de requisitar a comprovação
do estupro, por meio, por exemplo, de uma ocorrência policial. Embora
o Código Penal não exija, o boletim é uma das formas
de a equipe médica ter maior segurança para fazer o procedimento.
Segundo a Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos,
que reúne 160 afiliados, os países da América Latina
e Caribe têm as legislações mais restritivas à
interrupção da gravidez. No dossiê "Aborto Inseguro",
a Rede afirma que, mesmo nos casos previstos em lei, a maior parte dos hospitais
ainda se recusa a realizar o aborto sem a autorização judicial
ou antes do encerramento do inquérito policial, o que acaba tornando
inviável o procedimento.
Um dos hospitais que fazem aborto previsto em lei, o Hospital Municipal
Jabaquara, em São Paulo, fez 132 interrupções de gravidez
nos últimos nove anos. Em 46% dos casos, as pacientes eram menores
de 19 anos.
Lotes de
remédios interditados
Falhas vão desde validade
a
problemas de composição
Brasília - A Secretaria de Vigilância Sanitária interditou
ontem, cautelarmente, a venda de lotes de 14 produtos fabricados por dez
laboratórios dos Estados de Goiás, São Paulo, Pernambuco
e Minas Gerais. Os lotes dos remédios apresentam falhas que vão
da falta do prazo de validade na embalagem a problemas de composição.
Os laboratórios terão prazo para se defender no processo administrativo.
Um dos medicamentos, o antibiótico Suxametônio (lote 804258),
teria causado a morte de um paciente em Minas Gerais, denúncia que
a Vigilância Sanitária investiga. Outro caso grave é
o do anestésico Lidocaína a 2% sem vasoconstritor (lote 0129A).
Esse produto foi aplicado em uma pessoa que queria extrair a unha e acabou
sendo obrigada a amputar um dedo da mão. Havia cloreto de sódio
a 20%, em vez de lidocaína, o que provocou a necrose. Por enquanto,
a Vigilância não pretende recolher os lotes com falhas, somente
adotará tal providência após comprovadas as denúncias
no processo administrativo aberto contra os fabricantes. As farmácias
continuarão com o produto no estabelecimento, mas estão proibidas
de vendê-los.
Lista
Entre os remédios interditados estão os anticoncepcionais
Diane 35 (lote 342) e Triquilar (lotes 332, 354, 337 e 336), da Schering
do Brasil ( com pílulas a menos nas cartelas); Hidróxido de
alumínio (lote B0241), para gastrite, do Laboratório Químico
e Ftco Bérgamo (com agentes contaminantes); Metronidazol (lote 147/97-1),
do JP Indústira FTC, um amebecida utilizado também no tratamento
de aidéticos (com bactérias e teor insatisfatório).
Outro com problema é o Sulfato de atropina (lote 18X01), do Halex
Istar Indústria Ftca, usado para curar intoxicações,
estava sem a validade e com volume e teor insatisfatório. Na lista
ainda constam Amplicilina (lote 0695), Penicilina G Benzantina (lote 9610967),
Ringer com lactato de sódio (lote 042/97-0), ácido acetilsalicílico
(lote 3764), Rophynol MG (lote 737336) e Ceftriaxona (lote 9709562).
Miniconstituinte
FHC interessado na proposta
Brasília - O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio
Amaral, disse, ontem, que o presidente Fernando Henrique está interessado
em que se "examine a questão" da proposta de convocação
de uma miniconstituinte. Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso considera
"positiva" uma reunião com os governadores para discutir
as reformas que serão votadas pelo Congresso.
Amaral disse que já está acertada uma reunião com
os líderes partidários para discutir as reformas, embora o
presidente também não tenha definido se esta conversa ocorrerá
entre o período do primeiro com o segundo turno ou se só após
o segundo turno das eleições.
Se prevalecer um entendimento existente no Supremo Tribunal Federal
(STF), a convocação de uma assembléia nacional revisora
para modificar a Constituição Federal é inconstitucional.
Uma ala de ministros do STF acredita que se perdeu a chance de revisar a
legislação em 1993, como previa a própria Constituição
no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT).
Uma das propostas de convocação de assembléia nacional
constituinte, formulada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), já
foi questionada no STF.
Além da proposta de Miro Teixeira, há outra, de autoria
do deputado e ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Ele propõe
a convocação de uma assembléia para revisar aspectos
tributários e fiscal simultaneamente à análise da reforma
política.
Ministro
Serra volta a
criticar cortes no orçamento
Brasília - O ministro da Saúde, José Serra, voltou
a criticar ontem, durante as comemorações dos 25 anos do Programa
Nacional de Imunizações, o corte de R$ 1,754 bilhão
feito pela equipe econômica no orçamento do ministério.
"Saúde é um dos alvos preferidos dos cortes de recursos
em épocas de crise", afirmou o ministro Serra. Essa foi a segunda
reclamação pública de Serra, desde o pacote fiscal.
Convênios
Empresas impõem
uma nova restrição
Brasília - As empresas de planos e seguros de saúde não
querem arcar com as 12 horas de atendimento de urgência e emergência
que o associado portador de doença preexistentes vier a necessitar
antes dos dois anos de vigência do contrato. "Houve recuo da
Federação Nacional de Seguros Privados (Fenaseg)", anunciou
ontem o secretário de assistência à saúde, Renilson
Rehem. A restrição será analisada pelo Conselho de
Saúde Suplementar.
Atriz
Jacira Sampaio morre de problema cardíaco
São Paulo - A atriz Jacira Sampaio, de 76 anos, morreu ontem no
Hospital São Paulo, na capital, de problema cardíaco. Paulista
de Santa Cruz do Rio Pardo, Jacira Sampaio começou a carreira aos
37 anos, no Teatro Experimental do Negro. Mas ficou conhecida nacionalmente
como a Tia Anastácia, personagem do programa "Sítio do
Pica-Pau Amarelo". Ela participou também de novelas na extinta
TV Tupi e na TV Globo.
Brasília
Chuva extingue
fogo em Parque Nacional
Brasília - A chuva na noite de anteontem e madrugada de ontem
extinguiu o incêndio que destruiu 40% do Parque Nacional de Brasília.
O Ibama ainda não avaliou os prejuízos. Apesar de o fogo ter
sido extinto, a cidade continuou encoberta por uma névoa seca. Antes
da chuva - há mais de 100 dias não chovia na região
- os bombeiros haviam conseguido controlar apenas um foco de fogo em uma
parte do parque.

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Prorrogação |
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Governo estuda CPMF maior com uma compensação
fiscal
Brasília - O governo estuda a possibilidade de encaminhar ao Congresso,
já na próxima semana, uma nova proposta de emenda à
Constituição de prorrogar a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2001, com
uma alíquota em torno de 0,50%, e a inclusão de mecanismo
de compensação fiscal. Este mecanismo prevê que o contribuinte
poderá compensar a CPMF na sua declaração de rendimentos,
que passaria a ser obrigatória para todos os contribuintes. Quem
não apresentasse declaração, sofreria uma punição
pesada.
A idéia vem sendo considerada nas discussões da equipe
econômica, que ainda estão em fase preliminar, como uma possibilidade
de ampliar a base tributária, fazendo com que um maior número
de pessoas declarem seus rendimentos e, com isso, reduzir a sonegação.
Além disso, a elevação da alíquota da CPMF permitiria
ao governo obter com mais facilidade ganho de arrecadação
superior a R$ 10 bilhões.
Na equipe econômica, a discussão sobre a possibilidade
de elevação da alíquota da CPMF vem sendo evitada em
público. O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou claro, em
seu discurso no Itamarati, semana passada, que a determinação
do governo é esgotar as possibilidades de cortes de gastos. Só
depois disso a possibilidade de aumento de imposto poderia ser considerada.
Já há entendimento entre a equipe econômica que
a proposta que prorroga a CPMF, que tramita na Câmara, é inadequada
para os objetivos do governo com o Programa Plurianual de Ajuste Fiscal
1999-2001. Com uma alíquota de 0,20% sobre as movimentações
financeiras, a CPMF renderá R$ 8,7 bilhões, nível equivalente
à meta de superávit primário nas contas públicas
para o próximo ano. |
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