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Itamar mantém
moratória em MG
Governador pretende renegociar
dívida de R$ 18,5 bi do Estado para coma União
Belo Horizonte - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), manteve
ontem a decisão de suspender temporariamente o pagamento da dívida
do Estado junto à União, a despeito das críticas que
o anúncio da medida recebeu nos últimos dois dias. Em entrevista
no final da tarde, Itamar disse que o Estado deverá permanecer em
moratória, não pagando sua dívida junto à União,
até que sejam obtidas melhores condições para fazê-lo
que as negociadas por seu antecessor, Eduardo Azeredo (PSDB). ''A situação
financeira é realmente dramática e não há como
o governo do Estado cumprir o que foi previsto na renegociação
da dívida'', frisou.
Itamar afirmou ainda que a decisão de não quitar compromissos
tem sido prática comum da União para com credores internacionais
e que, por isso, ''o governo brasileiro não pode estranhar a moratória''.
Acrescentou que ''quando assumimos a Presidência da República,
e o ministro Malan vai se lembrar disso, porque ele foi indicado por mim
para ser o negociador da dívida externa, fizemos um acordo sem o
qual o Brasil estaria em moratória até hoje''. O governador
mineiro lembrou ainda que Minas encontra-se em moratória, desde o
governo Azeredo, e que a suspensão do pagamento da dívida
junto à União não será novidade.
O ex-presidente informou terencontrado no caixa do governo estadual,
ao assumir o cargo, apenas R$ 22 milhões - um cheque de R$ 19 milhões
e outro de R$ 3 milhões. Isso, segundo ele, transformou em um grande
desafio o pagamento dos vencimentos do funcionalismo referentes ao mês
de dezembro (R$ 470 milhões) e também do 13º a 318 mil
pessoas, que Azeredo deixou sem receber.
O governador garantiu que está confiante na obtenção,
pelo Estado, de ''melhores condições para o pagamento da dívida''.
O assunto, segundo ele, será debatido entre o secretário da
Fazenda e ex-ministro Alexandre Dupeyrat e o ministro Pedro Malan, esta
semana.
Deverá ser cancelado o pagamento de cerca de R$ 18,5 bilhões,
compreendendo a parte mobiliária e o empréstimo concedido
pela União para a reestruturação dos bancos estaduais,
há dois anos, que foi refinanciado durante o governo de Eduardo Azeredo
(PSDB). Pelo acordo, agora rechaçado por Itamar, as duas dívidas
deveriam ser quitadas em 30 anos, com juros de 6% e 7,5% ao ano, respectativamente.
Em 1999, 13% da receita do Estado deveriam ser comprometidos com o pagamento.
Além de suspender o pagamento da dívida com a União,
Itamar deve baixar, provavelmente hoje, um decreto cancelando, por pelo
menos 90 dias, o pagamento de R$ 4 bilhões.
Congresso deverá fazer
pressão por mudanças
Brasília - A pressão pelas mundanças no valor das
parcelas das dívidas dos Estados é inevitável, segundo
avaliou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). De acordo
com o deputado, as novas bancadas estaduais deverão chegar a Brasília
trazendo reivindicações dos governadores, no sentido de rever
o acordo."Acho que vai ser um ponto de pressão grande",
comentou.
Embora acredite que uma revisão poderá trazer maiores
dificuldades ao ajuste fiscal, o presidente da Câmara acha que "o
governo deverá negociar, se for o caso". O líder do PSDB
na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), acha que o Rio poderá conseguir
alguma alteração nas regras, uma vez que não chegou
a assinar contrato com o governo federal. "Se ele (o governador Anthony
Garotinho) não quiser renegociação, fica tudo como
está", comentou. Ele acredita, porém, que será
difícil fazer uma revisão nos demais casos. "As condições
têm de ser iguais para todos os Estados", lembrou.
Já o líder do governo no Congresso, José Roberto
Arruda (PSDB-DF) reagiu com irritação à tentativa de
moratória de Minas Gerais. Ele afirmou que uma revisão é
"absolutamente impensável" e que os governadores têm
de ter responsabilidade ao falar desse tema.
Fernando Henrique acha
decisão ruim para o Brasil
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso espera que
a intenção - já anunciada pelo novo governador de Minas
Gerais, Itamar Franco (PMDB), de suspender o pagamento da dívida
do Estado, não se concretize. "No momento em que o governo Federal
está fazendo um grande esforço de ajustamento fiscal, num
momento delicado do ponto de vista da crise financeira internacional, o
presidente espera que esta não seja uma decisão já
tomada do governo do Estado de Minas porque esta decisão seria ruim
para Minas, seria ruim para o Brasil", afirmou o porta-voz da Presidência,
Sergio Amaral.
Fernando Henrique ressaltou que a cooperação de todos
os Estados, "neste momento, é muito importante" e lembrou
que a renegociação foi feita para ajudá-los no saneamento
financeiro. "Se for uma decisão (de Itamar em suspender os pagamentos)
já tomada ela é muito prejudicial para Minas e para o Brasil",
insistiu Amaral.
Linha dura
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem que o governo federal
não pretende rever os contratos de refinanciamento das dívidas
estaduais. "Temos um contrato e contratos devem ser cumpridos",
comentou. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
Pedro Parente, afirmou que "não há chance" de um
Estado suspender os pagamentos e rever os termos do acordo. Ele explicou
ainda que os contratos prevêem formas de o governo federal reter os
recursos necessários para que os Estados honrem as prestações.
"Temos garantias e elas serão executadas", afirmou. Por
isso, Minas Gerais e Rio não terão como suspender o pagamento
das parcelas do refinanciamento da dívida pela União, de acordo
com o que anunciaram os novos governadores, Itamar Franco (PMDB-MG) e Anthony
Garotinho (PDT-RJ).
"Existe um contrato em vigor e ele foi aprovado pelas assembléias
legislativas de cada Estado; ninguém foi forçado a assinar
nada.", observou Parente, que arquitetou o programa de saneamento das
finanças estaduais. "Nós não temos o poder de
não cumprí-lo".
Parente lembrou que o contrato prevê garantias, no caso de as
parcelas do empréstimo não serem honradas. Em todos os acordos
firmados com os Estados, o governo federal ganhou poderes para reter os
recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) com o
objetivo de saldar a parcela. Foi autorizado também a sacar recursos
da arrecadação própria dos Estados, cujo principal
componente é o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS). Não há, portanto, meios de o Estado
negar-se a pagar as parcelas. Essas regras também foram aprovadas
pelo Senado.
Planos de saúde fazem mudanças
São Paulo - As empresas de plano de saúde estão
se preparando de formas diferentes para as novas regulamentações
da lei do setor, que entrou em vigor ontem. A Samcil, que administra a Trasmontano,
por exemplo, contou com o auxílio de uma empresa de consultoria internacional
para auxiliá-la a calcular os novos valores dos produtos que serão
oferecidos. "Precisamos encaixar os planos existentes em um dos seis
setores determinados pela lei", explica Rogério Moreira, coordenador
de assuntos estratégicos da Samcil.
Moreira explica que pretende lançar produtos competitivos, oferecendo
mais do que o estipulado por lei, a um preço acessível. "Queremos
ser mais competitivos." Outra proposta será efetuar a troca
de plano, do atual para um que se encaixe nas novas regras, na data do aniversário
do contrato, em vez de esperar até dezembro, data-limite estipulada
pela lei. Para contornar o aumento nas mensalidades, decorrentes das regulamentações,
a Amil Brasil oferece uma franquia opcional. Caso o usuário opte
por uma das três franquias, a mensalidade terá descontos de
15% a 30%.
A AGF Brasil Seguros atende somente empresas, o que facilitou a adaptação,
uma vez que os contratos são agrupados por categoria. Segundo Reginaldo
Pereira Nakau, diretor-executivo da área de seguro-saúde,
certos parâmetros foram usados como base para calcular o preço
dos 50 novos produtos oferecidos pela empresa, que precisaram ser reformulados
para cobrir atendimento psiquiátrico e internação.
Sessão extraordinária é
aberta com baixo quórum
Brasília - A convocação extraordinária do
Congresso Nacional foi aberta ontem em uma cerimônia rápida,
com quórum baixo e sem nenhuma deliberação. O presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse não acreditar que
o baixo quórum registrado no Congresso ontem, primeiro dia do período
de convocação extraordinária, se repita nas próximas
semanas. Segundo o deputado, o quórum baixo deverá limitar-se
aos dois primeiros dias porque neles, segundo o regimento interno, não
pode haver votação.
Os poucos parlamentares que passaram pelos plenários da Câmara
dos Deputados e do Senado, contudo, não pouparam críticas
ao governo federal, sinalizando dificuldades para as pretensões do
Palácio do Planalto em ver concluído com rapidez o programa
de estabilidade fiscal. Além de críticas à condução
do ajuste, os políticos que ontem estiveram no Congresso também
indicaram discordância com relação às mudanças
no regimento interno.
O deputado José Genoíno (PT-SP) apresentou uma questão
de ordem para impedir que mudanças no regimento interno da Câmara
sejam realizadas durante a convocação extraordinária.
Segundo Genoíno, esta matéria não consta do ato de
convocação assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso,
e as Mesas da Câmara e do Senado só poderiam fazer adendos
a essa pauta mediante consulta, e anuência, a todos os partidos.
O governo federal está interessado nas alterações
do regimento da Câmara para acelerar a votação da emenda
que prorroga e aumenta a alíquota da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF). A idéia em discussão
é restringir a tramitação das emendas constitucionais
às comissões especiais.

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Notas |
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Brito deixa dívida de R$ 200 milhões
Porto Alegre - O governo Antonio Britto (PMDB), do Rio Grande do Sul,
deixou uma dívida de R$ 194.044.015,12 em precatórios para
serem pagos pelo sucessor, o novo governador Olívio Dutra (PT). Como
este valor foi apenas parcialmente atualizado e não inclui os débitos
das companhias estaduais, deverá subir mais, passando os R$ 200 milhões.
Os números foram revelados ontem pela diretora de Despesa Pública
Estadual, Íria Rotunno, e englobam dívidas pendentes tanto
no Tribunal de Justiça do Estado (TJE) quanto no Tribunal Regional
do Trabalho (TRT) da 4ª Região.
Lerner deverá manter o acordo
Curitiba - Assessores do governador do Paraná, Jaime Lerner
(PFL), garantiram ontem que o Estado não pensa em suspender o pagamento
da dívida renegociada com o governo federal em fins de 1997. O débito
com a União, na época da assinatura do acordo, era de R$ 520
milhões, proveniente, segundo a Secretaria de Planejamento, de letras
emitidas havia cerca de dez anos. O acordo prevê o pagamento em 30
anos, com juros anuais de 6%.
Lessa vai rever todos os contratos
Maceió - O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse
ontem que não decretou moratória, mas determinou a revisão
de todos os contratos em vigor para saber os preços de equipamentos
adquiridos e obras contratadas pelo Estado, bem como as condições
de fornecimento de materiais e a execução dos serviços.
Segundo o governador, o pagamento aos fornecedores só não
foi suspenso para não prejudicar o andamento da máquina administrativa,
mas toda e qualquer irregularidade encontrada irá resultar na suspensão
do contrato.
Comissão vai analisar procedência da dívida
Recife - O novo governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB),
anunciou ontem a criação, na Secretaria de Fazenda, de uma
comissão que vai analisar e detalhar a procedência e legalidade
das dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. Antes
de efetuar pagamentos, Vasconcelos quer saber se os débitos são
legítimos. "Essa é uma condição indispensável
para o reconhecimento do débito e posterior pagamento", afirmou.
Justiça manda Maluf devolver dinheiro
São Paulo - O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) foi condenado ontem
pela Justiça de São Paulo a ressarcir danos causados aos cofres
públicos por meio de operações irregulares de venda
e compra de Letras Financeiras do Tesouro Municipal (LFTMs), realizadas
nos dias 1º de dezembro de 1994 e 21 e 29 de novembro de 1995. O prejuízo
apurado alcança R$ 2,53 milhões, em valores da época.
A sentença foi aplicada pela juíza Maria de Fátima
dos Santos Gomes, da 3ª Vara da Fazenda, em ação popular
movida por nove vereadores do PT. |
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