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AVENTURA ARRISCADA

No Passo da Formiga, é possível - mas perigoso - colocar um pé em Santa Catarina e outro no Rio Grande do Sul: abaixo, as águas do Uruguai, divisa natural entre os dois Estados
Fotos Arquivo AN 19/1/98

Estreito do Rio Uruguai

Ainda há tempo para se conhecer a beleza natural mais fascinante da região de Concórdia

Jean Carlos Souza
Especial para A Notícia

Concórdia - O destino foi ingrato para com o Estreito do Rio Uruguai, de longe a beleza natural mais fascinante da região do Alto Uruguai, cuja cidade-pólo é Concórdia. No início dos anos 90, auge do turismo no local, um acidente matou uma família inteira e amedrontou os visitantes. Anos depois, a retomada das obras da Hidrelétrica de Itá sepultou de vez as esperanças de transformar o Estreito numa atração turística popular.

A partir de outubro deste ano, quando começar a ser formado o lago da hidrelétrica, o Estreito do Rio Uruguai desaparecerá aos poucos. As rochas que comprimem o rio e criam um espetáculo de água e espuma ficarão cerca de cinco metros abaixo da superfície. Será o fim de uma história que começou em 5 de janeiro de 1888, quando o explorador Augusto Cézar de Oliveira Penteado, acompanhado de Placidino Machado e Antônio Ferreira de Albuquerque, descobriu o Estreito.

Quem nunca viu o Estreito de perto tem dificuldades para imaginar a transformação que ocorre no rio Uruguai no trecho que passa por Alto Bela Vista, município que se emancipou de Concórdia em 95. O leito do rio, que normalmente possui 400 metros, estreita-se de repente e fica comprimido num corredor de pedras que nunca ultrapassa os 20 metros de largura. Num determinado ponto do Estreito, conhecido como Passo da Formiga, é possível colocar um pé em Santa Catarina e outro no Rio Grande do Sul, tendo abaixo o rio Uruguai, divisa natural entre os dois Estados.

O perigo é proporcional à beleza. Na época em que o Uruguai está cheio, é preciso muito cuidado para aproximar-se do Estreito. Nos períodos de seca, como aconteceu no início deste ano, o acesso torna-se mais fácil. Até abril, quando as chuvas reiniciaram, os visitantes puderam vislumbrar cavernas, esculturas nas rochas feitas pela água e um visual que em poucos momentos o rio Uruguai permitiu ser observado.

Quando o Estreito passou a ser cuidado por Alto Bela Vista, a infraestrutura no local foi melhorada. O restaurante abandonado há anos foi reativado parcialmente, e a Prefeitura mantém um funcionário no local para orientar os visitantes. O acesso, de chão batido, também tem recebido manutenção mais constante.

Casa da memória

Depois que for engolido pelo lago da hidrelétrica, o Estreito do Rio Uruguai deve manter-se vivo na Casa da Memória que será inaugurada em Alto Bela Vista. Marcelino Ramos (RS), que detém a exploração do local no lado gaúcho, também pensa em criar um espaço semelhante.

Conhecer o Estreito do Rio Uruguai vale não apenas pela beleza das águas. Recentemente, alunos do curso de biologia da Universidade do Contestado, que desenvolve um projeto em conjunto com a Gerasul para resgatar a flora a fauna do região, descobriu um tipo de bromélia que nasce somente entre as rochas daquele ponto. Já estão sendo feitos testes para tentar reproduzir a flor em outro local e evitar que ela desapareça junto com o Estreito do Rio Uruguai.

DIAS CONTADOS
Estreito do Rio Uruguai tem data para sumir: outubro
PROGRESSO
Velha ponte sobre o rio também será engolida pelas águas

Fique por dentro

Cuidados

  • Buscar orientações na Prefeitura de Alto Bela Vista
  • Observar todas as normas de segurança
  • Evitar calçados com solado escorregadio
  • Evitar formar grupos de crianças
  • Nunca se aproximar da entrada do canyon com botes ou qualquer tipo de embarcação.
  • Não se aventurar no "Passo da Formiga"
  • Não fazer a visita durante um dia chuvoso

Como chegar

  • Acesso a Concórdia pela BR-153, BR-282 ou aeroporto. O Estreito fica a 25 quilômetros de Concórdia. Metade da estrada é de chão batido. Quem não estiver de automóvel pode alugar um em Concórdia. A viagem também pode ser feita de ônibus até Alto Bela Vista

Dicas

  • Em Concórdia há bons hotéis disponíveis. Alto Bela Vista é a cidade mais próxima, mas praticamente não tem rede hoteleira
  • A Universidade do Contestado, em Concórdia, fornece informações sobre o Estreito para quem estiver interessado em conhecer melhor o local
  • O lago da hidrelétrica começará a ser formado em outubro, mês a partir do qual o nível da água será cada vez maior, dificultando a visualização do Estreito


Concórdia dá os primeiros
passos para o turismo rural

Cidade pretende ser referência nos próximos 5 anos no setor

Concórdia - Concórdia pretende se transformar nos próximos cinco anos numa das cidades que mais investem no turismo rural em Santa Catarina. Cinco propriedades rurais já estão se estruturando para começar a receber hóspedes a partir do ano 2000, e a Prefeitura está analisando mais alguns pedidos de incentivos fiscais. A formação do lago da Hidrelétrica de Itá também vai ajudar a fortalecer o turismo rural, já que a água que inundará parte do interior do município proporcionará o desenvolvimento de atividades de lazer e esporte.

A proposta de Concórdia é trabalhar com um conceito um pouco diferente de turismo rural. A idéia é criar dentro dos hotéis-fazenda programas que misturem diversão com vida no campo de verdade. Além dos tradicionais lagos para pesca, passeios a cavalo e caminhadas, o turista terá a oportunidade de conhecer, se quiser, como se produz frango, por exemplo. O hotel poderá ter pequenas unidades demonstrativas de produção ou promover visitas em propriedades vizinhas.

O desenvolvimento do turismo rural está esbarrando num só detalhe: a Gerasul ainda não definiu o plano diretor que orientará a ocupação das margens do lago da hidrelétrica. Se o plano diretor estivesse pronto, os empresários já teriam tirado seus projetos da gaveta.

À espera de sócio

Mesmo assim, há exemplos bem acabados do que será o turismo rural de Concórdia. Nereu Olivo, que tem uma propriedade distante cerca de 10 quilômetros da cidade, conseguiu transformar a terra que ocupa num cartão postal, explorado até por campanhas publicitárias da Prefeitura. Ele está só esperando um sócio para construir a estrutura destinada à hospedagem.

Embora ainda esteja pensando no futuro, o turismo rural de Concórdia já está recebendo visitantes. A estrutura é pequena e comporta pequenos grupos, que tem ainda a opção de pernoitar na cidade devido às pequenas distâncias entre as propriedades rurais e o centro. (Jean Carlos Souza)

Quem estiver interessado em conhecer o interior de Concórdia, pode buscar mais informações na Prefeitura, pelo telefone 0(**)49-441-2000.


Conheça Santa
Catarina pelos museus

Opções de lazer e cultura fazem o visitante viajar pelo passado

Beto Westphal
Especial para o AN Turismo

Florianópolis - Nem só de praias vive o turismo catarinense. Mesmo durante a temporada de verão, visitantes com overdose de sol, areia e mar procuram outras opções de lazer e cultura. Os museus surgem como parada obrigatória em qualquer roteiro que se preze, oferecendo ao visitante uma viagem pelo passado ou por diferentes estilos de arte, mas levando sempre ao mesmo ponto: diversão e conhecimento por um preço mais do que acessível.

Em Joinville, por exemplo, o Museu Nacional de Imigração e Colonização é o mais visitado. Quem passa por ali tem uma idéia de como ocorreu a ocupação da Vila Dona Francisca, primeiro nome de Joinville, e conhece objetos que os imigrantes trouxeram para plantar o sonho de uma vida nova.

Construído em 1870 para hospedar os príncipes de Joinville - que, aliás, nunca deram as caras na colônia -, o prédio guarda até hoje móveis, lustres, castiçais, louças e cristais da época que nem chegaram a ser usados pelos monarcas. Do lado de fora, rodeado por um belíssimo jardim, uma espécie de rancho-garagem abriga carroças e charretes, além de máquinas e equipamentos da indústria colonial, como o pilão de erva-mate. Outra atração é a casa enxaimel localizada nos fundos do museu, inaugurada em 1980 e que reconstitui com perfeição o ambiente de uma família de colonos do século passado.

Também em Joinville há o Museu Arqueológico de Sambaqui, o Museu de Arte de Joinville, o Museu Casa Fritz Alt e o Museu da Indústria de Santa Catarina. Joinville é a cidade-pólo do Litoral Norte, uma das regiões de maior procura pelos turistas. O acervo museológico da região representa legados da colonização açoriana e alemã.

Acervos museológicos são
testemunhas de uma rica herança cultural

Na região serrana, o grande deslocamento populacional para Minas Gerais no século 18 criou a necessidade de procura pelo gado, abundante no Sul do Brasil. Surgiu assim o "tropeirismo", que se acentuou com a expansão do café no século 19 e propiciou o nascimento de caminhos, fazendas e cidades. Lages, Curitibanos, Campos Novos, São Joaquim e Bom Jardim da Serra são parte integrante de uma rica herança cultural, cujos testemunhos estão presentes na arquitetura, nos costumes e nos acervos museológicos.

No Vale do Rio do Peixe, estão os municípios de Videira, Caçador e Porto União, que conservam em seus museus a memória da Guerra do Contestado, conflito do início do século entre caboclos da região e forças do governo na luta pela posse da terra. A construção da ferrovia São Paulo/Rio Grande, no início deste século, facilitou a vinda de milhares de migrantes, na maioria descendentes de italianos e alemães, oriundos do Rio Grande do Sul.

A região Oeste concentra suas atividades na agricultura e agroindústria, além da extração de madeira e da erva-mate. A ocupação recente faz com que a região mantenha com maior vigor os hábitos dos colonizadores. Os acervos museológicos registram a saga do colonizador e expõem grande parte dos vestígios arqueológicos encontrados ao longo do rio Uruguai, que testemunharam a pré-história local. A região foi colonizada por italianos e alemães, que encarregavam-se da partilha das terras entre os que ali chegavam, vindos principalmente do Rio Grande do Sul. (BW)

História com sotaques
alemão, italiano e lusitano

O Vale do Rio Itajaí-açu foi colonizado por diferentes correntes migratórias. Inicialmente, junto à foz, chegaram os lusitanos e, a partir de 1850, os alemães, italianos e outros grupos. Graças à ação dos imigrantes, o vale transformou-se numa das regiões mais ricas do Brasil. O centro deste grande progresso econômico foi Blumenau, destacando-se também Itajaí, Rio do Sul, Brusque, Pomerode e Rodeio.

A arquitetura, os hábitos peculiares e o meio de vida tipicamente europeus são as marcas deste pequeno pedaço da diversificada terra catarinense. Os museus da região registram as etapas locais da sua colonização e aspectos gerais da história e geografia catarinenses.

O litoral-centro foi ocupado definitivamente a partir das povoações de São Francisco do Sul, Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis) e Laguna, no século 17. No século 18, a Ilha de Santa Catarina, onde localiza-se Florianópolis, foi fortificada e passou por um crescimento populacional com a chegada dos imigrantes dos Açores, que deram ao litoral e à Ilha as suas principais características culturais.

As fortificações, fruto da disputa entre portugueses e espanhóis pelas terras do extremo-sul brasileiro, foram restauradas recentemente e são patrimônio tombado pelo governo federal. A Ilha de Santa Catarina apresenta uma rica história retratada nos núcleos históricos, igrejas, capelas e fortalezas, bem como no folclore, artesanato e festas tradicionais, tudo num deslumbrante cenário de baías, lagoas, praias, dunas e costões.

Na região Sul destaca-se a história de Laguna, um dos três primeiros núcleos do litoral catarinense, responsáveis pela expansão das fronteiras brasileiras até o Rio Grande do Sul. Em 1839, de julho a novembro, Laguna foi a capital provisória da República Catarinense, proclamada durante o movimento separatista liderado por Giuseppe Garibaldi e David Canabarro.

A cidade é hoje patrimônio histórico e artístico nacional. Os demais municípios do Sul, embora com forte influência lusitana no litoral, apresentam, no interior, marcantes características culturais da imigração italiana, distribuída ao longo das bacias dos rios Tubarão e Urussanga. Destaque também para os acervos que retratam a história das minas de carvão, que durante décadas, representaram a principal atividade econômica da região. (BW)


APRENDIZADO

Deserto do Atacama ensina a esperar pela hora e luminosidade mais apropriadas para captar detalhes da paisagem
Fotos: Divulgação Tina Coêlho

Recanto de luz e beleza

O Chile captado pela lente da fotógrafa Tina Coêlho revela encantos e mistérios de um dos países mais singulares da América Latina

Néri Pedroso

Florianópolis - A fotógrafa brasiliense Tina Coêlho não brinca em serviço. Põe olho e câmara em favor de um mundo melhor. Em imagens, ora denuncia a devastação de florestas ou a fome brasileira. Ora faz o discurso da beleza. Amante da natureza, corre riscos em busca de uma boa fotografia. Quando moradora de Joinville, no início dos anos 90, atuou como repórter fotográfica de A Notícia.

É dona de um currículo suntuoso, com atuações em importantes jornais brasileiros. Suas fotografias já ganharam o mundo. Em junho, mostrou no Teatro Nacional de Brasília, na sala Martins Penna, o resultado de viagens realizadas ao Chile. Só depois de três anos, a exigente profissional sentiu-se capaz de selecionar o material.

"A idéia de fazer esta exposição surgiu depois de algumas viagens ao Chile e um diferente universo de paisagens registrado a partir da união de elementos como filmes, lentes, mente e olhar", conta Tina Coêlho. O desejo? Apresentar, através da fotografia, os encantos e mistérios daquele país, libertar as imagens, dar vida, deixar que criem asas.

Prazer nos detalhes

Entusiasmo é a matéria-prima desta profissional que encontra prazer nos detalhes. "Percorrer os caminhos do Chile foi maravilhoso!", exclama, ao lembrar do deserto, neves eternas na cordilheira, um último vinho, geleiras, frutos do mar, vulcões, chuva, guanacos, grandes altitudes, vicuñas, pumas, raposas, um céu esplêndido.

Tina Coêlho aproxima os estreitos limites entre arte e fotografia. Na condição de repórter fotográfica, participa do que ainda resta de aventura no mundo, a descoberta dos homens e dos continentes. Caçadora de imagens, não deixa de arriscar a própria vida. Revela-se fotógrafa, na acepção do ser que se caracteriza como artista de estúdio, no momento em que o resultado final afirma-se como arte. Na atmosfera glacial de suas imagens, o prazer que só obras de grandes artistas são capazes de confirmar, o assustador gosto da eternidade.

Uma caixinha de surpresas

País singular. Estreito e alongado. Um dos mais desenvolvidos da América Latina. Em apenas três horas é possível conhecê-lo de Leste a Oeste. Com 4.329 km de Norte a Sul, o território que no século 16 era ocupado por índios araucanos revela-se uma caixinha de surpresas, a começar por Santiago, a capital reconhecida pelos contrastes arquitetônicos.

Valparaíso encanta aqueles que amam os cenários pitorescos, com casas empilhadas nos morros. Vina del Mar, para quem aprecia balneários, e Termas de Chillcn e Portillo, as estações de esqui que atraem turistas. A Cordilheira dos Andes, gigantesca cadeia de de montanhas, assume imponência e beleza que muitos não conseguem jamais esquecer. (NP)

Faça as malas

Como ir

  • LanChile, fone 0(**)11-259-2900
  • TAM, fone 0800-123100
  • Transbrasil, fone 0800-151151
  • Varig, fone 0800-997000

Oriente-se

  • Moeda: peso chileno
  • Câmbio: busque a informação no site do Banco Central: bcb.gov.br
  • Língua: espanhol
  • Fuso horário: uma hora a menos do que Brasília
  • DDI: 0056 mais o código da cidade
  • Visto: não é preciso para brasileiros
  • Consulado do Brasil em Santiago: Calle Enrique Mac-Iver, 225, 15º andar, centro, fone (0056-2) 639-8867

Pacotes

  • Cetheme Turismo, avenida Osmar Cunha, 183, loja 9, Ceisa Center, Florianópolis, fone 0(**)48-322-2001
    US$ 247,00 para hotel categoria turístico/duplo, com café da manhã (quatro dias e cinco noites).
    Traslado na chegada e saída, city tour por Santiago, excursão a Valparaíso, Viña del Mar e passeios opcionais
    U$$ 372,00 para passagens, sem taxa de embarque
  • Lovetur, avenida Osmar Cunha, 183, loja 31, Ceisa Center, Florianópolis, fone 0(**)48-223-4354
    US$ 232,00 para hotel categoria turístico/duplo, com café da manhã (quatro dias e cinco noites). Traslado na chegada e saída, city tour por Santiago e excursão a Valparaíso, Viña del Mar
    US$ 404,00 para passagens, sem taxa de embarque

Depoimento

No norte, o deserto de Atacama nos ensina a esperar a hora e a luz corretas para perceber os detalhes de sua paisagem composta de rochas, minerais coloridos, areia e vulcões. Observar a vida no deserto foi um fantástico aprendizado. Seus habitantes, os atacamenhos, aprenderam a transformar a pouca água disponível em vida plena. Isso sem falar nas incríveis múmias, mais antigas que as egípcias.

O sul e o seu clima são exatamente o oposto. Um surpreendente verde, emoldurado quase sempre pela majestosa Cordilheira dos Andes. Laguna San Rafael, a geleira mais próxima do Equador, mostra que o gelo, de 30 mil anos, é azul! Um imenso paredão de três quilômetros de largura por 300 metros de altura encanta pelas surpreendentes cores.

No extremo sul, encontramos o Parque Nacional Torres del Paine. Cavalgar por este cenário, em busca do inusitado, foi incrível. Manadas de guanacos percorrendo, livremente, a pradaria, em busca de alimento. Patos, raposas, uma paisagem estonteante. Com sorte e tempo, é possível observar os famosos pumas. Há também uma geleira dentro do parque, o Glaciar Gray, de azul intenso, a contrastar com o bosque típico do Estreito de Magalhães. (Tina Coêlho)

GELO AZUL
Laguna San Rafael, a geleira mais próxima do Equador
MAGIA
Atacamenhos transformam a pouca água disponível em vida plena
PAREDÃO
Cores surpreendem em 300 metros de altura por 3 km de largura
MISTÉRIO
Vulcão Licancabur parece engolir a lua

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Viagem
inesquecível

Monte Tronador, aventura na Cordilheira dos Andes

Edmundo e Sandra Momm Schult

Viajar é um antídoto contra o aborrecimento causado pela rotina, que nos faz sentir privados de muitos estímulos. Por isso, uma viagem de aventura é a melhor maneira de aproveitar as férias, pois nos impõem novos limites, permitindo-nos aprender e praticar novas habilidades. Talvez até nos sirvam como uma experiência transformadora para a vida.

A Patagônia é um ótimo lugar para viagens de aventura. É um território ainda selvagem, com muitos lugares especiais. Um deles é a região do Monte Tronador, na Cordilheira dos Andes, entre Argentina e Chile. Foi lá que realizamos uma aventura inesquecível.

Verão, tempo imprevisível na Cordilheira dos Andes. Estamos no fim de uma viagem de carro que começou no litoral (Baía Blanca, Península Valdés e Punta Tombo), atravessou o interior patagônico (Los Altares) e chegou à cordilheira (Esquel, Trevelín e El Bólson).

O lugar em que estamos é chamado de Pampa Linda. Chegamos do sul, porém o acesso mais comum é por Bariloche. Como estamos nos limites do Parque Nacional Nahuel Huapi, as opções de hospedagem são limitadas, inclusive os horários para trânsito de veículos. Por isso, é prudente reservar hospedagem durante a viagem, quando já se tem certeza do dia em que se vai chegar lá.

Pampa Linda foi uma propriedade particular. Com a expansão do Parque Nacional Nahuel Huapi em 1940, começaram a chegar os montanhistas e o lugar se voltou para o turismo de aventura. Existe um hotel e uma hosteria muito bem estruturados. Junto da casa do guarda-parque há também uma ampla área para camping.

A maior atração de Pampa Linda é o Monte Tronador, com seus 3.480 metros de altura. Desde o seu cume descem várias geleiras que ficam suspensas em suas encostas escarpadas. O barulho da queda de enormes blocos de gelo originou o nome da montanha. Entre montanhistas novatos e experientes, este é o lugar certo para aventurar-se no "andinismo".

Subir a montanha, além do desafio físico, impõe atenção nas trilhas e permite desenvolver instintos e percepções pouco exigidos de nosso corpo na vida cotidiana. A manhã estava perfeita, céu limpo e pouco vento. Nos preparamos para iniciar a subida ao Monte Tronador com o objetivo de alcançar o refúgio de montanha Otto Meiling, a 2.000 metros, de onde partem os andinistas que buscam o pico. Nos acompanham um guia de cavalgada e um casal. O rapaz, um montanhista alemão, pretende alcançar o pico no dia seguinte. Sua experiência nos foi muito útil no segundo trecho da subida.

A primeira parte da trilha é feita à cavalo. Primeiro um trecho plano que serve de preparação. Depois atravessamos um denso e belo bosque de vegetação de montanha. São árvores de grande porte, que diminuem em quantidade na medida em que avançamos em altura. A trilha tem vários desvios, pois muitas são as árvores tombadas pelos rigores do clima no inverno. Com pouco mais de duas horas e meia, acabamos a passagem pelo bosque e chegamos ao fim da cavalgada. Dali o guia da cavalgada retornou, pois não é possível para os cavalos continuarem.

Iniciamos o segundo trecho de ascensão caminhando. Não há vegetação, somente pedras. A panorâmica sobre a Cordilheira dos Andes é impressionante. Nesta altura, a trilha exige cuidado, pois avança pela lateral da montanha, próxima da geleira Castaño Overa. Muita atenção também nas marcas pintadas em pedras, que indicam qual o caminho a tomar. Lentamente, depois de uma hora e meia, nos aproximamos do refúgio. Dali em diante começa o campo de gelo que cobre todo o cume da montanha.

O refúgio de montanha Otto Meiling é o ponto final. Neste lugar o nosso comportamento regressa a um nível mais elementar. Longe dos confortos da vida, nos tornamos sensíveis e humildes diante da natureza. É a oportunidade de refletir o significado desta experiência. Já era fim de tarde quando chegamos de volta à Hosteria Pampa Linda e a montanha já estava totalmente coberta de nuvens. O clima havia mudado e naquela noite nevou. No dia seguinte ninguém subiu a montanha. Assim é o clima na Cordilheira dos Andes.

Uma sugestão: viajar pela Patagônia exige tempo. Como vivemos relativamente perto da Argentina, mesmo para viajar de carro é importante fazer um planejamento dividindo a região patagônica em várias viagens. Cada etapa realizada serve de base para a próxima, que será mais distante. Assim é possível aproveitar melhor cada uma delas.

Uma dica para futuros aventureiros: na Internet há mapas, fotos e descrição de aventuras e hospedagem em Pampa Linda; basta acessar o site www.clubandino.com.ar.

  • Edmundo e Sandra Momm Schult, arquitetos em Rio do Sul


Europa assiste ao último eclipse do milênio dia 11

São Paulo - Felizes os europeus e os turistas que estiverem na Europa no dia 11 de agosto, quando ocorrerá o último eclipse solar total do milênio. Estima-se que 330 milhões de sortudos verão o belo espetáculo da sombra da Lua sobre a superfície da Terra. O número é considerado alto, já que, ao contrário do que sucede com eclipses lunares, os solares totais ocorrem em faixas estreitas na superfície terrestre, ficando, em geral, sobre o mar. A sombra irá percorrer cerca de 14 mil quilômetros em três horas, grande parte dele sobre a Europa Central.

O início do fenômeno será ao amanhecer, em um ponto do Atlântico Norte. Seguirá por países populosos, como Inglaterra, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária, Romênia, Irã, Turquia, Iraque, Paquistão, Índia e terminará no Golfo de Bengala, no Oceano índico. O eclipse total será por volta das 11h30 e terá duração média, como o que será visto no Sul da Alemanha.

As condições metereológicas são determinantes para que se obtenha uma boa visualização do eclipse. "Apesar de termos todas as previsões na ponta do lápis, não podemos esquecer os microclimas", diz Tasso Napoleão, astrônomo da Rede de Astronomia Observacional (REA), que já está com as malas prontas para embarcar para Munique no dia 8 de agosto.

Segundo Napoleão, Alemanha, Bulgária e Romênia são os lugares indicados para quem pretende estar por lá no dia 11 de agosto. Munique foi escolhida por Napoleão por ser um entroncamento importante de linhas ferroviárias da Europa. Assim, se houver qualquer problema meteorológico local, ele terá tempo suficiente para ir a outro lugar próximo.

A Internet ajuda os interessados a aprofundarem-se no assunto. O site da Nasa (http://sunearth.gsfc.nasa.gov/
eclipse/TSE1999/TSE1999.html
), em inglês, é o mais completo: traz horários de melhor visualização em cada cidade, mapas e imagens. O eclipse total poderá ser visto em tempo real, a partir de diferentes lugares, no endereço http://www.solar-eclipse.org.

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