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Poderes deflagram ação
emergencial nas finanças
AL e TJ vão calcular
mínimo que precisam para funcionar
Mirela Maria Vieira
Florianópolis - Os representantes do três poderes, reunidos
ontem no Palácio da Agronômica, decidiram deflagrar uma ação
emergencial para cortar gastos e equilibrar as finanças do Estado.
A recuperação das contas também passa por um mutirão,
que será desencadeado, para cobrar a dívida ativa do Estado,
estimada em R$ 1,3 bilhão.
A Assembléia vai entregar à Secretaria da Fazenda até
quarta-feira a estimativa de recursos mínimos indispensáveis
para manter seu funcionando, segundo seu presidente, Gilmar Knaesel (PPB).
Esse valor deve ficar em torno de R$ 5,5 milhões, suficientes apenas
para garantir os gastos do mês com salários, manutenção
e fornecedores.
O Poder Judiciário, embora o desembargador João Martins,
presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), não tenha
confirmado, deverá fazer o mesmo, já que o governo deve realizar
o repasse dos duodécimos até o dia 20, de acordo com a determinação
constitucional. "O governo terá a cooperação do
Judiciário", resumiu Martins. O acerto foi feito durante a reunião
entre os chefes dos três Poderes - Esperidião Amin (PPB), Gilmar
Knaesel (PPB), e o desembargador João Martins - realizada ontem,
no Palácio da Agronômica.
O encontro iniciou às 12 horas, apenas com os três representantes.
Às 17 horas, quando foi permitido o acesso da imprensa, estavam lá
o secretário da Fazenda, Antônio Carlos Vieira(PPB); o procurador-geral
do estado, Walter Zigelli; o presidente do Tribunal de Contas, Salomão
Ribas Júnior,e o deputado Lício Mauro da Silveira (PPB), colocando
à mostra a real gravidade da situação do caixa do Estado.
As conversações, segundo o governador, giraram em torno da
busca de solucões para reduzir gastos em todas as instâncias
públicas.
Mutirão
Além da adequação emergencial dos valores dos repasses
do Executivo ao Judiciário e ao Legislativo, ficou definida a realização
de um mutirão para agilizar a cobrança da dívida ativa,
calculada em R$1,3 bilhão, que vai começar no dia 1º
de abril, um dia depois de terminado o prazo de isenção de
multas e juros aos devedores, prevista pela Lei nº10.787, de 13 de
agosto de 98.
De acordo com o secretário da Fazenda, somente 100 empresas devem
40% deste total. O esquema seguirá a mesma linha adotada por Vieira
quando estava na Secretaria de Finanças de Florianópolis,
e vai envolver a Corregedoria Geral do Estado, o Tribunal de Justiça
e a Procuradoria Geral do Estado.
"Vamos ceder pessoal ao TJ, colocar dentro do fórum com
o juiz. Na prefeitura, conseguimos em 1997 aumentar para R$ 14 milhões
as execuções fiscais, que em 1996 tinham sido apenas de R$4
milhões", sentenciou esperançoso o secretário.
Já o Tribunal de Justiça, com a ajuda da procuradoria-geral,
disse que vai se empenhar na localização dos devedores e de
seus bens, uma das maiores dificuldades para o sucesso da execução
fiscal.
A polêmica dos descontos sobre os duodécimos deverá
continuar sendo discutida, de forma "a não ferir direitos, fora
do conflito e de forma construtiva", declarou cauteloso Esperidião
Amin (PPB).
Bauer conta com oposição
para aprovar emenda contra reajustes
Concórdia - O vice-governador Paulo Bauer disse ontem, em Concórdia,
que confia nos votos também da oposição para aprovar
a emenda constitucional que pretende evitar aumentos salariais nos três
poderes enquanto a folha de pagamento não for colocada em dia. Bauer
comandou a cerimônia de posse de indicados do PPB/PFL de Concórdia
para cargos regionais do governo Amin, realizada no final da manhã
no auditório do Parque de Exposições Attílio
Fontana.
O projeto de emenda constitucional será apresentada quarta-feira
na Assembléia. Para aprovar o projeto de emenda, o governo precisa
de 27 dos 40 votos. Caso o PSDB mantenha-se fiel ao governo, ainda assim
seria preciso contar com o voto de quatro deputados da oposição.
"Neste caso, que interessa a todo o funcionalismo, acredito que ninguém
votará observando a cor partidária", disse o vice-governador.
Bauer também avisou em Concórdia aos prefeitos da região
que não procurem o governo do Estado para solicitar obras. "Por
enquanto estamos nos esforçando para colocar os salários em
dia. Não há como assumir outro compromisso". Segundo
o vice-governador, o prefeito que for para Florianópolis com a intenção
apenas de solicitar dinheiro perderá a viagem.
A passagem de Bauer por Concórdia também serviu para discutir
a divisão de espaços entre PPB e PFL, que se desentenderam
em alguns momentos em janeiro. O PFL reclamou que o PPB não estaria
propondo uma divisão justa dos cargos. Bauer deu a receita para os
pefelistas do que é uma divisão justa. "Não se
deve observar apenas o número de cargos e sim a qualidade dos cargos.
Eu garanto que o PFL de Concórdia vai ocupar o espaço que
merece", prometeu. (Jean Carlos Souza)
Pasold anuncia o ingresso
de PTB na base governista
Jaraguá do Sul - O prefeito Irineu Pasold (PSDB) ampliou sua
base de sustentação na Câmara de Vereadores. A coligação
"Acerta Jaraguá" (PFL-PSDB) conta agora com apoio do PTB,
conforme anunciou Pasold na primeira coletiva do prefeito depois da morte
do empresário-prefeito Geraldo Werninghaus (PFL) no início
da semana. O anúncio pegou de surpresa, inclusive, o presidente do
PTB, Lio Tironi, que admitiu apenas a "aproximação",
mas não o ingresso do partido na aliança.
Pasold revelou ainda que a coligação vai prosseguir com
o projeto de reeleição em 2000. "Nas reuniões
com os líderes políticos do PFL, PSDB e PTB ficou acertado
que iremos continuar com projeto de Werninghaus na Prefeitura. Vamos somente
neste ano definir quem serão os nomes a candidatos", destacou.
O prefeitor afirmou continuidade da coligação e sua ampliação
na Câmara de Vereadores. Na quinta-feira à tarde, o prefeito
esteve reunido com os presidentes do diretórios do PFL, PSDB e PTB.
Com essa decisão, a base de sustentação na Câmara
passa de seis para nove aliados. "Na verdade, continuaremos com o projeto
Acerta Jaraguá independente de nomes", destacaram os vereadores.
Tucanos no Estado
Sobre a ameaça do PSDB desembarcar da coligação
que elegeu o governador Esperidião Amin (PPB), Pasold disse lamentar
que existam pessoas que não acreditam num projeto de desenvolvimento
do Estado. "Eu acredito no projeto do governador Amin e do seu vice,
o jaraguaense Paulo Bauer (PFL). Pode ter certeza que nós de Jaraguá
do Sul, independentemente da posição dos líderes do
PSDB no Estado, estaremos apoiando o governo do Estado."
Pasold informou ainda que esteve conversando com o deputado federal
Vicente Caropreso (PSDB) e que foi acertado uma maior aproximação
dos dois. "Certamente que agora nossa aproximação será
maior. Eu, na Prefeitura, e ele, em Brasília. A nossa aproximação
será importante para desenvolvimento não somente de Jaraguá
do Sul, mas sim de toda região." O prefeito disse ainda que
vai se reunir mensalmente, ou quando necessário, com os líderes
do PFL, PSDB e do PTB no município para planejar as obras e investimentos.
"Teremos um diálogo constante."
Negativa
Apesar de ter afirmado, em coletiva à imprensa, que ampliou sua
base de sustentação na Câmara de Vereadores com o apoio
dos vereadores do PTB, o presidente do partido, vereador Lio Tironi (PTB)
negou a aproximação. "Sei que o o novo prefeito quer
falar comigo, mas até agora não conversamos sobre esse assunto.
Estamos aberto a negociações, mas não foi acertado
nada", informou.
Segundo Tironi, os vereadores do PTB teriam participado de uma reunião
com o prefeito na quinta-feira, mas não foi tratado nada sobre uma
possível integração a coligação "Acerta
Jaraguá". Tironi disse que o partido está aberto a negociações,
mas somente depois de um convite formal e ampla discussão no partido
será possível dizer sim ou não a este convite. "Estranho
essa informação, mas pretendo me reunir com novo prefeito
na próxima semana." (Ney Bueno)

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Projeto |
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Vereadores do Sul lutam pela autonomia de câmaras
Criciúma - Presidentes das câmaras de 19 municípios
do Sul do Estado aprovaram esta semana a "Carta do Sul" pela autonomia
financeira e política do poder. O documento será enviado para
todos os legislativos da região para discutir a independência
das Câmaras de Vereadores. Paralelamente, o Legislativo de Criciúma
vai enviar expediente para Câmaral dos Deputados, solicitando ao parlamentar
Expedito Junior (PL-RO) a retomada do seu projeto, que defende a remessa
de recursos creditados pela União, diretamente na conta individual
dos poderes legislativos dos municípios. Para isso, a legislação
local terá que destinar percentual fixo dos recursos do Fundo de
Participação.
O presidente da Câmara de Vereadores, Adão da Silva (PMDB),
considerou positivo o encontro, e acredita que a partir dele o assunto começará
a ser discutido tecnicamente.
A maior preocupação dos vereadores é o atrelamento
do Legislativo ao Poder Executivo, principalmente na questão do repasse
do duodécimo, quando normalmente as prefeituras não cumprem
com os prazos legais. A questão política, segundo o vereador,
já é mais complicada, mas a premissa básica é
que os vereadores estão representando as comunidades que o elegeram
e não podem ficar submissos somente à vontade partidária. |
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