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CPMF é
prioridade no Congresso
Convocação
extraordinária começa hoje com o desafio de acelerar a aprovação
do ajuste fiscal e as reformas
Brasília - A convocação extraordinária do
Congresso Nacional começa hoje, com o desafio de acelerar a conclusão
da votação do programa de estabilidade fiscal que vai permitir
ao governo economizar R$ 28 bilhões ao longo deste ano. Os temas
mais urgentes são a emenda que prorroga e aumenta para 0,38% a alíquota
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) e o Orçamento da União.
Enquanto o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estiver recebendo
os cumprimentos do corpo diplomático e dos chefes de Estado no Palácio
do Itamaraty, na última solenidade de sua posse, os parlamentares
da atual bancada governista estarão voltando à capital federal
para o esforço concentrado.
A convocação é o último estágio da
atuação de parte dos parlamentares que figuram na base de
sustentação do primeiro governo de Fernando Henrique, que
não se reelegeram em outubro passado. A nova bancada - cuja maior
renovação deu-se na Câmara - assumirá em meados
de fevereiro quando começa a próxima legislatura do Congresso.
Mapeamento feito por operadores políticos do Palácio do Planalto
indicam que a nova bancada é bem mais coesa do que a atual, composta
por políticos mais afinados aos interesses do governo, o que deverá
facilitar a articulação política.
Articulações
Hoje, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Arnaldo
Madeira (PSDB-SP), vai encontrar-se com diversos ministros para conversar
sobre a pauta da convocação extraordinária. Ele estará
com o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho; com o ministro
da Previdência, Waldeck Ornelas; e com o secretário-geral da
Presidência, Eduardo Graeff. Terça-feira, Madeira fará
uma segunda rodada de conversas, desta vez, com os líderes dos partidos
aliados ao governo no Congresso. "Vamos estabelecer um cronograma e
definir as prioridades da pauta", informou. Também está
cogitada para terça a primeira reunião de articulação
política do novo governo, envolvendo alguns dos ministros que terão
como papel também a interlocução com os partidos da
bancada governista.
Pela manhã, deverão sentar-se à mesa o novo ministro
das Comunicações, Pimenta da Veiga - que assumiu formalmente
o papel de articulador político do presidente junto ao Congresso
-, o ministro da Previdência, Waldeck Ornelas; dos Transportes, Eliseu
Padilha; e do Trabalho, Francisco Dorneles. Juntos, os ministros cuidarão
da mobilização das bancadas de seus partidos: PSDB, PFL, PMDB
e PPB, respectivamente.
Mudança de regimento interno
na Câmara para agilizar votação
Brasília - Na primeira semana da convocação, prevêem
os políticos, as atenções estarão voltadas para
o Senado, onde a emenda da CPMF caminha a passos largos. Já foi aprovada
pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
e teve sua discussão em plenário iniciada em dezembro passado,
antes do recesso. A votação, em dois turnos, deverá
ser concluída até o dia 20. Até lá, os líderes
dos partidos governistas esperam já ter encontrado uma solução
para acelerar a votação da emenda na Câmara, onde a
tramitação é mais longa. A saída em negociação
é uma mudança no regimento interno, para dispensar a apreciação
da emenda constitucional em comissão especial.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), já se dispôs
a acrescentar na pauta da convocação extraordinária
a reforma regimental, se houver consenso entre os líderes dos partidos.
"A reforma do regimento não está na pauta, mas se os
líderes quiserem, eu a incluo", disse Temer.
Se a Câmara concordar com uma reforma no regimento, alterando normas
que hoje atrasam o processo legislativo para a aprovação de
emenda constitucional, o governo resolverá um dos problemas que mais
lhe preocupa com relação às medidas do ajuste fiscal,
antecipando em um mês a vigência da CPMF, que nos prazos atuais
deverá voltar a ser cobrada somente no segundo semestre. A cada mês
de atraso na cobrança do novo imposto, o governo perde cerca de R$
2 bilhões em arrecadação.
Reformas
Além de temas ligados ao programa de estabilidade fiscal, o Congresso
estará apreciando a regulamentação da reforma administrativa,
cujo eventual fracasso na aprovação poderá custar ao
governo mais alguns milhares de reais. Entre os projetos de lei mais importantes,
está o que permitirá a demissão de servidores públicos
por excesso de quadros - facilitando o enquadramento de Estados e municípios
às regras da Lei Camata, que limita a 60% da receita os gastos dos
governos com o pagamento do funcionalismo - e por seu desempenho na função.
O presidente Fernando Henrique Cardoso também pretende viabilizar
a rápida aprovação da reforma política. Este
é um dos instrumentos com que espera trazer suas relações
com a bancada governista a um patamar mais elevado, eliminando o balcão
de negócios que se tornou a conquista de votos favoráveis
ao longo do seu primeiro mandato.
Favorecida pela delicada conjuntura econômica nacional - fragilizada
pelas crises internacionais -, a proposta de reforma tributária poderá
sair, finalmente, das gavetas da Câmara dos Deputados e chegar ao
plenário. O passo mais importante já foi dado: o governo já
entregou ao relator da matéria, deputado Mussa Demes (PFL-PI), suas
sugestões para a emenda.
O substitutivo poderá ficar pronto durante a convocação,
antecipando o início às discussões na comissão
especial. Embora confiantes no momento político, os parlamentares
não cogitam aprovar a reforma tributária no primeiro semestre
deste ano. Polêmica, a reforma do sistema tributário vai demandar
muita conversa e negociação política.
Incêndio em Salvador
destrói arquivos
Salvador - Um incêndio destruiu na tarde de sábado as salas
do prédio onde funcionavam o Tribunal de Contas do Estado e o Tribunal
de Contas dos Municípios, no centro administrativo da Bahia. O fogo
começou por volta das 15h30, no primeiro andar, e logo se alastrou
para diversos pontos, atingindo os dois pavimentos superiores. Os arquivos
em papel, referentes a processos de cerca de 200 municípios, foram
completamente destruídos. Os técnicos examinam hoje o setor
de microfilmagem, que fica no andar térreo, para avaliar o aproveitamento
de parte do material. Embora não tenham sido atingidos pelas chamas,
os filmes podem ter sido danificados pelo calor excessivo. Seis operários
que faziam reparos em móveis escaparam pelo térreo assim que
perceberam a fumaça. Um curto-circuito em um dos computadores ou
aparelhos de ar-condicionado pode ter dado início ao incêndio.
Pelo menos mais cinco desabamentos ocorreram hoje no município
de Três Rios, a 123 quilômetros do Rio de Janeiro, onde três
pessoas morreram e 25 ficaram feridas em conseqüência das chuvas
que desde o dia 1º castigam o interior do Estado. O prefeito Railegh
Ramalho decretou situação de emergência. O secretário
estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Gomes, está desde sábado
no município para fazer o mapeamento dos prejuízos. A previsão
da meteorologia é de que voltaria a chover pelos próximos
três dias.

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2º
Mandato |
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FHC recebe hoje chefes de Estado e encerra posse
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso protagoniza
hoje a última cerimônia de posse no seu segundo mandato e recebe
para almoçar dez chefes de Estado e o corpo diplomático instalado
no Brasil no Palácio do Itamaraty. Os rituais da posse foram divididos
em duas etapas para poupar gastos ao governo brasileiro, que continua preocupado
em controlar o déficit público. Estarão presentes 180
autoridades internacionais, incluídos cinco presidentes de países
vizinhos: Carlos Menen, da Argentina; Raul Cubas Gráu, do Paraguai;
Alberto Fujimori, do Peru; Jamil Mahuad, do Equador; e Jules Wijdenbosch,
do Suriname. Outras autoridades deverão mandar representantes. Apesar
da maior inserção internacional do Brasil no cenário
mundial, não é aguardado nenhum chefe de Estado do chamado
Primeiro Mundo. |
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