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Programação do Cinema e filmes na TV.
Cinema

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Bom baiano
Com 34 discos gravados, Moraes Moreira é um dos artistas mais
produtivos da MPB
Lá vem Moraes Moreira descendo a ladeira
O pombo-correio baiano traz
hoje a sua festa do interior para Florianópolis
Maurício Oliveira
Florianópolis Desde a infância em Ituaçu, a
música sempre rondou Moraes Moreira. Na festa da padroeira ou em
outras datas religiosas, a rivalidade entre as duas bandas da pequena cidade
do sertão baiano fazia com que tubas, trompetes e bumbos invadissem
a madrugada e os sonhos de meninos como ele. O encanto pelos acordes se
consolidou alguns anos depois, quando a irmã o presenteou com uma
sanfona. Ao lado da companheira que logo se tornou inseparável, o
rapazola começou a animar batizados e casamentos.
Comemorando 30 anos de carreira, o autor de "Pombo Correio"
e "Festa do Interior" apresenta hoje em Florianópolis sua
música repleta de ritmo e vitalidade, executada com a mesma paixão
do começo. Em 1969 ele lançou o primeiro disco com Os Novos
Baianos, chamado "Ferro na Boneca". De lá para cá
construiu uma impressionante discografia de 34 títulos, dos quais
21 são solos, cinco são com os Novos Baianos, seis com trios
elétricos e dois em parceria com Pepeu Gomes. Composições
dele já foram gravadas por dezenas de grandes nomes da Música
Popular Brasileira, como Ângela Maria, Caetano Veloso, Gal Costa,
Luiz Melodia, Marisa Monte e Ney Matogrosso.
Quando concluiu o ginasial, aos 16 anos, Moraes Moreira mudou-se para
a cidade vizinha de Caculé com o duplo objetivo de continuar estudando
e entrar em contato com os músicos locais. Conheceu dois violonistas
que lhe transmitiram alguns segredos do instrumento que o acompanharia para
sempre.
Mais três anos e finalmente chegou a hora de conquistar Salvador,
terra que, ao completar 450 anos neste 1999, está sendo homenageada
por Moraes Moreira com um CD single composto por quatro canções.
Os destaques são "Tambor da Bahia", reverência a
personalidades como Dorival Caymmi e Jorge Amado, e "Chama Gente",
que fala da mistura das raças e dos locais por onde passa a folia
do carnaval.
Logo que chegou a Salvador, Moraes Moreira desistiu de virar médico
e ingressou no seminário de música da Universidade Federal
da Bahia. Foi só aí que começou a estudar o assunto
(até então tocava de ouvido). Não havia vaga para violão
e ele entrou no curso de percussão. Teve, assim, a oportunidade de
conviver com mais um dos elementos vitais da música baiana, da qual
hoje é um dos principais expoentes.
A abertura do show de hoje, que faz parte do projeto Ganzá Brasil,
fica por conta de Fernando Del Monte, paulista radicado em Curitiba, dedicado
à MPB. Fernando terá a dura tarefa de preparar os espíritos
para o alegre espetáculo de Moraes Moreira.
O QUÊ: show de Moraes Moreira.
QUANDO: hoje, a partir da meia-noite.
ONDE: Ganzá (Estrada Geral da
Joaquina, 101, Florianópolis). QUANTO:
R$ 20,00.
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Discografia |
Ferro na Boneca (1969)*
Acabou Chorare (1972)*
Novos Baianos Futebol Clube (1973)
Linguagem do Alunte (1974)*
Jubileu de Prata (1975)**
Moraes Moreira (1975)
É a Massa (1976)**
Cara e Coração (1976)
Pombo Correio (1977)**
Igação (1978)**
Alto Falante (1978)
Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (1979)
Viva Dodô e Osmar (1980)**
Vassourinha Elétrica (1980)**
Bazar Brasileiro (1980)
Moraes Moreira (1981)
Coisa Acesa (1983)
Pintando o Oito (1983)
Mancha de Dendê Não Sai (1984)
Tocando a Vida (1985)
Mestiço É Isso (1986)
República da Música (1988)
Baiano Fala Cantando (1988)
A Lua e o Mar (1989)***
Moraes e Pepeu ao Vivo no Japão (1990)***
Cidadão (1991)
Terreiro do Mundo (1993)
Tem Um Pé no Pelô (1993)
O Brasil Tem Conserto (1994)
Moraes Moreira Acústico (1995)
Estados (1996)
50 Carnavais (1997)
Infinito Circular (1997)
450 Anos de Salvador (1999) |
*Com Os Novos Baianos
**Com Trio Elétrico
***Com Pepeu Gomes |
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Catarinense participa
de festival na Holanda
Fernando Kinas emplaca dois
curta-metragens em Roterdã
Santa Catarina marca presença na escalada mundial do cinema brasileiro.
O cineasta e diretor teatral joinvilense Fernando Kinas emplacou dois filmes
no Festival Internacional de Roterdã, na Holanda, que começou
quarta-feira e vai até o dia 7 de fevereiro. Este festival é
um dos principais eventos de cinema da Europa, normalmente destacando filmes
que inovam na linguagem (novos suportes, por exemplo) e no tratamento dos
temas.
Os dois trabalhos inscritos por Kinas e sua colega Marina Willer, selecionados
para a competição de curta-metragens, são "Ariel"
(p&b, 16mm, 1997) e "Tati" (cor, 16mm e digital, 1998). Os
filmes, com duração de 1 minuto, fazem parte de uma trilogia
que inclui ainda "Luz!", selecionado recentemente para a mostra
Videobrasil, realizada em setembro passado em São Paulo. "Ariel",
o primeiro filme da série, foi premiado no 6º Festival Mundial
do Minuto.
Na obra de Kinas e Marina, objetos do cotidiano movimentam-se como se
tivessem vida, como se fossem dotados de vontade própria, sempre
acompanhados de uma trilha musical que faz com que pareçam realmente
animados. "Ariel" é um filme urbano que mostra sacos de
papel e plástico dançando tango, cantando, fugindo das rodas
dos carros, em perseguição etc. O título é uma
referência ao personagem Ariel, um espírito do ar, da peça
"A Tempestade", de Shakespeare. Concluído em setembro de
1998, "Tati" desenvolve a idéia da autonomia dos seres
inanimados. Inclui objetos muito diferentes que expressam suas vontades
ao sabor de velhas músicas de orquestra dos anos 50.
Marina e Fernando trabalham juntos há três anos, dirigindo
filmes e assinando trabalhos teatrais e multimídias. Ela tem formação
em design no Brasil e na Inglaterra, onde concluiu mestrado no Royal College
of Art de Londres, em 1995. Entre 1995 e 1998 trabalhou em São Paulo
e Curitiba como diretora de filmes e designer. Atualmente mora em Londres.
Ele, depois de cursar mestrado na Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris,
dirigiu vários espetáculos teatrais no Brasil. Um deles, "Valsa
nº 6", de Nélson Rodrigues, foi apresentada em Joinville
em 1996. Além disso, Fernando Kinas desenvolveu trabalhos em outras
áreas (direção de filmes, tradução literária
etc.). Em outubro passado voltou a Paris para fazer o doutorado em estudos
teatrais na mesma universidade.
Sobre suas influências, Fernando é direto: "O teatro
que me interessa é inspirado por dois artistas deste século:
Bertolt Brecht e Vsevolod Meyerhold, tanto pela defesa de um teatro cívico
e socialmente relevante como pela dimensão filosófica e estética
de suas experiências teatrais". A linha de pesquisa escolhida
por Fernando é pouco explorada no Brasil: teatro e ciência.
"Meus interesses viajam para a física quântica, passando
por Leonardo da Vinci etc., etc.", aponta. Mas o pesquisador catarinense
não é daqueles deslumbrados pelo primeiro mundo. "Eu
acho fundamental voltar a trabalhar no Brasil. Existem milhares de coisas
a serem feitas, e é preciso que sejam feitas. Nosso país é
maravilhoso, com o perdão do ufanismo, e a arte, seja qual for, pode
ajudar as pessoas a serem mais felizes".
Belo Horizonte promove
dois concursos literários
Joinville - Os concursos nacionais de literatura Cidade de Belo Horizonte
e João-de-barro distribuem, até julho de 1999, R$ 41 mil entre
contistas, poetas e dramaturgos de todo o Brasil. Promovidos pela Secretaria
Municipal de Cultura de Belo Horizonte, através de sua Biblioteca
Pública Infantil e Juvenil, os concursos pagam prêmios de R$
10 mil para o primeiro colocado em cada categoria (poesia, conto e dramaturgia
no Cidade de Belo Horizonte e literatura juvenil no João-de-barro).
Um prêmio extra de R$ 1 mil também será pago ao destaque
escolhido pelo júri juvenil entre os inscritos para o João-de-barro.
As obras concorrentes devem ser inéditas e serão eliminados
do concurso os trabalhos já publicados em todo ou em parte, em qualquer
meio de comunicação. O candidato pode inscrever quantas obras
quiser e, para cada trabalho, deve usar pseudônimos diferentes. Cada
obra deverá ser inscrita em quatro vias digitadas em espaço
dois, tamanho ofício ou A4, de um só lado do papel e com todas
as páginas numeradas. Cada via deverá ser entregue encadernada
(em espiral ou pasta) e nos originais deverá constar apenas o pseudônimo
do autor. Acompanhando as quatro vias, o concorrente deverá anexar
envelope lacrado contendo título da obra, pseudônimo do autor,
nome do inscrito, endereço, número da identidade e breve currículo.
No lado de fora do envelope, apenas o nome do concurso, o título
da obra e o pseudônimo do autor.
As inscrições vão até o dia 5 de março
e podem ser feitas pelo correio, em registro com AR (aviso de recebimento),
valendo a data da postagem. O endereço da biblioteca é: rua
Carangola, 288 - Bairro Santo Antônio - CEP 30.330-240 - Belo Horizonte
(MG). Os regulamentos devem ser retirados na biblioteca, onde outras informações
podem ser obtidas pelo telefone (031) 277-8580.
O julgamento das obras concorrentes será feito por júris
distintos. Cada categoria do concurso Cidade de Belo Horizonte terá
uma comissão julgadora constituída de três especialistas
em literatura. Para o julgamento das obras concorrentes do João-de-barro,
serão constituídas comissões de júri adulto
e juvenil. A comissão adulta, também formada por três
especialistas, selecionará dez obras e premiará uma. Desses
dez trabalhos, o júri juvenil indica um para o prêmio extra.
Elia Kazan recebe Oscar
pelo conjunto de sua obra
Luiz Carlos Merten
São Paulo - Há três anos, Elia Kazan recebeu um Urso
de Ouro especial no Festival de Berlim. No dia 21 de março, receberá
um Oscar especial pelo conjunto de sua obra. São momentos de pacificação
de um artista que soube, como poucos, fazer da cólera o motivo principal
da sua vida e obra. Kazan ama e odeia com intensidade. É amado e
odiado com reciprocidade.
Antes dessa homenagem que a academia vai prestar-lhe, houve outras tentativas.
O American Film Institute também tentou dar-lhe um prêmio de
carreira. Esbarrou na oposição do seu colegiado, que não
admitiu premiar um delator. Kazan foi um delator, mas passou pelo triturador
de carne do macarthismo sem sucumbir. Ficou melhor, como homem e como artista,
por mais moralmente discutível que seja o ato de delação.
No livro com a entrevista que deu ao crítico francês Michel
Ciment, Kazan faz um resumo de si mesmo, à maneira de um epitáfio
que gostaria de ver gravado em sua lápide funerária: "Não
fiz tudo o que gosto, não gosto de tudo o que fiz, mas esta é
minha vida - aceitem-me com meus defeitos". Nunca uma palavra de arrependimento
por ter colaborado, em 1952, com o tristemente célebre Comitê
de Atividades Antiamericanas do Senado, citando alguns comunistas com quem
trabalhara no teatro e no cinema. Trotskista, Kazan não delatou por
adesão ao macarthismo nem por acreditar nos tradicionais valores
americanos. Delatou por seu ódio ao stalinismo dominante entre os
comunistas americanos da época. Seus inimigos o consideraram liquidado,
mas ele reagiu, jurando a si mesmo que seus filmes seriam cada vez mais
críticos (e melhores). Não se enganou: o verdadeiro início
de sua carreira data de "Viva Zapata!," em que fez do revolucionário
mexicano um herói trotskista.
Poucos diretores foram tão críticos com o sonho americano.
Sua plenitude criadora, o período que vai de "Sindicato de Ladrões"
a "Rio Violento", de "Clamor do Sexo" a "O último
Magnata", apresenta algumas das mais belas cenas da história
do cinema. Não representa pouca coisa o fato de ele ter sido um dos
criadores do Actor's Studio e ter oferecido a Marlon Brando (três
filmes), James Dean ("Vidas Amargas") e Warren Beatty ("Clamor
do Sexo") papéis que estão entre os melhores de suas
carreiras. Nem o fato de Vivien Leigh apresentar sob sua direção,
em "Uma Rua Chamada Pecado" - a versão cinematográfica
de "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams -, a que talvez
seja a maior interpretação feminina já registrada por
uma câmera em toda a história do cinema americano.
Análise para
aceitar contradições
Críticos de esquerda, principalmente comunistas, sempre consideraram
"Sindicato de Ladrões" o supra-sumo da má consciência
e um elogio da delação. Não é. Por mais polêmico
que o filme seja do ponto de vista ideológico, é um clássico,
magnificamente dirigido e interpretado.
A cena de Terry Malloy (Brando) abrindo o coração para
o irmão no banco detrás do carro é o maior lamento
que a América já produziu. Não é o maior filme
de Kazan, porém. O título pertence a "Clamor do Sexo".
Depois de "Rio Violento", é o filme que melhor ilustra
a temática preferida do autor - a natureza humana que se recusa a
ser reprimida (depois ele exagerou na dose em "Movidos pelo Ódio",
com Kirk Douglas). "Clamor do Sexo" é permeado de psicanálise.
Kazan havia feito análise pouco antes. Para entender-se (e aceitar-se)
em todas as suas contradições.
"Malhação" afasta Gisele
Fraga da imagem sexual
Disposta a virar atriz, a
ex-modelo
mostra versatilidade na pele de Priscila
Fernando Miragaya
TV Press
Gisele Fraga acha que perdeu tempo sendo modelo e apresentadora, fazendo
comerciais para tevê, posando para capa de revistas e atuando como
relações públicas. O que ela queria, na verdade, era
ser atriz. Agora acredita que está no caminho certo. Na pele da engraçada
Priscila de "Malhação" e às vésperas
de completar 29 anos, esta bela capixaba acredita que agarrou de vez a profissão.
"Na vida não dá para ficar que nem caranguejo, você
tem de almejar algo", teoriza.
O texto que Gisele recita agora foi um aviso de Roberto Talma, diretor
que a convidou para entrar em "Malhação". Ela conta
que Talma certa vez a alertou que, se ela queria mesmo ser atriz, deveria
se empenhar, em vez de só fazer participações em novelas
e outras produções. "Ele dizia: você faz tudo e
não faz nada ao mesmo tempo", lembra. A advertência acabou
surtindo efeito. Gisele entrou na Oficina de Atores da Globo e passou a
se dedicar mais à dramaturgia.
Mas as participações em produções como "Você
Decide", "A Justiceira", "Dona Flor e Seus Dois Maridos",
"Caça Talentos" e "Explode Coração",
além dos comerciais, ajudaram Gisele. Ela garante que esse contato
com a televisão deu a ela uma base que muitos atores em início
da carreira não têm. "Esses trabalhos me deram desenvoltura
para lidar com a câmara", acredita.
Depois de ser uma das finalistas do concurso Garota do Fantástico,
em 1987, ser capa de várias revistas - inclusive a "Playboy"
-, fazer alguns filmes e ser apresentadora, Gisele teve seu primeiro papel
em novela em Mandacaru, na Manchete, no ano passado. Logo depois, Gisele
foi chamada para a inacabada Brida. Em ambas produções, os
personagens tinham apelo sensual forte. Agora em Malhação,
a atriz acredita que está podendo mostrar versatilidade. "O
ator nunca pode se deixar rotular. Tem de estar aberto a qualquer personagem",
filosofa.
Apesar dessa suposta abertura, a moça não esconde um entusiasmo
especial com o papel em Malhação por afastá-la do estigma
de mulher sensual. Como Priscila fica entre a chatice e o humor, consegue
fazer o telespectador odiá-la e amá-la ao mesmo tempo. Aliás,
a imagem sexualizada chegou a trazer algum prejuízo à carreira
da moça. Gisele conta que até chegou a perder trabalhos depois
que foi capa da "Playboy". Gisele acha que aprendeu a lição.
Agora diz que vai pensar muito antes de fazer qualquer cena mais ousada.
"Faço se for muito bem-cuidada e não-gratuita",
garante.
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Cinema |
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Estrelas lacrimosas
Dramas com elencos de peso
chegam hoje aos cinemas catarinenses, com destaque para "Lado a Lado"
Joinville - Apesar das férias ainda vigorarem, o drama está
em alta nos cinemas. Duas novas produções estréiam
hoje no Estado, com destaque para "Lado a Lado", filme com Julia
Roberts e Susan Sarandon engajadas numa batalha familiar. Menos lacrimoso,
"Cartas na Mesa" traz a revelação Matt Damon ao
lado de um elenco de peso.
"Lado a Lado" é presença certa no Oscar: Susan
Sarandon concorreu ao Globo de Ouro e Ed Harris pode entrar na lista por
sua ótima atuação em "O Show de Truman".
Mas a maior surpresa está na direção: Chris Columbus
é mais conhecido por comédias ingênuas como "Uma
Babá Quase Perfeita" e "Esqueceram de Mim". Em comum
com seus filmes anteriores, Columbus trata das relações familiares,
desta vez sob uma perspectiva dramática: a fotógrafa Isabel
(Julia Roberts) se vê obrigada a assumir o indesejável papel
de madrasta dos dois filhos de seu namorado Luke (Ed Harris). As crianças
e a futura madrasta obviamente não se bicam, ainda mais quando entra
em cena Jackie (Susan Sarandon), a supermãe protetora que faz de
tudo para colocar os filhos contra Isabel. No entanto, quando Jackie descobre
ser portadora de uma doença fatal, ela percebe que deve se unir a
sua inimiga para garantir a integridade da família. Lágrimas
e soluços à vista.
Depois de ganhar o Oscar, juntamente com Ben Affleck, pelo roteiro de
"Gênio Indomável", Matt Damon virou o queridinho
da crítica americana. Reconhecidamente um bom ator, ele tem em "Cartas
na Mesa" seu maior desafio: interpretar um jogador inveterado de pôquer
que abandona o jogo para se dedicar à faculdade de Direito e à
namorada. No entanto, quando um velho amigo (Edward Norton, de "As
Duas Faces de Um Crime") sai da prisão e se envolve em dívidas,
ele é obrigado a voltar ao mundo das apostas e arriscar sua integridade.
No elenco ainda estão John Malkovich, John Torturro e Martin Landau.
"Lado a Lado", com Susan
Sarandon, Julia Roberts e Ed Harris. Direção: Chris Columbus.
Joinville: Cine Cidade 1, às 14, 16h30, 19 e 21h15; GNC Cine 1, às
14, 16h30, 19 e 21h30. Blumenau: Cine 1, às 14, 16h30, 19 e 21h30.
Balneário Camboriú: Cine Atlântico 2, às 17,
19h30 e 22 horas. Criciúma: Cine Criciúma 1, às 14h45,
17, 19h10 e 21h20. Florianópolis: Cine Beiramar 2, às 19h30
e 201h45. São José: Cine Itaguaçu 1, às 14,
16h30, 19 e 21h30.
"Cartas na Mesa", com Matt
Damon, Edward Norton e John Malkovich. Direção: John Dahl.
Joinville: Cine Cidade 2, às 19h15 e 21h30. Blumenau: Cine 6, às
14h45, 17, 19h15 e 21h45.
Entre luta e a calmaria
"Allonsanfan",
com Marcello Mastroianni, é reflexão política dos irmãos
Taviani
Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
São Paulo - Os irmãos Paolo e Vittoro Taviani associaram
seus nomes a um cinema lírico, intuitivo, freqüentemente de
índole política, feito com rigor e concisão. "Allonsanfan"
(1974) ocupa um lugar à parte nessa filmografia. Isso porque esse
drama histórico, protagonizado por Marcello Mastroianni, exibe complexidade
temática - e às vezes narrativa - em geral estranha às
obras da dupla. Sobretudo Mastroianni, neste filme, encarna um dos personagens
mais multifacetados de sua carreira. A distribuição deste
filme é da FlashStar.
O ator vive Fulvio Imbriani, um patriota lombardo que volta para casa
depois de ter enfrentado anos de exílio e prisão. No retorno,
experimenta de novo a felicidade e torna-se progressivamente incapaz de
reatar os laços com os antigos companheiros de luta. Parece não
ter mais gosto ou ânimo para a luta política, mas, ao mesmo
tempo, se revela incapaz de romper com o passado. Vive então numa
terra de ninguém, sem aprender nada, sem esquecer nada. Imerso nesse
limbo, ele acabará por tornar-se um traidor, fato que, visto no contexto,
não deverá surpreender ninguém.
Imbriani é um ex-oficial do Exército napoleônico.
Volta para casa com a Restauração quando, depois da queda
de Napoleão, o status quo anterior é reconstruído.
Isto é, antigos privilégios e iniqüidades recuperam seus
direitos e os ideais da Revolução Francesa são definitivamente
arquivados. É um daqueles momentos em que a história parece
andar para trás. Pode ser apenas impressão, mas o efeito que
isso produz sobre as pessoas é devastador.
O momento histórico em que esse drama se passa também é
especial. Em 1816, essa Itália que luta contra a Restauração
ainda não existe como entidade política unificada. É
nesse contexto que se busca o significado dos valores da Revolução
Francesa. O símbolo dessa permanência, ou da universalidade
da revolução, será o adolescente apelidado de "Allonsanfan"
- foneticamente as duas primeiras palavras da Marselhesa ( "Allons
enfants de la patrie etc."). Para o personagem de Mastroianni não
haverá meio-termo. Ou a traição, ou o engajamento num
movimento camponês siciliano, votado ao fracasso desde o início.
Há quem veja neste papel de Mastroianni um contraponto para aquele
que viveu em "Os Companheiros", de Mario Monicelli, como o professor
que vai a Turim visitar um amigo e se torna agitador ao conhecer a realidade
dos operários. Há, no entanto, uma diferença de época
entre um e outro. Em "Allonsanfan", a Itália pré-unificação
ainda mantém a estrutura agrária. Em "Os Companheiros",
a industrialização chega acelerada, sobretudo no norte do
país, com tudo o que isso comporta de violência e exploração
- e, conseqüentemente, capacidade de despertar uma consciência
mais aguda da injustiça. Pode-se dizer, isto sim, que Mastroianni
vive os dois papéis com igual convicção - o do rebelde
recente, num caso; o do revolucionário desiludido, no outro. Os dois
filmes dialogam, em suas diferenças, seja quanto à ambientação
histórica como quanto ao momento em que foram feitos. São
reflexões históricas complementares e muito úteis,
ainda hoje. Aliás, sobretudo hoje. |
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