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Senado tenta aprovar
hoje aumento da CPMF

Câmara decide não votar contribuição de inativos durante o período de convocação extraordinária

Brasília - O governo tentará aprovar hoje, em primeiro turno, no plenário do Senado, a proposta que prorroga e aumenta para 0,38% a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A proposta não recebeu emendas até o final do dia de ontem, o que permite ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), levá-la à votação hoje à tarde.

Além da CPMF, as outras votações do ajuste fiscal durante a convocação extraordinária do Congresso foram encaminhadas ontem pelos líderes governistas. Na Câmara, eles decidiram não incluir na pauta extra a proposta que cria a contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos.

Os aliados do governo no Senado iniciaram ontem a discussão da CPMF no plenário e a mobilização dos demais senadores para garantir quórum à votação desta quarta-feira. Ontem a presença já era favorável. O número de senadores presentes chegou a 62 no final da tarde - quórum considerado seguro pela liderança governista para aprovar uma proposta de emenda constitucional, que exige um mínimo de 49 votos a favor. O relator da CPMF, senador Romeu Tuma (PFL-SP), acha que, se aprovada hoje, a proposta poderá ser votada em segundo turno num prazo de 15 dias.

Na reunião de líderes ficou decidido que, na segunda semana de trabalhos extra, será votada a Medida Provisória que aumenta a carga tributária, incluindo o aumento do Imposto de Operações Financeiras (IOF) de 0,20% para 0,38%, como forma de compensar o atraso na aprovação da CPMF. Na terceira semana de convocação, haverá a votação da regulamentação da reforma administrativa e a votação das mudanças no regimento interno que valerão para a próxima Legislatura.


Mais esperança
para os inativos

Na Câmara, os líderes governistas definiram hoje o calendário de votações da convocação extraordinária e decidiram não incluir na pauta a proposta que cria a cobrança de contribuição previdenciária sobre os servidores inativos. "A contribuição previdenciária será prioridade no próximo mandato", afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG).

"Se o governo quiser mandar o texto, vou trabalhar pela sua aprovação, mas deixando claro que já perdemos quatro vezes nessa mesma matéria", ressaltou o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), para quem essa é uma matéria "filosófica". Segundo ele, seria mais respeitoso, por parte do governo, que a vontade do atual Congresso fosse reconhecida. "Isso não passa de jeito nenhum", avisou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).

Mesmo assim, o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), acha que esta ainda é uma questão aberta, apesar de ter ficado de fora da pauta da convocação extraordinária. "Mas só colocaremos em votação com a segurança de ganhar e acha que seremos vitoriosos", ressaltou ele.


MEC pretende
mudar crédito educativo

Brasília - Sem conceder crédito educativo a novos alunos desde 97, o Ministério da Educação (MEC) pretende criar este ano um fundo com recursos privados para financiar o estudo de quem quer ingressar na universidade e não tem como pagar. Uma comissão formada por técnicos do MEC e da área econômica deve discutir o assunto e apresentar uma proposta até fevereiro. A proposta foi anunciada ontem pelo ministro Paulo Renato Souza, na cerimônia que marcou o início de sua segunda gestão à frente do MEC.

"Crédito educativo não pode ser feito com dinheiro público", disse ele, lembrando que a prioridade do governo nos próximos quatro anos será o ensino médio (antigo 2º grau). "Temos de conseguir espaço para o crédito educativo no sistema financeiro brasileiro." De acordo com técnicos do ministério, o atual modelo é inviável. O MEC estima em 400 mil o total de candidatos em potencial ao crédito. Mas no primeiro semestre de 98 apenas 79.667 universitários recebiam o benefício, número que caiu para cerca de 70 mil no segundo semestre. Este ano, a previsão é que menos de 60 mil alunos sejam beneficiados.

O principal problema é a inadimplência, provocada em parte pela alta taxa de juros: 6% ao ano mais TR. Incapaz de autofinanciar-se, o sistema conta com parte da arrecadação das loterias federais e verbas da União. O dinheiro público, no novo modelo pensado pelo ministro, serviria para melhorar as condições de pagamento ou constituir um fundo contra a inadimplência, por exemplo.

Paulo Renato reafirmou sua disposição de dar autonomia administrativa às universidades federais. Sem conseguir a aprovação de emenda constitucional sobre o assunto no Congresso, o ministro disse que o governo está verificando se a emenda da reforma administrativa, já aprovada, bastaria para dar início ao projeto de autonomia.


Rio de Janeiro

Garotinho pede
ação flexível do governo

Rio de Janeiro - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), advertiu ontem que, se não for "flexível" nas discussões sobre a dívida dos Estados, a União poderá levar a uma posição "radical" (pró-moratória) dos governadores que, como ele, têm tido uma postura moderada, pelo diálogo. Garotinho disse esperar resposta ao pedido de audiência para reabertura das negociações, já enviado.

Rio Grande do Sul

Olívio acha que
só FHC pode renegociar

Porto Alegre - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse 0ntem que somente o presidente Fernando Henrique Cardoso, e não os demais integrantes da equipe econômica do governo federal, vai decidir sobre a renegociação das dívidas dos estados. "Nós, os governadores, vamos conversar com o presidente e antes desta conversa nada pode barrar a possibilidade de repactuação desta relação", disse. Ele referia-se às declarações do ministro da Fazenda, Padro Malan, que segunda-feira afastaram a hipótese de revisão dos débitos dos estados.

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Minas Gerais

Governadores de
oposição se reunirão

Belo Horizonte - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), anunciou ontem à tarde que os governadores da oposição se reunirão no próximo dia 18, no Palácio Liberdade, para discutir reforma tributária e endividamento dos Estados. No seu rápido pronunciamento à imprensa, ele anunciou também que, nesta sexta-feira, os ministros do PMDB do Governo Fernando Henrique Cardoso participarão de um almoço também em Belo Horizonte.

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