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Clássico

"O Auto da Barca do Inferno" faz opção pelo teatro de arena para ambientar o umbral entre vida e morte

Realização titubeante

"Anchieta e Guaixarás" abre a mostra oficial do 13º Festival Universitário de Teatro de Blumenau hesitando entre o humor, a lamúria e crítica

Dennis Radünz
Especial para o Anexo

Blumenau - "Não há melhor sermão do que a espada e a vara-de-ferro", escreveu o missionário jesuíta, gramático e poeta José de Anchieta (1534-1597), aludindo à conversão indígena ao cristianismo no primeiro século de história pós-"descobrimento". Essa relação controvertida entre os povos Tupi e Tamoio e os catequistas da Companhia de Jesus serviu de pretexto à peça "Anchieta e Guaixarás" - uma livre-adaptação do "Auto de São Lourenço" e das "Cartas" de autoria do missionário das Ilhas Canárias -, que abriu na manhã de sexta-feira a mostra oficial do 13º Festival Universitário de Teatro de Blumenau.

Encenada pelo Núcleo de Investigação Teatral da Uerj (Rio de Janeiro), com direção de José da Costa, "Anchieta e Guaixarás" propunha-se a discutir esse capítulo controverso da história do Brasil e partir da obra daquele que é por muitos considerado o precursor da literatura nacional, apesar do maniqueísmo (a exemplo dos deuses indígenas retratados como demônios pagãos, no "Auto de São Lourenço") e da preocupação catequética de seus escritores. Afinal, 500 anos de Brasil pedem olhares críticos sobre o extermínio dos povos de alma indígena.

No palco, entretanto, a proposta "antropofágica" (com clara referência ao teatro de Zé Celso Martinez Correa) desmoronou ante os olhos do espectador, como se houvesse um precipício entre a pesquisa literária da adaptação e a linguagem teatral esboçada em cena. Assim, não só o conteúdo arquetípico das personagens de José de Anchieta recaiu na caricatura ingênua, como também a interpretação do elenco, muitas vezes rastejante e estereotipada, quase situou o indígena na condição de réu confesso, digno do inferno cristão.

A legibilidade do enredo, nesse sentido, perdeu-se sob a constante hesitação entre humor, lamúria e crítica; a mobilidade excessiva dos cenários e a movimentação cênica ansiosa evidenciaram o divórcio entre a bela proposta teatral de Da Costa e a sua titubeante realização. Na tentativa de deixar "em aberto" as possibilidades de leitura da peça, o espetáculo acabou por oscilar entre instantes de boas composições de cena - os remos/pau-de-chuva dos indígenas, por exemplo - e a mais completa ausência de foco, fato esse que nem mesmo a boa ambientação musical pôde ocultar.

No mural das barcas

No segundo espetáculo da mostra, por outro lado, o respeito ao original de Gil Vicente (1460?-1536?) rendeu uma montagem despretensiosa de "O Auto da Barca do Inferno", clássico do teatro medieval de língua portuguesa, com seu rico desfile de figuras espectrais que, no limbo da morte, anseiam o embarque ao céu, mas acabam por ir-se entre os marujos do inferno. Assim, o imaginário medieval de inspiração cristã condena os pecados (i)mortais do fidalgo, do onzeneiro, do sapateiro, do frade, da alcoviteira, do corregedor e do enforcado, entre outros, para poupar apenas ao parvo e aos cavaleiros das Cruzadas, que por fim obtém a "paz eternal". Como gênero teatral, o "auto" desfrutou de muita popularidade em fins da Idade Média, sobretudo por reproduzir (e às vezes criticar) as hierarquias seculares do poder religioso.

O "Auto da Barca" do grupo A Rã Qi Ri da Universidade Federal do Amazonas (Manaus) optou pelo teatro de arena para ambientar o umbral entre vida e morte, uma espécie de cais de acertar de contas, com figurinos muito vivos de inspiração amazonina e a direção despojada (academicamente correta) de Nereide Santiago. No entanto, a interpretação homogênea do elenco - linear para muitos - esbarrou na iluminação mal-executada e, principalmente, no erro de adaptar-se o palco elisabetano do Teatro Carlos Gomes à forma de arena, o que originou problemas de projeção de voz, de visibilidade e de movimentação em cena, fatos esses apontados no debate posterior à peça.

Apesar disso, a montagem do texto vicentino aponta para uma das vertentes diletas (e didáticas) do teatro universitário: a releitura dos clássicos como experiência de cena. Ainda que não mais se creia nos amorfos mitos de céu e inferno, ou na ameaça dos ditos: "Senhores, que trabalhais pela vida transitória, lembrai-vos desse cais!".


Referência familiar ajuda
Maria Fernanda em novela

Descendente de italianos, atriz vive uma imigrante em "Terra Nostra", seu primeiro folhetim na Globo

Rodrigo Teixeira
TV Press

A beleza escultural de Maria Fernanda seduziu o diretor Jayme Monjardim, de "Terra Nostra". Dona de olhos azuis estonteantes, rosto exótico e corpo perfeito -1,76 m de altura amoldados em 60 kg, com 92 de quadril, 64 de busto e 90 de cintura -, a atriz ouviu a sentença afirmativa de que estava aprovada logo após fazer o teste para a próxima novela das oito da Globo, com estréia prevista para setembro. A descendência italiana também ajudou Maria Fernanda a conseguir a vaga na produção global, já que a trama retrata a chegada dos emigrantes da Itália no final do século passado no Brasil. Além de estrear na Globo, a atriz destaca o fato de que a rebelde Paola, papel que vai interpretar, é uma das três personagens femininas da trama que são nascidas na Itália - as outras são Juliana (Ana Paula Arósio) e Eleonora (Lú Grimaldi). "É uma bênção estrear na Globo com uma personagem que tem a ver com a minha história", festeja a paranaense de 25 anos.

Na verdade, Maria Fernanda poderia estar interpretando o papel da própria bisavó, que chegou no Brasil por volta de 1880, mesma época em que começa a novela. A atriz é descendente das famílias Bortolacci e Malvezi por parte materna e Guiraldelli pela lado paterno, originárias de Veneza, no Norte da Itália. "O engraçado é que uso o Cândido no meu nome, que é a única parte brasileira da família", ressalta a atriz. Mas até mesmo o local que seus parentes se instalaram no Brasil é o mesmo onde vai se desenrolar a história de sua personagem: no Oeste paulista. As coincidências não param por aí. A personagem da atriz é filha do italiano Anacleto (Juca de Oliveira), que trabalha numa fazenda de café, mesma atividade que os bisavós exerceram quando chegaram no Brasil.

Não é difícil notar a herança genética da atriz. Maria Fernanda fala bastante e muito rápido. Ela também não pára de gesticular enquanto conversa. Empolgada com a produção da novela, a atriz não esconde que está literalmente de queixo caído com a estrutura que vem tendo contato na Globo. Até então, Maria Fernanda só havia feito a abertura da novela "A Indomada". Ela aparecia sensualíssima, num vestido vermelho, e se transformava em fogo, água e pedras pelos efeitos de computação gráfica de Hans Donner. Modelo desde os 14 anos e ex-VJ da MTV - ela apresentou os programas "Al Dente" e "A Ilha do Biquíni" - Maria Fernanda chega na Globo com apenas uma novela no currículo. A atriz participou de "Serras Azuis", na Band, em 1998, como a manicure Magali. "Não estou nervosa porque estou me dedicando ao máximo para o papel. Além disso, estou na mão de um ótimo diretor", elogia Maria Fernanda, referindo-se a Jayme Monjardim.

O único ponto que deixa Maria Fernanda ansiosa com o papel em "Terra Nostra" é que sua personagem vai falar um misto de italiano e português. Ao ganhar o papel na novela, a atriz achou que, por já saber italiano, seria fácil acertar o sotaque da personagem. "O problema é que preciso falar como uma italiana que está aprendendo português. Chegar na cadência certa é muito complicado", constata. Além de gravar as falas da personagem para ver se soam convincentes, ela conta com o auxílio da avó Aparecida, que ainda mistura português com italiano. "Ela me conta histórias que batem com a trama da novela. Como os emigrantes que morriam nos navios e eram jogados no mar", surpreende-se.

Manchetes AN

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Brincar, zombar, demolir
Cacilda Becker, ou melhor, Camila Baker
Tarzan para menores
Dia do Orgulho Gay

Programação

12 horas ­ Palco sobre Rodas: "Cabaré Valentin"
Grupo Frohsin ­ Arte em Cena (Blumenau)
Onde
: Cia. Hering (bairro Bom Retiro)

13h30 ­ Mostra oficial: "O Menino Maluquinho" de Ziraldo
Grupo de Espetáculos da UPF (Passo Fundo/RS)
Onde
: Auditório Heinz Geyer/ Carlos Gomes

15h30 ­ Palco sobre Rodas: "Feliz-Idade"
Cia. Cênica Desterrados/ Udesc (Florianópolis)
Onde
: Shopping Neumarkt (centro)

17 horas ­ Mostra paralela: "ZY Veríssimo, 199,9 Mhz"
Grupo Independente de Teatro (Itajaí)
Onde
: Auditório Willy Sievert/ Carlos Gomes

20 horas ­ Mostra oficial: "O Beijo no Asfalto" de Nelson Rodrigues
Grupo Uni-Rio (Rio de Janeiro)
Onde
: Auditório Heinz Geyer/ Carlos Gomes

23 horas ­ Mostra Jogos de Teatro: "Sobre vida"
Cia. 3D (Blumenau)
Onde
: Auditório Willy Sievert/ Carlos Gomes

23h30 ­ Mostra Jogos de Teatro: "O Ascensorista"
Grupo Entretantos (Blumenau)
Onde
: Salão de Festas/ Carlos Gomes

00h30 ­ Mostra Jogos de Teatro: "Zona Escura"
Cia. Teatral Ensamble (Itajaí)
Onde
: Auditório Willy Sievert/ Carlos Gomes

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