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Maceió
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Lico com todas as letras

Assumi, com um jornalista de Lages, a agradável tarefa de resgatar todos os passos de Lico no futebol profissional. Começo dizendo que Lico, um fiapo de gente, traz, nas vogais e consoantes, a figura de alguns deuses alados que arrebataram multidões calçando chuteiras de seda. São os dissílabos de uma dinastia que contempla nomes como Telê, Pelé, Zito, Didi, Gérson, Zico, Zenon, Falcão, Lico. Todos compõem o melhor poema do futebol-arte. Solistas de todas as partituras. Craques com os quais a bola trocava as confidências do leito nupcial. "Sou toda tua. Me ama". Lico era um caso raro. Pernas magras de sabiá, minguados 59,5 kg, ninguém ousaria apostar um centavo no biotipo mais frágil do planeta-bola. A aura dos gênios, porém, se sobrepõe aos caprichos da genética humana. Logo nos primeiros treinos no América de Joinville, em 69, Lico mostrou seu imenso talento. Era um perfeccionista travestido de mestre-sala. Fez do drible curto, pés balançando num balé aeróbico, sua grande arma para quebrar o ferro das retrancas. Do América foi para o Marcílio. Passou pelo Figueirense, Avaí, Joinville e explodiu de vez no Flamengo. Lembro como se fosse hoje. Na transferência do Ernestão para a Gávea, Schützler e eu fomos levá-lo, para que ele se sentisse bem à vontade nos primeiros contatos com a cartolagem rubro-negra. Era a primeira segunda-feira de agosto de 80. Na quinta, Lico embarcou para juntar-se à delegação do Mengão que já estava na Espanha disputando o "Ramón de Carranza". - Um jornalista carioca nos gozou: "Vocês trazem um tal de Lico, com 29 anos, para jogar ao lado de Zico? - Vão receber só a primeira parcela". Um ano e meio mais tarde, aquele fiapo de gente tomou porrada de Mário Sotto na dramática superdecisão da Libertadores (Flamengo 2 x Cobreloa 0) - e não parou de enfrentar a fúria dos chilenos; jogou também a final do Mundial Interclubes em Tóquio (Flamengo 3 x Liverpool 0) - e só parou com o futebol por causa de uma cárie-óssea no joelho direito. Júnior-Zico-Lico, os três jogavam por telepatia, tal como Jorge Luiz-Lico-Valdo no Joinville. Um dia a "Globo" chamou Zico ao seu estúdio para eleger os 10 gols mais bonitos de 1981. Zico acessou um botão e mostrou Lico cortando Edinho (beque da seleção brasileira) num Fla-Flu com 110 mil pessoas no Maracanã. O Maraca veio abaixo. Se pudéssemos acionar a máquina do tempo, o filme dos nossos sonhos iria mostrá-lo de corpo inteiro num belo pout-porri - exaltando a versatilidade do craque que sabia driblar, passar, cruzar e fazer gols...

Correr faz bem

Toninho Oliveira, 38 anos, assumiu a preparação física do Flamengo há três meses e meio. Longe da Gávea, sempre ouviu muitas abobrinhas sobre Romário: "Ele não gosta de treinar e é bobagem alguém querer colocá-lo no cabresto. Cai toda a comissão técnica, cai o presidente e ele permanece".

- O que fez Toninho? Observou os hábitos de Romário e em uma semana os dois cruzaram duas vezes o mesmo caminho (saindo da zona sul, onde moram, até o Fla-Barra, Centro de Treinamento do clube rubro-negro). Acreditem: Romário fazia o percurso a bordo de carrões importados; Toninho de tênis, calção e camiseta... correndo.

O próprio Romário indignou-se: "Pô, professor! Por que tanto sacrifício?"

- "Desde que comecei no futebol, em 77, corro 15 km todos os dias. Dê um pouquinho mais de você. Rapidinho você volta a ser o melhor do mundo e volta pra seleção".

Romário ouviu, obedeceu, seu futebol cresceu e o que é mais importante: acabaram suas costumeiras lesões musculares....

Coincidência

Toninho Oliveira nasceu em Joinville no dia 5 de junho de 1960. Careca, ex-companheiro de Maradona no Nápoli da Itália, nasceu no mesmo dia e ano em Araraquara-SP. Até aí, nada demais - não fosse a coincidência de os dois (sem nenhum grau de parentesco) terem sido batizados com o mesmo nome: Antônio José de Oliveira.

Masters

A Liga Tubaronense de Futebol e a Cecrisa promovem, dias 29 e 30 deste mês, em Tubarão, o 2º Estadual de Masters. Estão confirmados os masters de Joinville, Criciúma, Figueirense, Tubarão e Lages. Joaçaba, Blumenau e Atlético Alto Vale respondem amanhã. O campeão receberá o Troféu Prefeito Genésio Goulart.

Vai parar

José Paraíba Telles, presidente da Chapecoense, revela à coluna: "Tenho dois amores na vida. Minha família e o futebol. Da primeira é impossível eu me divorciar, mas a bola é um fardo muito pesado. Terminado o campeonato estadual, pago o que estiver devendo e entrego a presidência. Chega de dar murros ewm ponta de faca".

Torcedor

Rafael Raupp Garcia, Petrolândia (região do Alto Vale), escreve à AN discordando de uma opinião da coluna: "Discordo da sua opinião de que os melhores goleiros do Estado são Fabiano e Pedro Paulo. O melhor, disparado, é Alex do Atlético Alto Vale".


Três Minutos

Perder um amigo, às vezes,
é como perder um braço

José Silveira

A semana foi de cachorros. Se é que se pode ainda usar este animal como símbolo de padecimentos e humilhações. Logo na segunda-feira dei de cara com o Brito, Epaminondas Brito Loebbs, a quem fazia tempo eu devia uma crônica sobre o clube de malhas que ele fundou. Olhou-me por cima dos óculos, desdenhoso, e ao invés de pular em meus braços, com estrépitos, como era de seu feitio, tratou-me com insignificância, disse "oi" e foi embora levando seu desapontamento ao jornalista negligente.

Na terça-feira, outra aporrinhação. A TV aberta e o cabo não foram à inauguração dos 1.500 lux que transformaram o Morumbi, à noite, em um Palácio de Versailles. Eu sentia-me assim privado do grande espetáculo de luz elétrica. A Bandeirantes, no horário, passou um filme de mocinho cheio de sensaborias, uma droga; e a SporTV repassou, pela quarta vez, um teipe inominável sobre pingüins, que eu já sabia de cor e salteado.

Na quarta-feira, meu dentista, que é vascaíno, na hora da anestesia, pôs-se a tagarelar e a bisbilhotar a velha folhinha do século. Tinoco, Fausto e Mola... Berascochéa, Danilo e Jorge... Com a boca travada pelo calo da anestesia, e sob aquele pânico comum a essas horas, tentei falar com os olhos, suplicando ao cirurgião um pouco de profissionalismo e misericórdia. Amarrado à cadeira, indefeso, conversei com os botões que me dissera: "A semana não é sua".

Não era. Já noite, no carro, liguei o rádio, e caiu pesada a notícia da morte de Manoel Poço, antigo diretor do São Paulo FC setenta anos juvenis. Perder um amigo é como perder um braço. Poucas são as pessoas que têm dois amigos, desses que tiram a camisa e enxugam-nos as lágrimas. Jesus Cristo teve doze, e um o traiu. Manoel Poço! Trinta anos de cafezinhos, pizzas, dramas e comédias, estradas, aeroportos, campos de futebol. Devo-lhe a vida. Uma tarde entrei em sua sala, branco como um folha de papel, demolido por dores familiares. Quando me viu, naquele estado deplorável, pressentindo o infarto, lançou um portentoso palavrão. Eu vivia uma crise de amor, e acabara de ser salvo por um sublime palavrão, esses desbocamentos aos quais só os verdadeiros amigos se dão ao direito em horas de grandes catástrofes pessoais. O sangue voltou à face, recompôs-se o compasso cardíaco, senti-me sólido e salvo. Manoel dava-me, naquele instante, a única coisa que me faltava: uma palavra.

Hoje ele está mudo. Esta foi uma semana de cachorros.

Bate-rebate

Pobre rico Maradona ­ Diego Armando Maradona põe a boca no mundo. Pede à medicina cura para o toxicômano. Cansou de viver sobre os arames da química, trapezista das alturas vertiginosas do vício. Sente saudades dos tempos em que cheirava a brisa das manhãs no cais. Eram outros perfumes. Respirava bolas de borracha. O futebol transformou este pobre rapaz em um Midas infeliz, escravo do ouro, condenado à fama, à doença e à angústia.

Não sabe como sair do beco da cocaína, se pudesse compraria todos os campos de papoula, amaldiçoaria o tráfico, voltaria a ser pobre e feliz. Jovens que lêem esta coluna, fiquem de olho na mensagem que vem de Buenos Aires. Pobre rico Maradona...

Crise de modelos humanos ­ Mais oito membros do Comitê Olímpico Internacional acabam de ser expurgados, pilhados em crimes de facilitação e suborno. O mundo não tem mais jeito. Antigamente, os velhos eram a última reserva moral, a última cidadela da honra. Prevaricar era um privilégio dos jovens, eternos estroinas seguidores de James Dean. Hoje, no mundo inteiro, são os velhos que estão com a mão na massa. É só olhar as cadeiras das CPIs, onde não se vê um rosto juvenil. São velhos carcomidos, cômicos, desonrados, modelos a não serem seguidos.

Vasco, meu amor... ­ Há quatro semanas o Vasco era a menina dos olhos do senhor e da senhora. Em vinte dias desmoronou-se. Não acerta mais uma no cravo e nem na ferradura. Primeiro, caiu fora da Libertadores, derrotado pelo Palmeiras dentro do São Januário. Agora, é eliminado pelo Goiás da Copa do Brasil, dentro do São Januário. O Vasco é todo desesperança. É quase uma ironia que tenha sido batido, duas vezes, por dois times cujas camisas são verdes, cor da esperança. Vasco, meu amor... como diria Fernando Luz.

A difícil arte de entrevistar ­ Galvão Bueno entrevistou Ronaldinho, na Globo News. Vinte minutos onde o entrevistador falou quinze. Mas o que doeu foi assistir ao entrevistador tomando a palavra do jogador quando ele ia responder sobre o espasmo epilético que o vitimou quatro horas antes do jogo final Brasil x França. Foi demais. Só deu para ouvir isto: "Fiquei cinco segundos inconsciente, totalmente inconsciente". Na próxima, seria interessante inverter, deixando o craque entrevistar o jornalista...

Língua portuguesa ­ Após o jogo da última quarta-feira, no Ernestão, um jogador do Figueirense, entrevistado na TV, disse: "Lá em Froripa nóis vai mostrá pôs hoje como se joga futebór". Uma delícia.

Gerson e o avião ­ Gerson tinha medo de avião. Uma vez, em um vôo São Paulo/Recife, o bicho começou a pular, embicando as asas. Gerson, que só bebia guaraná, pediu à aeromoça um litro de uísque e embebedou-se. Acordou duas horas antes do jogo, no hotel. Deu os passes para dois gols, marcou o terceiro e ganhou o prêmio de melhor jogador da partida. O prêmio era uma passagem de avião...

Michelangelo e autopia ­ "Ainda hei de pintar uma árvore que, quando o vento bater, as folhas hão de se agitar ao vento."

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Enquete

A coluna pediu a seis dos principais treinadores de Santa Catarina que elegessem a seleção do primeiro turno do campeonato estadual. E o principal jogador. As respostas aqui estão:

Sérgio Ramires (Criciúma)
Fabiano (Cri); Cássio (Chap), Gelásio (Cri), Hilton (Chap) e Rafael (Fig); Perivaldo (Fig), Pereira (Cri), Júlio César (Fig) e Leandro (Fig); Marcelo Silva (Cri) e Paulinho (JEC). Destaque: Marcelo Silva (Fig).

João Carlos Maringá (Chapecoense)
Fabiano (Cri); Edinho (Fig), Altair (Avai), Hilton (Chap) e Cláudio (AAV); Perivaldo (Fig), Pereira (Cri), Marquinhos Rosa (JEC) e Ronaldinho (Chap); Paulinho (JEC) e Genílson (Fig). Destaque: Paulinho (JEC).

Luiz Gonzaga Millioli (Avaí)
Fabiano (Cri); Edinho (Fig), Remerson (JEC), Roberto (Tub) e Rafael (Fig); Perivaldo (Fig), Valdeir (Fig), Marquinhos Rosa (JEC) e Leandro (Cri); Dão (Avaí) e Paulinho (JEC). Destaque: Paulinho (JEC).

Nasareno da Silva (Tub)
Marcos (JEC); Panambi (JEC), Carlinhos (Fig), Roberto (Tub) e César Souza (Avaí); Perivaldo (Fig), Júlio Cesar (Fig), Gunga (Tub) eLeandro (Cri); Marcelo Silva (Cri) e Paulinho (JEC). Destaque: Paulinho (JEC).

Aquiles Fernando Kupser-Cabinho (Kindermann)
Pedro Paulo (Kind); Patrício (Kind), Alexandre Rosa (Fig), Hilton (Chap) e Clóvis (JEC); Valdeir (Fig), Pereira (Cri), Marquinhos Rosa (JEC) e Murillo (Avaí); Marcelo Silva (Cri) e Genílson (Fig). Destaque: Patrício (Kind).

Domingos Sávio da Silva (ATlético Alto Vale)
Alex (AA Vale); Edinho (Fig), Carlinhos (Fig), Hilton (Chap) e Cláudio (AA Vale); Toto (Fig), João Carlos Cavalo (JEC), Marquinhos Rosa (JEC) e Júlio César (Fig); Marcelo Silva (Cri) e Paulinho (JEC). Destaque: Paulinho (JEC).

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