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Ano 2000 é tema de
livros para todos os gostos

Lançamentos vão desde análises apocalípticas a discussões sobre tecnologia, religião e comportamento humano

Ademir Fernandes
Agência Estado

A chegada do ano 2000 tem proporcionado o lançamento de vários livros, não só sobre o novo milênio como também a respeito do ano 1000. São entre dezenas de obras que vão desde as análises apocalípticas até a discussão de temas como a tecnologia, a religião, o comportamento humano e a futurologia. Umberto Eco, Stephen Jay Gould, Jean-Claude Carrire e Jean Delumeau, por exemplo, discutem as mazelas da raça humana em "Entrevistas sobre o Fim dos Tempos". John Le Carré e Paul Theroux abordam as mudanças às vésperas do ano 2000, o primeiro em "O Alfaiate do Panamá" e o segundo em "Kowloon Tong". Pela Mercuryo, acaba de sair "Visões do Novo Milênio", coletânea com vários autores organizada pelo jornalista Luís Carlos Lisboa. E a Companhia das Letras também está lançando uma série de ensaios de vários historiadores sobre as viradas dos séculos.

A lista não pára por aí. O escritor britânico Arthur Clarke já tenta antecipar como será a vida num futuro bem distante, no livro "3001: A Odisséia Final", completando assim a história iniciada em "2001: Uma Odisséia no Espaço", adaptada para o cinema por Stanley Kubrick. Há opções também para quem quiser recuar no tempo, mais precisamente até o ano 1000. O historiador francês Jules Michelet fala da histeria que tomou conta do mundo, naquele ano, enquanto os ingleses Robert Lacey e Danny Danziger fazem relatos bem-humorados sobre a mesma época, em "O Ano 1000", no qual tomar cinco banhos por ano era sinônimo de fanatismo pela limpeza.

Também são reveladas muitas curiosidades em "Calendário", de David Ewing Duncan, e "Fim de Milênio: Uma História dos Calendários, Profecias e Catástrofes Cósmicas", da historiadora Bertília Leite e do professor de matemática Othon Werner. Outro historiador, o inglês Norman Cohn, aborda o papel das crenças na visão do mundo nas antigas civilizações, em "Cosmos, o Mundo Que Virá", e deixa a pergunta no ar: o fim está mesmo próximo?

O norte-americano Michael Drosnin garante que a resposta está em seu polêmico "O Código da Bíblia". Outros pesquisadores afirmam que ela está nas Centúrias de Nostradamus ou, ainda, nas dezenas de teses que têm influenciado muita gente a se integrar às inevitáveis seitas apocalípticas pelo mundo afora.

"Previsões e futurismo são muito úteis em ciência e os cientistas que conheço estão ao menos tentando fazer previsões limitadas", escreve John Rennie, ex-comediante e editor da revista Scientific American. "É difícil abandonar algo tão divertido. As previsões são mais úteis para os cientistas como uma forma de inspirar novas pesquisas, estabelecer metas e pensar criativamente. A grande dificuldade é aprender a não levá-las tão a sério, ou ao pé da letra".

Entre o religioso e o profano

Como as sociedades cristãs ocidentais respondiam, séculos atrás, às crenças de que o fim do mundo se aproximava? Como as diferentes religiões entendem o fim do mundo? O que a ciência e a filosofia têm a dizer sobre o fim dos tempos?

Os autores de "Entrevistas sobre o Fim dos Tempos" discutem esses e outros temas de forma bem acessível e suas opiniões misturam o religioso e o profano. Eco discorre sobre o bug do milênio e a Internet e divaga sobre "a ausência de filtros para moldar a memória das sociedades atuais". O roteirista Carrire discute os lados positivos do "Livro do Apocalipse" e chama a atenção para "o resgate de valores sutis, da serenidade amorosa, da solidariedade". O paleontólogo Gould comenta o que define como a arbitrariedade do conceito de milênio. E Delumeau, historiador das religiões, fala do equilíbrio de papéis entre as divindades hindus Shiva e Vishnu.

John Le Carré e Paul Theroux preferiram adotar o romance para falar da definição geopolítica do mundo no próximo século. O fio condutor da história de Theroux em "Kowloon Tong" é um personagem sem pátria, herdeiro de uma fábrica de roupas que perde quando a China retoma Hong Kong. Já o fio condutor da trama escrita por Le Carré em "O Alfaiate do Panamá" é Harry Pendel, que deve muito dinheiro aos corruptos panamenhos e guarda seu passado em segredo, até ser desmascarado por um agente do serviço secreto inglês.

O tratado internacional prevê a devolução do Canal pelos EUA ao Panamá no dia 1º de janeiro do ano 2000. Os norte-americanos, que lá estão desde 1904, depuseram um presidente panamenho envolvido com tráfico internacional de drogas. Resta saber o que o destino reserva ao país, por conta das intrigas do alfaiate de Le Carré. (Mauro Dias e Flávio Moura)

Calendários
entram na polêmica

Em "Calendário", David Ewing Duncan traz à tona um assunto que sempre preocupou a humanidade. A obra revela muitas curiosidades. Nem todos sabem, mas o ano 2000 será, na verdade, o ano de 1997 segundo a data real do nascimento de Cristo - 2753, segundo o antigo calendário romano, 2749, de acordo com o antigo calendário babilônico, 6236 segundo o primeiro calendário egípcio, 5760 pelo calendário judaico, 1420 pelo calendário persa, 2544 de acordo com o calendário budista e 5119 no atual grande ciclo maia.

O livro de Duncan discorre desde a criação do primeiro calendário até a criação dos modernos relógios atômicos. Lembra como viviam as civilizações medievais que calculavam nascimentos e casamentos atrás das estações do ano e como o mundo chegou a um consenso sobre o dia em que vivemos.

Em "Fim de Milênio: Uma História dos Calendários, Profecias e CatástrofesCósmicas", Bertília Leite e Othon Werner, da Unesp, também discutem quando o milênio realmente acaba e reforçam a tese de que Jesus não nasceu no ano 1, mas sim em 4 Antes de Cristo. Lembram, também, que o calendário atual, herdado dos romanos, foi reformado durante a Idade Média, tratando-se, por isso, de uma simples convenção, hoje em dia.

Por conta de todas essas observações, eles discorrem ainda sobre as previsões catastróficas feitas com base mais na superstição do que na ciência. Também há lugar para a ficção - lembram a cena de um filme em que o Superman recebe a notícia da morte de sua namorada Lois Lane num terremoto e, num esforço desesperado, faz o tempo recuar, mudando a rotação da Terra, para evitar a tragédia.

Alguns autores também fizeram o tempo recuar, não para salvar suas amadas, mas para que os leitores possam fazer uma comparação entre o ano 1000 e o novo milênio. (Cleide Cavalcante)


O que a numerologia
prevê para o ano 2000

Cleide Cavalcante
Agência Estado

Para a numerologia, o ano 2000 será regido pelo 2, o que significa uma forte influência da energia feminina. Assim, a previsão é de que neste novo ano as mulheres consigam maior destaque em diversos segmentos sociais. "O ano-novo marca o fim de um ciclo de mil anos iniciados pelo número 1, que exigiu criatividade, individualidade, autoconfiança, vontade firme e progressividade. E também pediu que se evitasse o egoísmo, o autoritarismo e a agressividade", explica a numerologista Suely de Souza.

Agora a humanidade entra numa nova etapa, tendo o número 2 como carro-chefe. Conforme Suely, é necessário que as pessoas busquem dentro de si a energia do 2 para, assim, usufruir da vibração positiva do número. Veja as principais características positivas do 2: cooperador, adaptável, tolerante, parceiro, gentil, diplomata, apaziguador, atencioso, mãe, sensível, colaborador, paciente, cauteloso, pacífico, cordial, união e feminino. Do lado negativo: inseguro, sensível, apático, tímido, submisso, indeciso, fútil, fingido, impaciente, cruel, desatencioso e o que quer paz a qualquer preço. No entanto, o 2 do ano estará seguido por mais três zeros. "O zero representa tudo ou nada. Sozinho não possui valor, mas é quem valoriza as coisas. Dois mil será mil vezes potencializado pelos três zeros, tanto no aspecto positivo como no negativo", destaca. Portanto, completa Suely, é o momento de estimular a união, buscando a paz mundial. "Para isso, será necessário que saibamos cooperar uns com os outros livres de todos os preconceitos", pondera. O dois também representa a mulher, desta forma, a expectativa é que as mulheres tenham grande destaque no próximo ano, nos mais diferentes campos de atividade. Além disso ele rege as águas, o que, de acordo com a numerologia, indica que o planeta estará suscetível a grandes inundações, maremotos e a poderosos projetos relacionados com o setor hidráulico e com a ecologia.

Suely garante, entretanto, que a maior busca será pela paz. "Mas será necessário que os seres humanos tenham consciência de que é fundamental cuidar da natureza com muito respeito, empenho e carinho, sabendo fazer bom uso de todo desenvolvimento tecnológico alcançado até agora, sem destruir o meio ambiente", diz. "Para atingir este objetivo, deveremos procurar manter o equilíbrio emocional em todos os setores de nossas vidas". A numerologia diz também que o ano 2000 irá favorecer artistas, compositores, inventores e místicos. "Pessoas ligadas à criação e às artes terão maior capacidade de expansão mental, pois o 2 contém forças criativas latentes. Será um tempo de espera, no qual as sementes da criatividade serão plantadas no subconsciente coletivo para dar início ao processo de crescimento e expansão da nova consciência de compartilhar, amar e dividir". O número 2, diz a estudiosa, também indica maior preocupação com o sentimento de cidadania e uma busca maior pela espiritualidade.

BRASIL 2000

Suely verifica que o nome "Brasil" apresenta a base do ano 2000. Ou seja, a letra "B" é a segunda do nosso alfabeto. "Desta forma, o País foi alicerçado sobre a energia do número 2", frisa. O aspecto positivo disso concede ao Brasil a característica de mãe acolhedora, amorosa, colaboradora, pacífica, sensível e atenciosa. Porém, negativamente, pode ser desatenciosa, insegura, fútil, tímida e submissa. Suely destaca que, numerologicamente, o que se espera no ano 2000 é que o povo brasileiro procure trabalhar a cooperação, a educação, a saúde, a habitação e a alimentação. "Enfim, tudo que uma boa mãe deve ter em mente para o sucesso, progresso e bem-estar dos seus filhos". Durante o ano que vem, conclui Suely, o Brasil viverá um período favorável a uma profunda análise de metas de conduta, para fortalecimento futuro. "É chegado o momento de nos unirmos, independentes de sermos o empregado ou o patrão, governantes ou governados, para podermos criar uma sociedade 'família', honrada, livre de egoísmo, violência, corrupção e desordem".


Chegada do ano 1000
causou histeria coletiva

Dizem os historiadores que o ano 1000, o chamado primeiro milênio, causou pânico e histeria coletiva em várias partes do mundo. "Na Idade Média, acreditava-se que o mundo acabaria no ano 1000", escreveu num ensaio o historiador francês Jules Michelet. "Antes do Cristianismo, os etruscos também tinham fixado seu fim dentro de dez séculos e a predição se cumpriu. O Cristianismo, passageiro sobre esta Terra, hóspede exilado do céu, adotou essas crenças... Este mundo não via em si a não ser o caos. Aspirava à ordem, esperava a morte".

No livro "O Ano Mil", outro historiador francês, o medievalista Georges Duby, discorre sobre um movimento coletivo detectado também agora, às vésperas do ano 2000. No entanto, não se trata de histeria, e sim dos "atos de purificação" que se multiplicam em função da chegada do novo milênio.

Se entre os cristãos as reações são mais moderadas, entre centenas de seitas espalhadas pelo mundo o clima é diferente; mais uma vez os profetas do Apocalipse esperam o fim do ano, agora para 1º de janeiro de 2000, principalmente com base em interpretações de passagens da Bíblia, das Centúrias de Nostradamus e até mesmo nas previsões de David Icke, um obscuro ex-goleiro do time de futebol do Coventry City, da Inglaterra.

Ele escreveu um livro em 1995, prevendo que o mundo acabaria em 1997 e relacionando uma sucessão de tragédias: Cuba engolida pelo mar, que também afundaria a Holanda, a Dinamarca e parte da Grã- Bretanha, do Japão e da Itália; vulcões entrariam em erupção em várias partes do mundo e terremotos destruiriam Nova York, Los Angeles e Las Vegas.

Embora tivesse sido motivo de piadas, o ex-goleiro e, agora, ex-profeta está em boa companhia. Afinal, o norte-americano Michael Drosnin afirma em seu "O Código da Bíblia" que uma guerra mundial poderá começar no ano 2000, um terremoto de grandes proporções deverá estremecer Los Angeles em 2010 e um holocausto atômico deverá ocorrer em 2016.

Em vez de previsões, Robert Lacey e Danny Danziger preferiram mergulhar nas pesquisas sobre o que aconteceu no primeiro milênio. No livro "O Ano 1000", eles contam, entre outras revelações, que, naquele tempo, havia 300 milhões de habitantes no planeta, a maioria habitando lugares que os europeus ainda desconheciam - China, Índia e África.

Segundo os autores, só nos mosteiros lia-se e escrevia-se. As moedas tinham validade de até três anos e havia muitos remédios contra pulgas, mas o povo não era muito chegado à higiene. Banho, nem pensar - só nos mosteiros é que os monges podiam tomar cinco banhos por ano, e isso era tido como sinal de fanatismo pela limpeza, na visão dos anglo-saxões. Para eles, banhar-se com tanto "exagero" era mesmo o fim do mundo. (Ademir Fernandes)

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George Harrison sofre atentado em sua casa

Ex-Beatle foi esfaqueado e se recupera em hospital

Henley-on-Thames, Grã-Bretanha - O ex-Beatle George Harrison se encontra hospitalizado desde ontem, em estado grave, mas não corre mais risco de vida, depois de ter sido esfaqueado várias vezes à noite, em sua casa, por um desconhecido. O agressor está preso, sendo interrogado pela polícia, que não divulgou os possíveis motivos da agressão.

O agressor, que conseguiu evitar o rigoroso esquema de segurança na casa do ex-Beatle, em Henley-on-Thames (centro da Inglaterra), é um homem de 33 anos, de Liverpool, a cidade onde nasceu o lendário grupo musical britânico. O fato pode reforçar a hipótese de um ato cometido por um desequilibrado mental, mas a polícia, que continuava interrogando o agressor pela manhã, quer evitar conclusões precipitadas. "Estudamos todas as hipóteses, no que diz respeito ao motivo" da agressão, disse um porta-voz.

John Lennon

A agressão a George Harrison lembra o assassinato de outro integrante da banda. O mais polêmico dos Beatles, John Lennon, foi assassinado a tiros em frente ao edifício Dakota, onde morava, em Nova York, por um desequilibrado, em 8 de dezembro de 1980, crime que traumatizou na época não só George Harrison, como também os outros dois Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr.

George Harrison, de 56 anos, foi esfaqueado "várias vezes no peito" e seu estado é "bastante grave, mas estável", informou a polícia. A vida de Harrison "não está em perigo", informou, por sua vez, um porta-voz do hospital Royal Berkshire, de Reading, onde foi levado o ex-guitarrista dos Beatles. O paciente está consciente e pode falar, afirmou. A esposa de George Harrison, Olivia, foi atingida na cabeça, mas seu estado foi considerado bom e ela não precisou ser hospitalizada.

George Harrison lutou com seu agressor, que invadiu sua casa, um antigo convento transformado em mansão de luxo, por volta das três e meia da madrugada, e conseguiu controlá-lo antes da chegada da polícia, precisou o porta-voz policial. O agressor foi hospitalizado por pouco tempo, para receber curativo dos golpes que recebeu durante a luta. Depois, foi levado a uma delegacia da cidade vizinha de Oxford para ser interrogado. George Harrison vive há cerca de 20 anos nesta casa, em Friar Park, onde as medidas de segurança são rigorosas.

Ex-produtor não vê relação com assassinato de John Lennon, em 1980

"É incrível, custa-me a crer que tenha sido atacado em sua casa, quase como o Fort Knox (as instalações onde são guardadas as reservas de ouro dos EUA). Há guardas, patrulhas com cães para manter afastados os curiosos e avisos nas grades", declarou Wayne Page, vizinho dos Harrison. Nesta mansão, rodeada de altas cercas e oculta por trás de um grande parque, George Harrison vive uma vida discreta, disse o ex-produtor dos Beatles, George Martin.

"George vive uma vida tranqüila, é uma pessoa com os pés sobre a terra. Não há nada que ele goste mais do que cuidar de seu jardim", declarou Martin ao canal de televisão Sky News. "Não posso crer que isso tenha a ver com o fato de que George Harrison seja um ex-Beatle ou que haja relação com o caso John Lennon. Creio que se trata de uma simples história de roubo que terminou mal", disse George Martin.

Além de uma carreira de produtor de cinema, George Harrison é um apaixonado pela filosofia oriental. Pertence ao Partido da Meditação Transcendental, criado na Índia por Mahirishi Mahesh Yogi, que foi guru dos Beatles e de quem Harrison continuou como adepto.

Harrison se divorciou em 1973 de Patty Boyd, com quem havia se casado em 1966, e se casou depois com Olivia Trinidad Arias, sua ex-secretária, com quem teve um filho, Dahni. Em 1998, o músico revelou à imprensa que sofria de um câncer na garganta, mas que conseguiu se curar.

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