Leia também:
Programação do Cinema e filmes na TV.
Cinema

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História
Antigos egípcios adoravam o cão na forma de
seu deus, Anubis
Cão também
leva vida de adulto
Comportamento de alguns "famosos"
com relação aos seus bichos de estimação confirma
a máxima de que o cachorro é o melhor amigo do homem
Ademir Fernandes
Agência Estado
A depressão não é uma exclusividade dos seres humanos.
Acaba de ser lançado nos Estados Unidos o Clomicalm, um remédio
antidepressivo para cães. Quando foi divulgada, a notícia
chegou a ser motivo de brincadeiras, mas os veterinários consideram
o problema sério. Segundo eles, os cães merecem tratamento
especial nesse aspecto, inclusive quando chegam à terceira idade,
como os homens.
Alguns donos dispensam tratamento mais do que especial a seus animais,
como a atriz Mia Farrow, que levava sua cadelinha ao analista, e Suzana
Vieira, que trata seu cão Rajá com acupuntura. E, para quem
riu quando o ex-ministro Rogério Magri disse que o cão "é
um ser humano como todos nós", é bom lembrar que o ex-presidente
George Bush transformou sua cachorra Millie em "escritora".
Os especialistas ainda não se arriscam a afirmar com toda segurança
se os cães sofrem exatamente de depressão. Preferem definir
o problema como "síndrome da ansiedade da separação",
que ocorre principalmente quando os donos deixam o animal sozinho.
Os males da terceira idade também afetam os cães, explica
a veterinária Rita Ericson, da Clínica D'Amato, no Rio. Segundo
ela, isso acontece quando o animal chega perto dos 8 anos de idade e então
requer cuidados especiais, já que eles passam a sentir mais sono,
os pelos embranquecem e o coração fica mais fraco. Nessa fase,
é comum surgirem problemas como artrite, artrose, e bico-de-papagaio,
entre outros.
Para os cães mais velhos, o Laboratório Pfizer acaba de
lançar, também nos EUA, o Anypril, destinado ao tratamento
de uma doença parecida com o mal de Alzheimer.
Tudo isso pode soar como novidade para as gerações de hoje,
mas o biólogo John Allman, autor do livro "Evolving Brains",
garante que os cães e os seres humanos têm ligações
em comum há mais de 140 mil anos e evoluíram juntos.
PLANO DE SAÚDE
Recentemente, a atriz e cineasta Suzana de Moraes, filha
do poeta Vinícius de Moraes, presenteou sua cachorra Isaura, de dois
anos, com um plano de saúde lançado pela empresa Petplan.
O plano inclui atendimento equivalente aos dos convênios para adultos,
como consultas, internações, cirurgias e acompanhamento pós-operatório,
e outras vantagens que não podem ser estendidas aos humanos por motivos
óbvios, como a tosa, corte de unhas, banho e limpeza de ouvidos.
Às vezes, o animal acaba contraindo a doença de seus donos.
Foi o que aconteceu com Millie, a cadelinha de Barbara e do ex-presidente
George Bush. Os dois contraíram o Mal de Graves, de origem ignorada,
e Millie também foi afetada. O xodó da família Bush
deu a volta por cima e ainda "escreveu" um livro, o "Millie's
Book", que vendeu mais de 500 mil cópias. Foi essa a fórmula
que Barbara encontrou para descrever o dia-a-dia na Casa Branca, como se
as observações fossem de Millie.
Se o que é bom para os americanos ainda é bom para o Brasil,
vale lembrar, também, que a ex-deputada Dirce "Tutu" Quadros
causou espécie aos repórteres quando visitou Tancredo Neves
no hospital em Brasília, acompanhada de seu cachorro. Ela simplesmente
garantiu que o animal entendia inglês.
Dondon, o cachorro da cantora Marlene, já trabalhou como artista
de teatro - o que não chega a ser algo inédito, levando-se
em conta que vários cães fizeram sucesso na TV e no cinema.
Mas Peteleco, o cãozinho de Adoniran Barbosa, virou "compositor"
- a música "Mãe, eu Juro" foi assinada em seu nome.
Mais recentemente, no começo de janeiro deste ano, a imprensa
internacional noticiou que o pastor alemão Gunther IV foi agraciado
pela condessa Carlota Liebenteins com uma fortuna de 200 milhões
de dólares administrada por seus representantes legais, que abriram
conta nas Bahamas.
O cão passa temporadas na Flórida e na Itália, conforme
o clima, e poderá se transformar brevemente no dono da luxuosa mansão
que o ator Sylvester Stallone colocou à venda em Miami, por US$ 27
milhões. Gunther passeia de BMW com motorista particular, gosta de
nadar na piscina e, pelo menos por enquanto, não precisa tomar Clomicalm.
Terapias alternativas
para os bons companheiros
Cleide Cavalcante
Agência Estado
A escritora inglesa Diane Stein, formada em ciências pela Universidade
Duquesne, defende a terapia holística para cães e outros animais
domésticos. Em seu livro "A Cura Natural Para Cães &
Gatos" (Editora Ground) ela expõe o trabalho de Linda Tellington-Jones,
baseado na cura psíquica, com florais e acupuntura. Mais. Diane fala
sobre os chakras (centros de energia) dos animais e de como eles regem a
saúde do bicho.
Os métodos holísticos, afirma Diane, são sugeridos
para evitar que pequenos males se agravem e a intenção não
é substituir a indicação veterinária. Ela explica
que os cães têm pelo menos cinco chakras maiores ativos e cerca
de 21 secundários. "Partes diferentes do corpo são assessoradas
por diferentes chakras, e a cura destinada a uma parte específica
do corpo envolve trabalhar aquela área de energia e curá-la",
anuncia. Assim como nos humanos, nos cães cada chakra também
tem uma cor específica. Diane destaca que o primeiro passo na cura
dos animais é aprender a comunicar-se com eles. É necessário,
frisa, compreender a linguagem dos bichos.
No caso dos cães, as diferentes posições das orelhas
e caudas têm significado específico. Um cão com a cauda
totalmente erguida, por exemplo, demonstra confiança. "Antes
de poderem entrar em comunicação com seus animais de estimação
ou outros animais, é preciso que se reconheça a natureza espiritual
deles, que é sua ligação com a Mãe Terra. Aos
olhos dela toda a vida é uma só vida, e qualquer força
que prejudique qualquer uma de suas criaturas fere todas elas", pondera.
Animal sagrado
para muitas civilizações
Imagens de cães na arte antiga são conhecidas e documentadas
desde 5000 a.C, e o cão teria sido domesticado bem antes dos gatos.
Foi considerado animal sagrado por muitas civilizações antigas.
Para os chineses, era uma divindade da tempestade. Em diversas representações
de deusas, estes animais também estavam presentes. "Hecade e
Diana/Artemis com seus cães de caça, o deus egípcio
Anubis e a deusa Bau, e Erinyes (deusas vingadoras gregas), a deusa Hel
do submundo nórdico, e os pequenos cães Kalima nas Américas
do Sul e Central e no México", verifica a escritora Diane Stein.
Ela lembra que quando o leão foi extinto na China, a imagem foi
transferida para o cão pequinês, uma raça desenvolvida
para imitar o leão. "Esses cães Foo, que eram animais
de templo, são vistos freqüentemente na arte chinesa como guardiães
e protetores das colheitas e dos portões do templo. Uma das 200 imagens
da deusa Kwan Yin, que a representa derramando a água da vida de
seu jarro sagrado na boca de um cão Foo, pode ser encontrada nas
lojas de importação", informa.
Na Europa Central neolítica, o cão era associado à
deusa Mãe e à árvore da Lua. "Os cães são
os principais símbolos da deusa Lua em toda a Europa, no Egito e
na Grécia. São associados à morte e ao submundo no
Egito, Babilônia, Escandinávia, índia e Grécia".
Também algumas sociedades faziam sacrifícios de cães
em homenagens a seus deuses. De acordo com as pesquisas de Diane, Ísis
era associada a Sirius ou Sothic, a Estrela Cão, no Egito. Para os
astecas, a imagem do cão também era associada à de
uma estrela.(C.C.)
Fernanda Montenegro
monta exposição sobre carreira
Rio - Ainda se recuperando da maratona dos cinco meses de divulgação
do filme "Central do Brasil", a atriz Fernanda Montenegro dedica-se
atualmente à organização de uma grande exposição
no Museu de Arte Moderna comemorativa dos seus 70 anos, que completará
em outubro, e do meio século de carreira, que fará no ano
que vem.
A nova doutora honoris causa da Universidade do Rio de Janeiro - título
recebido essa semana - lamenta a falta de uma diretriz para a educação
e a cultura no País: "A última vez que tivemos um projeto
cultural e educacional foi com Gustavo Capanema", comentou. Fernanda
critica o mau hábito dos governos não darem continuidade a
programas iniciados em gestões passadas. "Nunca se termina,
nunca se sabe onde se vai chegar", analisa.
A primeira-dama do teatro e do cinema planeja levar a exposição,
que será aberta no dia 21 de julho, para outras cidades. O material
terá lembranças do que Fernanda realizou em cinema, televisão,
publicidade e teatro, claro. Muitas fotos serão dos espetáculos
que produziu ao lado do marido, Fernando Torres. Ela disse que, ao rever
o material, teve a impressão de que está trazendo para o público
"muita história e muitas estéticas diferentes".
Há alguns anos, o casal Torres enviou para a Funarte cerca de dez
mil documentos, que nunca vieram à público por causa de problemas
administrativos.
SOS Alcatrão
Hermes Pinto
Já que tem ONG para tudo quanto é coisa, até para
defender palmito, eu e um amigo estamos fundando uma em defesa dos fumantes.
A frase de Mário Quintana, "Quem não fuma não
tem vida interna", será o nosso lema. Já nos correram
do local de trabalho, dos ônibus, aviões, restaurantes, bancos,
enfim, nos tornamos uns párias. Tá na hora da reação.
Em primeiro lugar, que se saiba, nenhum fumante anda pelas ruas reclamando
da emissão de gases dos veículos. Dia desses, vi um ônibus
que despejou mais fuligem em uma só arrancada do que eu e meu Marlboro
iremos emitir até o final da minha vida. Depois que erradicarem os
fumantes, vão acabar com os carros e ônibus também?
Como podem nos ameaçar todos os dias com aquelas sentenças
"O Ministério da Saúde adverte: fumar causa câncer,
gripe, dor-de-cabeça, tuberculose, mal de Chagas, dengue, daltonismo,
etc."? Nos deixem em paz. De que vale um cafezinho ou uma cervejinha
sem o cigarrinho?
Outra coisa. O que será da medicina se acabarem com o cigarro?
Vão culpar o quê pelas nossas mazelas? Tudo é culpa
da nicotina. Desde o câncer no pulmão à unha encravada,
passando pela coriza e cólicas de segunda-feira. Vão viver
de que os médicos? Para quem não sabe, tudo que é bom
tem seu preço. Você viajaria tranqüilo para o exterior
se sua mulher fosse a Luana Piovani? Já pensou quanto não
é o IPVA da Ferrari do Ronaldinho? Você lembra como acorda
depois de uma feijoada com picanha ao óleo e caipirinha?
Nossa ONG não quer aumentar o número de fumantes, nem
defende subvenções sociais, como a inclusão do Derby
na cesta básica; somos apenas a favor do fim da encheção
de saco. Querem transformar esse mundo no quê? Não se pode
mais espancar os filhos quando eles destroem nossa coleção
de latinhas de cerveja; já inventaram o pedágio e o estacionamento
rotativo; o IPTU está ficando mais caro que o Imposto de Renda; enfim,
é extorsão por tudo quanto é lado e agora mais essa.
Nós fumantes, temos de ter complexo de culpa por acendermos um
mísero cigarrinho? Por que? Não se pode abrir uma revista
que lá vêm as bobagens: cada cigarro fumado é menos
cinco minutos de vida; pesquisadores ingleses descobriram que cigarros de
filtros amarelos são causa da impotência entre os 47 e 53 anos
de idade; o alcatrão faz cair cabelo e traz rugas para a testa, etc.
Bando de retardados!
Vamos começar nossa contra-revolução invadindo
cinemas. Depois será a vez dos aviões. Em poucas semanas vamos
tomar os ônibus intermunicipais e não demoraremos muito para
chegar até os hospitais. Resgataremos nossos mártires e lhes
devolveremos a vida interna. Não se metam com a gente!
O Diálogo das Poéticas
Rodrigo Garcia Lopes prepara
livro onde as poéticas, o tempo e a linguagem vibram em um único
e desconcertante tom
GLEBER PIENIZ
Trinta e seis poemas e um desafio: editar um livro que, através
de um diálogo entre formas distintas, refletisse a situação
atual da poesia. Em dezembro do ano passado, o projeto rendeu ao poeta Rodrigo
Garcia Lopes o primeiro lugar no concurso da Fundação Biblioteca
Nacional do Rio: uma bolsa de R$ 4 mil para que publicasse sua obra, "Polivox".
"Os poetas da atualidade estão em situação privilegiada,
pois têm à disposição diversas possibilidades
poéticas que já foram utilizadas", justifica Lopes, que
também é jornalista (foi ex-editor do Anexo) e tradutor.
Além da premiação, dois outros fatos deixaram 1998
indelevelmente registrado no currículo do bardo paranaense. Seus
poemas foram incluídos nas coletâneas "Outras Praias/Other
Shores 13 Emerhing Brazilian Poets" e "Esses Poetas - Uma Antologia
dos Anos 90", edição organizada por Heloisa Buarque de
Hollanda. Lopes diz que "Polivox" deverá conter 80 poemas
- boa parte já escrita, outra ainda em construção -
e explica que as provas do livro precisam ser entregues à Fundação
dentro de quatro meses.
TRÊS VOZES
Da pluralidade de vozes que dá nome à obra, Lopes flerta
especialmente com as linguagens exploradas no último século:
"Concretismo, dadaísmo, surrealismo, poemas longos... É
um diálogo com poéticas e poetas", adianta. Parte desta
aventura se explica na divisão interna do trabalho em três
partes. A primeira delas leva o nome do livro e traz a polifonia expressa
em versos de diferentes poemas. Em "Outravox", a segunda parte,
Lopes invade o mundo de Satori Uso e publica as traduções
para 12 ou 15 epigramas de Marcial, poeta crítico, apegado às
linguagens de baixo calão, também conhecido como "Boca
de Roma". "É outro desafio que lida também com a
polifonia. Como dar voz para um poeta latino que escreveu há muito
tempo atrás, em outra realidade, e que influenciou até mesmo
Gregório de Mattos?", questiona.
Na terceira parte de "Polivox", "Experiências Extraordinárias",
Lopes tenta provar que o poema longo e épico ainda é possível
às vésperas do novo milênio, a despeito do desenvolvimento
da internet e de novos meios de comunicação. O desafio, antecipa
o poeta, é criar uma relação entre a poesia e as chances
de descontinuidade que a multimídia oferece: associar imagens aos
versos (ou vice-versa), estabelecer links e circular por ambientes - gráficos
ou líricos - diferentes. "Sinto necessidade de forçar
um pouco os limites para quebrar com visões determinadas de poesia,
fazer disso um exercício de liberdade poética", explica.
Em fins de janeiro, Lopes voou para a Europa em busca de referenciais
históricos para dar continuidade a "Polivox". Na francesa
Charleville, esteve mais próximo de Arthur Rimbaud e, em Florença,
de Dante Alighieri. A viagem de inspiração encerrou no início
de março, depois de passar por Frankfurt, Berlim, Munique, Roma,
Barcelona, Paris, Londres, a região de Provença e parte da
Suíça. No retorno, a impressão que fica é de
que a viagem trouxe mais informação e, conseqüentemente,
mais confusão às idéias do poeta. "Ainda tenho
que dar forma para o último poema. Uma forma ou não-forma,
é só o que falta... talvez use os cut ups do (William) Burroughs,
incorporando imagens, fotografias". Como certo, Lopes tem apenas uma
bolsa de pesquisa pelo doutorado da UFSC no Arizona onde, desde maio, tem
dissecado a poesia de Laura Riding, a etnopoesia, a poesia ancestral de
índios norte-americanos e, por tabela, dos brasileiros.
Neste domingo, Anexo oferece um aperitivo de "Polivox" na forma
de alguns poemas inéditos que irão compor o livro. A eles,
Lopes acrescenta alguns comentários cujo teor - inquietação,
satisfação e revelação - são mais convincentes
que qualquer explicação a respeito do desafio de se escrever
"Polivox". Na seqüência, Lopes apresenta os delírios
poéticos-fotográficos da viagem de estudos à Europa,
vertidos na linguagem quase confessional de um diário.
Memória e repetição (um
minifesto)
Repetição é uma forma de mudança. Mudança
é uma forma de vida. Vida é uma forma de repetição.
E a mensagem passa a ser apenas o vestígio de uma contínua
mudança. A dança do mesmo. Uma forma de repetição.
Cada memória esgota-se ao mesmo tempo em que ocorre, e tudo o que
temos são rastros, textos, que se acumulam sobre as águas
- que não cessam. A idéia de uma presença persevera,
mas de repente é mera ausência. A água, rio ao reverso,
em sua transparência, não admite que o gelo a emudeça
por inteiro. Silencioso duelo. No inverno, suas águas continuam a
fluir, submersas, protegidas por ele. Pela pele e pelo gelo. Sob a transparente
ausência das águas onde este ex-texto se excreve, como neve,
se forma uma presença, alien a mim mesmo, embora invisível
como vozes - à superfície. Que se transforma. Que se transcende.
Assim como a queda d'água, cujo texto se celebra e se anula ao mesmo
tempo. Sua escrita é uma forma de desaparição. Uma
forma de vida, de mudança, de repetição. Como se escrita
com limão, só se revela sob o sol. As informações
se equalizam: há a impressão de que nada ocorre ali. Só
o que temos, repito, são traços, trilhas no meio do mato,
pistas falsas. Porém, por essa trilha milhares de olhares passam,
gestos imperceptíveis, a cada instante. Eles conversam numa língua
extinta, idioma do gelo; a língua das águas, dos viajantes.
Mudos, eles olham o halo da lua (uma outra forma de repetição).
Nada de novo nisso tudo: não tanto quanto num poema ainda não
escrito. A estética do desaparecimento convida todas as formas de
mudança, como o pensamento nômade de Nietzsche, eternamente
repetindo seu retorno, que nada mais é que uma forma de desaparecimento.
Uma ficção. Dança ritual da mente. Tatuagem fugaz.
Memória da memória. Uma nova forma de repetição.
Comentário: Este poema em prosa, escrito em 1990, é uma
súmula das minhas inquietações poéticas e filosóficas.
Baseando-se no método da escrita minimalista de Gertrude Stein, ele
reflete minhas leituras filosóficas da época (Deleuze, Thoreau),
e a partir de minhas próprias caminhadas pelas regiões do
Arizona (principalmente Sedona). Trata das relações entre
repetição e diferença, linguagem e realidade, ser humano
e natureza. Tenta mostrar, em sua própria articulação,
como diz Marjorie Perloff, que a escrita é inevitavelmente repetição,
"mas cada repetição revela algo mais".
- Aqui
- Imagens gritantes
- No lento jardim do sentir --
- Onde toda tarde tem sua chuva,
- Toda chuva tem seu antes.
- Agora o vento é uma luva.
- O transe, onda no céu gigante.
- Agora, drible seco que derruba
- Qualquer idéia de instante.
-
- Miragens distantes,
- Corpo, ruínas de sentidos:
- Como ter adormecido
- Sem sequer ter sido?
Comentário: Poema de "desterro", escrito onde
moro, no sul da Ilha, que traz (creio) uma crítica do "sentido"
e do sentido da própria vida expondo em suas imagens
algo "esquizofrênicas" e paradoxais ("imagens gritantes")
o conflito entre a exuberância e "deslocamento" proporcionados
pela paisagem do Pântano do Sul e a presença "desterrada"
do ser humano neste ambiente. Fusão de corpo e paisagem, crítica
ao tempo linear-aristotélica, promovendo a introdução
de "outra lógica": a poética.
- estrelas de sangue
& mar de pupilas
- noite e seu manto, lento
- rumor de astilhas
-
- o baque na pele
- é causa de vento ou
- este
-
- exemplo de pensamento
- que editam as ilhas.
-
- faz as estrelas
- tremerem *
-
- no coração, irmão do tambor, um imã.
- ecoar na noite sem vento: sua sina.
-
- estrelas de sangue
- & mar de pupilas
-
- Comentário: Este poema dialoga com a técnica de
composição imagética, bem como a atmosfera "duende"
dos poemas de Frederico Garcia Lorca, que descobri tardiamente (tive o
prazer de ler suas obras completas há meses), fundindo com os dados
e a realidade à minha volta (a paisagem do sul da Ilha). A idéia
é transformar, rearranjar a linguagem de Lorca, repotencializá-la
e ao mesmo tempo homenageá-la - idéia que foi seguida pelo
poeta norte-americano Jerome Rothenberg em seu extraordinário "Lorca
Variations". Na busca de uma "música do sentido".
- ISTO
- Isto,
-
- eu
-
- não sou o poeta
-
- sou o poema
-
- sendo escrito
- Paisagem transparente
- Neblina e montanha transam, conversam na manhã de chuva.
- Mata espessa se adensa, estes ciprestes, alvos agora
-
- Dos afetos kabuki da fumaça. A montanha respira, quase
- some, sem
-
- coragem de sugar o incorpóreo uma só vez.
- Manchas de silêncio.
-
- O mar, perto,
- permanece à margem
- (Como um sonho que não conseguimos lembrar)
- enquanto
- o corpo inquieta-se
- com o ainda-não da mente
- Escultura cinética. O olho
-
- olha e vê, atento, ao que acontece
- aqui,
- entre escrito, neblina e montanha, neste momento.
Comentário: Mini-críticas irônicas ao senso-comum
(que acredita que a linguagem é algo transparente, "natural".
Contra a idéia de que o poema deva ser todas as vezes uma expressão
do "eu" (herança do Romantismo) . A linguagem também
pode ser considerada como um "ser" sempre em movimento, e que
o poeta e o leitor são transformados em "outra coisa" durante
esta experiência, mesmo que em breves momentos.
-
- Se rigores se desfazem como espumas
- e pássaros não recordam seus registros
- como siderar o mar, idéia que se esfuma
- sem a menor ponta de remorso,
- marcas de luta, porradas, ou mesmo isto?
-
- Ver só começa no instante
- em que (sem deixar pistas)
- A razão tira seu óculos e
- seu anti-sol cega nossas vistas.
-
- O sublime não é nada
- a literatura nada é
- -- e pode ser patética, até --
- se não for um olhar
- que transforme a paisagem
- em floresta significativa.
-
- Não experiência lida,
- mas percebida
- crítica da vida
-
- no que a brisa confirma
- a todo tempo
- em seu épico de gestos
- sutis, como quem, insistente,
- um império conquista.
Comentário: Creio que este poema seja já bastante
auto-explicativo para um comentário. Lembrando que, em poesia, os
poetas devem ter cuidado em não acabar transformando a idéia
de "rigor", como difundiram os concretos, num limite à
liberdade poética, num "rigor mortis".
- Escrito num hotel
- O que nos leva a escrever
- Se até o tempo, escrita da mente,
- Desmente estar ali para entreter
- Até o tempo se fechar, até a luz se resumir?
-
- O primeiro gesto que a detona
- É o eco da palavra que a devora
- Exibindo seu osso e seu recheio
- Como vem, de seu impulso dono -- ou dona.
-
- É para confundir os registros
- Que a luz num quarto se anuncia.
- E é para tornar-se ainda mais lúcida
- Que a mão, distraída, nos escreve. E pára.
Comentário: Este poema foi escrito num impulso só,
num hotel em Curitiba. Embora ele tenha "acontecido", espontaneamente
- seguindo o lema de Allen Ginsberg de "primeira idéia, melhor
idéia" - ele reflete o equilíbrio entre forma & conteúdo
que estou perseguindo. Reflete também minhas preocupações
com as relações entre linguagem e realidade, de querer captar
o movimento da mente em busca de "sentido", tentando passar para
leitor um pouco da experiência de ler e escrever poemas.
- BRA
- abracadapalavra
- bracadapalavraa
- bracadapalavrab
- racadapalavrabr
- acadapalavrabra
Comentário: Um de meus raros poemas concretos, "Bra"
foi escrito há poucos meses. A idéia é basicamente
simples (mas inédita, pelo menos para mim): a partir da fórmula
mágica "Abracadabra"' (lembrando que esta forma está
entre as origens xamânicas da poesia) tece-se uma espécie de
mantra entre sons e sentidos. A própria palavra, a partir de sua
emissão, ou ocorrência na página, é aberta para
que em sua sucessão novos sons e sentidos venham à tona. Repetição
e diferença. Também é um toque aos que se aventuram
na experiência da poesia: "abrir cada palavra", inspecioná-la,
explorar seus sentidos ao máximo, suas ambigüidades, fazer as
palavras irem além delas mesmas, como uma espécie de mágica.
- Os paradoxos do tempo (1)
- O futuro anda tão diferente.
- O movimento está parado.
- Nem parece que um dia
- Pensou que era passado
- e foi virar nostalgia.
-
- Nem me contem
- Nem lembrem que hoje
- Já fazia tempo e não fazia
- Um dia como ontem.
Comentário: É um poema "pós-moderno"
em tempos de crash.
- Sobre uma linha de Jack Spicer
- ondas sob
|
a lua |
|
- cheia
|
- depois
|
- maré
|
|
- vazia
|
- tanto
|
|
|
- desperdício
|
- ninguém
|
- escuta
|
- mais
|
- poesia
|
Comentário: Jack Spicer é um poeta norte-americano
contemporâneo. Sua linha inspirou-me a dedicar este poema ao mar e
à situação da poesia em tempos de Tchan. do mar que
vem tudo (inclusive a poesia da linguagem sonora das ondas).
- Diário de viagem
- 26 de janeiro, terça-feira
- Manhã, Mannheinn. Um diário que começa pelo meio,
escrever sendo traçar linhas aéreas, em fuga, escreveu alguém.
Nomadismo: viver e passar por lugares em movimento. Diásporas de
silêncios. Essa é a idéia de um poema que incorpora
e modifica a si mesmo enquanto desliza pelos olhos ativos do leitor.
-
- Ritual nº1
-
- chamam xamãs
-
- se a letra
- se levanta
-
- & anda
- até
- aqui.
-
- Seu movimento é seu sentido.
-
- (Flashes na página branca)
-
- Sonho: estou escrevendo uma série de telegramas estranhos, embaixo
de uma nuvem de néon escrito GÖETHE LUFTHANSA. Sonho nº
1: um babuíno salta do poema e rosna: "Você precisa andar
para escrever". Mannheinn: "terra dos homens" mas também
das bombas aliadas, que quase a varreram do mapa. Como terá sido
a experiência deste "filme"? Há imagem mais barroca
que uma igreja barroca em ruínas? O livro com imagens da guerra:
soldados sem face. Neva sobre a história. Tudo o que a memória
reúne, a guerra arruína.
-
- 29 de janeiro, sexta-feira
- Heildelberg. O passado salta no presente, o presente é uma polaróide
daquele passado.
-
- 3 de fevereiro, quarta-feira
- Amsterdã. "Na holanda esquina do MercadoNovo/ num pôr-de-sol
flamengo/ um imigrante chinês/ cego & velho/ cruza a rua/ ajudado
por um outro cego." Cena de Bruegel?
- Esquinas de fumaça distrito das luzes vermelhas
- casas tortas sobre canal bicicletas revoada de pombas junkies
- negócios escusos madruga luminosos cães jazzistas
- nas esquinas de neblina verde & vitrines obscenas
- vende-se tudo história girassóis gente hojes hash - tudo
- pelo preço de um céu fugaz - nas asas
- do instante peyote das praças lotadas
- letreiros zaum rápidos coffeshops
- slogans absurdos
- gente
- nesses canais de nuvens verdes que nos alcançam
- putas dadá na moldura de luz negra
- túnel de tempo voraz.
-
- PS.
- No museu imperial holandês
- visto antes
- lembrado agora
- o motto de Luis
- Napoleão
-
- DOE WEL
- EN ZIE NIET ON
-
- faça o bem
- e não olhe para trás
-
-
- 6 de fevereiro, sábado
- Trem para Florença. Digo a Lu: somos todos estrangeiros aqui.
Sempre a caminho. Babel no papel: em movimento: um mix de registros, línguas,
"formas de vida". Como este vagão. Como dizia Leminski:
a sensação de despaisamento é o mais moderno dos sentimentos.
Não foi Rimbaud que disse que "precisamos ser absolutamente
modernos"? Cruzando os Alpes, pré-avalanches, até Florença.
Sonho? Sabe-se lá. A paisagem desmancha-se ao menor toque de olhar.
# Galeria Uffizi, com obras dos mestres florentinos: Da Vinci, Botticelli,
Michelangelo, Cimabue, Giotto, Ucello. A persistência da "aura".
Florença, onde a brisa é densa, onde a alma, por um tempo,
suspira & pensa. A cidade de Dante & Guido Cavalcanti, feras do
"doce estilo novo". Vespas nos atropelam nas ruas estreitas.
PASSO CARRABILE REMOZIONE FORZATA, as placas do dep. de trânsito
insistem em dizer. A névoa dos passantes não falam de ti,
Beatriz, nem de nada. Amanhã, San Gimigniano, cidade ao sul de Florença,
no coração da Toscana, primeiro exílio de Dante.
-
- 8 de fevereiro, segunda-feira
- ROME
- Roma rima com si mesma:
- nela, amor, o passado
- repete-se, retorna todo dia
- na forma de ruínas
-
- 11 de fevereiro, quinta-feira
- Veneza. Pasolini: "Morte não é/ a incapacidade de
se comunicar,/ mas o fracasso de continuar sendo compreendido". Todo
poema começa do zero. Localizo, quase por instinto, a Locanda Riva,
onde passei (1984) quatro noites dormindo no sótão do hotel.
Viver em hotéis é como viver num poema que é você,
que nunca tem fim, sempre chegando ou saindo, como
-
- 14 de fevereiro, domingo
- Zurique. Faz frio aqui! Café Dadá. Frio Dadá.
Paisagem em Zig-Zag. Esta é uma homenagem a Tzara.
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- 15 a 19 de fevereiro, segunda
a sexta-feira
- Nas ramblas do poema Barcelona, de um autor ainda não-nascido:
Ciprestes de pedra, vergam-se/ "são as torres de Gaudi"/.
A borboleta de pedra/ detalhe de ruína/ flutua// o poema sonha/
que é a borboleta/ barroca, moderna,/ da catedral de Gaudi".
# O branco da paleta do jovem Picasso se desata: ondas. "Entre 63
e 65 o artista parece enlouquecer num desejo frenético de pintar
- a ponto dele dizer que é a pintura é que faz dele o que
ela quer". - O trem do pensamento é uma casa em movimento.
Como seria um poema épico da percepção? A noção
do poema como um hiperespaço, uma zona de turbulência invadida
constantemente por vozes, modos de expressão, vocabulários,
bombardeado por ""mensagens", mesmo imagens, seguido uma
lógica de links, de zappings.
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- 26 de fevereiro, sexta-feira
- Haikai de Paris: beleza não é tudo disse um cego a um
surdo.
- No Louvre anoto informações sobre Thoth, o xamã
de "Polivox": "inventor da escrita, patrono dos escribas,
que aparece sob a forma de um babuíno ou Íbis".
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- 28 de fevereiro, domingo
- Charleville, cidade de Rimbaud. O velho moinho, à beira do Meuse,
agora transformado em museu. A rua de onde ele fugia e voltava, metáfora
do poema que viveu. Rimbaud é o inventor de uma poética do
processo, fílmica, nomádica. Ele pôe em cheque a linguagem
& a representação, muito tempo antes de nosso Cassino
Global, de nossa Idade Mídia. A linguagem salta ao olhar e os olhos
incorporam fala. # O madras etíope que ele usava no leito de morte.
- 5 de março, sexta-feira
- Londres. Passeio onírico por lugares vividos em 1984, 24 horas
sem dormir. Revisito lugares pessoas pubs esquinas sotaques cenas frases
vozes quebradas parques flashes como partes de mim. A linguagem salta no
olhar e olho passa a falar. # Um poema que incorporasse uma estrutura de
sonho (não mera escrita automática). Onde seja mais difícil
identificar um eu, sujeito, fixo. COMO SERIA POSSÍVEL HOJE UM ÉPICO
DA PERCEPÇÃO? Princípio da incerteza: no ato de perceber,
o que vê altera o que é visto (lê) (lido), e vice-versa.
Nos aeroportos da mente, sempre é hora de partir. Ps. Processo,
do latim processus = ir adiante, prosseguir. "Quanto está o
dólar?" "Onde fica Kosovo?" Tzara: "A obra antiga
me agrada pela sua novidade". Do mesmo modo, a obra nova é
sempre ancestral. A guerra é antiga. Missão: a liga entre
linguagem & visão, linguagem & realidade. "AS PALAVRAS
SÃO MEUS OLHOS", sussurra Thoth.
Hebdomadário
A idade do tempo
José Silveira
Hoje faço anos. São tantos que perdi a conta. Digamos que
sejam vinte. Vinte, não. Os leitores haveriam de desconfiar. É
uma idade talhada aos arroubos, às mulheres, às fumaças
voláteis da vida. Quem lê aos sábados estas melancolias
e reflexões que sirvo na coluna sabe que estas idades têm fios
brancos. Digamos, então, que sejam quarenta, idade provecta com a
qual Nero pôs fogo em Roma, Brigitte Bardot começou a colecionar
gatos, Fidel Castro empalmou Cuba.
Nossos aniversários eram alegres, ruidosos. Minha mãe punha
o bolo no quintal, iluminava as árvores, ligava o gramofone que tocava
um tango. Até hoje não sei por que um tango ao invés
de um samba ou a "Marcha dos Marinheiros". Acho que era porque
só tínhamos um disco. Assim, Carlos Gardel entrou em meus
ouvidos antes de Noel Rosa e Carmem Miranda. A pouco e pouco o leitor vai
intuindo e fazendo contas que o ajudem a apropriar-se de minha idade. Vou
dar outra dica. Getúlio Vargas e o general Goes Monteiro entravam
na história amarrando os cavalos da campanha, ao pé do obelisco,
na praça Paris, no Rio de Janeiro. Meu tio Alfredo levou-me a ir
ver a multidão que se movia, lenta e pesada, nas avenidas cintilando
lenços vermelhos e fuzis.
Todos os anos, no dia 12 de junho, minha mãe me dava um pijama,
obrigação noturna que me incomodava. Quando a luz de 25 velas
se apagava, e ela se retirava do quarto, eu arrancava as duas peças
coloridas e massacrantes, dormia em cuecas. No dia seguinte, apresentava-me
à mesa do café, com o pijama passado, engomado, como saíra
da fábrica. Dona Benedita, muito distraída, nunca deu pela
fraude.
Vi o século nascer e o vejo agora morrer. A morte, essa leviana
senhora, esqueceu-se de mim, e não vou enviar-lhe de mãos
beijadas o meu CEP. Ela que se vire. Quando eu era jovem, a figura do velho
arrebatava-me. Parecia ver em cada ancião o espectro de Maomé,
em todo o esplendor de sua sabedoria e intrepidez. Eu me lembro de Juca
Esteves, 100 anos sólidos, a touceira das barbas caídas sobre
a sanfona que milongava amores proibidos. Juca morreu aos 110, e havia na
sala sob os círios e a cera das velas mais mulheres que homens.
Hoje faço anos. São tantos que perdi a conta. Há
dentro de mim um menino que não morreu, e é ele quem me empresta
as pernas com as quais vim até aqui.

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Literatura |

Um novo começo
Empresário catarinense
lança livro que mapeia os relacionamentos e dá pistas de como
encontrar a cara-metade
Cristiano Escobar Maia
Itajaí - Neste dia dos namorados ela ficou sozinha olhando a rua
pela janela do apartamento. Chovia fino e a moça de cabelos curtos
e ruivos não sabia o motivo de sua vida pessoal estar tão,
digamos, tumultuada. Contou a um amigo por e-mail que o namorado a havia
largado e agora queria voltar. Ela não sabia se o queria. Sempre
achou que um companheiro ideal era aquele com quem você adora conversar.
Assim, quando os dois ficarem velhinhos, teriam muitas coisas para falar.
A história tem uma ponta de verdade. A personagem existe. Mas
o fato é que o sentimento da moça, de 22 anos, não
é somente dela e muito menos exclusivo das mulheres. Por que não
temos um companheiro ou companheira estável? No final das contas,
a felicidade é o que todos buscam? Por que temos tanto medo do amor?
E dos relacionamentos? Será que esse temor existe para todos? Essas
perguntas encheram a mente de Geninho Goes, um executivo ligado ao mundo
do turismo, mas que promove há alguns anos um encontro - o Singles,
em Balneário Camboriú - somente para pessoas solteiras discutirem
os motivos que as levaram a não quererem mais um relacionamento com
outra pessoa. Desilusão? Não, é um pouco mais complexo
que isso.
Para avaliar esse contexto, que segundo Goes é novo na história
da humanidade, ele lançou, este mês, um livro sobre relacionamentos.
Tem o sugestivo título (em letras garrafais vermelhas) "Encontrar
Algúem". O subtítulo é generoso: "como vencer
o grande desafio do terceiro milênio". Está nas livrarias
e uma olhada honesta não tirará pedaço de ninguém.
Além do que, o autor consegue reunir em algumas frases sentimentos
comuns às pessoas sozinhas, por opção ou não.
O trabalho é dividido em 14 partes. Começa com uma análise
correta sobre as mudanças nos relacionamentos neste final de século.
Fala sobre o esfacelamento do núcleo familiar e a maior liberdade
advinda com a instituição da separação como
meio para o término de um relacionamento que não deu certo.
Depois, com uma pitada de história, o autor demonstra, com um certo
pessimismo, o ciclo inevitável das separações. "Não
podemos ter medo de nos separarmos. Vivemos nos separando. A começar
pelo nascimento, deixamos nossa mãe e um ambiente quente a aconchegante.
As pessoas precisam se habituar a aceitar a separação, algo
que sempre acontece em nossa vida", explica Goes. Depois, o autor dá
alguns sugestões para evitar traumas nas separações.
No capítulo 6 Goes fala sobre "o macho do passado e o novo
homem" e "a mulherzinha do passado e a nova mulher", tentando
traçar um perfil sobre a evolução sentimental da humanidade
com base nos solavancos causados desde a revolução industrial
até a tecnológica. Segundo ele, as pessoas têm medo
de se entregar umas as outras porque têm receio de sofrer. O autor
fala isso de cadeira, pois tudo está solidamente baseada nas mais
de 500 entrevistas que fez com pessoas que vivem sozinhas. Goes explica
que mais de 70% delas estão sozinhas porque não encontraram
o parceiro ideal. Até gostariam de ter um companheiro ou companheira,
mas não conseguem encontrá-lo. Uma minoria, cerca 1/4 do total,
está sozinha por opção.
Pobre coitado
O autor acredita que as pessoas precisam aprender a recomeçar.
Ele sustenta, em seu livro, que é necessário esquecer as situações
passadas e buscar um novo relacionamento. E, sobretudo, não se fazer
de coitado. "Carregar o título de sofredor fará com que
as pessoas te tratem como o próprio e aos poucos você será
o sofrimento em pessoa. Não deixe que as coisas lhe abalem com tanta
facilidade. Pense no imenso potencial que você tem para buscar a felicidade
pessoal", diz o autor.
O interessante é que o autor não gosta nem de falar em
"amor à primeira vista". Por quê? "Se você
acredita em amor à primeira vista, lamento informar que será
um pouco mais complicado encontrar alguém no novo milênio.
Os últimos anos têm mostrado que a primeira atração
entre as pessoas é física. Depois vem as afinidades culturais
e intelectuais. Por último, as sexuais", comenta.
Neste ponto do livro o autor explica o abalo causado na cultura brasileira
pelo "ficar" dos adolescentes. Com base em uma pesquisa feita
nos encontros do Singles, ele demonstra que para um encontro ser sério
é preciso em primeiro lugar a sinceridade (14,6%). Depois vem a honestidade
(7,4%), cultura (5,8%), carinho (5,2%), companheirismo (5,2%), caráter
(4,1%), inteligência (3,9%), boa aparência (3,6%), respeito
mútuo (3,6%), fidelidade (3%), afinidade (2,7%), estabilidade financeira
e emocional (2,7%) e, por fim, ser feliz (2,6%).
Goes analisa os resultados da pesquisa: "Em um encontro não
é possível detectar a sinceridade e nem o companheirismo,
mas de qualquer forma o encontro é o começo de tudo, porque
você saiu do armário, se preparou para buscar e se livrou dos
traumas da separação", comenta. O encontro é apenas
o primeiro degrau da escada. Conhecer o outro e achá-lo sincero é
o passo mais importante para ser feliz.
Ao contrário do que muito gente solteira pensa, a maioria dos
relacionamentos, segundo Goes, terminam devido às pequenas coisas
- traumas e situações constrangedoras que vão se acumulando
dia após dia. É a toalha de mão fora do lugar, a roupa
suja em cima da cadeira da sala, o controle da televisão perdido
debaixo da cama, a pia do banheiro suja de pasta de dente. "Isso vai
crescendo e crescendo e chega uma hora que não dá mais para
agüentar. Ou a união acaba ou os dois viverão brigando
e infelizes", sustenta,
A solução é simples, mas para os padrões
dos relacionamentos entre mulheres e homens de hoje em dia, um pouco ousado:
diálogo. Saber ouvir o outro e, sobretudo, aceitar o que ele diz
e tentar mudar. "É preciso conversar, só assim um relacionamento
não cai no marasmo. Se o casal não conversa, ficará
em casa vendo televisão, serão estranhos dormindo debaixo
do mesmo teto", finaliza. Mais informações sobre "Encontrar
Alguém" pelo fone (047) 367-1119, ou pelo e-mail gwg@melim.com.br
Gugu Liberato
anuncia projetos
Apresentador se diz feliz
no SBT, onde tem contrato até 2003, mas não esconde interesse
em ter um canal próprio
Joana Rodrigues
Agência Estado
Com contrato com o SBT até o ano de 2003, Gugu Liberato confessa
sua total satisfação com a emissora paulista e nega qualquer
"assédio" da Rede Globo. No entanto, o apresentador confirma
que tem alguns projetos em mente, como um novo programa para crianças.
"Mas seria algo voltado para uma emissora educativa (tipo TV Cultura),
sem nenhuma obrigação com a audiência, nada comercial",
admite. Em entrevista, Gugu declara que a concorrência é uma
vantagem para o telespectador: "É ele quem sai ganhando com
informações cada vez mais precisas e reportagens cada vez
mais bem elaboradas e editadas", salienta.
Entrevista
Gugu Liberato
O formato atual do "Domingo Legal" é o que lhe agrada?
Gugu Liberato - O formato atual me agrada, mas sou muito inquieto. Sempre
estou criando coisas novas. Além disso, tenho alguns quadros (ou
atrações) novos que pretendo colocar no ar com o tempo. Ainda
neste primeiro semestre farei uma viagem para o exterior onde gravarei várias
reportagens. Mas sempre prefiro manter um certo segredo sobre os locais
e o assunto abordado. Como você pode notar, o programa de uma determinada
semana nunca é igual ao da semana seguinte. Tudo depende dos acontecimentos
da semana, pois sempre pauto a parte "quente" do programa na sexta-feira
ou até no sábado.
Qual é o seu relacionamento profissional com Silvio Santos?
Gugu - Nós temos uma ótima relação. Nos falamos
com regularidade, geralmente por telefone e outras vezes em reuniões
periódicas. Silvio sempre analisa meus programas, faz comentários
e qualquer mudança só ocorre em comum acordo entre nós
dois. Meu compromisso com a audiência é de dar média
de 15 pontos por domingo. Nunca fui cobrado pela emissora, ou pelo Silvio.
Não tenho o compromisso de vencer todos os domingos.
Como você participa da produção do "Domingo
Legal"?
Gugu - Minha função principal é a de apresentador.
Mas pauto muitas matérias, pois leio muito, assisto aos noticiários,
consulto temas pela Internet. Isso facilita muito, pois abre a cabeça
da gente para novas idéias. Editar e produzir já não
é comigo. Às vezes, altero alguns quadros complementando o
tema, raramente cortando algo que já foi feito. Até porque
minha equipe já está acostumada com meu estilo e acerta no
ponto das matérias. Critérios para as mudanças têm
a ver com os acontecimentos factuais.
O jornalismo está ganhando mais espaço no seu programa?
Gugu - Desde que passei a fazer o "Domingo Legal" ao vivo,
adotei o jornalismo como prioridade máxima. A dosagem é feita
de acordo com a quantidade de informações que conseguimos.
Eu tenho certeza absoluta que assuntos "quentes" despertam a atenção
do público. Aliás, é uma obrigação de
qualquer comunicador trabalhar em função da informação.
Você continua achando que os telespectadores são carentes
de notícias no domingo?
Gugu - Continuo. E por esse motivo continuo informando meu público.
Acabou aquela coisa de que, no domingo, o telespectador era obrigado a esperar
o "Fantástico" para saber das notícias. Hoje o jornalismo
está presente não somente em meu programa, como também
em jornalísticos de outras emissoras.
De que forma você acompanha o Ibope?
Gugu - Durante o programa sou informado sobre os resultados do "minuto
a minuto".
Você confia na medição do Ibope?
Gugu - Acho ela confiável, porém, na minha opinião,
deveria atingir um número maior de domicílios. Agora, como
forma de amostragem, acho confiável sim.
A concorrência incomoda?
Gugu - A concorrência não incomoda. Ela motiva os profissionais
e a emissora a investir mais em busca de bons resultados. Como conseqüência,
vem a audiência e os bons resultados financeiros. Toda essa "briga"
noticiada na imprensa, na verdade não acontece da maneira como é
abordada. É claro que existe a batalha pelo furo, pelas atrações
exclusivas. Caso contrário, teríamos programas "mornos",
sem graça.
Até onde vai o folclore e a verdade sobre seus convites para
ir para a Globo?
Gugu - Mais folclore do que verdade. Depois daquele episódio em
1991, quando assinei com a Globo, cheguei a marcar data para estréia
e depois, por conta de um pedido do Silvio Santos, consegui retornar, nunca
mais aconteceu nada de real. Aliás, pouca gente sabe mas, recentemente
o Boni declarou para a revista "República" que, naquela
ocasião Silvio Santos e o Roberto Marinho fizeram um acordo de cavalheiros
para que um não tirasse profissionais do outro. Prova disso é
que a Marluce ligou para o Silvio Santos antes de contratar a Fernanda Souza
para a Globo. Todo o resto é folclore.
Em sua opinião, o que está faltando na tevê brasileira?
E o que está sobrando?
Gugu - Falta um bom canal de notícias, empenhado em informar 24
horas por dia. Aliás, meu projeto caso venha a conseguir - um dia,
talvez - é ter um canal próprio, e criar condições
para um trabalho deste porte. Atualmente estou concorrendo a um canal em
VHS em Curitiba. Mas não tenho previsão de quando isso estará
definido.
Quais são seus planos para este ano?
Gugu - Sonho em criar novos projetos para TV (em termos de produção),
sempre que possível em parceria com Silvio Santos. Quero ampliar
a rede de Lojas do Gugu (atualmente com 13 filiais e quero chegar a 17 ou
20 até o final do ano). Estamos terminando de construir o Posto do
Gugu (localizado na rodovia Castelo Branco), finalizar o projeto Fantasy
Acqua Club e, principalmente, continuar me empenhando cada vez mais no programa.
Se sobrar tempo - e eu espero que sobre - viajar um pouco.
Crônica
SOS Alcatrão
Hermes Pinto
Já que tem ONG para tudo quanto é coisa, até para
defender palmito, eu e um amigo estamos fundando uma em defesa dos fumantes.
A frase de Mário Quintana, "Quem não fuma não
tem vida interna", será o nosso lema. Já nos correram
do local de trabalho, dos ônibus, aviões, restaurantes, bancos,
enfim, nos tornamos uns párias. Tá na hora da reação.
Em primeiro lugar, que se saiba, nenhum fumante anda pelas ruas reclamando
da emissão de gases dos veículos. Dia desses, vi um ônibus
que despejou mais fuligem em uma só arrancada do que eu e meu Marlboro
iremos emitir até o final da minha vida. Depois que erradicarem os
fumantes, vão acabar com os carros e ônibus também?
Como podem nos ameaçar todos os dias com aquelas sentenças
"O Ministério da Saúde adverte: fumar causa câncer,
gripe, dor-de-cabeça, tuberculose, mal de Chagas, dengue, daltonismo,
etc."? Nos deixem em paz. De que vale um cafezinho ou uma cervejinha
sem o cigarrinho?
Outra coisa. O que será da medicina se acabarem com o cigarro?
Vão culpar o quê pelas nossas mazelas? Tudo é culpa
da nicotina. Desde o câncer no pulmão à unha encravada,
passando pela coriza e cólicas de segunda-feira. Vão viver
de que os médicos? Para quem não sabe, tudo que é bom
tem seu preço. Você viajaria tranqüilo para o exterior
se sua mulher fosse a Luana Piovani? Já pensou quanto não
é o IPVA da Ferrari do Ronaldinho? Você lembra como acorda
depois de uma feijoada com picanha ao óleo e caipirinha?
Nossa ONG não quer aumentar o número de fumantes, nem defende
subvenções sociais, como a inclusão do Derby na cesta
básica; somos apenas a favor do fim da encheção de
saco. Querem transformar esse mundo no quê? Não se pode mais
espancar os filhos quando eles destroem nossa coleção de latinhas
de cerveja; já inventaram o pedágio e o estacionamento rotativo;
o IPTU está ficando mais caro que o Imposto de Renda; enfim, é
extorsão por tudo quanto é lado e agora mais essa.
Nós fumantes, temos de ter complexo de culpa por acendermos um
mísero cigarrinho? Por que? Não se pode abrir uma revista
que lá vêm as bobagens: cada cigarro fumado é menos
cinco minutos de vida; pesquisadores ingleses descobriram que cigarros de
filtros amarelos são causa da impotência entre os 47 e 53 anos
de idade; o alcatrão faz cair cabelo e traz rugas para a testa, etc.
Bando de retardados!
Vamos começar nossa contra-revolução invadindo cinemas.
Depois será a vez dos aviões. Em poucas semanas vamos tomar
os ônibus intermunicipais e não demoraremos muito para chegar
até os hospitais. Resgataremos nossos mártires e lhes devolveremos
a vida interna. Não se metam com a gente!
Carlitos digital
Obra do genial Charles Chaplin
é resgatada pela Continental em DVD
Luiz Carlos Merten
Agência
São Paulo - Quando Charles Chaplin morreu, no Natal de 1977, Gláuber
Rocha estava em Salvador, preparando "A Idade da Terra". Por seu
temperamento revolucionário, Gláuber não era muito
de cultivar a tradição, mas fez uma exceção
para o criador de Carlitos. Viu no fato um desafio simbólico para
a civilização contemporânea. "Sua morte corresponde
à morte do humanismo no século 20", escreveu. Talvez
tenha sido um exagero, mas Chaplin foi mesmo grande, pela universalidade
e humanismo de sua obra. Carlitos integra o patrimônio da humanidade.
Parte de sua obra está sendo resgatada pela Continental em seu primeiro
pacote em DVD.
Única distribuidora especializada em lançar clássicos
de cinema em home vídeo no País, a Continental entra para
o circuito do vídeo digital inovando. Além de recheados com
biografias, filmografias, textos sobre os bastidores da época e opções
de legendas, os lançamentos são abertos para o mundo todo
podendo ser vistos em qualquer DVD player. Evita-se, assim, que aquelas
pessoas que compraram seus aparelhos na Europa, no Japão ou nos Estados
Unidos tenham de fazer a decodificação dos mesmos. O pacote
traz "Cidadão Kane", de Orson Welles, "A Dama Oculta",
de Alfred Hitchcock, "O Picolino", de Mark Sandrich, com a dupla
clássica Fred Astaire/Ginger Rogers, "Anjos de Cara Suja",
de Michael Curtiz, e "Tempos Modernos", de Chaplin, mas o filé
é mesmo o "Festival Mutual", volumes 1, 2 e 3, com os curtas
do terceiro período da carreira de Chaplin.
Decorridos 22 anos de sua morte, Chaplin já foi suficientemente
desmistificado sem perder a aura de gênio do cinema. Um livro, em
especial - "Chaplin: Contraditório Vagabundo", de Joyce
Milton, lançado no Brasil pela Ática -, mostra que, na realidade,
ele estava mais para grande ditador do que para adorável vagabundo.
Das mais de 500 páginas do livro sai o retrato implacável
de um maníaco-depressivo que desprezava os amigos e colaboradores
e destratava as mulheres. Joyce reuniu documentos para provar que tudo o
que se dizia de mal de Chaplin era verdadeiro. Foi além, mostrando
como ele foi manipulado pelos comunistas como um símbolo.
Bufão
Chaplin nasceu em Londres, em 1889. Pertencia a uma humilde família
de atores de variedades. Ainda garoto, conheceu o inferno depois que o pai
morreu e a mãe ficou louca. Mas nunca perdeu o gosto pelo humor,
adquirindo certo renome numa trupe de pantominas. Em 1910 viajou para os
Estados Unidos, onde se estabeleceu, dois anos mais tarde. Em 1913, foi
contratado por Mack Sennett para os seus filmes cômicos (e curtos).
Entre 1914 e 1915, Chaplin fez dezenas de curtas para a empresa Keystone,
quando foi descobrindo e lapidando as características de Carlitos,
que ainda não aparece no formato como ficou conhecido mais tarde.
Na evolução de sua carreira, parte do estilo bufão
e um tanto disparatado da fase Keystone para o humanismo da fase Essanay,
ainda em 1915, e o sentimentalismo que marcou sua produção
na Mutual, em 1916. É essa fase que os DVDs da Continental recuperam.
Foi a época da consolidação da popularidade de Chaplin,
seguindo-se a fase da First National (1918-1922), em que o dramático
e o patético se apóiam num sistema cômico tão
perfeito quanto inesgotável - é a fase definitiva da consagração
do gênio, que teve novos desdobramentos. Em 1919, formou, com outros
três grandes de Hollywood - Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W.
Griffith -, a United Artists, na qual produziu sua grande trilogia de tragédias
cômicas ("Em Busca do Ouro", "O Circo" e "Luzes
da Cidade"), prosseguindo na empresa até encerrar sua carreira
com "A Condessa de Hong Kong" na Universal, nos anos 60.
Nada mais divertido do que assistir aos curtas da Mutual: "O Imigrante",
"O Aventureiro", "O Balneário", "Rua da
Paz", "O Conde", "O Vagabundo", "Carlitos
Bombeiro", "Carlitos no Estúdio", "À Uma
da Madrugada", "Casa de Penhores", "Carlitos no Armazém"
e "Carlitos, o Patinador". Formam um belo programa que fica ainda
melhor se o espectador também puder ver, em DVD, o sublime "Tempos
Modernos", em que Carlitos é operário de uma fábrica,
o que permite ao ator e diretor investir contra a mecanização
e a desumanização da era industrial. Por suas posições
consideradas de "esquerda", Chaplin esteve na mira dos macarthistas.
Mas foram as paixões proibidas, e não a política, que
o levaram para os relatórios do FBI. Neles, ele surge, na melhor
das hipóteses, como um subversivo e, na pior, como um pedófilo
que só se interessava por garotinhas com medo de que as mulheres
maduras criticassem seu desempenho sexual. |
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