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Maciel cobra
a reforma política
Vice-presidente diz que mudança
partidária em 99 é fundamental
Gerson Camarotti
Agência Estado
Brasília - "Para mim, a reforma política é
um gênero de primeira necessidade, porque cada vez mais é fundamental
consolidar a democracia em nosso País e também porque a estabilidade
política é importantíssima para o bom desempenho da
economia e a solução da questão social". A afirmação
foi feita pelo vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL-PE),
em entrevista ao repórter Gerson Camarotti, da Agência Estado.
Segundo Maciel, ao contrário do que se pensa, quando se fala em reforma
política "fala-se em ajudar a fazer com que o Brasil se consolide,
consolide a sua economia, melhore o seu desempenho no campo social e crie
condições para superar as desigualdade que ainda marcam o
espaço social brasileiro".
"A estabilidade é uma palavra chave, sobretudo ao que se
refere a estabilidade política", acrescenta o vice-presidente.
"Se nós olharmos os acontecimentos recentes que ocorreram a
partir de julho do ano passado, a gente chega a uma conclusão óbvia
de que os países que saíram mais rapidamente da crise foram
aqueles que tinham democracia mais robusta enquanto que os países
que não tinham instituições estáveis sofreram
muito e ainda sofrem".
Tido como uma das figuras mais discretas da República, Marco
Maciel é o principal articulador da proposta de reforma política
defendida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e não pretende
perder o ano de 1999 para acelerar a tramitação da emenda,
que já deu os seus primeiros passos no Congresso.
Ele defende com firmeza a reeleição para os atuais prefeitos,
como um voto de confiança. "Se não, parece que nós
temos um casuísmo, fazemos reeleição para presidente
e governador e na hora da Prefeitura não fazemos". Para o vice-presidente,
a reforma política é um fator preponderante na construção
da governabilidade do País e a fidelidade dos políticos aos
partidos deveria ser de, no mínimo, três anos.
Sem a reforma política a governabilidade do País fica
em jogo?
Marco Maciel - Não, eu não diria que sem uma reforma política
a estabilidade do País estaria em jogo, porque acho que o Brasil
tem hoje muita saúde democrática. As últimas eleições
têm demonstrado isso e há uma consciência muito aguda
no povo de que esse é o caminho. Acho também que o Brasil
vive hoje num regime de plena liberdade, pluralismo, um amplo pluralismo
que é uma característica de regime verdadeiramente democrático
e mais, com as instituições funcionando em toda a sua intensidade.
Vivemos mais do que numa democracia quase numa poliarquia, tantos são
os atores no processo político no Brasil. Depois temos um eleitorado
extremamente participativo, nós somos o segundo maior eleitorado
do mundo ocidental, praticamente mais de dois terços da população
do Brasil já votam. Quando digo que isso afeta a governabilidade,
não diz respeito a estabilidade. Eu falo do desempenho do governo.
Esta foi uma dificuldade no primeiro governo, não é?
Maciel - Você apontou muito bem. Em 1994, nós conseguimos
eleger no primeiro turno o presidente Fernando Henrique Cardoso, que teve
56% dos votos, algo inédito no País, e acho que nem na eleição
de Dutra, quando tudo era muito diferente, o eleitorado era bem menor, um
presidente da República alcançou tal percentual de votos.
Mas, veja, apesar disso nós não conseguimos fazer maioria
no Congresso, porque o sistema eleitoral não induz a isso. Então,
o presidente obteve 56% do votos, maioria absoluta, vitória no primeiro
turno e tinha uma base parlamentar que ficava em torno de 30%. Daí
que nós tivemos que nos valer de partidos que tiveram candidatos
em 1994 e não fizeram parte de nossa coligação, mas
mais do que isso, tiveram candidatos e propostas distintas. Nós tivemos,
já no primeiro instante, na composição do ministério
60 dias após a eleição, que recorrer a negociações
com esses partidos, inclusive dando-lhes ministérios e órgãos
de primeiro escalão, como aconteceu com o PMDB e o PTB, para que
a gente tivesse as mínimas condições de governar. Apesar
disso, o presidente não fez maioria absoluta, sequer maioria relativa
e nós tivemos que trabalhar com empréstimos de partidos que
não tinham participados da coligação.
É por isso que o senhor acha que é preciso mudar.
Maciel - E acho até que já há um certo consenso
do próprio Congresso de que precisamos fazer essas reformas, inclusive
fazer melhorar o nosso sistema eleitoral e melhorar a nossa organização
partidária. O sistema político é formado basicamente
por esses dois grandes sub-sistemas e ambos precisam ser compatíveis.
O sistema eleitoral tem que concorrer para melhorar o sistema partidário
e o sistema partidário tem que estruturar-se de tal maneira que concorra
para que o sistema eleitoral possa dar as melhores respostas. O que acontece
no Brasil é que o sistema eleitoral também concorre para que
haja governabilidade, o sistema eleitoral brasileiro não vincula
o eleitor ao partido vincula ao candidato, então, a pessoa termina
votando em nomes e não em partidos.
Qual o calendário ideal para essa reforma política?
Maciel - Acho que não podemos perder o ano de 1999, porque, se
nós não fizermos a reforma neste ano, ela não poderá
ser feita no ano 2000. Por causa do calendário eleitoral, a gente
tem que fazer a reforma até o fim de setembro de 1999, já
que a Constituição diz no seu artigo 16 que uma reforma eleitoral
para que possa vigorar para a eleição subseqüente precisa
ser aprovada um ano antes. Acho que pode haver, como já está
havendo, uma divisão de trabalho. A Câmara está vendo
o ajuste fiscal e o Senado podia começar a discutir e votar a reforma
política, já que tem uma comissão permanente para tratar
desse assunto. Não vejo incompatibilidade entre as duas coisas e
acho que postergar mais uma vez não seria bom. Já há
no Congresso consenso em torno de algumas coisas, como a fidelidade partidária,
por exemplo.
Quais seriam os principais pontos da reforma política que o
senhor defende?
Maciel - A minha tese é o seguinte: ou nós fazemos o voto
que impropriamente chamam de distrital misto, porque os sistemas eleitorais
são majoritários ou proporcionais. Essa expressão distrital
misto que todo mundo usa é equivocada. Um sistema é majoritário
e o outro é proporcional. Toda eleição se passa numa
circunscrição eleitoral, num distrito, no Estado ou num município,
então, os sistemas ou são majoritários - em que ganha
aquele que fizer mais votos - ou são proporcionais - em que, naturalmente,
se elegerão aqueles que estejam mais votados nas suas respectivas
legendas em função da proporcionalidade de voto. Então
o que eu defendo é um sistema próximo ao alemão, que
nós apelidamos de distrital misto, que concilia eleição
de parte da representação pelo sistema majoritário
e outra parte pelo sistema proporcional. Eu acho que é um bom modelo,
o modelo alemão demonstra muita saúde, muita rigidez.
Seqüestradores esperam
transferência na quarta
São Paulo - Os cinco seqüestradores chilenos do empresário
Abílio Diniz esperam a formalização dos papéis
para a transferência do grupo até segunda-feira. Eles acreditam
ainda que podem deixar o Brasil rumo ao Chile na quarta. Essa expectativa
foi confirmada ontem pelo irmão de Sérgio Urtubia, Alejandro,
que, ao lado da mãe, Eliana, esteve pela manhã no Hospital
das Clínicas (HC), onde os presos se recuperam da greve de fome de
46 dias. De acordo com Alejandro Urtubia, os oito seqüestradores continuam
na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do HC. O brasileiro Raimundo Freire
apresenta maiores problemas de saúde. O grupo está sendo alimentado
com base em uma dieta líquida, que inclui água, caldo de feijão
e um pouco de gelatina.
Ex-presos e exilados
políticos se reúnem
Recife - Ex-presos e ex-exilados políticos brasileiros de todo
País reuniram-se ontem no Recife num encontro de confraternização
e preparação de uma série de atividades para marcar
os 20 anos da anistia, em 99. Foi lançado um CD com debates e presos
políticos cantando canções e hinos gravados há
20 anos, em fita cassete encontrada recentemente. Segundo o senador Roberto
Freire, um dos participantes do encontro, a reunião é também
para "evitar que se perca a memória do País, lembrando
fatos nebulosos do passado às gerações atuais e futuras,
para que encontros como este não mais se realizem".
Duas pessoas ainda
estão desaparecidas
São Paulo - Duas pessoas continuavam desaparecidas na tarde de
ontem, um dia depois de a primeira chuva do ano provocar enchentes na Grande
São Paulo. Na capital, as regiões mais atingidas foram os
bairros próximos ao Córrego Pirajuçara, nas zonas oeste
e sul. A Defesa Civil Estadual não registrou desabrigados em virtude
das cheias. Enquanto funcionários das empresas responsáveis
pela limpeza pública recolhiam a sujeira e lavavam as ruas na manhã
de ontem, os moradores, sentados nas calçadas, lamentavam as perdas
e discutiam a possibilidade de deixar suas casas. Para eles, pode ser só
o começo de um "inferno".
Garotinho revoga cinco
decretos de Alencar
Rio - Em seu primeiro dia de trabalho como governador do Rio, Anthony
Garotinho (PDT) revogou ontem cinco dos últimos atos do ex-governador
Marcello Alencar (PSDB). Entre eles a contratação de 460 pessoas
e mudanças no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS) que, disse, reduzem a receita do Estado. Garotinho
também determinou à Casa Civil que examine mais de 20 processos
assinados pelo ex-governador cujo conteúdo desconhece e afirmou que
todos os computadores do Palácio Guanabara tiveram seus arquivos
apagados. Os decretos e processos foram publicados em 31 de dezembro de
1998 no "Diário Oficial" do Estado.

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Fases |
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"O sistema eleitoral tem que concorrer para melhorar o sistema partidário
e o sistema partidário tem que estruturar-se de tal maneira que concorra
para que o sistema eleitoral possa dar as melhores respostas"
"Por causa do calendário eleitoral, a gente tem que fazer
a reforma até o fim de setembro de 1999, já que a Constituição
diz no seu artigo 16 que uma reforma eleitoral para que possa vigorar para
a eleição subseqüente precisa ser aprovada um ano antes" |
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