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Itamar oficializa
calote das dívidas
Governador recebe apoio à
sua medida e diz que
não teme retaliações por parte do governo federal
Belo Horizonte - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB),
confirmou ontem, em nota oficial divulgada no fim da tarde, a decretação
de moratória no Estado, suspendendo, por 90 dias, a partir do dia
1º, ano-novo, o pagamento de todas as dívidas do governo estadual.
Na nota, Itamar sustenta que o motivo para a moratória é o
''caos financeiro'' que ele teria encontrado na administração
estadual.
A moratória inclui o compromisso de R$ 18,5 bilhões junto
à União, relativo ao passivo mobiliário e ao empréstimo
com o objetivo de reestruturar o sistema financeiro estadual, renegociados
entre o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) e o governo federal para quitação
em 30 anos, com juros de 6% e 7,5% ao ano. O governador também garante
não temer quaisquer retaliações de Brasília
em razão da medida, como a suspensão dos repasses do Fundo
de Participação dos Estados (FPE) e o confisco de parte da
arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (IMCS) - o que está previsto no contrato de refinanciamento
da dívida.
''Desde o momento em que tomamos conhecimento do caos que se instalou,
principalmente na administração financeira do Estado de Minas
Gerais e que determinamos ao nosso secretariado medidas emergenciais de
ajuste dos gastos públicos, não recuamos, nem iremos recuar
nesta decisão'', diz o documento. ''Portanto, reafirmamos que Minas
Gerais se encontra em moratória durante 90 dias, à partir
de 1º de janeiro, e que, por absoluta falta de dinheiro, deixaremos
de cumprir acordo financeiro feito pelo governo anterior'', prossegue.
No dia 18, Itamar receberá para uma reunião, em Belo Horizonte,
os seis colegas do chamado bloco das oposições - os governadores
do Rio, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Acre, Amapá e Alagoas
- para discutir estratégias comuns de ação, em relação
à reforma tributária e ao endividamento dos Estados.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), anunciou
ontem, em Porto Alegre, solidariedade ao seu colega de Minas Gerais, Itamar
Franco (PMDB), que decretou moratória por 90 dias. Segundo Olívio,
a atitude de Itamar foi "de soberania diante do quatro financeiro do
seu Estado". Reiterou que as dívidas dos Estados com o governo
federal "precisam ser renegociadas" porque, do jeito como os governadores
que terminaram seus mandatos conduziram o acordo, elas são "impagáveis".
Enfatizou que será "muito importante" o encontro que os
governadores terão no dia 18.
Devedores
Minas Gerais
O governador Itamar Franco decretou moratória por 90 dias de todas
as dívidas do governo estadual. Minas deve R$ 18,5 bi à União
e deveria pagar R$ 58 milhões mensais ao Tesouro Nacional.
Rio de Janeiro
Anthony Garotinho quer abrir negociações com o governo
federal para rediscutir as condições de pagamento da dívida
de R$ 21,3 bi. O Estado terá que destinar 14% de sua receita líquida
para o pagamento do passivo.
Paraná
Jaime Lerner anunciou ontem que honrará os compromissos firmados
na renegociação das dívidas do Estado para com a União.
Rio Grande do Sul
O Estado deve R$ 7,9 bi à União nos termos em que foi renegociada
a dívida pelo governo de Antônio Britto. O desembolso mensal
é de R$ 57 milhões.
FHC afirma que moratória
atrasará redução nos juros
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a
decretação de moratória por parte dos governadores,
como anunciou ontem Itamar Franco, de Minas Gerais, terá como consequência
atraso na redução das taxas de juros, da retomada do crescimento
e da geração de emprego. Provocará ainda, segundo o
presidente, agravamento das finanças dos próprios estados
e prejudicará o ajuste fiscal do governo federal.
"O presidente espera que, se for criada uma frente de governadores,
que não seja para renovar o populismo", que seja uma frente
dos governadores de oposição "pelo Brasil", declarou
Fernando Henrique. As informações do presidente foram transmitidas
pelo porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral. Fernando
Henrique reafirmou, de acordo com o porta-voz, que o governo não
está estudando novas fórmulas de renegociação
das dívidas dos estados e que, se os acordos aprovados pelas Assembléias
Legislativas não forem honrados, o governo federal vai cumprir a
lei.
Ao ser indagado se isso representava a suspensão do repasse de
ICMS para os estados e do Fundo de Participação, Sérgio
Amaral observou: "O presidente ao tomar posse se comprometeu a cumprir
a lei e fará isso. A forma como as leis serão cumpridas e
como as medidas serão tomadas é uma questão do Ministério
da Fazenda, em cada caso específico."
O governo federal aceita dialogar com os governadores sobre as dívidas
estaduais, mas não modificará as condições de
pagamento que já foram acertadas. Foi o que afirmou ontem o secretário-executivo
do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. "É obrigação
do governo federal receber governadores eleitos, que representam seus Estados",
disse. "Mas isso não quer dizer que existe espaço para
renegociação das dívidas".
Receitas
O governo federal está contando neste ano com R$ 4,9 bilhões
em receitas provenientes do pagamento das dívidas refinanciadas com
os Estados e municípios, de acordo com a proposta orçamentária
em tramitação no Congresso. Cerca da metade desse total é
devida por Minas Gerais - que decretou a moratória da dívida
entre janeiro e março -, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde
os governadores de oposição lideram um movimento de pressão
para uma nova rodada de renegociação com a União, de
acordo com o deputado Roberto Brant (PSDB-MG). Minas Gerais, Rio Grande
do Sul, Rio de Janeiro, junto com São Paulo, respondem por cerca
de 70% do valor total refinanciado (R$ 103 bilhões).
Governadores testam união
Rio/Brasília - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse
ontem que os governadores de oposição podem aprovar, numa
reunião com o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), no dia 18
em Belo Horizonte, indicação para moratória conjunta
de suas dívidas com a União. Segundo ele, essa posição
pode ser tomada caso o governo federal insista em se recusar a renegociar
as dívidas dos Estados. "Eu acho que está se desenhando
um confronto por parte de muitos governadores", declarou Garotinho.
Ele afirmou que o movimento de governadores para rediscutir a dívida
deve atrair até mesmo aqueles filiados aos partidos aliados ao presidente
Fernando Henrique Cardoso.
"Recebi telefonemas de governadores ligados ao governo federal
e alguns deles disseram que não desejam o confronto, mas eles acreditam
que o confronto será inevitável", afirmou Garotinho.
O governador do PDT disse esperar "compreensão" do
presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "O
senador Antônio Carlos Magalhães tem sido um crítico
das altas taxas de juros do País, então ele há de compreender
a situação", disse.
Magalhães, ontem mesmo, condenou a decisão do governador
de Minas Gerais de suspender por 90 dias o pagamento de todas as dívidas
do Estado, e garantiu que o governo federal não vai ceder. "Não
pode haver diferença em favor de Itamar Franco e em relação
a outros governadores", sustentou ele. "Quando há um contrato
entre duas partes e o governador decreta a moratória, o governo,
evidentemente, usará os recursos disponíveis para fazer cumprir
o contrato que tem com o governo de Minas", afirmou.
Os líderes dos partidos de oposição defenderam
ontem a criação de uma comissão especial no Congresso
para discutir a questão da dívida dos Estados. A repercussão
da moratória de 90 dias decretada pelo governador mineiro paralisou
a sessão da Câmara em que se discutia o acordo de extradição
dos presos envolvidos no seqüestro do empresário Abílio
Diniz.
Senado aprova em primeiro
turno aumento na CPMF
Por 61 votosa a favor e 12
contra parlamentares aprovam imposto maior para o cheque
Brasília - O Senado aprovou ontem, em primeiro turno, a proposta
de emenda constitucional que prorroga por 36 meses a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e aumenta
sua alíquota dos atuais 0,20% para 0,38% ao longo de 1999. Foram
61 votos favoráveis e 12 contrários. A votação
em segundo turno será no dia 19.
A proposta prevê a nova alíquota de 0,38% durante os primeiros
12 meses em que a CPMF estiver em vigor e de 0,30% nos restantes 24 meses,
mas não descarta a possibilidade de ser restabelecido o valor mais
alto, no segundo período. A prorrogação da CPMF, que
estará vigorando até dia 22, é considerada a medida
mais importante do ajuste fiscal, mas dificilmente voltará a ser
cobrada antes de julho. O governo previa inicialmente uma arrecadação
anual de R$ 15 bilhões com a nova CPMF, se sua cobrança não
fosse interrompida.
A oposição tentou retardar a votação da
CPMF, mas foi atropelada pelo movimento dos aliados do governo, liderado
pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Meia hora antes de iniciar a discussão da proposta, o senador Antônio
Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou à Mesa Diretora uma emenda à
CPMF com o apoio de 29 senadores, dois além do número exigido
pelo regimento.
A emenda de Valadares previa compensações às empresas
pelo desconto da CPMF, restituição às pessoas físicas
de parte da contribuição no ano seguinte ao pagamento e isenção
aos servidores e aposentados que ganham até R$ 1.200,00. Nas horas
que antecederam a votação, ACM ligou para todos os senadores
que haviam apoiado a emenda da oposição e pediu que voltassem
atrás.
O líder do governo no Senado e relator da CPMF, Romeu Tuma (PFL-SP),
fez os últimos acertos e até o início da discussão,
às 16h, 11 senadores haviam retirado suas assinaturas do requerimento
para inclusão da emenda da oposição.
Em protesto, o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) responsabilizou
o novo líder do governo pela articulação e dirigiu-lhe
uma provocação. "Tuma demonstrou que pode continuar líder,
porque num espaço de meia hora ele conseguir retirar 11 assinaturas",
disse ele.

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Ajuste
Fiscal |
Setor industrial
vota a favor
A proposta da CPMF recebeu o apoio do representante do setor industrial,
senador Fernando Bezerra (PMDB-RN). "Voto a favor porque sou favorável
ao ajuste fiscal e sei que o ajuste é necessário para sairmos
desse imbroglio", disse o senador. Segundo ele, o setor da indústria
não encontrou nenhuma alternativa à CPMF.
A suspensão da medida judicial que proibiu o pagamento do jeton
de R$ 16 mil dos parlamentares, na noite de terça-feira, deu um novo
ânimo à base governista convocada para votar o ajuste fiscal.
No Senado, Antônio Carlos Magalhães determinou à área
administrativa que fizesse o depósito na conta dos senadores imediatamente.
Também na Câmara, o clima foi de alívio. "Terça-feira
alcançamos 382 deputados na Casa, mas, evidentemente, com a ajuda
de custo depositada, o quórum estará garantido", admitiu
o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). "Ninguém
deixaria de fazer seu papel, mas dinheiro no bolso ajuda muito", comentou
o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS).
Reunião
Presidente pedirá
empenho no ajuste
Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso pedirá
aos ministros e secretários de Estado, na primeira reunião
ministerial do segundo mandato, a ser realizada amanhã, no Palácio
do Planalto, que eles se empenhem para reduzir o desemprego e para aprovar
as medidas de ajuste fiscal, ainda durante a convocação extraodinária
do Congresso. Os líderes dos partidos que apóiam o governo
na Câmara e no Senado também deverão participar.
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