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Hussein é
enterrado na Jordânia
Funeral do rei atraiu pôs
de lado velhas
rivalidades e atraiu 50 chefes de Estado
Amã - O funeral do rei Hussein, da Jordânia, fez jus à
sua fama de conciliador ao reunir numa mesma cerimônia mais de 50
chefes de Estado e governo - um raro acontecimento no mundo árabe
-, muitos deles inimigos entre si ou velhos rivais de Hussein, como o presidente
sírio, Hafez Assad. O funeral atraiu para um mesmo evento adversários
como Síria e Israel - um fato sem precedentes - e EUA e Iraque, mas
os organizadores tomaram o cuidado de instalar essas delegações
em locais separados.
Foi o maior encontro de reis, presidentes e chefes de governo desde o
enterro do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, assassinado em 1995.
Estiveram em peso em Amã dirigentes de países árabes,
os quais, em sua maioria, criticavam Hussein por ter feito a paz com Israel,
e uma grande delegação israelense, com 30 representantes,
liderados pelo presidente Ezer Weizman.
O presidente dos EUA, Bill Clinton, compareceu com três ex-titulares
da Casa Branca: Jimmy Carter, George Bush e Gerald Ford. Clinton reuniu-se
depois com o rei Abdullah 2º e falou com vários chefes de Estado,
incluindo seu colega russo, Boris Yeltsin, uma das presenças surpreendentes,
já que estava convalescendo e fora proibido pelos médicos
de viajar.
Inconformados
Envolto na bandeira jordaniana, o caixão foi levado ao meio-dia
do Palácio de Bar al-Salaam (Porta da Dor), nos arredores de Amã,
para o Palácio de Raghadan, onde fica o cemitério da família
e a sede do governo.
A rainha Noor, viúva de Hussein, e as outras mulheres da dinastia
hachemita - todas chorando e vestidas de preto, com um véu branco
cobrindo a cabeça - acompanharam a saída do féretro.
O esquife foi carregado por seis homens da família, liderados
pelo rei Abdullah e seus irmãos Faiçal, Ali, Hashem e Hamza,
o príncipe herdeiro. Eles entregaram o ataúde a oito militares
que o puseram num jipe, depois escoltado pelas ruas de Amã até
Raghadan, num trajeto de 12 quilômetros.
Centenas de milhares de jordanianos acompanharam o cortejo emocionados,
acenando com bandeiras pretas e entoando cânticos religiosos. Muitos
choravam, inconformados e receosos de que a perda do soberano, morto por
câncer, que governou a Jordânia por 47 anos, possa trazer instabilidade
ao país.
Irã protesta contra
uma declaração de Abdullah
Teerã - Teerã protestou oficialmente contra uma declaração
do novo rei da Jordânia, Abdullah Ibn Hussein, afirmando que o Irã
constitui uma ameaça para alguns países da região,
declarou a rádio iraquiano ontem.
O embaixador da Jordânia em Teerã foi convocado ao ministério
iraniano das Relações Exteriores para a notificação
do protesto, acrescentou a rádio, citando o porta-voz iraniano Hamid
Reza Assefi.
O príncipe Abdullah afirmou, em uma declaração publicada
no sábado pelo jornal árabe "Al Hayat", que o Irã
"continua constituindo uma ameaça para a segurança de
alguns países do Golfo".
No entanto, o embaixador da Jordânia respondeu, segundo a rádio,
que as declarações atribuídas ao rei foram "deformadas"
e afirmou que não havia "qualquer declaração hostil
do novo rei em relação ao Irã".
As presenças do presidente Bill Clinton e três de seus quatro
antecessores vivos no funeral do rei Hussein marcaram a disposição
de apoio dos Estados Unidos a um pequeno país que tem apenas 4 milhões
de habitantes mas é chave para o projeto americano de consolidação
da paz no Oriente Médio.
"Ele era um homem magnífico e, como muitos, eu gostava dele
e o admirava muito", disse Clinton sobre o monarca hachemita.
Ocidente faz pressão
para acordo de paz
Belgrado - O ministro de Exterior francês Hubert Vedrine, sublinhando
a determinação internacional de manter a paz em Kosovo, voltou
inesperadamente ontem para as conversações entre sérvios
e albaneses étnicos. Vedrine deverá retornar hoje com o secretário
de Exterior britânico, Robin Cook, para reunir-se com ambas as delegações,
que terão no máximo duas semanas para chegar a um acordo.
Ontem, o governo da Iugoslávia advertiu que não permitirá
a entrada em Kosovo de tropas da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (Otan). A aliança atlântica tem planos
de enviar 35 mil homens a Kosovo, caso as conversações entre
albaneses étnicos e sérvios, em Paris, cheguem a bom termo.
Se não houver acordo, a Sérvia sofrerá prolongado
bombardeio aéreo, ameaçou a secretária de Estado norte-americana,
Madeleine Albright. "Os ataques não vão se limitar a
alvos militares sérvios", ameaçou ela.
Os corpos de seis pessoas assassinadas a tiros foram encontrados entre
domingo e ontem em diferentes regiões de Kosovo, destacou o Centro
de Informação Sérvio (MC) em Pristina, capital da província
de Kosovo.
Timor Leste
Plebiscito dedicirá
sobre independência
Nações Unidas - Indonésia e Portugal, que finalizaram
ontem negociações sobre o futuro do Timor Leste, concordaram,
em princípio, com a realização de um plebiscito, organizado
pelas Nações Unidas, que poderia levar à independência
do território, informou o ministro português das Relações
Exteriores, Jaime Gama. Segundo o ministro, o voto, sobre se o Timor Leste
permanece como parte da Indonésia com uma ampla autonomia, deverá
acontecer em agosto.
Aids
Ex-ministros julgados
por sangue contaminado
Paris - Três ex-ministros socialistas serão julgados a partir
de hoje, em Paris, em um processo único no mundo sobre o caso de
sangue contaminado com Aids. Os acusados são o ex-primeiro-ministro,
Laurent Fabius, a ex-ministra de Assuntos Sociais, Georgina Dufoix, e o
ex-secretário de Estado para a Saúde, Edmond Hervé.
Quatro mil pessoas que receberam transfusões foram infectadas com
sangue contaminado pelo vírus da Aids antes que fosse posto em circulação,
em agosto de 1985, um exame para excluir os doadores de sangue portadores
do vírus. Seiscentas destas pessoas já haviam morrido.
Guarda suíça
Arquivado processo
sobre o cabo Tornay
Cidade do Vaticano - O juiz de instrução do Tribunal do
Vaticano, Gianluigi Marrone, anunciou ontem o arquivamento do processo sobre
o assassinato do comandante da Guarda Suíça, Alois Estermann,
e de sua esposa, Gladys Meza Romero. Segundo o Vaticano, ambos foram assassinados
em 4 de maio passado pelas balas disparadas pelo cabo Cedric Tornay, que,
pouco depois, se suicidou. Tornay sofreu um ataque de loucura provocado
pela negativa de Estermann em conceder a ele uma condecoração,
segundo a versão fornecida pelo Vaticano.

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Notas |
Impeachment
Julgamento de Clinton
entra na última semana
Washington - O julgamento do presidente norte-americano, Bill Clinton,
entrou em sua semana final ontem, enquanto os promotores da Câmara
dos Representantes fizeram um último apelo por apoio e defenderam
seus esforços para remover Clinton do cargo. Com a votação
dos dois artigos de impeachment prevista para sexta-feira, os senadores
trabalharam em uma moção de censura que poderia levar à
condenação do presidente no caso Mônica Lewinsky e se
preparavam para votar hoje a abertura de suas deliberações
finais a portas fechadas.
População
Foro avalia problemas
e progressos obtidos
Haia - O foro de alerta sobre a evolução demográfica
no planeta, organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a
População (FNUAP), começou ontem em Haia na presença
da diretora do organismo, a paquistanesa Nafis Sadik. O foro tem como objetivo
avaliar os progressos obtidos e os problemas que continuam existindo na
aplicação do programa da Conferência Internacional para
a População e o Desenvolvimento (CIPD), que prevê investimento
de US$ 17 bilhões ao ano até 2000 e de US$ 21 bilhões
até 2015. |
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