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Maceió
anoticia@an.com.br

Ana Moser,
brasileiríssima

Ana Moser, heroína de tantas batalhas, deixa o vôlei com o coração partido. Há 24 anos, ela fez um pacto de amor com a bola e desfilou sua arte por todos os quadrantes do mundo. Maior jogadora do mundial juvenil em 87, maior atacante do mundial adulto em 93, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 96, campeã mundial do Grand-Prix de 97, Ana carregou no físico e na mente todos os traços da cultura européia: biotipo longilíneo, explosão muscular, saque, ataque, bloqueio. Nascida em berço nobre, Ana é desses raros fenômenos genéticos que só aparecem de vinte em vinte anos. O vôlei brasileiro começava a se projetar internacionalmente nos braços de Vera Mossa, Jaqueline, Isabel e, aqui, no Linguição, a jovem gazela blumenauense chamava a atenção do técnico Walmor Buss pela força das suas paralelas. Incrível, mas Aninha disputou seus 1º Jasc em 81 (Lages), com apenas 13 anos. Num esporte em que os joelhos trabalham a exaustão, sua primeira cirurgia de meniscos foi em 84 e, no ano seguinte, transferiu-se para São Paulo, onde faria companhia a irmã Isabel na Transbrasil. Isabel, com pique para alçar vôos mais altos, parou cedo - mas Aninha subiria ao primeiro patamar do ranking nacional - vestindo só camisas da escola paulista: Sadia, Colgate/Uniban, Leites Moça, Mizuno/Uniban, Daivit, ONG e BCN. O grande flerte da sua carreira, porém, foi a seleção brasileira. Defendeu-a por longos dezesseis anos. Nenhuma outra mulher foi tão onipresente nas quadras: nas regras antigas, em partidas com duração de mais de duas horas, Ana batia entre 52 e 58 bolas, bloqueava 12/13 e, nesse sobe/desce, com impulsão vertical acima dos 70cm, lá se foram os dois joelhos. Ana Moser e a cubana Myrea Louis (maior jogadora do mundo), ambas com 31 anos, sofrem do mesmo mal: artrose. Ela já não suportava mais a carga de sete/horas diárias, sempre à base de antiinflamatórios. Passei os últimos dois anos escrevendo: "Ana, a superestar, será a primeira mulher brasileira a jogar quatro olimpíadas", E perguntava a seu pai, dileto amaigo Bruno Acari, se ele avalisava minhas profecias: "Claro que vai". Acari morreu agora em julho e Ana, heroína de tantas batalhas, anunciou sua despedida anteontem com os olhos marejados. Foi forte até na hora do adeus. O Brasil nunca viu nada igual".


Frase

"Faria de tudo para disputar minha quarta Olimpíada, mas não dá mais"
Ana Moser
, ao anunciar anteontem sua despedida das quadras


Fim de uma era

O esporte catarinense tem três "monstros-sagrados": Guga, Xuxa e Ana Moser. Dois garotos e a dama de ferro. O que há em comum entre eles: Guga, com aquela carinha de adolescente, já é um veterano do tênis. Malha cinco/seis horas por dia (desde os sete anos) e é o cidadão brasileiro que mais viaja. Viaja mais do que os pilotos de Fórmula-Um. Xuxa mora nos EUA, onde cumpre a mesma rotina: malha pela manhã e à tarde - e Ana, com toda certeza, viveu, dentro da seleção, mais de três gerações. Jogou uma Olímpiada com Ana Richa e Ana Volponi, outra com Ana Lígia e Ana Flávia e, por último, com Ana Paula. Ana, reencarnação de toda as Anas, agora vai se dedicar à administração de suas escolinhas e a ministrar vôlei em escolas de São Paulo. Pelo que fez pelo vôlei brasileiro, seu lugar seria no Ministério dos Esportes ou no próprio Comitê Olímpico Brasileiro. - O que Ana ganhou para defender o Brasil durante os anos mais viçosos da sua carreira? - Nada. Em qualquer país que reverencia seus ídolos ela teria o peso de um Carl Lewis, um Michel Platini, uma Ana Quiroga...


De Primeira

JEC-JEC - Diretoria trabalha assim: Osni Fontan viaja a Florianópolis para assistir Figueirense x São Raimundo; Cavalo a Timbó para assistir Timbó x Marcílio Dias - e Márcio Vogelsanger fica fazendo sala no clube para receber os muitos visitantes que desejam fazer parceria com o JEC. Entre eles, um grande clube brasileiro. O JEC continua apostando na política do time bom e barato. Hoje Cavalo dirá o que viu de bom no Marcílio e Fontan apresentará um perfil dos melhores jogadores do São Raimundo.

JEC/Irineu - Time júnior joga hoje às 20 horas no Ernestão contra o Rio Branco de Paranaguá. Amistoso faz parte dos preparativos com vistas aos jogos da Taça São Paulo, com início programado para 5 de janeiro.

Destaques-99 - Federação Catarinense de Ciclismo compôs a mais eclética de todas comissões que atuam na escolha dos "Destaques Esportivos de 99" (nada menos de 18 pessoas) - e a votação final premiou Maurício Borges (Blumenau) e Édson Zielsdorf (Jaraguá do Sul). Os dois serão agraciados com o troféu O Jornaleiro de AN.

Manchetes AN

Das últimas edições de Informal
Figueirense tem novo desafio
O velho e o garoto
Volta por cima
Compreensão e disciplina
A nova estrela da corte

LigaSul

Federações de Voleibol e dirigentes das equipes de voleibol dos três estados do sul se reúnem amanhã no Hotel Castelmar, em Florianópolis, para discutir projetos ligados a eventos para o próximo ano. A reunião será coordenada pela LigaSul de Volleyball, que já realizou três eventos neste segundo semestre de 99: o 1º Grand Prix Masculino de Volleyball (São José), o 2º Grand Prix Masculino (Canoas) e o Grand Prix Especial Masculino (Bento Gonçalves).

Brasil, Brasil

Brasil 3 x Cuba 0, ontem em Tóquio, foi nosso grande resultado na Copa do Mundo de Vôlei do Japão. Radamés Lattari, enfim, pôde desopilar o fígado. O Brasil dependia de uma combinação de resultados na madrugada de hoje, para confirmar a terceira vaga à Olimpíada - mas se não deu agora, dará no Pré-Olímpico do Rio de Janeiro, em janeiro.

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