P
A
Í
S
 |
Itamar impõe condições
para negociar com FHC
Ministros do PMDB se reuniram
com governador
e não conseguiram os resultados esperados
Belo Horizonte - O governador mineiro Itamar Franco condicionou o fim
do impasse com o governo federal a quatro medidas consideradas "inegociáveis"
pelo Palácio do Planalto. Em encontro ontem com os três ministros
do PMDB, enviados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para colocar
um ponto final na crise, Itamar exigiu que sejam suspensos todos os bloqueios
de recursos estaduais e que tais medidas de retalização não
sejam repetidas enquanto perdurarem as dificuldades financeiras de Minas.
O governador quer ainda a devolução dos recursos retidos
do Estado, que totalizavam ontem R$ 90 milhões. "Para mim Minas
Gerais passou por uma intervenção branca do governo federal",
afirmou Itamar. A terceira imposição do político mineiro
é a de que o governo federal retire a orientação enviada
aos organismos internacionais de crédito para que não sejam
concedidos novos financiamentos ao governo de Minas.
Por último, o governador não abre mão da revisão
de alguns termos do contrato de renegociação da dívida
do Estado, assinado pelo seu antecessor, o ex-governador Eduardo Azeredo
(PSDB). Itamar quer que o Palácio do Planalto concorde com a moratória
que foi decretada em janeiro, dando-lhe um prazo para o pagamento das parcelas
da dívida, ou que reduza para 7% o limite de comprometimento da receita
do Estado com o pagamento dessa dívida, hoje fixado em 12,5%.
O encontro do governador com os ministros não produziu os resultados
esperados pelo governo. "Tentamos, ninguém pode dizer que não
fizemos nossa parte para o entendimento, como membros do PMDB e representantes
do governo federal", disse um dos ministros. Os ministros Eliseu Padilha
(Transportes), Renan Calheiros (Justiça) e Ovídio de Angelis
(Políticas Regionais) passaram duas horas conversando no Palácio
da Liberdade com o governador Itamar, que estava acompanhado do chefe de
seu gabinete civil, Henrique Hargreaves, e do secretário de Finanças,
Alexandre Dupeyrat.
Depois do encontro, o governador mineiro recebeu um grupo de mulheres
que lhe manifestaram apoio.
Situação crítica é
explicada para PM
Itamar Franco reuniu-se ontem, durante três horas, com o alto comando
da Polícia Militar. Ao fim do encontro, Itamar disse: "Sinto
muito, foi uma reunião fechada." O tom da reunião, segundo
fontes ligadas à PM, não foi o de confronto com o governo
federal. O governador de Minas Gerais fez aos coronéis um longo relato
sobre a situação crítica do Estado e as dificuldades
que poderá enfrentar, diante dos sucessivos bloqueios realizados
pela União.
Itamar falou aos comandantes da apreensão sobre um possível
descontrole das tropas, caso o Estado não tenha recursos para pagar
salários. O governo pediu a colaboração dos comandantes
para evitar rebeldia por parte dos soldados, quando faltar comida nos quartéis
e combustível para os carros.
O Banco Central informou ontem que ficará bloqueada no Banco do
Brasil a quantia de R$ 1,934 milhão, referente a um pagamento não
efetuado pelo governo de Minas Gerais, de uma dívida junto ao BID.
As outras contas, segundo o BC, já estão desbloqueadas.
Em São José dos Campos (SP), o presidente Fernando Henrique
Cardoso afirmou ontem ter ficado "perplexo" com as notas emitidas
anteontem pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Itamar
informava sobre a convocação do alto comando da Polícia
Militar e condenava o pedido do Banco Central (BC) para que os bancos bloqueassem
as contas do Estado. Segundo FHC, não há utilidade nenhuma
numa posição como essa.
Juiz afasta governador e prefeita
Maceió - O juiz eleitoral Fábio Bittencurt determinou o
afastamento do cargo do governador Ronaldo Lessa e da prefeita de Maceió,
Kátia Born, ambos do PSB. A decisão, publicada ontem no "Diário
Oficial do Estado", tem como base uma ação movida pelo
PT em 1996 por abuso do poder econômico contra Lessa, que era prefeito
e apoiava a candidatura de Kátia à sua sucessão. No
ano passado, o PT, coligado com o PSB para as eleições, pediu
a retirada da ação, mas o juiz desconsiderou o pedido.
Surpreso com a decisão do magistrado, Lessa recorreu por meio
de um mandado de segurança que seu advogado Aldemar de Miranda Motta
Júnior deu entrada ontem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ele
considera a decisão uma afronta à legislação
eleitoral. O governador continua despachando. Ele disse que só se
afastará do cargo caso seu diploma seja cassado pelo TRE.
Kátia vai viajar ao exterior e por isso passou o cargo para o
presidente da Câmara municipal, vereador Arnaldo Fontan. Para ela,
a decisão do juiz é política e não jurídica.
"Uma outra ação idêntica a essa do PT, movida na
época pelo PSL, foi derrubada pelo TRE, que teve sua decisão
reafirmada pelo TSE", afirmou a prefeita.
Inversão
Segundo o secretário de administração, Adriano Soares,
o juiz Bittencurt ao mandar o TRE afastar o governador e a prefeita "inverteu
a hierarquia". "Só quem pode cassar um diploma é
quem o concede, portanto quem deveria afastar o governador ou a prefeita
seria o TRE e não um juiz de primeira instância", explicou
Soares.
De acordo com Soares, em 29 de dezembro de 98 Bittencurt decidiu tornar
Lessa inelegível e não aceitou o recurso contra essa decisão,
alegando que o advogado do governador tinha recorrido fora do prazo. "O
prazo foi cumprido, mas o cartório estava fechado e temos uma declaração
nesse sentido. Portanto, não foi por falta de prazo e de argumentos
que o juiz decidiu tomar uma decisão estapafúrdia."
Guitarrista
Rubens Cubeiro
morre de derrame cerebral
São Paulo - O guitarrista Rubens Cubeiro Rodrigues, o Rubinho
do "Quinteto Onze e Meia", morreu ontem na capital paulista. Segundo
informações da produção do programa "Jô
Onze e Meia", o músico estava internado desde o final do ano
passado no Hospital Bandeirantes, na Liberdade, zona central da cidade,
para se recuperar de um acidente vascular cerebral (derrame). O enterro
ocorrerá hoje, às 10h30, no Cemitério Quarta Parada,
zona leste.
CPMF - Pela primeira vez desde o
início da autoconvocação do Congresso Nacional para
a contagem de prazo na tramitação da emenda que prorroga e
aumenta a alíquota da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), os parlamentares governistas
formaram o quórum mínimo exigido de 51 parlamentares para
abrir e fechar a sessão. Ontem, foi contada a quinta sessão
das 10 necessárias para contar prazo e receber a apresentação
de emendas.

|
|
Notas |
Assentamentos
Políticas de crédito
agrícola unificadas
Brasília - O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco
Turra, afirmou ontem que cerca de 300 mil famílias assentadas nos
projetos de reforma agrária do governo já estão em
condições de ser transferidos para o Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Isso deverá ocorrer
tão logo o governo conclua o projeto de unificação
de políticas de crédito para os assentados e os pequenos agricultores.
Segundo ele, o Brasil em Ação prevê um orçamento
de R$ 3 bilhões para os dois programas - Pronaf e o Programa de Crédito
Especial de Reforma Agrária (Procera) - este ano.
Wagner Montes
Apresentador
tem prisão decretada
Rio - O apresentador de TV Wagner Montes está com prisão
preventiva decretada, desde 1º de fevereiro, por ordem do desembargador
do Tribunal de Justiça do Rio, Dilson Navarro. A ordem refere-se
ao processo em que ele é acusado de matar três pessoas e ferir
outra em acidente de trânsito ocorrido em 1993. Embora a decisão
seja do começo do mês, só foi divulgada ontem. O desembargador
decretou a prisão preventiva porque Wagner Montes não foi
encontrado para ser interrogado, apesar de ser "um conhecido ator de
televisão", como assinalou o magistrado.
Rio
Juiz revoga prisão
de Luizinho Drumond
Rio - O juiz do 2º Tribunal de Justiça do Rio, José
Geraldo Antônio, revogou ontem o mandado de prisão temporária
expedido contra o banqueiro do jogo de bicho, presidente da Liga Independente
das Escolas de Samba (Liesa) e patrono da Imperatriz Leopoldinense, Luiz
Pacheco Drumond, o "Luizinho Drumond". Ele é acusado de
ser o mandante da morte do bicheiro Abílio da Silva Aleixo, o "Abílio
Português", de 68 anos, assassinado em agosto do ano passado,
em Bonsucesso. Também tiveram a prisão relaxada Lucimar Carlos
Teixeria e Carmem Miklos Pereira. |
|

|